Todos os anos, o Orçamento de Estado despeja 300 milhões de euros nos colégios privados por um serviço que a escola pública está perfeitamente apta a prestar, por menos dinheiro, tanto a nível de infra-estruturas como de recursos humanos.
A desculpa é sempre a mesma. Os contratos de associação começaram numa altura em que a rede pública não cobria a totalidade do território nacional. Hoje em dia, é argumento que já não colhe. Há escolas em todo o país e a sobre-lotação é um problema que não se coloca.
Esta situação, que é uma das maiores vergonhas nacionais, ganha contornos de especial gravidade agora que se fala do despedimento de milhares de professores que já estão no sistema. A explicação oficial é a de que não há dinheiro para pagar a esses professores porque não há alunos suficientes. Mas já há dinheiro para pagar 300 milhões por ano (o equivalente ao que se gasta com o RSI) para manter quase 1900 turmas, o equivalente a uns 50 mil alunos.
Isto vai muito mais além da mera discussão ideológica. Continuar a engordar meia dúzia de grupos económicos à custa do Orçamento de Estado (o mesmo que pagará depois os subsídios dos professores a despedir) é mais do que uma política errada. É um verdadeiro crime.
Poupar milhões com professores para despejá-los aos milhões nos colégios privados
Zandinga post: Há greves marcadas
Devem estar a pintar posts contra as greves, os grevistas, os sindicatos e os sindicalistas. Era mesmo só isto – foi o momento Zandiga no Aventar.
O pior é já a seguir
Circula uma cópia do despacho de organização do ano lectivo que será publicado amanhã. Primeira leitura: ainda não se aplica a semana de 40h, mantendo-se a carga lectiva, embora haja uma redução de horários já que o trabalho de director de turma deixa de ser ali contabilizado.
Digamos que a greve convocada já surtiu efeito, adiando o pior para o próximo ano lectivo. Mais uma razão para a fazer, que enquanto o pau vai e vem nem sempre folgam as costas.
Façam greve mas longe do meu quintal
Estando neste momento marcado um dia de greve dos professores ao serviço de vigilância de exames que terá por única consequência atrasar o final da época um dia (e dando muito mais tempo de estudo a quem os vai fazer), temos associações de pais muito preocupadas. Não vi reclamações de uma única associação de estudantes.
Têm as associações de pais a presunção de defenderem os filhos, coisa que desde os meus tempos de associativismo liceal sei não ser bem assim. Neste caso estão unicamente a preocuparem-se com as suas férias, e não tendo escutado um pio da hotelaria e agências de viagens, não se justifica.
Aguardo um comunicado das associações de pais sobre as consequências práticas do aumento do número de alunos por turma e a constituição dos mega-mega-agrupamentos de escolas, com impacto óbvio da qualidade de ensino, visível já este ano lectivo. Sentado, é claro, para não me cansar muito.
Não peças desculpa, Ricardo
Não peças desculpa, Ricardo, por lutares pelos teus direitos, pelo teu trabalho e por não quereres deitar pela janela fora vinte anos da tua vida.
Não peças desculpa, Ricardo, por fazeres greve, mesmo que eu duvide que muda alguma coisa, não peças desculpa por quereres que oiçam a tua voz, mesmo se me parece que gritas para uma parede surda e inflexível.
Mas não faças greve apenas por ti, Ricardo, nem apenas pelas tuas filhas (já é muito), nem apenas pelos professores, pelos funcionários públicos, pelos sindicalizados, pelos empregados, pelos desempregados. Faz greve pelo país, pela justiça, pela dignidade cidadã.
Faz greve pelo país que emigra, pelos juros que as tuas filhas vão continuar a pagar depois de deixares de trabalhar, pela falta de trabalho com que os teus alunos se vão confrontar, pelas conquistas civilizacionais das gerações que te antecederam e que agora, subitamente, são postas em causa.
Faz greve pelo país que fecha portas, pelos centros das cidades cheios de lojas falidas, [Read more…]
A GREVE dos Professores é pelos alunos
Há momentos em que se colocam alguns valores em causa. Confesso que fico confuso com algum tipo de argumentos e o dicionário é sempre uma boa solução para situar o significado de alguns vocábulos:
greve
(francês grève)s. f.1. Interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.
