A Estação de Espinho

Fotografia de Emílio Biel.

Saía um Porto-Barcelona, sff

Pesem as minhas simpatias pelo Barcelona, aquilo que se viu ontem foi uma vergonha:

Isto somado à expulsão palerma de dois portugueses mexe com a minha adormecida costela patrioteira.

Não sei se ainda há supertaça europeia, mas sei que lá para o verão os vencedores das ligas europeias se vão encontrar. Espero por isso que o Barça ganha a Liga dos Campeões. Um Porto – Barcelona permitirá aos jornais do dia seguinte titularem:

Villas-Boas vinga Mourinho

E já agora parabéns ao Braga, e a Domingos Paciência, a um golito de uma final europeia. Este verão, na falta de outra indústria competitiva, lá vamos exportar jogadores e treinadores. O costume.

Golos do Porto, Benfica e Braga…

…mantêm duas equipas portuguesas na rampa da final da Liga Europa.

O Porto, com cinco golos, praticamente comprou hoje os bilhetes para Dublin. O Benfica marcou dois e o Braga um, que pode vir a valer dois. Assim, é melhor nenhuma das  duas falar com a agência de viagens e passar já o cheque.

Para já, uma quase certeza: dois treinadores portugueses vão defrontar-se na final e um deles vai ganhar.

Nota: sempre achei uma falácia os treinadores, dirigentes, adeptos, etc., dizerem que um campeonato nacional é mais valioso (“o objectivo principal da época”) do que uma competição europeia. Deixem-se de tretas, não é, toda a gente sabe isso ainda que não o diga. Vão ver as declarações, os festejos, as notícias, as reacções de jogadores e treinadores depois de um troféu europeu. Qualquer deles trocava dois campeonatos nacionais por um único título da europa.

William é filho de Charles? Carlos será pai de quem?

A real boda britânica é, quer se queira quer não, um dos grandes acontecimentos da semana. Para além de muitas opiniões republicanamente desfavoráveis ou monarquicamente entusiásticas, face à esplendorosa superprodução do casamento do neto da rainha de Inglaterra, continua a fazer-me espécie, comichão mesmo, a tendência, também jornalística, para chamar William a um príncipe que, em Português, é Guilherme, como o pai é Carlos, a avó é Isabel ou o bisavô é Jorge. É certo que a tradição não nos impôs que Shakespeare deixasse de ser William, mas a mesma tradição refere quatro monarcas britânicos com o nome de Guilherme, sendo que o primeiro até devia estar mais habituado a que lhe chamassem Guillaume.

Ténis Vertical

Às vezes, para ser criativo, basta pensar ao contrário.

Kate e William louvam o casal Obama

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Da selectiva lista de convidados para o matrimónio real do ano, da plebeia Kate com o príncipe William, também foi excluído o casal Obama. O que é um louvor para ele, Presidente da República, e Michelle, sua mulher, primeira-dama dos EUA.

As relações históricas e institucionais entre o Reino Unido e os EUA levariam, naturalmente, a admitir que o Presidente norte-americano e mulher, independentemente dos ideais e credos religiosos que professam, ou da cor da pele, fossem convidados a participar no ‘Royal Wedding de 2011’, em Londres. Porém, nem sempre o óbvio acontece. Ou é justamente o oposto do que aparenta ser.

Para a aristocracia bem-pensante – idiota e cabotina, acrescento eu – preto é preto, seja ele Presidente da República, escriturário, empregado de café, servente de pedreiro, desta ou  daquela nacionalidade. Para preto, a nacionalidade é questão vital cuja comprovação através de ‘certidão de nascimento’ não se dispensa (Não vão ter nascido em África e dizerem-se norte-americanos).

No ‘Royal Wedding’ de Kate e William, o desfecho eclesiástico e institucional de uma ‘união de facto’ de que a aristocracia, monárquica ou republicana, se diz adversária, prevalece o pífio  ‘Reservado o direito de admissão’. Neste sentido, não surpreende que, além da aristocracia reluzente, tenham assento no evento ícones da estupidificação universal, como o casal Beckham e Elton John.

