Uma paz impossível

Nos últimos dias, as posições extremaram-se, de novo, entre os pró-Israel e os pró-Palestina. Cada uma das partes utilizou os seus argumentos, quase todos retirados de uma cábula quase podre de velha, sem procurar, como sempre acontece, entender as causas dos outros.
Este é um daqueles conflitos em que ninguém tem toda a razão. Está partida em bocadinhos graças às pedras da intifada ou aos mísseis estratégicos que destroem comunidades inteiras em busca de um terrorista.

Do ponto de vista histórico, religioso, social, político e económico ambas as partes têm a sua razão. Mas cada uma delas está pouco interessado nos interesses dos outros. Cada uma dedica-se, da melhor forma que sabe, a gritar a sua defesa e a ameaçar a outra parte. Assim acontece com uma parte significativa daqueles que suportam os argumentos do lado que apoiam. É um permanente ‘ou nós ou eles’.

Logo, está instalado um permanente diálogo de surdos, apenas atenuados por escassos gestos apaziguadores de alguns líderes. Mas que não passam de tentativas pontuais e sempre vãs.
Por isso a paz não é possível no Médio Oriente. Nunca foi, desde há mais de dois mil anos, não é hoje e não será nunca num futuro decente.

SCUTs: entre o ‘não tens cão, caça com gato’ e o ‘com papas e bolos se enganam os tolos’

Os elementos do PS na Câmara do Porto tiveram uma ideia genial. Como não estão em posição confortável para contrariar o governo PS na questão da cobrança de portagens nas SCUT, os vereadores do PS sacaram um trunfo da manga: que a empresa responsável pelo Sistema de Identificação Electrónica de Veículos (SIEV) tenha sede no Porto e não em Lisboa como previsto na sua constituição.

É uma espécie de “se não tens cão, caça com gato”. Talvez uma compensação. A malta rica do Porto e do Norte tem de pagar portagens que os pobres de outras regiões, como o Algarve, não têm, por isso ficamos menos incomodados se a sede da empresa ficar na Invicta.

Na realidade, em vez da metáfora do gato e do cão, que serve de justificação política, talvez seja melhor lembrar aquela de “com papas e bolos se enganam os tolos”. Pagamos, mas sempre temos a sede da empresa no Porto. Se assim for, seremos todos mais felizes.

Adeus Dennis Hopper

A primeira vez que o vi foi em Blue Velvet. Foi também ai que descobri David Lynch, mas isso é conversa para outro dia. Hoje, o que me interessa é Dennis Hopper. Melhor, o olhar de Dennis Hopper. O seu Frank Booth assustava. Não pelo que fazia, sobretudo pelo que insinuava. O olhar dizia tudo. Só um grande actor consegue falar através do olhar.

Talvez fosse por isso que uma parte significativa da sua carreira tenha sido investida a fazer de vilão. E bem.

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O mundo do cinema fica a dever-lhe o clássico “Easy Rider” (1969). Foi actor e realizador. Com Peter Fonda deixou um filme e um manifesto em defesa de um estilo de vida de uma década que ajudou a mudar o mundo. Só por isso merece o reconhecimento de uma estrela no Passeio da Fama, que colocou há muito pouco tempo, já doente e a não conseguir combater o cancro na próstata que o matou hoje, aos 74 anos.

A BP, o petróleo e a nossa vergonha

O desastre na plataforma petrolífera da BP, ao largo dos EUA, de nome Deepwater Horizon, foi mais uma excelente colaboração no propósito da humanidade dar cabo da sua própria casa, o planeta.

Chegue a casa num belo dia, execute a sua rotina diária e, quando estiver para cozinhar, ignore os avisos que o fogão lhe está a transmitir. Insista e aguarde. Depois veja a linda merda que acabou de fazer. Provavelmente deu cabo da casa, ou parte dela. Só muito no futuro, ou nunca, a poderá voltar a utilizar da forma como o fazia.

É assim que tratamos o planeta. Foi o que aconteceu na plataforma da BP. Os funcionários ignoraram os avisos e as consequências estão à vista.