Greve às reuniões de avaliação
Diz Paulo Portas que a Greve dos Professores em dia de exame não deve acontecer porque:
“prejudicam o esforço dos alunos, inquieta as famílias e também não é bom para os professores, que durante todo o ano escolar deram o melhor, para que aqueles alunos pudessem ultrapassar os exames”
Podemos, como mero exercício de retórica, considerar como válida a opinião do senhor Ministro, lembrando no entanto que a Greve que está marcada para dia 17 não é uma Greve aos exames – é uma paragem a TODAS as actividades docentes, estando convocados TODOS os professores e educadores, quer do privado, quer do Público.
Voltemos então à opinião Portista (esta saiu bem! só não sei se coloque o acento.):
– “Prejudica o esforço dos alunos”.
Pergunto:
– trinta alunos por turma ajuda?
– fim do estudo-acompanhado e da formação cívica ajuda os alunos?
– menos horas para apoio ajudam?
– alterações programáticas a meio do ano ajudam?
-…
E a lista poderia continuar, mas penso que será mais interessante colocar duas ideias em cima da mesa: os motivos e a Greve. [Read more…]
Greve dos Professores
Só para manter a agenda actualizada, será importante recordar, caro leitor, que a Greve na área da Educação, ao serviço de avaliações continua em cima da mesa.
Quer isto dizer que, no período de 7 a 14 de Junho, não se realizarão as reuniões de avaliações onde se decide quem são os alunos que têm notas para ir a exame – 6º, 9º, 11º e 12º.
As dúvidas são muitas, mas das escolas chega uma força já antes vista e que torna mais possível o futuro. Há gente a mexer-se, a organizar, a fazer contas, tabelas e esquemas e, pela primeira vez, em muitos anos de serviço vai ser possível ver a classe a lutar de forma séria e inteligente.
Há escolas onde no primeiro dia se pensa que poderão fazer greve os colegas de línguas, no segundo os das expressões, no terceiro… Outras há, serão os Directores de Turma a avançar. Em todas, uma situação comum: o movimento está lançado e com mais de uma semana para o dia 7, a certeza é uma: as reuniões de Avaliação não se vão realizar.
Para esta realidade concorre, e muito, a unidade sindical criada em torno da luta contra o despedimento de professores. É claro que há Dirigentes Sindicais com responsabilidades, mas militantes do PSD, no terreno – por exemplo na área de Paredes – a desmobilizar para estas lutas.
Mas, como diz um companheiro de escrita no Aventar, em tempo de Guerra, não se limpam armas e é muito bom ver que as escolas e os professores começam a tomar posições públicas sobre o que se está a passar.
Greve dos Professores: modo de usar
Tem dúvidas? É descarregar o documento de perguntas e respostas elaborado pelos sindicatos:
Greves Junho 2013_FAQ (pdf)
A ditadura é isto: serviços mínimos e requisição civil
Até parece simples, não?
Se há quem lute, há sempre quem tente impedir essa luta. E há uma linha que separa os democratas dos ditadores.
Os democratas procuram perceber a raiz da luta e tentam caminhar no sentido da resolução dos problemas que levaram à sua marcação.
Os ditadores ignoram os motivos e procuram atacar a Greve.
Nuno Crato já escolheu de que lado quer ficar.
Fez chegar à FENPROF um texto em que se pode ler:
“Recebido o pré-aviso de convocação da greve nacional a ter lugar no dia 17 de junho durante o período de funcionamento dos estabelecimentos de educação ou ensino, solicita-se a V. Ex.ªs que até às 14h do dia 27 de maio, conforme o acórdão do Tribunal Constitucional n.º 572/2008, do processo n.º 944/2007, e nos termos do art. 400.º do RCTFP, alterado pela Lei n.º 66/2012, de 31 de dezembro, e 538.º do CT sejam indicados os serviços mínimos a garantir durante o referido período de greve.