Devo lembrar ao casal de noivos que também houve reis e rainhas negras. Nzinga Mbandi Ngola, a célebre Rainha Ginga de Matamba e Angola foi uma delas.

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2005-2010, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Em Portugal, talvez se lembrem, houve um tempo em que o Banco de Portugal (BdP) ditou o destino do país. Não me refiro aos anos do escudo, quando bastava ao banco central desvalorizar a moeda para se resolverem as crises orçamentais mas sim ao ano de 2005, em que o BdP descobriu que o défice das contas estava nos absolutamente altos 6.0% do PIB. Era então governador Vitor Constâncio.

Hoje temos um défice de 9.1% do PIB e a dívida pública passou dos 63,9% do PIB em 2005 para os 92,4% do PIB em 2010. Perante estes dados, Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, diz que nos últimos 12 anos os Estados e os Governos à frente dos destinos do país não foram prudentes. Endividaram-se e não quiseram cumprir regras europeias, de manter o défice abaixo dos 3%, ou de simples bom senso (citando o texto da RR, onde constam mais umas notas pertinentes).

Será que o Governador do Banco de Portugal já não é pessoa a ter em conta?

 

via

levanta-te e anda, 25 de Abril

LEVANTA-TE E ANDA, 25 DE ABRIL 

Para os cidadãos lusos, pais das crianças, que hoje vivem a nova História de Portugal.

Houve o tempo em que Portugal era uma eterna tirania. Não apenas nos tempos do ditador dos começos do Século XX, 1928 até ao 25 de Abril de 1974.
Antes, as primeiras repúblicas não se sabiam governar, era uma nova experiência ter um Presidente da República e não um rei, Dom Carlos de Bragança que fora morto com o Príncipe Real, herdeiro da coroa, Luís Filipe.
Portugal passou a ser um país sem monarquia a partir do dia em que o outro filho varão de Carlos I, Dom Manuel, que passou a ser Manuel II, assumiu a coroa. Era novo, não estava preparado para governar, era quase um Menino.

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Miguel Sousa Tavares anda desfasado da realidade ou perdeu toda a vergonha

Miguel Sousa Tavares continua a surpreender-me em cada uma das suas intervenções televisivas.
A última delas deve ter batido todas os records da hipocrisia e do lambe-botismo a Sócrates. Seria cómica, se não fosse trágica, a postura de alguém que dantes se ufanava da sua independência.
Passando ao lado do ataque aos Capitães de Abril – para ele, quem está contra o actual estado de coisas é porque quer o poder (aqui no Aventar, por exemplo, queremos todos é o poder), quero concentrar-me no que disse o filho de Francisco Sousa Tavares sobre o Ministro das Finanças. Que era um elemento perturbador da actividade do Governo, que tinha errado sistematicamente as previsões e que, pelo tipo de discurso nos últimos meses, mostrava ser uma pessoa desfasada da realidade.
Sobre o Primeiro-Ministro, o mesmo que apoiou e subscreveu todas as medidas do Ministro das Finanças ao longo dos anos, e cujo discurso foi muito, mas mesmo muito mais desafasado da realidade, nem uma palavra. A estratégia é simples e é a mesma que Sócrates está a utilizar: culpar o Ministro das Finanças pela situação económica e financeira para dessa forma ilibar-se a si próprio.
Os almoços entre José Sócrates e o filho de Sophia, como se pode ver, dão reslutado.

O grande maestro, José Sócrates Pinto de Sousa

Por SANTANA CASTILHO

Frederico II, O Grande, rei da Prússia, disse que “a trapaça, a má fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações”. José Sócrates Pinto de Sousa, o grande maestro, ilustra-o.
Na farsa de Matosinhos, a que o PS chamou congresso, usou bem a batuta da mistificação e deu o tom para o que vai ser a sua campanha: ilibou-se de responsabilidades pela crise e condenou o PSD; tendo preparado, astutamente, a queda do Governo, ei-lo, agora, cinicamente, a passar para o PSD o ónus da vulnerabilidade que nos verga.
Como a memória é curta e o conhecimento não abunda, os hesitantes impressionam-se com o espalhafato e o discurso autoritário, ainda que recheado de mentiras. Porque em tempo de medo e de apreensão, a populaça não gosta de moleza.
O aviso fica feito: não menosprezem as sondagens. [Read more…]

O Historiador.

