Este poema, publicado em «O Cárcere e o Prado Luminoso», terá sido escrito pouco antes da Revolução de Abril, quando a luta armada, através das acções da LUAR, da ARA e das BR, começava a ferir as estruturas militares da ditadura. Em 1973, Outubro, salvo erro, aderi ao Partido Revolucionário do Proletariado, que se formara em Setembro, em Argel. Como se sabe, o PRP apareceu como estrutura política das Brigadas Revolucionárias, que já existiam e operavam. Ladrões de fogo era uma designação que eu usava, desde há muito tempo, para os que lutavam contra o regime, fazendo apelo ao mito de Prometeu. O poema é, portanto, uma auto-justificação e, num sentido mais amplo, uma explicação dos mecanismos que levam os homens a pôr em causa a sua liberdade e até o seu bem-estar para lutar por uma causa. Neste caso, o roubar o fogo do Olimpo, o poder, retirando-o da mão dos deuses, os oligarcas, e entregando-o ao povo. Passado este tempo, vejo que apenas simbolicamente o fogo está em poder do povo. Mas já todos aqui conhecem o que penso sobre a Democracia que temos. Vamos mas é ao poema. [Read more…]
A máquina do tempo: montanha mágica
A mesma sala tem dimensões diversas consoante a apreciamos na infância ou na idade adulta – às crianças as coisas parecem sempre maiores, por razões óbvias de diferença de escala. Quantas desilusões temos ao regressar em adultos a locais «grandiosos» da nossa infância e os encontramos pequenos, acanhados, insignificantes… Tinha os meus dezasseis anos quando li «Montanha Mágica», de Thomas Mann. Li-o numas férias de Verão na Biblioteca Nacional que funcionava ainda no velho edifício do Largo da Biblioteca, junto à Rua Vítor Córdon, pegado com a Escola Superior de Belas Artes.
A máquina do tempo: a declaração universal dos direitos humanos
Comemora-se hoje o 61º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O seu primeiro rascunho deve-se ao canadiano John Peters Humprhey, recebendo depois contributos de muitas outras pessoas de outros países entre as quais se conta Eleanor Roosevelt. . Em 10 de Dezembro de 1948 a Assembleia Geral da ONU aprovou os seus 30 artigos. Estava ainda muito viva a recordação da 2ª Guerra Mundial, onde todos os princípios básicos da convivência entre seres humanos tinham sido barbaramente violados.
Esta declaração universal, a ser respeitada, acabaria imediatamente com quase todos os males que afligem a Humanidade. Dado que o acesso a todo o seu articulado é fácil, apenas vou lembrar o artigo 1: «Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e de consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
A máquina do tempo: esquecer ou não esquecer
Dizem-me que já não tem interesse falar nestas questões do fascismo, do nazismo, do Holocausto, da resistência à tirania… Que já não se usa, que são temas muito batidos. É precisamente por isso, por «já não ter interesse» que não me calo e nunca deixarei de falar nesses temas que já foram vistos por milhares de ângulos e que, mesmo quando julgamos estar a ser originais, mais não fazemos do que repetir o que outros já disseram. Não me importa, pois trata-se, não de uma questão de originalidade, mas de um imperativo – não esquecer.
Tenho aqui falado da grande quantidade de franceses que, durante a ocupação alemã (1939-1944), colaborou com os invasores nazis. Porém, é preciso dizer-se que muitos outros, resistiram, organizando-se e lutando. Muitos deles pagaram com a vida essa patriótica atitude. Dizer-se que a França resistiu heroicamente à ocupação germânica, seria um exagero e um falseamento da verdade histórica. Tão grande e tão grave como dizer-se o contrário. É que a verdade tem sempre, no mínimo, duas faces.
A máquina do tempo: Víctor Jara
A música para este poema de Pablo Neruda – «Poema 15», «Me gustas cuando callas» – foi escrita por Víctor Jara, que interpreta também a composição. Todos ouviram já falar do cantautor Víctor Jara. Até existe em Portugal um agrupamento chamado Brigada Víctor Jara. Alguns até devem saber que era chileno. Outros, indo um pouco mais longe no conhecimento sobre este grande cantor, saberão que foi assassinado nos primeiros dias da feroz repressão que se seguiu ao golpe de estado de Pinochet. Vou hoje falar sobre esse homem que se transformou num dos símbolos da heróica resistência chilena à ditadura militar. Sábado passado, dia 5, foi realizada uma cerimónia, um segundo funeral do grande músico, já que o primeiro se fez clandestinamente. Desta vez, uma multidão acompanhou Jara – sobreviventes da ditadura e do exilio. O cantor catalão Joan Manuel Serrat escreveu um texto de homenagem. Trinta e seis anos depois, Víctor Jara teve um funeral condigno. [Read more…]
Clube dos Poetas Imortais: António Maria Lisboa (1928-1953)
Poucos escritores portugueses, como aconteceu com o poeta surrealista António Maria Lisboa, que morreu tuberculoso e louco com 25 anos, terão num percurso tão curto como dele, marcado tão indelevelmente a literatura do seu tempo . Em «O senhor cágado e o menino», auto-retrata-se nestas palavras: «O Menino de bronze repousa na solidão da lua nasceu-lhe um olho de chacal que é o animal que só passa nos caminhos livres e são todos – os lobos é que andam à espreita – e o coração é de Leão. E esta é a sua Lealdade e o seu Amor como o Destino e o seu Sentido que tem e chama-se António Maria Lisboa.»
Poemas com história: Pedreira dos Húngaros
Na sequência da Revolução de Abril, o projecto SAAL tentou resolver o problema dos bairros de lata que enxameavam as cinturas industriais de Lisboa, Porto e Setúbal, principalmente. Hoje, os bairros de lata foram em parte erradicados, mas substituídos por outra dramática tipologia – a dos bairros degradados. Há, entre uma coisa e outra, diferenças quantitativas e qualitativas. Porém, a questão central mantém-se, porque se é verdade que, tal como acontecia nos bairros de lata, os bairros degradados abrigam muita marginalidade (roubo organizado, tráfico de droga, prostituição…), paredes meias com essa marginalidade, convivem pessoas honestas, que trabalham ou estão desempregadas, e que vêem os seus filhos crescer num ambiente que pode, à partida, condicionar negativamente o trajecto das suas vidas.
Pedreira dos Húngaros
A máquina do tempo: vitória do Grande Irmão e triunfo dos porcos (da distopia ficcional ao lixo televisivo)

