Tinha um nome muito bonito que não vamos revelar. Contentemo-nos em chamar-lhe Linda, que também não é feio. Tinha um ar luminoso, os olhos cheios de sol. Os cabelos douravam como uma auréola o ar límpido do azul do céu à volta da sua cabeça. Abria-se em nós como romã sumarenta. Uma onda transparente de um qualquer mar de inesperado encanto embalava o olhar de quem dela não conseguia desviá-lo. Tinha quarenta anos e um provável cancro do colo do útero. Mas eu não sabia. [Read more…]
A dor vestiu-se de mulher
A dor vestiu-se de mulher.
A dor vestiu-se de mulher de terra e flores e voou para lá das nuvens onde mora o vento.
A vida é um lugar muito longe lá para as bandas do sonho nas margens do silêncio na arte do encontro – desencontro na alegria de ser triste.
Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós pinta Jordi um rosto de mulher a ocre terra-siena e carmim.
…Que os cabelos e os jardins querem-se soltos e naturais como as aves e as manhãs.
Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.
Bem perto daqui há muito foi sonhada Nostalgia mas ninguém viu a luz vermelha fendendo as águas verdes e a dor já se vestia de terra e flores e a dor já fugia para lá dos montes onde moram mulheres de vento.
Terra e poesia
Tenho falado com alguns poetas sobre o que entendem por poesia poetas de muito nome.
Cada um deles diz-me o que sente mas ninguém me diz que a poesia nasce como nasce a água da fonte.
O homem veio consultar-me sentia sobretudo ao levantar da cama e com os esforços uma dor em barra sobre a tábua do peito que o imobilizava por completo. [Read more…]
A Beleza
A mais bonita de todas a mais bonita da festa a mais bela do mundo.
Uma estrela que caiu lá de cima e rolou por ali abaixo percorrendo as ruas da cidade a luzir e a cantar de uma forma quase imaterial quase sonhada quase santificada.
Há muito que a beleza me não enchia de tanta poesia há muito que os olhos se não molhavam desta forma há muito que eu não sabia dizer coisas assim com tanta verdade.
Os rios correm para o mar mas tu és um rio que nasce no mar e avanças sobre mim afogando-me nas tuas ondas.
Parecendo às vezes um lago tranquilo de um qualquer paraíso entras em mim como um tornado revolves tudo até ao fim de mim mesmo e quando a tua força acalma restituis-me sob a forma de um verso ou de um beijo a minha própria identidade nua e crua. [Read more…]
Ciência e poesia
Encontrava-me num café de Paris na Place de Contrescarpe onde Edith Piaf un petit oiseau iniciara a sua carreira como cantora de rua.
Eu sonhava…
Nessa altura não era proibido sonhar.
Pelo contrário era obrigatório sonhar.
À medida que a luz da manhã crescia insubstancial e fria eu descia a Rue Mouffetard. [Read more…]
25% de ilusão
Não te zangues porque ninguém se enamora de alguém com público carimbo na cara.
Quem de nós sente a liberdade ou a prisão de um devaneio com alguma elegância de formas tece as malhas de uma afeição.
Vinte e cinco por cento de ilusão neutraliza a depressão faz dormir que nem um justo e as coisas são o que são nem surpresa nem desdobramentos de personalidade nem pensamentos duplos nem amargos de lágrimas.
Como é bom conversar contigo ó ilusão assim calado e mudo vazio da minha posse e do meu abrigo.
Sempre nos perdemos naquele instante que começa a dominar mas é uma fraca ideia pensar ir longe e sem ir querer ter a sorte de voltar.
Deste mundo à real intimidade vai um passo inevitável cerimonioso sonhador penetrante mas sem tacto e sem cor.
Vinte e cinco por cento de ilusão impede de adormecer às três e acordar às cinco não desonra amigos e inimigos nem dá ares de inocência falsa.
Surpreende apenas o delírio escondendo o vivo interesse da inconsequência que é ensejo de todos nós.
Surpreendem as razões inquietas das pessoas equivocadas que gemem angústias no conspurcar dos seus intentos.
Vinte e cinco por cento de ilusão é sentimento que garante provas positivas.
Não acreditando nele acredito agora com nobre intenção voz clara e firme sem mostras de arrependimento sem buscas de coerência nem condições de entender porque o idiota é crer no poder do entendimento.
