Não faltou indignação perante as declarações menos conseguidas por parte do responsável da Padaria Portuguesa, entrevistado pela SIC-N. Até poderia começar por perguntar aos indignados quantos empregos já criaram, mas nem vou por aí, prefiro antes dizer que declarações medíocres, porque incapazes de explicar o que se pretendia, geraram reacções também elas medíocres. Estão bem uns para os outros…
Mais interessante foi ver invocada a velha luta de classes para vociferarem contra o capitalismo, misturando conceitos como liberalismo e capitalismo no mesmo saco, muitos sem a mínima noção do que dizem. Traduzindo a coisa às mentes menos esclarecidas eu diria que pode existir bom e mau capitalismo. O desejável é que exista sempre uma concorrência livre e saudável, porque muitos capitalistas instalados não querem concorrência, preferem a estagnação, o status quo, que lhes permita manter ganhos e privilégios sem grande esforço. No mesmo barco costumam estar os seus trabalhadores, principalmente os que se sentirem confortavelmente instalados, levando uma vidinha sem grandes sobressaltos, sem nunca correr o risco de desemprego que seria inevitável caso a empresa se torne obsoleta e encerre. [Read more…]
Sobre padarias e não só…
O frete

“PS fica refém do BE e do PCP para manter a ‘geringonça'”.
Refém.
Vejamos. Quem viabilizou os orçamentos de estado? PCP e BE. Quem votou ao lado do governo no cancelamento dos cortes da direita? A esquerda. Quem é que assinou acordos parlamentares com o governo? Novamente, os partidos que o SOL apresenta como chantagistas. Este artigo é, obviamente, um frete deste jornal ao PSD.
Quanto a Passos Coelho, assistimos ao grito do zombie que manda a coerência às malvas para se manter no cargo. Portugal à frente, my ass. Gostava de saber o que têm a dizer Cavaco e respectivos admiradores sobre esta aliança contra natura e unilateral.
São boas notícias para Costa, no entanto. Passos Coelho e a sua azia são o maior seguro de vida da geringonça.
Nuno Carvalho da Padaria Portuguesa não convive bem com a verdade dos factos

Ontem, interroguei aqui, confesso que a título exploratório, o porquê do vídeo publicado aqui neste post, e de outras versões dos mesmos conteúdos republicados no Youtube terem sido misteriosamente retirados ou terem misteriosamente desaparecido da vista humana no referido site de partilhas de vídeos.
A resposta está dada: as republicações no Youtube foram retirados graças a vários reports à administração do site, declarando que o vídeo em causa violava os direitos de propriedade intelectual? Propriedade intelectual? As declarações de Nuno Carvalho devem ser entendidas como propriedade intelectual? Os pais do liberalismo moderno ou neoliberalismo como Hayek, Milton Friedman ou Von Mises devem estar às voltas na tumba porque no fundo ninguém gosta de andar à roda anos e anos a estudar os fenómenos da vida social e económica para depois ser surripiado intelectualmente à má-fé por um simples padeiro, fazendo jus à profissão por si declarada publicamente aqui na entrevista que saiu hoje no Caderno do Expresso.
Agradecimento público

– Obrigado, Pedro, por votares com a “extrema” esquerda – como tu dizes – contra a descida da TSU das empresas.
– Obrigado, Pedro, por ajudares a recompor um caminho de entendimento entre os partidos da maioria parlamentar que apoia o governo.
– Obrigado, Pedro, pela ajuda dada na redução – pena não ser extinção – do Pagamento Especial por Conta (PEC), tendo permitido que o PCP – e também o BE e os Verdes, cuja posição é idêntica – tivesse finalmente êxito numa luta que trava, desde o primeiro dia, contra este imposto.
– Obrigado, Pedro, por ajudares a proteger a Segurança Social do erro que se desenhava, votando ao lado da esquerda e da razão.
– Obrigado, Pedro, por teres traído tudo em que dizes acreditar por amor à esquerda e aos trabalhadores. [Read more…]
Ortografia: apocalipse agora

