O dia seguinte

“a mudança só vai acontecer se participarmos nas nossas comunidades locais”

O dia seguinte é sempre o mais dificil, porque é sempre mais fácil demonstrar descontentamento do que perceber qual o novo rumo a tomar, mas isso não invalida que a manifestação de ontem fosse importante e tenha sido um sucesso.

Importante porque faz sentido mostrar o desconforto e descontentamento com o mundo? o país? a cidade? as empresas? as pessoas?
Sucesso porque acho que ninguém esperaria 50.000 pessoas (numeros da PSP) numa manifestação no Porto sem ter que recorrer à angariação organizada de pessoas que normalmente os partidos e sindicatos fazem.

E agora o que fazer? Manter a ressaca? Vai continuar tudo na mesma?
Certamente que se continuarmos a fazer tudo igual, não podemos esperar resultados diferentes.
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Estação da Senhora da Hora

A locomotiva E141 reboca um pequeno comboio (120 toneladas) provavelmente oriundo da Póvoa de Varzim. Anos 40-50.

Vitor Ruas Quer Foder o Sistema

Como eu o compreendo.

O País à rasca saiu à rua em Lisboa

manif1.lisboa

Impressionante! Há anos, muitos anos, que não assistia a uma manifestação em Lisboa desta envergadura – pelo menos 150.000 pessoas compareceram, embora a PSP, dos “secos e molhados”, corrija em baixa (linguagem bolsista) o número de participantes. No Porto, a mesma PSP adianta a cifra de 50.000 participantes; as notícias e imagens, porém, evidenciam a comparência de mais umas dezenas de milhar. Coimbra, Faro e outras cidades, à sua escala, contribuíram também. De realçar que a imprensa internacional, de Espanha ao Brasil, destacam a maciça participação popular.

O País à rasca saiu à rua. Estiveram presentes várias gerações. Os jovens, natural e saudavelmente, em número superior. Mas, o perfil intergeracional do movimento ‘Geração à Rasca’,  de avós, pais, filhos e netos,  a clamar por justiça social, incluiu igualmente um grito de revolta e de inconformismo contra os políticos do poder.  Os actuais e os futuros, embora seja demasiado claro que, por perda de soberania, as medidas de política social, económica e financeira  sejam deliberadas por Berlim – Bruxelas é mera caixa de ressonância, ou nem tanto.

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Prova blogocoisa dos 9 sobre o sucesso da manifestação de hoje

O blogue do governo, nem pia. A direita sonha com o voto dos que agora começaram a votar com os pés na rua. À esquerda nasce a aflição de para a semana não serem tantos na manife da CGTP.

 

Lindo.

Em Coimbra, a maior manifestação em décadas, agora, é deixá-los mesmo à rasca

P3120245 No início, na Pr. da República, contei umas 400 pessoas. Eu e alguns jornalistas. Não sei contar manifestantes numa praça, estando no meio deles. Mas como a manifestação, ao contrário do previsto, se meteu avenida abaixo, fazendo-me o favor de passar debaixo da minha varanda, onde conto manifestantes desde a década de 70, posso dizer que foi a maior manifestação generalista desde essa mesma década. Generalista, porque entretanto houve algumas de estudantes com mais gente, já para não falar de situações como Timor.

Pormenor: saíram autocarros para Lisboa, com 250 estudantes.

Número: digo 1000 manifestantes.

É a vez dos que mandam ficarem à rasca. Até porque hoje apenas se venceu a lei da inércia, agora é não deixar parar o movimento.

Abertura. Também achei que éramos poucos, mesmo que bons.

sos
fotos: Margarida Az e Tz

Manifestação da Geração à Rasca, à rasca com o dia seguinte

É uma das perguntas sacramentais deste tipo de eventos. A festa foi bonita, houve muito povo, enrrascados ou com eles solidários, se bem que enrrascados estamos todos, muitos protestos, afinal este foi o dia em que o povo saiu à rua para mostrar que tem poder.

Vai longa a frase mas não lhe percam o sentido. Não é da manifestação que quero falar. É do dia seguinte. É de amanhã, de depois de amanhã, na próxima semana, no próximo mês, no próximo ano.

