Carta Aberta a Francisco Assis

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«Caro Francisco Assis,

Como sabes o distrito da Guarda foi o único distrito onde o António José Seguro venceu.
Eu, como tantos companheiros, lutámos pela vitória de António José Seguro e atingimos os objetivos a que nos propusemos, mas foi um resultado muito curto e António Costa venceu e, sobretudo, venceu a Democracia. A partir desse momento e perante os resultados inquestionáveis o nosso líder passou a ser António Costa.
Tu foste sempre apoiante de António Costa e, como tal, nunca lhe regateaste elogios quer sobre as suas qualidades quer sobre a experiência política que tanto lhe reconhecias. Durante a campanha eleitoral para estas legislativas, tu próprio te insurgias contra o desgoverno que a coligação da direita trouxe ao nosso país, ou seja: mais pobreza, mais desemprego, mais emigração, mais desigualdade e mais dívida, sem resolver qualquer problema da nossa Pátria. Por conseguinte, participaste na campanha eleitoral, apoiando o secretário-geral, sem reservas e de forma incondicional, mas certamente distraído não registaste o facto do António Costa ter afirmado, com algum estrondo e significativo impacto, durante a campanha eleitoral, que não viabilizaria o orçamento da coligação.
Pois tens andado seriamente esquecido e deve ser ter sido do queijo da Serra que comeste aqui no distrito durante a campanha eleitoral, [Read more…]

Queremos ser escravos ou homens e mulheres livres?

Liberdade

Tenho ouvido por aí que o impasse político em Portugal está a afastar os investidores. Leigo que sou, perante notícias tão alarmistas que anunciam o apocalipse económico, tenho sérias dificuldades em perceber em que consiste tudo isto. Até porque o que nos é dito em TV’s e jornais é tão vago que só uma mão cheia de doutos iluminados parece perceber. Serão investidores que se preparavam para investir em Portugal e que, perante a possibilidade de um governo de esquerda, mudaram de ideias? E se mudaram, o que os fez mudar? Será a perspectiva de que um governo desalinhado com o liberalismo da precariedade poderá acrescentar umas migalhas aos custos de tão lucrativos negócios? Mas se eles continuam a ser lucrativos, porquê recuar? Por ganância? Fanatismo ideológico? Será apenas pressão para condicionar o normal curso da democracia em benefício das elites do costume? Chantagem? Talvez seja tudo junto. [Read more…]

Investimento a fugir do país com medo de um governo de esquerda?

Estes investidores não parecem concordar com a premissa. Devem estar a soldo do papão comunista.

Helena Garrido a fazer um frete à PAF

Sim, um frete. Porque pretende imputar a inexistência de OE 2016 a Costa. Ausência de isenção jornalística é isto.

Maria Luz morreu

O perfil falso “Maria Luz“, parte da estratégia de perfis falsos da PAF, desapareceu do Facebook.

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Desde Maio de 2014 até às eleições legislativas de 2015, este perfil falso arranjou cerca de cinco mil “amigos”. Este perfil e mais uns quantos perfeitamente identificados usaram imagens de mulheres atraentes para pescar amizades, constituindo uma rede de difusão de propaganda no Facebook. O princípio é simples. Um post publicado aparece automaticamente no mural dos amigos e dos amigos dos amigos. É uma ligação directa, sem filtro, aos potenciais eleitores.

Mesmo depois da campanha eleitoral, esta rede continuou a funcional e este perfil “Maria Luz” foi um veículo constante de propaganda anti-Costa, cheio de ataques pessoais. Agora foi apagado. Mas na Internet nada desaparece. Pode consultar as cópias desse perfil falso aqui.

