David Dinis e o Público

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Rui Naldinho

David Dinis foi convidado pelos sociais-democratas Alexandre Relvas e António Carrapatoso há cerca de três anos para dirigir o primeiro projecto digital de comunicação em Portugal, o jornal electrónico “Observador”. O referido diário mais parece um blogue da “extinta” PAF, com jornalistas e colaboradores escolhidos a dedo. Os temas, as notícias e os assuntos estão alinhados politicamente, tendo a direita como sua clientela quase exclusiva. Mas, tirando esse “pormenor”, nada terei a acrescentar, uma vez que só lá vai quem quer. Aquilo até nem se paga!

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Os “ensináveis” – convites para a precariedade no trabalho

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Ontem à noite quando fui abrir a minha caixa do correio, apareceu-me esta enorme pérola. As questões de linguística deixo-as obviamente para quem de direito, ou seja, para o meu estimado colega de bancada Francisco Miguel Valada. Decerto que o douto autor deste convite, de tão mestre que é na arte de ensinar a venda da banha da cobra, não se deverá importar de representar no papel de ensinado.

Ao ler este convite fiquei embasbacado. Fruto das mais recentes experiências que tive à procura de emprego, confesso-me cada vez mais assustado em relação ao mercado de trabalho.

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Obama para para?

Não! Obama pára para. Efectivamente: pára para olhar a multidão.

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E o próximo a ser saneado pelo Dinis vai ser…

Pacheco Pereira

America first will never make America great…

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É obviamente cedo para avaliar o desempenho do Presidente Trump, contudo as expectativas estão demasiado baixas, pelo que o homem até pode surpreender favoravelmente, mas não creio. Um velho ditado diz “nunca digas, nunca”, a verdade é que jamais me passaria pela cabeça concordar mais com o Presidente da China do que com o Presidente dos EUA.

De todas as intenções anunciadas por Trump, neste momento não passam disso mesmo, intenções, porque não existe ainda qualquer diploma para aprovação no Congresso, a que mais discordo, embora tenha dúvidas como isso pode ser feito e qual o verdadeiro alcance, será a implementação de medidas proteccionistas. [Read more…]

A Rádio (Im)popular

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A RTP merece um enorme aplauso graças a um programa televisivo que, ao longo dos tempos, se destaca pela qualidade do seu jornalismo de informação, o “Sexta às 9”. Não escondo o espanto sempre que o vejo pois não estou habituado a jornalismo de investigação semanal no nosso país e ainda menos com esta qualidade – nem sequer escondem o nome das “crianças”. Coisa ainda mais rara.

Desta vez, a reportagem foi sobre a Rádio Popular e a venda de telemóveis iPhone como novos quando na realidade são usados, mais precisamente, recondicionados. A reportagem pode ser vista neste link.

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Donald J. Trump – 3

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Donald J. Trump – 2

Inauguration 2017

Donald J. Trump

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Lettres de Paris #74

«Nós… pimba!»

