#ConselhosdoPassos chegam à imprensa nacional

CdP

Parece que os conselhos de Pedro Passos Coelho também têm espaço na comunicação social portuguesa. Só é pena terem chegado tão tarde. E apesar de não despertarem tanto interesse e paixões arrebatadoras na nossa imprensa como os conselhos do seu sucessor, a verdade é chegaram à TSF, ao DN e ao jornal I. Nada mau! Parabéns à malta da Uma Página Numa Rede Social que não anda cá há dois dias nem foi parida num qualquer gabinete de assessores boys para servir estratégias eleitoralistas. E se dúvidas restassem, a argumentação das pessoas por trás deste projecto é esclarecedora: [Read more…]

Para “serviço público” já não basta a RTP?

Se o PÚBLICO não é financeiramente viável, caso o investidor decida fechar a torneira, o destino não poderá ser diferente de qualquer outra empresa. Mais elefantes brancos não, afinal quem beneficiaria com um jornal vivendo à custa do contribuinte? Ser financiado pelo O.E. teria esse significado. E se o Estado financiasse o PÚBLICO, porque não todos os outros? Com base em que critérios? Era o que mais faltava um jornal não ter que se preocupar em angariar leitores ou vender publicidade, porque como pelos vistos pretende a jornalista, encontraria à disposição e prontos para pagar os cada vez mais esbulhados, suspeitos do costume…

 

O Zé é jornalista?

A Sarah já fez referência ao assunto. Vale a pena ver o vídeo. De acordo com o Zé Rodrigues dos Santos, o Zé Rodrigues dos Santos é jornalista.

Mais abaixo, fica a opinião do Carlos Vaz Marques.

Se o José Rodrigues dos Santos é jornalista, eu quero ser operário metalúrgico. Se o José Rodrigues dos Santos é escritor, eu quero ser analfabeto. Se o José Rodrigues dos Santos é português, eu quero ser espanhol.
Disse ontem José Rodrigues dos Santos no lançamento – reles – de uma peça sobre os novos deputados eleitos: “O novo Parlamento terá muitas caras novas; o deputado mais velho [Alexandre Quintanilha, gay assumido] tem 70 anos e foi eleito – ou eleita – pelo PS.”

O eleitorado que mudou

Uma análise de, Manuel Carvalho, PÚBLICO, 27/09/2015, para se ler com a mente despida de preconceitos.

Os perplexos com as sondagens e outros cépticos

Anda meio mundo perplexo com uma provável vitória da Coligação nas eleições do próximo domingo.

No tradicional julgamento das eleições, que ora punem ora aplaudem quem governou, os números que as sondagens apresentam não batem certo com a leitura que fazem do passado recente. Custa-lhes perceber como podem os partidos de um governo ganhar depois de imporem ao país a mais severa dieta das últimas décadas. Têm dificuldade em conceber que governantes que fizeram disparar o número de pessoas sem emprego para a casa do milhão ou forçaram a saída de centenas de milhar de jovens do país possam ser premiados com a reeleição. Não lhes cabe na cabeça como pode um governo que centrou o ajustamento económico e financeiro nos cortes de salários e pensões ou em brutais aumentos de impostos voltar a merecer confiança dos eleitores. [Read more…]

Está farto de telenovelas vendidas como notícias às 20h?

terceiro resgate grego

É tempo de mudar de canal. Euronews, também em português.

Da Grécia, sem amor

vaso grego
Dedicado a Camilo Lourenço, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, José Rodrigues dos Santos e outros mentirosos, a todos os que por estes dias andaram por Atenas reduzindo o jornalismo a prostituição de rua, e sobretudo aos respectivos patrões.

Grécia: Manipulação na comunicação social em campanha pelo “Sim”

manipulação imprensa grécia

Dois casos de manipulação de imagens na comunicação social grega. Uma imagem de 2012 usada para sugerir filas nos multibancos gregos e uma vítima do terramoto da Turquia “transformado” em pensionista grego. Detalhes: infoGrécia.

