Hoje dá na net: Surplus – excesso, superprodução, insustentabilidade

Um documentário sobre o excesso de consumo, o excesso de produção, o excesso de exploração de recursos. Um filme sobre falta de sustentabilidade, aspirações e desafios. Legendado em português.

Cavaco, um homem teso…

cavaco fome

…e com fome? Se vai em moda, ainda vemos a classe política a emigrar em força para algum paraíso onde político ganhe em condições. Sei lá, tipo a Madeira. O Coelho é que sabe.

Escalfeta presidencial

Presidente!, ó que rico título da mais excelsa nobreza esquemática. No dia em que o “nada-amigo e correligionário” Vasco Graça Moura foi por acaso subido a pontapé até à Presidência do CCB, eis que temos outro Presidente a dizer das suas, fazendo inveja aos ditos espirituosos que um dia tornaram famosos os também escalfetados Presidentes Américo Tomás, Mário Soares e Jorge Sampaio, este último também Presidente de varias coisas, a última das quais inicia hoje lá bem no berço-Norte, uma série de inventos à guisa de eventos. Mais um quentinho para os pés.

Cavaco Silva disse …“não sei se ouviu bem: 1300 euros por mês.”

Claro que ouvimos, embora não pudéssemos acreditar à primeira.  Achámos piada ao truque linguístico, mas a coisa não ficou por aqui, até porque se o Expresso fez o corta-cola necessário ao colega-chefe de Partido, o Diário de Notícias  não esteve para fretes e disse o resto que mais interessa. O senhor Presidente da 3ª República prescindiu do seu salário de Chefe de Estado – os míseros 6.523,93€ -, optando por empochar os 10.042,00€ mensais provenientes das suas reformas. Uma inacreditável e duvidosamente ética troca por baldroca. Se fosse João Carlos ou Isabel II a fazer uma coisa destas, havia de ser bonito… Um dia destes, ainda o veremos na fila para a “sopa da Almirante Reis”, nascida nos auspiciosos tempos do Sr. Sidónio Pais.

Mil e trezentos Eurecos, coisa para alfinetes e talvez mais uns trocos destinados à electricidade gasta pela escalfeta sita ali para os lados da Infante Santo. Nada que faça inveja ao comum dos trabalhadores portugueses (que vivam na Alemanha ou na Suíça, claro).

Esta gente não regula bem e anda com ganas de “comer peixe-espada”. Sabem do que se trata?

Blogs do ano 2011 -Votações parciais na 1ª eliminatória

Decorre até amanhã à meia noite a votação para a primeira eliminatória do concurso “Blogs do ano 2011”, organizado pelo Aventar. Sem ter havido nomeados, foram a concurso os que se inscreveram ou que foram inscritos por terceiros. Para a segunda eliminatória passarão os 5 primeiros de cada categoria.

Neste momento, os resultados da votação podem ser vistos directamente na página do concurso ou descarregando um  ficheiro com as votações hoje às 21h12m.

Aproveitamos para informar que notámos irregularidades que serão tidas em conta no apuramento.

Tal como referimos na abertura das votações, «que vença o que tiver mais votos, e façam o favor de usar esta página como urna», que é a forma regulamentar de se votar.

Sobre o Dakar:

Os Gloriosos Malucos das Máquinas do Deserto e os equívocos de que fala o Sol, AQUI

Rapaziada pró-controlo da internet leva uma PIPA de SOPA

Levaram sopa e recuaram. Uma pipa de sopa, para ser mais exacto.

Sendo quem são e representando o que representam, é natural que não fiquem por aqui e voltem à carga com maior conhecimento de causa.

A liberdade, assim mesmo, faz-lhes comichão e a internet é um espaço de liberdade difícil de controlar. Ora isto, para quem está habituado a pensar que toda a sociedade se condiciona a bel-prazer, é mais do que podem suportar. Voltarão, isso é certo. Mas acontece, e isso é igualmente certo, que as armas estão do lado de quem faz a rede. Ora, sem superioridade bélica do seu lado esta gente não está habituada a lutar. Para já levaram sopa. Ainda vão levar uma pipa de derrotas até controlarem a net. Alguma vez conseguirão?