A ausência de resposta até ao dia e hora acima indicados é tida, para os devidos efeitos, como a falta de indicação dos serviços mínimos da parte de V. Ex.ªs.”
Ora, como muito bem faz notar a organização sindical, tal intenção viola a legislação exigente. [Read more…]
FRENTE COMUM, FESAP,…
CGTP e UGT – será que ainda vão demorar muito a convocar a GREVE de TODA a Função Pública para dia 17 de junho?
Ou tens, ou não tens
As medidas de Nuno Crato, esse mesmo que recebeu os aplausos de tantos professores eleitores distraídos, não são
apenas uma questão de contabilidade. Claro que há uma dimensão esmagadora das Finanças, mas Nuno Crato não é só um colaborador do MEC – é também autor!
É a Escola Pública que está em causa e, se mais ninguém se levanta para a defender, que os Professores se levantem e lutem! Não há outro caminho.
As organizações sindicais acabam de apresentar de forma muito clara o calendário da GUERRA com Nuno Crato, com Passos Coelho e com Paulo Portas. Um Governo de maioria absoluta caiu aos nossos pés, que diabo!
Se Maria de Lurdes e Sócrates caíram Crato e Coelho terão capacidade para se aguentarem? Não me parece – aliás, há dias Durão Barroso e Cavaco impediram Passos Coelho de se demitir, logo, só nos resta continuar, insistir, sair à rua e vamos conseguir! De certeza.
Vejamos: [Read more…]
Carta aberta de um estudante liceal grego
Tradução de José Luiz Ferreira (de Echte Democratie Jetzt)
Aos meus professores… e aos outros:
O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.
A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual “estaria em causa” devido à greve.*
De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro? [Read more…]
Plataforma de Professores está de volta
A FNE decidiu juntar-se às restantes organizações sindicais de Professores – não estamos em tempo de procurar as vírgulas que nos afastam, mas de encontrar pontes e ligações que nos permitam reagir ao que aí vem. Nuno Crato acaba de entregar à FENPROF a sua proposta para aplicar a mobilidade, ainda que com outro nome, aos Professores, isto é, Nuno Crato desmente-se e abre a porta aos despedimentos: de acordo com a proposta, dia 1 de Setembro um Professor sem horário, entra em Mobilidade e perde uma boa parte do seu salário e o despedimento fica a um ano e meio de distância.
Só temos um caminho – a unidade na reacção e, claro, na acção! Não precisamos de caminhar para a Unicidade e fazer de conta que estamos todos pelas mesmas razões. Mas, conscientes das diferenças, vamos trabalhar para juntar as Federações de Pais à luta pela Escola Pública e, fundamental, procurar envolver os Directores no processo.
Subscrevo, também por isso, a ideia do Paulo: devemos juntar FORÇA à nossa luta e por isso faz todo o sentido que a FRENTE COMUM (CGTP) se deixe de merdas e procure entendimentos com as estruturas da UGT – no dia 17 de Junho há TODAS as condições para que a GREVE seja de TODOS!
Já e agora!
TODOS!
Já valeu a pena marcar a GREVE
Do silêncio dos gabinetes e da ditadura das propostas para o Espaço Público, está conquistada a primeira vitória que
resulta da marcação da GREVE pela Plataforma Sindical de Professores.
As sucessivas intervenções dos paineleiros do governo mostram que a marcação foi acertada e que mexeu claramente onde tem que mexer – no poder. Esse mesmo que no último ano despediu mais de dez mil docentes e que este ano tenta avançar pelo mesmo caminho.
Percebo, por isso, o que leva Paulo Rangel a escrever hoje no Público que se trata de
“um protesto paradoxal, porque afasta os docentes daqueles que poderiam ser os seus mais valiosos aliados, os alunos e as suas famílias.”
Creio que Paulo Rangel estaria a pensar nos Governantes do MEC que aumentaram os alunos por turma, prejudicando, com isso, os que mais precisam de apoio. Estaria, não tenho dúvidas, também a pensar no Governo que reduziu o currículo, que tirou disciplinas apenas porque era preciso juntar uns cobres para pagar a Gestoras do BANIF. [Read more…]
É a Educação, estúpidos!