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E Se Vier o Comboio?

tt_crato_comboio_linha_lesteEm Portugal é ilegal e inseguro a travessia de uma via férrea fora dos locais previstos para tal: as passagens de nível ou as passagens desniveladas. Mas isso não deixa de ser motivo para que audazes praticantes de todo-o-terreno motorizado se inibam e deixem de fazer figura-de-urso a atravessar a Linha do Leste, ali para os lados do Crato.
Resta saber qual seria o desfecho da audácia à aproximação de um comboio a 100 km/h, obviamente sem o tempo e o espaço necessário para se imobilizar antes de atingir tão estúpido obstáculo. [via maquinistas]

Portugal 1975-2015: 40 anos de silêncio

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Ficaram com os ódios e as raivas ali a arderem-lhes. Os ódios muito bem guardados para grandes vinganças vindouras que o destino pudesse favorecer. Escondidos nos sótãos fechados à chave dos seus espíritos, entrar neles dava cabo até mesmo de quem mal sabia por que razões, e embora ainda ardentes, haviam ali sido escondidos. As raivas debaixo do tapete, de onde contudo por vezes saíam, como cabeças de hidra que nenhum hércules pisava para não debelar numa só cabeça que fosse o que fôra guardado com tanta estima há mais de 40 anos. Ovos disso haviam eclodido aos milhares.

Nasceram novas pessoas e foram-lhes ensinados esses ódios e raivas. Quando atingiam uma certa idade, alguém mais velho levava-as lá acima ao sótão e, apontando para o que estava tapado com grandes panos que ninguém levantara desde que lá haviam sido postos, diziam

Estão ali.

Mostrado o esconderijo, apressavam-se a descer, procurando fugir das recordações que logo começavam a invadir-lhes os pensamentos. Dos tapetes escondendo os mais pequenos sentimentos torcidos, limitavam-se a informar

Não se varre ali debaixo nem se aspira.

As novas pessoas assentiam e não se falava nunca mais no assunto. [Read more…]

É a lei, os estúpidos somos nós

Pensão para o triplo, caução para metade.

Telemissão

Nestes dias, os vários canais de televisão fazem uma espécie de sprint de contra-informação que, prevê-se, se irá ainda acentuando até à próxima semana. Todos os caminhos argumentativos servem, mesmo aqueles que ofendem a inteligência de qualquer pessoa de bom senso. É que eles não procuram o bom senso nem a reflexão séria. Procuram a confusão, o melodrama reles. Atiram como pedras todas as calúnias e fantasmas que mobilizem imbecis. Qual discussão democrática, qual ponderação de ideias, qual quê. São jogadores que apostam a cave e esperam ganhar com batota. Custe o que custar, custe a quem custar. A direita mais golpista acantona-se nas televisões e prepara-se para fazer delas a sua trincheira de vigarice política. Sente-se em missão.
Hoje, quem ainda tinha alguma consideração – em muitos casos residual, eu sei – por gente como Luís Amado, Luís Delgado, Gomes Ferreira, Nicolau Santos – para citar só os que vi nesta hora e sem referir protagonistas partidários, porque não é sobretudo por estes que passa a jogada – espero que tenha ficado esclarecido.  [Read more…]

Cavaco, o avisador, foi avisado sobre o problema do orçamento para 2016

Foi-lhe repetido, até em 2014, que marcar eleições para Outubro praticamente impossibilitaria o arranque de 2016 com OE aprovado. Decidiu ignorar.

Eleições legislativas realizadas em outubro – como apontou o Presidente da República no domingo – vão fazer com que o país seja gerido por duodécimos no início de 2016. Perante as datas possíveis nesse mês (4 ou 11), a Constituição e a Lei de Enquadramento Orçamental (LEO) impõem ainda uma outra realidade: o atual governo já não apresentará o Orçamento do Estado para 2016. (…)

Desde logo, a LEO [Lei de Enquadramento Orçamental] define que “o Governo apresenta à Assembleia da República, até 15 de outubro de cada ano, a proposta de lei do Orçamento do Estado para o ano económico seguinte”. Porém, tendo em conta a oitava alteração à LEO há três exceções e uma delas é: “[Quando] o termo da legislatura ocorra entre 15 de outubro e 31 de dezembro”. Este é um cenário que – com eleições a 4 ou 11 de outubro – vai, necessariamente, acontecer.

[DN, Octávio Lousada Oliveira e Rui Pedro Antunes, 5 de Maio de 2015]

Cavaco é o responsável pela situação de começarmos 2016 com duodécimos e, consequentemente, por todas as complicações orçamenteis relativas a encargos que daí resultarem.

