Ainda Os Polvos

«Meia tonelada de polvos mortos foram recolhidos entre as praias do Canidelo e de Valadares, na região de Vila Nova de Gaia. Desconhece-se a razão pela qual tantos polvos deram à costa, mas é pouco provável que tenham sido atirados ao mar ou que tenham sido afectados por poluição».

Notícias de última hora informam que estes polvos, encontrados mortos há algumas semanas, mais não eram que  polvinhos descartáveis, já sem préstimo algum, queimados e sem telemóveis, que somente teriam servido para certos controlos menos recomendáveis.

Aos donos/patrões dos ditos, detentores de enormes apêndices não segmentados e geralmente flexíveis, só restava mesmo o seu descarte durante a noite, antes que o sol nascesse e se visse tudo.

Para mal dos seus (deles) pecados, o sol tudo vê e tudo encontra, e pelos vistos não teme as queimaduras das ventosas dos tentáculos. O sol tudo trata , o sol tudo sara, mesmo que à força das palavras, e da divulgação de escutas que ninguém quer que sejam ouvidas.

A face oculta de Carlos Magno


O que leva um jornalista aparentemente inteligente como Carlos Magno a comparar o caso Monica Lewinsky ao caso das escutas que envolvem o primeiro-ministro?
Aconteceu ontem no «Contraditório», programa da Antena 1 onde participam também Ana Sá Lopes e Luis Delgado?
Carlos Magno não sabe – ou não quer saber – qual é a diferença entre actos privados da vida privada pessoa e actos privados da vida pública?
Pois eu explico: se o primeiro-ministro combina ao telefone um encontro amoroso com a «Rainha das Meias», esse encontro não deve ser público – é um acto privado da vida privada. Ora, se o primeiro-ministro combina ao telefone o silenciamento de um canal de televisão, isso é um acto feito em privado nas que tem a ver com a vida pública e que, por isso, deve ser público. Porque não diz respeito à vida privada do primeiro-ministro.
Sempre gostei de Carlos Magno, mesmo quando lhe chamavam caixeiro-viajante (programa na SIC com Paulo Alves Guerra) e em especial na fase dos programas que fazia na TSF com o professor «Não é?». Mas nunca compreendi, nos últimos anos, a feroz defesa que sempre fez de José Sócrates. Defende-o em todas as circunstâncias, compara o que não tem comparação, parece um desses socratistas cegos que não vê nem quer ver.

E o sr. PGR, sr. Presidente do Supremo?

Diz V. numa entrevista (algo manca, sr. Presidente…) que num dos seus despachos (estou a escrever de ouvido) escreveu que as escutas não teriam índicios sérios “…se não se viessem a verificar novos factos que exigissem a abertura de inquérito…”

Ora, se no mesmo despacho V. manda destruí-las…

Face a esse despacho, onde V. coloca a hipótese de relevância criminal a existirem novos índicios, não seria obrigatório o sr. PGR mandar investigar? Como é que se podem encontrar novos índicios se não se investiga?

A verdade, pelo que se percebe em tudo o que são declarações de gente do PS, é que V. e o Sr. PGR dão as escutas (as que não foram julgadas ilegais) como “…não tendo relevância criminal…” mas V. nesta recente entrevista acrescenta-lhe um “se” que muda tudo! Temos ou não um inquérito sobre esta matéria? As pessoas escutadas estão ou não sob inquérito? Ou a existência de inquérito é, nesta fase, segredo de Justiça?

É que em plena Assembleia da República o que se ouve são os senhores deputados do PS e o próprio primeiro ministro dizerem que a Justiça já se pronunciou, o que aquele “se” que V. deixou escapar, desmente, a não ser que o Sr. PGR não tenha continuado a investigar, como o despacho de V. exige! (embora também já se comece a ovir isto)

Vossa Excelências importar-se-iam de explicar publicamente por forma a que o povo deixe de ter estes racíocinios, evidentemente ignaros, mas que não nos deixam dormir em paz?

O Sol quando nasce não é para todos


Em busca do «Sol»

Como eu compreendo a Morgada. Em Rio Tinto, terra desgraçada, pelo menos na zona que confina com Fânzeres, o «Sol» não se vende. Em Gondomar, já tinha esgotado. Felizmente, ainda há terras como Ermesinde. Num quiosque do centro já tinha esgotado a edição, mas vendiam as sete páginas das escutas, fotocopiadas, a 1 euro. Para o leitor serve e, para o quiosque, o lucro é bem maior.
Afinal, tenho de reconhecer que o João Cardoso tem razão: o Sol quando nasce é para todos.