«Mauro agride Verónica» (…) «Noite de violência no Grande Fratello. E, seguramente, uma expulsão em perspectiva» (…) «Esta noite na Casa verificaram-se episódios totalmente incorrectos e contrários às normas, não só do Grande Fratello, como também da convivência social». São notícias de jornais italianos da semana passada. Lembram-se da agressão do Marco à Sónia? Não que eu tenha a mania das teorias da conspiração, mas não é curioso que em Itália, anos depois se passe exactamente o mesmo que em Portugal? No «Gran Hermano», aqui ao lado, também houve bronca a semana passada. Vejamos o vídeo do «Gran Hermano» da Telecinco espanhola:
Dizem os jornais: «Expulsa outra concorrente do «Gran Hermano» após uma zaragata com uma companheira: Indhira não controlou os seus impulsos e agrediu e insultou Carol».(…)«Pela segunda vez esta edição, um concorrente de «Gran Hermano» foi expulso de modo disciplinar após forte zaragata com um dos seus companheiros. Neste caso, foi a malaguenha Indhira que não pôde controlar os seus impulsos durante uma discussão com Carol, acabou por a agredir e insultar».
Anuncia-se uma nova série do «Big Brother» em Portugal. O modelo parecia esgotado, mas os crânios da TVI vão tentar insuflar-lhe nova vida. Porque, mundo fora, a droga holandesa da Endemol, vai vingando. Para os que acham que somos particularmente estúpidos e se autoflagelam com acusações aos portugueses, deixo mais um exemplo. Espreitemos o «Big Brother brasile
ir
o. O nível cultural dos participantes não fica nada a dever ao dos programas europeus.
E, já agora, recordemos este momento de ouro da televisão nacional – o pontapé de Marco a Sónia:
Há aqui um padrão que se repete. Será que, pessoas de nível cultural básico, tal como os ratos de laboratório, quando enjauladas começam a ter um comportamento agressivo? Ou será que faz parte do guião do programa apimentá-lo com estas cenas deploráveis que, nesse caso, seriam preparadas? Seja como for, no meio de tanta porcaria, esse pormenor desonesto seria irrelevante. A questão que levanto é: por que razão gostam as pessoas de ver estas coisas?
Em 1984, o mundo não estava dominado por uma oligarquia como a que George Orwell previa na sua distopia ficcional. Porém 25 anos depois de 1984, temos uma oligarquia que se permite difundir à escala global uma cultura de destruição da cultura, de abolição do respeito que as pessoas a si próprias devem. Porque, derrubadas essas defesas, as pessoas ficam à mercê das diferentes formas de marketing que constituem uma arma mais poderosa do que cem bombas nucleares.
Mussolini, Hitler, Estaline, Franco. Salazar, Pinochet, não compreenderam a natureza humana. Acreditando na sua decência, criaram, para destruir pelo terror uma decência que podia ter sido aniquilada de forma menos traumática. Para quê aqueles horríveis aparelhos repressivos com tão mau aspecto – cárceres, torturas, campos de concentração…
Para quê um regime fascista, se cada ser humano, devidamente estimulado, destrói voluntariamente as defesas imunitárias do decoro e do auto-respeito? Se por dinheiro, tudo se faz? Para quê tropas na rua, polícias espiando, se a maioria das pessoas está disposta a destruir os princípios básicos da cidadania e a descer ao grau mais básico da escala comportamental. A troco de uns euros ou de uns dólares, séculos de civilização desaparecem. Sem violência visível, sem gastar dinheiro num aparelho policial e repressivo, o Grande Irmão triunfou.
É também o triunfo dos porcos.
A máquina do tempo: a XIX Cimeira Ibero-Americana de Lisboa, as Honduras e o bicentenário da independência

