Orthodox Connection

O Paulo Rangel, na “prova dos nove”, parecia uma personagem saída de um desses romances esotéricos que por aí andam. Nunca li mas, pelos títulos, talvez um daqueles do José Rodrigues dos Santos

sem surpresas (mas com um certo ar de alarme)

pela primeira vez desde que tenho consciência cívica e política (desde os meus 11\12 anos) decidi não assistir a uma noite eleitoral. deixei o professor marcelo a pregar aos incautos, o dr. karamba marques mendes a adivinhar o número exacto dos próximos cortes orçamentais, a Judite de Sousa (sem ou com Montenegro; com ou sem equívoco na pessoa) num saco do Pingo Doce e a televisão desligada de forma a poupar energia e pagar menos à China Three Gorges. encontrei-me com a minha princesinha AMF e fomos ao cinema ver Grace of Monaco de Olivier Dahan. apesar da história ser batida, o filme de Dahan acaba por ser bastante interesse e, no plano técnico, é simplesmente fantástico. desde os planos à direcção das cenas, passando pelo límpido som de voz nos diálogos entre personagens.

a campanha foi degredante. do surfer rosa (bem que queria ir ver os pixies para a semana ao primavera sound mas mas todo o argent é escasso nos dias que correm) nos currículos escolares aos vírus despesistas. de reminiscências do holocausto que não foi vivido em verso à governação socratina. Até o filósofo (cientista política, teorético político) teve que se meter na querela e vir a público lavar roupa suja. Sócrates himself, teve ali uns 7 orgasmos seguidos durante os 3 episódios em que pode comentar a campanha. discutiu-se tudo excepto política europeia. discutiu-se tudo excepto os problemas que neste momento precisam de ser resolvidos na europa bem como os que estão a rebentar. como a deflação. o partido socialista ainda tentou lançar a discussão sobre a mutualização da dívida na fórmula desusada de eurobonds mas… com tamanha babugem estavam à espera que a malta andasse informada e estivesse minimamente ciente dos projectos europeus defendidos pelos candidatos?

[Read more…]

penso eu de que…

Nunca compreendi bem a concepção de dia de reflexão no dia que antecede um escrutínio eleitoral. Nunca compreendi bem o conceito pelo facto da reflexão, como seres racionais que somos (alguns; perdoem-me a excessiva arrogância) ser uma constância derivada da própria natureza humana. O ser humano não pode formular uma ideia assertiva sobre algo ou alguém num dia. Parece-me ponto assente. Muito menos poderá agir de forma consciente num caso concreto que lhe diga respeito de forma leviana.

A minha tenra experiência política enquanto militante de um partido e, sobretudo observador diz-me que em política tudo vale. Desde a mentira ao porco no espetro na safra, [Read more…]

eu cá não sou de intrigas nem de meias verdades

Esmiuço com atenção o Boletim Estatístico publicado pelo Banco de Portugal.

A dívida galgou os 130% do PIB, quedando-se agora nos 132,4% do PIB. Esse vírus despesista chamado Partido Socialista, dizem eles. Essa esquerda que só tem ideias quando há dinheiro, repetem. Esse socialismo que só existe quando há dinheiro, concluem. O Tratado Orçamental obriga que o Estado Português reduza a sua dívida pública a 60% mas apesar das previsões de redução apresentadas pelo governo para os próximos anos, não existe fórmula para que isso aconteça senão voltar a castigar os contribuíntes e a procura interna. Sabendo para já que o risco de deflacção é uma realidade. A deflacção poderá arrastar consigo mais uma surte de falências e desemprego. Menos receita a entrar nos cofres do estado por via das contribuições e mais despesa contraída em apoios sociais. (Faça-se tábua rasa e corte-se ainda mais nas condições de acesso ao benefício de apoios sociais, pensarão). Enquanto o défice estrutural do Estado (leia-se o estado gastar menos do que aquilo que recebe), a dívida continuará a aumentar porque, logicamente, o estado terá que pedir emprestado aos mercados para cumprir as suas obrigações. Desengane-se portanto quem pensa que a dívida pública e o défice estrutural são elementos desligados. São elementos intimamente ligados. Quase gémeos. Esqueçam todo o argumento que foi apregoado aos 7 ventos pela Ministra das Finanças e pelos seus tutelários do ICGP de que o Estado teria uma almofada financeira significativa para fazer face às suas obrigações no próximo ano. É pura mentira. [Read more…]

