Cavaco não comenta adversários ‘por mais loucos que eles sejam’
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

saber ensinar é saber criar, como Adão e a sua divindade por Michelangelo
É uma das tarefas mais difíceis da vida. Começamos por aprender em pequenos, passamos a estudar mais crescidos, e já adultos, somos nós que ensinamos. Mas, o quê?
Até onde eu saiba, não há escola de pais para aprender a ensinar. É uma permanente improvisação que nasce do fundo da nossa alma pelos sentimentos que criamos para as nossas crianças que, com paixão, fazemos. Eis o motivo do nome criança: são nossas, as fazemos, as amamos, as cuidamos.

pensei seria Elisa, por Beethoven; acabou por ser May Malen, pelos pais
Os leitores queiram desculpar, mas volto a falar de netos, como há tempos no artigo que dediquei ao meu amigo fraterno, Daniel Sampaio. O motivo é simples, a vida é um eterno retorno. Não um retorno de uma alma[i] que vai embora e torna a aparecer noutro corpo, como acreditam muitas pessoas, especialmente os Kiriwina da Nova Guiné[ii]. Para os que acreditam em almas, é evidente.

No meu texto Pedir, de faz uma semana antes, especifico o que desejo para este ano de 2011. O primeiro, por estarmos em eleições presidências, que o meu candidato seja o ganhador. Parece-me que corresponde. Se o nosso executivo socialista já parece social-democracia, o candidato triunfador socialista, da forma e maneira que ele é, tornará aos princípios de 1972. Confio em ele: é senhor, não insulta, não ironiza, não tem arrogância, sabe imenso de economia ciência necessária para refazer os desfeitos começados, como todos sabemos, por que nos governa, no qual enganosamente depositamos à nossa soberania. Foi uma desgraça que o poder executivo de hoje, que eu apoio pela sua valentia de enfrentar à crise com os nossos meios e sem pedir empréstimos, que cobram altos juros, foi uma desgraça, dizia antes, termos confiado em quem não devíamos e representa a Nação, e apenas por isso, faz como entende. [Read more…]

analfabetismo activo e passivo entre adultos
Para os meus alfabetizados ao longo de uma cumprida cronologia…
Os iletrados do mundo não lêem, mas falam e falam de tragédias. Foi escrito, se bem lembro, com a minha amiga, orientada de tese e antiga discente, Ana Paula Vieira da Silva. O texto foi resultado de uma conversa ao telefone. A seguir a esse texto, escrevi outro sobre as formas de gerir o ensino em Portugal. Carta Aberta, com respeito e firmeza. Meu Deus! (apenas uma exclamação, não sou homem de fé). As mensagens chegaram em toneladas de mega bytes. Não pararam as mensagens de parabéns, os comentários em prol dessa defesa, acréscimos de congratulações por defender o corpo docente deste meu outro país, Portugal. Mas, estou certo, tenho comigo o texto, esta imensidão não esperada, de com comentários, as cartas, os telefonemas, etc. Nenhum falava dos iletrados. Como diz o meu bom amigo, hoje Doutor em Educação Especial, [Read more…]
Cavaco, mastigando explicações sincopadas, como qualquer mau professor, vem abençoar as palavras de seu discípulo, Durão, apodando-as de sensatas. Se bem se lembram, o senhor comissário, do alto de Bruxelas, pediu aos líderes que se calassem. O que fez Cavaco? Falou.
Graças ao verbo presidencial, ficámos a saber quem são os nossos credores: “as companhias de seguros, os fundos de pensões, os fundos soberanos, os bancos internacionais e os cidadãos espalhados por esse mundo fora”. Fomos aconselhados a não dirigir a toda essa gente “palavras de insulto” (será o mesmo que insultos?), porque daí pode derivar “mais desemprego”. No fundo, é algo comparável ao conselho de que não se deve cuspir para o ar. Realmente, não há nada como um economista ilustre para explicar os mecanismos do emprego e da economia em geral.