Aos deputados da nação facebookiana

Recomendo o uso do site hardly work que permite andar no facebook à vontade parecendo que se está numa folha de cálculo. Foi criado para não ter chatices com o patrão e evitar despedimentos. Infelizmente no vosso caso o patrão, ou seja o povo, é muito tolerante e nunca mais vos despede  (concretamente ao CDS, como parece ser o caso).

Desmistificar mentiras e demagogia de Coelho

O primeiro-ministro é pródigo no uso da mentira e da demagogia. As nomeações políticas  constituem dos capítulos mais obscuros da governação a que preside. O recurso à demagogia é outro inaceitável instrumento de comunicação – e propaganda – do actual governo. Vamos por partes.

Nomeações políticas

Há notícias a divulgar a nomeação de Vasco Graça Moura como novo presidente do CCB, sucedendo ao seu amigo e igualmente nomeado na lógica ‘tachista’ do ‘centrão’, António Mega Ferreira. Trata-se, pois, de mais uma nomeação política, ao que se percebe feita sob proposta do Secretário de Estado da Cultura, o putativo Francisco José Viegas; a somar a outras, como esta aqui denunciada.

Na trôpega encenação de há dias, na iniciativa “Made in Portugal” do DN, Passos Coelho exibiu quadros e números ilusórios. Os nomeados pelo seu governo, com base em critérios de filiação partidária no PSD ou CDS, já constituem um conjunto de várias centenas. E, porém, a coisa não vai ficar por aqui. Espere-se até 31 de Março pelas assembleias-gerais e finais de mandato de gestores públicos e, então, será o tempo de conferir os saldos e reconfirmar que Coelho mente e de que maneira.

A demagogia do discurso perante os cidadãos e a AR

Com o discurso inspirado nos “amanhãs que cantam”, Passos Coelho, diz-se aqui, terá deixado aos parlamentares a mensagem:

2012 pode marcar primeiro excedente comercial em anos

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O esquizofrénico José Viegas (II): Elucubrações acerca do uso do pseudónimo António Sousa Homem, da acumulação de funções de um governante e da promiscuidade entre a política e a Comunicação Social


Francisco José Viegas, o secretário de estado da Cultura, mantém há alguns anos uma coluna de crónicas no «Correio da Manhã», onde escreve sob o psuedónimo António Sousa Homem. Continua a fazê-lo ainda hoje. Não sei se um governante pode acumular com outras funções remuneradas no sector privado nem se esta sua actuação envolve de alguma forma promiscuidade entre a política e a Comunicação Social. Mas moralmente não é ético.
Seja como for, o objectivo deste post é outro: averiguar da sanidade mental daquele a quem está entregue a pasta da Cultura no actual Governo. Recordo que a esquizofrenia é um transtorno psíquico severo que se caracteriza por alterações do pensamento, alucinações, delírios e alterações no contacto com a realidade.
A questão não é escrever sob pseudónimo – muitos o fazem. A questão é ter sido ele próprio, como Francisco José Viegas, a pôr António Sousa Homem nas «bocas do mundo». É ter inventado uma biografia completa a que não faltou a respectiva fotografia. É fazer a apresentação pública, na Bertrand, de uma obra de António de Sousa Homem e dar-se ao trabalho de dar a notícia de que o próprio estava doente das coronárias e do fluxo renal e que por isso não tinha podido comparecer. E dar-se ao trabalho de forjar uma suposta carta de António de Sousa Homem a lamentar não poder estar presente.
Este homem não é lúcido. Ou então julga-se O Meu Pipi. Não vou falar de Pessoa, seria um insulto à sua memória.

Porque não te calas?

