O TCE-Rex em Lisboa

Para quem estiver em Lisboa, aqui fica o convite: venham ver o dinossauro gigante que representa o Tratado da Carta da Energia (TCE), à Praça do Comércio, 11h, no dia 24 de Abril.

O TCE-Rex vai fazer uma digressão pela Europa, ao longo dos meses de Abril e Maio, passando pelas principais cidades europeias e alertando que o TCE é uma ameaça para as políticas climáticas da UE e dos Estados-Membros.

O TCE protege os combustíveis fósseis e ataca o bolso dos contribuintes, porque põe os lucros dos investidores estrangeiros acima do direito dos estados a regular, seja pelo clima ou para reduzir o preço da electricidade. É mais do que tempo de os governos da UE se libertarem, nos libertarem, e abandonarem este tratado jurássico.

 

Excerto do mais recente Relatório do IPCC, capítulo 14, p. 81:

“Um grande número de acordos bilaterais e multilaterais, entre os quais o Tratado da Carta da Energia de 1994, inclui disposições para a utilização de um sistema de resolução de litígios entre investidores e Estados (ISDS) concebido para proteger os interesses dos investidores em projectos energéticos das políticas nacionais que poderiam levar a que os seus activos se tornassem obsoletos. Numerosos académicos indicaram que o ISDS pode ser utilizado por empresas de combustíveis fósseis para bloquear a legislação nacional destinada a eliminar gradualmente a utilização dos seus activos (Bos and Gupta, 2019; Tienhaara 2018).”

 

Se aparecer um catalão desmembrado num saco de plástico, já sabem…

Uma investigação do Citizen Lab, da Universidade de Toronto, garante que pelo menos 65 independentistas catalães foram monitorizados pelo spyware Pegasus, um sistema informático israelita usado para espiar “high profile individuals”, que saltou para a ribalta por ter sido usado por Mohammed Bin Salman para vigiar e controlar todos os passos do jornalista Jamal Khashoggi, até ao brutal assassinato ordenado pelo príncipe-carniceiro de Riade, nosso estimado parceiro e destacado fornecedor de petróleo.

O software israelita tem sido um forte aliado de vários autocratas, da Arábia Saudita ao Qatar, passando pelos Emirados Árabes Unidos e Cazaquistão, existindo fortes suspeitas da sua utilização por governos europeus, como o polaco, com o mesmo propósito das monarquias absolutas do Golfo: monitorizar, perseguir e intimidar opositores políticos.

A utilização do Pegasus, contudo, parece não ser um exclusivo de monarcas totalitários e autocratas de extrema-direita. Em Espanha, onde o governo em funções é de esquerda, o software está a ser usado para espiar independentistas catalães. Quando chegamos ao patamar em que uma democracia consolidada recorre a ferramentas de espionagem dignas de um Vladimir Putin – que também o deve estar a usar – percebemos o grau de perigosidade dos tempos que vivemos.

Sobre imbecis indesejáveis

Eu sei que a grande maioria de nós pensa que os que apoiam ou são neutrais em relação a putin ou mesmo aqueles que esboçam a condenação da Rússia e depois não resistem em gritar “mas” são uns imbecis indesejáveis.

Mas não estamos correctos. Imbecis são, indubitavelmente. Aliás enormes imbecis cuja qualificação nasce das motivações que os animam: cobardias quase criminosas, ideologias sem sentido, interesses financeiros ou (a mais imbecil de todas) a histérica necessidade de se afirmarem mais inteligentes que os outros num processo que os aproxima muito mais da idiotice do que da genialidade que à força querem demonstrar.

Mas estamos errados quanto à circunstância de serem indesejáveis. Não são. Ainda bem que existem estes idiotas. Porque e apesar da debilidade da argumentação que apresentam, não deixam de provocar o que nos obriga a diária e sucessivamente termos de examinar e reexaminar o que nos leva a estar do lado certo. Sim porque esse exame recorrente que fazemos só nos ajuda a solidificar a certeza que estamos do lado certo.

Por isso, mas também só por isso, obrigado idiotas. 

Contra o escalar dos conflitos

Primeiro, obviamente não foi um ataque. Foi uma operação informática especial.