crise financeira, homofóbica, dos direitos humanos, não apenas da economia
Não há fim de ano que não acabe com festas e pantomimas, muto comer, entrega de presentes, gastos supérfluos em roupas novas para passar a consoada, dançar para o Ano Novo, festividades que, enquanto acontecem, parecem não ser gastos, mas sim, investimentos em relações familiares, de amigos e vizinhos. Para mal dos meus pecados, calhou passar os meus primeiros vinte e anos de vida en terras nossas, que ofereciam presentes à nossa família: pais, irmãos e até a servidumbre que realizava o trabalho doméstico. Éramos poucos para tanta euforia, que devia ser devolvida. Não era um investimento de capital, era um gasto sem objectivo, excepto esse de manter contente ao patrão e a sua família e assegurar o posto de trabalho. Era um investimento inútil. O trabalho estava assegurado pela lei, pelos sindicatos e pelos compromissos políticos dos que prometiam muito para ser eleitos para os sítios de poder que pretendiam. Essas festas e ofertas eram um desperdício de dinheiro retirado do fundo doméstico do que todos viviam. O desperdício era a loucura das loucuras. Não apenas mo havia investimento nem poupança, era um louvor às festas de fim de ano e ao patronato dos proprietários. Hábito aprendido desde a revolução industrial do Século

…para a minha mulher, que tudo faz por mim…
Todos sabemos o que é o Natal, pelos menos nos países do Ocidente e cristãos. É a comemoração do nascimento de quem nos salvara do pecado, faz 2010 antes deste dia. Para as pessoas de fé religiosa é o nascimento do Redentor do Mundo. O problema, mais uma vez, é definir estas palavras, estes conceitos a que não estamos habituados por não sermos religiosos, ou sendo religiosos, aprendemo-los na infância mas depois esquecemo-los porque a vida, dura como ela é, faz-nos pensar todo o dia nos nossos deveres profissionais remetendo partes da nossa história, longa como é, para o esquecimento, também o stress do dia-a-dia não nos permite sermos homens e mulheres de fé e de acreditar na existência de uma divindade, que nos proteja das aleivosias de outros seres humanos.

…para Catarina Almeida, interessada na minha saúde, fez um comentário que inspirou este texto…
Normalmente pensa-se que somos governados, quer pelas nossas células, quer pelas nossas vísceras, ou pelos cidadãos que gerem a nossa soberania.
O primeiro é o corpo. Somos seres humanos e pode criar-nos brincadeiras

este era Portugal. Hoje em falência, o Terreiro do Paço será também vendido?
Fui convidado a investigar e leccionar em Portugal, em 1981. Gostei do país, da sua terra e da sua gente e da forma de resolver os seus problemas. Eram dois meses apenas esse convite, mas gostei tanto, que falei com a minha família e propus mudar-nos a um país sem comparação com os outros países da Europa. Farta a família de andar por tantos países, recusou o convite, ficaram em Cambridge e eu tinha que viajar entre um e outro. Aliás, foi preciso confrontar ao meu chefe, Sir Jack Goody e anunciar que cancelava o meu contrato com ele e ficava no Porto do Galo – nome romano para Portugal -, porque havia muito trabalho para ser feito. Ficou furioso, disse-me que no nosso Departamento havia mais ainda. Não ouvi e fiquei. Esses dois meses passaram a ser 30 anos… até ao dia de hoje.
Nunca pensei que a República Portuguesa ia ter tantos problemas para resolver em frente de si. Especialmente económicos, políticos e éticos. Se na Grã-Bretanha tomávamos conta do penny, em Portugal era do tostão antes, hoje em dia do cêntimo.
Não há dia em que não se deva poupar. Não há dia em que não devamos pensar duas vezes antes de levar a mão à carteira. Olhamos os preços, comparamos, e as compras passam a ser um cumprido passeio. Aliás, já nem compramos o que costumamos adquirir. [Read more…]