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As estimativas apontam para a fuga de dois a três milhões de litros de petróleo por dia. Ou seja, quatro vezes mais do que o inicialmente estimado. O equivalente a 12 mil barris por dia (dois milhões de litros).

O petróleo é fundamental para muito do que fazemos, mas não é necessário para ter vergonha na cara.

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Carlos Queiroz ao retardador

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Não sou daqueles que está sempre à espreita de uma oportunidade para zurzir Carlos Queiroz. Até simpatizo com o professor, embora preferisse outro para a função. O que não percebo é que, depois de vários dias de treinos e um jogo de preparação, o seleccionador entenda que “só agora” é que o estágio vai começar.

Percebo o que pretende dizer. Agora tem todos os jogadores às suas ordens, não há mais chegadas às pinguinhas e este é o tempo de afinar técnicas e tácticas. E ainda faltam 20 dias para o primeiro embate.

A questão que estas declarações de Queiroz me deixam é apenas uma: se é assim, que raio andaram os rapazes a fazer na Covilhã nos últimos dias?

A expectativa nacional em redor da selecção não é, vá lá, muito positiva. Quando muito espera-se que passe a primeira fase. Os problemas com os adeptos no estágio serrano, a quase inacreditável má imprensa que Queiroz vai tendo, ao contrário do devoto de Nossa Senhora do Caravaggio, tudo isso contribui para a descida da temperatura.

Com a inabilidade destas declarações, Queiroz só ajuda os detractores e retira ganas aos verdadeiros adeptos da selecção.

Na realidade, Lost (Perdidos) não chegou ao fim

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Pronto, acabou. Lost (Perdidos) chegou ao fim. Ponto final numa das mais relevantes séries televisivas das últimas duas décadas. Foram mais de 100 episódios, distribuídos por seis temporadas, que entusiasmaram e decepcionaram, que agradaram e irritaram. Lost deu-nos tudo isso. Foi brilhante, como em toda a primeira temporada, foi banal, como nalguns episódios da terceira época. Mas sempre provocadora. Além de misteriosa. E intrigante.

Que não haja dúvidas. Lost não é ‘só’ uma série televisiva. É algo mais. Desde o dia em que o voo Oceanic 815, que ligava Sydney a Los Angeles, caiu numa misteriosa ilha do Pacífico, até ao último segundo, acompanhamos a vida de um grupo de sobreviventes, conhecemos os respectivos passados, uma existência atribulada naquele organismo vivo onde habitavam e uma potencial realidade alternativa, que até poderia ser a real, sendo que a ilha seria uma espécie de sonho estranho onde tinham ocorrido experiências esquisitas, onde era possível viajar no tempo, deslocar a própria ilha no espaço… E muito mais. Não viu a série e está confuso? Não é de espantar. Quem a viu esteve num estado de permanente confusão ao longo de anos. Especulou-se sobre tudo. Quem era Jacob? E o irmão? O que é a coluna de fumo? Quem são ‘os outros’? E a Dharma Iniciative? O que significaram os números com que Hurley ganhou o loto?

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Vuvuzela, vai chatear outro, pa!

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Peço desculpa pela interrupção. Apetece-me dizer que ainda o Mundial não chegou ao adro e já estou com a merda da Vuvuzela pelos cabelos! Sou um tinhoso, eu sei, mas aquela coisa dá-me cabo dos nervos. E dos ouvidos. E não se pode extremina-la?

Meter rolhas é mesmo com Portugal

Afinal nós somos bons é na cortiça…

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André Villas Boas no FC Porto?

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Pelos vistos, dizem alguns órgãos de comunicação social, André Villas Boas é o novo treinador do FC Porto. Não espanta. Apesar de muitos nomes falados nas últimas semanas, incluindo o de Paulo Bento, deve acabar por ser o técnico que esteve, por duas vezes, com um pé em Alvalade, a assentar os dois no Dragão.

À Lusa, o técnico já disse que está a ser alvo de especulação. Do FC Porto dizem que Jesualdo é o treinador, até ao próximo domingo, quando estará no encontro de Treinadores de Elite da UEFA.

Mas já sabem aquela de que no futebol o que hoje é verdade, amanhã é mentira. O mundo do futebol gira a uma velocidade impressionante. E até têm razão, pois se não há contrato assinado… É porque não é.

