O caso do encontro roubado

No dia 18 de Julho deste ano de desgraças a Margarida, que gosta de se chamar Moriae, contou-me que estava a organizar um encontro de blogues da educação e pediu-me ajuda.  A ideia era fazê-lo em Coimbra, parece que ainda somos a aldeia entre Lisboa e Porto. O Paulo Guinote e o Arlindo Ferreira já tinham concordado, e naturalmente respondi que sim. Sei por experiência feita como as pessoas que publicam  e comentam só ganham quando se conhecem pessoalmente.

Deparo-me agora com isto: um encontro gamado (enfim, a minha ideia era menos formal, mas os profes gostam muito do Portugal Sentado), a realizar nas Caldas da Rainha , terra que muito prezo até porque lá vivi mas que não fica bem no centro real e marca muitas distâncias, chama-se o evento A Blogosfera e a Discussão das Políticas Educativas em Portugal. [Read more…]

Eu se me chamasse Rui Ramos pintava a cara de preto

Como cidadão pode ser o que quiser e entender, mas como historiador tem de seguir uma linha metodológica científica, mesmo na arte da divulgação. A menos que entenda que a História não é uma Ciência que procura a objectividade, mas uma pura ficção subjectiva que pode ser – utilizando as suas palavras – de “direita” ou de “esquerda”.

Reis Torgal sobre Rui Ramos, a ler o artigo completo, suave e absolutamente demolidor.

Em nome da Fé: Atrocidades da Inquisição

Documentário que faz um bom retrato do que foi a Inquisição ao longo dos séculos. Na mesma linha, encontra-se estoutro, o Espelho dos Mártires, episódio 4 de uma série geral sobre os mártires do Cristianismo.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI
Unidade 5.2. – Os novos valores europeus

A seguir a independência, as lutas reivindicativas. Carrillo

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A história tem uma argumentação nos factos. O que denomino a lógica da história. Primeiro, luta-se pela independência, a seguir, a república cresce e nascem indústrias, trabalhadores que eram soldados e passam a ser heróis não da guerra, mas sim do trabalho. Reivindicam os seus direitos, não são ouvidos. Rebelam-se, ninguém se interessa. Os governos caem, aparece uma esperança que passa a ser uma frustração. Os lutadores persistem, como Santiago Carrillo, que faleceu no dia em que se comemoram 202 anos da libertação do Chile. Com 98 anos. Habituado as lutas, a vida não o perdoo. Como antes, a Dolores Ibarburri, La Passionária, Presidenta do Senado Espanhol, por honra.

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O grupo de acompanhamento da coligação

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Foi com esta que báicou o Jimi Hendrix

Movimento pela extinção real dos PCT

No ad duo e nos Professores Lusos a questão já tem uns dias, mas meus caros colegas, o tema tem toda a actualidade.

A legislação que regulava o ensino básico era de 2001 (Dec. Lei 6/2001, de 18 de janeiro) e na sua introdução, a referência ao Projecto Curricular de Escola e ao Projecto Curricular de Turma (PCT) era evidente:

“No quadro do desenvolvimento da autonomia das escolas estabelece-se que as estratégias de desenvolvimento do currículo nacional, visando adequá-lo ao contexto de cada escola, deverão ser objecto de um projecto curricular de escola, concebido, aprovado e avaliado pelos respectivos órgãos de administração e gestão, o qual deverá ser desenvolvido, em função do contexto de cada turma, num projecto curricular de turma, concebido, aprovado e avaliado pelo professor titular de turma ou pelo conselho de turma, consoante os ciclos.” [Read more…]

Já não era sem tempo

Pelos vistos, foram às casinhas que valem mais de um milhão de Euros e aos rendimentos de capital. Faltam ainda algumas insignificâncias, como: extinção da regalada atribuição de automóveis a titulares de cargos públicos abaixo de Secretário de Estado; fim da concessão de dispendiosas  “ajudas de custo”, seguros, telemóveis, subsídios de arrendamento de casa, subsídios de deslocação ou alimentação dentro das fronteiras do Estado,  cartões de crédito para despesas de representação; discriminação pormenorizada de observatórios, gabinetes de estudo, fundações e outras instituições ditas de “utilidade pública”, assim como os montantes de dinheiro público – diga-se dos contribuintes – envolvido; legislação que submeta os candidatos, ao critério da avaliação prévia de todos os gestores do sector empresarial do Estado; plena explicação da razão pela qual o Palácio de Belém comporta cerca de 500 funcionários adstritos e um orçamento sempre em crescendo desde 1985; interdição de qualquer ex-Chefe de Estado acumular a muito justa pensão inerente, com outros proventos decorrentes do exercício de funções representativas – ou outras – em fundações, Comissões organizadora de índole nacional ou internacionals, etc. Enfim, há ainda que atender às escandalosas reformas antecipadas e ao fim de escassos anos de serviço, como por exemplo acontece no parlamento. Impõe-se a obrigatoriedade do regime geral.