Hoje é a euforia. O nosso clube ganhou. A malta esteve em grande e foi para a rua, mobilizou-se, saiu de casa contra a resignação. Estiveram todos unidos pela mesma causa. Mas e amanhã, pá (este pá foi pedido emprestado aos Homens da Luta)? Como vai ser depois da resaca?

“Ah e tal que o manifesto é fraquinho…” ouvi dizer ao longo dos dias. “Pois, são mais uns que falam, falam, mas não fazem nada”, argumentaram outros.

É verdade que o manifesto era fraquinho. De tanto querer enfiar todos no mesmo saco, era um conjunto de banalidades em que todos, literalmente todos, nos poderiamos rever. Era uma espécie de Ruca misturado com Nody e umas pinceladas de Calvin, embora sem os meninos mal comportados de South Park e muito menos um American Dad.

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A Manifestação de todos

Eu fui à manifestação. Fui com a minha mulher e a minha filha. Fomos.

 

Os motivos que a ela nos levaram eram diferentes daqueles que motivaram os meus vizinhos a marcar, igualmente, presença. Nos Aliados encontrei muitas caras com quem me cruzo ao longo dos anos. Na rua, no futebol, na política, no jornalismo, nas lojas, na farmácia, no supermercado ou no restaurante.

 

Ao meu lado um grupo protestava contra os recibos verdes. Eu prefiro protestar conta o esbulho fiscal nos recibos verdes. Outros preferem protestar contra o facto de recibos, sejam eles verdes ou azuis, nem vê-los.

 

Junto ao antigo Império protestam contra toda a classe política. Eu prefiro protestar contra este Governo, o que não é bem a mesma coisa. Mas anda lá perto. Vi mães a protestar contra a falta de emprego para os filhos e netos. Eu protesto, sim, mas pela criação de trabalho, de mais investimento privado sem subsídios/dependências do Estado.

 

Muitos protestavam contra as políticas do governo e eu sigo-os aproveitando para protestar contra as políticas do facilitismo e do curto prazo. Outros, num canto mais distante, protestam contra tudo e todos.

 

Cada um dos manifestantes esteve nos Aliados e na Batalha por motivos bem diferentes e essa diversidade foi patente a quem perdeu algum tempo a observar a multidão. Na(s) praça(s) estiveram os saudosos de Lenine de braço dado com os desejosos de um novo Salazar assim como estiveram, em maioria, aqueles que querem algo tão simples: um Portugal bem diferente.

 

O espantoso deste movimento verdadeiramente espontâneo é essa diversidade que uniu, numa tarde mal disposta e ameaçadoramente chuvosa, gente da direita à esquerda passando por independentes e por aqueles que sabem lá o que é a Social-democracia, o Socialismo, o Comunismo, a Democracia Cristão, o Liberalismo ou o Conservadorismo.

 

Apenas uma coisa nos uniu a todos: um forte sentimento de BASTA deste governo. Foi esse o único cimento agregador de todos estes milhares de portugueses e portuguesas que se juntaram na Batalha e nos Aliados. Uma vontade avassaladora de ver Sócrates e os seus ministros pelas costas, rapidamente e em força.

 

Eu estive na manifestação. Mesmo concordando com boa parte do que Joel Neto escreveu hoje na Notícias Magazine assim como subscrevendo muito do que escreveu, na mesma revista, o Carlos Abreu Amorim. Independentemente daquilo que separava os milhares que marcaram presença, a ausência seria a demissão daqueles que afirmam desejar um Portugal diferente. Isso bastou para rumar ao centro da minha cidade.

 

É tempo de dizer BASTA.

O meu manifesto

Não fui até à Avenida da Liberdade. O texto do manifesto geração à rasca, é de uma pobreza confrangedora, para uma geração que se afirma a mais preparada de sempre, enfim, mas deixo essa parte para alguns autores deste blogue, mais habilitados que eu na matéria. No entanto concordo com parte do objectivo, substituir a descredibilizada classe política e também considero necessário repensar o país. Aos participantes era pedido que escrevessem numa folha A4, as razões do seu protesto. Se porventura tivesse ido à manifestação, teria escrito em breves linhas, diminuir a classe política, começando por extinguir governadores civis, reduzir número de deputados, por consequência também assessores, diminuir o número de autarquias, autarcas eleitos e assessores nomeados, extinguir boa parte das Direcções-gerais, Institutos e afins, reduzir subsídios do Estado a empresas públicas, iniciando um processo com vista à privatização das mesmas…

12 de março, a rua é nossa

Quando tinha 14 anos houve um golpe militar e depois uma revolução. Bem, uma pequena revolução. Mudou-me a vida.  Não mudou a nossa vida como gostaria que tivesse mudado; as mesmas 20 famílias voltaram para tomar conta do país que é sua propriedade desde o séc. XIX; a política que por uns tempos se alimentou de sonhos passou a ser a carreira com que alguns sonhavam, e não estando tudo agora como estava, tem estado cada vez pior.