Segundo, é preciso compreender o contexto que levou aquela operação especial. É impossível não perceber ali o dedo da NATO, dos EUA, da UE, do grande capital, etc.

Terceiro, em nome da tranquilidade e da paz, pede-se a todos os profissionais informáticos que não contribuam para o PCP poder responder àquela operação especial nem forneçam ferramentas, programas ou aplicações que ajudem o partido a enfrentar os “hackers” para não escalar mais a situação.

Já agora, alguém tem a certeza que não foi o PCP – Partido Comunista Português a sabotar o seu próprio sistema informático?

A culpa é da Guerra

Parece que começou uma Guerra na Europa e, tal como sempre que acontece algo novo, várias hipocrisias foram colocadas a nu. De repente, o Ocidente descobriu que Putin é um autocrata e que quer fazer da Ucrânia seu território. Uma novidade da qual ninguém esperava. Enquanto o Ocidente das elites coloca-se contra a Rússia, esse perigoso país liderado pelo jovem Putin que apareceu há umas semanas, temos uma esquerda, que toldada pelo ódio aos EUA, não consegue condenar a Rússia por esta invasão. E aqui fica mais uma vez provado: a esquerda não é, nem nunca será, empática com pessoas, mas sim com as suas causas. São aqueles que lutam pela emancipação até de um pau de vassoura, mas que decidem quem é bom homossexual ou bom preto. É o mercado dos valores a funcionar. Estes são aqueles que querem a extinção de um partido, mas que protestam contra a extinção de partidos numa Guerra. No entanto, há que admirar a posição do PCP. O PCP foi igual a si mesmo e mantém a sua postura até ao fim. Manteve o seu fanatismo. Trata a Rússia sem liberdade como se um sistema capitalista tivesse. Para o PCP, quem tem mais de 5 euros no bolso já é capitalista.

Lá por esta visão sem ponta de humanismo, não quer dizer que os restantes sejam inocentes. Esta Guerra levou a que a maioria do espaço político não-socialista a usasse, seja com medidas inconsequentes para parecer bem ou em medidas que vão contra o próprio histórico do partido. Os EUA, depois de se espantarem com o facto de Putin ser autocrata, foram negociar com as democracias sólidas e liberais do Irão e da Venezuela. O que deve ter dado dificuldades, porque, no caso da Venezuela, reconheceram um presidente que não é o que se encontra em funções. A FIFA, essa instituição cheia de valores, também fez a sua parte. Expulsou a Rússia de um Mundial que será jogado no Qatar, país que respeita os direitos das minorias e, principalmente, dos trabalhadores. Em princípio, depois do Mundial, também se fará a marcha LGBT, nesse país tão democrático. [Read more…]

13 Anos de Aventar :: 30 Março :: 2009/2022

Aventar: São muitos anos a virar frangos…

O blogue Aventar nasceu a 30 de Março de 2009 em pleno período áureo da blogosfera em Portugal. O Aventar foi sempre, desde a sua origem, um blogue onde coabitam autores de diferentes proveniências ideológicas. Hoje, no nosso 13º aniversário, partilhamos convosco algumas curiosidades do Aventar: 

Desde 2011* que o Aventar já publicou mais de 35 mil artigos de opinião, recebeu mais de 170 mil comentários dos leitores para um total de audiência que ultrapassa os 20 milhões de leitores entre 2011* e 2022. Olhando para as estatísticas dos meses de Março nos últimos 4 anos, estas mostram que o Aventar volta a subir as suas audiências (de pouco mais de 75 mil leitores em 2019 aos quase 100 mil este mês de Março 2022) numa tendência que já se vinha a acentuar desde o início do ano. Aliás, a pandemia veio reforçar as audiências do nosso blogue. Será uma tendência da blogosfera?

São diversificados os seguidores do blogue Aventar. No Twitter são mais de 2300 enquanto que no facebook já se ultrapassaram os 13 mil. Entre os subscritores diários via wordpress e email já temos mais de 1600 leitores que, todos os dias, recebem notificação dos textos publicados. E de onde chegam, maioritariamente os nossos leitores? Do Google e das redes sociais.

