Os 40 anos do 25 de Abril, três dias depois

Hoje soube que era avó. Bem, avó avó não é bem assim, o meu DNA ainda só se esticou uma geração mas avó de afecto ou avó porque ele teve um filho e ele é quase meu filho, ou assim uma coisa do género.

Às vezes puxam de um formulário qualquer e perguntam-me como é a minha família e eu começo a desenrolar enquanto antecipo as setas e os rasurados e os asteriscos e lá vou debitando que sou solteira, que tenho duas filhas, que as minhas filhas têm 3 irmãos, que cada irmão tem uma mãe diferente e as setas acumulam-se na folhinha e os asteriscos são em barda. Pedem-me para ir mais devagar enquanto tiram notas e riscam quadrados e viram a folha para poderem escrever o que na folha não permite ser escrito. Explico que conheço as outras mães todas, são minhas amigas, que as minhas filhas têm mais três irmãos e que se algum dia os irmãos estiveram todos juntos foi na nossa casa quando fizemos um Natal em Agosto, que o nosso lar somos nós três mais quem venha, até uma neta que não é neta mas fez das minhas filhas tias e dele pai portanto é neta sim senhores.

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pensa num desejo…

dandelion puffball

Obituário de um escritor-fantasma

Manuel da Silva Silva não precisou de perder tempo com a escolha de um pseudónimo porque nunca deixou de ser um escritor-fantasma. Passou anos aprisionado a textos sem graça – manuais, recomendações técnicas, bulas – escritos a contragosto, por necessidade, mas a sua sorte haveria de mudar quando lhe chegou a encomenda de um texto inovador, um artigo escrito de um ponto de vista inaudito, e que haveria de ser o primeiro de uma longa série. Tinha por título “Eu sou o fígado da Maria” e foi um sucesso imediato. A partir de então especializou-se em dar voz a vísceras, glândulas, válvulas, artérias, descrevendo com alucinante rigor e meticulosa fidelidade a vida oculta e esquecida de quantos órgãos constituem o corpo humano. [Read more…]

Quando o fisco colide nos bits

Experimente você mesmo, mas primeiro instale as actualizações do seu sistema operativo, do anti-vírus, do Java, etc. Em suma, faça aquilo que é suposto fazer, mantendo o seu computador o mais protegido possível.

Agora sim, experimente instalar o software que lhe permitirá entregar o IRS sem estar permanentemente ligado à Internet. É neste momento que a surpresa começa. 

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uma contagem pessoal dos 40 dias para os 40 anos do 25 de Abril

Sob motes diversos, usando quase sempre um poema, uma canção e uma imagem, comecei a contar os dias que faltavam para os 40 anos do 25 de Abril, a 16 de Março.

Contei 40 dias.

Estão aqui.

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Flexibilizar

despediemntos

Fraudes piramidais:

numa zona franca perto de si.

Ofensiva terrorista em Moscovo

Hezborating S&P faz rebentar engenho explosivo no MICEX-RTS. Já não se fazem triplos A como em 2008…

Os pobres

São assim.

My imperialism is better than yours!

G7

O G7 irá reunir-se hoje e, na ordem do dia, estará o reforço e a aplicação de novas sanções contra a Rússia, no âmbito da suposta ocupação da Ucrânia. É sempre um excelente indicador ver líderes de estados com fortes tendências imperialistas a combater o imperialismo não consumado mas em vias de o ser. Principalmente quando se impõe a defesa de um estado controlado por um governo de extrema-direita não sufragado por qualquer cidadão ucraniano. Dai a presença de Herman Van Rompuy na reunião, haja alguém que represente os líderes poderosos eleitos por cerca de zero pessoas.

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“Roteiros Aventura”

invasao-via-ferreaRoteiros Aventura” – a levar gente desprevenida por caminhos ilegais… com estilo! [via maquinistas]

é uma casa inglesa, com certeza…

tenda nos arbustos do separador da circular interna em Wolverhampton 2

… é com certeza uma casa inglesa!

Paredes de nylon azul,
um jardim de relva cortada
uma porta virada a sul
e mesmo à borda da estrada!

ler

O monóculo de Salazar

Uma vida que dava um filme, tipo vida e obra de um canalha: António de Spínola, o esquecido herói da direita no PREC, perdeu, aos vencidos já não honram.

Da Divisão Azul hitleriana passou por um dos mais hediondos crimes do colonialismo, o assassinato de Amílcar Cabral, e terminou como dirigente terrorista, dado pelo meio o golpito de estado da tarde de 25 de Abril de 1974 que o faz presidente da República.

