Violência policial no Ocidente democrático

Ontem escrevi sobre o episódio de violência policial que culminou com a agressão desproporcionada de uma adolescente no estado do Texas, EUA, uma agressão levada a cabo por um troglodita com uniforme de agente da autoridade que naquele cenário, em que vários adolescentes são tratados arbitrariamente como delinquentes, se apresenta como um fanático totalitário a mostrar aos miúdos quem manda, se necessário de arma na mão. Com os exemplos de violência que vêm de cima neste país, não admira a frequência com que atentados com armas de fogo são levados a cabo por outros adolescentes nas suas escolas.

Estranhamente, pelo menos para mim, deparei-me com algumas reacções que pouco ou nada tinham que ver com o objectivo do texto: expor a parcialidade subjacente à forma como este tipo de episódios é analisado pela imprensa ocidental, dependendo se acontece num país “inimigo” ou num país “amigo”. Porque só alguém muito ingénuo acredita que uma situação como a que abre este texto teria leituras políticas iguais acontecendo na Rússia ou nos Estados Unidos, no Irão ou na Arábia Saudita, país onde todos os dias são cometidas atrocidades mas que está longe de ser pintado pelos nossos media como a ditadura sanguinária e repressiva que é.

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PSD/CDS-PP insistem na instrumentalização da imprensa

“Os directores editoriais de rádios, jornais, revistas, televisões e da agência Lusa consideram que a nova proposta de lei do PSD e CDS sobre a cobertura eleitoral confunde jornalismo e propaganda política, “mantém a tentação de impor um freio às redacções” e ameaça a liberdade de informação.” (Público)

Acidente com autocarro mata 50 pessoas

acidente_autocarro_brasilAconteceu há 12 horas no Brasil.
A imprensa portuguesa está ainda a descansar, é Domingo.

ironias e coincidências

– a controlinveste anunciou hoje a redução de gastos do grupo, redução motivada pelas perdas acumuladas pelo grupo nos últimos anos (destaque especial para as perdas acumuladas pela jóia da coroa, a Sporttv) e o despedimento de 160 profissionais da comunicação.

– precisamente no dia em que o maior paladino da luta contra o império dos oliveirinhas no futebol, ou melhor, nos direitos de transmissão televisiva, Mário Figueiredo foi re-eleito na Liga (ou melhor, re-elegeu-se por harakiri cometido pelos outros) meses após a cerrada marcação feita pelo FC Porto e dos seus “afiliados políticos” que resultou inclusive na sua destituição antes do final do mandato (conseguida através de uma das maiores manhosices possíveis e imaginárias; foi-lhe chumbado o orçamento em Assembleia-Geral no passado mês de Março). a Benfica TV agradece. agora sim, há ordem para matar. e para negociar abre-pernas em troca de bons contratos. [Read more…]

O Jornal de Angola

O primeiro jornal que os meus olhos viram foi o Província de Angola, que pontualmente entrava na casa dos meus pais. Parece que havia outro, o Diário de Luanda, tido e mantido pela União Nacional, mas esse não entrava lá em casa. Nem percebo porquê, porque devia ser feito por gente excepcional, a avaliar pelo trajecto de vários redactores. Um deles, Luís Fontoura, hoje figura de proa do PSD e da Maçonaria. Enfim, embirrações que eu não cheguei a entender. Eu fazia o ensino primário na Escola Sousa Coutinho, mesmo em frente da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, onde fui baptizada. Por estar gravemente doente na altura de entrar na escola só o pude fazer um ano depois, mas aprendi as letras e a juntá-las, em casa, nos livros do Hans Christian Andersen e no Província de Angola. A pouco e pouco, fui tendo o prazer de ler a página infantil que era leira lavrada por Lília da Fonseca. Muitos anos depois, já na universidade e ganhando o meu sustento com uma pequena agência literária de exilados espanhóis nos Estados Unidos, herança benfazeja que me foi deixada pela poetisa angolana Alda Lara, eu haveria de conviver com Lília da Fonseca que tanta paixão punha na literatura infantil e no militantismo de esquerda.

Mas quando eu andava de bibe, o Província de Angola, o mais antigo jornal da África a sul do Saara, era propriedade da família Correia de Freitas. Jornal prestigiado, bem escrito, sério e, ao contrário doutros em Portugal, muito mais avesso à autocensura e sempre às turras com os coronéis da dita. Refilava. O seu último proprietário e director foi Ruy Correia de Freitas, engenheiro de máquinas por Londres, um gentleman de grande aprumo moral e bondade. A exemplo de todos nós dessa geração, o Ruy também queria a independência, mas negociada, pelo diálogo, educadamente, como um filho que passa a viver por si mesmo, mas se dá bem com os pais. Uma independência sem ódio nem guerra, para prosperidade dos seus povos. Como nada disto agradava aos serventuários da União Soviética, quando Angola foi entregue ao MPLA, unilateralmente, o Ruy Correia de Freitas só teve tempo de meter a mulher e a filha na sua avioneta e partir para a África do Sul. Dali foi ao Brasil e ao Canadá, mas acabou por viver (e morrer) em Portugal, na maior modéstia mas sempre com imensa dignidade. Foi a “descolonização exemplar” – coisa que é dita por quem a fez mal. [Read more…]

Os Bancos e o carácter Internacional da crise

Participação de João de Sousa no Opinião Pública da SIC Notícias 27/06/2013

Por Ergo Res Sunt

De certeza que o mundo não acabou?