 

Quem manda no PSD? Passos Coelho ou Marco António?

Tomada de posse do XX Governo Constitucional

A SIC fez ontem notícia do caso em que o deputado Miguel Santos se terá recusado a fazer o teste de alcoolemia invocando a imunidade parlamentar. O texto que publiquei na passada segunda-feira e que serviu de base aos meus pedidos de abertura de inquéritos ao sr. Ministro da Administração de Interna e ao Director do DCIAP, relativamente a este caso que envolve o deputado do PSD, ainda não obtiveram qualquer tipo de resposta.

O pedido que também fiz anteontem ao Presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, para retirar a confiança política e abrir um processo disciplinar a Miguel Santos também ainda não obteve qualquer resposta. Aliás outras missivas que, nos últimos meses, tenho enviado, através de email, para o Presidente do PSD também não têm obtido qualquer resposta.

Parece-me que perante as muitas situações que são públicas é caso para perguntar: afinal quem manda no PSD é Pedro Passos Coelho ou Marco António Costa?

Talvez fosse muito útil ao nosso País saber quem é o presidente de facto do PSD. Os portugueses mereciam ter esta resposta para poderem saber com o que contar do Partido Social Democrata até porque uma coisa é Passos Coelho, outra coisa completamente diferente é Marco António.

Estou convicto que os portugueses terão estas mesmas dúvidas e partilharão das minhas opiniões e preocupações no que diz respeito à verdadeira e efectiva liderança do PSD.

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Parabéns sr.s eleitores da PAF

Estão a começar a ter os resultados em que votaram. “Governo aprova medidas para manter sobretaxa do IRS e cortes salariais em 2016“.

Um cordão humano de propaganda?

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Alguns jornais deram ontem destaque a um cordão humano que apela a uma espécie de consenso cavaquista entre os partidos: entendam-se desde que o entendimento não inclua CDU e BE. Deve ser mais uma dessas iniciativas da sociedade civil cozinhadas entre a São Caetano e o Caldas.

A manifestação, que conseguiu reunir 1000 pessoas – todos independentes, claro está – teve como mote “Unir o que está dividido”. Como se alguma vez PS, PSD e CDS-PP tivessem sido um só. Como se tivessem feito uma campanha eleitoral de apelo à convergência. É possível que estas pessoas não tenham estado muito atentas às narrativas do PàF e do Partido Socialista. Depois de tudo o que foi dito, depois de todas as acusações e práticas subterrâneas, um entendimento entre ambas as partes seria verdadeiramente surreal. [Read more…]

O país aguenta a pensão do Ricardo Salgado? Ai aguenta aguenta!

Ricardo Salgado

O império do Dono Disto tudo faliu, gerando milhões de lesados, aproximadamente 10 milhões, e ninguém foi responsabilizado. Até aqui nada de novo, estamos em Portugal. Afinal de contas, se até o ministro ungido por Deus Nosso Senhor Jesus Cristo atestou a idoneidade de Ricardo Salgado, quem somos nós, comuns mortais, para o querer atrás das grades?

Claro que, e perdoem-me a heresia, parece-me haver algo de muito estranho na decisão do regulador tornada ontem pública. Ao que tudo indica, a pensão do DDT e de alguns dos seus ex-súbditos será em breve triplicada, passando de uns miseráveis 30 mil euros mensais para a módica quantia de 90 mil euros. Valor que, convenhamos, é ainda insuficiente para os inúmeros encargos que pendem sobre uma família remediada como a Espírito Santo e o custo de vida na Comporta está pela hora da morte. Já não se brinca aos pobrezinhos: é-se mesmo pobre. [Read more…]

Para sublinhar o ridículo da argumentação da PAF..

… nada como ouvir Mora Amaral hoje no Fórum TSF. “Não estamos à beira de um regime totalitário”, respondeu ele quando o moderador o interpelou sobre as declarações incendiárias dos dois líderes da coligação PAF.

Diz Nuno Magalhães que “é bom termos todos, nesta fase, muito cuidado com as palavras”. E bem poderia, ele mesmo,  dar o exemplo.  Perdeu o líder parlamentar da extrema direita uma boa oportunidade para estar calado ao se entregar ao exercício da “argumentação destinada a impressionar a opinião pública”, tal como explicou o vice-presidente do PSD, Mota Amaral.