De acordo com o Público, e relativamente à greve à avaliações e aos exames, Mário Nogueira “indicou […] que a condição para os professores não irem para a greve é a de terem a garantia de que não haverá docentes na mobilidade especial, um regime onde já foi anunciado que serão colocados todos aqueles que ficarem sem turmas para ensinar.” O site da FENPROF, no entanto, vai além disso, o que me deixou um pouco mais tranquilo, embora ainda não completamente descansado.
Os problemas da Educação em Portugal vão muito além da ameaça da mobilidade especial. Uma greve de professores, especialmente num momento crítico, não pode, portanto, limitar-se a um problema no meio de muitos que afectam a educação dos jovens portugueses. Mais: os estudantes que serão prejudicados por esta greve merecem o máximo respeito, pelo que uma acção destas terá de ser feita pelas melhores razões e temos obrigação de explicar a esses mesmos estudantes que esta luta é encetada, também, a pensar neles e em todos os outros que estão e estarão no sistema de ensino. [Read more…]
Vamos MESMO fazer greve às avaliações e aos exames
E, malta da TROIKA & friends, não se preocupem com as nossas dificuldades. A questão coloca-se de forma muito simples:
o que tem a perder um Professor que dia 1 de setembro tem o despedimento como certo?
Isso mesmo – NADA!
Parece-me que, nunca como hoje, faz sentido este movimento que volta a UNIR TODOS OS PROFESSORES.
Na prática será assim: as avaliações não se realizam e por isso não há notas que permitam os alunos irem a exame e depois, no dia 17 de junho, voltamos à GREVE – é o dia do exame de língua portuguesa!
Crato, Cavaco, Portas, Gaspar e Passos: Se é guerra que querem, vamos a isso!
UNIDADE! Reunião dos sindicatos de professores (2)
Só pode ser este o caminho.
O que aí vem é muito claro – Passos Coelho, Vitor Gaspar e Paulo Portas querem despedir Professores.
O que está em cima da mesa é demasiado complicado para que os detalhes não possam ser esquecidos ou, pelo menos, encostados a um canto, valorizando o que nos une – a defesa do emprego e da Escola Pública.
No dia 9, no Porto, aconteceu a primeira reunião com as presenças da FENPROF, da FNE, ASPL, SEPLEU, SINAPE, SIPE e SPLIU. Agora, em Lisboa, dia 16 terá lugar um novo encontro.
Exige-se um entendimento! Nada menos que isso!
Não sei se para uma manifestação, grande ou pequena, se em Lisboa ou no país todo. De noite ou de dia.
Talvez uma greve de um dia ou de muitos, aos exames ou às avaliações.
Estou por tudo e ao mesmo tempo por nada!
Agora, não se atrevam a deixar a reunião, sem um entendimento!
UNIDADE! Reunião dos sindicatos de professores
Hoje de tarde, no Porto, acontece algo que pode ser crucial para o desenvolvimento da luta dos professores, tão bem problematizada no texto Professores contra a educação.
Participei no Congresso da FENPROF onde se discutiu e muito o que fazer com a luta, cuja urgência, nas escolas, ninguém questiona. Falou-se de manifestações, de greves de um dia e de muitos, aos exames e às avaliações.
De forma séria, o Congresso decidiu não ficar com o exclusivo do protesto e dar indicação à FENPROF para procurar reunir todos os sindicatos de professores, algo que a classe exige. Saiu, também por isso, apenas a sugestão de uma manifestação de professores em Junho, mas e fundamentalmente ficou esta ideia – vamos, professores da FENPROF juntar a nossa força à força de todos os outros.
A reunião acontece hoje. Está a acontecer num hotel do Porto.
O que espero?
Gostava de esperar muito, mas não me parece que a FENPROF vá encontrar grandes companheiros para a rua…
Agora, uma coisa ficará clara – quer quer que tudo avance sem contestação e quem está disposto a tudo.
Eu estou no segundo grupo e não terei qualquer tipo de problema em apontar o dedo aos primeiros.