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acordei, acreditem ou não, com alguém do lado de fora da janela a cantar «e se elas querem um abraço ou um beijinho, nós… pimba, nós… pimba!». Fiquei momentanemante mais baralhada do que já sou quando acordo. E estou a ser simpática para comigo mesmo, quando digo que acordo ‘baralhada’. «Nós pimba?» pensei meia estremunhada. A pessoa, um homem, continuava a cançoneta do lado de lá da janela e eu levantei-me, abri as cortinas, abri uma fresta pequenina da janela, porque estou outra vez constipada (deve ser o meu corpo a ter uma reação alérgica ao meu regresso a Portugal, obviamente), entraram menos 3 ou 4 graus para dentro do quarto, mas assim mesmo, meti o nariz de fora para identificar o cantor. Acontece que era um rapaz, empoleirado nos andaimes do prédio em frente, a trabalhar com umas ferramentas esquisitas e armado em artista do Olympia. Meti-me para dentro, nunca suspeitei que os trabalhadores da obra em frente fosse portugueses, mesmo porque juro que já tinha ouvido um rádio em altos berros com canções que me pareceram árabe, mas posso estar enganada e estar já tão desusada de ouvir falar português à minha volta que quando ouço me parece árabe.
Seja como for, o rapaz continuou o seu trabalho, acrescentando ao repertório outras músicas igualmente de fino recorte, que eu não consegui identificar. Fui tomar o pequeno almoço, com o nariz completamente entupido e a lamentar que a constipação… pimba!… tenha aparecido outra vez e eu ainda para mais sem cêgripes. Quando saí passei na farmácia e deram-me uma coisa qualquer homeopática. A ver. Já tomei dois, conforme as instruções e não me sinto particularmente melhor. Uma parte do dia passou entre fungadelas e espirros e assoadelas de nariz, alguma tosse. Até que às duas e meia apanhei o 27 e fui ter com a Anne-Marie à entrada do metro da Opéra. Foi a primeira vez que vi, neste tempo todo, o fantástico edifício à luz do dia. Já o havia visto também assim, de outras vezes, mas desta foi uma estreia. O edifício é lindo, realmente, tal como Café de la Paix ali ao lado. Lindo e bastante caro, diga-se. Mas vale a pena lá entrar ao menos uma vez. Não foi hoje, já tinha feito isso outro dia. Eu e a Anne-Marie fomos a um café mais modesto, ali ao lado. Não conhecia pessoalmente a Anne-Maria, apesar de já ter trocado emails com ela e gostei bastante de a conhecer. Falámos de trabalho, de Paris, de Lisboa, da França, de Portugal e da vida em geral e quando dei por mim, pimba, já passava das quatro e meia e a luz do dia estava a desvanecer-se. Lá se iam os meus planos de me despedir às claras de aguns dos sítios de que mais gosto em Paris.

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Muito obrigado, Pedro Passos Coelho

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Imagem via Uma Página Numa Rede Social

A revolta instalou-se porque o PSD se prepara para chumbar a descida da TSU, como forma de compensar o aumento do salário mínimo nacional (SMN). Honestamente, não percebo o frenesim. Mas alguém esperava que este PSD, dominado pela liderança mais radical de que há memória, fizesse o frete ao governo minoritário de António Costa? Francamente. [Read more…]

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Convidar os amigos. Feito. Obter a password da conta @POTUS. Feito. Códigos das bombas. Feito. Partir isto tudo. On the way.

Washington a ferro e fogo

Os protestos anti-trump aqui, em directo. O Huffington Post fala de 25 mil pessoas envolvidas no protesto. A CNN avança que 100 manifestantes já foram detidos. Manifestações com milhares de pessoas em Nova Iorque, Chicago e São Francisco.

Não em nosso nome!

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Um dos argumentos preferidos de liberais, sociais-democratas e “socialistas” perante as amplas críticas e protestos provenientes de variadíssimos sectores da sociedade aos tratados de “comércio livre” CETA (UE/Canadá) e ao TTIP (UE/EUA) é que essas críticas, manifestadas por milhões de cidadãos e de centenas de federações e diversos partidos, resultam de uma recusa geral da globalização por extremistas proteccionistas, tanto de extrema-direita como de extrema-esquerda. Em Portugal, esta ardilosa tese (embora claramente demagógica) é recorrentemente apregoada aos quatro ventos, por Vital Moreira.

Descreditando assim de uma assentada qualquer crítica, por mais fundamentada que seja, a estes tratados – e a competência da sociedade civil a respeito dos tratados é notável – pretende-se, sem qualquer base, passar a mensagem de que os doidivanas que protestam são contra a globalização, seja ela em que moldes for.

Pois bem, isso mais não é que uma mentira e a prová-lo está a convocação, pela Plataforma Não ao Tratado Transatlântico, de um evento que terá lugar já amanhã, sábado, pelas 14 horas no Rossio, sob o lema: Por um comércio Justo, contra o CETA! O evento enquadra-se no Dia Europeu de Acção descentralizada, com acções espalhadas pela Europa fora.

Se puder, não deixe de estar presente e divulgue! O Parlamento Europeu vai votar sobre o CETA no próximo mês de Fevereiro. Precisamos de mostrar aos eurodeputados que nos representam que não queremos tratados injustos, destinados a concentrar mais ainda o poder e a esboroar a nossa soberania.

O triunfo dos porcos

All the way from Washington
Her bread-winner begs off the bathroom floor
We live for just these twenty years
Do we have to die for the fifty more?

