Países desenvolvidos não são para governo de marxistas…

Apesar dos britânicos estarem fartos das trapalhadas políticas dos conservadores, apesar do Brexit, apesar da impopularidade do político errante Boris Johnson, os eleitores do Reino Unido deram uma derrota colossal à esquerda radical, liderada pelo marxista Jeremy Corbin, provavelmente o pior resultado do labour desde a 2ª guerra mundial. Longe vão os tempos de Tony Blair, os militantes trabalhistas podem agora escolher continuar o caminho que os leva ao precipício, ou regressarem ao bom senso e voltarem a merecer a confiança da sociedade britânica.
Faço votos para que do outro lado do Atlântico, o partido democrático não caia na tentação de eleger Sanders ou Warren, oferecendo de bandeja mais 4 anos a Trump. Por muito graves que sejam os problemas no presente, não é com ideologias do passado, que serão resolvidos. No século XXI ninguém quer ser governado por socialistas de inspiração marxista, pelo menos nos países desenvolvidos.

Humor negro

O governo vai entregar 800 milhões de euros ao Novo Banco e exactamente a mesma importância ao Serviço Nacional de Saúde. Espero que apreciem a ironia da coisa.

Escândalo: 2,5 milhões em Ajustes Diretos à Global Media nos últimos três anos

Nesta o Ventura não vai pegar.

A Loja Maçónica do Hospital de Gaia

A nova sede da Liga dos Amigos do Centro Hospitalar de Gaia tem um chão inspirado nos templos maçónicos.
Não deveria. Não fica bem, nem honra, os homens bons. É que no corredor das Urgências há gente estendida a mijar-se sem se poder mexer e sem que ninguém repare, ou a morrer em macas sem que ninguém note.

Tende vergonha nessa cara. Ponde a venda no Coração.

 

Câmara de Gaia, Ajuste Directo de 40.000,00 euros por 1 dia de trabalho

Ajuste Directo de 40.000,00 euros da Câmara de Gaia a Eduardo Paz Ferreira, marido da Ministra da Justiça, por um dia de trabalho.
Por mera, mas infeliz coincidência, Eduardo Vítor Rodrigues viria a ser absolvido, um mês depois deste Ajuste Directo, pelo Tribunal Relação do Porto, num processo em que fora condenado pelo Tribunal de Gaia. Não há nenhuma relação entre os dois factos, até porque a Ministra da Justiça não faz nem influencia acórdãos.
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A propósito dos limites à tecnologia

Anteriormente, publicou-se aqui uma referência sobre privacidade e estados vigilantes. Ou dito de outra forma, sobre a materialização da distopia “1984”.

Ontem foi notícia um estudo comparativo sobre o número de câmaras instaladas em diversos países.

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Eduardo Vítor Rodrigues, um homem de Estado na Afurada


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A caligrafia de Eduardo Vítor Rodrigues

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O chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues


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Per saecula saeculorum

A pergunta apanhou-me de surpresa:

Sabes de alguém que queira vender um jazigo?

Nascida numa família de campas rasas, um jazigo soou-me sempre a luxo das elites,  vagamente oitocentista, um garante per saecula saeculorum de que não haveria misturas inapropriadas no além tangível das ossadas.

Entendo que se possa buscar conforto na ideia de manter unidos os membros de uma família, enfrentar a morte acompanhado por quem se amou em vida, mas é precisa uma grande dose de pensamento mágico para que esse conforto seja real. E, claro, há o horror à decomposição na terra, mas são assuntos em que se pensa às quatro da manhã, depois de um pesadelo, e se esquece pela alvorada.

Portanto, eu não sabia de jazigos à venda nem estava interessada em sabê-lo, mas a minha amiga estava e não foi preciso muita insistência para que eu acabasse a fazer-lhe companhia num encontro com um vendedor. O meu papel era fazer perguntas inteligentes, tarefa em que manifestamente falhei, e avaliar se o negócio valia a pena, competência para a qual nunca manifestei grande talento, mas é sempre comovedor ver como os amigos acreditam em nós. [Read more…]

“Uma gaiola foi em busca de um pássaro”