Já on-line o site institucional do Tornado

tornado

Basta clicar na Imagem…

O PCP tornado invisível pela comunicação social

Paulo Pereira

José Pacheco Pereira – Até que ponto, em muitos aspectos, a comunicação social é manipulada:

A ler: O PCP tornado invisível pela comunicação social.

Eleições e fraudes na comunicação social

11412028_10207189971693907_3679697022700594481_oPorque a CNE às vezes, muito poucas, acorda e aplica umas multas a quem não cumpre a lei eleitoral, anda a nossa comunicação social muito pressionante para que a lei seja alterada (e se for preciso a Constituição também).

Na cabecinha dos donos da comunicação as coberturas das campanhas deveriam apenas e somente estar sujeitas ao que chamam “critérios editoriais”.

Pois ontem tivemos uma boa, embora repetida, amostra do que é um critério editorial unânime: a CDU organiza uma marcha em Lisboa onde terão estado 100 000 portugueses. Vejam as capas dos jornais de hoje, que eu ontem passei os olhos pelas transmissões televisivas (onde assisti a uma outra anedota: interromper o directo da intervenção de António Costa na Convenção do PS para um tal de Cavaco Silva repetir as suas banalidades habituais). Adenda: os telejornais fizeram mais do mesmo.

É assim que se fazem eleições em Portugal: concorrentes há dois, depois mais uns dois que não interessam para nada, os restantes concorrentes, esses, para o discurso único dominante, são mero folclore.

Claro que assim o ciclo vicioso da alternância continua viciado. Chamem-lhe democracia, eu acrescento: discretamente mas muito musculada.

A fotografia é da Elisabete Figueiredo, que é uma rapariga plural de esquerda e também foi.

A história que não abriu os telejornais de hoje

Aconteceu saber que hoje, dia 21 de Maio de 2015, um homem da Brandoa foi presente num certo tribunal da Grande Lisboa para 1º interrogatório judicial porque, depois de ter perdido o trabalho, perdeu também a casa e foi despejado. Ao ver-se na rua, fez três assaltos, armado com uma faca que trouxera da casa onde já não habita e, de seguida, entregou-se à polícia. Tendo confessado os crimes, pediu para ser preso, pois não tinha que comer nem onde dormir.

Esta é a história que não abriu os telejornais de hoje, porque o país está melhor e os cofres estão cheios.

Esta malta é doida

projecto de lei do PSD, PS e CDS que quer obrigar os media a apresentar planos prévios de cobertura de campanhas eleitorais a uma comissão mista, antes mesmo de terminar o prazo para entrega das candidaturas [P]

Isto já teve um nome: visto prévio.

Os maus observadores

observador
Escreve o Filipe Tourais no Facebook:

A malta que se diz “de esquerda” farta-se de partilhar por aqui artigos do Observador, que lhes agradece a publicidade ao seu pasquim trauliteiro-liberal, a malta de direita nunca partilha artigos do esquerda.net ou do Avante, boicotam as fontes de informação “perigosas”.

É isto mesmo. O Observador cumpre duas funções: arranjar um emprego aos blogueiros da direita (coitada da Helena Matos, por exemplo, que viu terminado o contrato da sua empresa com a rádio pública) e avançar no velho projecto do Compromisso Portugal, defendendo este governo e exigindo-lhe que vá ainda mais longe. Haver quem se disponha a, por exemplo, discutir com seriedade um projecto encapotado de regresso à constituição de 1933, só por masoquismo.

O mais longe não é um projecto democrático, como só não percebeu nestes quatro anos que anda com os olhos tapados. Eles matam, seja por falta de assistência médica, seja pela fome e miséria, e uma ideologia que tem como objectivo a desgraça do seu próprio povo só se consegue estabelecer por imposição estrangeira (já temos), domínio quase absoluto da comunicação social (aqui o Observador é uma mera vanguarda) ou golpe militar (falta-lhes, felizmente, a tropa). O neoliberalismo é incompatível com a democracia política, ponto final.

