Ler como ser

    (adao cruz – o eco) 

(Em tempo de livros parece-me útil este texto de Marcos Cruz)

Ler como ser

Penso se um dos trunfos da escrita não será o facto de que quem lê está envolvido na leitura e, dentro da dinâmica própria em que a leitura se processa, não tem tempo para reflectir sobre o que vem a seguir. Refiro-me, concretamente, a estes textos que escrevo. À medida que os vou escrevendo, cada uma das palavras impressas me ecoa na cabeça e, como qualquer eco, traz uma aparência indefinida, dividida ou multiplicada, não sei, mas em que são perceptíveis várias derivações, relações profícuas, como quando se atira uma pedra a um rio e os círculos nascem uns dos outros, trementes, nunca parados, mas suficientemente nítidos para os podermos cristalizar na memória e, depois, se for caso disso, fazermos uso deles. Mais ou menos assim é, aliás, a vida: nunca pára, não dá para apanharmos verdadeiramente nada a não ser essas impressões e, depois, se for caso disso, fazermos uso delas. Será a vida um eco? Não sei. Mas também não era por aí que eu ia. [Read more…]

Ler:

Que Sócrates não submeta onde Salazar recuou.

Saramago à procura de Deus

Não concordo absolutamente nada com a nota do Vaticano acerca da morte e da obra de Saramago, reduzindo os seus livros a um amontoado de axiomas marxistas-leninistas, de costas voltadas para o Homem e a sua Cruz.  Sendo o que menos importa na vida e obra de Saramago a verdade é que o escritor em dado passo da sua vida colocou em causa o caminho “Marxista-Leninista” do partido de que era e continou a ser militante, sendo o primeiro subscritor de  uma proposta para ser discutida num dos congressos do PCP.

Se há um fio condutor na obra de Saramago e a torna singular é, exactamente, a angústia de procurar que a Humanidade seja mais que a vulgaridade da vida terrena, com o seu cortejo de vaidades, mentiras, ódios e “ter” em vez do “ser”. Se em quase todas as obras essa procura é evidente, e fá-lo nos livros que afronta Deus no sentido de O questionar, de O colocar perante a evidência da obra imperfeira de quem se pretende perfeito, então o “Ensaio sobre cegueira” é uma prova insofismável.

Sabe-se que foi este livro que empurrou Saramago definitivamente para o Nobel. E que encontramos nós nesta obra, tão transcendente, para merecer ser traduzida em tantas línguas e ter chegado a uma grande produção de Hollywood? Todo um povo encontra-se de um momento para o outro cego, sem explicação possível, uma “cegueira branca” que não assusta e não angustia. Só uma mulher foge a esse destino trágico! Porquê a excepção? Porquê uma mulher? Vamos, descobrir ao longo da leitura, que esta mulher é mais que uma simples pessoa é um “SER”capaz de se “dar” aos outros, capaz de os “guiar”, de os manter no limbo da esperança, mostrar-lhes  que o que perderam ( o material, o físico) nada é comparado com o que cada “ser” é capaz de descobrir dentro de si mesmo!

Hoje, no cemitério do Alto de S. João, quando a urna foi definitivamente tragada pelo fogo do crematório, mais do que nunca senti, que Saramago procurou toda a vida uma explicação, ou um final redentor para uma vida que lhe deu mais dúvidas do que certezas, e que não o preenchou, o que o levou à procura, escrevendo.

Uma grande obra literária tem sempre muitas leituras e aí reside grande parte da sua importância, mas que melhor homenagem se pode fazer a Saramago que entender esta sua angústia existencial , transcendental?

Andou o ateu Saramago, afinal, toda a vida à procura de Deus?

Uma perguntinha inocente…

…ou, talvez, duas.

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Deco não joga.

“- E o burro sou eu?  Hum, hum?”

.

Pub.: A Crise Social em Braga

No próximo dia 21/6, Segunda – feira, às 10h 30min, a Associação Justiça para Todos (AJpT) será recebida em audiência pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.