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Pan consegue a primeira vitória

Ninguém me tira da cabeça que foi a pressão do PAN que salvou o leitão.

Não há nim possível para o PC

No nosso parlamento são estes números:

  • PaF: 107
  • PS: 86
  • BE: 19
  • CDU: 17
  • PAN: 1.

Logo, a alternativa a uma “minoria” da PaF só poderá acontecer envolvendo, pelo menos, três partidos: PS, BE e PCP para um total de 122. Uma colaboração entre o PS e o BE só teria 105 deputados. E, se estas contas, parecem dar importância ao PC, mostram também que um acordo entre o PC e o PS também não seria suficiente. Ou seja, para este efeito, ou estão os três, ou nada feito, o que, mais vírgula menos vírgula, tem vindo a ser dito por António Costa.

Ora, a espuma noticiosa tem vindo a colocar as negociações à esquerda num impasse: PS e BE estão de acordo, enquanto o PC continua no nim. Para comentar esta possibilidade podemos recorrer à expressão “não há fumo sem fogo” ou então ao clássico “isso é a direita a tentar condicionar o PC”.

As greves nos transportes ou a manifestação em frente ao Parlamento podem ser uma forma do PC continuar a condicionar o rumo das negociações, mas, prefiro continuar a pensar que a Manifestação da próxima semana é uma manifestação de apoio a um governo de esquerda e, se assim for, até simpatizo com a ideia, mas para isso, mais do que exigir o deita abaixo, devem dizer queremos a Esquerda a governar.

Verdade ou não, creio que em Democracia é a primeira vez que o sonho de muitos se poderá concretizar. E, o Partido Comunista Português não pode desta vez deixar de estar na parte da solução. Seria mais confortável dizer que não, que continua apenas na luta e a liderar a classe operária, mas neste momento há uma forma muito mais simples de colocar a coisa:

  • ou o PC está ao lado do PS e do BE e permite um governo liderado por António Costa, ou, então, junta-se ao Assis e permite um governo liderado pelo Marco António.

 

Cavaco defendeu o TTIP no discurso de tomada de posse do governo

Falta de vergonha na cara é isto. Defender um tratado secreto, nem sequer conhecido pelos eurodeputados, e vir depois exigir conhecer o acordo PS/BE/PCP.

Ex-actriz porno apoiante do PàF em conferência no Porto

Sasha Campos

Laura Campos, activista ao serviço da coligação PSD/CDS-PP durante a campanha para as Legislativas e conhecida no mundo artístico como Sasha Grey, famosa actriz pornográfica, estará amanhã no Porto a participar no Fórum do Futuro 2015, uma iniciativa do pelouro da cultura da Câmara Municipal do Porto. Fiel aliada da incontornável Maria Luz, ícone maior não da pornografia mas da prostituição política, sob a égide de um qualquer spin doctor ao serviço dos radicais do PàF, Laura Campos – Sasha Grey se preferirem – irá debruçar-se sobre o tema “O prazer na arte“, numa possível alusão à arte pafista de fornicar os portugueses com propaganda galdéria e/ou ao imenso prazer que qualquer fanático da extrema-direita Tea Party nacional retira do seu meretrício inabalável, enquanto participa no assalto às estruturas de poder e no enxamear da Administração Pública de boys e outras prostitutas, versadas no alpinismo político e exímias trepadoras da escada do felácio. A não perder.

Foto: Facebook de Laura Campos

Ora, deu agora ao miúdo para ir brincar com aqueles gandulos que moram nas barracas da extrema esquerda da rua.

«Quando a direita mais moderna, mas sempre respeitadora da família, fala em falta de responsabilidade, é a esta desgraça que se está a referir. O patriarca Cavaco teve de dar um berro, claro.»