1 ano e 10 dias sem Bowie. Dia 1 do triunfo dos porcos. Dia 1 de um novo mundo. Esperemos que não. Esperemos que a besta seja controlada, seja de que maneira for. Não é que os conselheiros de estado, as múltiplas agências, os múltiplos lobbies que planam pelo Congresso e pelo Senado sejam gente melhor do que o pai do Barron porque não o são, mas pelo menos, mal ou bem, destes temos sempre uma previsibilidade (mais para o mal do que para o bem) que não nos surpreende.

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A culpa de Costa

Portugal's Prime Minister Antonio Costa reacts during a biweekly debate at the parliament in Lisbon, Portugal September 22, 2016. REUTERS/Rafael Marchante

O governo minoritário do PS, no seu engenhoso exercício de equilibrismo político, jogou uma cartada arriscada com a indexação da redução da TSU ao aumento do salário mínimo nacional (SMN). Porque os acordos firmados com os partidos à sua esquerda, em matéria de redução das contribuições dos patrões para a Segurança Social, não são opção. Porque, do lado direito do espectro, principalmente em questões estruturais, mais não pode esperar do que uma feroz oposição, que de resto sempre alimentou. No que estaria António Costa a pensar? [Read more…]

Trump: um desabafo

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Helena Ferro de Gouveia

Há uns anos em Berkeley entrei no supermercado para fazer as compras semanais. À minha frente na fila estava uma mulher negra com uma criança pela mão. O único item que tinham era uma maçã vermelha e enorme, como são as maçãs da Califórnia. A mulher entregou um cartão, não sei se de débito, se de crédito e não funcionou. Entregou outro. Não funcionou. A maçã ficou na caixa e a mulher saiu do supermercado falando baixinho com a criança.

Em Berkeley um capuccino e uma fatia de bolo vegan custavam 25 dólares no Café Gratitude e, não muito longe de minha casa, ficava Stanford e as empresas milionárias do Silicon Valley.
Quando apanhava o BART, metro, para São Francisco observava o exército de pobres nas estações.
A desigualdade perturba-me, a desigualdade na maior economia mundial – onde há fome, subnutrição, incontáveis sem abrigo, bairros de roullotes e ausência de horizontes para milhões de pessoas – é obscena.

Porque não confio em Trump? [Read more…]

John Lewis e os russos

Se o partido Republicano dos EUA parece ter ensandecido, o espectáculo dado pelos Democratas tem sido patético. Embalados pelas tretas da CIA, até alguns dos mais liberais – no sentido político, claro – debatem a vitória de Trump através de argumentos evasivos, não hesitando em despertar velhos fantasmas tão queridos à direita.

Até o senador John Lewis, ícone da luta pelos direitos civis nos EUA, referência da comunidade negra – ou afro-americana, como eles gostam de dizer, vá lá saber-se porquê – manifestou ruidosamente a sua recusa em comparecer à tomada de posse de Trump por considerá-lo um presidente ilegítimo. Porquê? [Read more…]

Lettres de Paris #72 et #73

Le jour avant le jour avant le jour avant le jour que je dois quitter Paris

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são os meus últimos dias em Paris e receio bem que esta vai ser uma despedida difícil. Que voltar à rotina, a uma pequena cidade onde pouco acontece em termos culturais, pouco que valha a pena, quero dizer, ou melhor, pouco que me agrade se assim quisermos colocar as coisas… que deixar de ver o Sena quase todos os dias, que deixar de ver a pequena Place Saint-Andre-des-Arts todos os dias, que deixar de dizer Bonjour à estátua de Monsieur Montagne e de lhe tocar levemente no pé dourado muito amiúde, que deixar de ver a torre da Sorbonne, que deixar de comer os eclairs au caramel da Pradier, que deixar de ver as montras da Compagnie, que deixar de comer confit e magret de canard, que deixar de percorrer a pé e de autocarro todas as ruas de Paris, que deixar de ver as extraordinariamente comoventes (não me perguntem porquê mas aquilo comove-me) da Catedral Ortodoxa Russa, que deixar de ver a Tour Eiffel a iluminar-se tout brillante, que deixar de ver a Pont Neuf e os barcos no rio, para dizer apenas algumas das coisas de que vou sentir, pelo menos nos primeiros tempos, muito a falta, vai ser, sei-o bem, extraordinariamente difícil para mim. Deixar de ver esta beleza, esta grande beleza, de ter os sentimentos que Paris, toda a Paris, mesmo aquela mais feia, me provoca quotidianamente, vai deixar-me triste por uns tempos.
 