É verdade que se a esquerda não tem patronato que ofereça 3 milhões a fundo perdido para um projecto que já os deve ter esbanjado, não é por isso que não temos, nem online, um jornal assumidamente das esquerdas, e que a direita se entretivesse a boicotar. Nós esbanjamos o bom senso, a capacidade de suprir divergências e de nos unirmos no essencial. E vamos pagar caro por isso, ai se vamos.

Jornal de Notícias e AO90 prejudicam alunos nos exames nacionais

wp_20150206_08_53_59_pro (1)Esta semana, o destaque do Jornal de Notícias de 6 de Fevereiro foi aquele que se pode ver na imagem.

O JN é um dos jornais que, sem que se perceba porquê, decidiram adoptar o chamado acordo ortográfico (AO90).

Ora, o acento agudo de “pára”, segundo a Base IX, 9º, é para suprimir. No 5.4.1. da Nota Explicativa, os autores do AO90 tentam explicar por que motivo se tomou essa decisão, recorrendo, em parte, ao segundo mantra do acordismo.

A manchete do JN, dotada, eventualmente, de uma vontade própria, contraria, assim, a ortografia adoptada pelo prestigiado jornal. Embora defenda, no mínimo, a suspensão imediata do AO90, percebo que isso tenha de se fazer gradualmente: hoje, a manchete; a notícia local, amanhã. [Read more…]

Why did the world ignore Boko Haram’s Baga attacks?

nigeria

Confesso que me identifiquei com esta pergunta do The Guardian.

Há uns anos, numa aula de estatística concluímos que a morte de milhares seria um número, enquanto a morte de um, se próximo de nós, seria uma tragédia.

Será esta a explicação? Será que vimos Paris com os mesmos olhos que vemos o nosso quintal, enquanto a Nigéria é noutro planeta? Será isto? Estará na nossa mente que alguém que morre em Paris é parte de nós e alguém que morre na Nigéria é algo extrínseco?

Não quero acreditar que uma vida em Paris vale mais do que uma vida em África, mesmo sabendo que esta Lei Sagrada é todos os dias violada pelo nosso modo de vida ocidental.

Na Nigéria, segundo a CNN, poderão ter morrido milhares de pessoas numa ataque que poderá ter durado vários dias. Como sempre, milhares de inocentes.

Será normal que o site do público não tenha, na sua página inicial, qualquer referência a este acontecimento trágico? Nem o JN, nem a TSF, nem…

Será que as bombas transportadas por crianças com dez anos são menos criminosas que o ataque de Paris?

Não sei se o ovo e a galinha são o melhor exemplo para estudar a propriedade comutativa, mas não é argumento da Comunicação Social deixar passar o que aconteceu na Nigéria, dizendo que  os consumidores não querem saber. Experimentem ir para lá, façam imagens em directo, cobertura permanente do local e depois digam-me se a resposta dos consumidores é ou não a mesma.

É que isto de ser Charlie é muito bonito, mas de palavras…

Bebidas alcoólicas e comunicação comercial

Sabia que morrem anualmente, em Portugal, 300 000 jovens entre os 15 e os 29 anos por causas directamente imputáveis a bebidas alcoólicas?

 

A explosão do álcool no seio das camadas mais jovens parece constituir premente preocupação das autoridades.

A prevenção no país das “sopas de cavalo cansado” representaria significativo passo de molde a subtrair os jovens da atracção que o álcool deveras representa e das suas nefastas consequências.

E, no entanto, os meios de maior impacte e difusão nem sempre cumprem o que naturalmente lhes compete.

Se observarmos o que ocorre sobretudo na pantalha ao longo de programas do mais diverso jaez, exibidos tanto pelas manhãs como durante as tardes, verificaremos que não só se exalta o álcool (apresentadores menos bem preparados fazem-no com um inqualificável desplante… e uma recusável “lascívia”) como se apresenta – de aguardentes aos vinhos de mesa e a bebidas licorosas – de tudo um pouco, e se brinda com inaudita desfaçatez… sabe-se lá em intenção de quem ou de quê! Talvez o seja proverbialmente em honra do deus Baco, seja qual for o significado que a tal se pretenda atribuir.