V. Magalhães Godinho (C) José Ventura / Expresso

 O ofício de Historiador já foi respeitado em Portugal.
Alexandre Herculano era ouvido pelos políticos, Oliveira Martins constituiu uma espécie de decano da sabedoria oitocentista e, mais recentemente, a perda de A. H. de Oliveira Marques originou um irremediável vazio na cultura portuguesa. Bem sei que José Mattoso assume ainda o papel de uma mítica figura, a que se recorre, de quando a quando, para questionar sobre o esplendor do Passado e honrar a intelectualidade a partir da ideia do velho sábio, entretido entre alfarrábios, a compilar dados inúteis que ninguém lê ou lerá a não ser ele próprio. Mas os últimos anos têm levado o resto do valor da figura do Historiador. E agora mesmo desaparece Vitorino Magalhães Godinho, um homem inconformado, como todos o deveriam ser.
Vendo bem, o grande problema na forma como se olha para o ofício de Historiador é o de nunca o considerarmos como um inadaptado, como alguém que ousa falar contra. O Historiador, para o público comum, é um ser inerte, acomodado, bibelot decorativo de arquivos e bibliotecas. Em último caso, um animador de palestras ou de comemorações de centenários, às vezes agitador de intelectuais ou entretenimento ligeiro para telespectadores curiosos. E a culpa deste cliché acaba por ser dos próprios.
Primeiro, porque os Historiadores, aqueles que acreditam que fazem ciência, que escrevem para o desenvolvimento do conhecimento colectivo, admitem que a História seja mal tratada. Todos os dias as Câmaras Municipais publicam “monografias” redigidas a título gratuito por amadores. Desde logo, o Historiador passa a ser um estoriador, um carola que vive de ar e vento e escreve uns artiguelhos por simples diversão. Aliás, qualquer indivíduo minimamente instruído parece mais do que qualificado para escrever História, desde o comentador político ao jornalista. E para um Presidente de Câmara cujo objectivo maior é encher o seu município com rotundas, chafarizes e sinais de trânsito, e exaltar estas hediondas obras, qualquer livro com fotografias e alguns textos laudatórios é passível de constituir edição maior da História Local.

Pois nenhum historiador clama contra isto. Nem a Academia Portuguesa da História, cujo objectivo principal devia ser o de zelar pela preservação da Memória nacional é capaz de se insurgir contra esta “deseducação” massiva que alimenta bibliotecas escolares, como se fosse possível levar a sério a prosa de um médico ou de um operário só porque leram meia dúzia de verbetes no dicionários do Pinho Leal!
Depois, o Historiador escreve quase sempre de si para si. [Read more…]

Eu também gosto muito do Fórum TSF

INFORMAÇÃO AOS MILITANTES

Participe no Fórum TSF com José Sócrates – AMANHÃ – 28/Abril

Caro(a) Camarada

Para seu conhecimento e participação, informamos que amanhã – 28/Abril, quinta-feira, no Fórum TSF, José Sócrates responde aos portugueses.

Inscreva-se pelo: 808 202 173

…a partir das 9 horas.

PARTICIPE E DIVULGUE.

Roubado ao Sexo e à Cidade

Nos bastidores da apresentação do programa do PS

Momento em que os autores se preparam para entregar o programa do PS, depois apresentado por José Sócrates. Vai ali, no dossier amarelo. No carro estava um outro, laranja, cuja entrega está mais complicada.

Enquanto Sócrates inventou outro programa de improviso, mentindo como em todos os anteriores, Passos Coelho ainda hesita, muito aconselhado a ler mesmo os papéis que estes senhores lhe vão entregar.