José Sócrates nega plano do Governo para controlar os media

Diana ou Filipe – o «Sol» sabe quem vai ganhar os Ídolos


O «Sol» sabe, através de escutas feitas a funcionários de «call center», quem vai ganhar os «Idolos» no próximo Domingo. José António Saraiva e Felícia Cabrita já estão a preparar uma edição extra para amanhã.
Meus senhores: ganhe a Sofia, ganhe o Filipe, ganhe o raio que os parta. Mas ganhe alguém e acabem de vez com isso. Já não posso ouvir falar da porcaria dos «Ídolos». Foda-se!
Eh já agora, a família da Sofia podia parar de telefonar aos milhares para os «call center», porque ganhar assim não é justo. Como diz um dos seus familiares no Facebook, Tiago Mendes», «Famíla. Vou-me ausentar. Logo à tarde regresso. Mas não parem de votar, porque eu também não paro. 760 300 507.»
Se é que percebem o que eu estou a dizer…

Mais escutas do «Sol» (II)

continuação daqui

TRANSCRIÇÃO DAS ESCUTAS REVELADAS NA EDIÇÃO DE 12 DE FEVEREIRO DO «SOL»

[Vê se podes] «dar um pontapé para cima em relação ao Paulo Fernandes, porque a CGD borregou um bocado. Está previsto uma compra da parte dele da informação pela empresa do Nuno Vasconcelos com conhecimento do amigo do Vara, ou melhor, por indução do amigo.» (Fernando Soares Carneiro, representante do Estado na PT, para Armando Vara).

– «Por indução de cima foi acordado que se tentaria comprar o Correio da Manhã ou mesmo a Cofina e que isso foi colocado na empresa [PT] como objectivo». (Fernando Soares Carneiro para Armando Vara)

– «Quem falou foi do gabinete do amigo de Vara lá de cima.» (Armando Vara para Fernando Soares Carneiro sobre se já tinham falado com um administrador da Caixa Geral de Depósitos)

– «Já começaram as negociações, a Caixa não está a ajudar e esse assunto foi comunicado a quem de direito e que queria alguma pressão a alguém de cima.» (Fernando Soares Carneiro para Armando Vara) [Read more…]

Todas as escutas do «Sol» (I)

TRANSCRIÇÃO DAS ESCUTAS PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE 12 DE FEVEREIRO

«- Não querendo fazer perguntas inconvenientes, só uma questãozinha: o Henrique [Granadeiro] chegou a ir lá?
– Esse é o problema… Não estou a pedir para o receber. Ele recebeu-o sozinho e isso já está em todos os jornais. Lembras-te da minha conversa com ele. Foi o Henrique que o deu à morte.» (Paulo Penedos e Ruii Pedro Soares)

– «O Henrique já disse à Lusa que não falou com o Governo.» (Paulo Penedos para Rui Pedro Soares)

– «[Liguei-lhe] 5 vezes e exigi que ele falasse com o chefe, que já estava aos berros.» (João Carlos Silva para Paulo Penedos)

– «Então são vocês que recebem ordens para fazer, mas recebem ordens para desfazer?»
— «Sócrates não se quer ver embrulhado numa guerra… isto tinha um tempo para se fazer, agora…,» (João Carlos Silva para Paulo Penedos)

– «A senhora vai ficar lá devidamente espaldada. Ninguém lhe toca, ninguém lhe chega. Iam ter de trucidar tudo e todos.» (Joaquim Oliveira para Armando Vaqra sobre o que Júlio Magalhães lhe terá dito sobre Manuela Moura Guedes)

– «Tenham cuidado com as perguntas que andam a fazer!» (Joaquim Oliveira para José Leite Pereira sobre jornalistas novos que andam a investigar o fim do Jornal de Sexta da TVI)

continua aqui

Ver mais notícias sobre o caso aqui, aqui e aqui.

Eis a primeira página do «Sol» de amanhã


Ver mais aqui, aqui e aqui.

A capa do «Sol» em exclusivo no Aventar


Enquanto isso, continuamos sem saber se a maior acção de censura que já se viu depois do 25 de Abril vai ter êxito ou não

Vão ser publicadas na mesma

Mesmo que o «Sol» seja impedido, as escutas vão ser publicadas na mesma. Nos jornais, na internet ou em qualquer outro meio de comunicação.
Mas o gajo é burro ou faz-se?

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde*

«Primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei, porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários, mas a mim isso não me afectou, porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas, mas eu não me incomodei, porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir, chegou a vez dos padres, mas como eu não sou religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde.»