Poesia trovadoresca: património imaterial da portugalidade
Cantigas medievais galego-portuguesas
Nos últimos anos, graças a interesses empresariais que vogam entre a comunicação social e o turismo, tem havido alguma visibilidade para alguns elementos do património português, o que redundou em iniciativas como as dedicadas às sete maravilhas naturais ou às delícias gastronómicas, para além de ter levado à classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade. Ainda assim, estamos perante momentos de festa e não na presença de políticas de património, como é fácil confirmar pelo atentado da construção da barragem do Tua, entre muitos disparates quotidianos praticados por municípios que desrespeitam ou alteram PDMs conforme as necessidades. [Read more…]
A Razão
A razão
tamanho de todos os céus no silêncio de sonho-menino os olhos cheios de serenas manhãs na frouxa luz do fim da tarde.
A razão
palavra que se prende por entre as folhas dos álamos a doce margem de um regato no sobressalto do pensamento.
A razão
saber se o tempo vai se o tempo vem no calendário do sonho não dar contas ao tempo de um tempo que se não tem.
A razão
semente branca da vida no fruto maduro da tarde a esperança dos olhos frios na quente ilusão de outro dia.
A razão
três lágrimas vertidas na corrente do alto rio um redemoinho de pedra e água brincando à beira do abismo.
A razão
coração bem apertado nos braços da solidão a felicidade cantada sem voz nova na garganta.
A razão
a firmeza do vento no rio que não volta atrás …ou a leveza do luar nas margens da sombra.
A razão
coração cravado na erva espantalho de emoções longos braços de palha entrelaçados de ilusões.
Sodadi bô Cize!
Quem era Cesária Évora? Quem vai ao Google ou ao wikipedia ganha logo uma colectânea de informações básicas sobre a “Diva dos pés descalços” em textinhos com ar de retalho…mas fica definitivamente sem saber quem é Cesária Évora.
Para se saber quem é Cesária Évora teremos de ter ouvido pelo menos uma vez na vida a Morna Mar Azul e sentir aquele arrepio triste na espinha, para se saber quem é Cesária Évora tem-se de ter tido pelo menos uma vez na vida a vontade de abrir um mapa ou o Google e pesquisar duas palavras: “Cabo Verde”. Para se saber quem é Cesária Évora é obrigatório ter-se andado, pelo menos mentalmente, pelas ruas da cidade do Mindelo e sentir-se em casa. Para se conhecer Cesária Évora é fundamental entender a filosofia atrás da palavra simplicidade, a matemática da expressão ALMA, a secreta química cerebral que qualquer cabo-verdiano sente ao cantar/escutar a morna Sodade. Para se gostar de Cesária não é preciso nem se ser cabo-verdiano nem entender crioulo. Cesária resume a palavra tempo e estende até ao limite do infinito a dimensão irónica de dez pequenas ilhas no atlântico. Hoje muitos pedem que o seu nome seja dado ao aeroporto internacional da ilha de S. Vicente. Para mim isso seria o serviço mínimo, pois o nome: “Cabo Verde”, já há muito tempo foi traduzido para: “Cesária Évora”. Há quem nunca tenha vindo a Cabo Verde, mas já esteve na terra da Cesária Évora. O que farão as memórias por nós, o que significam os teus pés descalços? Se calhar que os nossos reinos são imaginários e somos todos meros reizinhos patéticos andando nus pela Disneylândia. Ou nada. Podem não significar absolutamente nada…se calhar apenas que sabias sentir a terra por debaixo dos teus pés.
Cada um sente a dor que mais lhe dói e este país a que eu pertenço, esta geração que não conhece Cabo Verde sem Cesária Évora, hoje sente a dor que mais lhe dói. Seu legado serve-nos ao menos para desmascarar uma mentira: os grandes nunca partem, só morre quem nada partilhou com o mundo.
O Tempo
O Tempo
caminho da razão no ventre das horas vazias o sonho de não serem horas todas as horas sem tempo.
O tempo
uma sinfonia de sonhos nascidos entre as asas e os dedos pintando as cores da razão por entre sombras e medos.
O tempo
a força do abrigo das mãos dadas com a haste frágil do trigo caminho incerto sobre abismos de gestos e palavras sem regresso.