No próximo ano celebra-se o bicentenário de uma parte das nações latino-americanas. Essa luta de libertação foi particularmente empolgante pela grande solidariedade que existia entre os diversos povos e forças envolvidas na luta pelas independências nacionais. Por exemplo, os generais argentinos O’Higgins e San Martín atravessando a cordilheira dos Andes para libertar o Chile ou Simón Bolívar, nascido em Caracas, actual capital da Venezuela, avançando desde o norte do subcontintente, indo pela Venezuela e Colômbia, passando ao Equador para atingir o coração da América Latina e ali implantar uma nova nação – a Bolívia. Solidariedade que actualmente não se verifica, como se vê na posição que cada país da região toma face à grave crise hondurenha.
Neste momento, dois séculos depois dessa épica fraternidade, existe uma profunda divisão entre os países latino-americanos. Ilustrando bem essa divisão, no rescaldo da XIX Cimeira Ibero-Americana realizada no Estoril, e que terminou na passada terça-feira, salienta-se o facto de a crise nas Honduras, ter dividido os delegados das 22 nações representadas. A presidência portuguesa obteve uma declaração que condenando o golpe nas Honduras conseguiu reunir consenso. Porque os estados americanos de língua espanhola e portuguesa não se entendem quanto a este recente episódio da queda do presidente Manuel Zelaya, em 28 de Junho, e da não-legitimação das eleições .
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essa comunidade entende que no século XXI temos um futuro para construir em conjunto. O bicentenário constitui uma oportunidade para renovar os laços de uma história que tem mais de 500 anos.»
A máquina do tempo: a Suíça e os minaretes

A máquina do tempo: Bon colp de falç! – a Restauração portuguesa e a Catalunha (2)

(Texto de Carlos Loures e Josep Anton Vidal)
Depois de termos ouvido a versão oficial do hino nacional catalão, ouçamos agora a versão histórica, cantada por Rafael Subirachs no festival «As seis horas de Canet», em 1975. Foi três meses antes da morte de Franco, a ditadura estava moribunda, mas vigorava ainda. A ânsia de liberdade florescia por toda a parte. Subirachs cantou «Els segadors» enganando a censura. No final da sua interpretação a frase «Segueu arran!» ( «segai rente» ou «cortai pela raiz»), entre os gritos da multidão pedindo a liberdade. Este vídeo conserva toda a força e emoção desse momento histórico.
A máquina do tempo: Bon colp de falç! – a Restauração portuguesa e a Catalunha (1)