Em mais uma volta, mais uma viagem, por um manual de Português de 10º ano, descubro a pergunta acima fotografada, relativa ao soneto “O dia em que eu nasci, moura e pereça”, essa variação talvez camoniana sobre o Livro de Job.
Graças ao chamado acordo ortográfico (AO90), ali está o adjectivo “apocalíticos”. Os autores do manual, para que os alunos não tenham dúvidas, explicam, entre parêntesis, que esta palavra significa “de grande desastre”. Talvez por falta de espaço, não indicam que o adjectivo é da família de ‘apocalipse’.
E, na verdade, como poderiam indicar tal coisa, se o AO90 obriga à separação de membros da mesma família?
Mais uma volta, mais uma viagem, por alguns instrumentos que, alegadamente, ajudam o escrevente a aplicar o AO90.
A Infopédia aceita “apocalítico”, embora, pela transcrição fonética, deixe claro que se pronuncia, por assim dizer, “apocalíptico”. Ora, uma pessoa estranha: mas não impõe o AO90 que se escreva como se pronuncia? Por outro lado, a Infopédia, também aceita que se escreva “apocalíptico”. [Read more…]
Braga e o jardim sem árvores

O Jardim de Santa Bárbara com árvores. Imagem de arquivo, claro.
Jaime Manso
[Em Braga, vai-se tornando normal o abate de árvores sem nenhuma explicação prévia à população. A justificação para o abate de árvores do Jardim de Santa Bárbara vem, como é também habitual, depois – apenas depois – de os bracarenses se interrogarem sobre o desaparecimento integral de uma fileira de árvores no Fórum Cidadania Braga, um espaço virtual de debate sobre a cidade com cerca de 14.000 subscritores]
1- Relativamente ao impacto imediato ambiental negativo desta acção, o município não esclarece.
2- o esclarecimento tardio acontece devido à indignação dos habitantes, e as outras zonas onde cortam árvores? Onde está o esclarecimento?
3- relativamente à biomassa perdida e substituição por árvores infantis, o município escusa-se, convenientemente, a esclarecer que demorará décadas ao ecossistema repor os seus valores normais, que já de si eram fracos e se alguma vez forem atingidos.
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O ódio a outros seres vivos

Depois de feito o convite para o convívio-caçada, eis a Natureza derrotada uma outra vez.
Sezures é das freguesias mais pequenas de Vila Nova de Famalicão.
Percebe-se porquê.
© Cidade Hoje
Australian Open: bons apontamentos de Grigor Dimitrov
Nas últimas duas semanas tenho acompanhado com alguma atenção dentro das minhas possibilidades o Australian Open. A eliminação precoce dos principais favoritos à vitória na prova pelos lugares cimeiros que ocupam no ranking mundial de Novak Djokovic e Andy Murray (apesar de estarmos no início da nova temporada e do Open Australiano ser a primeira confirmação do estado de forma dos tenistas para a presente temporada e do facto de alguns dos tenistas se darem algo mal com o caloroso e húmido clima austral) e as dúvidas existentes quanto ao estado de forma de Rafael Nadal e Roger Federer, este último regressado depois de meio ano de paragem que o impediram de prosseguir por exemplo o seu sonho olímpico no Rio, suscitam a possibilidade, pelas excelentes exibições que foi fazendo ao longo do seu percurso na prova, de termos em Grigor Dimitrov o habitual outsider ou até mesmo underdog que costuma marcar historicamente o grand slam australiano.
O je acha o PSD um mínimo excessivo
Esconde, esconde Nuno!
Já se aperceberam que depois de Nuno Carvalho, o repugnante sócio-gerente da Padaria Portuguesa ter dado um cravo na ferradura numa 2ª oportunidade concedida pelo Expresso, todos os vídeos do 1º acontecimento desapareceram do Youtube?
O muro de Trump acabará pago pelo consumidor americano…
Empresas costumam tentar evitar custos, passando os mesmos, quando não conseguem restruturam-se.
Caso Donald Trump decida mesmo avançar com a taxa de 20% sobre importações do México para financiar a construção do muro, esse valor vai ser inteiramente cobrado nos bolsos do consumidor americano. Num cenário ideal, o negócio continuará business as usual, toda a cadeia incorpora a taxa que no final irá incidir no PVP do produto em causa. Eventualmente poderão existir produtos que sujeitos à taxa, deixam de ser concorrenciais no mercado norte-americano, mas não quer dizer que deixem de ser vendidos, os distribuidores irão procurar novas fontes de fornecimento. [Read more…]
Afinal, o Trump é nosso amigo!