Estes homens gostam do seu trabalho, fazer os programas de 3 partidos numas eleições tem, antes ou depois, sido o que já fizeram na Grécia e na Irlanda, e costumam comemorar na noite das eleições. Telefonam-se uns aos outros, e soltam alguns gracejos entre si, como fazem as hienas ao luar.

Desta vez é que é

Os outros seis anos foram só para aquecer os motores e para a malta se divertir. Desta vez não, desta vez é que é. Eu e o Lello acreditamos.

Os herdeiros de Abril – que merda de gente!

Já o escrevi aqui há uns anos. O 25 de Abril morreu há muito. Ressuscitá-lo agora seria mais ou menos o mesmo que acreditar, hoje, que Cristo ressuscitou ao terceiro dia. No entanto, há quem queira fazê-lo, ano após ano, seja em editoriais indigentes ou em comemorações pífias, de circunstância. Insistindo num saudosismo estúpido de slogan, convencidos ainda de que “o povo é quem mais ordena”. Aquele povo cantado por Zeca Afonso morreu com esse 25 de Abril mítico que não volta mais. É só ver os seus herdeiros. Que se passeiam por aí, transformando este “sítio” num estendal de transformistas, de eunucos, de saltimbancos políticos, de corruptos, de travestis mentais. Enfim, uma verdadeira comédia humana. Deprimente. [Read more…]

José Lello, o infobruto

O vídeo exibido mais abaixo explica a magna questão do deslize facebookiano que está na berra e que traz os portugueses preocupados. Na verdade, a avaliar a violência com que José Lello, irritado com os jornalistas, fechou o computador em Março de 2010, imagina-se como não tratará o Blackberry, instrumento delicado que exige a disponibilidade de um polegar oponível. Um especialista consultado pelo Aventar afirmou que a motricidade grossa do deputado socialista terá provocado um problema no carburador do “facebook”, tornando possível alternar descontroladamente as mensagens privadas com as públicas e vice-versa. Lello, mais do que um cibernabo, é apenas um infobruto ou um troglodigital. Estranha-se, portanto, que o mesmo José Lello tenha declarado que o parlamento não é a aldeia dos macacos.

 

Nas próximas eleições vou votar… (I)

Voto desde 1992 e nunca faltei. Só votei em dois partidos – PS e BE; Para a presidência, só votei em candidatos de Esquerda (Jorge Sampaio e Manuel Alegre!). Umas vezes ganhei, quase sempre perdi…

Mas, terá que haver uma primeira vez… Para não votar. Também me agrada a sugestão de Saramago no “Ensaio sobre a Lucidez”: votar em branco.

Mas, antes, tenho que me decidir e a coisa não está fácil.

E para me organizar, vamos ao ponto de partida:

– que funções deve ter o estado? O que é ou deve ser o estado? Onde deve estar presente e onde deve estar ausente ou apenas a moderar? [Read more…]

Lellinho, queridinho, e se estivesses caladinho?

Não lhe bastam as deficiências tecnológicas. Agora amuou e armou-se em engraçadinho. De caminho, para ficar de bem com o chefinho, afinfou (linguagem a la Lello) no Carrilho. Já só lhe falta engraxar sapatos. Os de Sócrates, está visto.

O mapa das dívidas: vamos lá brincar com os dominós

A Espanha é já a seguir. A Grécia é a primeira a não pagar.

Onde se entende muita coisa sobre mercados & especuladores &  se revela o efeito dominó & como a Europa deixou que lhe fizessem a cama onde se vai deitar & uma vez deitada acordará & será tarde & os seus mandantes meterão as mãos na cabeça que não tiveram & chamarão as carpideiras & ficarão em longos prantos & rasgarão suas vestes caso ainda as tenham e ficarão nus aos olhos dos povos delapidados.

roubado no Vias de Facto

To be or not to be “The Queen” will be the question

O casamento do príncipe William com  Kate Middleton, na próxima 6.ª feira, será acontecimento de arromba. Mesmo antes de consumado, está a gerar críticas, polémicas e certa especulação sobre a competição pelo acesso ao majestático trono de futura Rainha Britânica – esposa do Rei, entenda-se.