Quando querem dar uma de pobrezinhos, estes senhores mostram a distância que vai entre eles e os portugueses que fazem realmente sacrifícios, além de, invariavelmente,  lhes fugir a boca para a mentira (e será que não vai nunca usufruir as mordomias decorrentes de ter sido Presidente da República ?).

Eis a última tirada do “precário” Cavaco Silva:

“Neste momento já sei quanto é que irei receber da Caixa Geral de Aposentações, descontei quase 40 anos uma parte do meu salários para a CGA como professor universitário e também descontei durante alguns anos como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem 1300 euros por mês”, disse Cavaco, olhando o jornalista. “Tudo somado o que irei receber do fundo de pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas”, afirmou.

Tardia homenagem a ELIS REGINA

Completaram-se ontem 30 anos do desaparecimento de Elis Regina; para mim e para muitos, muitos mesmo, a melhor cantora brasileira de sempre. Como, de resto, foi assinalado pelo ‘Expresso’.

Apesar do atraso de um dia, não resisto a recordar Elis com imensa saudade. Tive a felicidade de a ver e ouvir no antigo ‘Cinema Roma’, em Lisboa. No espectáculo foi acompanhada pelos sons do ‘Tamba Trio’, tendo-se exibido também o cantor Jair Rodrigues – foi uma espécie de reprodução do programa O Fino Bossa, uma parceria de sucesso na TV Record.

De voz de sonoridade especial e expressiva, naturalmente entrelaçada no ritmo e na poesia das canções, Elis volatizava com talento e alma as emoções do que cantava.

Hoje encheria certamente uma grande sala. Grande até demais para o êxtase intimista provocado pela sua voz, naquela noite do início dos anos 70; um arrebatamento que me dominou, mas impossível de traduzir por palavras.

O esquizofrénico José Viegas (I)


O secretário de estado da Cultura, António Sousa Homem, ou melhor, Francisco José Viegas, vai estar hoje em Coimbra para formalizar a candidatura da Universidade a Património da Humanidade junto da UNESCO. Isto enquanto, em simultâneo, anda a tentar por todos os meios foder igual classificação do Alto Douro Vinhateiro.
Viegas deve achar que uma mão limpa a outra, por isso não tem mal se perdermos uma classificação desde que consigamos alcançar outra.
A candidatura da Universidade de Coimbra vai ser entregue na UNESCO até ao dia 1 de Fevereiro. Aconselho Viegas a aproveitar a ocasião para entregar também o relatório do ICOMOS que põe em causa a continuidade do Douro Património da Humanidade se a Barragem do Tua for construída.

50% dos alimentos na UE vão para o lixo

Tecnocratas, higienistas, grossistas, retalhistas & outros istas andaram anos a construir um “maravilhoso mundo novo” no que toca aos padrões de consumo, distribuição e ao que chamam de segurança alimentar.

O resultado está à vista. Desequilíbrios em toda a linha, da produção ao consumo, excesso de resíduos, abandono progressivo da ideia de reutilização, favorecimento das grandes cadeias de distribuição, normalização de produtos, desaparecimento quase total da venda a granel, criação de mentalidades com níveis absurdos de “exigência”.

Agora, o Parlamento Europeu chega a uma infeliz conclusão: 50% dos alimentos na Europa – onde existem 79 milhões de pobres – acabam desperdiçados, no lixo. Criado este cenário de desbragamento e de falta de respeito pelos recursos e alimentos, nós, consumidores domésticos, somos os que mais desperdiçam.

Trata-se de um paradoxo cultural que atravessa as sociedades contemporâneas e que necessita de ser posto rapidamente em causa: quanto mais civilizados nos julgamos, mais incivilizadamente nos portamos.

Biblioteca Joanina

            

Hoje, 19 de janeiro, ouvi na rádio uma boa notícia para variar! E como andamos ansiosos por uma! Que a Biblioteca Joanina é considerada a mais bela biblioteca universitária do Mundo e, como tal, é legítimo que se faça a candidatura a Património Mundial da Unesco, que será entregue a 1 de Fevereiro.