Natal costumava ser festa da alegria, mas a crise económica de hoje...
Para o meu próximo descendente, essa criança, filha de uma das nossas filhas
1. Natal
Os leitores devem estar habituados a ler nos meus textos, uma ideia em que sempre teimo: qualquer grupo social tem, pelo menos, duas formas de ser ou duas culturas: a dos adultos e a das crianças. A do adulto, esse imaginário para calcular e decidir; a da criança, essa fantasia à espera. A do adulto, para calcular e decidir, porque vive no meio das finanças, dos orçamentos. Fantasia à espera, por viver no meio dos mimos, recebidos ou esperados. Duas lógicas de ideias que andam, ora entrelaçadas ora paralelas – umas no lar, outras, à distância. É na altura da noite e do frio, que começamos a pensar nesta brincadeira das duas culturas. [Read more…]

a infância dura um dia, metadóricamente falando
Retirado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, aqui e aqui.
A política do aventar de publicar apenas um texto por autor por dia, fez ruir o meu projecto de entregar cada dia um texto do meu livro A ilusão de sermos pais. No entanto, tem me sido oferecido pelos Senhores gestores publicar o derradeiro capítulo que complementa a todos os anteriores. Este são 1.Prelição, 2. Introdução, 3. A materialidade dos afectos, 4. O real dos pais. 5. A ilusão de sermos pais, 6. Fala que não entende, 7. O Pequeno Pecador. 8. Bibliografia e notas de rodapé, que é este poste. [Read more…]

o primeiro natal de uma pequena família internacional: os Isley
…para Camila, filha companheira, o seu marido Felix e para sua filha May Malen, a minha nova neta
1. Sonata introdutória.
Perguntou-me um dia uma estudante da minha Universidade portuguesa: Senhor Professor, porque estuda crianças? A minha resposta foi breve: porque sou pai. A seguir, proferi uma explicação mais explícita. Não é apenas sermos pais, é o que as crianças nos ensinam. Até parece que não são pequenas. Até parece sermos nós os que dizemos as sabidas coisas da vida. Sabidas coisas, um conceito que substitui todas as acções e aventuras na interacção da experiência da vida, dessa interacção que, por habituados como a ela estamos, esquecemos de reflectir. Reflexão que nem nos faz mal. Pelo contrário, reflexão que nos ajuda, a nós, adultos a crescer, a partir das crianças. Crianças adultas e crianças a crescerem. Como as filhas que tantos de nós pais, temos. É verdade que a simplicidade e o carinho, a honestidade e a lealdade são parte da vida que nós praticamos e transferimos para a nossa descendência. Essa descendência que começa a aumentar sem nós darmos pelo facto. Um dia somos filhos, anos virados, somos autónomos e indivíduos, anos depois, caímos no chão de um amor que acompanha os nossos afectos, a nossa emotividade mais íntima. E, dessa intimidade, aparecem os primeiros descendentes que fabricamos. E não é um erro de estrangeiro dizer fabricamos, são feitos do amor pela pessoa que os leva no seu corpo durante meses e que do seu corpo os alimenta. [Read more…]

precisamos de uma nova restauração... económica
Escultura de Gustaf Vasakyrkan em Estocolmo "Os santos triunfam sobre a heresia".
Estou certo de ter publicado este texto em Outubro de 2009, quando a nossa vida parecia ser mais pacífica, calma e tranquila, com dinheiro no bolso, capazes de gastar em divertimento, férias e, para nós fumadores, tabaco. Tabacos que dizem que mata, mas se mata, os nossos legisladores deviam proibi-lo de vez. No entanto, como a sua venda dá lucro, é conveniente para os depositários da nossa soberania manter essa produção de veneno. Se a eutanásia está proibida, mesmo em casos limite onde impera o sofrimento, que acaba por matar o ser doente, na China, existem casas que acolhem os moribundos, juntando-se a outros a morrerem como eles. Entre nós, há apenas hospitais e casas de repouso, sítios proibidos para visitar os nossos doentes a falecer. Como tem acontecido em toda a humanidade, eis porque se comemora o dia de Todos os Santos, época em que as campas são compostas, limpas, cheias de flores e de pranto. Nunca esqueço o dia em que num cemitério vi uma senhora a limpar arduamente o túmulo da sua sogra, de joelhos e com imenso pranto, que parecia em alarido. Alaridos para