A ausência de uma criteriosa consciência e da percepção dos efeitos nefastos dos modelos que se apresentam a distintas camadas da população como impressivos – e dignos de ser seguidos – surgem na contra-mão dos esforços que determinadas entidades empreendem para frear os ímpetos dos mais novos que sentem naturalmente uma atracção pelas bebidas alcoólicas como modo de afirmação de uma personalidade, truncada, afinal, pelo que na sua essência o álcool representa e pelos malefícios que irreparavelmente acarreta.

Como se se adoptasse uma “pedagogia” às avessas: não se educa para a abstenção ou para um consumo moderado e enquadrado em uma dieta equilibrada, antes se ensaiam autênticas libações, fortes de conteúdo e de consequências, como se essa fosse a via para a superação das distintas fases da vida…

Para além do que noutros textos se plasma, convém atentar no que prescreve o Código da Publicidade no seu artigo 17, a saber, [Read more…]

Saúde CUF patrocina Júlia Pinheiro e vice-versa

cuf-saude-hospital-julia-pinheiroTelevisão é tudo, é a vida e a morte em directo, é a publicidade encapotada e a propaganda também.
Júlia Pinheiro está doente e manda beijinhos, o hospital da CUF agradece a preferência. Muito obrigado.

A realidade é o que lhes dá jeito que seja

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Era fatal, falamos de imprensa e da direita, mais extrema ou mais sossegada, solta-se o mantra: em Portugal a comunicação social, é tudo de esquerda.

Como lógica tem o seu quê de graça, ora vejamos: embora se desconheça (por imposição da maioria parlamentar) quem são os donos dos grupos de comunicação social em Portugal, há umas luzes. Para começar Belmiro, esse perigoso esquerdista que segundo algumas lendas começou a fortuna quando estava numa comissão de trabalhadores, o uso do vermelho na imagem corporativa do Continente não engana. Depois temos a Cofina, vejam esta listagem, meio Comité Central do PCP anda por ali. A TVI? quem não se lembra de Pais do Amaral desfilando em manifs aos gritos sincopados de 25 de Abril Sempre, SIC nunca mais. E a Imprensa, propriedade de Balsemão, fundador da ala liberal, perdão, libertina do marcelismo, um homem que nunca renegou o seu passado anti-fascista? Como não bastasse esse monopólio da esquerda, temos a presente invasão angolana, gente do MPLA, comunistas de sete ou oito costados.

– Ó meu, estás a tripar, isso não é verdade – avisa-me um bichinho verde com antenas e forma vagamente humana. [Read more…]

Jornais

Uma das tristezas quotidianas que muitos de nós partilham é a da frustração que se segue aos momentos em que, não resistindo ao síndroma de privação adquirido desde tenra idade, que consiste na compra e leitura – cada vez mais rápida – de jornais, nos deixamos tentar pelas folhas de couve que se vendem sob essa nobre designação.

Só uma coisa é certa: seja qual for o jornal que compremos, arrependemo-nos de não ter comprado outro. Má escrita, servilismo, auto-censura, aldrabice e manipulação pura e dura é o que recebemos em troca do nosso dinheiro. Cada vez mais rareiam os bons jornalistas e mais abundam os pedantes e ignorantes. [Read more…]

Gastando cera com ruim defunto

A semana passada tropecei nos dois trabalhos jornalísticos que aqui vos deixo. Não conhecia Manuel Forjaz, evito lixo televisivo e o empreendedorismo é ideologia a cujas missas não assisto.

Manuel Forjaz faleceu ontem, e todos somos solidários com quem apanha um cancro, muito mais quando é da nossa geração, como é o caso. Se a semana passada não tive tempo de vos apresentar a face oculta de um empreendedor para quem já há muito que tudo valia, a ética quando nasce não é para todos, sei que não o deveria fazer hoje. Mas a minha ética, por sua vez, também tem um limite: uma comunicação social hipócrita, vendida, repelente, que vomita elogios fúnebres a quem agora partiu omitindo há anos quem realmente foi, está para lá dele.

