e «já deu ordens para que estas forças de segurança lhe preparassem uma cerimónia oficial de boas vindas. E tem que ser ainda esta semana, antes d[e] o governo cair.» [DN]
Acabar com o SNS, esse desígnio da direita
Se em 1979 o PSD social-democrata votou contra a criação do SNS, não há-de ser o PSD liberal, movido por uma agenda ideológica de obliteração do Estado Social e obcecado por privatizar tudo a qualquer preço, que pensará de forma muito diferente: o SNS (tal como este governo) é para suprimir o mais rapidamente possível. Mas anunciar a sua privatização seria gerador de forte contestação por parte da sociedade civil pelo que o esquema deve ser cuidadoso e gradual: primeiro o desinvestimento, com cortes em sucessivos Orçamentos de Estado que explicam em parte o caos, por vezes fatal, que se instalou nas urgências no Inverno passado. Faltam médicos, faltam enfermeiros, entretanto emigrados para o Reino Unido, e falta equipamento. Paralelamente, emerge o sector privado de saúde, que acumula lucros fabulosos com a mesma velocidade a que o SNS se vai desintegrando, com a benção de um governo que até conta com um Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social que foi em tempos lobista ao serviço de um grupo privado de saúde. Por fim, cereja em cima do bolo, nomeia-se um ministro da Saúde com a sensibilidade de um tijolo que, confrontado com a fragilidade de um SNS que vê pessoas morrerem após longas esperas em corredores hospitalares com condições terceiro-mundistas, afirma convictamente que os serviços de urgências funcionam muito bem e que quem diz o contrário são comunistas com agendas obscuras. É uma questão de tempo. Acabar com o SNS é um desígnio desta direita “teapartizada”.
Dicionário de eufemismos Calvão da Silva
Morrer: Entregar a alma ao Criador. Ir desta para melhor. Ir morar com Deus. Dormir o sono dos justos. Encomendar a alma a Deus. Bater a asa.
Isto é que vai uma cheia…

Eu ia para escrever aqui algumas considerações sobre as brutais cheias do Algarve e lembrar o que, nas últimas quatro décadas, foi estudado, dito e escrito sobre as barbaridades a que estava sujeito o pobre Algarve no seu processo de “desenvolvimento” urbanístico – confundido, geralmente, com desenvolvimento turístico – bem como a total ausência de estratégias de controlo e aproveitamento das linhas de água da região. Afinal, perante a grandeza das explicações do nosso novo ministro da administração interna, o Senhor Professor Calvão da Silva, calo-me e reduzo-me à minha humilde ignorância. É que sobre origens demoníacas dos fenómenos meteorológicos e da relação dos níveis de pluviosidade com os humores de Deus, nada sei. Mas, depois de ouvir as ministeriais explicações – de uma profundidade comparável às das águas que inundaram Albufeira – fiquei a saber que, com o novo governo, estamos nas mãos da divina providência. Porém eu, modestamente, que nessas transcendências não sou versado, limito-me a esperar que os augúrios que se adivinham venham a ser confirmados no dia 10. Depois disso, não posso garantir, como o santo governante, que Deus arranjará para os ex-ministros “um lugar adequado”. Mas alguém, seguramente, tratará disso, como é costume…
Carlos Abreu Amorim chama “Pasionaria revisitada” a Catarina Martins
Assim titula o Expresso, citando o liberal arrependido. Carlitos, como “católico praticante“, não te esqueças que chamar nomes também é pecado.
Delegado comercial
“Quem não tem seguro, aprende em primeiro lugar que é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro”, disse o novo ministro da administração interna, João Calvão da Silva, a propósito das inundações em Albufeira.
Acontece que as seguradoras não pagam prejuízos com calamidade pública declarada, será que o ministro não o sabe? Relendo as declarações do ministro, percebe-se que na base do que ele afirma está uma convicção ideológica. “As pessoas estão conscientes que há outros mecanismos para além dos auxílios estatais”, disse Calvão da Silva, esquecendo-se de referir as letras miudinhas dos contratos das seguradoras. “Cada um tem um pequeno pé-de-meia. Em vez de o gastar a mais aqui ou além, paga um prémio de seguro.” Para este ministro, os pés-de-meia servem fazer seguros. Deixem-me dizer-vos uma coisa sobre os seguros. São negócios e, como tal, servem para dar lucro. Podem pagar, e pagam, prejuízos pontuais, mas dificilmente têm capacidade para pagar um prejuízo generalizado. Neste sentido, é uma fraude pretender que um seguro poderá resolver situações de catástrofe. Mas foi isso que João Calvão da Silva fez.
Um exemplo prático? Que seguro pagaria isto?
Bolsas em queda e desta vez a culpa é mesmo do papão comunista
As bolsas europeias abriram hoje no vermelho, com excepção da robusta praça de Atenas. A bolsa portuguesa começou mal mas terá entretanto recuperado, situação que se poderá inverter a qualquer momento porque, como é sabido, os mercados são aquilo que os especuladores quiserem e os especuladores podem querer sodomizar-nos à bruta. Outra vez. [Read more…]
Mais uma do sr. deputado Miguel Santos…
Hoje o Correio da Manhã, no seu website, noticia que, ontem, o deputado do PSD, Miguel Santos, recusou submeter-se ao teste de alcoolemia depois de ter sido parado pela PSP quando seguia de moto, às 5 horas e 5 minutos da madrugada, na Avenida do Brasil, no Porto. O argumento do deputado Miguel Santos para se recusar a fazer o teste do álcool foi segundo o agente da PSP a “ imunidade parlamentar “.
