Quando a direita era oposição

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Houve um tempo em que o PSD, pela voz do seu líder e actual primeiro-ministro, afirmava convictamente que a austeridade não era o caminho e que para seguir esse caminho não podiam contar com o seu partido. Um tempo em que Passos acusava o executivo de Sócrates de “desleixo, falta de rigor, incompetência e desnorte”.

Houve um tempo em que o transparente Miguel Relvas lamentava que o sacrifício fosse sempre do mesmo lado. Que era preciso pedir mais sacrifícios ao Estado.

Houve um tempo em que Pires de Lima afirmava que eleições antecipadas seriam provavelmente a única saída para um “ambiente político completamente apodrecido”.

Houve um tempo em que o irrevogável Paulo Portas tentava dar lições de lealdade institucional ao então primeiro-ministro, que acusava de “falta de maturidade”. Com Portas, tal situação nunca aconteceria porque, como o próprio explicou à TSF, nunca confundiu “divergências políticas com o incumprimento do que acho que são obrigações institucionais”.

Foram tempos interessantes aqueles em que a direita era oposição. Tempos em que a Comissão Europeia e o BCE saudavam as medidas de austeridade apresentadas pelo executivo socialista perante o aplauso da imprensa alemã. Tempos em que a direita tentava (e acabou por conseguir) comprar o eleitorado com simpáticas mentiras, caídas por terra assim que a JSD graúda tomou conta do aparelho de Estado e fez exactamente o contrário daquilo que prometeu. E se puxarmos esses tempos um pouco mais atrás, ainda conseguirmos encontrar o Moedas da Goldman a afirmar, sem reservas, que só nos restava o “caminho da reestruturação da dívida”.

Alguém sabe onde se meteu esta direita?

Eu dou-vos uma pista: está algures a injectar mais 510 milhões de euros num banco corrupto falido.

Os Mirós do Japão*

        Nos últimos dias, alguns jornais, nomeadamente o Público, noticiavam que havia uma petição on-line no sentido de impedir que uma colecção de cerca de 85 pinturas de Juan Miró, propriedade do Estado Português, fosse vendida. Desde logo apareceram os “bitaiteiros” do costume. Que sim, o Estado não tem capacidade para ser proprietário de tal colecção, e o montante da venda serviria para abater ao prejuízo daquele banco. Que não, a venda da colecção é um crime de lesa pátria. E por aí fora.

Por aquilo que fui lendo, o assunto incomoda, e parece que ninguém (da comunicação social a responsáveis do BPN, passando pelo Ministério das Finanças, etc.) esclarece o que de facto se passou. Felizmente há alguém que tem escrito sobre o assunto, e de forma acutilante. Lendo o que Manuel de Castro Nunes escreve (vários posts)  percebe-se tudo. [Read more…]

Da digressão e ‘swing’ na AR chegamos à “CES gatada”

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A ‘Comissão de Inquérito’ da AR sobre os ‘swaps’, até agora, teve efeitos nulos, i.e., exactamente iguais às múltiplas sessões realizadas no Parlamento a propósito de outras matérias. O caso BPN, que me lembre, é o mais eloquente – até Oliveira e Costa (é só um, nada de confusões!), de pulseira e o menos solto dos envolvidos, diz-se na imprensa, não é localizado na residência por portadores de mandados. Chegam a tocar cerca de duas dezenas de vezes à campainha, esta fica roufenha e do homem nem voz afogada pelo duche ecoa.

Todavia, em respeito pelo conceito do contraditório coerente, a D. Elvira da mercearia, o Snr. Martins dos jornais e o Diogo, ‘laranja’ do coração e jovem quadro de uma financeira próxima, encontram e cumprimentam diariamente Oliveira e Costa – não é cumprimento de dois em um, atenção, mas sim individual e com respeito solene.

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Políticos sem vergonha

Sublinhando que o buraco do BPN estimado naquela altura era de 600 milhões de euros, muito longe dos milhares de milhões que hoje já são conhecidos, Sócrates considerou “mais prudente fazer a nacionalização”. [Expresso]

Posto assim, a mensagem implícita é “o buraco era pequeno”. Se era pequeno, não poderia haver risco sistémico nem seria necessário “assegurar a estabilidade do sistema bancário português“, tal como defendeu Constâncio numa comissão de inquérito parlamentar. Por outro lado, se não era possível estimar a dimensão do buraco do BPN, não se devia ter nacionalizado o banco num tempo recorde de apenas alguns dias. Com garantias do BPN não afectar contas do défice até 2013 e com afirmações como  o “Estado não gastou nem envolveu dinheiro dos contribuintes” no BPN e no BPP.