E também é para isso que os blogues existem, para relembrar os dois perdidos trabalhos jornalísticos  que nenhuma doença apaga:

artigo crime

Empresa de sucesso deixa centenas a “arder”

A Ideiateca era uma das empresas de consultoria de maior sucesso no mercado português. Com um volume de negócios de 1,5 milhões de euros em 2011, era o maior prestador de serviços de “cliente-mistério” no país. Em Setembro fechou as portas, sem avisar qualquer um dos milhares de colaboradores que tinha.

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A nossa democracia

democracia

No confronto destes resultados com os obtidos para o conjunto dos 23 países incluídos no ESS, a conclusão é clara: os portugueses estão mais insatisfeitos em praticamente todos os itens da escala. As eleições livres e directas e a existência de media de qualidade e de uma oposição livre são os três únicos aspectos a merecer uma avaliação dos portugueses mais positiva do que a generalidade dos europeus.   [PÚBLICO]

Ironicamente, os portugueses, que maioritariamente discordam “que o Governo prossiga com políticas com que a maioria da população discorda”, acha que temos eleições livres e directas. Sem dúvida que somos livres de colocar o X no quadradinho que quisermos. E o que está por trás da lista onde se vota? [Read more…]

Quase…

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Meteu dó a frustração dos jornalistas televisivos quanto à manifestação dos polícias. Criando expectativas, excitando os espectadores, agitando os espíritos, tudo fizeram para que estivéssemos preparados para o suposto clímax do acontecimento, qual seria uma grandiosa cena de pancadaria nas escadas da Assembleia da República. Azar dos Távoras. Não houve nada que se visse.

A repórter da TVI bem berrou, excitadíssima, acontecimentos que as imagens não confirmavam. Alguns repórteres, nestas andanças, fazem lembrar os relatores de futebol de outros tempos, quando, mesmo num jogo infinitamente chato, tinham de criar um espectáculo sonoro que excitasse a malta. Tal só se evidenciou quando a RTP começou a transmitir os jogos e nós pudemos comparar as imagens do que se passa no campo com a ficção do relator.

Ontem, esteve tudo “quase” para acontecer, mas não aconteceu. Com fazer render o peixe no dia seguinte?

E foi o esperado. Já que não havia noticia sumarenta nem escândalo para ruminar, era preciso encontrar sucedâneo. E encontraram? Sim, o “quase”. Assim todos os noticiários de hoje fazem variações sobre o que esteve quuuaaaaase (entoação de Alberta Marques Fernandes, ouvida há segundos) a acontecer mas – tom de reprovação – não aconteceu. Quem se julgam os polícias para desiludirem assim os nossos garbosos jornalistas e a sua honesta morbidez?

A esterqueira que passa nas televisões às 20 horas

tv

Há quem lhes chame notícias. Para o serem, informariam, acrescentariam pontos de vista, seriam isentas, enfim, seriam o resultado do trabalho jornalístico.

Nada disto acontece no espaço televisivo das 20 horas, em todos os canais. Não me recordo desde quando dura a repetição ad nauseum do acidente do Meco, com as mesmas imagens das vagas, a foto do rapaz que já foi julgado na praça pública e das imagens de pseudo-praxes, que na verdade não passam de bullying, já vistas e revistas por todos os que tenham tropeçado na programação televisiva nestas horas.

Estarão a dar ao povo o que este quer ver? Não sei, mas os que têm os números das audiências deverão saber. Registo que esta obsessão temática não tem equivalente quando é o futuro do país que está em causa, como na altura de se perceber como é que nos afundámos ou na discussão das supostas medidas para sairmos da crise. Não daria audiência? Pois bem, ponham um nariz vermelho no pivot e assumam de vez que não estão a transmitir um noticiário.

Dietas de inteligência

Um verdadeiro tratado sobre linguagem e  regime de manipulação nos nossos media.