Na audiência a AJpT apresentará ao Arcebispo de Braga as suas preocupações sobre a crise social  que o Distrito de Braga atravessa e dará conhecimento das iniciativas da AJpT com o objectivo de ajudar as pessoas que neste momento atravessam graves dificuldades, nomeadamente no combate à pobreza e à fome.

A delegação da AJpT será constituída por Franclim Ferreira e Carlos Borges, respectivamente Presidente e Vice – presidente da Direcção, e Emídio Guerreiro, Presidente da Assembleia Geral da AJpT.

http://www.justicaparatodos.pt/

Saramago devia ir para o Panteão

Mas não vai.
É bem feito. Quem é que o mandou ser comunista?

Saramago e o Estado Laico

Era o ano de 1992 e o governo de que Cavaco Silva era o primeiro, por interposto Subsecretário de Estado da Cultura Sousa Lara , cortou o Evangelho segundo Jesus Cristo da lista de livros concorrentes ao Prémio Literário Europeu. “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.” Mas nem Cavaco nem Sousa Lara estavam sozinhos.

Dezoito anos mais tarde, tudo mudou. Para não distrair o governo da difícil tarefa de disfarçar a crise financeira onde também caímos, o mesmo íntegro, intelectualmente honesto e nunca equivocado Cavaco Silva, promulga a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, atentando assim contra o feroz discurso homofóbico da Igreja Católica e ignorando o milenar património religioso dos portugueses. Escapou-me alguma coisa?

Declaração de interesses: não li o Evangelho de Saramago. De Saramago só conheço alguns capítulos de Viagem a Portugal

A China e a India e a miséria dos seus povos….

A China e a India conseguem aumentos do PIB a roçar os 10%, porque as suas economias assentam no lado da oferta, baixos salários, nenhuns ou baixíssimos apoios sociais, não têm consumo interno.Estão virados para a exportação para a rica Europa e Estados Unidos. Acontece que estes dois deixaram de ser ricos, não compram, a China, A India e outros países com a taxa do PIB a crescer a dois dígitos vão ter que desenvolver o mercado interno.O Brasil está no rol, nos últimos dez anos tirou 40 milhões de pessoas da pobreza.

Só os mercados internos da China e da India, se e com capacidade de compra eram suficientes para dar um piparote na crise mundial, e arrastar as economias não só dos países desenvolvidos mas tambem de muitos países em desenvolvimento.Acontece que isso tambem levanta problemas. Desde logo uma corrida às matérias primas e consequente aumento de preço, lá se vão as jeanes a cinco euros…

Depois povos com as necessidades essenciais resolvidas começam a pensar em coisas perigosas como sejam a cultura e o conhecimento e isso leva a problemas sociais e políticos…

A Europa e os Estados Unidos têm que travar de vez a “bolha financeira” que não corresponde à economia, isto é, não representa a riqueza criada e deixar de vez de acreditar piamente, naquela máxima: “dá o teu dinheiro aos bancos que eles sabem melhor do que ninguem onde aplicá-lo” porque como se vê é falso!

Podemos e devemos queixar-nos mas a verdade é que fomos nós, pessoas, que achamos possível ganhar cada vez mais, que os bancos nos davam cada vez mais dinheiro na remuneração dos nossos depósitos, que andamos a comprar sapatilhas a um euro,(assente na exploração do dumping social) como se tudo isto fosse natural e sustentável.

Não é!

Solidariedade Ferroviária – Relembrando

“Como é do vosso conhecimento, faleceu o nosso colega Fernando José Rico de Matos, colhido por um comboio, em Riachos, quando tentava ajudar dois idosos em situação de risco.

Um grupo de colegas tomou a iniciativa de lançar um apelo de angariação de fundos que, para além dos apoios que a empresa já concede neste caso, reforcem a ajuda à família (viúva e dois filhos menores), pedindo-nos a difusão do mesmo.

Os interessados em colaborar podem depositar a sua contribuição na conta N.º0639.018387.700, em nome da viúva, Maria Antónia Pita Cruz Matos, com o NIB:

003506390001838770071

na Caixa Geral de Depósitos de Ponte de Sôr.”

Fonte: fidedigna.