a afectividade é erótica, porém material
As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. [Read more…]
Once upon a time, as all stories must begin, I was born. My parents, Grannies and their husband were very anxious in the expatiation of seeing me. So were my cousins Tomas and Maira Rose, they wanted to have a cousin to play with. Their disillusion was big, as I was only a Carrot, with no name and used to sleep and sucks mother’s milk, and then I fell asleep again. My parents wanted a daughter and I was a girl for their satisfaction. They have already had a son, who takes care of us from eternity. I feel protected by him. Auntie Paula and Uncle Cristan, were also in the expectation of seeing me as soon as possible. However, as they are people of respect, they waited three months before going with their kids to have a family gathering around my coat, my baby bed. The only person who did not turned up was Abuelo, as Auntie [Read more…]
toda criança pasa à adulto aió saber o que se espera dela
Se actualmente é difícil falar em crianças, a abordagem à temática fica mais complicada quando temos limitações do número de palavras. Mas, vamos a isso.
Dentro das várias definições de infância e criança usadas nos meus textos, há duas que me satisfazem. Criança, é um ser humano no início do seu desenvolvimento fisiológico e social que depende dos seus adultos na alimentação, nos sentimentos, no carinho, no vocabulário e no abrir da sua imaginação para entender como se desenvolve o mundo. Adultos que podem ser os pais, os tutores ou um conselho de família. Infância é a pessoa que nasce, cresce, aprende a vida intra social. Na cronologia da vida, essa criança passa a etapa da infância. Conceito que transcorre, idealmente, desde a nascença até à idade púbere, idade em que o indivíduo se torna fisiologicamente apto para a procriação de outros seres humanos. Atenção, referi reprodução fisiológica. Será que é adequado ter cromossomas só para reproduzir seres humanos? Em todos os meus textos tenho dito que isso não é suficiente. Aliás, a própria História assim parece provar. Uma palavra cheia de distinções na cronologia do tempo e conforme seja a hierarquia social. Criança, em consequência, não é um conceito biológico, é muito mais, é um conceito social. Motivo pelo qual o meu amigo e colega na cátedra do Collège de France em Paris, Pierre Bourdieu, o sábio dos sábios em ciências do homem, nunca quis estudar o pré púbere, como poucos de nós temos feito. Os cientistas, excepto os analistas clínicos,
Nos dias que correm toda a gente fala numa coisa a que chamam “mercados”. Ninguém se dá ao trabalho de clarificar o que vem a ser isso dos mercados e parece-me que a maior parte dos “comentaristas” que falam nos nossos media não fazem a mais pequena ideia do que estão a dizer.
Há inclusive teorias de conspiração a circular que apresentam ideias mirabolantes para tentar explicar a situação em que estamos, sem apresentarem o mínimo resquício de prova do que estão a dizer. Por exemplo acabei de ouvir na televisão (SIC Notícias), numa tentativa muito débil de explicação, os seguintes argumentos:

o que o orçamento de estado nos rouba: sermos modelos para os nossos filhos
Será que a paternidade roubada é o orçamento de estado para 2011? Vamos pensar. Porque ser pai é ter trabalho, persistência, alimentar a prole, vesti-la e ensiná-la
Começam a existir no nosso amor e no nosso desejo, continuam a sua vida dentro da intimidade do casal. Antes ainda, viviam dentro do grupo social, esse que nos ensina como é que amamos os nossos descendentes. É verdade que entre os dados da nossa cultura cristã há um mito, o da paternidade silenciosa que José soube ter com Maria. Entre os Islamitas, o duro Pater Família com as filhas e o doce varão com os filhos. Os Budistas pensam no mais novo reencarnado de um ser que veneraram no passado. Max Weber em 1905, conseguiu analisar todas as relações ascendentes/descendentes do que denominou as religiões universais. Essa teoria que orienta a nossa cultura, ou a amizade dos adultos com as suas crianças falada com alegria por Malinowski em 1922, 1924 e 1926. As ideias analíticas de Sigmund Freud em 1905, em 1913 e as maternais de Melanie Klein em 1930, ideias doces de François
Andamos muito entretidos em Portugal com a aprovação do orçamento, com as medidas que o governo anuncia, com as medidas que o PSD sugere e especulamos se o FMI vem ai até ao fim do ano ou se aguentamos até ao fim do primeiro trimestre. Tudo coisas muito excitantes.
Depois do primeiro impacto de todas estas questões, começamos a tentar perceber as causas. Atiramos as culpas para o bloco central – e quando o fazemos não erramos na identificação dos responsáveis – depois culpamos os banqueiros – e é verdade que estes com a sua cega ganância não têm feito grande obra pelas pessoas que vivem no rectângulo. Toda a nossa indignação é perfeitamente justificada.
Atingimos um ponto onde é gravíssima (e insustentável) a nossa dívida externa pública de cerca de 77% do PIB (est. 2009), ou a ainda mais grave a dívida privada a parceiros não nacionais de 146% do PIB (a 30 Junho 2009), esta situação não é nova para Portugal e muito menos qualquer coisa de imprevisível.
Os mercados estão em todo o lado. De repente somos submergidos por eles, os mercados. Sim, parecem ser um novo deus. Aos Católicos ouço dizer que Deus está em todo o lado. Para os políticos, comentadores, analistas e jornalistas, os mercados estão em todo o lado. Tal e qual aquele fulano que não nos larga. Enfim, um perseguidor.
Os mercados duvidam, os mercados estão atentos, os mercados desconfiam, os mercados isto e os mercados aquilo. Querem ver que os mercados são o ‘sistema’ do futebol, o ‘vocês sabem de quem estou a falar’ do Óctávio, o Brutos que também esfaqueou Júlio César, o ‘Adamastor’ que fez tremer os navegadores lusos?
Olha, mercado, se te posso tratar assim, vai dar uma volta ao bilhar grande e leva contigo os políticos, os comentadores, os analistas e os jornalistas que te vêm em todo o lado e que, acima de tudo, te dão demasiada importância. Não fossem eles, e tu não existias.
a criança experimenta saber, mas sem sucesso, como pode-se ver nos seus pés descalços
…para Darlinda Moreira, antigamente a minha discípula e amiga….
Schubert – Death and the Maiden (part 1)
First part of 1st movement. The Alban Berg Quartet. Once again, please forgive me for the way I’ve had to split this.
Luís Souta denominou-a A escola da minha saudade, em 1995; Stephen Stoer e Helena Costa: A capacidade de nos surpreender, 1993; Luiza Cortesão: Escola, Sociedade, que relação? 1998; Luiza Cortesão e Stephen Stoer: Levantando a pedra, 1999; Ricardo Vieira: Entre a Escola e o Lar 1996; Telmo Caria: A cultura profissional dos professores, 1999; Ana Benavente: Do outro lado da escola, 1987. As várias denominações, que eu desejo definir neste texto, fazem-me omitir, obrigam-me a omitir, mandam-me não lembrar o que Darlinda Moreira diz da escola. Darlinda Moreira e eu debatemos, durante anos, qual a utilidade da escola para as crianças. Especialmente para crianças descendentes de pais, avôs, ou famílias, designadas por Paulo Freire, escolas oprimida, sem alfabetização, ou, como se diz hoje, sem literacia. Referem sem literacia, entre outros, Filipe Reis, 1997: Da antropologia da escrita à literacia, na Revista Educação, Sociedade e Culturas, trimestral, Afrontamento, Porto; António Firmino da