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God Bless Us

Celebridades como Robert De Niro ou Michael Moore discursam agora num protesto anti-trump ao pé da Trump Tower em Nova Iorque. Aqui, em directo, na página de facebook da CNN.

Fernando Ultrarico tem razão.

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Os contribuintes continuam a pagar os custos da banca.

Abelardo contra o futebol moderno

A semana futebolística trouxe-nos alguns momentos de destaque. A derrota caseira do Real Madrid contra o Celta na 1ª mão dos quartos-de-final da Copa del Rey, desfecho que irá obrigar decerto Cristiano Ronaldo a horas extras na próxima semana no jogo do quentinho Balaidos, as declarações de Gerard Piqué sobre a arbitragem espanhola (na primeira vez em anos em que o Barcelona passa de beneficiado a prejudicado), a situação frágil de Pep Guardiola em Manchester numa altura em que a 10 pontos da liderança, depois de uma goleada por 4-0 frente aos toffies de Ronald Koeman, goleada essa que teve tanto de injusta para os citizens (pelo que a equipa de Guardiola fez no 1º tempo) como de justa para a formidável exibição e equipa, diga-se, que o holandês ostenta no Goodison Park (contam-se pelos dedos as futuras vedetas do futebol mundial que os toffies irão vender no próximo defeso) levou o espanhol a declarar a falência técnica nesta temporada com afirmações que vão de encontro aquilo que já se previa: quando se tem uma equipa de rock and roll como é o caso da equipa do City não se pode nem se deve querer ser aquele DJ que fica estagnado nas passagens entre tangos.
Contudo, venho aqui falar do despedimento de Abelardo do comando do modesto Sporting de Gijón, o denominado Sporting do outro lado da fronteira.
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Have ye no mannes herte, and han a berd?

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Pieter Bruegel de Oude De val van Icarus (c. 1558), Koninklijke Musea voor Schone Kunsten van België, Brussel (http://bit.ly/2k4kara)

For Seint Paul seith that al that writen is,
To oure doctrine it is ywrite, ywis

Chaucer

***

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Chorando se foi…


Dancei-a no Penha Porto, tantas vezes, nos braços de uma rapariga! Quantos de nós não a dançaram? Morreu hoje. A voz da Lambada.

A subida dos juros da dívida explicados às crianças

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Para sabermos se as taxas de juro da dívida pública portuguesa estão a subir ou descer não precisamos de seguir as informações financeiras – basta consultar as redes sociais. Se os juros estiverem a subir, não faltarão alarmes sobre os impactos devastadores que o governo apoiado pelas esquerdas está a ter no país. Se estiverem a descer, os mesmos observadores atentos e preocupados tiram férias das redes sociais.

Ricardo Paes Mamede no Ladrões de Bicicletas.

Fica a provocação, com a sugestão para lerem o texto na íntegra, que o sumo está todo lá. Vale sempre a pena ver alguém tão capaz e coerente desmontar a propaganda da direita radical. Imagino-os logo a espumar pelos cantos da boca.

Não era isso que (quase) todos diziam sobre o seu governo, deputada Cristas?

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A propósito da polémica proposta para reduzir a TSU como forma de compensar o aumento do salário mínimo nacional (SMN), a deputada Cristas acusou António Costa de ter uma “maioria intermitente“, que não é “estável, credível e duradoura“. Não era isso que tantos portugueses diziam sobre o governo que a candidata à CM da Lisboa integrou? E, no entanto, o governo PSD/CDS-PP lá conseguiu chegar ao fim do mandato. E conseguiu-o apesar das birras e das facadas do parceiro minoritário da coligação. Em 2012, quando o país se insurgiu contra a proposta de aumento da mesma TSU, não para compensar um aumento do SMN, que o caminho era o do empobrecimento, mas à custa da subida das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social, o CDS-PP tirou o tapete a Passos Coelho. Assunção Cristas estava lá e participou neste duro golpe na estabilidade e credibilidade da coligação. [Read more…]

Doidos à solta

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Portugal regressou ontem aos mercados. Porém, para surpresa dos profetas da desgraça, algo de muito estranho aconteceu. Para além de uma procura 3,5 vezes superior à oferta, os investidores que adquiriram Bilhetes do Tesouro português, com maturidades de 6 e 12 meses, irão pagar em vez de receber juros. Sim, pagar em vez de receber. O apocalipse está à nossa porta, so they say, e um conjunto de investidores, aparentemente racionais, está disposto a pagar juros para adquirir dívida pública da república estalinista geringonceira. Será obra do diabo? Ou estará tudo doido?

Lettres de Paris #71

À bout de souffle*

 

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esta carta é, por comparação com as anteriores, um mero telegrama, ainda que, como as outras, seja escrita d’un seul souffle’, quer dizer de um folêgo, sem pensar demasiado no que estou a escrever, deixando as coisas escreverem-se praticamente sozinhas. Fui hoje (re)ver À bout de souffle, de Jean-Luc Godard, estreado em Paris em 1960. Nunca havia visto o filme em écran gigante, por falta de oportunidade, claro, já que para mim o cinema deve ver-se sempre numa sala de cinema. De maneira que ao passar outro dia no mk2 da Rue Serpente e ao vê-lo anunciado para hoje (e apenas para hoje) lá fui eu, sob um frio de -4 ou -5 graus, revê-lo às 10 da noite. A sala não estava cheia, desta vez. Compreende-se, talvez, porque em Paris deve haver imensas oportunidades de rever grandes filmes. Ou se calhar porque a sessão era a uma hora mais tardia do que habitualmente. Seja como for, creio que já o disse, as salas dos mk2 são grandes, confortáveis e as condições de projeção naturalmente são excelentes.
 
Rever a cara da Jean Seberg no grande écran deixou-me à bout de souffle, como sempre. Não é por ser linda, que era. É por outra coisa qualquer que não sei explicar, mas tenho, desde que me lembro, uma verdadeira e assolapada paixão pela cara da Jean Seberg, neste filme. Apesar de não ser de Paris, nem francesa, ela encarna, para mim, neste filme, a verdadeira parisiense. Nos anos 60, como agora. A cara da Jean Seberg em À bout de souffle é intemporal. O Jean-Paul Belmondo não me tira tanto o folêgo, devo dizer, apesar da sua boca extraordinária e daquele gesto que, a partir deste filme, ficou imortalizado e é ainda tantas vezes repetido. Mas se eu pudesse e ela fosse viva e tivesse a mesma cara que em 1960, casava com a Jean Seberg, amanhã. Adorei, por isto e por muito mais coisas, como é evidente, desde logo pelo argumento de François Truffaut, pela fotografia, pela música de Martial Solal… mas também por ver Paris, a Paris que conheço agora um pouco melhor do que conhecia quando vi o filme em écrans pequenos das outras duas ou três vezes, os mesmo lugares por onde passo hoje, em 1960. É curioso ver como nada se modificou substancialmente, quase tudo foi preservado e existe ainda e existirá, provavel e desejavelmente, para sempre. Curioso e belo.

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O principal nomeado para o Prémio Quanta Falta de Vergonha na Cara 2017

“Porque aquilo que nós estamos a fazer com esta acção (votar contra a descida da TSU na Assembleia da República) é salvar a concertação social e não parece”– Luís Montenegro na Grande Entrevista, RTP, em 18-01-2017

O leão desdentado

Theresa May – a antiga moderada hesitante quanto ao Brexit – atirou-se que nem uma leoa à União Europeia, honrando a heráldica da velha Albion. Mas o leão da Albion está desdentado e a fúria da primeira-ministra britânica é mais fruto de uma agressividade nascida da frustração que um sinal de força e firmeza.

Em resumo, o que a zangada senhora disse foi: queremos sair da UE, queremos manter todas as vantagens e dispensar todas as obrigações e desvantagens, ou nos dão o que queremos ou a vingança – quiçá traduzida num mega-paraíso fiscal – será terrível; mandem-nos os vossos quadros mais qualificados que os outros nos encarregamos nós de devolver. [Read more…]