Caldeirada de Merda à Carlos Santos

Destesta alguém? Quer impressionar idiotas? Convide-os para jantar e sirva-lhes uma Caldeirada de Merda à Carlos Santos. Mas atenção, com este prato só impressiona os convidados se estes tiverem um QI baixíssimo.

RECEITA

– Primeiro fale de si, apresente-se como sendo uma espécie de vítima arrependida que, no fundo, fundo, até é um gajo porreiro. Convidados com QI baixíssimo apreciam muito este ingrediente.

– Acrescente imediatamente um punhado de inimigos. Estes devem ser requentados e, de preferência, estarem-se a gagar para o cozinheiro. É um ingrediente aromático, funciona bem se não nos enganarmos na escolha e no QI dos convidados.

– Não deixe levantar fervura e junte um balde cheio de links (encontram-se facilmente no mercado) para tudo o que mexa. Exagere à vontade pois é conveniente que o sabor fique forte.

– Misture coisas que não tenham relação possível -pode sempre argumentar que um homem e uma galinha são a mesma coisa porque ambos têm unhas- e junte-lhes alhos e bugalhos. Remexa bem, mas também pode deixar agarrar ao fundo do tacho. Há quem prefira este sabor.

– Escandalize-se com vigor e atire meia dúzia de nomes para a fogueira. Bata bem.

– Pegue num bom molho de idiotices, descasque-as e junte-as umas atrás das outras. Ponha-as na panela e deixe ferver.

– Tempere tudo com a primeira merda que lhe venha à cabeça. Prove. Em faltando tempero, use qualquer outra merda que lhe venha à cabeça, junte-lhe também o resto das merdas que lhe venham à cabeça e mexa tudo. Tape o tacho. [Read more…]

Saramago, Cavaco e os rodapés da história

O Presidente da República Cavaco Silva não vai estar presente nas cerimónias fúnebres de José Saramago.

Ainda bem. Também não faz falta.

Seja como for, evita aliar à hipócrita mensagem que enviou a hipocrisia da sua presença. Tanta desfaçatez junta seria insuportável. Todos sabemos o que Cavaco pensa de Saramago e o que lhe fez enquanto Primeiro-Ministro.

Para além disso, Cavaco sabe melhor do que ninguém avaliar a dimensão das personagens e admito que não se sinta bem a homenagear alguém da grandeza de Saramago.

Cavaco Silva sabe bem que daqui a 100 anos, quando se fizer a História de Portugal deste período, Saramago será… Saramago, comparável apenas a um Pessoa ou um Camões, enquanto que ele, Cavaco, não passará de um obscuro governante de finais do século XX e inícios do século XXI.

Onde um volume não chegará para lembrar Saramago, um simples rodapé será demasiado para contar quem foi Cavaco.

Presidente da República ausente no funeral de Saramago – Natural!

Há dois dias, ao associar-me à homenagem a Saramago do companheiro de blogue Pedro Correia, denunciei a hipocrisia de certas figuras do centro e de direita, a enfunar simulados desgostos pela morte de José Saramago. Tinha, pouco antes, assistido na SIC a declarações cínicas de uns quantos, incluindo um padre, a elogiar a obra e o escritor. Senti – aliás, qualquer espectador atento sentiria – haver falsidade nos rostos e nas palavras daquela gente.

O Jornal “i” anuncia, agora, que o Presidente da República não comparecerá ao funeral de José Saramago. Considero coerente e correcto. Na qualidade de PR, limitou-se a palavras circunstanciais: “O País perde uma referência cultural”; entendeu, e bem, distanciar-se para posição consistente com a deliberação anunciada pelo Subsecretário de Estado da Cultura, o amanuense Sousa Lara, de um Governo por si liderado em 1992 – tal deliberação impediu, como se sabe, a candidatura do escritor ao Prémio Europeu de Literatura, com o “Evangelho segundo Jesus Cristo”.

As divergências políticas e religiosas, em especial, não se extinguem com a morte de uma das partes. Ao PR é reconhecido o direito de exercer a prerrogativa da objecção de consciência. E fá-lo com dignidade demolidora para as palavras insensatas do Conselheiro de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, ao considerar que Cavaco não estará presente fisicamente, mas em espírito sim – isto, sim, exala cinismo por todos os orifícios!