Mas qual é o cidadão português que se pode recusar a fazer um teste de alcoolemia refugiando-se na “ imunidade parlamentar “? Então os deputados, governantes, conselheiros de estado, presidentes da república porque possuem imunidade parlamentar podem andar nas estradas portuguesas alcoolizados, livres de fazer testes de alcoolemia, correndo o elevado risco de matarem cidadãos portugueses que vão tranquilos e sossegados na estrada ou na via pública? E já agora estes indivíduos que ocupam estes diversos cargos públicos podem desobedecer às autoridades tendo por base a “ imunidade parlamentar “?
Mas o mais curioso é que o deputado Miguel Santos na mesma notícia disse “ Eu não tinha bebido álcool, aliás, nem bebo”. Então qual era o problema para fazer o teste da alcoolemia? Este senhor só pode estar a tentar fazer de todos os portugueses parvos.
Cavaco insiste em governo com maioria parlamentar
«O Presidente da República considera que o próximo executivo deve ter um apoio maioritário no Parlamento.»
[RTP, Maio de 2015]
Inspiração não
Tendo perdido a maioria absoluta nas eleições legislativas de Junho passado, o AKP, partido conservador do presidente turco Erdogan, teria sido forçado a formar um governo de coligação. Ora o presidente deixou claro que essa não seria uma opção, referindo-se depois ao resultado como um erro, que os eleitores teriam de corrigir em novas eleições. E eis senão quando, nas eleições ontem realizadas, o AKP obteve a maioria absoluta que lhe permite formar um governo de partido único, tal como nos anos anteriores. Felizmente para Portugal, a situação e os métodos não são, de todo, comparáveis. Menos seguro seria porém que Cavaco Silva, se tivesse essa possibilidade, não se sentisse inspirado pela ideia de corrigir resultados eleitorais através de uma nova ida às urnas… Esperemos que o seu sucessor não se incline tanto para julgamentos próprios quanto a erros do eleitorado…
Da fidelidade à política
«O PS, enquanto partido, só pode sobreviver no futuro, fazendo o que está a fazer, apesar dos ataques de Assis e acólitos seguristas.» [Maria João Cantinho]
Ciudadanos e Podemos ” à porta ” do governo espanhol
A sondagem do ” El Pais “, publicada hoje, relativa às eleições gerais espanholas marcadas para 20 de Dezembro é muito interessante comparada com os resultados das últimas eleições legislativas em Espanha.
Esta sondagem dá uma perda de mais de 80 deputados para o PP do actual presidente do governo, Mariano Rajoy. O PSOE, de Pedro Sánchez, também aparece em perda, mas mais moderada, com menos 10 a 15 deputados.
Mas a grande surpresa são os dois novos partidos, os Ciudadanos, de Albert Rivera, que poderá chegar quase aos 90 deputados e o Podemos, de Pablo Iglesias, que poderá ter mais de 45 deputados. A mesma sondagem diz-nos que o conjunto dos outros partidos de esquerda poderão alcançar 40 deputados.
O capitalismo é o pior dos sistemas, à excepção de todos os outros…
Nem vou aprofundar a discussão sobre apoios governamentais ao sistema financeiro, desde 2008 que publicamente discordo de tal medida, por mim qualquer Banco ou Seguradora se economicamente inviável deve falir como a mercearia da esquina. Aos que defendem a nacionalização do sistema financeiro, respondo que antes guardar o dinheiro no colchão a ser atendido por meia dúzia de antipáticos e mal encarados que acham que me prestam um favor, quando sou eu e todos os clientes que lhes pagam o salário. Vade retro, ainda me lembro do tempo em que os Bancos encerravam à hora do almoço e chegavam a fazer greve causando prejuízos incalculáveis aos clientes, impossibilitados de dispor do seu próprio dinheiro. A morte de um familiar próximo obrigou alguém ainda mais próximo a pedir dinheiro emprestado ao vizinho para conseguir assistir ao funeral a 200 kms de distância, tudo em nome dos direitos e conquistas de Abril. Óbvio que esse inenarrável episódio aconteceu antes do advento do Multibanco e privatização da Banca. [Read more…]
Da democracia representativa
António Alves da Silva
Ontem [sexta-feira], após a posse do XX Governo Constitucional, com alguma surpresa fui apanhado pelas declarações de um dos nossos políticos. Por acaso, homem habituado à ribalta e não pouco experiente nestas lides. Declarações tão surpreendentes como reveladoras de que, 41 anos após a instauração da democracia neste país, por sinal apenas um menos do que a idade do dito , há gente responsável que ainda não percebeu o real alcance daquilo que é a representação democrática, do povo. Dizia ele com um ar afectado e circunspecto, daqueles ares a que se dão estes “novos” políticos, que agora se esperava que os deputados soubessem “respeitar a vontade do povo”! Como se a vontade do povo fosse traduzível, como um todo, por um único e simples escalonamento percentual matemático. Como se todo um povo dissesse referendariamente sim, ou não, através do seu voto eleitoral passado, a cada um dos projectos, a cada um dos dilemas que lhe são subsequentemente colocados. Como se pudéssemos interpretar, reinterpretar e tre-interpretar a nosso bel-prazer e para lhes dar resposta e a cada passo, o “ranking” partidário saído das urnas. Como se esses números nos dessem o dom de saber, por tempo indefinido e a cada passo, qual é a “vontade do povo”!














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