– Pontapeando a letra e o espírito da Constituição da República, o governo decidiu, mesmo antes de negociar serviços mínimos – como manda a lei – decretar a requisição civil na TAP. Nem discuto aqui as razões da greve em causa nem me importa trocar comentários sobre a sua justeza. Já se ultrapassou esse ponto. É um direito que é gravemente ferido. Mais um.
– Título de um jornal: “Polícia de Intervenção pronta para exame dos professores”.
Não. Não é um bom Natal. Não me peçam paz.
Notícias da quadra
Chiça!
Já não era sem tempo de surgir alguém que sabia o fazia e que sabe o que fez.
Só podia ser de Angola.
“Durante os dez anos que estive à frente do BES Angola mantinha-me informado sobre tudo o que lá se passava. Assumia as minhas decisões“, afirmou Álvaro Sobrinho, na sua intervenção inicial na comissão de parlamentar de inquérito (CPI) do GES/BES.
É agora, Paulo Portas
Todos sabemos que és moço avisado, culto, inteligente. E um defensor dos reformados, lavradores ou outra gente honrada, que tanto tens sofrido nestes anos no governo por uma razão óbvia que se compreende, um homem tem de escapar pelos pingos da chuva das alhadas onde se meteu.
O caso não foi para menos, uns milhares de fotocópias guardaste para as eventualidades da vida, pairava no ar um Jacinto Leite Capelo Rego, e muito a propósito quem tem nadegueiro e no meio seu buraco lá tem de temer que desabe qualquer coisa do céu, pior ainda, da justiça. É ver como a essa gente do BES nem o Espírito Santo, com que o fundador foi baptizado para invocar superior protecção ao incógnito filho da criada e do chefe das polícias, de nada vale hoje, entretidos numa zanga de primos que parece uma novela da tarde, tal e qual como começou.
Sabias bem da lei Vale de Azevedo da justiça à portuguesa, e por isso tens penado no governo, acompanhando gente que tortura pobres como quem mata mosquitos no pino do calor, e ainda se ri por cima. Gentinha reles, nada da tua laia, mas que perante qualquer arremedo teu de dignidade lá te acenava com o raio dos submarinos, obrigando-te a revogar patrioticamente a palavra dada, nem imagino as azias que tens sofrido.
Ora, agora que o processo foi arquivado, e após o ufa que deves ter soltado, e bebido o champanhe para este dia guardado no largo por onde tantas caldas de donativos passaram, enfim liberto, vê lá se te lembras dos teus votantes, dos portugueses, e finalmente soltas o teu grito de liberdade e te demites.
Ainda consegues voltar ao parlamento sem ocupar o lugar de pendura do Mota da lambreta, ainda recuperas uns votos, e haverá sempre um novo primeiro-ministro a precisar de ti. A malta agradece, que isto sempre anima um bocado e olhando para um embasbacado Cavaco sempre ficamos entretidos.
Selfie mortíferas

Um casal de polacos em férias em Portugal tentou fazer uma selfie à beira de um penhasco em 10 de Agosto de 2014. . . ambos caíram para a morte. [outras]
Submarinos, Estaleiros de Viana, corrupção internacional: uma investigação jornalística
Entrevista com o autor do documentário pela Renascença aqui.
Memória dos anos 80 e seu Bloco Central
Não sei o que bebem nos jantares parlamentares de Natal, mas produz efeitos notáveis. António Costa recordou e exaltou os tempos do Bloco Central dizendo que nos anos 80 “tudo teria sido impossível sem a grande capacidade de mobilização, sem a capacidade política mobilizadora do colectivo nacional que Mário Soares assegurou e nos permitiu sair da crise”. Como há sempre uma emenda pior do que o soneto, já reforçou a asneira:
O que eu quis sublinhar é que o bem mais precioso que o país tem perdido ao longo destes anos é a confiança e que não há nenhum país que seja capaz de vencer uma crise, de superar as suas dificuldades sem recuperar a confiança e dei o exemplo do doutor Mário Soares e da forma como liderou esse Governo.
Deve pensar que a malta anda com amnésia, ou que a tia Merkel também nos ofertou a prima Alzheimer. Nem de propósito esta tarde passei pelo meu sótão e como de costume não encontrei o que procurava mas dei com um saco onde, entre outras memórias do meu tempo de estudante, estava esta preciosidade:
O artigo tem a curiosidade de ter sido escrito pelo Marinho da Anop, hoje mais conhecido por António Marinho Pinto, que me substituíra na coordenação do primeiro jornal da Secção de Jornalismo da AAC, episódio que, esse sim, deixo para trás, pela consideração que me merecem vários dos envolvidos. O mesmo não direi da Luís Parreirão, que de presidente da Direcção-Geral saltou para uma conhecida carreira na política e negócios, mais nos negócios Mota Engil que na política. [Read more…]
Processo dos submarinos arquivado