Propaganda do Partido Popular Europeu, o maior no PE
Um argumento tão dilecto como demagógico dos paladinos do acordo de “comércio livre” e investimento com o Canadá, o CETA, – que o Parlamento Europeu se prepara para votar no próximo dia 15 de Fevereiro, podendo desde logo entrar provisoriamente em vigor – é a descomunal afinidade de valores entre o Canadá e a Europa.
Essa intensa comunhão de valores não poderia pois deixar de ser invocada pela deputada Lara Martinho do PS, pelo deputado Mota Soares do CDS-PP e pelo deputado Carlos Costa Neves, do PSD, durante a apreciação da petição pelo debate do CETA na Assembleia da República, no passado dia 12 de Janeiro. Costa Neves, aliás, entusiasmou-se particularmente nessa parte, bradando contra os partidos que apresentaram projectos de resolução de rejeição do acordo (BE, PAN, PCP e PEV): “Com o Canadá, vejam bem! (…) Ou será exactamente por isso que essas esquerdas são contra este acordo, será exactamente por ser com o Canadá e por o Canadá ser como é?” [Read more…]
$entir o Benfica

A reacção de Carrillo ao 3º golo do Moreirense. Ai os mercenários, os mercenários…
Em sonhos, é sabido, não se morre

Há uma cabine pública no Japão cuja linha telefónica nunca foi ligada. Lá dentro há um telefone, isso sim, daqueles antigos, de disco, mas a cabine está inoperacional desde que ali foi posta, já lá vão uns anos. Isso não impede que milhares de pessoas (estima-se que mais de 10 mil) se tenham já deslocado ao lugar – na cidade costeira de Ōtsuchi – propositadamente para usá-la.
O homem que a construiu no jardim de casa chama-se Itaru Sasak. Também ele perdeu alguém muito próximo no grande sismo seguido de tsunami de 2011. Num único dia, 11 de Março de 2011, a cidade de Ōtsuchi perdeu mais de 1.400 pessoas, aproximadamente 10% da sua população. [Read more…]
Por mim, não escravizas mais ó palerma
O mundo moderno está cheio destes palermas liberais. O estádio actual do capitalismo selvagem, estádio em que as classes e os interesses mais fortes conseguem por via das marionetes que instalam e vão puxando no poder, permitiu a uma classe diminuta, constituída por meia dúzia de seres parasitas não-produtivos controlar por A+ B as rédeas daqueles que diariamente os enriquecem. Ora pela celebração de tratados e acordos bilaterais ou multilaterais que censuramos, como é o caso do CETA ou do TTIP (remeto-vos para os posts da nossa especialista, a Ana Moreno) ora por via da legislação europeia que na maior parte dos casos, na sua parte laboral, não é mais do que o produto requerido à la carte pelos milhares de lobbistas pagos a peso de ouro pelas grandes multinacionais para pressionar os legisladores europeus em Bruxelas, ora pela criação e modificação de legislação nacional laboral ou pela revogação de direitos adquiridos pelos trabalhadores no passado, ora pela forma que considero ser a mais pródiga de controlo social que é o ordenado mínimo nacional.
“Samir, o sudanês por Rafael Barbosa no JN
Rafael Barbosa, Editor Executivo do JN:
“Enquanto escrevo, as televisões dão em direto o debate parlamentar em que se discute se a TSU dos patrões deve ou não baixar, para compensar a subida do salário mínimo de 530 para 557 euros. Só os vejo, não os ouço. Os dedos em riste, as expressões faciais vincadas, os sorrisos irónicos ou cínicos, os aplausos entusiasmados aos chefes. O culminar de quatro semanas de troca de argumentos, de cambalhotas políticas e acrobacias retóricas. Os entendidos chamam a isto debate político. Olhando para as bancadas do Parlamento, assim, sem som, diria que é um teatro. Um teatro absurdo, se tivermos em conta que, na sua origem, está, afinal, se é ou não possível pagar mais um euro por dia a cerca de 650 mil trabalhadores. Gente pobre e explorada que vai continuar a ser pobre e explorada.
O Ministério da Verdade informa