Vírus na campanha

auschwitz-concentration
O Paulo Rangel, em vez de ficar muito abespinhado com a referência feita por Manuel Alegre, devia ir estudar, já que as palavras do seu discurso que motivaram este confronto podem, de facto, ser lidas como uma séria provocação. Nas habilidades retóricas não cabe tudo. A ignorância em História ostentada por incontinentes verbais como Paulo Rangel leva-os a este tipo de situação.

Isto não é novo. Não esqueçamos a proclamação, há tempos, de Paulo Portas, segundo a qual “o trabalho liberta”, palavras, como se sabe, inscritas no portão de Auschwitz. É inteiramente legitimo, da parte de quem ouve, duvidar da inocência deste tipo de afirmações, sobretudo vindas de quem quer convencer o auditório de que é muito culto e inteligente, como acontece com estas duas personagens. Quem semeia palavras ao vento, arrisca-se a colher a tempestade das respostas.

Projectos falhados de Josés Sócrates

Jose Socrates.

No comício de Sexta-feira em Aveiro, Nuno Melo atacou os socialistas pela chamada de José Sócrates para acções de campanha do partido do qual faz parte. Diz o homem cujo partido é liderado pelo “irrevogável” Portas dos submarinos. No mesmo comício, Paulo Rangel repete as críticas, esquecendo-se porventura que o governo que apoia é liderado pelo Passos da Tecnoforma que tinha como consultor o Dias Loureiro do BPN e como braço direito o Relvas das “turbolicenciaturas” e de mil outros esquemas corruptos e obscuros.

[Read more…]

Surf? E a lerpa?

A candidata do BE às eleições europeias defende a inclusão do surf nos currículos escolares. Como disse?

Grande aposta! Cavaco fala do mar, Rangel idem, e agora é a vez de Marisa Matias. Surf nos currículos escolares?

E já agora porque não a lerpa? E o pião? E a macaca?

Que triste sina!

Imagens de campanha

ng3238351
Fonte: DN

Noves fora nada

rangel assis
Quando aqui se chamou a atenção para a sujeira informativa em que consistia a continuação do programa “prova dos 9” com os actuais participantes – refiro-me, naturalmente, a Paulo Rangel e Francisco Assis -, houve quem discordasse, sobretudo nos termos em que pus a questão, alegando as qualidades de Constança Cunha e Sá e Fernando Rosas.

Amigos houve que não tiveram dúvidas de que o quadro de comentadores iria mudar. Dois episódios passados e não só se confirmam todos os piores prognósticos como as coisas ainda superam as piores expectativas.

Que a questão foi abordada noutras instâncias, não tenho dúvidas. José Alberto Carvalho, director de informação da TVI, na altura em que se congratulava com a nomeação de dois dos seus comentadores para cabeças de lista dos seus partidos, advertiu que “agora temos um problema”. Intuía ele, e bem, que alguma entidade, em nome da democracia ou do mais elementar sentido de decência, iria pôr fim à festa.