Concordo com Soares sobre os cachopos que nos governam merecerem serem julgados. Idem quanto ao repto sobre Cavaco. Mas quem o faz acusando os outros, sem olhar para a sua casa, não merece o meu respeito. O governo que tornou em público o que era um problema privado, possivelmente o maior desfalque do pós-25 de Abril, merece igual julgamento. Não é coisa de somenos. Estamos a falar de uma decisão que empurrou o país decididamente para o lodo onde estamos. Foi o prenúncio da operação salvar a banca.

É precisa muita lata um andar a pintar narrativas em entrevistas e outro vir com o síndrome de Frei Tomás. Uns e outros não passam de políticos sem vergonha na cara.

Este ano poderia haver uma baixa de impostos de 2.7 mil milhões de euros

Bastava que estivessem de facto a fazer alguma coisa para recuperarem os 6.6 mil milhões de euros do BPN, os quais algures hão-de estar.

Apagar o BPN

a ver se pega. Mais um caso, embora o assessor de Passos Coelho tenha trabalhado doze (12) anos para o banco dirigido por Oliveira e Costa.

José Oliveira e Costa

já contactou o tribunal e deixou o seu contacto telemóvel. E declarou-se indignado com os boatos sobre o seu presumível desaparecimento.
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As subvenções não são um direito adquirido

Como muito bem lembra a Clara no Expresso. Pelo menos, não são um direito maior e adquirido que os 10% que querem roubar a quem recebe 601 euros por mês. Nesse sentido, é defensável que todos os políticos fiquem sem a sua subvenção pelo exercício de cargos partidários e recebam apenas a reforma que resulte dos seus descontos.

E podem começar por cortar aos que fizeram negócios com o BPN, por exemplo, o Senhor Presidente e o Senhor Ministro. Sim, esse mesmo, o que comprou, para ele a um euro, mas que para a sua “empresa” comprou a 2,2. Um excelente gestor, estou certo. Tão excelente que até é nomeado Ministro.

Pelos Machete’s deste país, acabe-se com a subvenção, com efeitos retroactivos, dos políticos.

O governo “maravilhoso”, cheio de embustes mil!

Andei vinte e oito anos (28!), até ao 25 de Abril de 74, a ler, criticar e lutar pela calada de dias e noites – efectivamente lutei em organização clandestina partidariamente independente. Vinte e oito anos, como diz a canção do meu contemporâneo, Paulo de Carvalho, é muito tempo!

Sem intuitos de ser herói, mas impulsionado pela amarga perda de amigos na guerra (Angola e Guiné-Bissau), pela miséria do povo de que o ‘Expresso’, sob o epíteto ‘O Último Verão’, relembrou nas páginas 20 e 21 da última edição, e por outras facetas deploráveis; recordo a feroz PIDE a perseguir, prender, torturar e, se necessário, matar quem ousasse combater o salazarismo – eu e milhares de cidadãos fomos qualificados de ‘comunistas’ com ódio e o ímpeto idêntico ao utilizado pelo trabalhador rural na aplicação do ferrete no gado; jamais me filiei em qualquer partido político.

Fui, sou e serei sempre um incondicional combatente contra a desigualdade social, bem como contra a corrupção dos governantes e periféricos que circulam à sua volta e também enchem os bolsos de dinheiros abundantes, fortunas avultadas em muitos casos, extorquidos internamente ao erário público ou em negócios realizados com o estrangeiro – a compra de submarinos, de carros de combate ‘Pandur’ e de outros equipamentos, materiais e serviços, de que as sociedades de advogados do regime formam um dos grupos mais beneficiados. [Read more…]

Diz que é preciso despedir funcionários públicos (5)

Contrato de venda do BPN leva BIC a exigir 100 milhões ao Estado

“Maria Luís Albuquerque

é uma dessas pessoas das Finanças que vão por lá ficando: mudam os governos mas elas ficam, e essas pessoas têm uma vantagem: conhecem bem os dossiers. Mas têm uma desvantagem: é que não querem falar neles.” [Paulo Morais sobre o BPN]

Actualização: onde pára o dinheiro que nos roubam

BPN: 8.3;  buraco da Madeira: 6.3;  comissões do empréstimo da tríade para BCE e banca nacional:  2.3; escândalo dos Swaps : até 3; PPP e submarinos: nós não sabemos! Mais de 19.9 mil milhões de euros.