Quando houve essa pequena revolução passei mais tempo nas ruas que em casa. A rua era nossa. Depois voltei para casa. Nestes 30 anos poucas vezes fui à rua. A rua agora às vezes tem manifes formatadas. Uns tipos de megafone na mão gritam palavras de ordem como se fossem ordens, o pessoal repete como se estivesse num filme militar americano. Não faz o meu género.

Hoje volto à rua. Porque não houve formatação nem nasceu de organizações formais, e gosto da informalidade. Porque se o tema é uma geração o problema é de todas as gerações. Porque já não via tanta força e espontaneidade desde os idos de setentas. Porque estarei a caminho da senilidade mas ainda sei distinguir uma revolta de um ritual. Porque estamos fartos.

Porque, 123, acredito que hoje a rua volta a ser nossa.

Podem dizer o que bem entenderem…


… mas o fulano vai acabar assim, ou ainda pior. Não perde pela demora.

Pedro Passos Coelho

 

When the going gets tough, the tough get going.


Requiem por um executivo

-Há uns tempos escrevi um post classificando como precipitada a moção de censura do B.E., mas deixei no ar a possibilidade de Sócrates ter ganho apenas algum tempo, tudo iria depender a meu ver do comportamento do PCP. Confesso que me enganei, não será necessário esperar por Abril, a não ser que dê o dito por não dito, algo que no PSD não seria inédito, o fim da era Sócrates foi decidido por Pedro Passos Coelho, ao rejeitar liminarmente qualquer possibilidade de viabilização às medidas anunciadas pelo Xerife de Nottingham que governa Portugal, apesar do apregoado sucesso do actual PEC em vigor, que reduziu salários e subiu impostos, a verdade é que José Sócrates e Teixeira dos Santos já preparavam novo assalto aos rendimentos dos portugueses. [Read more…]

Avenida da França – 2

Esta fotografia de um comboio oriundo da Póvoa ou Guimarães e com destino a Porto Trindade terá pouco mais de 60 anos; a locomotiva E86 com a caixa de ferramentas em cima do tanque esquerdo.

A execução orçamental está a correr bem

José Sócrates, contratado pelo governo alemão para desempenhar as funções de carrasco do orçamento das famílias portuguesas, declarou que a execução “está a correr bem, para não dizer muito bem, em Janeiro e Fevereiro.” Quando interrogado sobre se os métodos utilizados não serão demasiado dolorosos, Sócrates declarou que é adepto da morte lenta: “Apesar de tudo, é mais humano, acho eu: um corte agora, outro mais tarde, e os orçamentos vão perdendo as forças e a capacidade de reacção. A srª Merkel preferia uma coisa mais tipo guilhotina, mas eu lá a vou convencendo.” José Sócrates aproveitou, ainda, para elogiar os seus assistentes, com realce para Pedro Passos Coelho: “Embora ainda não tenha muita prática com o machado, vê-se que há ali potencialidades. Quando eu sair, o lugar de carrasco ficará, com certeza, porreiramente entregue, pá!”

Cartoon roubado aqui

Modess aderente…


Tudo bem à portuguesa. Depois de Louçã, Jerónimo e Cavaco, já há mais “modésses aderentes” à manifestação do actual sistema/regime. A JSD acaba de “aderir” e para cúmulo, os deputados das “juventudes partidárias” – menos os PS’s – também.

Como se vê, o regime em peso manifesta-se contra si próprio! É o cúmulo da ignomínia.

Na ordem…?