O cidadão José Saramago, com quem tive o prazer de privar, partirá naturalmente com a presença daqueles que, em vida, o admiraram como homem. Mas a obra legada jamais o deixará partir definitivamente. O escritor será figura perene da História da Literatura Portuguesa. Goste-se ou não.

E viva! a ditadura! do popletariado!!!

Pop Dell’Arte regressa ao combate. A melhor banda pop, e portuguesa, de sempre demonstra que ao contrário da palavra nunca a palavra sempre é aceitável.

Todos  selvagem e chicamente para a rua a ouvir isto, já!

Wild’n’Chic!!!

Ide, e escutai camaradas!  A música a quem nos trabalha!!!

Saramago – está na hora de acabar!

1975 – Saramago é nomeado director adjunto do DN. “Quem não está com a revolução, é melhor não estar no DN.” diz para os atónitos jornalistas e colegas. Em tempo de opções radicalizadas, os editoriais vinham ao serviço da facção gonçalvista do MFA. O saneamento de 30 jornalistas colou ao seu nome um rasto de polémica que o acompanhou sempre” – Publico de hoje.

Foi preciso lutar para termos uma democracia em Portugal. Primeiro contra a tentativa totalitária da esquerda, depois contra a tentativa totalitária da direita. Foi preciso lutar e foi preciso vencer, há nomes e rostos que estiveram de um lado e outro da barricada e isso não se esquece passando uma esponja de elogios inflamados.

Saramago foi um homem de susceptibilidades à flor da pele, mal tratado por um alucinado medíocre que esteve sub-secretário de estado da cultura, não mais perdoou ao país o que considerou um agravo . País, esse, onde vendia os seus livros e utilizava a língua mãe para escrever, foi viver para longe porque o país não era digno dele. Eu estou do lado do meu país, mesmo que tenha burros como o sr. Sousa Lara .

Inchei de orgulho por lhe ter sido atribuído o Prémio Nobel da Literatura , admiro a sua obra e fiz do Memorial do Convento um dos livros da minha vida. Nunca gostei de Saramago tambem porque perfilhava uma ideologia contra a qual luto e continuarei a lutar.

Mas é tempo de enterrar velhos sentimentos, não ódios, porque eu não perfilho ódios, mas também não tenho “santinhos” a quem dedicar as minhas preces.

É pois tempo de acabar. Descansa em PAZ José Saramago!

um busto para O república

Alguém explica ao sr. Rui Sanches a diferença entra A república e O república?

Agradecia, e não me refiro apenas à gramática, nem às coisas de género, é mais em relação à História.

Até gosto da ideia, vista de trás para a frente:

Vindo de pedófilos, é um elogio

Jornal do Vaticano diz que José Saramago é populista e extremista.

O Mago Saramago

“Mago da Palavra” foi como lhe chamou a Real Academia de Espanha… acrescente-se: de coração português! Felizmente, como disse ontem à RTP, Fernando Dacosta, o Governo do nosso país dignificou-se, dignificou-nos e dignificou o Escritor, o Cidadão e o Nobel da Literatura, com honras de Estado e 2 dias de luto nacional… de Saramago conservaremos sempre a imagem e a memória de um Homem frontal, corajoso, afectuoso e lúcido como poucos que nos honra com o legado de uma Obra Maior do que podemos, para já e apesar de tudo, pensar…

(Sobre José Saramago escrevi também aqui, aqui e aqui)

Pais, a profissão mais antiga e mais desprestigiada do mundo

Começava a escrever este texto, ouvi a notícia que todo o mundo sabe. Às nossas 11.30 de ontem, 9.30 de Lanzarote onde morava, calava para sempre José Saramago. Bom ou não, este texto é para ele, além do escrito em Aventar e em Estrolábio.