(Texto de Carlos Loures e Josep Anton Vidal)
eg
ando-se igualmente a aceitar exigências que colidiam com a legalidade catalã (Els Usatges). Voltou a fracassar a ofensiva de Olivares quando as Cortes foram reatadas em 1632. Nesta altura, Olivares recorreu a uma artimanha: tentou usar a legalidade catalã para a aniquilar: mercê do usatge “Princeps Namque”, era concedido ao conde de Barcelona (soberano do país), o direito de chamar às fileiras os súbditos em defesa do território. Porém as instituições catalãs mantinham a argumentação de que sendo essa potestade exclusivamente destinada à defesa do Principado da Catalunha, não era legítimo usar as forças assim constituídas para atacar outros territórios. Portanto, constituído um exército com recurso a essa lei, não podiam as tropas ser empregues noutro fim que não a defesa, nem podiam sair do território.
Clube dos Poetas Imortais: Pedro Oom (1926-1974)
Segundo reza a história, a Revolução de 25 de Abril de 1974 apenas provocou quatro mortos. Agentes da PIDE/DGS, aterrados com a multidão que gritava sob as janelas do quartel-general daquela polícia, dispararam sobre os manifestantes, matando quatro e ferindo muitos outros. A História está errada – foram cinco e não quatro os que morreram nesse dia devido à Revolução. A poucos metros do sinistro palácio da Rua António Maria Cardoso, no Largo de Camões, dois poetas seguiam, entre muitas outras pessoas que enchiam o largo naquela tarde de Primavera, as peripécias dos agentes da secreta que, saltando de telhado em telhado procuravam escapar de ser presos pela força de fuzileiros que invadira o edifício. Era o António José Forte (o sócio número um deste clube) e o Pedro Oom. O Pedro estava feliz e comentava para o Forte: «Nunca esperei ver uma coisa destas, os pides a fugir de nós!». Sorria, e de repente, sentiu-se mal cambaleou e caiu. O Forte, ajudado por algumas outras pessoas, estenderam-no sobre um banco do largo e tentaram reanimá-lo. Alguém foi rapidamente telefonar a pedir uma ambulância. Nada feito. O coração do Pedro não aguentou tanta alegria.

Pedro Oom nasceu em Santarém no dia 24 de Junho de 1926. Inicialmente ligado ao neo-realismo, aderiu ao movimento surrealista. Foi o mentor da teoria do abjeccionismo, ao redigir, em 1949, o Manifesto Abjeccionista. Até 1974, os seus textos encontravam-se dispersos por jornais e revistas, sendo um dos colaboradores da «Pirâmide». Alguns desses textos poéticos, foram postumamente compilados em Actuação Escrita (1980) e em «Histórias para Crianças (Emancipadas», pequenos poemas ou relatos escritos com um insólito non sense próprio da poesia surrealista. Como o poema «Pode-se escrever» que ouvimos, declamado por Mário Viegas, e como estes «Camaradas»:
Os camaradas
Os camaradas
saíram para a rua
com os bolsos cheios de serpentinas
(o calendário
estava trocado
e de entrudo
nicles
nem um só cabeçudo
ou máscara
até o polícia de giro
com dignidade sui generis
dos pequenos autocratas
participou na patuscada
depois do jogo
– o Benfica foi eliminado)
Os camaradas
compraram fatos novos
nos alfaiates dernier-cri
e botaram as serpentinas
no lixo
para não deformar
os bolsos (novos).
Poemas com história: Se não matarem todos os monandengues da nossa terra

Se não matarem todos os monandengues da nossa terra
A máquina do tempo: por que motivo não compraram os quadros do jovem Adolf?


Se viajarmos um pouco mais para trás, vamos encontrar um jovem cabo austríaco desmobilizado, andando à deriva numa Berlim boémia, cosmopolita, dominada por judeus ricos e vivendo os anos loucos do pós-guerra.
Em 1910, com 22 anos, Hitler estudava na Academia de Belas Artes, ganhando algum dinheiro pintando postais e desenhando cartazes de publicidade a detergentes, graxa para sapatos e outros artigos de consumo. Sem êxito – os quadros não se vendiam e os trabalhos com que ganhava a vida, escasseavam. Esse fracasso na arte e na publicidade atirou-o para as lides políticas onde descarregou a sua frustração contra um mundo que não soubera apreciar os seus dotes. Pelo que se pode ver das suas produções artísticas, não terá passado ao lado de uma grande carreira, como se costuma dizer dos futebolistas. Perdeu-se um mau pintor e ganhou-se um político horroroso. Os judeus ricos de Berlim deviam ter comprado os seus quadros sem regatear os módicos preços.
A máquina do tempo: Os encontros da imprensa cultural
Momento em que no II Encontro se guardava um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe.
ec
isão tomada nesta reunião, o boletim «Encontro» de que apenas saíram dois números. Em Fevereiro de 1965 todos os arquivos e material gráfico da publicação foram apreendidos pela PIDE e preso o seu coordenador.
O III Encontro foi realizado em Guimarães, no Hotel das Caldas das Taipas, em Agosto de 1965, sob a presidência do escritor Ferreira de Castro.1966. Na foto, vemos o momento em que intervinha Santos Simões, do «Notícias de Guimarães».
A máquina do tempo: foi há 34 anos

av
am em Abril de 74? E em Novembro de 75 foi esta a normalidade que quiseram proporcionar ao País?
A máquina do tempo: Gualdino Gomes – uma operação de resgate (2)
(primeira parte aqui)
Caricatura de Gualdino Gomes por Rafael Bordalo Pinheiro (1900).