Com Mourinho partilhou algum tempo no FC Porto, no Chelsea e no Inter, até decidir avançar com uma carreira a solo. Partilha ainda uma enorme ambição. Não sei o que verdadeiramente vale como treinador. O período em que treinou a Académica não deu ainda para ver o que vale nos treinos e no banco.

Mas já deu para perceber que, nas declarações, tem algo do mestre Mourinho. Faltam os títulos.

Polícia Municipal da Trofa e as multas, ou um caso de faz como digo e não como faço

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A incoerência é uma coisa feia. Tal como escarrar no chão, por exemplo. Ninguém gosta de ver aquela nojice, olhamos de esguelha a reprovar em pensamento o badalhoco do fulano que o fez mas, às vezes, quase sem piscar os olhos lá o fazemos. Afinal, o raio da ‘lula’ está mesmo a incomodar e aí vai disto. Nem reparamos no indivíduo que nos olha de esguelha.

Por isso, sendo feia mas não arrogante, a incoerência acaba por ter atenuantes. Assim como um dia de festa em que nos prestamos a uns excessos. ‘É só hoje, juro’.

É feio termos um médico que nos diz que tempos de deixar de fumar, pela nossa saudinha, e minutos depois refugia-se num canto a chupar o cigarrito. É mais do que feio ter um primeiro-ministro que nos promete que os impostos não vão aumentar e depois… pumba, chumbo em cima do IVA, IRS e até da Coca-Cola, santíssimo… É muito mais do que feio ter padres que advogam a castidade e defendem a pés juntos o celibato e depois violam crianças.

Tal como o inferno está cheio de promessas, a terra está fartinha de incoerentes. Por isso, nem será de admirar a forma prazenteira e banal como um elemento da Polícia Municipal da Trofa, na noite de sexta-feira, se dedicou, no cumprimento do seu dever, a espalhar multas de estacionamento indevido. Consta que estava mortinho por se auto-contemplar.

Declaração de interesses: Não fui multado, nem sequer estava lá. E para não ser incoerente nunca estaciono em lugares onde é proibido.

Em Mirandela ninguém se despe

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É jovem, bonita, elegante, bem-feita. É professora de música contratada para leccionar nas actividades extra-curriculares. Ah, e despiu-se para uma sessão fotográfica da Playboy. Acabou afastada do contacto com alunos e já sabe que o contrato não lhe será renovado para o próximo ano lectivo. A Câmara de Mirandela já confirmou, apesar de se ter esquecido de informar a jovem de que nunca, jamais, poderia tirar retratos do jeito que veio ao mundo.

Pelos vistos, os pais dos alunos da professora Bruna Real ficaram preocupados pelo facto dos rebentos terem feito fotografias com os telemóveis das páginas da revista e andarem a trocar mensagens.

Um tio de um primo de um amigo de um senhor que vai duas vezes por ano a Mirandela até já me disse que se percebe porque na terra ninguém se despe, nem para tomar banho ou fazer necessidade. Que há uns lençóis com uns buracos para esse efeito.

Não acreditei. Então na terra das alheiras, iam lá ter uns lençóis esburacados para essas coisas? Não pode ser. Li no JN e noutros órgãos de informação que a jovem “gosta de dar nas vistas”. Deve ser vingança, então. A rapariga é jeitosa e os invejosos e invejosas têm é rancor do corpo que Bruna deu ao manifesto fotográfico. Só pode.

É, então, professora do ensino básico? Já imagino os miúdos a adorarem a sêtora. Logo, há inveja. Estão os pais a dizer aos filhos que vão faltar às aulas para ir ver o Papa e os petizes recusam porque não querem faltar à lição de flauta. Está visto.

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Dia da Libertação dos Impostos já não é hoje


No futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira. A afirmação, populariza por Pimenta Machado, ex-presidente do Vitória de Guimarães, há muito deixou de ser território exclusivo do desporto-rei. Está espalhada por todo o lado. Na política portuguesa é tão evidente como o Natal cair todos os anos a 25 de Dezembro. E não é de hoje.