Ao ler esta notícia pela manhã, fiquei a saber  que andei enganada por mais de 20 anos: afinal a proximidade nem sempre foi o oxigénio da imprensa regional, pois que agora é que se vai apostar nela.

E descobrir exemplos como o secular “Aurora do Lima” – que, nas palavras do director – se viu obrigado, ao fim de 150 anos, a contratar um comercial…é mais ou menos como ter um tesouro escondido no soalho da casa sem saber.

Por último, mas nem por isso menos importante, essa janela de oportunidades que nos mostra o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro: “Estamos a dialogar com o Ministério da Economia para que na preparação do novo quadro de apoios comunitários os CAE (Classificação de Atividades Económicas) das empresas jornalísticas sejam aceites nas candidaturas ao Quadro de Referência Estratégica Nacional» (QREN), disse à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), João Palmeiro”. Contando que não seja apenas um incentivo feito à medida para os suspeitos sujeitos do costume, tudo bem!

Mundo estranho, Leonardo da Vinci – O homem que queria entender de tudo

Excelente documentário, legendado em português, sobre a vida e obra de Leonardo da Vinci um dos nomes maiores do Renascimento. Sobre da Vinci, de resto, o mais difícil é escolher, tal a quantidade e qualidade de documentários e filmes diponíveis na net. O clássico A vida de Leonardo da Vinci, por exemplo, também está disponível. Com mais de 5 horas de duração, não esá legendado.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI
Unidade 5.2. – Os novos valores europeus

Gutemberg – O Nascimento da Imprensa

O surgimento da imprensa permitiu a multiplicação do número de exemplares de cada livro, facilitando assim a divulgação das obras e das ideias renascentistas. Gutemberg desempenhou um papel fundamental em todo este processo. Para além do filme animado que se apresenta, extraído da série Descobertas sem Limite, está também disponível na net a série «Era uma Vez… Os Inventores» e o episódio consagrado a Gutemberg.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI
Unidade 5.2. – Os novos valores europeus

Casse-toi, riche con!

Cá também devíamos dizer o mesmo a muito boa gente

A não perder:

A revista TimeOut Porto é um sucesso. Este último número dedicado ao Natal no Porto é excepcional.

Um merecido sucesso. Não é apenas o único guia de tudo o que se passa no Porto e arredores. É, sobretudo, o melhor. Muito bem feito. Uma apresentação excelente (as capas são do melhor) e muito original. Sempre com boas ideias e um retrato fiel de um novo Porto que está a crescer.

A TimeOut Porto já se tornou indispensável para todos nós, portuenses e para quem nos visita. Os meus sinceros parabéns aos responsáveis por este fantástico trabalho.

Notícia das notícias em gráficos

O jornal Público divulga hoje o relatório da ERC sobre os gastos em publicidade por parte do Estado central – isto é, sem contar com autarquias, instituições de ensino, tribunais, Presidência e Assembleia da República. [Adenda a 20.Out.: a edição impressa acrescenta mais alguns detalhes. Sumário no fim deste texto.]

É portanto apenas uma parte do total desta desta despesa e desde logo espanta pelo seu valor: 408 milhões de euros! Caro leitor, fique sabendo que só para a propaganda do Estado central contribuiu no ano passado com mais de 40 euros. Contribuiu, aliás, bem mais do que este valor, pois o número de contribuintes efectivos é muito inferior a 10 milhões. Dada a falta de números oficiais, estima-se em 3.5 milhões o número de contribuintes efectivos. Neste caso, a sua generosa contribuição em 2009 para os cartazes do solar, das Novas Oportunidades, dos programas patrocinados na TSF, anúncios de página inteira em jornais e mais uma catrefada de "investimentos" (!) foi superior a 100 euros.

Mas vejamos esses números saídos hoje no Público, aqui apresentados em 5 gráficos, para depois  os lermos.

1. Gastos totais

 Gastos em PUB pelo Estado central

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Faltam 407 dias para o Fim do Mundo

O artigo de opinião de Bernard Henri-Lévy hoje no i é de leitura obrigatória para se compreender o que verdadeiramente ficou das últimas eleições francesas. Depois não digam que não foram avisados.