“Franz Kafka certamente sabia como escrever uma história. O aforismo de oito palavras que ele anotou num caderno há um século revela muito sobre o nosso mundo de hoje. A vigilância vai em busca de sujeitos. Os casos de uso vão em busca de lucro. Jardins murados vão em busca de clientes domesticados. Os monopólios de recolha de dados vão em busca de países inteiros, da própria democracia, para envolver e re-moldar, para engaiolar e controlar. A gaiola da tecnologia de vigilância persegue o mundo, à procura de aves para prender e rentabilizar. E não pára por sim mesma. A gaiola de vigilância é o veículo autónomo original, impulsionado por algoritmos financeiros que não controla. Portanto, quando descrevemos nosso mundo orientado aos dados como sendo “kafkiano”, estamos a falar de uma verdade mais profunda do que tínhamos imaginado.” [traduzido daqui]

A Cage Went in Search of a Bird“, é uma peça de leitura obrigatória sobre o futuro da privacidade, fazendo uso de um aforismo de Franz Kafka. Num breve resumo, a tecnologia proporciona poder e este será usado indiscriminadamente, a menos que pensemos com muito cuidado sobre como o queremos ver usado.

Outras leituras:

Os boys & girls de André Ventura

O Chega tem seis assessores parlamentares, mais do que os dois outros novos partidos, Iniciativa Liberal e Livre, com quatro cada um. Para quem vinha para acabar com os tachos, e que, ainda há uns dias, se insurgiu no parlamento contra a regionalização, por ser uma espécie de plano secreto para criar mais tachos para boys, André Ventura está fortíssimo na nomeação custeada pelo erário público. Mas diz muitas verdades, que pelos vistos nunca ninguém disse, pelo que, em princípio, será para acabar com a pouca vergonha.

Contas certas onde?

Receitas e despesas do subsector Estado (portanto, sem as autarquias, governos regionais e SS). Fonte: Dívida Pública Portuguesa. De acordo com o autor do gráfico:

  • A escala no eixo vertical está em milhares de milhão. 50.000 M€ = 50.000.000.000€
  • Estes são os dados que constam na execução orçamental e estão excluídos alguns itens da despesa geral do Estado. Estas são as do Estado Central.

O gráfico realça bem os mitos que se têm construído em termos dos resultados das governações PSD/CDS e PS:

  • As tentativas de equilíbrio das contas não foram feitas do lado da despesa;
  • A evolução da receita fiscal em 2011 e 2012 evidencia o falhanço que foi a política do PSD/CDS e porque é que existiu o enorme aumento de impostos de Gaspar;
  • As contas certas de Costa são ficção;
  • Se há algo certo nas governações dos governos de Passos Coelho e de António Costa é o constante aumento aumento da receita fiscal a partir de fim de 2012;
  • Agora que o PSD e o CDS estão na oposição, ouvimos os respectivos líderes barafustarem contra a carga fiscal. Fica patente o lado hipócrita do que afirmam;
  • O discurso vendido pelo PS de António Costa no percurso que o levou à vitória nas últimas legislativas assenta na mentira.

Sol, Jornal i, Record, Jornal Económico patrocinam racismo

Os jornais Sol, Jornal i, Record, Jornal Económico, Correio da Manhã, a Vida Económica ou a Essential Business, juntamente com outras empresas, patrocinam um almoço debate com o fundador do partido Chega. O mesmo fundador que está a ser investigado pelo DIAP de Lisboa, tendo o Ministério Público extraído uma certidão de processo-crime relativo à falsificação de 1813 assinaturas das 8312 entregues para a  legalização do referido partido. Dois dos fundadores do partido de Ventura, que entretanto abandonaram o partido, detetaram cerca de 300 páginas de assinaturas todas rubricadas com a mesma caneta. O tribunal assinalou a falta de coincidência entre números de cartão de cidadão e os nomes dos respetivos titulares, bem como crianças e mortos entre os subscritores, como o Simão com 8 anos ou o falecido Adelino que teria 114 anos. Sobre estes potenciais crimes da maior gravidade num país democrático, André Ventura ainda não ofereceu qualquer justificação válida.

Os referidos jornais e empresas podem dar a desculpa que quiserem, mas na minha opinião estão a promover o racismo. Podem dizer que é um evento da International Club of Portugal, que é para promover o debate político (debate político com patrocínios?), a pluralidade ou o que quiserem. Sabemos bem ao que vai o fundador do Chega, a forma como se exprimiu sobre certas minorias, cujo teor em nada se distingue do teor de discursos proferidos por notáveis nazis e fascistas do século XX. Como se não bastasse estão a dar palco a uma pessoa que é suspeita de crimes graves em democracia.

No que me diz respeito, estamos conversados. Já removi links dos meus favoritos e já atualizei a minha seleção de jornais a comprar ou a ignorar.