É ainda reconhecida como uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas da Europa, iniciada há quase 300 anos por portugueses como João Carvalho Ferreira (mestre de obras), António Simões Ribeiro (pintor) e Vicente Nunes (dourador).

Pena que só o nosso passado mereça admiração do mundo…

                                                              (in Público, espaço «Cartas à Diretora», 20-1-2012)

Rudolfo Santos: o que aconteceu à aldeia que o devia ter educado?

O destino ou o determinismo apriorístico são construções irracionais, na minha opinião. Nada, na vida, está decidido, mas muito está condicionado: somos a consequência de muita informação genética e somos filhos de muita gente, sobretudo dos pais ou de quem faça a vez deles.

Há uns tempos, aqui pelo Aventar, insurgi-me contra um estudo em que um grupo de investigadoras defendia que o meio socioeconómico de origem e a idade dos alunos têm um peso de 30% no sucesso escolar dos alunos, dependendo os restantes 70% do trabalho realizado nas escolas.

O problema de afirmações destas, repetidas muitas vezes, não está em atacar ou defender esta ou aquela classe profissional, está no escamoteamento – propositado ou involuntário – da realidade: o meio socioeconómico em que um jovem é criado constitui um factor fundamental no seu sucesso escolar e pessoal. Mais grave: este escamoteamento tem sido apoiado por ministros da educação e por alguns satélites, como é o caso de Ana Maria Bettencourt, a presidente do Conselho Nacional de Educação.

Rudolfo Santos filmou uma agressão a uma rapariga, tendo publicado o vídeo no facebook, e foi julgado por isso, como podemos ler nesta notícia. Depois de ter declarado o seu arrependimento, saiu da sala de audiências e agrediu a pontapé uma jornalista, com a ajuda da mãe, que, ainda por cima, não teve problemas em se deixar fotografar a fazer um gesto obsceno. É fácil imaginar que educação o jovem terá recebido em casa e não será difícil adivinhar como se comportará nas aulas. [Read more…]

Hoje dá na net: O Garoto de Charlot

The Kid é um filme de 1921, escrito, produzido, realizado e interpretado por Charles Chaplin, que também compôs a banda sonora. No início do filme, surge uma frase que resume tudo aquilo a que o espectador está sujeito: “A comedy with a smile–and perhaps a tear”. Há quem diga que é difícil não rir e não chorar, ao ver esta obra-prima. Há quem diga que é impossível. O vídeo que está mais acima é o primeiro de quatro. Para ver os restantes três, basta clicar em “Continuar a ler”.

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Bernardino & Zorrinho, sociedade de irresponsabilidade ilimitada

A hora é de domínio da direita. Legítimo, mas devastador para os cidadãos. Até por esta razão,  criticar as divergências e o divisionismo de esquerda não me é fácil nem agradável.  A defesa direitos fundamentais de milhões de portugueses e, sobretudo, combater ataques de políticas iníquas do governo PSD+CDS deveriam constituir princípios imperativos e impeditivos de qualquer falta de sintonia e de unidade de toda a esquerda na acção política.

Bernardino e Zorrinho, incumbidos pelos aparelhos partidários, vieram a público declarar que PCP e PS não se vinculam à iniciativa dos 25 deputados socialistas e do BE, no requerimento ao Tribunal Constitucional a pedir a fiscalização da constitucionalidade do OGE 2012.

A harmonia e a coincidência das justificações fez-me imaginar que, nos bastidores, os dois partidos forjaram a sociedade Bernardino & Zorrinho. De irresponsabilidade ilimitada, e com o objecto específico de diminuir a probabilidade – alguma que houvesse – de o Tribunal Constitucional vir a considerar que, pelo menos no caso dos ‘Subsídios de Férias e de Natal’, há clara iniquidade e violação de direitos constitucionais da lei orçamental; isto, em prejuízo, nomeadamente, dos funcionários públicos, de trabalhadores do SEE e de reformados da f.p. e pensionistas do sector privado. Como, de resto, o PR reconheceu publicamente, acabando, no entanto, por se decidir pela promulgação. Mas a estas contradições de Cavaco infelizmente também estamos habituados.