Camila, duquesa da Cornualha, e Kate (Catherine Elizabeth), ao que se diz, são duas rivais na pretensão ao trono. Precisamente duas plebeias a disputar o nobiliário cargo. As monarquias, em evidente decomposição, que monárquicos alegam ser democrática, têm vindo a ser contaminadas pela absorção (indevida?) da plebe, segundo os mais ortodoxos.

Na expectativa de que o reinado da Rainha Elizabeth II, 85 anos, tenda a terminar, ambas se dispõem a exercer pressão sobre os cônjuges, Carlos e William, com o objectivo de serem coroadas. Fora o resto que é de somenos, é uma das complexas causas que traz o povo britânico em sofrido suspense:  “Camila or Kate, to be or not to be “The Queen” will be the question”.

Será por dificuldades diversas, entre as quais financeiras, que o ‘Sol’ anuncia que, no conjunto dos cerca de 1900 convidados, de portugueses, só estará o embaixador João de Vallera, sem direito a levar acompanhante. Enfim, um casamento plebeu, com desfile em Rolls-Royce, em vez de charrete, coche ou caleche. Todos estes equipamentos, de resto, são demasiado conservadores e um Rolls-Royce é a ostentação que se impõe, pensou a Kate.

Be happy Kate and William! Os otários que paguem.

Expresso censura telegramas divulgados pela Wikileaks – II

A dois de Março do corrente, publicou o Expresso um primeiro conjunto de “telegramas Wikileaks” sobre Portugal. Ironicamente, resolveu este jornal censurar parte desses mesmos telegramas. Mas, uns dias depois, Ricardo Costa, director deste semanário, esteve presente num debate/chat com os leitores do Expresso onde afirmou categoricamente: «No site vamos publicar na integra todos os telegramas. Quem quiser pode ler tudo. No jornal, enquadramos, editamos e corrigimos».

Passados quase dois meses, passei pelo site do Expresso e continuam esses telegramas com a mesma censura. Será falta tempo por andarem a falar com os 47 interessados no regresso do bloco central?

Os telegramas em causa:

 

Para memória futura, aqui fica o dito texto dos 47.

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Diogo Leite de Campos explica o que não é um rico e o que é a miséria

Acho isto enorme.

Sorry, old republican chaps!

Royal Wedding Posting

Pode ser um exagero, pode ser uma lamechice, pode ser excessivo em tempos de crise. Mas a euforia não se esconde, só os mais tristes não gostam de uma história de amor e dinheiro gera dinheiro. Lamento muito pelos republicanos que nos dias que correm espumam mais raiva do que o habitual mas, caros amigos, a cerimónia vais ser transmitida a biliões de pessoas, milhões vão estar presentes e, provavelmente a maior parte do mundo (que é feminina) queria estar no lugar da Kate. É certo que segundo as últimas sondagens 10 por cento dos britânicos queria ter uma república, mas acho melhor não passarem pelo vexame republicano da Austrália que viu negado os seus “democráticos” intentos pelo referendo de 2005. E certo é também que nestes dias aumentam os clamores moralistas sobre os gastos daquela gente que vive o conto de fadas. Porém, no país de Oscar Wilde, toda a publicidade, mesmo a má, é boa. Sugiro aos que nunca sonharam que no próximo dia 29 desliguem a televisão, a rádio e que nos dias a seguir não leiam jornais. Vai ser doloroso.

Solidariedade com o camarada José Lello

Que coisa irritante. O camarada José Lello, eu, e mais uns dois terços dos portugueses achamos que Cavaco Silva é foleiro em geral, e foleiro enquanto PR em particular. Os presidentes da República não são nenhuns reizinhos, à prova de bocas, incluindo as foleiras. Fossemos agora recordar os epítetos que recebeu, a seu tempo, Mário Soares, nomeadamente do actual cabeça de lista do PS por Leiria, e nunca mais parávamos.