E de onde são os nossos leitores? Em primeiro lugar, de Portugal e de forma destacada. Em segundo lugar, do Brasil e em terceiro dos Estados Unidos. Já tivemos leitores de todos os países do Mundo, segundo o WordPress. Contudo, das Ilhas Falkland, das Antilhas Holandesas, de Quiribati e de Monserrate apenas um visitante. Temos que melhorar os nossos conteúdos para crescer nestes territórios 🙂

Eu já por aqui ando desde 2009. Parece que foi ontem. Obrigado José Freitas pelo convite para esta casa. Obrigado Ricardo por a teres criado e me deixares andar por aqui.

 

*todos os dados estatísticos apresentados são posteriores a 2011. Infelizmente, foram perdidos os dados de 2009 e 2010.

A Caminho de 30 de Março – IV

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

A Caminho de 30 de Março – III

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

A cegueira da “esquerda” pelo ódio à NATO

Fonte: epa

Os embaciados óculos ideológicos de certa esquerda de aquém e além mar, para a qual a adoração da imagem inimiga – no caso, a sem dúvida censurável NATO, –  é superior à sua capacidade de empatia, humanismo e respeito pela soberania dos povos, levam, por estes dias, adeptos seus a pronunciarem-se sobre a guerra na Ucrânia com as conhecidas adversativas e propostas de rendição da Ucrânia.

Taras Bilous é um historiador ucraniano, activista do grupo Sozialny Ruch (Movimento Social) da organização do Movimento Social e editor da revista ucraniana de esquerda Commons.

Pouco depois do início da guerra, Taras Bilous escreveu “A letter to the Western Left from Kyiv”, na qual comunica a uma parte da esquerda do Ocidente o que pensa sobre a sua reacção à agressão da Rússia contra a Ucrânia.

Deve ler-se na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos: [Read more…]

A Caminho de 30 de Março – II

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

Gestores, precisam-se. Vergonha, também

No lançamento do jogo com o Boavista, instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre não ter sido – e normalmente não ser – “possível conciliar, na mesma época, uma campanha europeia de relevo e a conquista da Liga”, Sérgio Conceição foi taxativo: falta dinheiro.

Referia-se ao trajecto – penoso – ao longo do fair-play financeiro e aos 514,5 milhões de passivo, aos capitais próprios negativos de 200,198 milhões, consubstanciados nas perdas de 205,185 milhões na gestão dos últimos quatro anos.

Aliás, na impossibilidade de chegar com luz ao fim do túnel, em gestão normal, enquanto não encontra o ansiado parceiro internacional, interessado em investir no capital da SAD (lembre-se que a SAD portista já teve capital espanhol na estrutura accionista), o Departamento Financeiro vai praticando, em tabuleiros menores, empréstimos obrigacionistas que possam empurrar com a barriga para a frente o reembolso do mútuo anterior, seduzindo os investidores com um ganho de 1%, se trocarem obrigações do anterior empréstimo por obrigações do actual. [Read more…]

Podemos ou Vã Glória de Mandar

Podemos no es en estos momentos una organización ni democrática ni mucho menos plurinacional – Meri Pita, deputada eleita pelo Unidas Podemos na hora em que abandonou a militância, El País, 24 de Março

Agora que temos um novo governo em Portugal e que António Costa, um político com MUITA sorte se livrou do seu Podemos (o Bloco), Sánchez começa o seu caminho das pedras que vai levar Espanha, não tarda nada, a eleições antecipadas.

São constantes as quezílias entre ministros(as) do PSOE e do Podemos. Constantes. As duas últimas bastante graves. Uma profunda divisão sobre a invasão da Ucrânia (o Podemos começou por ter uma posição parecida com a do PCP em Portugal e reafirmou a sua oposição à NATO) e agora sobre a questão do Saara Ocidental (neste caso o PSOE esteve mal, muito mal e apanhou tudo e todos de surpresa). Ora, o Podemos não percebeu o que aconteceu ao PCP e ao Bloco em Portugal e está a empurrar Sánchez e o PSOE para uma tomada de posição similar a que Costa e o PS tomaram em Portugal. E umas eleições antecipadas agora apenas servem ao PSOE e ao VoX. Com o PP em processo de renovação e o Podemos desacreditado (e cada vez mais odiado, diga-se) pode o PSOE conseguir um milagre idêntico ao de Costa e o VoX reforçar, ainda mais, a sua posição de terceira força espanhola com possibilidade de até, pasme-se, chegar a segundo partido mais votado. Uma verdadeira tragédia.