[um caramelo no Vida Breve]

Assim seja, caralho*

Liberdade. Ser livre não é para todos. Primeiro, é preciso a consciência e a vontade de ser livre. Não se é livre sem saber que se é livre e sem assumir essa responsabilidade: as crianças, seres nefelibatas, não são verdadeiramente livres; não se é livre abdicando de o ser, o que sucede muitas vezes, entre outros motivos, por falta de coragem, por fragilidade de carácter, por cálculo de compromisso; não se é livre se, em prol de outros valores, mais ou menos venais, se aliena total ou parcialmente a possibilidade de ser livre. Para ser livre é preciso ainda contexto político e jurídico, ou fugir. A tudo acresce a medida. Muita gente seria, em hipotética igualdade de circunstâncias, intrínsecas e extrínsecas, diferentemente livre consoante o quantum de liberdade que lhe bastasse.

Acredito que poucos saberão dizer se são livres ou reféns das teias da sua liberdade. Embora lhes seja fácil identificar nos outros os traços de liberdade que admiram.

É aqui que me situo, eu que procuro ainda, desta forma analítica e ociosa, digerir a morte prematura de alguém que foi, para mim, sinónimo de liberdade e talvez o meu melhor amigo. [Read more…]

Os fracos, os mais fracos e os mais fracos dos mais fracos

hqdefaultO Estado Social, segundo Isabel Jonet, deve limitar-se a ajudar os mais fracos dos mais fracos. O Estado Social não deve, portanto, ajudar os que são apenas fracos, porque os fracos, no fundo, são fortes e fortes do pior tipo. O fraco é um forte que se limita a fazer força para parecer fraco. Não é por acaso que dos fracos não reza a História: não porque não sejam fortes, mas porque não são suficientemente fracos. Para Isabel Jonet, fraqueza é algo que se resolve com um copo de água e açúcar.

E os mais fracos? Não deveria o Estado Social ajudá-los? Os mais fracos são só fraquinhos, gente tão desprezível que é olhada de lado pelos fracos. Cálculos recentes permitem, aliás, saber que um fraco terá a força de dez mais fracos.

Os mais fracos terão, todavia, força suficiente para, pelo menos, pedir esmola, o que isenta o Estado Social do dever de os ajudar. Se os mais fracos, aliás, tiverem deficiências físicas, Isabel Jonet poderá, até, dizer-lhes: “Vá lá pedir esmola, que tem muito mau corpo para isso!” Não há, afinal, como uma boa chaga para que o mais fraco não vá chagar o Estado Social. [Read more…]

A esquerda e um novo encontro com a história constitucional

Santana Castilho*

As afirmações que se seguem são correctas no essencial, ainda que uma análise mais longa pudesse melhorá-las, com detalhes:

  1. Nos 41 anos da nossa democracia, o PS suportou demasiadas vezes políticas de direita, corroendo, assim, a sua matriz ideológica.
  2. Porque o PS, finalmente, resolveu fazer diferente e negociar com o PCP, PEV e BE, logo soaram as trombetas do alarme social e financeiro, sopradas pelos monopolistas do “arco da governação”.
  3. A tradição de desentendimento político entre a esquerda e a acusação sistemática de que PC, PEV e BE preferiam o protesto à responsabilidade de governar, agora que parecem em vias de reversão, viraram virtude para os arautos da inevitabilidade. Assumiram-nas como garantidas e aterroriza-os a hipótese de se ter fechado esse ciclo.

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Marco António Costa, o absurdo democrático do PSD

MAC

Depois de meses de campanha eleitoral na sombra, não fosse a sua presença tóxica aumentar ainda mais a sangria de votos e deputados à direita, Marco António Costa ressuscitou na noite eleitoral. Desde então, é vê-lo dar voz ao partido que o remeteu temporariamente para a penumbra, sempre com aquele seu ar de senador impoluto que não tem telhados de vidro.

Em entrevista à Rádio Renascença, o vice-presidente do PSD voltou à carga contra as negociações à esquerda, e por entre os chavões extremistas que têm marcado a propaganda pós-eleitoral da coligação, Marco António Costa afirmou que “o país está a viver um absurdo democrático”. E pela primeira vez, vejo-me perante a inevitabilidade de ter que concordar com o arquitecto da ruína da CM de Gaia. [Read more…]

Perpendiculares e não coincidentes

Fazer o óbvio, em política, nem sempre tem sido a distância mais curta entre as práticas dos governantes e a vida de cada um de nós.linhas

E, para a direita, tal opção geométrica resultou numa equação simples – juntar duas linhas bem distintas: o PSD e o PP – e criar uma nova realidade matemática em que duas linhas se transformaram numa só. No entanto, tal fusão, deixou de fora a social democracia e por isso, há tanto PSD com os pés de fora.