Professores contra a Educação
Os professores são uma das classes profissionais mais invejadas, porque se mantém o mito de que o horário de trabalho desses inúteis se limita ao número de horas de aulas. Num país em que estamos mais preocupados em que os outros estejam tão mal como nós, a ilusão de que os professores não trabalham e de que, portanto, são uns parasitas, tem rendido proventos a quem destrói a Escola, argumentando que está a combater uma corporação poderosíssima e a beneficiar os alunos.
Entretanto, os professores, de uma maneira geral, aceitam tudo o que lhes é imposto, por medo, por comodismo, por falta de consciência de classe e por ausência de consciência cívica. [Read more…]
Greve aos exames: uma oportunidade perdida
A complacência dos portugueses, em geral, e dos professores, em particular, resultou num cenário catastrófico, com tendência para piorar. A Educação, a trave-mestra da sociedade, está a ser destruída, o que continuará a arrastar a sociedade. Aquilo que andamos a fazer, neste momento, em todas as áreas, não é procurar não cair, é só cair. E de muito alto.
Continua a espalhar-se a ideia de que os professores só vivem preocupados com a sua vidinha, crítica que começa a fazer cada vez mais sentido. Na realidade, esperar-se-ia que a Educação fosse uma causa da comunidade docente. Não me parece: limitamo-nos a suster a respiração, na esperança de que os coveiros parem de nos atirar terra para cima.
Com um governo ensurdecido pelo facto de ter uma maioria absoluta, ajudado por um funcionário menor em Belém e acompanhado por um PS que é a favor da troika e contra a austeridade ou vice-versa, o diálogo é uma inutilidade absoluta. A Educação continuará a ser arrasada e os professores, ao prescindir da revolta, continuarão a ser cúmplices de um crime.
Dito isto, confesso que não percebo como é que, neste contexto, a maior federação de sindicatos de professores prescinde de convocar greves para os exames nacionais, optando por uma campanha em defesa da escola pública e por mais uma manifestação, tratamentos a que o governo está completamente imune. Se esta decisão resultou, efectivamente, da consulta feita a muitos professores, estamos conversados sobre a falta de classe de uma classe profissional.
As escolas terão cada vez menos recursos. A sociedade e a classe profissional que mais deveria preocupar-se com o assunto demitem-se de lutar, verdadeiramente. Numa sociedade digna, a escola pública deve servir para compensar os desequilíbrios causados pelas diferenças económicas, sociais e culturais. Com este governo, cuja única preocupação é despedir professores necessários, essa escola pública está a ser destruída.
Perder a oportunidade de realizar, finalmente, uma verdadeira greve na área da Educação é perder mais uma oportunidade de usar um instrumento que poderia fazer vacilar o governo. Assim, e com todo o respeito por todos aqueles que participarão convictamente, campanhas e manifestações serão música de fundo que o governo aproveitará para continuar a fazer o seu trabalho.
Chega de manifestações e de pequenas greves
Viver em democracia implica o esforço desumano de aceitar as diferenças. Nenhum governo governará exactamente como penso que deveria governar e ainda bem, porque confesso que não gostaria de viver num país governado por mim. De qualquer modo, não gosto de ser governado por gente muito pior do que eu, o que não é dizer pouco.
Assim, é natural que, havendo tantas opiniões como pessoas (com tendência para o número de opiniões se sobrepor, sabendo-se que as pessoas podem mudar de opinião), haja conflitos sociais, com os governos a serem confrontados com posições contrárias oposições, sindicatos ou tribunais. Aceitando, ainda assim, que os governos possuam legitimidade para escolher o seu caminho por entre opiniões contrárias, pode dar-se o caso de que, por várias razões, essa legitimidade, mesmo que se mantenha de direito, acabe por morrer, de facto.
Passos Coelho chegou ao poder depois de se enganar ou de mentir, como atesta um certo vídeo que nunca será demasiado (re)visto. A partir desse momento, a legitimidade do governo ficou irremediavelmente ferida. Hoje, tendo em conta o desastre social e, portanto, económico a que nos conduziu, ao arrepio de avisos chegados de todo o lado, este governo continua o seu trabalho de destruição de um país.