 

PSD: o problema do original e da cópia

O PSD, através da JSD, decidiu colocar este outdoor. A cópia ao estilo IL é por demais evidente. Será isso um problema?

Podia até nem ser. Uma boa cópia até pode ser valorizada. Só que a questão é outra: a mensagem é absolutamente de nicho. A esmagadora maioria das pessoas vai olhar para o cartaz sem fazer a mínima ideia do que raio é a “Succession”. E a minha questão é um pouco mais simples: o objectivo do PSD agora é falar para os nichos? Um partido que se quer líder da oposição e o maior partido do centro direita vai dedicar o seu tempo e os seus recursos a falar para a malta do twitter? É esse o caminho? Cheira a despiste…

Portugal sempre vergado ao capital

“Espanha defende que deve haver uma alteração do mecanismo de fixação dos preços, deixando de indexar o preço da electricidade ao preço do gás, enquanto Portugal defende uma liberalização nas taxas do IVA sobre a energia.“

Mais uma vez, a posição de Portugal é contra os portugueses. Como aquela história do corte de subsídios às renováveis: a Espanha, enfrentou, fez às abertas e viu-se a braços com 50 casos de ISDS. Mas, pelo menos, os espanhóis sabem que estão a ser atacados em grande pelo capital estrangeiro. Portugal, fez tudo por baixo da mesa, orgulha-se de nunca ter sido processado pelos amigos investidores que têm a faca e o queijo na mão e andamos a pagar tarifas feed ins e outras que tais há uma data de anos sem sequer sabermos disso, e vamos continuar a pagar.

“Os consumidores estão a pagar esse “desastre criado pelo governo de José Sócrates”, que se traduz em pagar a energia a 290 euros por megawatt/hora até 2028, “quando o preço de mercado anda pelos 40 euros”, tudo devido às garantias dadas aos investidores, as chamadas “feed-in tariff”, uma forma de acelerar o investimento nas energias renováveis dando como contrapartida contratos de longo prazo.”

“A generalidade da opinião publica não se apercebeu disso, mas estamos amarrados a contratos que o Estado fez em nosso nome até 2032. Alem de termos uma dívida tarifária, proveniente desse completo disparate tecnológico a que estamos amarrados”, diz.

Esta avidez dos governantes pelos negócios, à custa dos portugueses e do ambiente, é asquerosa.

O meu Tom Tom, a Direita e as Direitas

O surgimento do Chega envergonha a minha direita. Sempre soubemos que eles “andavam por aí”, nalgumas conversas de café, no átrio de algumas empresas, nos corredores de algumas universidades. Com o Chega perderam a vergonha. Aliás, para ser justo, com as redes sociais perderam a vergonha e com o Ventura fizeram matilha. A minha direita sempre temeu que esta malta saísse da caverna. E porquê? O meu velhinho Tom Tom já vai explicar.

A minha direita, defensora dos três pilares fundamentais da sociedade (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) sabia que, com o surgir do Chega, outras direitas aproveitariam para atiçar a matilha e colocarem os gajos das cavernas a fazer aquilo que eles não queriam fazer/dizer e, com isso, como bem me avisou o meu Tom Tom, servirem de ponto de defesa para uma outra esquerda continuar a ser aquilo que sempre foi. A minha direita não precisa de comparar o Chega com o PCP. A minha direita sabe muito bem o que historicamente as ideias do Chega representam. Tal como sabe muitíssimo bem o que historicamente representa o comunismo internacional em geral e o PCP em particular.

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Colossal lata

@observador.pt

Fiquei chocado com a evidente hipocrisia que a esquerda histericamente demonstrou a propósito do despacho judicial que alterou as medidas de coacção aplicadas a Mário Machado de forma a permitir-lhe deslocar-se para a Ucrânia. Além de ninguém se ter preocupado ou sequer referido a fundamentação jurídica do despacho, a “ira” focou-se na alegada normalização da “extrema-direita”.