Em solidariedade reponho aqui um souvenir do baladeiro José Lello, um Mendes Bota precoce, desde  muito jovem um artista promissor:

Já o tinha publicado. E ameaço voltar a fazê-lo se não param de dizer mal do camarada José Lello, que penso ter sido uma inspiração para Raul Solnado.

Falemos de Portugal, da Zona Euro e dos UE dos 27

Sabe-se que o desempenho do País, a somar às influências externas, é fundamentalmente resultado da qualidade dos dirigentes  que o têm governado – em Portugal, como em qualquer lugar. Parece, todavia, útil desprezar os actos burlescos do quotidiano político, como a reacção de Nogueira Leite ao “erro tecnológico foleiro” de José Lello. De resto, ambos foram membros do XIV Governo Constitucional, de António Guterres, e eventualmente, a esta hora, já resolveram arquivar o ‘dossier’ próprio de quem se sabe merecer entre si.

Trate-se do que é relevante para os portugueses. Fale-se, pois, com seriedade de Portugal, mas igualmente da Zona Euro e da UE dos 27. Hoje, a imprensa portuguesa relata que o nosso País tem o 4.º maior défice e a 5.ª maior dívida da Zona Euro.

Sem deixar de ser verdade o anunciado, este carece de complementar e detalhada análise.  É, portanto, necessário  examinar com minúcia toda a informação hoje publicada pela Eurostat, da qual há a extrair conclusões interessantes:

  • Portugal, considerado no conjunto dos 27 Estados-membros da UE, melhora a posição para o 5.º maior défice, uma vez que o Reino Unido se intromete em 3.º lugar com  – 10,4% do PIB,  o terceiro maior da UE;
  • O total de economias deficitárias, em percentagem do PIB, é de 14 países: Irlanda, Grécia, Reino Unido, Espanha, Portugal, Polónia, Eslováquia, Letónia, Lituânia, França (estes com o mínimo de – 7%, défice da França), Luxemburgo, Finlândia, Dinamarca e Estónia; [Read more…]

Leituras recomendas ao deputado Lello e C.ia

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José Lello disse que chamar “foleiro” a Cavaco foi “mensagem involuntária” e resultou de uma “uma arreliadora deficiência tecnológica, que passou a público” (i e Público). Agora que os corporativos declararam que usar Nokia é contranatura e sabendo que o Magalhães é o computador oficial de todos os ministros (actuais e wannabe), compreende-se que o deputado ainda não esteja à vontade com o seu Blackberry. Já Nogueira Leite parece mais confortável com as coisas geek mas nota-se-lhe um défice de leitura. E assim está conseguido mais um dia de fait divers, a fugir de se discutirem os problemas e soluções para o país.

Vinte Cinco Sempre.

Os intocáveis. A Bola (c)

As comemorações do 25 de Abril são dadas a alguns histerismos. Pouco habituados a conviver com a liberdade de expressão, as televisões mostram e relatam os gritos, os punhos erguidos, as frases de luta e de intervenção. No dia a seguir regressa tudo ao normal. Os portugueses voltam a confiar na providência estatal, no voto como arma e no doce aconchego das instituições bancárias. O 25-4 é o nosso carnaval cívico, o dia da transgressão. O resto do ano podíamos viver numa alienação completa da liberdade. Mas, em Abril, ergueríamos os punhos para derrubar, ainda que efemeramente, as grilhetas da opressão.
De resto, o conceito de liberdade, em terras lusas, é coisa muito particular. Sempre que lecciono alguma disciplina relacionada com História Contemporânea ou Cidadania e pergunto aos meus alunos adolescentes o que significa, para eles, Liberdade, a resposta é, invariavelmente, semelhante: “é poder dizer e fazer aquilo que nos apetece”. Acresce a isto o facto de termos uma Constituição onde os direitos sobrepõem os deveres. Somos educados, desde crianças, a respeitar a Liberdade como um direito inalianável e sagrado, mas somos incapazes de compreender o significado de uma obrigação, seja ela individual ou colectiva. E as obrigações, numa comunidade ou num país são importantes. Nelas assenta o princípio da solidariedade, do equilíbrio e da igualdade – não da Igualdade feroz, jacobina, que a maioria dos interlocutores ejacula em longos discursos inúteis, mas a igualdade de deveres e direitos que faz uma sociedade madura. [Read more…]