Bertolt Brecht

* Este «post» é dedicado a José António Saraiva, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo.

Rui Pedro Soares

É uma vergonha, anda um gajo a fazer o trabalhinho sujo do chefe e apenas recebe 16 vezes mais que o chefe? Que maldade!

Um tipo fica com a vida num frangalho aos 36 anos, com a fronha espetada em tudo quanto é jornal, blogue e site por meros 2,5 milhões/ano. Mas onde estamos?

Coitadinho. Os trabalhadores da Função Pública na manifestação vão, certamente, ser solidários com este rapaz, o bom samaritano do Rui Pedro Soares

Sócrates estrebucha nos seus últimos momentos

Providência cautelar para impedir a publicação do «Sol». Há coisas fantásticas, não há?

Estranhas manobras

O surrealismo lusitano, canta e ri, corre e dança, inebriante, vicioso, contagiante. Num carrossel contínuo que mal permite repor o fôlego. Tudo é informação, tudo é actualidade, e no entanto nada parece verosímil.

Dois episódios de ontem, deste carrossel:

1 – A escova de Francisco Louçã sobre os ombros de José Sócrates, no plenário parlamentar, em híbrido gesto de solidariedade para com o Primeiro-Ministro, acerca das escutas.

Não bate certo, algo está por trás disso. Talvez as presidenciais. Talvez.

2 – O estranho avanço de Paulo Rangel, numa sôfrega candidatura à presidência do PSD, a dividir um eleitorado com Aguiar-Branco, e a solidificar um outro eleitorado, o de Pedro Passos Coelho.

É uma candidatura tardia, incoerente e desleal. Imprópria para quem assumiu o compromisso de que ficaria no Parlamento Europeu, e que as excepcionais razões do actual momento político por ele invocadas, só servem de injusto atestado de incompetência a Aguiar-Branco.

Parece que o Norte continua a assustar as ditas elites do PSD, desde os tempos de Francisco Sá Carneiro.

Pedro Passos Coelho agradece.

Num inebriante começo de mês, estas são apenas duas voltas de um carrossel de estranhas manobras. Tudo à roda, sem tino ou razão.

Da Emaudio à TVI


Os socialistas no poder são useiros e vezeiros na «arte» de controlar ou tentar controlar a Comunicação Social portuguesa. É curioso que, agora que se sabe os contornos exactos desse controle, seja precisamente Mário Soares a defender o primeiro-ministro, dizendo que, no seu tempo, nunca foi tão atacado como ele.
Mário Soares que esteja calado e que deixe de alardear aos quatro ventos a sua senilidade: ao lado da Emaudio, um grupo empresarial com «testas de ferro» no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais, o negócio da TVI é uma brincadeira de crianças. E nisto dos negócios esconsos, Sócrates nunca conseguiu chegar aos calcanhares de Soares.
Mais: nos tempos em que, como primeiro-ministro, Mário Soares telefonava para os Telejornais aos gritos sempre que qualquer notícia o incomodava, só havia dois canais de televisão do Estado, meia dúzia de rádios e jornais, não havia internet e podia-se facilmente comprar toda a tiragem de um livro incómodo para que ele não chegasse ao grande público.
Claro que Mário Soares não foi tão atacado como José Sócrates.

Jornalismo de buraco de fechadura? Excelente!

José António Saraiva diz e diz muito bem. «O grande jornalismo é aquele que vai aos bastidores, que vai atrás da cortina ou do buraco da fechadura. O trabalho jornalístico que verdadeiramente enobrece a imprensa é aquele que consegue desmontar e pôr a nu as coisas que o poder político, económico, judicial ou religioso pretendiam manter escondidas e camufladas e denunciar determinadas actuações ilegítimas do poder, e em que há notória cumplicidade do poder judicial» (via Desabrantizante)
E não venham os moralistas de pacotilha, que sopram para o lado que lhes convém, falar de privacidade e de intimidade. Quem está a cometer um crime não tem direito à privacidade.
Se os jornalistas espreitassem pelo buraco da fechadura para saber quem é a nova namorada de José Sócrates, os defensores do primeiro-ministro teriam toda a razão.
Agora, se os jornalistas espreitam pelo buraco da fechadura para saber se José Sócrates tentou dominar a comunicação social em vésperas de eleições, então não têm razão nenhuma. Porque para os criminosos não há direito à intimidade.

Desculpe, disse? #3

Não há indício de plano do PM para controlar a imprensa”.