O tempo
prisão de chegadas e partidas sem horas de liberdade um poema crucificado nos labirintos da verdade.
O tempo
uma guitarra chorando nos dedos da Primavera um beijo sempre à espera entre os lábios do Verão.
O tempo
horas de tudo e de nada na inquietude da mente a liberdade acorrentada entre as velas e o vento.
O tempo
uma paveia de esperanças nos braços da ilusão um poema abandonado entre o sonho e a razão.
Um bramido de raiva
Senti um frio arrepiante e um buraco negro nas entranhas tão fundo como a silhueta daquele maldito comboio da inglória velocidade rebentando a dor direito à morte que está em pé na berma do cais pela mão de uma criança.
O pai nos braços de um escombro deste mundo sem sol nem lua destino bárbaro e cruel da perda total de mão dada com o filho contra a majestade de um gélido cadafalso de ferro parido pela força de um desumano progresso contra o qual se esmagam os pobres e desamparados que vivem em contra-mão.
Meu menino sonâmbulo de olhos negros e pálida doçura quase luminosa firme terna inocente confiante na verdade desfeita em sangue pela mentira das mãos fatalistas de uma sociedade podre.
Podia ser um menino nascido no berço do lado ao colo de um pai ou de um avô trabalhador-milionário desiludido porque a sua fortuna não havia atingido o limiar do absurdo o que não deixava de ser triste mas a vida filha da puta meu menino pobre nada mais te deu do que um pai sem nada sem prendas sem força nem entreactos que te enxergassem melhor sorte do que a morte.
O monstruoso comboio entra na tua boca a toda a brida o ar louco sai em turbilhão do teu pequenino peito sem eco a vida estilhaça-se em ruidoso estrondo e o teu corpo frágil cai em pedaços sobre os bonecos das tuas meias no pavoroso silêncio dos teus olhitos redondos.
E o mundo continua como se nada tivesse acontecido.
Quando vi que eras tu o menino que estava no curto caminho da morte pela mão de um pai que não dominava a fome e não tinha dinheiro para te comprar uma bola um pai que não sorria nem cantava para ti porque a alma se perdeu na praça do medo com o sol congelado na boca senti um bramido de raiva e uma louca vontade de pedir contas a Deus.
Na palma da mão
Na palma da mão tenho sonhos de liberdade e silêncio para enfrentar a morte.
A música treme na palma da mão como incerteza de paisagem e futuro.
Quem dera adivinhar a cor desta canção cinzenta que se dissolve no ar que respiro.
Neste verão diferente do outro eu quero vestir-te de primavera sem medo dos tiranos e da moral burguesa.
Quero escolher as palavras do poema que fazem chorar teus olhos azuis e abrir o sonho à luz do meio-dia.
Quero renascer dos versos que dentro de mim acendem as estrelas e clamam por outros seres e outros mundos.
Quero seguir quem me chama para outros mares onde o sol sempre nasce e ilumina.
Creio que a terra é minha e de espirais de estrelas o meu regresso.
O sol arde nas nuvens e o mar verde leva-me para habitar contigo onde quer que estejas.
Não sei aprender a morrer fora das linhas desta mão incerta onde as flores de verão deixaram raízes no inverno e hão-de desabrochar na manhã de sol em que partirei.
Canções antigas
Na recordação das canções antigas veste-se meu coração das verdes folhas do desejo e entoa na fragrância dos campos a melodia dos olhos pendurados na profundidade do céu.
Na sombra da figueira diz-me adeus o sol em acenos de azul e violeta por entre os ramos e os sons de uma flauta de lábios doces que por ali poisou entre sonhos infinitos do lusco-fusco.
As primeiras chuvas do verão humedecem como lágrimas as palavras ditas e não ditas no silêncio dos caminhos perfumados de terra e folhas molhadas.
E nada se reconhece na lembrança muda das tardes que para sempre morreram mas os passos ecoam em silêncio por entre os pés das oliveiras onde outrora floriram mil risos de criança.
Que fez de mim este crepúsculo azul como flecha espetada no vento ferindo de morte toda a vida de meu sonho-menino?
Onde está a pedra que se fez montanha o regato que se fez rio a tripla chama infinita da vida luz e verdade que se apagou na alma nua quando sagradas selvas e misteriosas crenças de punhal à cinta quiseram que fosse santa?