Santa inocência. Como era de se esperar, é fartar vilanagem. Hoje a coisa chegou ao ponto do Rangel, agitando a sua mão como uma solha neurótica, ter repreendido uma perplexa Constança, cujo rosto transmitiu bem o que lhe ia na ponta da língua. Fernando Rosas, dir-me-ão, defende os seus pontos de vista, mas continuo a pensar que acaba por ficar ali com um papel puramente instrumental, não sendo capaz de desmontar a tramoia, como seria desejável – mas não expectável, não tenho ilusões. E assim prosseguirá a festa por todos – todos, sem excepção – os canais televisivos, meio por excelência de manipulação de consciências e vontades. Já se viu o tom e a regra:  [Read more…]

Já valeu a pena marcar a GREVE

Do silêncio dos gabinetes e da ditadura das propostas para o Espaço Público, está conquistada a primeira vitória que prangelresulta da marcação da GREVE pela Plataforma Sindical de Professores.

As sucessivas intervenções dos paineleiros do governo mostram que a marcação foi acertada e que mexeu claramente onde tem que mexer – no poder. Esse mesmo que no último ano despediu mais de dez mil docentes e que este ano tenta avançar pelo mesmo caminho.

Percebo, por isso, o que leva Paulo Rangel a escrever hoje no Público que se trata de

“um protesto paradoxal, porque afasta os docentes daqueles que poderiam ser os seus mais valiosos aliados, os alunos e as suas famílias.”

Creio que Paulo Rangel estaria a pensar nos Governantes do MEC que aumentaram os alunos por turma, prejudicando, com isso, os que mais precisam de apoio. Estaria, não tenho dúvidas, também a pensar no Governo que reduziu o currículo, que tirou disciplinas apenas porque era preciso juntar uns cobres para pagar a Gestoras do BANIF. [Read more…]

Por favor, onde fica o gabinete de ajustes directos?

Imagem

Não deixa de ser interessante que, em antecipada pré-campanha para as autárquicas, comecem a ser revelados alguns pecados da actual gestão em algumas autarquias. Uns, veniais, coitadinhos; outros, cabeludos como o diabo.

Mas não deixa de ser interessante, também, a forma como o vulgo reage às notícias.

Estava eu integrado, por vizinhança, numa conversa de café, daquelas que surgem ao cair da bica (minha singela homenagem ao linguajar da capital) quase sem nos darmos conta. Está-se a falar do tempo, da bola, das pernas da Maria, e, de repente, é um refastelar de críticas à política.

Raramente os argumentos são os mais salutares, o que mais interessa à causa pública, não se cura de saber como as coisas acontecem, só que acontecem, sempre para o mesmo lado, ora dos bons (poucos) ora dos tratantes (a maioria). Mas sempre o mesmo lado político consoante a circunstância. É a circunstância que escolhe o lado, não a militância. E a suprema discussão está tantas vezes na razão inversa da importância do que se discute. [Read more…]

Ajustes directos à moda do Porto

Ou da inutilidade das leis em Portugal (via O País do Burro).

Um 15 de Setembro no Porto

rangelPaulo Rangel está contra o centralismo de Lisboa.

Acho bem, mas as pessoas por cá estão todas assim.

Lamentavelmente, vai ser preciso uma qualquer Iurde para que se mexam.

Logo á noite no Porto Canal

Quem consegue dormir direito ou esquerdo?

É o desemprego em massa dos professores,

é a TSU,

são os salários que estão mais magros a cada ano que passa,

foi o investimento em formação académica (licenciatura e mestrado e livro publicado) que não teve nem tem contrapartidas financeiras (só a realização pessoal) –  o ministro não foi Gago ao exortar os portugueses a voltarem à escola e a conquistarem o canudo e o título de  «doutor»,

são agora as dezenas de vozes a apregoar pelo ensino profissional (o outro, o Paulo Rangel, que escreveu esta semana «Pelo direito fundamental a não ser dr.»),

é o outro, quase gago, que nos pede mais sacrifícios,

é a outra, também sabida em Finanças, a Ferreira Leite, que até é do mesmo partido do PM, a avisar o governo que se não «arrepia caminho» este país fica destroçado,

somos nós que não dormimos a pensar onde podemos cortar ainda mais nas despesas,

que ganhamos menos que há 4 anos, por exemplo,

nós que até somos sortudos em ter trabalho, mas não sabemos até quando,

é o outro, um José, que desesperado já aos 28 anos, se resignou, baixou a cabeça e aguarda de braços cruzados que lhe arranjem emprego,

são os outros, «vão p´ro diabo», que se lembraram de mandar erguer uma Cidade do Futebol,

é o mimado do CR que chora, choras porquê, “menino da lágrima”? – olha à tua volta!