A condição da criança dura apenas um instante. Um minuto das várias horas que estruturam o nosso ser histórico. Ser pai é um sentimento que parece durar até o derradeiro dia da nossa vida. [Read more…]

US – têm a máquina de imprimir os dólares

Esta é que é a grande vantagem dos nossos amigos americanos, como a sua moeda é a moeda de reserva, dão à manivela e produzem as notas necessárias. O problema é que este movimento tão simples de dar à manivela é determinado por problemas internos da nação americana e não por problemas e preocupações mundiais.

Como a dívida dos US é em dólares e são eles que os imprimem quando e quanto querem, sempre será capaz de pagar as suas dívidas, a única questão é saber se os dólares com que pagam valem o mesmo de quando a China emprestou o dinheiro.

Por isso já há movimentações para a criação de um novo sistema de reserva global. A China, a França e muitos outros países apoiaram a ideia, mas tem que ter a prioridade máxima e não está a ter. O que mudou mesmo, com a globalização, é que os bancos americanos chegaram à conclusão que o melhor sítio para colocar o aforro não é nos US, a liquidez com que o mercado foi inundado não se traduziu em crédito para a economia, empresas e famílias americanas e isso trava o crescimento da economia.

Claro que os US não querem nem ouvir falar na criação de uma nova moeda global enquanto tiverem de pedir emprestado, todos os anos, um bilião de dólares, não querem perder esta pechincha enquanto houver pessoas dispostas a comprar os seus títulos da dívida pública.

É que para pagar basta dar à manivela!

levanta-te e anda!

a luta contra o desgoverno do país

Para os pais das crianças que hoje vivem a nova História de Portugal.

Para Francisco Castelo

O título é uma frase referida pelo evangelista Mateus, no seu texto do Século I, capítulo IX, versículo 5, conhecido entre os membros da cultura cristã. Nele narra a história de um paralítico, a quem, um dia, o seu Senhor Jesus mandou andar. História metafórica para os tempos que vivemos de crise económica, causada pelos investidores que transferem o dinheiro para países ou empresas que dão lucro sediadas no estrangeiro… falta de solidariedade e de patriotismo. Mas, continuemos com a metáfora.

E o paralítico, da história, andou. Tal, como diz outro Evangelista, João, no seu texto do mesmo Século, Capítulo XI, versículos 33 a 44, manda Lázaro sair do seu sepulcro, levantar-se e andar. Metáforas, senhor leitor, que nós, agnósticos, precisamos acudir, quando um povo, definido pelo seu saber e práticas como cristão, apesar da Constituição (de 2001) definir no Artigo 1: Portugal é uma República soberana,

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Amigo Saramago

Amigo Saramago

 Recebi, desde há umas horas atrás, alguns telefonemas e mensagens de amigos meus espanhóis que te adoram. Uma amiga minha dizia que a qualidade ou virtude que mais admirou em ti, e que mais a marcou, foi a lucidez. Concordo absolutamente com ela. E disse-lhe que tu morreste, segundo me informaram, em plena lucidez e consciência, sem qualquer medo ou surpresa em relação à morte. Foi assim e não podia ser de outra maneira, porque tu tinhas da vida e da morte o conceito antropológico, filosófico e de liberdade com que vivem e morrem os homens que não são homens vulgares.

E tu não foste um homem vulgar. Por isso me afligem as pessoas que te ignoram e odeiam, como ignoram tudo o que está para além da fronteira onde a sua mente não consegue chegar ou não quer chegar. Do ponto de vista literário, tu fizeste o que, até aí, ninguém fez, talvez depois do Padre António Vieira. Revolucionaste a literatura, quebraste a cristalização da literatura clássica como se tivesses feito explodir um fogo de artifício ao fim da página trinta ou quarenta do teu “Levantado do chão”. Criaste uma profunda influência na maior parte dos escritores portugueses actuais. E não só portugueses. Eu não sou nenhum especialista em literatura nem pretendo arvorar-me em tal, mas como tu pensavas, e bem, a literatura é uma espécie de “Casa de Deus” onde todos cabem e têm o seu lugar. Claro que “Casa de Deus”, aqui, a terás entendido como casa da arte. Deus nada tem a ver contigo nem comigo. [Read more…]

In memoriam a José Saramago: O Serralheiro/Escritor

Insubmisso.
Interventivo…
Jamais Omisso,
Genuflectido!