Quer dizer, pois, talvez, bem, olhem para a minha cara:

Pois, se calhar não há. Quer dizer. O meu ar de sofrimento? Nem sabem como tenho passado mal estas noites desde a publicação das escutas no Sol. Não se faz, não é? Mas olhem para mim agora:

Assim, ah, já estou mais convincente, pá. Ainda faltam dois dias para sexta. A manif? Qual manif, pá? Não há qualquer indício que a manif seja contra o PM, pá. Pela Liberdade?

Ó pá, pela minha saúde, pá.Bem, agora vou ali e já venho, tá?

Indiferente às notícias, ignorando que eram os seus últimos dias, cumpria o programa habitual

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«Todos pela Liberdade» – Antevisão


Na quinta-feira vai ser assim

Vergonha, precisa-se

As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.

Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.

Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).

Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.

Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.

Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.

Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.

Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?

A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.

Ana Gomes, a sobrevivente

Foram-se todos embora e deixaram a Ana Gomes sozinha a fazer de voz da liberdade dentro do PS:

Nao é possivel – e, como socialista, não me parece útil – varrer para debaixo do tapete as questões que tais escutas suscitam: é preciso esclarecer se era, ou não, por instruções governamentais que a PT estava a negociar a compra da TVI à PRISA.
Acresce que o que foi publicado – e até hoje não foi desmentido – reforça dúvidas sobre a actuação das mais altas instâncias do Ministério Público.
É o Estado de direito democrático que pode estar em causa.

Ana Gomes

«O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. Vão passar uns fundos para Londres.»

ALGUMAS DAS ESCUTAS DA «FACE OCULTA», REVELADAS PELO «SOL» NA ÚLTIMA EDIÇÃO

 

– «Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo» (Armando Vara, aquando do primeiro falhanço do negócio de compra da PT)

– [Pede-lhe] «para marcar a reunião para a semana, conforme combinado» (Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT, em conversa com Paulo Penedos, pedindo para marcar reunião com Manuel Polanco, da PRISA).

– «Ela, Manuela Moura Guedes, vai ser anunciado já que vai sair – vai para o entertenimento. Ele deve ser muito bom porque os espanhóis querem fazer a transição com tranquilidade. O que ele não sabe é que já não estão a pedir a cabeça dele.» (Paulo Penedos para pessoa não identificada)

– O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. (…) Vão passar uns fundos para Londres.» (Paulo Penedos para Américo Thomatti, quadro da PT e presidente executivo do Tagus Park)

«No dia 29 de Maio, Rui Pedro Soares diz que esteve «com o Júdice» [José Miguel Júdice], que pensou outra solução».

«Inventou-se uma solução de antologia: Compram activos em baixo, o que permite que a PT, directamente, possa comprar a internet e a produtora de novelas, e que outras entidades mais inócuas vão comprar 30% da televisão.» (Rui Pedro Soares com Paulo Penedos)

– «Vão comprar 30% por 90 milhões e era importante que o João Carlos [João Carlos Silva, ex-presidente da RTP nomeado por Vara] conseguisse, pelo menos, uma participação de 9 milhões. Em dinheiro seriam 3 milhões no máximo.» (Rui Pedro Spares para Paulo Penedos)

– «Vai haver alterações imprevisíveis na comunicação social, que vai deixar de ser controlada [daí a dois dias] por Moniz e Manuela.» (Paulo Penedos para um tal de Luis, 17 de Junho)

Todos Pela Liberdade

Concentração junto à Assembleia da República, na próxima Quinta, 11 de Fevereiro, pelas 13h30.
O Aventar vai marcar presença. E vocês?

(Amanhã o Aventar publicará o Manifesto).

Destra Sinistra, 7.02.10

Uns gostam. Outros não. Mas a verdade verdadinha é que a blogosfera nacional é o último reduto da Liberdade de Expressão em Portugal. Não acreditam? Então façam o favor de ler estes links que vos deixo esta semana:

Logo de entrada, o Rodrigo Moita de Deus coloca o dedo na ferida, no 31 da Armada.

Logo a seguir, com entrada de carrinho e a pés juntos, o Tiago Mota Saraiva deixa o aviso no 5Dias.

E o Miguel não lhe fica atrás na Devida Comédia.

O Diabo está nos detalhes e no Albergue como se pode verificar ao ler a posta do Pedro Múrias.

Já a Helena Matos não é de modas e chega-lhes forte e feio no Blasfémias.

Mas a Ana Craveiro ilustra a situação em verdadeiro Delito de Opinião.

Por fim, o Filipe Abrantes finta tudo e todos e remata ao ângulo superior esquerdo de forma Insurgente.