Ao invés de se integrarem no requerimento ao Tribunal Constitucional, PCP e PS, pela voz de Bernardino e Zorrinho, acreditam  em outros meios de acção, nomeadamente no combate político. Falácias.

Os Jornais

Quando sabemos que os jornais estão a morrer?

Quando os blogues (esses imprevisíveis) anunciam e (explicam, parte das vezes) as coisas importantes duas semanas antes. 

 

 

 

O jornal do regime e o frete do costume


Para o «Diário de Notícias», SÓ 40% dos nomeados pelo actual Governo é que têm ligações ao PSD e ao CDS. Mesmo desconfiando dos números, é caso para perguntar qual seria a percentagem necessária para estarmos em presença do escândalo do costume? 80%? 100? SÓ?

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (III)

(continuação)

– 34 km Ribeirnha, est. (D.).
O nome está a dizer com a frescura do sítio. Na margem do lado de cá está a pequena povoação desse nome. Do lado de cá, estão duas aldeias (Longa e Barcel), face a face, com uma pequena ribeira de permeio.
Daqui parte uma estradinha que serve a populosa vila antiga, decaída, de Vilas Boas, abrigada do lado do norte por um volumoso monte e que, noutros tempos, servia decerto de atalaia nocturna. é o chamado monte de Faro (824 metros de altitude), hoje coroado por um marco geodésico. Das janelas do comboio se contempla a crista granítica desse altaneiro serro, admirável miradouro de toda esta região de Riba-Tua. Um pouco mais além, à esquerda, destaca-se outro píncaro, relativamente isolado e grimpante: é o pico da Senhora da Assunção, coroado por uma ermida branca que certamente seria para Erastótenes ou Ticho – Brahe (caso um ou outro o visitassem) uma moradia ideal para uma discreta e paciente perscrutação dos grandes enigmas do Céu.
Do lado do poente, avista-se a montanha desnuda de Lamas de Orelhão.
Ao longo do rio, por fim pacificado, sucedem-se os olivais e alguns vinhedos. Estamos, ao cabo de um demorado segmento horizontal de 2 km, em

– 37,6 km. Vilarinho, est. (D.)
Voltam, por momentos, as penedias; mas as vinhas pequenas e os modestos olivedos voltam também, deixando aos renques de choupos a discreta hora de se remirarem no espelho verde do rio. O monte de Faro vai-se afastando, mas sem perda da sua manifesta grandeza. Nisto, porém, interpõe-se um serro escalvado que por pouco não nos oculta o pano orográfico do fundo. Aproxima-se o decantado

– 41,5 km. Cachão, [Read more…]

Estação de Torre de Moncorvo, anos 70

Era assim Torre de Moncorvo (Portugal) em meados dos anos 70. Linha do Sabor.

Ainda Sócrates: UGT e CGTP, Proença e Manuel Carvalho da Silva

João Proença, UGT

João Proença, UGT

O acordo de desconcertação social em que a UGT se envolveu nos últimos dias colocou a questão da representatividade sindical no plano mediático. A UGT é aquilo que é e é aquilo para que foi criada, só que cada vez pior. Os seus quadros mais influentes são militantes do PSD. À excepção de João Proença, são todos da área de influência do PSD, algo facilmente verificável no site dos Trabalhadores Sociais Democratas. Nos últimos dias, CGTP e UGT têm ocupado o espaço mediático para opinar em torno do referido acordo, surgindo um argumento novo: o que vale, de facto, este acordo junto dos trabalhadores? O que representa a UGT? E a CGTP? Em termos muito simplistas, a UGT existe na Banca e nos Seguros, está presente na Função Pública e no resto ZERO! A verdadeira organização dos trabalhadores portugueses é a CGTP e por isso este acordo está longe de ser representativo de quem trabalha. Acontece que a influência dos trabalhadores é realmente pouca em ambas, tal como é pouca nos partidos ou na igreja – o povo português demite-se de participar e o espaço livre é ocupado… pelos PARTIDOS.