O país mergulhado numa crise impressionante e os nossos senhores preocupados com a comunicação social. Quantas falsas virgens ofendidas! Pressões políticas sobre a imprensa? Que grande novidade. E que tal discutir a privatização do grupo RTP? Isso sim, seria um bom começo para uma verdadeira independência da comunicação social. Um começo, apenas.

Pé ante pé, finta após finta, chuto a chuto, Messi vai provando quem é o melhor jogador de futebol do Mundo. E o resto é treta.

Faltam 425 dias para o Fim do Mundo:

Quando os blogues são notícia e metendo PJ/Interpol! Quando outra rede social, o Facebook é notícia por ser do contra. Quando um PM lida com dificuldade com a Imprensa e se vê a braços com uma comissão. Quando o trabalho e a solidariedade se juntam tudo é possível. Quando não ter dinheiro deixar de ser um estigma, o problema ficará resolvido.

E agora, divirtam-se com algo completamente diferente:

Está tudo em aberto….

A saga de Sócrates prossegue.
A direita não desarma .Ele defende-se dizendo que só sai ,se houver eleições democráticas.Desafiada, a oposição recusa uma moção de censura,sob o pretexto de que não seria bom para a imagem do país . Querem assar o Governo em fogo lento .

O país está dividido.Para uns há uma enorme manipulação.Para outros há uma insuportável verdade.
Em qualquer dos casos,creio, há uma derrapagem democrática.
Na Madeira a intervenção nos media nunca levantou protestos nacionais deste género.
Nem nenhum dos governos do pós 25 de Abril tem a este respeito as mãos limpas.
A imprensa, de contra poder que devia ser ,foi passando , paulatinamente a ser um “quarto poder”, nas mãos de yes men,ou de boys, graças às intervenções do Poder .

Agora, o “Sol”,que aqui clama que não há liberdade de imprensa, teve de retirar duas páginas da reportagem da edição desta semana, na edição que vai para Angola-”modelo” de democracia- ,porque um dos envolvidos no caso da “Face Oculta” é sócio da filha do Presidente da República ,que não se quer sujar com isto, e é sócia também do semanário.
Por outro lado ,neste assunto das escutas ilegais, Sócrates não tem sido assertivo. Tem falado a destempo, sem dizer o que devia.
Parece-nos que era altura de despedir alguns “amigos” ,e definitivamente,se é esse o caso, desautoriza-los por terem falado em seu nome,sem sua autorização.
Tem-se a impressão que há (ir)responsáveis que ocupam lugares no topo de empresas do Estado,simplesmente por causa da côr do cartão partidário, e constata-se que nestas situações mais agudas, em que é preciso,sangue frio e maturidade,não estão à altura .Só tentam salvar-se, e aos ordenados chorudamente desmedidos que auferem ,sem pensarem nas empresas que representam,na oportunidade das suas intervenções, no Estado que os colocou lá, e no país em que vivem E na Justiça assistimos ao mesmo desacerto .Causam muito desgaste e descrédito ao regime .
É nessária e urgente uma intervenção clara , e forte .
O Governo tem de agir aqui rápida e definitivamente ,e mostrar que está a trabalhar nas outras áreas que tanto preocupam os portugueses, vitimas de uma crise para a qual o Governo não os preparou, minimamente,não falando toda a verdade quando era tempo. Basta de erros!
António Costa fez muito bem em recusar passar da CML para o Governo,pois há quem fale já na substituição de Sócrates no próprio PS, lembrando que tinha um compromisso de quatro anos com Lisboa. O país e os lisboetas não esquecerão esta garantia da sua palavra. Manter a palavra nos políticos já é tão raro,que ele só terá a ganhar com isso.
ASerzedelo

Faltam 431 dias para o Fim do Mundo:

Organizar uma revista de imprensa ao Domingo não é pêra doce. Boa parte das notícias é como o arroz do dia anterior, requentadas.

O futebol domina e a tragédia de Cardozo poderia servir para um remake do filme: A Angústia do Guarda-redes na Hora do penalti só alterando para a angústia do atacante. E como o futebol é o ópio do Povo, o Euro 2012 marca a agenda com outro tipo de ânsias lusas: será a Dinamarca mais forte?  Fica uma pergunta: será que vão gastar o mesmo em estádios que se esbanjou em 2004? O Octávio, esse, não se cala.

Porém, o Mário Crespo e o processo Face Oculta dominam a agenda mediática da política nacional. As escutas, nas suas diferentes nuances, continuam a ser escutadas por todos com a máxima atenção. Um avisa que permite. Outro nem confirma nem desmente. Todos vão rumar à AR.

Enquanto tudo isto se passa mesmo em frente dos nossos olhos, Marco António Costa (e bem) sublinha o óbvio: o actual PSD não está à altura do momento. Na minha terra define-se o actual PSD desta forma lapidar: “Nem f… nem deixa f…er”. Ou em linguagem adaptada ao convento: nem procria nem deixa procriar.