Um milhão

applause meter

Há dias ouvi na rádio uns minutos de uma entrevista a Jaime Nogueira Pinto. Não ouvi o início, mas pelo que percebi estava lá na qualidade de “empresário” com relações privilegiadas em Angola. A dada altura da entrevista ele diz qualquer coisa como isto: aos proprietários de um jornal, rádio ou televisão não lhes interessa ter um orgão de comunicação descredibilizado. Se as pessoas souberem que há interferência directa nas opções editoriais, esse jornal ou canal não lhes serve para nada.

Isto faz sentido, claro. Mas dá para perceber quão refinado é este raciocínio, não? [Read more…]

As redes sociais e a política organizada

visao

Saiu hoje na Visão uma entrevista ao Fernando Moreira de Sá (ficheiro pdf: entrevista FMS), feita a propósito da sua dissertação de mestrado.

Entre os parvos e falsos ingénuos do costume,  deu escândalo. Compreende-se. Primeiro porque não é para qualquer um distinguir entre investigação científica e vida política ou profissional. Alguém ter narrado, sem aldrabices, o que conhece do seu dia-a-dia num trabalho académico é obviamente uma vergonha para os do costume. Nos tempos dos Business School que correm, é assim. E logo a seguir porque as verdades doem sempre aos mentirosos e a quem as encobre, para ganhar a vida, por ideologia, sempre no croquete & beberete.

Ainda não li a tese do Fernando mas da entrevista, tirando a deliciosa anedota do forum TSF onde Sócrates foi bombardeado com elogios, não fiquei a saber nada que não fosse óbvio, para quem tenha dois dedos de testa e ande no mundo das redes sociais, incluindo blogues. E quem não anda, problema seu. Quem exerce a profissão de jornalista sem andar, tem bom remédio, emigre para um emprego. [Read more…]

Isenção

Depois da comunicação de Cavaco, quis conhecer as “reacções dos partidos” àquela coisa. E vi e ouvi. Meio discurso do BE, um discurso do PSD, meio discurso do PCP, um discurso do CDS. Os labregos que editam os telejornais já devem ter recebido festinhas dos donos.

Hoje dá na net: em 1974, o telejornal foi assim

Precioso documento encontrado no youtube.

Obrigado Fernando Balsinha e Fialho Gouveia, os homens que inventaram faz hoje 39 anos, atrapalhados é certo, o jornalismo televisivo livre, sem censura, e em directo.

Assim se perde o respeito por um jornal (2)

A dança dos jornalistas que alegremente passeiam entre as redacções e as assessorias dos gabinetes não é de agora. Mas continua, apesar das promessas de mudança. Desde que me lembro, o DN sempre esteve colado ao poder e esta OPA à respectiva redacção não surpreende – mas não deixa de ser outra machadada na credibilidade do jornal.

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(clicar na imagem para ler o artigo; os destaques são da minha responsabilidade)

Indignados contra a manifestação

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=tV4io-BK4Ls]

Participei na manifestação de Lisboa, com a minha mulher. Não somos ambos participantes assíduos e permanentes em manifestações. A última em que tínhamos estado foi a de 15 de Setembro. Antes, apenas eu, estive entre os manifestantes de 12 de Março de 2011.

As notícias, respeitantes ao número de aderentes, em certos casos, causam-me vómitos. Com imagens, e quem estudou comunicação sabe que  usando até a mesma imagem é possível transmitir diferentes perspectivas do acontecimento fotografado ou filmado; em ambos os casos por se tratarem de variáveis igualmente definidas em função do momento, tempo, em que se colhem as imagens.

A SIC ontem realizou um mau serviço. Captou imagens do Terreiro do Paço com a luz do dia, dado o horário estabelecido para o helicóptero. Fê-lo muito antes daquela praça encher, ao ponto de ignorar os muitos manifestantes que percorriam as Ruas do Ouro (principalmente esta), Augusta, havendo também gente, a maioria de idade, que se ficou pelos Restauradores e Rossio.

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