E a situação é de tal modo caricata, que Proença apertado pelos seus, vem dizer que a culpa é da CGTP que lhe pediu, por favor, para negociar. Absurdo!

Ora, no caso da CGTP, o PCP deixa muito pouco espaço de manobra e por isso vai agora colocar o Arménio Carlos como líder da Inter. E, no caso da UGT a estratégia do PS de Sócrates em desistir do movimento sindical esvaziou a presença do PS, prontamente substituída pelos TSD.

O reforço do movimento sindical só passa por dois caminhos – o envolvimento REAL dos trabalhadores nas suas organizações, o que eu não acredito. Ou, em alternativa, temos mesmo que ter sindicatos como braços dos partidos. Neste caso, o futuro passa pelo regresso do PS ao mundo sindical sob pena de não haver contraditório, quer de um lado, quer do outro. A concertação social exige-o.

Nota: a referência de Mário Crespo sobre Arménio Carlos como “o sr da CGTP” é ofensiva. Não gostei!

À procura de inspiração

  

Foto de José Magalhães (Aventar)

Naquele sábado de Dezembro, enquanto o comum dos mortais se atarefava na compra das últimas prendas de Natal, Vasco saiu de casa em busca de inspiração para o livro que não avançava. Era uma ovelha negra no presépio.

No Belém pediu um café. Instantes depois, o seu olhar cruzou-se com o de uma jovem que encostou o nariz ao vidro do estabelecimento para logo desaparecer, como se assustada com a visão de Vasco. Este deixou dinheiro a mais sobre o balcão, deu um encontrão ao casal idoso que entrava com grandes sacos de papel e correu atrás dela, ziguezagueando, disfarçando, subindo, descendo, esperando. Por fim, a mulher refugiou-se em casa. Vasco disparou pela última vez.

Sem fôlego, o nosso homem entrou no seu apartamento no 4º andar de um prédio sem elevador. O cão atirou-se às pernas. Vasco resmungou «não» e fechou-se na minúscula cozinha que transformava em laboratório fotográfico. Após alguns minutos, saiu para dar de comer ao Big impaciente. Voltou ao estúdio improvisado. Assim que obteve as onze fotos da beldade, colocou-as cronologicamente no quadro de corticite.

Sentou-se ao computador sem tirar os olhos dela, esperando…

O telefone tocou, incomodando-o sobremaneira. «Vasco? Esperamos por ti na ceia. Não te queremos sozinho na noite de Natal». «Com o Big…» – corrigiu, aborrecido. Há três anos, desde a morte da mulher, que se recusava celebrar a festa com a família ou com os amigos.

Vasco não tencionava sair nesse dia. Não queria distracções, ouvir as «deprimentes» canções de Natal. Queria trabalhar, mas, sobretudo, evitar a alegria da época. Levantou-se ao meio-dia, fez um café fraco e foi para junto da mulher fotografada na rua.

Um raio de sol penetrou no quarto, desenhando na parede pálida e bolorenta a sombra de um homem sentado frente a um computador com um cigarro aceso na boca, cotovelos apoiados nos joelhos.

Nada. Nem uma palavrinha. Não acreditava em Deus, mas fez o sinal da cruz no peito como um jogador de futebol antes de entrar em campo. Talvez resultasse…

Para seu espanto, as primeiras palavras jogaram-se no papel. Mas ao início da noite, Vasco tinha apenas meia página de trabalho.

Furibundo, saiu de casa para espairecer, protegido com um escudo anti-Natal mas permeável à chuva. Não foi longe: faltavam-lhe os cigarros. Fumado o terceiro, meteu-se no chuveiro como se entrasse numa máquina do esquecimento. Para esquecer e ser esquecido.