Nos tempos do ex-primeiro-ministro agora Presidente da República com vontade de voltar a ser chefe de governo, via telecomando Passos Coelho ou… Rui Rio… ou…
Voltando ao tema, dizia que em tempos houve uma forte aposta do PSD ( do PS?) em procurar pulverizar o movimento sindical docente gerando micro, mini e pseudo sindicatos uns atrás dos outros. No fundo tratava-sede procurar anular a força do PC e das alas esquerdo-sindicais de PS e PSD.
A situação foi de tal modo hilariante que além da FENPROF, todos têm a ideia que há a FNE… E outros…
Na fase pré-mega luta de 2008/09 houve uma amostra de sindicato que se mostrou à porta do ME com os governantes, dizendo que estava feito e que os professores podiam voltar para casa porque eles, a amostra, e a dona de que nem me quero lembrar o nome, tinham resolvido tudo.
Depois foi o que se sabe.
Nesse contexto todos foram capazes de perceber que a energia seria muito mais forte se todos estivessem juntos e essa foi uma das maiores armas dos Professores que levaram às manifestações que todos conhecemos.
Houve blogues, movimentos, professores, houve tudo e nada, mas houve sindicatos e houve sindicatos UNIDOS.
E serve a presente história do movimento sindical recente para vos pedir um pouco de atenção para as cenas dos próximos capítulos.
Amanhã os professores vão voltar à rua… O resto ficará para adivinhar… Mas, desta vez PS e PSD têm que procurar outro caminho porque estamos a ficar fartos destes imbecis que nos querem pôr na ordem!

http://www.youtube-nocookie.com/v/Gt-KydzN9T0?fs=1&hl=pt_PT

imPECados

teixeira dos santos e os impostos

 

As notícias da extrema-direita no governo de Portugal

Estação do Tua

Com 64 anos de idade, a locomotiva E112 parte da estação do Tua para uma viagem de 133 km em direcção a Bragança; à direita, a Linha do Douro, na altura ligando ainda o Porto a Salamanca e Madrid em comboio directo com restaurante a bordo.

Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar

1. A manifestação é pela demissão de toda a classe política?

Não. Existe um manifesto, onde em parte alguma se fala de tal coisa. Leia-o.

2. Mas então quantas manifestações estão convocadas?

Várias, nas principais cidades portuguesas e mesmo junto a algumas das nossas embaixadas. Houve uma confusão com o grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, o qual já emitiu um comunicado, esclarecendo não estar “de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca. Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março”

3. E o mail que por aí circula com uma série de reivindicações?

Circula por iniciativa de quem o escreveu. Não foi subscrito pelos organizadores das manifestações.

4. Os partidos políticos foram convidados e vão participar?

Os promotores dirigiram uma Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades, e irá quem quiser participar. No meio da confusão gerada, era o mínimo que poderiam fazer até para se demarcarem da ligação com a tal demissão de toda a classe política.

5. É verdade que a extrema-direita está envolvida na manifestação?

No facebook aparecerem convocatórias para várias manifestações, e concentrações, algumas claramente conotadas com a extrema-direita. Têm um apoio irrelevante.

6. A manifestação é para que idades? [Read more…]

Moção de ternura: serviço público de trocadilhos

Paulo Portas nunca perde uma oportunidade de reactivar o director de O Independente que vive dentro de si, tendo, hoje, inventado o trocadilho “moção de ternura”, acusando o Bloco de Esquerda de estar a favorecer o governo. O CDS, certamente para prejudicar o governo, absteve-se, permitindo que a moção fosse chumbada e o governo continue em funções, mesmo que continue a não governar.

O que me traz aqui hoje é poder proporcionar novos trocadilhos para as moções de censura que serão chumbadas durante o ano que se avizinha politicamente agitado. Aqui ficam sete propostas:

1. Moção de tortura – assim poderá ser designada qualquer moção de censura condenada a ser derrotada, permitindo que o País continue a ser torturado pelo mesmo governo que todos censuram, incluindo o Presidente da República;

2. Emoção de censura – há censura e há emoção, haverá queda ou não;

3. Maçã de censura – o partido que propõe a moção será comparado a Eva, ao querer oferecer ao resto da oposição o fruto proibido;

4. Missão de censura – o partido proponente considera que está a cumprir o seu dever de censurar o governo;

5. Micção de censura – nas palavras críticas dos restantes partidos da oposição, a moção não passa de uma mijinha, para além de se acentuar a metáfora excrementícia;

6. Moção impossível – assim será designada a moção de censura que se autodestruirá em pouco tempo.

7. Morcão de censura – embora a expressão seja pouco regimental, caberá a um deputado nortenho classificar assim o adversário que defender mais uma moção que será chumbada.