Durante alguns meses, os primeiros de liberdade, o monóculo foi Spínola e Spínola o primeiro presidente com quem nos era permitido brincar, criticar e gozar, sem medo aos homens que tinham por profissão termos medo. Spínola e o seu monóculo foram o brinquedo novo dos portugueses, que tinham apenas tinham experimentado, às escondidas, com as botas de Salazar.

spinola
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Assim vai triunfando o acordo ortográfico

Morreu Vasco Graça Moura, um intelectual renascentista no século XXI

O santo do pau oco

João Paulo II abençoa o padre Marcial Maciel, um dos maiores pedófilos da história da Igreja, com casos documentados desde os anos 50

João Paulo II abençoa o padre Marcial Maciel, um dos maiores pedófilos da história da Igreja, com casos documentados desde os anos 50


Ao que parece, João XXIII foi hoje canonizado sem cumprir as regras da própria Igreja Católica. Não havia qualquer milagre que lhe fosse atribuído, mas a voz do Papa Francisco foi suficiente. E voz de Papa, como se sabe, é sagrada.
Já o Papa João Paulo II conta com 2 factos sobrenaturais comprovados, um aneurisma e uma doença de Parkinson. O facto de ele já ter morrido quando estes 2 prodígios aconteceram não deve significar nada. Santo que é santo faz milagres até depois de morto.
Mas o maior milagre de João Paulo II foi ter governado o Vaticano durante quase 30 anos sem nunca ter reparado nos milhares de padres pedófilos que por todo o mundo católico espalhavam o terror entre as criancinhas que alguém tinha deixado ao seu cuidado. Esse sim, é um milagre autêntico que devia ser suficiente para a sua canonização.

Viral (todos os episódios)

Vale a pena assistir, estes tipos estão muito bons.

Pode encontrar aqui o Episódio 2, Episódio 3, Episódio 4.

Um governo, um presidente, dois PSD

psd-beja
Onde se confirma que Portugal não há só um, e PSD temos pelo menos dois. O camaleão é um animal giro, não é?

Há 40 anos chamava-se a isto coisa de vira-casacas, e a maioria dos que assim se mudaram de roupa, sem limpeza de consciência pelo apoio e usufruto da ditadura, foi precisamente fundar o PPD.

Ganharam: hoje temos a mesma inconsciência, é genético, os seus filhos no poder.

Imagem

Coisas que se encontram no facebook…

beifica

Desinteresse perante o rumo político do país?

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Em vez de partidos políticos na vida política, transfira-se para os clubes de futebol esta actividade. De qualquer das formas, a Assembleia da República já tem bancadas como nos estádios e a maioria dos deputados não se afasta do seu papel de claque partidária. “Muito bem! Apoiado” será o hino da nova Assembleia, com a vantagem de já ser perfeitamente conhecido por parte dos deputados.

Agora imaginem as vantagens. Às segundas-feiras teremos intensos debates sobre cada palavra jogada nos discursos do anterior fim-de-semana, estes, por sua vez, transmitidos em directo pelas televisões e com relatos flamejantes na Antena 1 e na TSF. “E meteu uma interjeição, baralha-o com uma catacrese, e avança, avança, mete uma metáfora, remata o discurso com um oxímoro e é golo. Goooooooollllooooooo.” Não haverá medida que não seja sujeita a apertado escrutino  e todos as sextas, sábados e domingos teremos parlamento cheio.

O novo parlamento-estádio é a solução para trazer as pessoas para a política. E com o bónus de já estarem construídos os parlamentos regionais graças aos, até agora inúteis, estádios do Euro 2004. É só vantagens.

A “ocupação” da TSF

Isabel Atalaia

Ensaio Geral

Mais do que uma “ocupação” para mim foi uma travessia de muita emoção, que partilhei com a cooperativa O Bando da qual sou membro e que acompanho há 35 anos. Este ano por feliz coincidência o Bando vai festejar a idade da Revolução.
A partir de um convite da TSF e inspirados nesta “Quarentena” O Bando reuniu 50 actores (profissionais e amadores) e músicos.

O ensaio geral foi dia 23, poucos sabiam onde iam ou quem íamos “ocupar”, na primeira hora da madrugada de 24 de Abril, na reunião final de preparação sentia-se a partilha de um pequeno arrepio. Resultaria? Não resultaria? E problemas? E confrontações? [Read more…]

O regresso do medo

euronews

Ontem à noite, na RTP 2, o 25 de Abril foi notícia na Euronews numa reportagem onde uma parte, a entrevista a José Gil, teve por sub-título “The Lost Carnation Revolution” (A revolução dos cravos perdida). Escapou-me o sentido desta adjectivação e hoje fui rever a reportagem no site da Euronews. Além de nela não ter encontrado matéria que justificasse esta titulação, não encontrei o próprio título inclusivamente. Nem na edição portuguesa, nem na edição em inglês. Porquê a revolução perdida? E porque razão a reportagem é diferente, só aparecendo este título na emissão da RTP 2?