Chafurdar na mentira não é higiénico

O pior que nos pode acontecer é relativizar tudo o que nos acontece. O nosso déficite é de 9.3% do PIB o da Espanha tambem; a dívida é de 100% a da Grécia é maior; o desemprego é de 10% o da Espanha é 19%….

Mas, para as coisas que gostaríamos que nos acontecesse mas não acontecem, aí já não se relativiza nada, não se falam nelas sequer.

A Espanha anda há anos a renovar o seu tecido empresarial, com melhores equipamentos, inovação e formação aos desempregado e muito do desemprego tem a ver com essa renovação. A Alemanha dá mostras que o seu sector de exportação está a retomar. Todos, na UE, são muito mais ricos e justos que nós…

O primeiro ministro é escutado e as conversas são reveladoras de atentados à liberdade de expressão. Pois, não devia, mas não houve um ministro que alinhava os telejornais da RTP ? José Sócrates mentiu na Assembleia da República ao dizer que nada sabia do negócio da PT com a TVI . Mentir mentem todos. O PGR e o Presidente do Tribunal Superior não ouvem nada de especial onde uns “eruditos e experientes” boys de 32 anos (pagos a peso de ouro) são incumbidos de irem a Espanha fechar o negócio com os espanhóis donos da TVI.

Vara ralha com o primeiro ministro e diz que ele não devia dizer que não conhecia o negócio e isso, de mandar calar o primeiro ministro, é “tão natural como a nossa sede…” Os jornalistas que criticavam Sócrates foram todos afastados, mas afinal o que é que se espera, não é a suposta vítima promover a limpeza, afastar os adversários?

Tudo relativizado, não há perigo nenhum, salvo no dia em que alguem considere que tudo isto não é mais do que  merecemos!

Da última vez tivemos um governante a pensar assim durante quarenta anos!

E agora que as escutas foram escutadas?

Todos tínhamos uma ideia acerca das escutas. Os juízes de Aveiro não podem ser uns atrasados dando-se ao rídiculo, diziam uns, não há nada, ou são ilegais, diziam outros.

E agora que sabemos? As escutas podem ser queimadas? O PGR e o Presidente do Supremo não têm que vir explicar o que não ouviram? Não ouviram as vozes a urdir um plano para “desactivar” informação jornalística incómoda? Vamos todos fazer de conta que não há nada? Que já houve um ministro da propaganda que fazia a “linhagem” do telejornal da RTP e, por isso, há que relativizar mais este tropeção democrático?

E o que acontece à imagem do primeiro ministro? E à sua credibilidade? São coisas sem importância para o país, para a credibilidade junto das instituições internacionais que nos podem ajudar a sair desta situação aflitiva?

Sócrates pode continuar como primeiro ministro? O Presidente não tem uma palavra a dizer? A Assembleia da República não pode propor a substituição de José Sócrates, por outro socialista? Tem a maioria oposicionista para o fazer!

O país, mesmo quem o defende, acredita em José Sócrates?

Após a publicação das escutas nada será como dantes, agora a questão passa a ser, quando?

As notícias de hoje pelo buraco da fechadura…

O nosso Primeiro, esse grande defensor da Liberdade de Imprensa, exclama hoje sobre o que apelida de “jornalismo de buraco da fechadura” e eu a pensar que ele se estava a referir aos negócios do jornalismo por debaixo da mesa que, pelos vistos, os seus mais chegados andam a fazer. Até Cavaco Silva, vejam bem, apela ao respeito pela Liberdade de Imprensa. Amanhã, ou muito me engano, ou vai apelar a que devemos ajudar Sócrates a terminar o mandato com toda a dignidade. A vingança é um prato que se serve frio. Aqui e em Boliqueime.

É obrigatório ler o editorial do i. É uma forma de melhor compreender o que escrevi em cima.

Mas, na óptica dos portugueses, vamos lá falar do que interessa: o vírus Sá Pinto. Então não é que o fleumático Carlos Queiroz bateu no sensaborão Jorge Baptista? Deve ter sido uma coisa arrepiante. Tipo “lutadores de Sumo”. Espero pelas imagens deste túnel e do competente castigo a aplicar pelo menino da Liga. Ups, neste caso só a FPF e a ERC é que podem actuar. Deixem lá.

Nota final: ainda pensei que tinha sido o Aventador Luís Moreira

Sócrates, a comunicação social e os sapos

Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:

Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.

O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:

do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo

e o segundo:

‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’

Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando: [Read more…]

Rapidinhas Aventar #2:

Ok, se estas escutas não são as que foram destinadas a ser destruídas, é só esperar pela próxima edição do Sol para pasmar a ler as ditas…