Resultados da votação da moção de censura do BE

Correu tudo como se previa, BE, PCP e Verdes votaram a favor, PS contra, PSD e CDS abstiveram-se. Tudo previsível e sem novidades. Siga a música, que os dançarinos são os mesmos.

Professores de novo na rua

Lisboa vai assistir no Sábado à primeira MANIFESTAÇÃO de força dos Professores contra as mais recentes políticas do Governo. O campo pequeno vai ser pequeno para receber os milhares de professores que se vão deslocar de todo o país. A tal poupança de 43 milhões que a Ministra quer concretizar não pode ser feita à custa da qualidade da escola pública, porque aí estamos a colocar tudo em causa.
Este vai ser, certamente, o primeiro dia de muitos outros porque as escolas estão a pegar fogo…

O Discurso do Presidente, com Anos de Atraso

DÉCADA PERDIDA
O senhor Presidente de Portugal tomou ontem posse.
Por essa razão fez um discurso, e a maioria dos comentadores entendeu que foi arrasador para o governo que nos governa, tendo acabado com a cooperação institucional.
Ora se foi assim, e ouvido o discurso, foi assim mesmo, pergunto-me o que terá mudado para que tal tenha acontecido. Ainda não há muitas semanas, a cooperação existia e ninguém queria arrasar qualquer outro ninguém, e os pressupostos agora apresentados já são de todos conhecidos há muitos meses, tendo vindo muitos dos alertas do Banco de Portugal e muitos outros de todos nós, as variadíssimas gerações de rascas e à rasca.
O que mudou foi o mandato do Presidente. Estamos no segundo e último, e durante o primeiro não convinha fazer muitas ondas para assegurar o segundo. Tem sido assim desde há muitos anos. Todos os Presidentes pós revolução assim procederam. Um primeiro mandato frouxo e amorfo e um segundo interventivo.
Falou o de novo Presidente numa década perdida. Não me posso esquecer que dessa década, metade do tempo tivemo-lo como Chefe. É co-responsável com este (des)governo por omissão, e agora, segundo mandato assegurado, quer remediar o erro propositadamente cometido.
Mas não me parece que tenha coragem para, assumindo o que disse deste governo, o despedir. Vai esperar que sejam os deputados da Nação a tomar essa medida.
E por este andar a década vai ter mais anos do que deveria ou poderia ter.
Para que serve então o primeiro mandato presidencial? Para que serve então ter um Presidente em Portugal? Para que nos serve esta República?

Programa de governo do PSD: sempre a matriz empresarial

O PSD pediu a 55 empresários contributos para um programa de governo cuja elaboração está a ser coordenada por Eduardo Catroga. António Horta Osório ( novo CEO do Lloyds Bank), Faria de Oliveira ( CGD), José Maria Ricciardi ( BES- Investimentos), Ferreira de Oliveira ( Galp), Vera Pires Coelho ( Edifer), são alguns dos empresários, de várias áreas da vida económica, que colaboraram com esta iniciativa. Desse pedido resultaram 365 ideias que serão publicadas em livro, com prefácio de Pedro Passos Coelho, que já declarou que o partido não está vinculado a essas ideias, mas que não deixará de “as ter em boa conta.”

Longe de mim desprezar em bloco qualquer contributo constituído por tantas partes. Não posso, no entanto, deixar de começar por notar a omnipresença de Catroga, o homem que cozinhou em sua casa o Orçamento de Estado que está a ser aplicado pelo governo que o PSD critica. Para os mais distraídos, é o mesmo Eduardo Catroga que já foi Ministro das Finanças, no último governo de Cavaco Silva. É o que se chama, certamente, uma lufada de ar fresco no mundo bafiento da política portuguesa.

Finalmente, a matriz dos últimos anos mantém-se. Na opinião de muitos políticos, da extrema-direita à esquerda aparente, a resolução dos problemas do país reside, apenas ou sobretudo, na visão empresarial. Trata-se de um paradigma em que vivemos há vários anos e que, ao que parece, não tem contribuído grandemente para resolver os problemas do País. Segundo esse paradigma, são os empresários que detêm as soluções milagrosas e desinteressadas, porque um país não seria, afinal, mais do que uma empresa.