Daí que José Sócrates nem se pode orgulhar de ter inaugurado uma nova fase da política e governação caseiras. É apenas um digno sucessor de outros aldrabões. Nada disto tem a ver com o caso TVI / PT ou da ética política. Isso são ‘peanuts’, como dizem os estado-unidenses.

Há cerca de duas semanas, o chefe do Governo garantiu que não iria mexer nos impostos, em concreto no IVA. Mesmo depois de todos os especialistas dizerem que era inevitável para cumprir as metas do défice. Hoje, o Governo vai aprovar o aumento do IVA e do IRS sobre vencimentos. Logo, o que na semana passada era verdade, amanhã é mentira. E o Dia da Libertação dos Impostos já não é hoje.

Ainda bem que o Governo governa a uma só voz

Que não. Sócrates garantiu que não tem intenções de parar as principais obras públicas que o Governo tinha estabelecido como prioritárias. Talvez, se tiver de ser, respondeu o ministro das Finanças à mesma questão.

Que não. Sócrates garante que não tem pretende aumentar impostos, nem o IVA. Talvez, se tiver de ser, respondeu o ministro das Finanças à mesma questão.

Fora os detalhes de semântica e as particularidades do português dos “sound bytes”, é assim que o português médio, alheado das tricas políticas e preocupado com a carteira, entende aquilo que o primeiro-ministro e o seu ministro das Finanças vão dizendo. E o que vão dizendo é que parecem não se entender.

Depende da prioridade…

Segundo um estudo publicado pelo site Retrevo, 10% dos jovens com menos de 25 anos acha normal escrever mensagens enquanto tem relações sexuais.

Até já imagino uma parte do texto: Tou dar 1 queca!

E a cor das ceroulas?

Sou todo a favor da transparência fiscal. Juro! Até porque como trabalhador por conta de outrem não tenho possibilidades de fugir ao fisco, nem que quisesse.

Também defendo uma fiscalização efectiva de quem usufruiu de subsídios e apoios do Estado. Mas, como em tudo, o que é demais, é moléstia.

Hoje, o Jornal de Negócios diz-me que os reformados que recebem pensões sociais ou pensões mínimas (cerca de um milhão de pessoas) “vão ser obrigados a provar que não têm outras fontes de rendimento para continuarem a ter direito ao apoio do Estado”.

De que forma? Serão obrigados a “mostrar documentos comprovativos dos seus rendimentos, como é o caso de extractos das contras bancárias, cadernetas prediais, declarações de IRS, contratos de compra e venda de património, entre outros”.

Logo, mais uma vez, a obrigação de provar que não recebe outros rendimentos que a miserável reforma cai sobre o pensionista. Não tarda nada, os reformados serão obrigados a provar que não têm malas Gucci no armário, que não andam com Rolex no pulso ou até mesmo a cor das ceroulas.

Ricardo Rodrigues, o deputado irreflectido

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“Quando um estúpido faz algo de que se envergonha, diz sempre que esse é o seu dever”

Bernard Shaw, em “César e Cleopátra”

Alguma coisa está mal quando um deputado, seja ele qual for, por não gostar das perguntas de um jornalista, “exerce a acção directa e irreflectidamente retira” os gravadores de jornalistas. Neste caso da revista Sábado. O deputado Ricardo Rodrigues explicou assim, com a citação indicada, o seu gesto de retirar da mesa os aparelhos de gravação que estavam a ser utilizados na entrevista que concedia à revista.

O caso aconteceu há dias. A Sábado divulgou-o hoje. Ricardo Rodrigues já comentou. Disse que se sentiu violentado pelas perguntas. Podia permanecer calado. Podia ter virado costas. Podia ter simplesmente abandonado a entrevista. Sentindo-se “violentado”, como referiu, só teria de sair da sala. Mas não. Resolveu de forma “irreflectida” retirar os gravadores, disse. Ora, como foi sem autorização, acaba por ser um furto ou uma apropriação ilícita, não?