À esquerda, em 41 anos, tivemos duas linhas paralelas que, apesar dos pontos de contacto, teimaram em fazer um caminho paralelo, sem nunca se encontrarem.

Para surpresa da direita conservadora, descobriu-se, há uns dias, que é possível juntar duas ou mais linhas, sem que, obrigatoriamente, se tornem imediatamente coincidentes.

E esta é a chave da questão – manter três linhas em movimento, com contactos nos pontos em que o povo fique a ganhar. Ora, tal objectivo está mais do que alcançado, até porque foi essa a opção eleitoral dos portugueses.

PS, BE e PCP já se entenderam e agora só falta o mais complicado: fazer o óbvio.

Nota: para os Proenças e Assis, a quem a direita dá palco fica uma questão geométrica: a quadratura do círculo. Liguem ao Pacheco Pereira, que ele explica.

 

Um governo do PS

com o apoio da esquerda é SEMPRE melhor que um da direita com o apoio do PS. Subscrevo, as palavras de Carlos César.

Mundo civilizado?

O Público chama a atenção para um “cantinho” da agenda noticiosa.

Vamos continuar a fazer de conta?

Ainda me lembro da PàF em campanha na Cercica. Foi há um mês.

Alunos sem apoio e pais com medo de falar. Associação Portuguesa de Deficientes descreve “cenário bastante grave”. (Foto: Lusa)

Entregar a alma ao criador

calvão da silva
Só por causa do ministro Calvão da Silva, quase chego a ter pena que este Governo vá durar tão pouco tempo. Pela amostra, ia ser muito divertido.
Feliz ou infelizmente, em virtude da fúria demoníaca da Esquerda, o ministro Calvão da Silva está prestes a entregar a alma ao criador. E certamente que deus lhe reservará um lugar adequado.

O ministro de Deus

maxresdefaultCalvão da Silva é, como qualquer ser humano, múltiplo. Para além de agente de seguros, é agente de execução liquidatária do Estado, é ministro semanal da Administração Interna e tem tempo, ainda, para ser ministro de Deus e teólogo da inundação.
Corajosamente, Calvão revela que “Deus nem sempre é amigo”. Sem medo de correr riscos, o ministro deixa, portanto, claro que, por vezes, Deus é inimigo, o que poderá originar mais um cisma no mundo cristão e o nascimento da seita calvanista. Mas Calvão não se fica por aqui: ao assumir que um acto de Deus pode ser demoníaco, o novo Lutero confirma a consubstanciação de Deus e do Diabo, o que poderá trazer um novo alento às igrejas satânicas.
Calvão da Silva é, também, exegeta desse grande texto que é, no fundo, a vida e, por isso, sabe que os nomes, os actos e os acontecimentos têm significados ocultos. Assim, não é por acaso que, na referência ao falecimento de um homem, o ministro tem o cuidado de lembrar a idade do falecido, o nome da mulher e o apelido do morto. Na realidade, quem tem 80 anos, uma mulher chamada Fátima e é Viana de apelido está pronto para morrer, porque a idade indica que a hora chegou e porque os nomes contêm todos eles ressonâncias religiosas. Além disso, ficamos a perceber que o senhor Viana não foi vítima de uma inundação, antes escolheu entregar-se a Deus, porque, caso contrário, não estaria no insondável caminho da enxurrada.
De qualquer modo, tendo em conta o carácter também demoníaco do Deus calvanista, saber que este “reserva um lugar adequado” ao recém-falecido não é exactamente tranquilizador, porque uma pessoa não sabe o que esperar de um Deus que nem sempre é amigo, sendo, por vezes, diabólico.
Com a iminente queda do governo, Calvão da Silva poderá dedicar-se exclusivamente a espalhar a palavra de Deus, entregando-se ao Diabo. Ou vice-versa.