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Ucrânia: últimos números sem mas nem meio mas…

Mais de 10 milhões de ucranianos foram deslocados. O equivalente à população de Portugal.

Mariupol foi arrasada. Cerca de 80% das suas infraestruturas estão danificadas ou destruídas. Uma das maiores da Ucrânia e considerada russófona pelo invasor. Imaginem se não fossem.

Em boa parte da Ucrânia estão a ser bombardeados hospitais, refúgios e lares de idosos.

Os EUA e a UE querem voltar à sua confortável corrupção, comprando petróleo e gás russos, aplicando sanções fracas, falando da boca para fora sobre a democracia, convidando Putin para Davos. Os ditadores sempre escalam e o Ocidente continua dobrando. Mas desta vez existe um problema: a Ucrânia se recusa a desistir – Garry Kasparov, antigo campeão do Mundo de Xadrez (Rússia).

A agressão violenta contra a Ucrânia não para, um massacre insensato onde a cada dia se repetem destruição e atrocidades. Não há justificativa para isso. Suplico a todos os atores da comunidade internacional, para que se empenhem realmente para pôr fim a esta guerra repugnante” – Papa Francisco (para citar alguém de quem a esquerda gosta).

This is not about Ukraine at all, but the world order. The current crisis is a fateful, epoch-making moment in modern history. It reflects the battle over what the world order will look like” – Sergei Lavrov, Russian Foreign Minister (para citar outro querido de certa esquerda e de certos militares filhos de putin que andam pelas televisões).

Wohlstandsverwahrlosung.

 

Tabu – Bruno Nogueira

Quando ouvi falar sobre o programa fiquei reticente. Os temas são complexos e não é fácil fazer humor com eles. O Bruno Nogueira conseguiu ser, uma vez mais, genial. E não era nada fácil.

O Bruno Nogueira surgiu, para mim, naquele momento genial de “o senhor do bolo” numa gala de aniversário da SIC. Depois, a fazer-me rir de forma descontrolada nas manhãs a caminho do trabalho com os seus “Tubos de Ensaio” na TSF. Até que me ganhou completamente na pandemia com os seus directos no Instagram.

O Tabu é o seu mais recente momento de genialidade. Um programa que é verdadeiramente de serviço público. Ide ver. Vale mesmo a pena.

Entretanto em Cuba…

Em Julho do ano passado (11 e 12) na cidade de Habana muitos cubanos manifestaram-se a exigir democracia, liberdade. Muitos foram espancados e outros foram mesmo presos. Ontem, o Supremo Tribunal de Cuba anunciou as sentenças: 31 manifestantes pela liberdade foram condenados a penas de prisão entre os 20 e os 30 anos. Outros 25 foram condenados a penas de prisão entre os 15 e os 19 anos. Já 48 manifestantes pela democracia apanharam penas de prisão entre os 10 e os 14 anos. Só um dos manifestantes presos foi absolvido. Em Cuba.

Sobre as manifestações pela liberdade e pela democracia levada a cabo pelos cubanos em Julho de 2021, o PCP reagiu com uma nota à imprensa onde, para além de outros “potantoto” dizia o seguinte:

O Partido Comunista Português expressa a sua solidariedade com Cuba, o Governo e o povo cubanos que, enfrentando uma situação exigente e complexa inseparável da intensificação da acção de ingerência e de agressão do imperialismo, se empenha de forma determinada no combate à epidemia, na defesa da sua soberania e independência e dos seus legítimos direitos, incluindo ao desenvolvimento.

Realmente, o PCP é como o algodão….

 

 

 

 

Putin e a nazificação

Putin não está, como afirma, a desnazificar a Ucrânia, sendo que o resultado da ocupação será precisamente o contrário. Até à guerra a Ucrânia era um país dividido e os nazis estavam longe de representar a maioria dos ucranianos. Depois da guerra, aquilo que antes eram franjas nacionalistas vão ter tendência a ganhar preponderância, sendo que as expressões mais radicais desse nacionalismo vão estar em melhor posição do que estavam, vão ter heróis nacionais, honras de Estado e protagonismo internacional. De resto, Putin nunca teve problemas em acarinhar e financiar fascistas, de Trump a Salvini, de Le Pen a Bolsorano, de Orban a Netanyahu, sem falar sequer da sua acção no plano interno onde em demasiadas esferas da governação pouco se distingue daqueles que agora diz combater. Putin é um anti-comunista primário, um capitalista ferrenho e sabe que são esses terrenos que está a lavrar na Ucrânia.