Polly Styrene – RIP

Polly Styrene, aliás Marianne Joan Elliott-Said, vocalista do X-Ray Spex, não era a Siouxie, mas andava lá perto. A morte aos 53 anos. RIP.

As perversas receitas da troika

Ainda recentemente,  9 de Abril, Stiglitz escrevia aqui o seguinte:

Com efeito, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) estão exigindo por norma a trabalhadores irlandeses e aos cidadãos a suportar o fardo de erros que foram cometidos pelos mercados financeiros internacionais. Mas é importante reconhecer que estes erros sejam, pelo menos em parte, atribuíveis à sequência da desregulamentação e das políticas de liberalização que foram defendidas pelo FMI e pelo BCE e que estas políticas proporcionaram benefícios significativos para o sector financeiro.

Sem esquecer, deixemos, por instantes, as cedências à direita de Sócrates (código do trabalho, isenção de tributação fiscal de mais-valias avultadas e privatizações em sectores estratégicos), assim como as propostas neoliberais de Coelho (redução ao mínimo do Estado Social). Olhemos o longíquo horizonte, do mundo e dos poderes dominantes. Só por incapacidade visual ou falsa fé, é concebível aceitar que este género de receitas, também divulgadas aqui (embora rapidamente desmentidas desta forma: Governo
diz que FMI não propôs trocar subsídios por certificados
),  não são sejam perversas e duras para a economia portuguesa.

Talvez fosse escusado salientar que os significativos efeitos da quebra de rendimentos do funcionalismo público, mediante a conversão do pagamento de Subsídios de Natal e de Férias em  certificados de aforro ou títulos do tesouro, se repercutirão muito negativamente no consumo privado. Com a inevitável intensificação de falências no comércio e pequena indústria, bem como a consequente quebra de receitas do Estado em  encargos sociais, impostos directos e indirectos.

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Jantar com laranjas

Nesta época de pré-campanha eleitoral, o presidente do PSD teve a estranha ideia de reunir todos os antigos dirigentes do Partido. Pretende organizar um jantar-comício num local apropriadamente denominado de Feira (Santa Maria da), servindo este repasto para atestar a “unidade” da organização. Um erro, pois a ruptura com um passado que não deixou saudades, seria uma excelente oportunidade para PPC provar que não se impressiona com os velhos esquemas e truques em que os seus antecessores – especialmente esse discreto em que já estão a pensar – foram exímios.

O problema será sério, se alguns dos convivas discursarem na mesma linha dos recadinhos que todos os dias têm feito chegar às redacções dos jornais. Deixando desconhecidos Machetes para outra oportunidade, se tirarem Marcelo e Mendes do micro-ondas, o repasto será aquilo que se imagina. Sabe-se o que têm dito e feito. Manuela Ferreira Leite enganar-se-á no tempo dos verbos, mas talvez sentir-se-á envergonhada para chegar à provocação e assim, arranjará uma desculpa, ficando em casa a tricotar umas meias de lã para um dos netos. Todos ainda se lembram das “excelentes e leais” relações que Marcelo, Santana – o tal 1º Ministro “dissolvido” por uma espécie de Bozo ex-ruivo – , Leite, Mendes ou Meneses (já não me lembro dos outros) cultivaram entre si.

 Só falta o Sr. Pacheco Pereira como escanção, pois sonhando-se com a enigmática presença do Sr. Cavaco Silva, urge alguém com coragem para testar o vinho, não vá algum malandro dar uso ao seu anel de câmara falsa.