é o futuro dos nossos meninos, dos nossos filhos, que nos preocupa…

A eles não queremos que falte o necessário.

 

Paulo Rangel e o BPN

Não interessa apenas quem diz, mas o que diz

bpnNa edição do Público de hoje, Paulo Rangel levanta uma série de questões pertinentes a propósito do BPN; sobretudo da avaliação pública do que o actual governo está a promover no domínio da privatização do famigerado banco, a favor do BIC de Amorim e Isabel dos Santos, dirigido por Mira Amaral. Rangel questiona indirectamente a ética da forte injecção de dinheiros públicos, por aumento de capital (600 milhões de euros) e  através de um recente empréstimo da CGD (300 milhões), para transaccionar um banco por, apenas, 40 milhões.

Tudo isto sucede, diz ele, num momento em que o governo está a impor aos portugueses um programa de medidas de austeridade, cuja legitimidade tem de ser irrepreensível.

Discordante da nacionalização do BPN desde a primeira hora, devido à megalómana ideia de risco sistémico do sistema bancário, Rangel refere a opacidade da operação em curso, e respectivos custos, como, de resto, sublinhei há dias, neste texto.

[Read more…]

Cada tiro, cada melro!

Cada cavadela, cada minhoca

A leitura das sondagens

Dizem os “ analistas” que o facto de haver um maior número de votantes  socialistas a preferirem Pedro Passos Coelho é porque têm medo de Paulo Rangel. Como socialistas preferem o que menor perigo representa.  Esquecem é que há 20% de votantes socialistas que já votaram social-democrata, são os tais 20% que dão ou não maiorias, que dão ou não a vitória e, sendo assim,  uma leitura certeira é estes votantes “volantes” preferirem PPC quando se trata de votar o futuro potencial primeiro ministro.

As leituras das sondagens podem ser várias, até antagónicas, pois se até nas eleições perante “factos” os partidos que têm menor número de votos conseguem dizer que não perdem!

Mas o que é absolutamente importante é que PPC apresente um caminho alternativo a este caminho Socrático que nos arrasta para a pobreza, como hoje é claro para quem quer ver. Um caminho assente numa economia virada para as  pequenas e médias empresas ( e não nos negócios da PT, BCP, CGD…) que exporte e substitua importações, que inove, que invista em novas tecnologias, que crie emprego e valor.

Directas PSD #6: MUDAR

As coisas são o que são. Este debate na RTP entre os candidatos à liderança do PSD serviu para esclarecer muita coisa.

Foi público e notório que Aguiar Branco e Paulo Rangel estão em ruptura, uma palavra grada a Rangel. Uma ruptura que deriva de uma traição e quando as coisas chegam a este ponto, nada mais há para dizer e nada se consegue esconder. Hoje ficou claro que Rangel traiu Aguiar Branco e que este, por sua vez, só não retira todas as conclusões, ou seja, desmascara toda uma direcção nacional cúmplice por óbvios motivos de educação e polimento. Goste-se ou não, Aguiar Branco é feito de outra massa.

O debate serviu, igualmente, para se perceber que Rangel, pela mão de Morais Sarmento e pessimamente aconselhado (mais valia ter mantido os assessores iniciais pois os posteriores mataram-lhe a eleição) nesta historieta das assinaturas deu um tremendo e definitivo tiro no pé. Conseguiu colocar Aguiar Branco no papel de vítima e fez-nos recordar todos os Antónios Preto que se colaram à sua candidatura num cimento exageradamente arenoso. Posso estar enganado mas hoje Paulo Rangel ofereceu uma parte substancial do seu eleitorado a Aguiar Branco.