Sabe-se que chegarão mais contributos com os estados gerais. Não sei se aí, ainda que em segundo lugar, serão ouvidas outras classes profissionais e auscultados outros quadrantes da sociedade. O que se sabe é que o coordenador é António Carrapatoso, gestor e um dos promotores do Compromisso Portugal.

Cavaco vai estar no Campo Pequeno

Quem era o Presidente quando estiveram na rua 100 000 Professores? E quando foram 120 000? E quando foram 80 000?
Mas, ao ouvir o Presidente de alguns portugueses no discurso da sua tomada de posse então podemos estar na presença de uma boa nova. Cavaco Silva vai estar, Sábado, comigo no Campo Pequeno. É um exemplo de cidadania que o nosso (cruzes canhoto!) Presidente vai dar – participar na manifestação de Professores no próximo sábado. Só pode. De certeza que era isso que ele queria dizer no discurso… De certeza…

Comunicado do grupo 1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política

Comunicado 8 de Março 2011

Vimos esclarecer o seguinte:

1 – O grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, ainda NÃO tornou pública qualquer iniciativa de rua.

2 – O grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, NÃO está de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca.

Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março

3 – Email “Chegou a Hora”

A mensagem de correio electrónico de 30 pontos que tem circulado nos últimos dias no ciberespaço NÃO É um manifesto do grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”. [Read more…]

Porto Boavista

Avenida da França, Linha da Póvoa e Guimarães, 1968; esquerda é visivel a anterior estação terminal Porto Boavista. À cabeça de um comboio muito provavelmente oriundo da Póvoa de Varzim, a locomotiva E141, de fabrico alemão, da série mais potente das vias estreitas portuguesas. Poucos anos faltavam até que começassem a concorrer directamente com locomotivas a diesel. Não perdiam a corrida, diz quem sabe.

Bill Gates sobre a energia

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O Discurso e a Consequência:

“Aumentar a eficiência e a transparência do Estado e reduzir o peso da despesa pública são prioridades não apenas de natureza estrutural, mas também conjuntural.
Realismo, avaliação rigorosa das decisões, justiça na distribuição dos sacrifícios e melhoria do clima de confiança são exigências impostas pelo presente, mas que devemos também às gerações futuras. O caminho é possível, mas não será fácil nem rápido.
Reitero a minha convicção de que está em causa um esforço colectivo. É importante, por isso, que Governo, Assembleia da República e demais responsáveis políticos assumam uma atitude inclusiva e cooperante, que seja também factor de confiança e de motivação para os nossos cidadãos. A estabilidade política é uma condição que deve ser aproveitada para a resolução efectiva dos problemas do País. Seria desejável que o caminho a seguir fosse consubstanciado num programa estratégico de médio prazo, objecto de um alargado consenso político e social.

A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.
O País terá muito a ganhar se os Portugueses, associados das mais diversas formas, participarem mais activamente na vida colectiva, afirmando os seus direitos e deveres de cidadania e fazendo chegar a sua voz aos decisores políticos. Este novo civismo da exigência deve construir-se, acima de tudo, como um civismo de independência face ao Estado.

É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.
Esta é uma tarefa de todos, cada um tem de assumir as suas próprias responsabilidades. É essencial que exista uma união de esforços, em que cada português se sinta parte de um todo mais vasto e realize o quinhão que lhe cabe.
Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

É fundamental que a sociedade portuguesa seja despertada para a necessidade de um novo modo de acção política que consiga atrair os jovens e os cidadãos mais qualificados. O afastamento dos jovens em relação à actividade política não significa desinteresse pelos destinos do País; o que acontece, isso sim, é que muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições.
Seria extremamente positivo que os jovens se assumissem como protagonistas da mudança, participando de forma construtiva, e que as instituições da nossa democracia manifestassem abertura para receber o seu contributo. A geração mais jovem deve ser vista como parte da solução dos nossos problemas.” – Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República (Março 2011)

Depois deste discurso só podemos tirar uma conclusão: para o PR este governo é parte do problema e não da solução. E assim sendo…