História is a bitch…..

Entre 1640 e 1668, entre Portugal e Espanha, tivemos a chamada “Guerra da Restauração”. Portugal lutava contra o ocupante, Espanha. Lutava pela restauração da sua independência enquanto nação. Para alguns, o melhor teria sido Afonso VI de Portugal ter desistido, acatar as exigências de Carlos II de Espanha. Foi uma guerra violenta. Por vezes, entre vizinhos que se conheciam. Outras vezes utilizando mercenários e não faltaram incidentes de crueldade singular. Os portugueses não aceitaram ser súbditos dos seus vizinhos castelhanos. E ao não aceitarem as exigências de Carlos II de Espanha, este teve ainda muitas vidas para ceifar…

Para alguns, hoje, nada teríamos para festejar a 1 de Dezembro. O Aventar seria mais um blogue em castelhano e, com sorte, a gasolina estava mais barata. O mais certo seria que em Portugal os chamados partidos independentistas fossem maioritários nas eleições regionais. Os seus líderes, com algum azar, estavam presos ali para os lados de Valladolid. Porque mantinham viva a vontade frustrada em 1640, porque, ainda hoje, tantos séculos depois, não perdoam a rendição de Afonso VI. Estes gajos independentistas não querem perceber que com a sua decisão, Afonso VI evitou mais um banho de sangue. Os castelhanos sempre o acusaram de ter estado ao serviço do imperialismo britânico, mas que teve a lucidez de na 25º hora ter recuado. Os independentistas relembram que os castelhanos assassinaram Afonso VI, pela calado, uma semana depois da assinatura do acordo (palavra simpática para rendição).

A ver se percebi, é isto que estão a pedir a Zelensky para fazer? É isto que consideram ser o melhor para os ucranianos? É fácil pedir para os outros se renderem. É fácil pedir aos outros para viverem sob o jugo de um ditador como Putin. A mim cheira-me a egoísmo. Mas isso sou eu que estou a soldo do imperialismo ocidental. Seja lá o que isso for. Se é viver num país onde posso livremente escrever estas merdas, livremente escolher os meus líderes, livremente escolher onde quero viver e trabalhar, livremente escolher o que quero ver nos meus tempos livres e livremente ser português, então estou a soldo desse tal imperialismo ocidental. Do russo, cubano, venezuelano ou norte coreano é que não, obrigado.

ALTERIUS NON SIT QUI SUUS ESSE POTEST

Bloco de Esquerda e o rabo de fora…

O Bloco de Esquerda decidiu unir-se ao Podemos (Espanha) num movimento internacional criado por este com o objectivo de evitar o envio de armas à resistência ucraniana. A primeira surpresa: ver o Bloco de Esquerda a unir-se a um partido que em Espanha tem feito e dito, sobre a invasão russa da Ucrânia aquilo que o Bloco critica ao PCP. Um cheirinho a hipocrisia, não? Então, cá dentro critica o PC e lá fora une-se com os que dizem/defendem o mesmo que o PCP. Hummm, parece que estou a ver ali no canto um rabo de fora…

(estas linhas da notícia são uma delícia: El pasado lunes, Podemos celebró que los comunistas portugueses del Bloco de Esquerda se hayan sumado a la iniciativa. Esta entente sirve a Podemos para posicionarse en el tablero internacional y ganar espacio en la política interna)

A segunda surpresa: não enviar armas para os resistentes ucranianos cujo seu país está a ser invadido pela Rússia de Putin. Entendem que o esforço deve ser todo concentrado na busca pela paz. A paz é o que todos queremos, sejamos de esquerda, de direita ou candidatos a Miss Universo. Só que, para que a paz exista é preciso que todos a desejem. Putin quer a paz? Quer, mas só depois de ter conseguido matar todos os ucranianos que desejem ser ucranianos e não russos e depois de ter destruído toda a Ucrânia. Até o conseguir, não teremos paz. E os ucranianos, querem a paz? Querem. Querem o seu país livre de forças militares ocupantes e com isso, existirá paz. É assim tão difícil perceber a realidade? Depois de os russos terem invadido a Ucrânia a paz só é possível se eles regressarem a casa. A partir do momento que entraram e começaram a matar e destruir como raio se ontem a paz sem recuarem? A paz só não a quer quem vende armas ou quem for chalupa. Todos a queremos. O problema é como a obter.