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Ainda vou penhorar o Partenon

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Não há como uns dias fora do país para, no regresso, me sentir privilegiado por viver num país rico. Não que tenha ido à Somália ou Etiópia, apenas porque no regresso descobri que Portugal é o 19º melhor país para se ser mãe. E descobri que, sem que alguém me perguntasse algo, vou emprestar 200 euros à Grécia.

Melhor, descobri que todos os portugueses, desde o António Mexia até ao mais simples receptor do rendimento de inserção, vão emprestar dinheiro, também 200 euros, à Grécia.

Dizem-me que, dentro de três anos, se correr bem, posso receber o dinheiro de volta e com juros. Aviso, pois, que quero mesmo receber esse rendimento do empréstimo. E aí da Grécia que não devolva a massa. Vou lá e penhoro o Partenon.

Onde Manuel José de Jesus é mais famoso que José Mourinho


“De onde és?”. A pergunta, em inglês ou num surpreendente espanhol, era normal. É daquelas interrogações que qualquer turista, visitante ou viajante é contemplado pelos anfitriões no momento do primeiro contacto. “De Portugal.”, respondia. “Portugal…?, Manuel Joséeee”. A reacção era imediata e quase sempre a mesma. Por vezes com algumas variantes, quase tanto como a qualidade do inglês de cada interlocutor, como “Ah, conheces Manuel José. Muito bom treinador”.

De vez em quando, um ou outro avançava com o nome de José Mourinho, o segundo mais citado, Cristiano Ronaldo, o terceiro, e Figo, para os de memória mais longa. Mas Manuel José é que era.

O homem deixou marcas no Al Ahly, clube no qual ganhou três campeonatos do Egipto, quatro Ligas dos Campeões Africanos, duas Supertaças de África e duas Supertaças do Egipto. Também deixou saudades. Os adeptos do mais popular clube do país, cujo nome significa O Nacional, gostavam que voltasse. É certo que o clube continua a dominar no país e voltará a ser campeão este ano, mas os adeptos sentem saudades do bom futebol que a equipa jogava e sobretudo querem regressar aos tempos das quatro finais africanas dos campeões, com três triunfos.
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Desdramatizar o bullying

Vamos lá ver uma coisa: o ‘bullying’ existe desde há muito. Se calhar, desde sempre. Basta haver criança e jovens, que, como se sabe, podem atingir interessantes níveis de crueldade entre eles.

Agora chama-se ‘bullying’, dantes chamava-se ‘pegar com…’ ou, nos casos mais radicais, ‘chatear os cornos a…’.

É chato, é tramado, ninguém gosta de ser alvo do dito cujo mas é uma realidade da qual será difícil fugir, a não ser isolar as crianças e jovens em redomas.

Os miúdos de antigamente enfrentaram a coisa e ultrapassaram o drama. Uns melhor, outros pior. Os de hoje só têm de fazer o mesmo. O problema é que a maior parte dos miúdos de hoje, graças à sociedade em que vivemos, não tem arcaboiço para isso. Esta é que é a realidade.

Ainda dizem que a Igreja não está a mudar…

E sem acordo ortográfico!

A avestruz

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A Igreja Católica, quer se queira ou não, está numa crise profunda por causa das confirmações nuns casos, suspeitas noutros, de casos de pedofilia em diversos países do mundo. Portugal incluído.

Salvo uma declaração a contragosto do cardeal patriarca de Lisboa, numa homilia da Páscoa, e uma ou outra voz de clérigos a demonstrarem desconforto, a Igreja Católica Portuguesa parece pouco interessada em abordar o tema.

É compreensível o desconforto. É desagradável que alguns pastores de almas mais não tenham feito que as alienar. É garantido que este segredo público era uma certeza em privado. Há muito os altos quadros desse Estado chamado Vaticano sabiam dos pecados internos. Talvez não de todos mas seguramente de muitos. E pouco ou nada terá feito para os erradicar.

Soam a oco os argumentos de que o actual Papa, nestas ou nas funções passadas, não conhecia ou não tinha certezas. Se havia suspeitas, denúncias, mais não teria a fazer que as mandar investigar. Se soube e não agiu foi conivente, cúmplice.