menina pobre, desigual e doente
O estatuto socioeconómico dos pais é determinante do incremento da (des) igualdade fisiológica das crianças denominadas de educação integrada ou especial.
Parece-me evidente que, ao falarmos em criança, estamos a pensar num ser humano novo, rechonchudo, de riso aberto, olhos azuis, cabelo encaracolado, impossível de atingir na sua rápida corrida. Ou, num pequeno que adora esconder-se dos adultos, ouve histórias lidas à noite, sabe contar contos e é espontâneo para colocar os seus braços em redor do nosso pescoço. Ou nessa pequena menina que brinca a ser mãe e canta às suas bonecas, as suas preferidas canções de embalar. O mundo ideal, do tipo Huxley. Mundo ideal que raramente acontece, na vida real. Ou, por outra, verdade que atribuo mas não concerta com o mundo material.
Porque esses olhos azuis podem não ver e perguntar aos seus ascendentes como é que é…tudo. Porque essas orelhas cor-de-rosa, podem não ouvir. Porque essa boca de
Escrever sobre um sentimento, não precisa citações. A amizade é uma afeição recíproca entre duas pessoas que cultivam boas relações. É a sinceridade entre essas duas pessoas que sabem partilhar sentimentos e calar. Numa palavra, é a confiança mútua entre pessoas de qualquer idade que sabem tomar conta uma da outra, sem entrar pela vida privada do outro. É um sentimento de nunca abandonar a pessoa por quem se sente afectividade. Foi, na Grécia clássica que, pela primeira vez, através de Aristóteles, definido o conceito amizade. Os motivos da Amizade diferem em espécie, como, também, diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver afeição mutuamente reconhecida.
Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade:
1) utilidade, a Amizade existe na medida em que se recebe um bem de outra pessoa. Incluindo, esta categoria, o prazer: isto é, desenvolve-se a Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude do seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aquele cujo motivo da Amizade é a utilidade ama os seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aquele cujo motivo é o prazer fá-lo pelo que lhe é prazenteiro; nunca o é em função daquilo que é a pessoa estimada, mas na medida em que ela lhe é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais.

nova forma de machismo organizado ao extremo...
(reedição)
…para a mulher que amo e me ama… ainda que não estejamos sempre quites…
1. Introdução em forma de fandango.
A temática é imensa. O debate com a minha equipa nunca mais acaba. Porém, encurralo as ideias para começar apenas com a do título. O meu título é uma hipótese. Uma hipótese depreendida da experiência da minha pesquisa, como é habitual. Pesquisa que analisa crianças, necessária para os adultos entenderem o seu contexto. Adultos a mudarem vertiginosamente nos últimos tempos. Na década de Setenta do Século XX, o objecto da nossa investigação (minha e equipa) foi um grupo de mil mulheres casadas, residindo nas suas casas. As casas serviam para cuidar dos pequenos e alimentá-los. Lares dominados pelos homens, maridos ou não, pais das crianças ou não, mas lares dominados contra o prazer das mulheres. Ainda me lembro da mulher que falava do orgulho que sentia pelo seu lar e pelo seu homem ser capaz de lhe dizer o que fazer. E a raiva que sentia, ao mesmo tempo, porque tudo o que ela fazia, não era da sua