Lutas, causas, recuperações e inibições – Greta Thunberg e outras coisas

Sim, ela intervém numa sociedade que se tornou, há muito, perita em recuperar, instrumentalizar e, eventualmente, lucrar com as forças, movimentos e personagens que a contestam, por muito forte que seja a causa que representem. Mas isso não tira mérito a tais causas nem aos seus protagonistas. Cabe-nos estar criticamente atentos. Sendo assim, não entendo a hostilidade para com a jovem Greta Thunberg e a desvalorização de causa resultante desta atitude. Ela é uma criança. Uma adolescente, vá. Não era isto que queríamos? Não apelávamos a um compromisso da juventude na defesa de causas justas e de uma cidadania activa? E agora que isso acontece, qual é o problema de alguns de vós?
Ela pode cometer erros? Pode. E daí?
A luta que mobiliza os jovens pode ser recuperada e distorcida por um poder capitalista manhoso e que sabe bem como isso se faz? Pode. E daí?
Há causa mais imediatamente dramáticas e urgentes, com vítimas mais evidentes? Há. E daí?
Quando nos propomos lutar por uma causa temos que ir ao mercado das prioridades? Agimos ou é preferível ficar por uma imobilidade cínica? [Read more…]

Todos querem ver a Greta

À excepção do hipócrita do Presidente da República. É ouvir o Bruno Nogueira no Tubo de Ensaio de hoje.

Rui Moreira teve razão

For example, in cases where investigators of language change express violent disagreement with their predecessors, a closer look tends to reveal that a strong rebuttal of an earlier position may still crucially presuppose some determinative phrasing of scholarly questions, an indispensable collation of the facts, or pioneering paleographic spadework by the previous researcher being criticized.

Janda & Joseph

“Somos Porto”. É fácil dizer [ˌsomuʃˈpoɾtu].

Rodolfo Reis

***

Segundo o Record, Rui Moreira retorquiu

Isso é mentira,

depois de Fernando Madureira ter escrito

Houve falhas de segurança graves e tiveram de ser os seguranças e os populares a restabelecer a ordem.

Se virmos o episódio pela perspectiva de um leitor do Record, o presidente da Câmara do Porto teve razão, pois Fernando Madureira escreveu houveram. Efectivamente: houveram:

Houveram falhas de segurança graves e tiveram de ser os seguranças e os populares a restabelecer a ordem!

De facto, é mentira que Fernando Madureira tenha escrito ‘houve’.

 Continuação de um óptimo domingo.

***

Mais vale tarde do que nunca?

Lá do fundo do profundo estado de coma em que se encontra, o SPD alemão dá um tímido sinal de vida: SPD elege novos líderes críticos à coligação com Merkel.

Surge assim uma esperançosa luzinha ténue de que a social democracia possa voltar a ocupar o seu lugar histórico ao lado dos mais desfavorecidos. Os novos líderes do partido, Norbert Walter-Borjans e Saskia Esken declaram: “Somos simplesmente de opinião que nos últimos 20 anos a política do SPD seguiu fortemente o espírito neoliberal”.  Ora nem mais.

A ver veremos se não acordaram tarde demais.

As Quatro Estações

Quatro Estações, Vivaldi (RV 297) – Inverno – Cynthia Freivogel, Voices of Music 

Cada um dos doze andamentos de As Quatro Estações foi enquadrado por Vivaldi com um soneto, o qual ilustra o quadro musical desta obra de música descritiva. Com alguma imaginação, consegue-se ouvir o canto das aves na Primavera ou as tenebrosas tempestades de Verão. Supõem-se que estes sonetos terão sido escritos pelo próprio Vivaldi. Uma tradução pode ser encontrada em A Matéria do Tempo, da qual se deixa aqui uma parte.

A Primavera – 1º andamento: Allegro

Giunt’ è la Primavera e festosetti
La Salutan gl’ Augei con lieto canto,
E i fonti allo Spirar de’ Zeffiretti
Con dolce mormorio Scorrono intanto:

  

Chegada é a Primavera e festejando
A saúdam as aves com alegre canto,
E as fontes ao expirar do Zeferino
Correm com doce murmúrio.

Vengon’ coprendo l’ aer di nero amanto
E Lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti
Indi tacendo questi, gl’ Augelletti;
Tornan’ di nuovo al lor canoro incanto:

Uma tempestade cobre o ar com negro manto
Relâmpagos e trovões são eleitos a anunciá-la;
Logo que ela se cala, as avezinhas
Tornam de novo ao canoro encanto.

Nota: Os quatro concertos estão disponíveis na Wikipedia para ouvir e para transferir.