Está visto que o governo não irá mudar de políticas, o que quer dizer que não se tornará legítimo. [Read more…]
Greve aos exames
A blogosfera docente é das mais poderosas no contexto mais amplo das redes sociais no nosso país e isso pode ser facilmente comprovado no blogómetro, onde, uns dias atrás dos outros, temos blogues educativos nos primeiros lugares. Não surpreende, por isso, que o foco da discussão da classe não se reduza à que resulta da actividade sindical – a FENPROF vai colocar em cima da mesa, na próxima semana, a possibilidade ou não de fazer uma greve aos exames.
Mas, porque hoje os tempos não são os de ontem, o debate está já a decorrer.
E vale a pena entrar nele.
Nos últimos dias temos procurado escrever sobre a educação no nosso país:
– Agrupamentos;
– Burocracia;
– Currículo;
Com estas e com outras reflexões, tu, que és Professor, vais fazer GREVE aos EXAMES se fores convocado, quer para a GREVE, quer para vigilâncias?
Tomem nota: 7 e 10 de maio são os exames
Poderá e deverá ser um excelente dia para ficar em casa!
Não há pachorra…
Irei passar a Páscoa a Portugal. Mas não tenho tempo nem paciência para palhaçadas, já planeei atempadamente as minhas férias, inclusivamente já tive alguns gastos em reservas planificando a estadia. A solução mais avisada é viajar na TAAG ida e volta, evitando sobressaltos para os quais não tenho idade nem paciência. Claro que se não fosse português, provavelmente também escolheria outro destino, o que não falta é oferta…
Comboios de Novo Parados no dia 1
E Com Esta Coisa (Greve) Toda, Todos Perdemos. Ninguém Ganhou!
Os estivadores de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro, suspendem a greve que já durava desde Agosto. e que causou milhões de prejuízo.
E ninguém exige nada a ninguém.
Não se Arranja Aqui Uma Grevezita?
Porto de Lisboa prevê a chegada de 40.000 turistas até ao final de ano
Instruções para o ano novo: o manual do perfeito grevista

A greve é, só por si, um abuso, tal como o protesto, no fundo. A democracia e produtos derivados, aliás, devem permanecer num recanto da consciência e não devem ser exibidos em público, a fim de evitar atentados ao pudor.
O único grevista bom é, então, um grevista despedido, de preferência antes de chegar a pensar em fazer greve, porque isso já é, no fundo, uma heresia, um ataque à infalibilidade do governo e um desrespeito pelos nossos proprietários que só nos querem bem. E se o caminho for o empobrecimento de cada um de nós, há que aceitar, porque ínvios são os caminhos dos senhores e não nos cabe a nós alcançar os segredos da dívida interna.
Se, ainda assim, alguém sentir um impulso incontrolável por protestar ou por fazer greve, que saiba manter essa tara num recanto escondido do lar, longe na rua, longe, até, do cônjuge ou dos filhos. O cidadão responsável deverá fazer greve às escondidas, como deverá ser às escondidas que se dedicará às reprováveis práticas do onanismo. Aliás, num mundo ideal, em circunstâncias extremas, deveria ser normal a mulher bater à porta da casa de banho e perguntar, indignada, ao homem solitário: “Estás outra vez a fazer greve, grande porco?”
O grevista é, por definição, um milionário que ignora possuir uma fortuna. Assim, o grevista ganha sempre mais do que aquilo que é lícito e tem sempre mais direitos do que deveria ter, pela simples razão de que há sempre alguém que ganha menos, está desempregado ou teve papeira já na maioridade.
A greve deveria ser, no máximo, um direito reservado aos sem-abrigo, na condição de que estejam tão subnutridos que não tenham força sequer para balbuciar. O facto de não terem emprego faz deles, ainda, os grevistas ideais.
Felizmente, o nosso governo tem sabido contornar as maçadorias provindas de uma Lei cada vez menos Fundamental e antevê-se um mundo privatizado em que, por exemplo, os estivadores tenham medo de fazer greve. Já não faltará muito para que Portugal seja um paraíso semelhante à Coreia do Norte, graças à firmeza dos nossos queridos líderes.










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