Este post é só para dar os parabéns à investigação policial, aos magistrados e aos envolvidos no geral. Conforme se lê na VISÃO, o Ministério Público decidiu não levar a julgamento nem deduzir acusações contra os arguidos do famoso Caso dos Submarinos, que investigou, durante oito anos, o negócio dos submergíveis comprados aos alemães. Consta que não houve intenção “clara” de beneficiar o consórcio alemão (a luz estava apagada) e mesmo que tenha havido qualquer coisita, isso prescreveu há uns meses.
Assim sendo, passados estes oito anos de telejornais e de tinta gasta na impressa, concluímos que nos andaram a enrolar o tempo todo. Não se passava nada. Era fumo. Houve quem recebesse comissões milionárias sem que se perceba em que medida contribuíram para merecerem tamanho valor; Jacinto Capelo Rego fez depósitos em numerário na conta do CDS; houve condenados por corrupção na Alemanha. Mas o importante é que cá nada se passou. Tirando esse detalhe de alguma coisa se ter passado mas que já prescreveu.
O meu corrupto é melhor que o teu
O fervoroso adepto portista Carlos Abreu Amorim (CAA) sentiu-se derrotado pela segunda vez no espaço de dois dias. Depois do desaire no reduto do F.C.Porto frente ao adversário da segunda circular, CAA ficou novamente em choque após ter conhecimento da visita de Pinto da Costa ao recluso nº44 do estabelecimento prisional de Évora, um infame “magrebino” que, para tornar as coisas ainda mais graves, é uma velha glória do partido adversário.
Mexilhões e charlatães
Santana Castilho *
Charlatão, dizem os dicionários, é aquele que publicamente apregoa, com exagero e sem justificação, a virtude de algo com que pretende ludibriar a boa-fé de quem o escuta. Um charlatão é um impostor, alguém que, com hipocrisia, se serve de artifícios para enganar os outros.
1Não podendo penetrar nas mentes captas de Passos Coelho e Marco António Costa, não ouso chamar-lhes charlatães. Sendo possível considerar essa hipótese, igualmente devem ser consideradas, entre outras moralmente menos gravosas, a perda precoce da memória de acontecimentos recentes, a inconsciência, a irresponsabilidade ou a ignorância. Seja como for, factos são factos. E se os motivos podem suscitar especulação, já os resultados são claros: a opinião pública foi desinformada por dois actores que não a deviam confundir, antes esclarecê-la. [Read more…]
Monopólios, sou contra
Um juiz a proibir a concorrência de fazer perguntas a Sócrates já é abuso de poder.
Maria “vai com as outras” Passos Coelho
(fotografia@Expresso)
Falando perante um auditório maioritariamente composto por potenciais boys e assessores lambe-botas, Pedro Passos Coelho não perdeu a oportunidade de polir os neurónios dos seus soldadinhos de chumbo reunidos em congresso. Entre outros malabarismos vocabulares a que nos vem habituando, das mentiras calculadas que usou em campanha para iludir os portugueses ao ridículo que foram as suas inúmeras gaffes relativamente ao caso Tecnoforma, o primeiro-ministro disse este fim-de-semana aos seus mais destacados abanadores de bandeiras que “Nós (eles) não vivemos em fantasias”. Ninguém diria, pelo menos a julgar pelo vídeo recentemente tornado público pelo PSD, repleto de fantasias e mentiras, ou se tivermos em conta a fantochada que nos tentam vender relativamente ao falso milagre da queda do desemprego, principalmente agora que o Banco de Portugal, liderado pelo insuspeito (pelo menos na São Caetano) Carlos Costa, nos revelou que os números do governo foram falseados pelo estratagema dos estágios profissionais convertidos em empregos para efeitos estatísticos. Penso que estamos esclarecidos quanto às fantasias e quanto ao quão básico é este primeiro-ministro e os insectos parasitas que rondam as suas fezes.
Natal das cadeias