Esta discussão na RTP deixou claro, se dúvidas houvesse, que Pedro Passos Coelho é o candidato da mudança. Uma transformação profunda e não apenas geracional no PSD e a afirmação de uma verdadeira alternativa ao actual Partido Socialista. Neste momento cinzento (não quero escrever negro para não ser acusado de exagero) da nossa sociedade, com Portugal mergulhado numa crise sem precedentes na minha geração, era fundamental ter no PSD uma verdadeira alternativa e é isso mesmo que Pedro Passos Coelho nos transmite: esperança.

A esperança numa mudança.

Aguiar – Branco entrega assinaturas

Mais de duas mil assinaturas, mais que as necessárias, foram entregues hoje pela candidatura de Aguiar-Branco.

Parece que o problema foi terem sido entregues por “pdf”, mas agora estão todas em papel e com o carimbo do notário. Teria sido uma tentativa de “juntar” a candidatura, à força, com a de Rangel? Porque é que a candidatura de um homem com vida profissional feita, com experiência parlamentar e ministerial acolhe tantos anti-corpos? Não fala bem? É um orador medíocre? Não me parece. Não é um mentiroso compulsivo que diz o que lhe vem à cabeça mas está longe de ser um Cavaco Silva, esse sim, um péssimo orador o que não o impediu de ser quem foi e o que é!

Rangel, tem atrás de si Manuela Ferreira Leite, como se percebe pelos apoios de António Preto , (o tal que deu a primeira machadada séria na candidatura do PSD nas legislativas) e de Cavaco Silva, que sempre apoiou MFL. Pedro Passos Coelho, tem consigo importantes estruturas do partido que tem conquistado desde há vários anos, na preparação de uma candidatura para a qual se preparou, honra lhe seja, a tempo e horas. Aguiar -Branco, não tem estruturas do partido a apoia-lo. É uma desvantagem? Pelo que sabemos e a experiência nos ensina, é mau para o próprio mas pode ser muito bom para o país e para o próprio partido. Foi sem apoios mas com um “boca de sapo” em rodagem que Cavaco ganhou o partido na Figueira da Foz.

Ser independente em relação às estruturas partidárias é o primeiro passo para se poder vir a ser bom governante!

Rangel e os Animais:

Recentemente, um elemento do Aventar, no nosso fórum privado, falou-nos da dor sentida pela morte, nesse dia, do seu gato. Todos partilhamos com ele a nossa solidariedade.

Ao longo da minha vida tive a felicidade de a partilhar com animais, inúmeros gatos e outros tantos cães sem esquecer a galinha Anastácia, criada com muito carinho pela minha irmã o que motivou inúmeras piadas e sessões fantásticas de gozo, até a minha irmã atingir o ponto de caramelo, eheheheh.

Quando a minha filha nasceu já por cá andava o nosso gato e duas cadelas. Nem imaginam a forma como o gato e as cadelas foram (e são) fundamentais na educação da minha Mafalda. Só quem nunca teve o privilégio de viver com animais é que não sabe duas coisas absolutamente fundamentais: a importância destes na nossa vida e a necessidade imperiosa de lhes reconhecer direitos.

Quando estudei direito tive um professor que se pelava sempre que se abordava o tema dos direitos dos animais. “Os animais são coisas, meus caros”, afirmava ele do alto da sua douta ignorância. Uma vez respondi-lhe à letra, o que me valeu uma profunda inimizade: “Animais somos todos, Professor”.

Ao ler no Facebook esta entrevista de Paulo Rangel, fiquei sem pinga de sangue.

[Read more…]

Uma Opção Para Portugal

O Congresso do PSD em Mafra foi esclarecedor. O candidato José Pedro Aguiar Branco demonstrou, uma vez mais, que partiu tarde. Por uma questão de palavra, JPAB acabou por prejudicar a sua candidatura e ver os falsos amigos fugirem para o outro lado da barricada. Caso contrário, como se viu nos debates e no Congresso, seria um forte candidato.