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Pura sacaníce

Um amigo meu tem uma mercearia, comprada com recurso a crédito bancário. Quando a comprou era uma loja simples e ele trabalhou no duro para lhe dar valor e ganhar uma clientela. Ao fim de dois anos quis seguir outra vida e decidiu arrendá-la, tendo encontrado um interessado. Acontece que, de acordo com o contrato assinado com o banco, o arrendamento só seria possível com a autorização deste. E o banco não autorizava o arrendamento, excepto se o spread fosse revisto em alta. A proposta do banco, cuidadosamente preparada, significava que toda a renda recebida pelo meu amigo ia direitinha para o aumento de spread. Ou seja, o banco, que já estava a ganhar com o empréstimo bancário, queria ficar o lucro que o meu amigo poderia vir a fazer graças ao seu trabalho.

Vem isto a propósito da notícia da proibição do aumento do spread em caso de arrendamento de imóveis com crédito à habitação associado  não ter sido «bem recebida pelo sector financeiro». [Read more…]

O fellatio segundo Mário Crespo

Lisboa, 1 de Janeiro de 2012

Excelentíssimo Senhor Presidente do Conselho de Administração da Radiotelevisão Portuguesa

Quero manifestar-lhe a minha total disponibilidade para ocupar o cargo de correspondente da Radiotelevisão Portuguesa na capital dos Estados Unidos da América.

É função que conheço bem e que desempenhei entre 1991 e 1997 nas presidências de George Bush (pai) e de Bill Clinton tendo sido até hoje o único jornalista português com acreditação permanente simultaneamente na Casa Branca, Departamento de Estado, Pentágono e Congresso dos Estados Unido.

Sendo este um ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos e dado o melindre da situação económica e financeira mundial, seria com entusiasmo e grande motivação que aceitaria a tarefa de trabalhar na colheita e divulgação de material noticioso naquele país, nas várias plataformas da RTP coordenadas por V. Exa.

Aproveito para lhe enviar com os meus cumprimentos os desejos de felicidades pessoais e profissionais neste ano que começa.

 Mário Crespo

Exportar os anéis, a seguir vão os dedos

Desmontagem do mito do aumento da exportações: miséria e destruição da produção portuguesa.

Estados de alma na Educação

Depois da agitação Cratiana inicial, o ambiente Educativo começa a adquirir tons e cores diferentes dos que foram usados para pintar o arranque do ano.

Não quero com isto significar que ficou tudo cor-de-rosa, ou antes, laranja. Nada disso.

O que talvez tenha acontecido é uma maior separação entre uns e outros – entre os que estão na escola, os que têm emprego. E os que estão em casa, os que estão desempregados.

Não há cores garridas no ar, anda tudo um na área dos cinzentos nas salas de professores e tudo muito mais negro nos ecrãs de computadores que juntam os desesperados à procura de uma vaga.

Não se entende muito bem o que aí vem – será que a mobilidade chega? Será que terei horário para o ano? Será que ainda me vão meter mais alunos dentro da sala? E o programa, vai mudar ou será sempre este?

Para quem está em casa, o olhar triste confunde-se com a luz do ecrã: a vontade de aproveitar o sol é zero e a capacidade de pensar no futuro está limitada pela frustração da existência. Falta um pilar fundamental – ter emprego. Trabalhar.

Os que estão por casa desejam, com mais ou menos palavras, que muitos metam a reforma. Nas escolas, os mais velhos, perguntam a toda a hora – quando é que me posso ir embora?

Haverá futuro para uma Escola assim? E que futuro tem este país que trata a escola assim?

As respostas têm que ser suportadas no optimismo do 15 de setembro: claro que Há OUTRO CAMINHO!

E Vincent Peillon sabe qual é!

Reserva de Recrutamento

É assim que agora se chama o processo de colocação de professores que se vai repetindo, mais ou menos, semana após semana – já se chamou cíclicas, bolsa e agora é a reserva.