Meu coração peregrino de seu perdido tesouro entre o sol e as desgarradas nuvens de infinitos céus ainda hoje se arrasta entre a razão e o abismo em pálido reflexo de ouro para ser criança na hora de partir.
O meu poema azul
Não sei fazer uma rosa nem me interessa não sei descer à cidade cantando nem é grande a pena minha.
Não sei comer do prato dos outros nem quero não sei parar o fluir dos dias e das noites nem isso me apoquenta.
Não sei recriar o brilho do poema azul…e isso dá-me vontade de morrer.
Procuro para além das sílabas e dos versos a voz poderosa mais vizinha do silêncio o meu poema azul…o suspiro de Outono onde a brisa se aninha no breve silêncio do perfume do alecrim lugar das palavras e dos versos no caminho do teu rosto junto ao rio dos teus olhos onde a vida se faz poema e o mar se deita nos lençóis de luz do fim do dia.
Procuro para lá das sílabas e dos versos encontrar meu barco à entrada do mar onde repousa teu corpo entre algas e maresia meu amor perdido num campo de violetas.
O meu poema é tudo isto que me vive que me ilude que me prende ao lugar azul que procuro dia e noite por entre os versos do meu ser.
O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu não tem asas nem olhos nem sentimento que o traga um dia o vento se vento houver que a saudade o encontre onde ele estiver.
Dizem que no cimo dos pinheiros ainda é primavera mas tão alto não chego mais à mão molho a minha camisa primaveril no regato cristalino que vai correndo por entre os dedos num solo de cores e violino.
Não sei colher uma rosa nem sei descer à cidade cantando sou apenas aquele que ontem dormia sobre um poema azul e das asas da ilusão se desprendia.
Sou aquele que ontem se despia nos braços do poema que vivia sou aquele que ontem habitava em silêncio o poema azul que acontecia sou aquele que ontem sonhou em vão…com o poema azul de mais um dia.
A tua mão
Como simples aves damos as asas a caminho do sol para fugir às lágrimas que a terra espreme.
A luz incendeia a vontade de fugir mas a tua mão serena abre o coração à esperança onde a angústia cresce por entre músicas perdidas e restos de flores.
Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar e dos olhos que pararam de girar confundidos entre lágrimas e risos.
O longo caminho das sombras onde as plantas não falam nem as fontes nem os pássaros.
Mas a tua mão apertada mesmo que incrédula murmura baixinho que os prados se estendem a nossos pés.
E que as brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite desperta por entre o labirinto dos meus sonhos.
Que palácios pretende o vento impaciente em teus cabelos de fogo vencida a idade em que o coração treme sem casa para morar?
Também Beja merece
O espectáculo, a partir das 21h30, é organizado pelo movimento de cidadãos “Beja Merece”, que foi criado para contestar o fim das ligações directas via comboio Intercidades entre Beja e Lisboa e defender a electrificação do troço Casa Branca-Beja e a ligação à Funcheira, que permite a viagem até ao Algarve.
Segundo a organização, o espectáculo servirá para “fazer o balanço da luta em festa” e “mostrar que os cidadãos de Beja devem ter motivos de orgulho pela vontade manifestada e assumida na luta”.
Correio do Alentejo
Onde estarei, em espírito, até porque sem Intercidades é complicado…
D. Dinis – já ouviram falar?
Há 750 anos, nasceu um dos maiores poetas portugueses. Os pais chamaram-lhe Dinis e, para além de poeta, foi rei de Portugal, marido de uma santa e fundador da Universidade em Portugal. Hoje, graças à constante revolução curricular em que vive a Educação, é possível a qualquer cidadão português passar por uma escolaridade de 12 anos e não ler um único poema de D. Dinis, para além de ser muito provável não saber sequer quem foi D. Dinis.
O Nobel da Literatura e Alberto João Jardim
Aqui está um texto sobre Tomas Tranströmer, o Nobel da Literatura de 2011. No final do artigo, temos direito a um poema intitulado “Funchal”, da autoria do poeta sueco agora nobelizado. Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua /estranha“, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA.