´metáfora do nosso país que nunca mais decide ser República!
Portugal é um País em permanente transição. Até à entrada dos Bonapartistas, no início do séc. XIX, toda a terra era do Rei. Fosse quem fosse o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava, desde D. João IV, pousada sobre a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa. A terra, desde Afonso Henriques, era conquista da Coroa, excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos, sempre que daí resultavam benefícios. A entrada dos Bonapartistas, terminada na guerra Peninsular, pondo fim às guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Duas das consequências, da absorção das ideias liberais, marcam o fim dos contratos de enfiteuse e do Morgadio, que se caracterizava pela transferência das terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera lutou pela sua abolição (1845), e por isso foi expulso, como Verdi, em Itália (1859), com um final mais feliz, ao tornar-se membro do Parlamento constitucional. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham e não do direito de raiz, que permanecia (quarto direito) da lei visigótica, permitindo aos proprietários viverem dos rendimentos acumulados da colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros, excepto dos jornaleiros, que entregavam mão-de-obra e viviam e vivem ainda, dos salários. A população ficou com as ideias da propriedade directa, e muitos dos intelectuais portugueses, galegos e chilenos, derivaram-

3.1- Algumas ideias finais. IIIª Parte
Como é natural, há mais confissões espalhadas pelo mundo inteiro. Todo o ser humano tem necessidade de ajuda quando a vida é dura e não há outra alternativa na vida material, excepto acudir a essas outras formas materiais, criadas pelo ser humano, a religião. É esse o motivo da minha grande dúvida no início do texto: confissão de medo ou do medo. Decidi-me pela derradeira para discorrer ideias com a minha análise, que devia ser um livro. Um exemplo específico para mim foi o de uma tese de doutoramento que orientei sobre os Ismaelitas. Enquanto lia os papéis para escrever este texto, encontrei esse nome, a Índia toda caiu sobre mim. O candidato nunca acabou a tese, por preguiça, pelo que lhe solicitei ir embora – e embora foi, até com o seu nome, que entretanto esqueci. Mas, aprendi imenso sobre os Ismaelitas e agradeço: visitei os seus sítios de trabalho, comi nos seus restaurantes, ensinaram-me as suas crenças. Em honra aos seus membros, embora breve, direi apenas esta ideia: Os ismaelitas, por vezes grafado erroneamente Ismailismo, é uma doutrina religiosa considerada como um ramo dos xiistas. Os adeptos dos ismaelitas são também designados como septimámicos em
Convidamos-vos a estarem presentes a partir das 15h30, hoje, 4a feira, na Casa do Alentejo em Lisboa para o lançamento de uma iniciativa promovida por várias figuras reconhecidas da sociedade portuguesa e com intervenção em áreas sociais diversas.
Esta iniciativa tem como ponto de partida a tomada da rua como espaço de debate político de ideias de alternativa a uma proposta política/social que remete a maioria das pessoas para as dificuldades, enquanto outras fazem da crise um negócio rentável. Porque sabemos que existem alternativas e elas estão nas ideias e capacidade transformadora dos cidadãos e cidadãs nos juntámos.
Primeiros Subscritores
Ulisses Garrido – Membro da Comissão Executiva da CGTP
António Avelãs – Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL)
José Rodrigues – Presidente da Liga Operária Católica (LOC)
Timóteo Macedo – Dirigente da associação Solidariedade Imigrante (SOLIM)
Mamadou Ba – Dirigente do SOS Racismo
Cristina Andrade – Activista do Fartos D’estes Recibos Verdes (FERVE)
António Serzedelo – Dirigente da Associação Opus Gay
Eduardo Pinto Pereira – Membro do Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral (CIDAC)
Tiago Gillot – Activista dos Precários Inflexíveis (PI)
Viriato Jordão – Presidente de Associação de Pais e Sindicalista Reformado
Francisco Alves – Sindicato dos Metalúrgicos
Salomé Coelho – Investigadora, activista feminista e LGBT