Graças à minha sociável mãe, que mete conversa com toda a gente, e não deixou de prestar atenção ao grupo que enchia o autocarro a caminho do centro prisional, fiquei a saber uma notícia que muito me surpreendeu. Os familiares dos reclusos de certo centro prisional do norte (não sei se é prática corrente no resto do país) podem participar no almoço de Natal organizado pelo centro desde que paguem 7,50 euros por pessoa, incluindo o detido (!). A maioria não quer porque o orçamento familiar não chega para tal, mas também porque a experiência do ano passado diz-lhes que a comida é horrenda.
Abdicam, pois, dos festejos natalícios, que se ficarão pelas visitas habituais e pela rabanada no tupperware, se esta passar no controlo.
Fez-me lembrar os tempos, não tão remotos, em que era preciso pagar bilhete para ir visitar os doentes internados no hospital. 120 escudos custava cada bilhete, sempre era menos do que uma sessão de cinema.
Marques Mendes, o consultor
Google Cardboard – kit de realidade virtual de fazer por casa

Quando o Google distribuiu um pedaço de cartão dobrado no final da sua última conferência I/O Keynote, ninguém sabia ao certo o que fazer com ele. Não se esperava que esse cartão fosse uma forma de tecnologia mas não demorou muito para que se percebesse o quão grande a loucura do cartão se tornaria. [Read more…]
Requerimento para exame de segunda época
Pedido de casamento
Violência policial nos EUA

Manifestações em Nova Iorque e Washington contra a violência policial nos EUA. Via Mashable.
Da Importância do TER
Se já durante o ano de vez em quando vamos recebendo mensagens que nos recordam quão bom é ser em vez de ter, na época natalícia estas mensagens multiplicam-se ad nauseam. Toda a gente lá vem com o discurso de que o importante é ser e não ter. Já não há pachorra para os aturar! Eu vou pôr-me a Aventar.
Em primeiro lugar, gostava muito, mas muito mesmo, de ver essas pessoas que tanto apregoam a moderação de consumo e exacerbam as qualidades de se ser parco usar essa regras consigo próprias. Normalmente, limitam-se a falar, mas agir, isso é que era bom!
Pois eu, como sou do contra, discordo.
Luxemburg Leaks – Versão em Inglês
Panorama – die Reporter – 11.11.2014 – Reportagem de Pia Lenz, Christoph Lütgert, Anna Orth & Kristopher Sell para o canal NDR.de
As empresas internacionais, grandes nomes como IKEA, E.ON, Deutsche Bank, Amazon e outros, foram capazes de minimizar sua carga fiscal para para quase nada – em detrimento do bem público. Dizem que o que fazem é legal. E provavelmente é. A questão está nas leis que a “Europa” e os seus estados membros fazem, camuflada no discurso pseudo-moralista do “vivemos acima das nossas possibilidades”.
Quando a propaganda choca com a realidade

Propaganda:
Apesar da crise, “quem se lixou não foi o mexilhão”, garante Passos
O primeiro-ministro considerou esta sexta-feira que o Governo conseguiu que “quem tinha mais” tenha contribuído mais para o esforço de superação da crise, permitindo contrariar o adágio de “quem se lixa é o mexilhão”.
“Ao contrário do que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (…), desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais, disso não há dívida”, afirmou Pedro Passos Coelho, em Braga, no encerramento de um seminário sobre Economia Social, organizados pela União de Misericórdias de Portugal. [PÚBLICO]
Realidade:
Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital
Entre o início da crise financeira de 2007/2008 e o final de 2013 assistiu-se, em Portugal, a uma transferência de riqueza do factor trabalho para o capital de grandes proporções, indicam vários economistas. [Dinheiro Vivo]
Natal de 2014
Hoje é o meio exacto de Novembro. O dia está cinzento, frio, húmido. Mas as avenidas largas de Toronto, num percurso de muitos quilómetros, estão apinhadas de uma multidão colorida, alegre, calorosa. Carros soberbamente decorados passam. Bandas canadianas, americanas e doutras proveniências, desfilam garbosamente e enchem o ar de música festiva. Lá vem a portuguesa Banda do Senhor Santo Cristo, os músicos com barretes natalícios. Comovo-me. Comovem-me sempre as modestas bandas portuguesas. Milhares de crianças, numa multidão que se estima de um milhão de pessoas, as carinhas rosadas do frio, agasalhadíssimas, riem, batem as palmas na alegria doida de verem as figuras de Walt Disney nos carros alegóricos. Todas numa excitação indescritível porque esta é a centenária parada que traz o Pai Natal à cidade. Quando aparece o enorme carro, puxado a renas, ladeado por carteiros fardados a rigor transportando pequenas caixas de correio, e o gordo mais conhecido do mundo berrando ohohoh, num berro que lhe sai das barbas brancas, é praticamente impossível segurar os pequeninos. Todos eles correm para o carro, de cartinha na mão, a gritar numa emoção que só a inocência pode dar: Santa (Santa Claus, de São Nicolau), eu portei-me bem! Eu fiz os trabalhos de casa! Eu ajudei a minha mãe! Please lê a minha carta, dá-me o que eu te peço Santa, I love you!. [Read more…]
Fábrica em Sines para produção
Efectivamente, fábrica para produção. E há um motivo. Exactamente (via ILC contra o Acordo Ortográfico).
Candura
Ouvi uma e outra vez a declaração de Cavaco Silva sobre a candura e inocência da sua intervenção que, em tempo, garantia a saúde do BES e convidava os investidores a atirarem-se de cabeça. O presidente põe-se – como acontece com outros intervenientes neste processo – em posição de equilibrista sobre a linha traçada entre as duas alternativas desta dicotomia: ou é destituído das qualidades políticas, intelectuais e morais que o cargo exige (notem como, gentil e cortêsmente, evito dizer o que alguém mais… abrupto não hesitaria em dizer: “ou ele é um rematado idiota…”), ou produz aqui uma ou várias inverdades, já que o que diz não é compaginável com a realidade ( o nosso amigo mais desinibido diria: “…ou é um impenitente e incurável mentiroso”). Por mais voltas que se dêem, não há uma terceira possibilidade. A não ser que acumule.
Desvios, divergências e diversões
When you see a bird that you’ve never seen before, or that very few people have seen, there’s a special thrill.
Similar remarks carry over to the system of pragmatic competence, hence the capacity to use a language appropriately.
Esperava desejar um óptimo fim-de-semana com este vídeo (obrigado, Sir David Attenborough), divulgado hoje pelo Cornell Lab of Ornithology.
Contudo, estas imagens divertiram-me imenso e desviaram-me do meu objectivo inicial:
Factos:
1 – Na RTP, escreve-se e diz-se ‘desviado’;
2 – Um passageiro refere “um avião que foi desviado para o Porto”;
3 – No painel das chegadas do aeroporto, encontra-se ‘divergido‘.
Agora, sim.
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
Terapia de choque

No século XVI, no hospital de certo mosteiro da Alsácia, de cada vez que chegava um doente em condição grave, um dos frades, ainda antes de começar o tratamento, conduzia-o até ao famoso quadro de Grünewald que retrata Cristo crucificado. Se o choque produzido pelo horror dessa imagem não fosse suficiente para curar o doente, então sim, dava-se início ao tratamento.
O equivalente moderno desta terapia é o Natal dos Hospitais. Se o doente não se curar espontaneamente quando colocado frente a “Mikael Carreira e bailarinas”, então sim, dá-se início ao tratamento. Há casos, porém – raros, mas documentados -, em que isso já não chega a ser necessário.
















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