Um partido de banqueiros

Depois de ter criado o  BPN, o PSD vai criar um banco de fomento. Déjà vu?

Bancos falidos pagam milhões a advogados

Um processo como o da falência do BPP e BPN podia existir sem advogados ganhando 2,4 milhões de euros? e entre esses advogados poderia não haver ligações ao bloco central e ex-governantes com fartura? poder, podia, mas não era a mesma coisa.

#socratesrtp E o BPN, pá?

Digam-me o que eles não perguntam e responderei quem são.

Octaphraudócrates

«… é objectivamente mais grave prejudicar o interesse público, em nome de interesses particulares adoptados por influência de amigalhaços do que prejudicar interesses particulares por influências particulares.» josé

Pois é, josé. Segue-se que, curiosamente, não se passa nada num País de merda.

A consciência dos sociopatas

Santana Castilho *

1. Annette Schavan, directora espiritual de Crato para o ensino profissional e até há pouco ministra da Educação da Alemanha, demitiu-se após ter sido acusada de plágio pela universidade onde se havia doutorado há 33 anos. Na origem do escândalo esteve a denúncia de um blogue. Schavan reclama inocência e vai pleitear a causa em tribunal. Mas a sua consciência disse-lhe que, neste momento, esse era o caminho. Curiosamente, a tese que escreveu (ou plagiou) estudava o carácter e a consciência. Antes de Schavan, Karl Guttenberg, ministro da Defesa, procedeu do mesmo modo, por motivo idêntico. E, antes dele, fora a vice-presidente do Parlamento Europeu, Silvana Koch-Mehrin: mesmo erro, idêntico padrão de comportamento e de consciência.

2. A Lusa questionou Nuno Crato sobre o relatório do FMI, que alude ao eventual despedimento de 50 a 60 mil funcionários do sistema de ensino, docentes e não docentes. Importa reter e comentar algumas afirmações do ministro, extraídas da resposta:

– “Nós não somos irresponsáveis. Isso não está em causa, de forma alguma.”

– “O Governo irá apresentar um conjunto de medidas … para a redução da despesa, algo que todos os contribuintes querem”.

– “Nós, até este momento, não fizemos nenhum despedimento na Educação … “ [Read more…]

Não se trata de Saudade

Mas, onde é que anda o sr. Silva? Estava com alguma expectativa de o ver na reportagem sobre o BPN.

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Já foste!

Franquelim Alves garantiu hoje que no currículo que entregou ao Governo constava a sua passagem pelo grupo SLN/BPN. (Lusa/SOL) Quem no Governo terá apagado?

BPN, a fraude em reportagem, 3º episódio

Onde anda o dinheiro?

Os outros episódios.

E o Constâncio, ninguém se lembra do Constâncio?

O Banco de Portugal tinha em 2003 provas concretas das fraudes e más práticas que tinham lugar no BPN, como na altura foi noticiado no Jornal de Negócios (PDF). No entanto o BdP decidiu ignorar esses avisos e continuou como se nada fosse.

O que fizémos aos responsáveis do BdP? – Nada, absolutamente nada, até houve umas prateleiras douradas para distribuir. Falhar assim é fácil.

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BPN, a fraude em reportagem, 2º episódio

Da  Grande Reportagem SIC , o segundo episódio. Buscas com pré-aviso, a Creditus, o futebol, o conterrâneo Gilberto Madail e Luís Caprichoso.

Os outros episódios.

BPN, a fraude em reportagem, 1º episódio

Da  Grande Reportagem SIC que esta semana temos em modo folhetim destaco de ontem o debate na SICN. Algumas informações úteis:

– Tudo começa no perdão fiscal dado por Oliveira Costa à Cerâmica Campos. Ficou impune e esquecido. Para o bloco PSD/PS algo de perfeitamente normal, e que Constâncio não teve em conta na sua “avaliação” do personagem.