Para uns, a paz só se consegue se as tropas russas regressarem a casa e aí as partes se sentarem a negociar a dita. Para outros, não chega. Será necessário Putin ser corrido ou morto. E depois temos os líricos que entendem que a paz se obtém com a rendição dos ucranianos (não sei se pensavam o mesmo em 1939 ou na ocupação de Timor). E depois temos os sonhadores, que acreditam em unicórnios e que com músicas e corações desenhados a coisa vai lá.

Por último, temos os hipócritas. Os hipócritas estão do lado de Putin mas sabem que afirmar isso prejudica a sua imagem e o seu negócio (os votos) e então defendem coisas que não lembrariam nem aos terraplanistas: somos pela paz e por isso o caminho é não fornecer armas aos ucranianos. Ou seja, traduzido, se os ucranianos não tiverem armas a paz é garantida. Pois é. Após serem assassinados e o seu país totalmente destruído, só fica uma das partes. E assim temos paz. A paz dos agressores e a morte dos oprimidos.

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Os Ultras e a Política

Dois dos temas pelos quais me interesso mais, que não gosto de misturar na minha vida, mas que gosto de assistir ao fenómeno que acontece quando estes dois se juntam. Apesar de existir uma ideia de que há política nas bancadas portuguesas, por ser a nossa pequena realidade, é praticamente nula essa existência, quando vemos o que acontece noutros palcos europeus. Quando falo de outros palcos, não falo da Lazio, conhecida pelo seu grupo ultra de extrema-direita, nem do Marselha, conhecido pelos seus de extrema-esquerda, mas sim de sítios onde os intervieram na cena política. Muito mais do que mostrar um estandarte ou uma bandeira com um símbolo.

 

Antes de mais, penso que é importante perceber o porquê do fanatismo  e a predisposição para a violência ser muito maior em países como a Sérvia, a Croácia, a Ucrânia e outros quantos do que em Portugal. Sim, porque aquilo que nós fantasiamos e chamamos de hooliganismo em Portugal é uma brincadeira quando olhamos para países como os exemplos que dei. Ao contrário de Portugal, países de outras zonas da Europa estão constantemente debaixo de fogo. Enquanto nós demos a paz como garantida, esses povos não se puderam dar a tal luxo. Para termos uma ideia, em 1998, Portugal recebia a Expo e Belgrado, em 1999, era bombardeada pela NATO. Uns iam ver exposições, os outros tinham de fugir para sobreviver. Naturalmente, tanta coisa vivida tem de ser libertada e podemos ver isso em vários campos, inclusive os estádios. Os graus de sentimento de pertença são maiores. A noção de camaradagem, de clã, também. Não há ninguém da minha geração nos Balcãs que não tenha tido algum familiar a batalhar nos anos 90. [Read more…]

Vamos aproveitar e olhar para a China? #2

A China sabe que o dia seguinte pode ser complicado. Muito complicado para os seus negócios, para a sua política geoestratégica ou seja, para os seus interesses. A liderança chinesa sabe interpretar os sinais.

E os sinais são claros. A Rússia de Putin cometeu um erro crasso ao invadir a Ucrânia e, no fim, aconteça o que acontecer vai ficar de rastos em termos económicos e sociais. Pior, principalmente para a China, conseguiu unir o mundo ocidental. De repente, a Europa está unida, quer a NATO e pensa até na criação de uma força militar interna. Simultaneamente, os Estados Unidos e a Europa reaproximam-se; o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália (juntamente com outros países do Pacífico) nem um segundo hesitaram. E a China?