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Rangel e Pais do Amaral ajudaram a perceber melhor o actual Portugal

Emídio Rangel disse aquilo que muitos pensam: as fugas ao segredo de justiça nascem dentro do sector da justiça. A Associação Sindical dos Juízes Portugueses não tardou a acusar o toque na ferida e vai processar Rangel.

Rangel disse mais: que há jornalistas que se deixam comprar por agências de comunicação ao serviço de partidos. Deve saber do que fala. Num registo de buldozer, atirou a todos: ao ‘Sol’, ao falecido ‘Independente’, de Paulo Portas, a José Manuel Fernandes, ex-director do ‘Público’, ao ex-presidente da RTP, Almerindo Marques, a quem acusou de o sanear politicamente. Almerindo, claro, terá outras explicações para a saída de Rangel.

Pais do Amaral, num estilo bem mais tranquilo, o seu estilo, não deixou de marcar posição. Acusou José Eduardo Moniz de ser desleal e, concretizando, acabou por dizer que o ex-director-geral do canal utilizou a TVI para derrubar o Governo de Santana Lopes.

Sejamos honestos. Não houve real novidade nas deposições mas eis que, quando menos se esperava, as presenças de Emídio Rangel e Pais do Amaral na comissão de inquérito ao caso TVI acabaram por ser mais relevantes que o previsto. Em abono da verdade, podem não ter servido de muito para o caso em apreço mas, com toda a certeza, foram úteis para ajudar a perceber um pouco melhor o Portugal que temos hoje. Um triste e desconsolado país.

Brilhante: Um repórter distraído mas honesto

O protagonista é o ex-jogador Kamara.

A pulseira do sexo serve para quê?

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Desconfio que me transformei naquilo que os brasileiros chama de “careta”. Não é que só hoje descobri uma coisa chamada “pulseira do sexo”? É que a coisa já existe desde há quatro anos – quatro -, e eu nem desconfiava que esta coisa existia.

Mas, como se costuma dizer, mais vale tarde que nunca. Por isso, senhores e senhoras, eis a pulseira do sexo: é uma pulseira, como o nome indica, usadas por quer as quer usar, como um ‘jogo’ em que o dono e portador é castigado caso a rodela rebente. O castigo passa por um simple abraço, um beijo pequeno, um beijo médio, um beijo mais prolongado, outras ternuras equivalentes e… tcharam… sexo.

A rodela colorida passou a ser usada por adolescentes em Inglaterra, em 2006. Enfim, numa daquelas opções de rebeldia típicas dos adolescentes a roçar o imbecil. Agora, no Brasil, a polícia de Manaus, na Amazónia, está a investigar a morte de duas adolescentes e relaciona-as com as ditas pulseiras, que até foram proibidas em alguns estados canarinhos.

Ora, a minha questão, a par do reconhecimento do facto de andar distraído das matérias importantes do impressionante mundo dos adereços, está mesmo em perceber se a actual geral de adolescentes é assim tão depravada.

Mais insolvências e sem surpresa

Uma das coisas mais chatas destes nossos dias é que há cada vez menos surpresas. Por isso, ler que “há mais de mil as insolvências registadas em território nacional até ao final do primeiro trimestre”, não é nada de propriamente excitante.

Antes pelo contrário, é algo que surge como natural. Mas não deveria ser. Encolhemos os ombras e pensamos ‘onde está a novidade?’. A questão é saber se merecemos isto. Se calhar merecemos.

A parvoíce da esperteza saloia e o lixo

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No aproveitar é que está o ganho, reza uma daquelas velhas máximas herdeiras da sabedoria popular. Por este prisma, e porque estamos em Portugal, uma das pátrias do improviso, até nem espanta que uma empresa com licença de gestão ambiental tenha feito uma descarga de 10 toneladas de lixo, mesmo em vésperas da operação "Limpar Portugal".

O Público conta que a descarga de esponja, utilizada na criação de bancos para automóveis, aconteceu nas serras da Freita e de Mansores, no concelho de Arouca. Um crime ambiental, pois, que já levou a duas queixas no Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR.

A presidente da empresa admitiu a descarga das 10 toneladas de resíduos. Não sei se disse mas é claro que foi uma forma de aproveitar a acção "Limpar Portugal" para se desembaraçar de dez toneladas de lixo sem grande esforço. Nós sujamos, os outros parvos que limpem, terá pensado a nobel senhora, do alto da sua grandiosa parvoíce.