Finalmente, Daphne Caruana Calizia

Primeiro-ministro de Malta cede à pressão e vai demitir-se

Desigualdades, salários e globalização

 

João Vasco Gama

Um recente artigo de opinião da autoria de Paul Krugman, laureado com o prémio Nobel de Economia em 2008, explica porque é que no passado os possíveis impactos perversos da globalização sobre os salários tinham sido subestimados pelos economistas.

No dito artigo, Krugman admite que foi um erro minimizar estes impactos perversos, hoje reconhecidos, sobre o emprego, a distribuição do rendimento e os salários.

Krugman lembra que já desde 1941 se conheciam os mecanismos através dos quais o comércio internacional poderia, em princípio, conduzir a reduções salariais nos países com melhores condições laborais. No entanto, a importância real destes mecanismos deveria ser testada empiricamente, antes de ser dada como certa. [Read more…]

Livro de Reclamações Electrónico – questões de privacidade

Não havendo bela senão, a implementação do Livro de Reclamações Electrónico, anteriormente aqui abordada, faz uso de uma funcionalmente que conduz à recolha de dados em confronto com o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) – apesar de se afirmar a conformidade com ele. Tal acontece devido ao uso da tecnologia reCAPTCHA da Google, a qual permite minimizar o uso do serviço por spammers, mas à custa de envio de um vasto conjunto de dados à Google (por exemplo, IP, cookies, serviço a ser acedido, data e hora do acesso, tipo de equipamento usado, padrões de navegação, etc.).

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A seção, o fato e o contato

Now let K be a homologically trivial transverse knot in a contact 3–manifold (M, ξ), with M oriented such that ξ is a positive contact structure. Let Σ be a Seifert surface for K. As in the definition of the rotation number, we make use of the fact that the plane field ξ|Σ is trivial. Choose a non-vanishing section X of ξ|Σ and push K in the direction of X to obtain a parallel copy K’ of K.

Hansjörg Geiges  (2008)

It is important to look at the results of this meta-analysis with a critical eye in light of two facts: the average training took place over the course of 20 days, and the L2 setting encouraged larger gains than the FL environment. […] [E]very attempt was made to contact the author(s) and retrieve necessary data. […] (The topic of generalization is discussed in more detail in the Discussion section of this article.)

— Sakai & Moorman (2018)

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Efectivamente, a seção, o fato e o contato. Quando? Hoje. Onde?

No sítio do costume.

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O recibo de vencimento dos liberais

Alguns “liberais” ainda não perceberam que o que permite a uma empresa pagar salário a um homem é esse homem ter abdicado, em nome da sua segurança e da civilização, do direito natural a tomar posse da empresa e do que ela afirma, com base em convenções jurídicas artificiais, ser sua propriedade.

Livro de Reclamações Electrónico

O Livro de Reclamações pode ser usado em linha no endereço www.livroreclamacoes.pt (caso a entidades em causa tenha aderido ao respectivo serviço).

Precisa de deixar a sua reclamação ou elogio, mas não o consegue fazer no momento? O seu comboio foi suprimido e quer deixar registado que isso aconteceu? O atendimento num serviço foi exemplar e gostaria de deixar um reforço positivo? Agora não precisa de ponderar sobre a importância do acto vs. o incómodo adicional de usar o Livro de Reclamações em papel.

Parabéns à DGC e à INCM pela iniciativa, especialmente quando algumas entidades usam o baixo número de reclamações para afirmarem que nada se passa com os seus serviços.

Fatiotas

Der hof Heinrichs IV. ahmte Spanisches wesen auf sklavische weise nach und sprach mit Vorliebe Spanisch.

— Trautmann (1880), apud Runge (1973)

Norris: Are you attempting to tell me my duties, sir?

Philip Marlowe: No, just having fun trying to guess what they are.

— The Big Sleep (1946)

In further reference to [ʀ], he [Vischer] calls it adulterated, contemptible, perverted, and even describes it as a “castration” of tongue-trilled [r], since he considers the latter to be the “most masculine” of all sounds.