– A pena máxima a que se sujeitam os arguidos anda pelos 6 anos de cadeia. Assaltar um multibanco rende muito menos, mas pode dar 12 anos.

– A maioria dos que aceitaram falar com Pedro Coelho, o autor da reportagem, apenas pretendiam saber… o que ele sabia, do caso em geral e de si em particular.

– A recordação, por Pedro Santos Guerreiro, de como o caso BPN foi usado em contrapeso ao caso Freeport.

– Franquelim Alves assinou as contas da SLN, sabia de tudo e calou-se.

Convicção geral, e óbvia: ninguém cumprirá pena em tempo útil pelo caso do banco do PSD.  A menos que sejam apeados do poder, digo eu.

Os outros episódios.

Álvaro não entende nada

O Álvaro das Economias pronunciou-se sobre a nomeação de Franquelim Alves, ex gestor do BPN, para secretário de estado, assumindo a responsabilidade da escolha e verberando a oposição, que acusa de baixa política e produção de insinuações e suspeitas.

Ó Álvaro, pá, não percebeste nada? Não foram insinuações, foram afirmações. Não são suspeitas, são certezas, são factos. E como podes vir acusar outros de “baixa política” depois de nomear para o governo da República um cúmplice dos responsáveis pelo inferno em que vivemos? Álvaro não sabe falar, yoh! Mas também não sabe pensar, yoh! Como podia saber governar? Yooooh!

Porque são as grandes nações grandes

Os EUA vão para tribunal contra a Standard & Poor’s, acusando-a de fraude civil na crise sub-prime. Em Portugal, a maior fraude de que há memória, o BPN, continua num estado incerto e com apenas um arguido, sem bens, em vias de servir de bode expiatório ao sistema partidário do centrão.

O nosso sistema político está podre e não consegue produzir políticos que trabalhem para nação em vez de para o partido. De outra forma, já o sistema judicial teria sido reformado para que os mega processos que se prolongam por décadas sem resultados tivessem terminado. De outra forma, não teria o BPN sido nacionalizado (lembre-se que, antes da nacionalização, este banco valia apenas dois a três por cento do mercado bancário) e estaria julgado e caso encerrado.

Houvesse justiça em Portugal e os danosos contratos das PPP teriam sido anulados e os responsáveis presos por dolo. Fosse este país uma grande nação também e não estariam os contribuintes a pagar as fraudes da ética republicana.

Não gostam os nossos políticos de usar o exemplo estrangeiro quando há medidas a tomar? Pois têm nesta atitude dos EUA um bom exemplo a seguir.

República de coelhos ou de bananas?

Qualquer pessoa que meteu a pata no BPN devia estar presa. E quem os encobre também.

Governo português optou pelo buraco do BPN

Quem quer comprar o maior buraco subaquático do mundo?

Diz que não é um BPN

Ontem à noite na SIC-N, Jorge Tomé, presidente executivo do BANIF, ex-CGD, disse que o BANIF não é o BPN, e que os contribuintes não ficam a perder.

Mas a culpa da crise não era do Estado Social, dos salários milionários dos funcionários públicos, dos portugueses que viveram todos acima das possibilidades e dos grevistas que não devem protestar mesmo que lhes apertem os testículos num torno?

Buraco do BPN pode chegar aos 7 mil milhões de euros: Reportagem Especial (SIC Notícias)

Parabéns, Português, pela sua conta poupança BPN

Quatro anos depois –  foi a 2 de Novembro de 2008,  5.3 mil milhões de euros foram enterrados no BPN.  Destes, 2.7 mil milhões, dizem, saíram de impostos. Dos subsídios de férias que você não recebeu, do IVA a mais que pagou, da pensão que não não entrou na sua conta, do IRS que lhe bateu à porta, do … Constituem a sua conta poupança BPN que não pediu e na qual nunca tocará.

Há erros e incúria. Nacionalizar um problema sem saber ao que se ia nunca estará entre os primeiros. Tamanha impune irresponsabilidade tem no entanto rostos. Há que não os esquecer.

Leituras: [Read more…]