Por sua vez, Paulo Rangel, manteve o seu estilo populista, fazendo lembrar Paulo Portas, com um discurso cheio de sound bites (pedir maioria absoluta, falar em sonho, classe média, as entranhas dos portugueses, refundar Portugal, etc.). Nisso assemelha-se a Portas e ainda não descolou do passado. O seu pecado maior é a colagem a esta direcção e nisso Fernando Costa disse tudo. Daí a sua segunda intervenção ter sido uns bons furos abaixo da primeira.

Já Pedro Passos Coelho mostrou que é o que está melhor preparado para ser Primeiro-ministro e percebe-se a razão de ser o preferido dos portugueses. O seu primeiro discurso foi arriscado. Foi corajoso. Desmontou os mitos. O mito do seu passado e da constante crítica subliminar de ser jovem. Tenho a impressão que aos sessenta ainda o vão criticar por ser muito jovem. Enfim. A forma como abordou Jardim foi de uma bravura exemplar. Mesmo arriscando-se a perder imensos votos, mesmo pondo em causa a sua eleição como Presidente. Eu gosto de homens com audácia e PPC teve-a onde muitos, quase todos, se acobardam. O seu segundo discurso foi bastante incisivo, colocando a verdadeira questão: que PSD pode vencer as legislativas, qual o que está melhor preparado?  O importante é ter um projecto para governar Portugal e essa é a verdadeira questão. E esse projecto terá de ser profundamente diferente do de Sócrates mas, igualmente, distinto do da actual direcção do PSD.

A verdade, como se viu no seu último discurso, é que Passos Coelho fala para o país mesmo que o partido pretenda que lhe massagem o ego. Uma opção corajosa e realista. Uma opção por Portugal.

Colocar o dedo na ferida:

Nem sempre se pode ter razão. Os erros são uma fatalidade. Mas em política deve sempre saber-se o que se quer e só querer o que se sabe ou pode fazer. As hesitações ou inflexões não são sinal de ponderação mas quase sempre da sua falta. Paulo Teixeira Pinto

Podemos não concordar, quiça não gostar, mas devemos sublinhar a coragem. A coragem para enfrentar as dificuldades, coragem para enfrentar os mitos. Coragem para enfrentar Jardim.

A obra de Alberto João Jardim na Madeira é indiscutível e merecedora do nosso aplauso mas isso não nos pode cegar, não nos pode impedir de criticar um estilo político. Mal de nós se olhamos e nos comportamos  de forma diferente por um qualquer receio de uma qualquer putativa vaca sagrada. A obra de Alberto João Jardim, do PSD-Madeira e dos madeirenses não esconde uma forma de estar, uma vertigem de constante ajuste de contas com quem não concorda com AJJ, seja o Sr. Silva, o Sr. Pinto de Sousa ou agora o Sr. Passos. Já chega de fazer de conta que não vemos a boçalidade, a falta de educação e o modo rasca como trata todos os que ousam criticá-lo.

Ora, Pedro Passos Coelho, bem ou mal, ousou. Ousou colocar o dedo na ferida, criticar a forma inadmissível como AJJ procurou utilizar a desgraça dos outros, a tragédia dos madeirenses, como arma de arremesso político interno mentindo, afirmando que PPC foi o único político que não se solidarizou com os madeirenses sabendo, como hoje se percebeu, que estava a mentir.

No final, AJJ foi-se sentar ao lado de Rangel. O olhar de menino traquina de Rangel disse tudo. Nada mais a acrescentar além disto: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

Paulo Rangel: um paradigma de ruptura

Acredito que o candidato social-democrata procurava uma frase-chave (um chavão, se quisermos). Algo que resultasse como o “Yes we can” de Obama, que fosse apelativo, mobilizador.