Salva-se a entrevista a José Gil, que afirma que “a política de austeridade está a fazer com que, cada vez mais, se tenha medo.” E é isso. Não é o regresso do medo da acção do Estado directamente sobre o indivíduo, como acontecia com a PIDE, mas das consequências da acção do Estado nos meios de subsistência desse mesmo indivíduo. Tal como há várias formas de se esfolar um coelho, para seguir a semiótica introduzida por Passos Coelho, também há muita forma de perder a liberdade. Sem pão não há democracia, que se dilui no medo de se perder o emprego, entreabrindo a porta para a aceitação de limitações e condições que antes seriam impensáveis.

A seguir, a entrevista em causa. [Read more…]

Passatempos reaccionários

Carlos Guimarães Pinto, num esforço de demonstrar a tese Lains do fantástico crescimento económico salazarista, também conhecida pela falácia do acima de zero é sempre a subir, ou nada como menos um milhão de habitantes (e suas remessas de emigrantes) para subir o PIB per capita, arranjou uns gráficos giros, que demonstrariam como alguns indicadores sociais estavam já em crescimento antes de 1974.

Vamos lá ser sérios: mortalidade infantil compara-se:

MORTALIDADE INFANTIL COMPARADA

e escolaridade observa-se em  todos os graus de ensino: [Read more…]

O fascismo é como as calças à boca de sino?

Um espantoso monólogo do Ricardo Araújo Pereira no corpo de Maria do Céu Guerra. Imperdível.

Qual é o propósito de um governo?

A questão aqui colocada merece muitas respostas, dependendo da concepção de Estado que se tenha. Olhando para os extremos, para os liberais este abster-se-á de interferir na economia e na vida das pessoas. No outro extremo, o Estado socialista controla a economia e regula fortemente a sociedade. Nenhuma destas visões tem lugar no Portugal de hoje, mais virado para pseudo-liberais, os neoliberais, que advogam que o Estado deve ser mínimo mas, na prática, apenas o fazem no que respeita a prestação de serviços à sociedade (educação, saúde, …), aumentando continuamente o peso dos negócios que vivem apenas do Estado (educação privada mas paga pelo orçamento; saúde privada mas a viver em boa parte da ADSE; monopólios privados na energia, águas, transportes, ….).
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Isto admite-se?

espetador

Francamente, eu até sou uma pessoa algo liberal, mas isto? Isto? Ai, se a censura de excelência que ainda existia no dia 24 de Abril de 1974 continuasse o seu digníssimo trabalho…

Ele há coisas que não se pode admitir. Eu sei que os tempo vão modernos e que as criancinhas devem começar desde cedo a preparar-se para a vida, mas um livro juvenil com este título? É que nem sei o que dizer. Espetador e ainda por cima intrometido? Mas ele vai espetar o quê? Em quem? Ai, que eu prefiro nem pensar!

Incluirá o lixo onde a S&P nos colocou?

Negócios do lixo: uma
privatização que se
transformou numa guerra

25 de Abril no Porto – Avenida dos Aliados

Foi assim o dia 25 no Aventar

 O Aventar agradece as colaborações recebidas. Daqui a outros 40 (ou antes) há mais.

A seguir, os artigos do dia 25 no Aventar. [Read more…]

Autor convidado – Tito Lívio Santos Mota

E o ar ficou mais leve

Tito Lívio dos Santos Mota

radio-25-de-abril

De manhã levantei-me, comi a correr os corn-flakes e fui para o Liceu, sem ouvir notícias nem nada. O comboio chegou mais ou menos à hora, como de costume. Nada para assinalar até chegar ao largo do recreio. Estranhei ver os colegas em pequenos grupos que falavam baixo, com o Reitor e os outros professores, ar solene, que nos esperavam. « Houve um golpe de Estado, o liceu está fechado, façam o favor de voltar para casa ». Voltei. Desci a encosta até à Estação de Vila Franca de Xira, apanhei outro comboio e cheguei a Alhandra sem perceber bem o que se passava. Ao entrar em casa, dei com a minha avó que dançava e chorava e ria ao mesmo tempo, em frente do rádio-móvel que emitia comunicados. A minha avó sempre comedida, tão entusiasmada ? percebi logo que algo de bom acontecera, que era um « golpe bom ». [Read more…]

25 de Abril de 2014

João Esteves

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