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Quando as crianças autistas podem ir tranquilas ao cinema

Para a maior parte das crianças, ir ao cinema é um acto banal. Seja com familiares ou através de iniciativas das escolas, volta e meia sentam-se no escuro e desfrutam de um filme. Este acto social e cultural é difícil ou improvável para uma criança autista. Pelo menos em total tranquilidade.

No dia 10 de Abril, alguns milhares de pequenos portadores desta deficiência vão ao cinema em 47 cidades dos EUA. Vão ver “Como treinares o teu dragão” graças a 93 ecrãs ‘sensoriais’. As luzes não vão apagar-se, apenas reduzido o seu brilho. O som será também mais reduzido que numa sessão normal. Não haverá publicidade nem trailers. Apenas o filme.

É uma iniciativa do “Sensory Friendly Film”, uma iniciativa da AMC Entertainment e da Autism Society. Acontece uma vez por mês, ao sábado de manhã. Em grande parte por causa de Marianne Ross.

Em 2007, Marianne levou a filha, Meaghan, de 7 anos, ao cinema para ver “Hairspray”. Escolheu uma sessão do início da tarde, por norma menos concorrida. Mas Meaghan, ao ver o seu ídolo, Zac Efron, não resistiu. Feliz, saltou da cadeira, dançou, pulou, bateu palmas. Marianne e Meaghan foram convidadas a sair da sala, devido a queixas de outros espectadores.

Frustrada e zangada por ter visto a felicidade da filha interrompida assim, como contou à revista Time, Marianne contactou o representante local da AMC, pedindo uma projecção especial. Dan Harris interessou-se. Conversou com a mãe da criança e sugeriu algumas adaptações para tornar os ecrãs mais amigáveis dos sentidos para crianças autistas.

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O Hommer celebra por mim

Não sou muito dado a sentimentalismos. Raramente verto lágrimas, seja de alegria ou felicidade ou tristeza, não sou grande apreciador de festejar aniversários, muito menos o meu. Enfim, um chato monocórdico, com uma leve tendência para o irónico e uma queda para algum sarcasmo.

Quando o Ricardo enviou o desafio, mais ou menos este: “Vamos lá escrever um post no dia do aniversário a falar do relacionamento de cada um com o Aventar”, não pude deixar de torcer o nariz. Eu? Um indivíduo tão reservado e discreto a falar de relacionamentos? E logo com o Aventar? Nem pensar, o gajo é doido.

Portanto, nada melhor que utilizar um convidado para celebrar o aniversário deste blogue, que já me retirou uma longas horas de merecidíssimo descanso.

Para o ano cá estaremos para soprar a segunda vela.

Pinturas de três dimensões que parecem a duas

Alexa Meade faz pintura. Mas não uma pintura qualquer. Não utiliza telas ou paredes. Pinta em pessoas. Não são tatuagens, são mesmo pinturas. Alexa, de 23 anos, desenvolveu uma técnica que faz áreas de três dimensões parecerem de duas dimensões.

A técnica não é fácil. Nem a apreensão da arte. Há quem estranhe.

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“Shutter Island”: Quando Scorsese brinca com o medo

Shutter Island” não é a primeira visita de Martin Scorsese ao mundo do medo provocado pela loucura. Basta recordar Travis Bickle, personagem de Robert De Niro em Taxi Driver, ou Bill Cutting, interpretado por Daniel Day-Lewis, em Gangs de Nova Iorque. São personagens a roçar a loucura mas dentro de circunstâncias especiais. São loucos, pois, mas com atenuantes.

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“Shutter Island” tem, no entanto, características especiais. A loucura percorre todo o filme. Jogando num ambiente de grande ambiguidade, e utilizando todas as regras do terror psicológico clássico, Scorsese gere com mestria a história que lhe foi proporcionada por Denis Lehane, escritor norte-americano que tem aqui o seu terceiro livro adaptado ao cinema, depois de “Mystic River” e de “Gone, Baby Gone”.

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