A China olha para todo o cenário e pensa que por culpa de Putin, os seus adversários principais, os Estados Unidos, emergem desta crise numa sintonia com os seus aliados que não se via há décadas. E sabe que unidos se tornam, economicamente, mais interdependentes e, consequentemente, mais fortes. A China está a ver o comportamento da sociedade civil ocidental e percebe que a linha que a separa de ser o próximo alvo de boicotes económicos é ténue. Cada vez mais. Aliás, sabe que dentro da sociedade civil ocidental já se discute, já se propõe esse boicote. Os cidadãos. Os governantes ainda estão a “esperar para ver” e a rezar para que a China dê um sinal. Aliás, sobre isto e pela rama já vários aventadores falaram nas Conversas Vadias.

Ora, o primeiro sinal de que a China pode mudar o rumo desta história de guerra foi dado hoje. Foi João Querido Manha, na sua página no Twitter que chamou a atenção para um facto relevante: “um analista político chinês em Shangai diz que a China tem duas semanas para decidir apoiar o Ocidente e pressionar Putin a acabar a guerra”. Quem desejar ter o trabalho de ler, em inglês, o que esse analista escreveu (AQUI) percebe que essa mudança estratégica da China pode ser mais rápida do que alguns, como eu, imaginavam. Ainda bem

Resta saber é se, mesmo assim, no dia seguinte ainda vai a tempo de ultrapassar a má vontade em consumir produtos “Made in China”. Veremos, se Putin deixar, se o mundo mudou. Eu não acredito no Pai Natal mas…

Estação de S. Bento (Porto): Isto não se inventa…

Uma calha colocada em pleno painel de azulejos na “renovada” Estação de S Bento.  FONTE

(ACTUALIZAÇÃO DA NOTÍCIA AQUI – Via comentador do Aventar nesta caixa de comentários)

Reposição da reposição

O militante do Bloco de Esquerda que escreve no Aventar e que dá pelo nome de João Maio errou. Não chegou a corrigir o erro, mas cá estou também para ajudar: não se pede desculpa por mim nem por qualquer outro aventador sem minha autorização ou autorização do próprio.

As minhas desculpas aos leitores pela confusão do jovem bloquista. No Aventar os diretórios partidários não riscam. Ou como diziam por aqui: No pasaran

A pimenta e o cu dos outros…

Em 2016 o Bloco de Esquerda entendia (e bem) que não se pode “inventar” trabalho voluntário que na verdade o não é, por trabalho não remunerado.

Hoje, o Bloco de Esquerda mudou de ideias. As virtudes mudam com os tempos. E pensar que Catarina Martins, em Abril de 2020, avisava que o BE não aceitava a austeridade. É a Economia….. O ano de 2022 não está a ser fácil para a extrema esquerda.

 

(fotos gentilmente palmadas AQUI)

Uma grande capa!

Mariana Mortágua, a moral e a Lei entram num bar….

Foi paga durante meses pelo comentário televisivo, o que é incompatível com a sua exclusividade parlamentar. A bloquista esclarece que não se apercebeu da regra e, depois de contactada pela SÁBADO, pediu para devolver os 10% que recebeu a mais. E agora vai abdicar do salário na SIC Notícias.

A deputada Mariana Mortágua foi apanhada em falso. Não sei se é a primeira vez. Até admito, sinceramente, que não soubesse da alteração legal. Quem nunca? Eu já fui multado por desconhecimento. Acontece.

O problema é outro. A deputada Mariana Mortágua, e muito bem, não perdoa deslizes a ninguém. Sejam eles poderosos ou meros adversários políticos. Por isso, perante a situação deveria ter pedido desculpas. Não o fez. Ainda. Pode vir a fazê-lo entretanto. Também mudou de alinhamento na questão da Ucrânia e não lhe caíram os parentes na lama. Agora, que não venha com a sua costumeira superioridade moral. Violou a Lei. Eu até penso que perante o que fez, após a denúncia da revista Sábado (corrigiu, acertou contas) está, para mim, o caso resolvido. Mesmo sabendo que a ignorância da Lei não aproveita a ninguém.

Será que aprendeu a lição? É que para ela, quando toca aos seus opositores políticos, eles não violam a lei, são logo corruptos. E o estilo desta deputada, uma espécie de guardiã da moralidade, ficou bastante manchado em tudo isto.