Certamente a sua atabalhoada candidatura não deu tempo para mais. Isto é: não deu tempo para melhor.

Terá, por isso, decidido pegar numa palavra, numa só ideia, e repeti-la à exaustão: “ruptura”.

Acontece que “ruptura” reporta-se ao acto de romper, ou seja de rasgar, dilacerar, desfazer. Da ruptura resulta um rompimento, resulta que algo fica rompido, ou seja roto. Ora esta não é uma boa opção para um mote que incentive, que estimule vagas de fundo. Não há grande apelo a ser-se roto ou a participar em rompimentos.

No entanto, Paulo Rangel insiste, investe todas as suas forças, erguendo-se bem alto em bicos-de-pés para exortar uma e outra vez à ruptura. Como se tal lhe estivesse no sangue. E penso que a razão será mesmo essa: a ruptura está-lhe mesmo na massa do sangue. Assim foi quando rompeu com a promessa que ficaria no Parlamento Europeu. E, também, assim foi quando rompeu com o entendimento estabelecido com Aguiar-Branco, quanto ao combate pela liderança do PSD.

Paulo Rangel é o alvo do seu próprio combate.

Se eu fosse militante social-democrata, votaria Aguiar-Branco.

Se tivesse de escolher entre Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho, votaria Pedro Passos Coelho.

Tudo faria para romper com paradigmas de ruptura como Rangel.

Uma pergunta a Paulo Rangel

Desde que se apresentou como candidato à presidência do PSD, e mesmo sem ter ouvido qualquer debate, já ouvi Paulo Rangel proferir a palavra ‘ruptura’ umas cinco dezenas de vezes.

Com tanta ruptura, não seria melhor Rangel fundar um partido novo?

Sobre o debate:

Em democracia, a melhor ruptura obtém-se pelo voto. Nenhum militante antigo ou recente, diga Paulo Rangel o que disser, imagina Sá Carneiro ou Cavaco a perder uma eleição contra Sócrates como sucedeu ao PSD de Manuela Ferreira Leite. Os seus herdeiros políticos terão de responder por isso nesta campanha interna. E Rangel é um herdeiro político de Ferreira Leite, o que talvez explique a incomodidade que revelou neste debate.

Pedro Correia no Delito de Opinião

Adendas pela madrugada: Aguiar Branco inaugurou a sua sede de Lisboa. Arnaut apoia Rangel e o i resume o debate.

O Debate # Final

A minha alma está parva! Esperava mais, muito mais de Paulo Rangel neste debate. Considero que foi, literalmente, cilindrado por Passos Coelho.

A boa preparação de Passos Coelho é notória. Domina melhor os diferentes dossiers, é assertivo nas críticas e teve o killer instintc fundamental nos momentos certos: a da ruptura de Rangel ser o seu abandono do PE foi um must. Fez falta a presença de Aguiar Branco e ficou mal, muito mal, a Rangel enviar uma farpa a quem não estava presente e que, ainda por cima, é o seu “padrinho”.

Foi um debate esclarecedor para os militantes e, julgo, uma vitória forte de Passos Coelho. Agora é esperar pelo debate final, numa das televisões de canal aberto, preparado para a última semana de campanha.

O Debate #6

A velha escola e a nova escola é uma boa metáfora para definir estes candidatos: Rangel está muito próximo da velha direita enquanto Passos já milita na direita moderna.

O Debate #4

A discussão está óptima no Twitter. A maioria considera que, por agora, Passos Coelho está a ganhar o debate.

O Debate #3:

Como se previa e já se comentava durante o dia, Rangel prefere uma postura agressiva e populista, mais vocacionada para procurar convencer os eleitores fanáticos esquecendo o país. Neste ponto, Passos Coelho está a ganhar por ser mais pausado e esclarecedor.

Agora vamos ao país. Ainda bem. Uma boa malha de Passos Coelho ” eu estou é ao lado e preocupado com o país”.

%d bloggers like this: