Quem maldiz não se coliga

produtos-correntesEis o novo provérbio nascido das entranhas do alto e baixo comentário político, quando se quer explicar que não é aceitável que se aliem ou que se coliguem partidos que já se criticaram no passado remoto ou recente.

Ora, tendo em conta que todos os partidos já disseram mal uns dos outros, há razões suficientes para que as coligações e as alianças passem mesmo a ser proibidas, até em termos retroactivos.

Para que, de futuro, possa haver coligações e alianças, será necessário que os partidos se sujeitem a um processo de desintoxicação (conhecido por desmaledicenciamento) e obrigados a frequentar grupos de apoio, ficando impedidos de se criticarem durante, pelo menos, uma legislatura.

O coordenador nacional desta actividade será o Presidente da República, quando voltarmos a ter um.  E lá vou ter de ligar ao meu mentor:  já não dizia mal do Cavaco há dois dias. Nunca mais é Janeiro, a ver se me livro deste problema.

PACC morreu

A PACC ou PAC ou simplesmente prova dos professores está morta. o Tribunal Constitucional acaba de declarar a sua inconstitucionalidade, fazendo mesmo referência à norma presente no Estatuto. Ou seja, não estão em casa procedimentos ou opções pela forma A ou B. É a própria PROVA. Eis o texto do Constitucional.

Pelo exposto, decide-se:

a) Julgar inconstitucionais, por violação do artigo 165.º, n.º 1, alínea b), da Constituição com referência ao direito de acesso à função pública previsto no artigo 47.º, n.º 2, do mesmo normativo, (i) a norma do artigo 2.º do Estatuto da Carreira Docente, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de abril, com a redação dada pelo Decreto-Lei n.º 146/2013, de 22 de outubro, na parte em que exige como condição necessária da qualificação como pessoal docente a aprovação em prova de avaliação de conhecimentos e capacidades; (ii) a norma do artigo 22.º, n.º 1, alínea f), do mesmo Estatuto, na redação dada pelo citado Decreto-Lei n.º 146/2013, que estabelece como requisito de admissão dos candidatos a qualquer concurso de seleção e recrutamento de pessoal para exercício de funções docentes por ele disciplinadas, e que ainda não integrem a carreira docente aí regulada, a aprovação na mesma prova; e (iii) consequencialmente, as normas do Decreto Regulamentar n.º 3/2008, de 21 de janeiro, na redação dada pelo Decreto Regulamentar n.º 7/2013, de 23 de outubro; e, por isso,”

Dito isto, creio que estão de Parabéns TODOS os Professores que nunca desistiram de lutar.

Estão de parabéns os partidos que a seu devido tempo se juntaram à luta contra esta “coisa”.

E, claro, a FENPROF pela forma como SEMPRE se manteve firme contra a PACC.

Parece-me que será de bom tom lembrar Nuno Crato que, de mão dada com a FNE, sempre defenderam a prova. Hoje deve ser um dia triste para ambos.

Aritmética para desentendidos

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Qual é o sentido da política?

perguntou Hannah Arendt em A promessa da política (Relógio d’Água Editores, 2007). «É a liberdade.». Mas a liberdade com «aqueles que são meus iguais» – salvaguardadas todas as diferenças, que subjazem lá no fundo da verdade do que somos, diz-me um gnomo pragmático que, à semelhança e triste exemplo de Francisco Assis, tem o péssimo hábito de se meter onde não é chamado.

No fundo da verdade do que somos (isto é, predadores, até mesmo de nós próprios mediante os habituais jogos de poder, e cujo eufemismo mais popular será na actual semântica de guerra a palavra competitividade), ouço justamente Francisco Assis a declarar que “o diálogo com a direita não está a ser produtivo.”

Não está a ser produtivo para ele e para o sector do PS que representa, pelo que presumo que Assis tudo fará para que venha a sê-lo, obstinado que parece em fazer da política uma coisa sem qualquer sentido.

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A mudança é a lei da vida.

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“A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.”

Kennedy, John Fitzgerald
Presidente dos Estados Unidos da América
1917 // 1963

Então e os consensos, a estabilidade e a porra?

O Presidente prepara-se para indigitar Passos como primeiro-ministro. Se o governo cair no parlamento, Cavaco mantém Passos em gestão. [ionline]

Ontem, os professores “da esquerda”. Hoje, os “da direita”.

Ontem, a denúncia de Assis. Hoje, a de Vital Moreira: “Decididamente, há setores da direita que nunca abandonam a sua vocação golpista”.

Marco António

Chegou a conta. Acho que é para ti. Ou fica por conta como a campanha do Menezes a líder do PSD?

Censura e violação da liberdade de imprensa


12 de Outubro de 2015: Carlos Martins
, Presidente da Junta de Freguesia do Muro, e Sérgio Humberto, Presidente da Câmara da Trofa

A ocasião era a apresentação pública da obra de extensão do Metro do Porto da estação do ISMAI (Maia) até ao Muro (Trofa). O órgão de comunicação social (OCS) local O Notícias da Trofa/TrofaTV tinha sido notificado da mesma pela Junta de Freguesia do Muro, em cuja sede se realizou o evento aberto à população.

O que o vídeo mostra é um momento de censura e de violação da liberdade de imprensa, constitucionalmente garantida e plasmada no artigo 38º da CRP, protagonizado pelo autarca da Trofa Sérgio Humberto (PSD/CDS-PP) que procura, a todo o custo, atropelar a liberdade informativa de um OCS que acusou, numa Assembleia Municipal em Fevereiro, de ser uma fraude. O mesmo autarca que é alvo de uma cobertura extremamente simpática por parte do outro título local, o Correio da Trofa, jornal que surgiu na campanha das Autárquicas de 2013 repleto de ataques ao PS e colunistas de direita, e cujos antigos proprietários receberam, no ano passado, um ajuste directo no valor de 24 mil euros para organizar um concurso de fotografia e criar uma revista – de que nunca mais ninguém ouviu falar na terra, tanto quanto é do meu conhecimento. [Read more…]

Postal de Wageningen #3

Os aeroportos são os sítios mais estranhos do mundo

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disseste-me muitas vezes que não voavas. deslocares-te era uma maçada, até há relativamente pouco tempo. sei que nos últimos tempos mudaste um bocadinho nisso. ainda assim, não voavas. uma vez pensei em ir à islândia e falei-te vagamente nisso. disseste que era um sítio onde gostarias de ir. desafiei-te. que não elisa. que disparate. não se leva areia para a praia. disseste. e o assunto ficou por ali. ainda não fui à islândia e olha talvez nunca lá vá.

não sei porquê, lembrei-me disto no aeroporto de schiphol. O avião estava atrasado. temos que ocupar o tempo. lembrei-me disto. não se leva areia para a praia. disseste. mas eu já não era areia. e nunca passei de um grão.

é estranho pensar em areia e praia e na islândia no aeroporto de schiphol. os aeroportos são, quase sempre, os lugares mais estranhos do mundo. sempre preferi estações de comboios. acho que tu, tenho a certeza que tu, que não voavas, também.

os aeroportos são lugares estranhos, simultaneamente cheios de gente tão diferente, carregando as suas próprias dores e malas, tão cheios de humanas coisas e tão artificiais.

gosto de olhar para as pessoas nos aeroportos (como em quase toda a parte) e encho-me de humanidade, apesar de tudo. grãos de areia. na verdade. não reparei se algum voo saía à mesma hora para a islândia. mas pensei grãos de areia. pensei até que agora mesmo carrego grãos de areia para uma praia aparentemente nova. há qualquer coisa de estranho num gajo começar a apaixonar-se quando um amigo tão grande começa e acaba de morrer. tão estranho como os aeroportos. se calhar não passa também de um artifício. há merdas destas.

estou agora na minha varanda a fumar, a mesma onde fumámos tantas vezes juntos, e a pensar nos grãos de areia que ando a transportar. às vezes magoam-me. nunca tive jeito para isto, como sabes. há estrelas no céu aqui na varanda. a porra do céu está cheia do brilho das estrelas mortas. não se leva areia para a praia. e sabes? não se deviam levar mais estrelas para este céu.

«Talvez a Fundação Francisco Manuel dos Santos devesse fazer um livro

sobre o excesso de horas de trabalho.» [Filinto Melo] O título podia por exemplo ser este: Desregulação laboral e valor acrescentado.

Professores “da esquerda” e “muito arrogantes”?

Segundo a RTP, Francisco Assis terá dito que não aceitava a “arrogância de alguns setores da esquerda portuguesa” e terá denunciado a “pressão inaceitável de outros setores muito arrogantes”. Lamente-se, de novo, o recurso à coloquialidade.

A instabilidade financeira e a memória curta dos PàFs

O líder do CDS-PP, Paulo Portas (D), acompanhado por Ribeiro e Castro (E) à saída da Câmara Municipal do Porto depois de uma reunião com presidente, Rui Rio, inserida na campanha para as Eleições Legislativas de 2011, Porto, 25 de maio de 2011. ESTELA SILVA / LUSA

Ouvir por estes dias os gritos histéricos das claques do PàF, que profetizam o afundamento da economia portuguesa quando nem para fazer o jogo da chantagem dos mercados servem, dá-me a sensação que a amnésia colectiva é real. Será que se esqueceram todos da célebre e irrevogável demissão de Paulo Portas, quase em simultâneo com a saída de Vítor Gaspar, que nos custaram, em aproximadamente 24 horas, uma subida dos juros da dívida para 8% e perdas na bolsa no valor de 2,3 mil milhões de euros? É possível. De outra forma não engoliam palermices destas e reduziam os níveis de bazófia para mínimos condizentes com a sua actual dimensão parlamentar.

Foto: Estela Silva/LUSA@O Informador

O Rio foi pelo marcelo abaixo

Afinal parece que eu tinha mesmo razão. O ex-candidato Rui Rio está fora.

Lúcido e activo até ao fim

Esta manhã deixou-nos o meu querido amigo JJCardoso que conheci à chegada de Moçambique e me recrutou para o MRPP em 1974 durante os tempos de Liceu José Falcão. Chamou-me há meses para se esclarecer da doença que chegava e ouviu-me, no meu péssimo costume cru e frio, dizer que faltava pouco. Ele não tremeu, não vacilou e foi comigo até ao lançamento da candidatura de outro amigo – o José Manuel Pureza pelo Bloco. Sempre lúcido, sempre activo, sempre firme. Estivemos a falar da doença e da política e das ilusões futuras e dos projectos que queria acabar, sentados na Brasileira na baixa. Adeus João José. Descansa em paz! Coimbra está mais pobre sem ti! Diogo Cabrita no Facebook

Ficções

António estava feliz. Cheio de si. Finalmente. O seu sonho tinha-se realizado. Ao fim de tantos meses. Meses? Que meses? Anos! Tinha feito o telefonema. Aquele telefonema que tinha fantasiado tantas e tantas vezes. Ah! E a cerimónia, antes, tinha sido linda. A cara do Aníbal era impagável. Parecia que lhe tinham arrancado um dente a sangue frio.
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Professores: isto é para ler

Se eles estão calados, falamos NÓS.

«Em Portugal, a cultura de direita converteu-se ao pragmatismo económico

(…) abandonou completamente os livros e as bibliotecas e instalou-se nas televisões, nos jornais, nos ministérios e nos escritórios. (…) [M]ais do que uma cultura de direita, o que temos são famílias de direita. Isto é: muito sangue e pouca cultura.»
[António Guerreiro, Público, Fevereiro de 2014]

Uma verdade que os leitores do Expresso não estão a ver

No dia 25 de Junho de 2010 (ou seja, há muito tempo), o Expresso fez um anúncio. Nesse anúncio, o Expresso prometia isto, aquilo e aqueloutro. Já tínhamos percebido que as coisas não eram assim tão simples. Para que não haja dúvidas acerca da situação actual, temos o esclarecimento do director-adjunto:

vieira pereira

Exactamente: ‘espectáculo’ e ‘actuar’.

Não, o Expresso nunca adoptou o Acordo Ortográfico de 1990 — não o adoptou nem em 2013, nem em 2014. Obviamente, 2015 não iria constituir uma excepção.

Efectivamente, há um problema e a solução é muito simples.

«Seguir-se-á talvez aquilo que Costa repete:

não fará cair nenhum governo se não tiver alternativa para apresentar.»
[Uma análise de António Pinho Vargas]

Nem a chantagem dos mercados sabeis fazer, palermas!

Sapo

Perante a ameaça de a democracia não seguir o rumo pretendido pela nação pafista e se transformar naquilo a que as claques se referem como sendo o “frentismo” ou a “ditadura de esquerda”, o spin que desceu à terra para iluminar o caminho dos justos não podia ser mais claro, ameaçador e digno de rebelião: os mercados não vão perdoar. Ressuscite-se a Rede Bombista que isto já só lá vai com sangue e sedes do PCP a arder.

Ontem, para reforçar as instruções enviadas às caixas de ressonância, a coisa até correu bem: o PSI-20 a cair 2% (como se fosse preciso muito para que isso acontecesse) e os juros a subir há alguns dias (apesar de ontem até terem descido ligeiramente mas isso não interessa nada) só podiam significar uma coisa e o título do Expresso não deixava margem para dúvidas: “Acções descem e juros sobem com medo de um governo de esquerda”. Oh, o medo! O terror! Deus nos acuda que o PREC está de volta. Fujam todos carago! [Read more…]

João José Ferreira da Silva Santos Cardoso

João José Cardoso e Rui Seguro

João José Cardoso e Rui Seguro

Ponto prévio: nunca me zanguei tantas vezes com um amigo e, consequentemente, nunca nunca reatei tantas vezes uma amizade. 

Em 1977, eu, puto, decidi criar uma revista (era um modesto fanzine) de poesia e afins. Tinha quase tudo: o nome (liberatura) e a ideia (escrita apenas com minúsculas e textos curtos). Quanto ao resto, o mais importante, os autores, conhecia apenas um colega, o vítor, que escrevia umas coisas de que eu gostava. Convidei-o e passámos a ser dois. Alguém, já não sei quem, falou-me num tal Mário que escrevia uns textos. Lá fomos conhecer o dito Mário e, com ele, lançámos o número zero do liberatura. Impresso em stencil, como se fazia na época, até porque não tínhamos dinheiro para melhor.

Mas éramos poucos e o Mário (Fernandes da Costa) lembrou-se de um gajo que vivia na Ferreira Borges e que era capaz de querer participar. O gajo, sem ser preciso muito para o convencer, aceitou. Era o João José.

A partir daí, passámos a fazer praticamente tudo juntos, longas tardes de copos e tertúlia (suponho que não gostávamos da palavra na altura), dormíamos nas casas uns dos outros (principalmente na do João, que era mais central), os nossos pais aturavam-nos e alimentavam-nos a todos com doses industriais de paciência. Aumentámos o grupo, veio o Pardal, o Fernando e por aí fora, Viajámos, andávamos à boleia, acampámos, bebíamos finos e vinho ranhoso nas tascas da baixinha, íamos a filmes, aos raríssimos concertos que havia, e escrevíamos.

O João, na altura, além de literatura, interessava-se por espeleologia (que eu nem sonhava o que seria), fotografia e cinema. A espeleologia dava muito trabalho físico e ficou arrumada algures. O cinema, nos anos setenta, era-nos vedado, mas tenho ideia que ele ainda frequentou uns workshops (dizia-se curso). A fotografia, apesar de cara e difícil (os rolos, a revelação, a impressão), ficou-lhe para sempre e, anos mais tarde, vim a pedir-lhe que me ensinasse essas coisas de aberturas, tempos de exposição, diafragmas, contraluz, movimento, distância focal e etc.

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Já só pode ser adiada,

«a realidade nova que, mesmo que o PS lhe falhe», faz sorrir o cronista.
[Tiago Mota Saraiva]

«Estes são os meus princípios, e se vocês não gostarem deles … bem, tenho outros.»

A frase é atribuída a Groucho Marx mas podia ser aos mercados. Estarão «animados com a perspectiva de um governo de esquerda»? [Carlos Fino via Facebook de António Costa Santos]

Carta do Canadá: A casa da Avó

Vai um Outono doce, soalheiro, macio, sereno e lindo. Quem dera que o tempo no Canadá fosse sempre assim, mas não tarda  que chegue o severo inverno de muitos graus  negativos e gelo que, abusador, se estende até Abril.  Foi num Outono assim, há muitos anos,  que desabafei com aquele velho emigrante português o desejo de ter esta temperatura todo o ano. E ele, sábio de experiência, disse de sua justiça: “se o tempo no Canadá fosse assim todo o ano, lá em baixo já não havia ninguém… vinham todos para cá”.  Capaz disso, porque os políticos andam sempre a varrer pessoas pela fronteira fora.  Ia ruminando estes pensamentos enquanto atravessava a rua para me encontrar com a amiga de Tomar com quem ia tomar o pequeno almoço.

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Já podemos metê-los todos lá dentro?

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Idos ao ar 725 mil votos da PAF e eis que até lamber o próprio cotovelo se tornou possível

2010-01-25

Até ao dia das eleições, o programa do PS era irresponsável, traria o caos e tinha as contas mal feitas. Perante o pânico da direita, depois do golpe de mestre do PCP, eis que o impossível já é realizável. O IVA pode baixar, negociar aumento do salário mínimo e acelerar devolução da sobretaxa do IRS são medidas em cima da mesa e o plafonamento da Segurança Social deixa de ser uma vaca sagrada.

Lá se vai a credibilidade (cof, cof) do programa da PAF (existe?). E quanto não vale perder 725 mil votos, correspondendo ao segundo pior resultado de sempre da direita em Portugal – essa minoria que quer mandar na maioria.

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Proposta de Governo para a XIII Legislatura

O XX Governo Constitucional (carregue para ampliar)

O XX Governo Constitucional
(carregue para ampliar)

Postal de Wageningen #2

não quero que te preocupes

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uma vez disseste-me que se tivesses uma memória como a minha suicidavas-te. parei o copo de cerveja, mesmo antes dos lábios. era aveiro. era noite. o verão despedia-se e nós conheciamos-nos pouco a pouco, a um ritmo intermitente que combinava a minha impulsividade com o teu mau feitio. entre outras coisas, incluindo os tais desencontros de horários. éramos ambos, por razões diferentes, uma trapalhada ambulante. tínhamos bagagens muito pesadas que arrastávamos para todo o lado e só raramente largavámos das mãos e dos olhos. disseste aquilo muito seguro do que acabavas de dizer, mas como se não te lembrasses do peso do que acabavas de dizer. eu não disse nada, o copo suspenso antes da boca mas pensei que parvo. dizer-me esta merda a mim e sacudi a cabeça e bebi finalmente.

mas foi evidente que tinhas razão. uma memória enorme, a minha e pesada como o raio, que não me larga as mãos e os olhos. uma memória brutal. no entanto, ainda não me matei e tenho, sinceramente como sempre tive, dúvidas que alguma vez me suicide. dava trabalho e, na verdade, agora que morreste, restam poucas pessoas de quem goste o suficiente para lhes deixar as malas. suponho que me entendas. passaram muitas estações e acabámos por nos conhecer tanto quanto podem as pessoas conhecer-se. já sei, é sempre quase nada.

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Dedicado aos ressabiados de direita que andam por aí a estrebuchar

Fiquei por estes dias a saber, pela turba que entoa cânticos de apoio ao PàF nas redes sociais, que a possibilidade de um governo que integre CDU e BE resultaria numa ditadura de esquerda. Que se prepara um golpe de Estado. Que os mercados serão implacáveis com a heresia democrática de haver quem à esquerda do PS se perfile para encontrar soluções governativas. O apocalipse ao virar da esquina. [Read more…]