Está aí a segunda lista de colocações para os interessados. Continua a ser dramática a quantidade de Docentes por colocar.

Continua a ser vergonhosa a forma como o país lida com a Educação – há neste momento milhares de alunos ainda sem aulas e …

Pode também consultar as colocações da Reserva de Recrutamento 1, bem como as colocações de 31 de  agosto.

Sem lugar

Se a verdade do Sr. Crato fosse uma realidade ( e não é!) como é que se explica que aqui pela terra quase todos os meninos de 3 anos fiquem fora dos jardins de infância com tantos docentes desempregados, também ao nível da educação pré-escolar?

(a imagem é de Pedro Noel da Luz)

Em Coimbra o governo já caiu

A ignorância capitalense sobre a minha aldeia é a única desculpa para que este título não ande pelos jornais. Não falo da manifestação de sábado, que em termos relativos é capaz de ter sido a maior do dia.

Pedro Dias, que foi o mais jovem catedrático da UC, militante do PPD desde a fundação, ex-director da Torre do Tombo e farto de o ser da Biblioteca Nacional, escreveu ao governo em termos que Maomé utilizaria para descrever um presunto.

Ontem o Reitor fez um magnífico discurso numa cerimónia solene, entre outras críticas propondo a taxação das transições financeiras. João Gabriel Silva é militante do PSD.

Hoje Carlos Encarnação, outro fundador do PPD, para todos os efeitos quem ganhou as eleições para o Município, escreve que “há um limite”:

O desastre continuou com o Ministro das Finanças. Mais austeridade, para os mesmos, e um pouco, poucocinho, para os outros.

Oficialmente no PSD dissonâncias é um tal de Capucho. Por estes lados o PSD bem podia ir a votos amanhã. Era capaz de disputar a eleição do último deputado. e não, não estou a pintar a realidade com a cor dos meus desejos. Sou de cá, e agora vou ver a Académica a jogar a bola.

Hoje estive no Bataclã

É o que se chama na minha escola ao sítio onde esperamos, 4 ou 5 de cada vez, para ir dar uma a quem calha com quem calha – pode ser Português ao 7.º E, Matemática ao 8.º D ou Inglês ao 9.º A. Também há quem lhes chame Aulas de Substituição.

Incompetência deste governo

Há muitos sinais, ou antes, há muitos e variados factos que provam a incompetência dos boys que nos dirigem.

No Ministério da Educação, um ex-comentador, voltou a provar que afinal é possível repetir os erros do passado: fazer, nos concursos, um trabalho ao nível de Maria do Carmo Seabra.

Mas há mais.

São ainda milhares os alunos sem professor nas nossas escolas públicas.

Verdade!

Há mais de 40 000 professores desempregados em casa!

E há milhares de alunos nas escolas ainda sem professor!

Alguém entende isto?

 

Movi.Kanti.Revo

A Google e o Cirquedusolei deram as mãos para uma criação única. Imperdível!

História de um rio

Quero contar-vos a história de um rio.
Era um rio novo, cheio de energia, capaz e mais que capaz de cavar olas no fundo de cada socalco fragoso. Era um rio límpido e cheio de vida, capaz e mais que capaz de distribuir águas a uso. Era um rio ativo, capaz e mais que capaz de se juntar a outros e fazer um rio maior, tão novo, tão límpido e tão ativo como todos os que lhe deram o ser.
Vem mover-me!, pediu a mó do moinho.

O rio disse que não. Que as suas águas não haveriam ser retidas por paredes de pedra, conduzidas por canais apertados e mais que isso, ceder a força das suas águas a umas pás de roda que não eram de sua natureza.
E nesta recusa seguiu o seu caminho cavando terras, polindo saltadoiros, lavando lajes escoando-se aqui e ali por agueiras e regueiros mínimos, desvios vários e sangradouros um pouco mais notados. Foi sugado por mangueiras e condutas ocasionais, ora aqui, ora ali, discretamente e sem aleijar, à medida de ir abastecendo canais e redes, na certeza e convicção da mais pura liberdade e de nunca ser um rio conduzido a um fim ou propósito.E de que se esqueceu este rio?

De que as suas águas, depois de se envolverem na certeza útil do movimento assinalado pelo som da “tramela” regressariam à antiga liberdade, tão enérgicas, límpidas e ativas com o já o eram.