Mas Big precisava dele: arranhou a porta da casa de banho até Vasco lhe dar atenção.

Insultando o animal abaixo de cão, o homem vestiu-se e saiu com a intenção de levar Big a passear. Mas algo obrigou a uma mudança de planos: no hall do prédio encontraram uma alcofa. «Não é possível!?».

Pegou no bebé com mil cuidados, subiu e telefonou para a irmã: «Este ano a ceia de Natal é aqui». Desligou ignorando a surpresa do outro lado da linha.

Deste lado, num quarto frio e desconfortável, uma menina dorme sobre a cama desfeita, o cão deitado em guarda e esquecido do parque, Vasco ajoelhado e esquecido da dor.

Bloco de mármore

Nós temos em nós,

como um bloco de mármore para o escultor,

uma infinidade de modos de ser. E vamo-los sendo na aprendizagem da vida e

nos 1000 acidentes desse aprender.

                    

                       (Vergílio Ferreira, Pensar, 1992)

Isto é que é negociar

Para lá do pastel de nata: o jogo do pau

O Álvaro não se pode ficar pelos pastéis. O jogo do pau, a arte marcial portuguesa, tem os ginásios de todo o mundo para conquistar. Pode praticar-se sentado proporcionando momentos de rara beleza.

Hoje dá na net: Gilda

Gilda, voltamos aos clássicos do film-noir com este fantástico filme. O sinistro patrão de um casino sul americano descobre que o seu braço direito (Johnny) já conhecia a sua mulher e a relação não é nada simples… Realizador Charles Vidor, com Rita Hayworth e Glenn Ford. Página IMDB.
Em inglês, sem legendas.

Assine, salvemos a internet

Hoje pode ser o dia em que salvamos a Internet.

O Congresso dos EUA se preparava para aprovar uma lei que permitiria aos EUA censurar o acesso a qualquer website no mundo. Mas após nossa entrega de uma petição forte com 1.2 milhões de assinaturas à Casa Branca, a presidência veio à público contra o projeto de lei — e na medida em que a pressão popular esquenta, alguns apoiadores do PL estão mudando de lado. Nesse momento, o protesto de blecaute liderado pela Wikipédia trouxe a campanha para o centro das atenções das notícias.

O Senador Wyden vai boicotar a votação, lendo em voz alta os nomes de todos os que assinaram esta petição. Assine também. No fundo não é todos os dias que temos um senador norte-americano a ler o nosso nome no Congresso. Ou prefere a censura?

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (II)

(continuação)

Por momentos, a penediaparece querer esmorecer. É, porém, por enquanto, rebate falso. Mais um túnel (túnel das Falcoeiras). Volta a cornija quase suspensa sobre o profundo barranco. Agora surge um paredão estranho cujas raízes mergulham no leito tortuoso e cascalhento do rio, cujas águas, pueirs e rápidas, resvalam e brincam em consecutivos assaltos de espuma e granito.
De vez em quando o afluente recebe de um lado ou de outro algum córrego, nascido sabe-se lá onde, nalgum recôndito lameirinho só conhecido de alguma lontra lampeira, ou algum silvado vizinho do Reino dos Quintos. Ali temos, por exemplo, um desses ribeiros que vem das bandas de Carrazeda, e que dá pelo nome bíblico de Barrabás!
Cortes e mais cortes em esporões rochosos, amarelados, como que concentrados num inviolável mutismo.
Ao dobrar de um dos cotovelos do apertado e pedregoso vale, descobre-se na margem direita do rio, num recôncavo montanhoso, uma povoação empoleirada. É a aldeia de Amieiro. [Read more…]

WordPress, o protesto

Pelas razões explicadas esta manhã pelo Helder Guerreiro, hoje o WordPress acordou assim. Lindo. Um dia pode mesmo ser obrigado a fazê-lo por imposição legal norte-americana. Os governos têm de aprender que a internet é nossa.