Homem de Crenças
Homem Sofrido
Nas Desavenças
Sempre Temido…

Homem do Povo
Sua Condição
Sempre e de novo
Homem do Não…

De Proletário
A prémio Nobel
Tão Solidário
Quão admirável

Génio das Letras
Obra que medra
Sem meias Tretas
“Jangada de Pedra”

Palavra em riste
Sempre em peleja
Fácies Triste
Postura castreja

Com Portugal
Palavra ao vento
“Memorial
“De” um “Convento”

“Pequenas Memórias”
De tão ruim
Velhas histórias
Desse “Caim”

Adeus, José
Lá nesse assento
Retoma o pé
Para novo alento!

Que contributo
Ante o fastio
Preenche o luto
Deste vazio?

(Mário Frota)

Luto Nacional na morte de José Saramago

A maior homenagem a José Saramago não é o luto nacional que vai, e bem, ser decretado. São os do costume que infestam as caixas de comentários vaporizando ódio, horrorizados por um comunista fazer descer a bandeira nacional a meia-haste.

Calculo o gozo que deu a Saramago imaginar a polémica costumeira como tantas outras que provocou. Se houvesse vida após a morte estava a rir-se, e eles, que acreditam nas almas, imaginando-se a chatear a memória do homem que sempre detestaram.

aramago (sa-ra-ma-go) sm (ár sarmaq) Planta crucífera (Raphanus raphanistrum).

Saramago (sa-ra-ma-go) sm (ár sarmaq) Planta crucífera (Raphanus raphanistrum).

Prolongar a morte (A propósito deste: O valor da vida)

Apesar de 30 anos de debate, das leis e dos esforços de uma série de grupos para melhorarem o tratamento daqueles que estão perto da morte, demasiados americanos ainda recebem maus tratamentos no final da vida e estão a sofrer “mortes más”, sem cuidados paliativos adequados e dignidade, diz o Hasting Center em Nova Yorque.

Joanne Lynn, geriatra do Ministério da Saúde em Washinton, D.C. notou no relatório que o sistema de saúde nos USA tornara possível “viver durante anos no vale de sombras da morte.”

Enquanto médico hospitalar, Jeff Gordon teve muitas oportunidades para observar as agonias de uma morte má – quando o paciente não deixa instruções adequadas acerca de como quer ser tratado no momento em que a terapia para a sua doença deixar de funcionar.

Deve tentar-se a ressuscitação cardiopulmonar se o coração parar de bater? Deve alimentar-se o paciente com tubo se não conseguir fazê-lo pela boca? Um ventilador quando se tornar dificil respirar independentemente?

Ou o paciente deve receber apenas os tratamentos de conforto – para a dor, as náuseas, a ansiedade, a depressão, e outros sintomas debilitantes – e ser-lhe permitida a morte natural?

Mas anos e anos numa cama de hospital “a prolongar a morte” representa muito dinheiro para as Seguradoras e para os prestadores de cuidados de saúde! Centenas de milhões de dólares e imenso sofrimento poderiam ser poupados se as pessoas em conjunto com a sua família e o seu médico, explicitassem o limite dos tratamentos a que aceitavam estar sujeitos e que prolongam a morte.

Atrás do Mundial de Futebol

“O projecto “Jornalismo e Cidadania” vai andar, por estes dias, atrás dos programas de informação que falem do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul. Queremos, acima de tudo, saber quem são os convidados dessas emissões e que estratégias aí são desenvolvidas para integrar o telespectador nos alinhamentos construídos.”

A Televisão em Discurso Directo pode ser lida aqui.