Que se lixe a troika: A Luta Continua a 21 de Setembro

Governar mal compensa

Uma coisa é penalizar a coligação PSD/CDS que está a procurar empobrecer o país em vez de cortar na despesa que alimenta os negócios dos amigos do regime. Outra é recompensar um dos partidos que contribuiu activa e decisivamente para a situação em que estamos. Um povo sem memória ou que nem se dá ao trabalho de reflectir tem o que merece.

Leituras:

Já agora: não deixa de ser um sinal de desfaçatez que Cravinho, o campeão das PPP, venha com um discurso moralizador sobre essas mesmas PPP.

A deriva

Aproveitando o ponto 5 do comunicado da CPN do PSD, também “dou nota” da minha “preocupação relativamente à deriva”. De facto, é uma deriva e é constante.

Arquivos secretos da Inquisição

Mini-série de 4 episódios, rodados em Espanha, França e Itália e baseados em documentos oficiais do Vaticano.

Ficha IMDb

Carregue para ver

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI
Unidade 5.2. – Os novos valores europeus

A fotografia é esta

Uma outra versão corre mundo. Prefiro esta. Tem o enquadramento perfeito das fotografias ícones deste tempo: [Read more…]

Vamos ser amigos?


PSD convida CDS a renovar apoio ao acordo de coligação

O 15 de Setembro correu mesmo bem

O Merdina Carreira está chateado. Ainda vai para o governo e lá teremos saudades dos que lá andam.

Magnífico Reitor

Discutível mas imperdível, o discurso na Abertura Solene das Aulas de João Gabriel Silva, Reitor da Universidade de Coimbra.

A reabilitação de João Franco

Num daqueles impulsos que tão bem o caracterizam, o senhor doutor Mário Soares ainda acusa o corte de subsídios desfechado sobre fundações privadas que medram com dinheiro público. Agora, numa revanche à la française, decreta a urgência da corrida a pontapés do governo saído de uma maioria eleita há pouco mais de um ano. Deve andar bem influenciado pela nova praxis imperial sediada em Bruxelas, trauteando a conveniência do encontrar de um luso-Monti  que satisfaça os apetites da tal Europa federal que continhas bem feitas, não existirá.

João Franco governou por decreto, mas com eleições marcadas para 5 de Abril de 1908. Mário Soares inverte a situação: fazem-se eleições e depois arranja-se um governo que nada tenha a ver com as ditas cujas. No tempo de D. Carlos I, governar com liberdade de imprensa e de reunião, mas através de decretos que não iam ao Parlamento, chamava-se – abusivamente, é verdade – governar “em ditadura”.

O único problema a colocar aos entusiastas de soluções expeditas gizadas pela plutocracia, consistirá no seguinte: no circo da política nacional, não existe alguém que remotamente chegue à unha negra do pé esquerdo de João Franco. Percebeu, Dr. Soares?

Sondagem – Universidade Católica

PS – 31%
PSD – 24%
PCP – 13%
BE – 11%
CDS  – 7%

Aqui

A carta de Pedro Dias ao governo

Sendo um péssimo discípulo do Mestre, como entre alunos e antes de existirem mestrados o tratávamos, sempre tive muito orgulho em ter aprendido com Pedro Dias. Politicamente é outro filme, muito embora conheça o seu percurso político, da oposição antes de 74 ao PPD pouco depois. Homem honrado sempre o conheci:

Exmo. Senhor Doutor Rui Pereira

Muito Ilustre Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Cultura

Venho, por este meio, manifestar a V. Exa. o meu desconforto pela situação que me foi criada, com os sucessivos adiamentos da minha saída da direcção da Biblioteca Nacional. Ficou claro, quando do surpreendente convite que me foi feito, que só o aceitaria, pelo período necessário que decorresse até à reabertura ao público da Biblioteca Nacional de Portugal. Acaba de passar um ano sobre essa data, em que, todo o espólio da instituição, fisicamente ou através de meios informáticos, voltou a estar disponível. Apesar dos meus apelos, e da minha renúncia formal, em 28 de Dezembro passado, não fui dispensado, acrescendo que, desde 1 de Abril último, por motivo da entrada em vigor da nova Lei Orgânica, me encontro em gestão corrente. Os prejuízos pessoais e familiares para mim são grandes, e do ponto de vista de saúde ainda pior.

Mais ainda, não só não me revejo na politica do Senhor Primeiro Ministro, como estou completamente contra ela, e não reconheço legitimidade ao Governo para se manter em funções, por ter renegado todas as promessas feitas ao eleitorado, e que constituem a base da sua legitimidade democrática.

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