do
, pois além desses pequenos folhetos, escreve ao todo pouco mais de uma dúzia de artigos, dispersos por revistas e jornais. Publica também um soneto na Seara Nova, para além desse tal outro que, ridicularizado por Fialho, é, segundo Gualdino a causa próxima da ruína da sua carreira. É talvez muito pouco para justificar uma vida que se prolongou por mais de 90 anos e em que pelos menos 70 foram votados à literatura. Porém, não esqueçamos, Gualdino Gomes é sobretudo um leitor, a sua função é ler e dar a sua opinião, nem sempre caridosa, mas sempre honesta e desassombrada. As «balas de papel» que disparou não foram muitas, mas aquelas que fez de palavras proferidas nas mesas do Café Chiado, da Brasileira, ou do Martinho, tiveram preponderante influência em sucessivas gerações de gente das letras. Algumas perduram até aos nossos dias. E, se pensarmos bem, isso já não é pouco.
A máquina do tempo: Gualdino Gomes – uma operação de resgate (1)

Da esquerda para a direita, Abel Manta, Aquilino Ribeiro, Gualdino Gomes e Júlio Costa Pinto. Esta fotografia, tirada em 1938 á porta da Havaneza, no Chiado, é a única que se conhece de Gualdino Gomes.
no
mes da literatura e da cultura: Alexandre Herculano, Gonçalves Crespo, Cesário Verde, Oliveira Martins, Gomes Leal, João de Deus, Eça de Queirós, Tomás Ribeiro, António Nobre, Gervásio Lobato, D. João da Câmara, Fialho de Almeida, Bulhão Pato, Mário de Sá-Carneiro, Marcelino Mesquita, Gomes Leal, Maria Amália Vaz de Carvalho, Teófilo Braga, Augusto Gil, Wenceslau de Morais, Florbela Espanca, Raul Brandão, Henrique Lopes de Mendonça, Fernando Pessoa, Leonardo Coimbra…
Clube dos Poetas Imortais: Manuel María (1929-2004)
Se há poeta que se justifique figurar neste clube, é o galego Manuel María. Tenho evitado, no que se refere aos portugueses e aos brasileiros, incluir gente muito famosa, muito estudada por críticos literários e objecto de teses académicas. Gente que será imortal sem a minha modesta ajuda. Porém, africanos lusófonos e, sobretudo, galegos (porque há quem hesite em os considerar lusófonos), mesmo famosos nos seus países, são pouco ou nada conhecidos entre nós. Manuel María é uma das vozes mais emblemáticas do ressurgimento do galego como língua literária. Grande poeta, escreveu obras como «Mar maior» (1963), «Os sonhos na gaiola» (1968), «Remol» (1970), «Cantos rodados para alheados e colonizados» (1973), «O livro das badaladas» (1977), «O caminho é uma nostalgia» (1985), «As lúcidas luas do Outono» (1988), «Os longes do solpor» (1993) e tantos outros – cerca de três dezenas de obras.

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O Labrego
Poemas com história: Falemos de paisagem

Falemos de paisagem
Mas, como podíamos cantar
Com o pé estrangeiro sobre o coração?
Salvatore Quasímodo
(Giorno dopo giorno)
A máquina do tempo: breve nota sobre a poesia galego-portuguesa
A máquina do tempo: Mussolini – Benito, para os amigos


A máquina do tempo: Guilherme Tell e a grande oportunidade perdida

Diz a tradição que foi a 18 de Novembro de 1307, faz hoje 602 anos, que se deu o episódio de Guilherme Tell, a história da flecha, da maçã e da cabeça de seu filho. Todos conhecem a lenda que inspirou poetas, escritores e o grande compositor Rossini que criou uma ópera com o nome do herói suíço, cuja abertura é particularmente famosa. A história é assim: Guilherme Tell e o filho, ao passarem pela praça central de Altdorf não saudaram, como era obrigatório o símbolo do domínio dos Habsburgos, o chapéu de Gessler, o tirano que, em nome dos austríacos, governava o território. Presos, Tell foi condenado a disparar com a besta uma frecha sobre uma maçã colocada em cima da cabeça do menino.
A máquina do tempo: Umberto Eco à Der Spiegel: «Gostamos de listas porque não queremos morrer»

eg
el: Uma definição certamente seria possível com um animal mais convencional.
A máquina do tempo: Parabéns Saramago!
Clube dos Poetas Imortais: António Cabral (1931-2007)

Acorda amor
ca
s agora o nosso filho? Que palmeira
Poemas com história: Esplanada da praia

A máquina do tempo: Os dicionários, nossos amigos

A máquina do tempo: O fenómeno explosivo dos blogues











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