Os Mega-Mega-Mega-Mega-Mega-Agrupamentos

É a nova aposta do Ministério da Educação para reduzir as despesas no sector: vários Agrupamentos sob a liderança da mesma Direcção.
Será, por exemplo, o caso da escola onde lecciono, que se irá juntar a uma outra da mesma freguesia. Paulo Guinote já o disse, os Directores vão ter de aceitar.
Dizem-me que irá aumentar o número de alunos por turma, o que significa menos professores. Tudo o que é contratado ou destacado, está-se mesmo a ver, vai borda fora. Que é o meu caso, que sou efectivo na Escola Secundária de Cinfães e estava perto de casa por falta de vaga em Cinfães. Se para o ano houver vaga, lá vou eu de novo com as malas, 17 anos depois de ter começado a carreira. Com uma filha que ainda não tem dois anos e outra recém-nascida, vai ser bonito… É a patranha da estabilidade que o Governo andou a vender nos últimos anos.
Ou seja, o que interessa é poupar a todo o custo: ou se fecha as escolas com poucos alunos, ou se une as que têm muitos.
Para já, são conservadores. Lá chegará o tempo em que juntarão vários Mega-Agrupamentos num só, denominado Mega-Mega Agrupamento. Todos os Agrupamentos de um concelho, por exemplo.
E depois, vários Mega-Mega Agrupamentos poderão ficar unidos num só, o novo Mega-Mega-Mega Agrupamento. Todos os Mega-Mega Agrupamentos de um distrito, por exemplo.
E mais tarde, poderão juntar vários Mega-Mega-Mega Agrupamentos num só, os Mega-Mega-Mega-Mega Agrupamentos. Todos os Mega-Mega-Mega Agrupamentos de uma Região, por exemplo.
E por fim, a cereja no topo do bolo, unirão os 5 Mega-Mega-Mega-Mega Agrupamentos num só, os Mega-Mega-Mega-Mega-Mega Agrupamentos.
Ah, pois, isso já existe. O seu nome é Ministério da Educação e a burocrata de serviço chama-se Isabel Alçada.

«Onde dez mil páginas não bastariam, uma é demais»

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«A viagem não é longa, o viajante pode ir devagar. E, para seu maior descanso, deixa a estrada principal e segue por esta, modestíssima, que faz companhia ao rio Lis. É um modo de preparar-se em paz para enfrentar o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. O viajante escreve estas palavras muito seguro de si, mas em seu íntimo sabe que não tem salvação possível. Onde dez mil páginas não bastariam, uma é demais. Tem muita pena de não estar viajando de avião, assim poderia dizer: ‘Mal pude olhar, ia muito alto’. Mas é pelo chãozinho natural que vai, e está quase a chegar, não há aqui fugir um homem ao seu dever. Mais fácil tarefa foi a de Nuno Álvares, que só teve de vencer os castelhanos.» (José Saramago, Viagem a Portugal)

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Homens – entulho

 

(adao cruz)

Homens – entulho

 Para além de nós há o mundo, e durante muito tempo ignorei o mundo.

 Esqueci as valas comuns que toquei ao de leve, muito ao de leve, não fosse os mortos magoar.

 Nas margens verdes do Dniepre, regadas de lágrimas, onde cresceram flores sobre o chão de Babi-yar.

 Umas de sal e água no mar quente de Bissau bordando a lodo o cais de Pidjiguiti, outras de sangue esguichado das cabeças à tona de água em último respiro, outras de terra ensopada em rios de morte.

 No ventre de um Wiriyamu fuzilado, na penugem de Chinteya, nas balas de Vaina, no esventrar de Zostina.

 Nos gestos de um vulcão de raiva, em cada taça de vingança que nem a morte amansa nos túmulos da Palestina.

 Sangue de Cristo – In Nomine Patris – mártires sem martirológio, corpos fecundos erguei bem alto os ossos descarnados que a morte é de acordar e semear flores na aposta de outros mundos. Erguei os rostos mirrados dos famintos da Terra, dos homens-entulho da grande vala comum, cavada no peito dos Humilhados e Ofendidos pelos homens sem rosto, rasgada no ventre dos Condenados da Terra pelos homens sem alma.

José Saramago…..esgotaram-se as palavras

silêncio, Saramago está a dormir...

As palavras  leva-as o vento.  As lembranças ficam com nós.

Não faz muito tempo, tive a honra de jantar com ele na casa de Belém. Partilhámos a mesma mesa.

José Saramago era um Abel

Silêncio! Está a dormir até o seu próximo romance….

Inglês Técnico Para Tótós (3)

Plunder – saquear, roubar, tomar posse.