— Runge (1973)

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Segundo o Diário da República de hoje, a verificação de fatos que exijam tomada de posição urgente pode conduzir à realização de reuniões de emergência. É verdade que o assunto em apreço diz apenas respeito à Comissão de Trabalhadores do Instituto Politécnico de Bragança. Todavia, os actuais responsáveis por esta situação

deveriam seguir o exemplo aqui exposto e convocar uma reunião de emergência para este assunto (fatos) ser discutido. É verdade que essa reunião teria feito mais sentido e tido mais impacto há uns anos, quando os culpados foram alertados para a situação (pdf). Recordo que a culpa não é minha. Nunca promovi a adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, não encolhi os ombros, não assobiei nem para o ar nem para o lado, não tapei o sol com a peneira, não fiz de conta que não estava a chover, logo, não sou responsável pela concomitante proliferação de fatos, contatos e seções no Diário da República e alhures. Convém que os culpados se mexam. Não vos escondais. Mexei-vos.

Efectivamente, enquanto o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 for adoptado, é escusado utilizarem o Dia Mundial da Língua Portuguesa para nos atirarem arena para os óculos (aparentemente, uma alternativa ao clássicoatirar areia para os olhos“).

Continuação de uma óptima semana.

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Tiago Braga

Tiago Braga, presidente da Metro do Porto

 

Acabo de sair do Debate Instrutório do Processo Judicial que Tiago Braga, presidente da Metro do Porto, me moveu, a propósito de um artigo que escrevi sobre o vergonhoso processo disciplinar que me foi instaurado no PS Porto (permaneço militante de pleno direito, com quotas pagas até 2022). A instrução foi pedida por Tiago Braga, depois de o Ministério Público ter decidido pelo arquivamento.

O corajoso Tiago Braga não apareceu.

Nos vários processos judiciais que me foram movidos por Eduardo Vítor Rodrigues (presidente da Câmara de Gaia), Albino Almeida (presidente da Assembleia Municipal de Gaia), João Paulo Correia (ex-futebolista, presidente de Junta e Deputado) e Tiago Braga (ex-chefe de gabinete de Vítor Rodrigues e presidente da Metro do Porto), os acusadores são todos representados, com a excepção de JPC, pela mesma sociedade de advogados e pelo mesmo advogado – Carlos Dias.

Carlos Dias, Advogado. Sócio da CCSM (Caldeira, Cernadas, Sousa Magalhães e Associados)

Até há pouco tempo, o Curriculum Vitae público de Carlos Dias continha a informação de que o causídico pertencia à “Ordem dos Templários”.

Essa informação já não consta do referido Curriculum público.

Desde que Eduardo Vítor Rodrigues foi eleito presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a sociedade de advogados a que pertence o Dr. Carlos Dias já facturou cerca de 500.000,00 euros, em ajustes directos, só com o município gaiense. Sendo o Dr. Carlos Dias advogado e, portanto, conhecedor da Lei, presume-se, evidentemente, que todos estes ajustes directos sejam legais.

Ajustes Directos no valor de cerca de 500.000,00€

Rui Pinto e o escritório PLMJ

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O texto que se segue é da autoria do Pedro Bragança. O meu muito obrigado pela coragem invulgar, neste país rendido e submisso.

Diz a imprensa de hoje que António Costa “abriu Segredo de Estado” no processo EDP/Mexia/Pinho/etc. Documentos confidenciais ficam agora ao dispor da investigação, que tentará apurar a existência de corrupção. Para quem não sabe, este é o verdadeiro caso de Rui Pinto. Recuemos.

22/12/2018 – A PLMJ, uma das mais influentes sociedades de advogados em Portugal, envolvida em muitos dos grandes negócios do Estado Português e encarregue da defesa de Mexia, chairman da EDP, neste processo em concreto, via correspondência sua tornada pública num blog.

Nesse primeiro leak, mensagens trocadas entre os três advogados encarregues da defesa do SLB no E-toupeira revelavam a preparação de testemunhas. Parecia irrelevante, mas viria a saber-se mais tarde que essa era apenas a ínfima ponta de um enorme iceberg.

23/12/2018 – Peritos contratados pela PLMJ confirmaram o acesso a pelo menos 150 computadores do escritório, numa ação continuada desde outubro de 2018. Iniciava-se neste momento uma perseguição ao autor do blog e, no mesmo dia, a sociedade conseguiu o seu encerramento coercivo.

31/12/2018 – O blog reabre numa nova plataforma, agora sediado no Irão, e responde com a divulgação de 29 mil e-mails (doze anos) de João Medeiros, sócio da PLMJ, advogado de Mexia e em muitos outros grandes casos judiciais nos últimos anos. Uma mina de informação.

(Muitos dos documentos que António Costa agora abriu ~generosamente~ à investigação criminal tinham já sido revelados há mais de 10 meses. E foi com base nessas revelações que jornalistas do Expresso iniciaram, na altura, um trabalho de investigação e contextualização.)