Prémio Nobel da Literatura para o poeta Tomas Transtromer
A Academia Nobel decidiu premiar o poeta Tomas Transtromer com o prémio Nobel da Literatura 2011. Praticamente desconhecido em Portugal, com apenas alguns poemas traduzidos e dispersos (alguns a partir do castelhano), Tomas Transtromer é, curiosamente, um conhecedor de Portugal, como descobri aqui. Com a devida vénia a Sylvia Beirute e ao poeta e tradutor Luis Costa, eis um poema significativamente intitulado “Lisboa”
Joseba Sarrionandia, liberdade
Joseba Sarrionandia ganhou um prémio literário e para o receber teria de voltar para a cadeia. Confuso? estamos no País Basco, governado pelo PSOE.
Descobri Joseba Sarrionandia no excelentíssimo Do trapézio sem rede. Depois de ler isto:
Quando o chefe da polícia Ángel Martínez enfia o cano
do seu revólver no ânus do prisioneiro nu
e a imagem se torna nojenta, patética e cheia de sangue,
que importância tem para o jovem torturado
se o poeta é um fingidor, como disse Pessoa?
Alguma vez G. K. Chesterton visitou La Salve?
Há alguém nas celas de Intxaurrondo que conheça
Hermann Broch?
Quando está, totalmente destruído, diante do juíz,
como poderá o jovem torturado explicar
o significado de correlativo objectivo?
Como poderia Molly Bloom compreender um nascer do sol
tricotado com agulhas na prisão de Carabanchel? [Read more…]
James Douglas Morrison, 8 de dezembro de 1943 – 3 de julho de 1971
We want the world and we want it…
Now
Now?
NOW!
Fernando António Nogueira Pessoa
Leonard Cohen, princípe nas Astúrias
Cravos nas ruas de Madrid
Primeira manifestação de bom gosto: a geração à rasca no resto da península chama-se Indignados. E a poesia já está na rua:
Además, muchos llevan ramos de claveles recordando a la revolución portuguesa. Argumentan que si la policía carga se defenderán con flores.
Puerta del Sol, texto lido a 18 de Maio
Pedem-nos propostas, os que nunca tiveram propostas.
Pedem-nos programas políticos os que guinam sistematicamente os seus programas políticos.
Pede-nos transparência quem nunca nos contou nada. Quem nunca nos perguntou nada.
Pedem-nos propostas, os que têm milhões e milhões aos que têm barracas e insegurança, papelão e desemprego, dívidas e mais dívidas.
Pedem-nos propostas porque o poder já não são eles, o poder somos nós todos.
Pedem-nos propostas porque têm pressa, têm pressa porque têm medo.
Mas nós não temos pressa, porque o tempo agora já não é o alheio. O tempo é nosso.
Temos paciência porque sabemos que isto vai crescer.
Temos paciência porque não temos medo.
Roubado no 5Dias
Cartas a Sócrates – [9]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)
PS.: #ILoveSocrates Day by Day 🙂
Publicado no F-Se!
Cartas a Sócrates – [8]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)
PS.: #ILoveSocrates Night & Day 🙂
Publicado no F-Se!
Cartas a Sócrates – [7]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)
ninguém, amor, me obriga a não esquecer a tua falta.
F-Se! #ILoveSocrates Ever 🙂
Cartas a Sócrates – [6]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)
Quando o tempo tiver passado, amor, excedendo-nos na sua
composição, talvez haja alguém que compreenda a negação
bastando-se, sem dúvida, sem hesitação.
E do meu pesar somente a vergonha me impede de não negar,
também, amor, este sentimento deslizando puro desejo de te
afirmar (amor): minha doce enfermidade sem remédio, sem
pudor refreando o desassossego, o cuidado, a negação.
PS.: #IloveSocrates Indeed 🙂
Cartas a Sócrates – [5]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)
Temor, amor, é o que sinto despojada de ti, é não saber de que são feitas as tuas lágrimas ou se choras ou em que pensas quando adormeces ou se ris quando estás só.
Temor, amor, é tudo o que desconheço e o que desconheço, bem sabes, és também tu (amor).
Amor, se eu te conhecesse, conheceria também os teus segredos, os teus anseios, os teus receios, um mundo só teu devastado – não, não é importante conhecer, nem conhecer-te para saber que o mundo e tu são admiravelmente mais belos e desejáveis: desconhecidos, adivinháveis.
PS.: #ILoveSocrates deeply 🙂
Publicado no F-Se!































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