É melhor que obtenham as vossas notícias diretamente do Presidente. Na realidade, pode ser a única maneira de terem a verdade nua e crua.
Por Lamar Smith, congressista republicano e presidente da Comissão da Câmara dos Representantes para a Ciência. Longa vida aos factos alternativos!
Good morning, God bless you and may Trump grab them by the pussy!
Os “factos alternativos” do semanário SOL
uma cuidadosa selecção da informação mais rigorosa que se produz neste país. A não perder.
Scarfolk, o Diário da República e a suspensão dos factos
Minds have semantics. Programs are purely syntactical. The syntax of the program isn’t sufficient for the semantics. Therefore, the program is not a mind. It’s a very simple argument, I don’t know why it takes so much trouble to get people to understand it.
The government, together with local councils and public authorities, has scrapped the use of facts.
“Imaginary” universes are so much more beautiful than this stupidly constructed “real” one; and most of the finest products of an applied mathematician’s fancy must be rejected, as soon as they have been created, for the brutal but sufficient reason that they do not fit the facts.
— G. H. Hardy (apud K. David Jackson, Adverse Genres in Fernando Pessoa, p. 9)
***
Hoje de manhã, ao reflectir acerca do melhor enquadramento para a ocorrência de hoje no sítio do costume, pensei em recorrer a José Maria Adrião e aos Retalhos de um Adagiário («Nasceu em boa hora — diz-se de quem é ditoso e a sorte lhe corre bem», p. 50). Depois, admiti outras possiblilidades: o «“Fake news” is so yesterday. “Alternative facts” is where it’s at now», este excelente «it is a mistake to demand too strictly that new physical theories should fit some preconceived philosophical standard», do Weinberg, ou até a hipótese de Riemann confirmada pela teoria dos Factos Alternativos.
Contudo, felizmente, a história de Scarfolk, em boa hora aqui trazida pela Carla Romualdo, trocou-me as voltas.
Ao reparar neste cartaz, [Read more…]
Sobre as Testemunhas de Jeová
O toque de Midas da jihad financeira

O capitalismo que temos, talvez o pudéssemos ter mais regrado e amigo da (esmagadora) maioria, é selvagem, opressor e não olha a meios. A regra é lucrar o mais possível e, sempre que necessário, levar tudo pela frente. Os ayatollas da coisa chamam-lhe liberdade, e o mercado livre ao qual rezam o terço não difere muito do conceito de imprensa livre preconizado por Hitler ou Estaline. As armas e os métodos podem ser diferentes. O fim, esse, é essencialmente o mesmo.
E como tudo vale, seja exterminar espécies em vias de extinção ou florestas tropicais, seja recorrer a trabalho escravo para reduzir custos e aumentar a produtividade, que o ambiente e os direitos humanos não têm espaço nas folhas de Excel dos déspotas do capital, as alterações climáticas e a poluição, como tudo na vida, são excelentes oportunidades de negócio que o empreendedorismo da ganância não pode desperdiçar. [Read more…]
Pode alguém ajudar a envenenar este animal?

Em Aveiro. Numa cidade em que a Câmara Municipal disponibiliza sacos-luva para que os donos depositem os detritos dos seus animais. Ir à respectiva junta ou à câmara (para os requisitar ou para reclamar do facto de existirem muitos cães vadios naquela zona) dá trabalho. Voltamos ao tempo da justiça popular.
O Evangelho segundo São Mendes
Rui Vitória diz que Gonçalo Guedes representa o que é a formação do Benfica. Eu cá continuo a acreditar convictamente que a formação do Benfica é o que São Jorge Mendes quiser.
Câmara de Lisboa deixa que o Hospital da Luz construa em terrenos municipais
José António Cerejo
Lembram-se da escandaleira, sobre a qual muito escrevi no PÚBLICO em 2014/2015, da venda do mais moderno quartel de bombeiros de Lisboa ao que restava do Grupo Espírito Santo (GES) para alargamento do vizinho Hospital da Luz de que era proprietário, junto ao Centro Comercial Colombo?
Se não se lembram, aqui fica o essencial: a Câmara de Lisboa, pela mão de Manuel Salgado, vereador do Urbanismo, autor do projecto do dito hospital e primo direito de Ricardo Salgado (antigo patrão do GES), fez aprovar um plano de pormenor desenhado à medida dos interesses do Hospital da Luz, para que se tornasse possível ampliar esta unidade de saúde para o espaço onde se situava o quartel/museu dos bombeiros municipais; [Read more…]
Braga das árvores mortas
Braga é, por desígnio católico, um sítio onde as explicações são dadas sempre depois, quando o são.
De repente, o único pedacinho de terra a que a cidade de Braga poderia chamar de jardim – o Jardim de Santa Bárbara, – perdeu as suas árvores.
Deve certamente haver uma explicação para isto. Deve haver. Ou talvez não.









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