8/1/2019 – Uma semana depois, Expresso publica primeira notícia na edição online: advogados de Mexia e Pinho concertaram estratégia no processo EDP e, mais importante, reconheceram a implicação do ex-ministro no patrocínio da eléctrica à U. Columbia, a contrapartida da corrupção.

No momento do contraditório, João Medeiros (PLMJ) preferiu não falar ao Expresso e avançou com um processo judicial contra o jornal. Imediatamente a seguir, uma providência cautelar aceite pelo tribunal proibia novas publicações sobre qualquer assunto vindo de mails da PLMJ.

Na edição em papel, a 12/1/2019 (que, por mera coincidência, contava com a opinião de José Miguel Júdice, sócio fundador da PLMJ), nem uma linha sobre o assunto. Não só a investigação era congelada, como eram omissas as razões para a sua interrupção abrupta.

Apesar de não existir nenhuma evidência disso, havia a forte convicção de que o autor dos leaks da PLMJ era Rui Pinto, cidadão português a residir na Hungria e promotor do Football Leaks. A única forma de tentar saber? Prendê-lo.

Apenas 4 dias depois da última notícia na edição online do Expresso, um mandado de detenção europeu, elaborado à pressa e com erros formais, era executado. Rui Pinto fora detido na Hungria, na presença de autoridades locais e portuguesas.

O motivo formal não era, obviamente, o caso PLMJ, sobre o qual, diga-se, ainda hoje não há ligação evidente a Rui Pinto, como denota a acusação. Um caso congelado com mais de 3 anos (Doyen/Football Leaks), que nunca suscitou qualquer demarche, serviu de pretexto para a detenção.

Às 20h de 16/1, em prime time, numa conferência de imprensa à americana, absolutamente incomum, PJ dava a notícia: Ladies and gentlemen, we got him. Caçámos Rui Pinto. Mas… tudo isto por causa de um conflito privado entre um fundo cazaque-maltês e um emigrante? Estranho, não?

Parece evidente que com a notícia da detenção de Rui Pinto as autoridades portuguesas quiseram mostrar serviço e, sinceramente, isso é o mais alarmante. Mostrar serviço a quem? Porquê?

Desde o final de 2018, 8 sócios abandonaram a PLMJ, entre os quais alguns dos mais reputados, como João Medeiros.

As revelações de informações da PLMJ pararam desde a detenção de Rui Pinto. No entanto, a encriptação dos discos apreendidos tem impedido o acesso à informação. Ninguém sabe o que Rui Pinto sabe e isso tornou-se aterrorizador para muita gente.

Rui Pinto continua preso. Esteve 6 meses em isolamento, sem contacto com outros presos, e proibido de conceder entrevistas a jornalistas.

Cheira a tapetes sacudidos

A memória é fraca. Ouvimos falar do terror que foi a ditadura, alguns de nós até o viveu, como se fosse um passado distante, bem enterrado nas profundidades do irrepetível. Nestes tempos gráficos, não será por falta de imagens que se não visualiza o que foram décadas de perseguições, assassínios, guerra e fome. Porém, as pessoas estão a aceitar a ultrapassagem de certos limites que, nos anos negros, antecederam a barbárie.

Talvez seja a ausência de medo a razão para que se permita uma nova eclosão do ovo da serpente. E só sente o medo quem vislumbra o perigo, o que acontece menos quando a memória se esbate. Por isso, sente-se no ar um certo cheiro a mofo, daqueles que resulta de se sacudirem os tapetes velhos ou de, desculpem o pleonasmo, limar velhos populismos para que aparentarem novidade. Por ora brilham, como ferro onde se passou lixa, mas acabarão ferrugentos, como ferrugentos acabaram os sonhos dos que nasceram nas décadas das ditaduras.

Os fatos unidos jamais serão vencidos

Driver: Where to, sir? Où désirez-vous aller?
Prisoner: Take me to the nearest town.
Driver: Oh, we’re only the local service.
Prisoner: Take me as far as you can. Why did you speak to me in French?
Driver: French is international.

The Prisoner (1)

And you can find that. And you’ll know it. You’ll just know. Dah dah dah. If you’re connected with your inner ear. Otherwise you’re meandering nowhere.

Steve Vai

***

Efectivamente, em vez de tergiversarmos, convém centrarmo-nos naquilo que é importante.

Apresentado o exemplo, resta-nos esperar que os proponentes resolvam rapidamente esta confusão.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Nótula: Agradeço o titulo ao leitor POIS!.

***