Carla Bolito – Actriz e membro da Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e Audiovisual
João Pacheco – Jornalista e Activista dos Precários Inflexíveis
Manifesto
Não nos calaremos!
Não fomos nós quem fez esta crise.
Há outras soluções.
Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise.
Desemprego acima de 10%, precarização generalizada, cortes em todos os apoios sociais e nos serviços públicos, ataque ao subsídio de desemprego, aumento da pobreza…Pode-se viver assim? Como aceitar sempre mais sacrifícios para vivermos sempre pior? Como chegámos aqui? Os banqueiros e os especuladores jogaram com o nosso dinheiro: crédito fácil, especulação imobiliária, fraudes de gestão. Quando ficaram a descoberto, em 2008, não gastaram nada de seu. Chamaram os Estados e, dos nossos impostos, receberam tudo quanto exigiram. Então deram o golpe: com o dinheiro recebido a juros baixos, compraram títulos da dívida pública, a dívida do mesmo Estado que os salvou. Agora, o Estado, para pagar os altíssimos juros dos títulos da sua dívida, vai buscar dinheiro aos bolsos de quem trabalha: mais impostos, menos salário, cortes de todo o tipo, privatizações…
Estamos perante uma gigantesca transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos. Dentro de cada país. E dos países mais pobres da Europa para os países mais ricos – numa Europa submissa e agachada defronte dos mercados especuladores. Duas palavras enchem os nossos dias: “dificuldades” e “sacrifícios”. São palavras para nos silenciar. Pois não nos calaremos. Não fomos nós, trabalhadores de toda a Europa, quem fez esta crise. Quem a fez foi quem nunca passa por “dificuldades” e recusa sempre quaisquer “sacrifícios”. Foram os especuladores que nada produzem, os bancos que não pagam os impostos que devem, as fortunas imensas que não contribuem. Para eles, a crise é um novo e imenso negócio.
Agora que a desesperança se espalha, que a pobreza alastra e que o futuro se fecha, trazemos à rua o combate de uma solidariedade comprometida com os desfavorecidos. Há alternativas ao empobrecimento brutal da maioria da população. O projecto de um Portugal e de uma Europa num mundo que cresça com justiça social e prioridade aos mais pobres. Que defendam o emprego digno, os serviços públicos e os apoios essenciais para garantir o respeito por cada pessoa. Essa é a verdadeira dívida que está por pagar.
Vindos de muitas ideias e de muitas experiências, juntamo-nos pela igualdade e contra as injustiças da crise. Conhecemos as dificuldades verdadeiras de quem está a pagar a factura de uma economia desgovernada.
Não aceitamos a cumplicidade financeira da Comissão Europeia e do BCE no sofrimento e na miséria de milhões, não nos conformamos com um país que se abandona à pobreza, com uma sociedade que aceita deixar os mais fracos para trás.
Uma sociedade civilizada não protege a ganância acima do cuidado humano, o cuidado de um por todos e de todos por um.
Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise.
Vamos à luta.
Vamos!
Contactos:
Ulisses Garrido – 919317594

violência familiar:uma testemunha
Para as crianças vítimas de violência familiar
Sabemos que o mito que orienta o nosso comportamento é o da Sagrada Família definida pelos cristãos romanos: um pai que trabalha, uma mãe a tomar conta da vida doméstica, uma criança que brinca com os seus pares e ensina aos eruditos do Templo de Jerusalém, por brincalhão, sorridente e sábio que é ao ponto dos pais ficarem impressionados. Ideais conhecidas por nós da cultura romana e faladas por mim nesta coluna imensas vezes. Reiterada, para lembrar sempre o necessário respeito incluído na interacção dos seres humanos, seja qual for a sua idade e a sua geração. Esse respeito que precisa de ser entendido como a conversa entre adulto e criança, com ideais e palavras definidas pelo entendimento do mais novo. O mito serve apenas para nos indicar da necessária bondade e educação que esse adulto transmite ao mais novo. No denominado Decálogo ou Dez Mandamentos, existe uma frase que manda respeitar pai e mãe. Mas, não há retorno: em lado algum é possível ler honrar as crianças. Pode-se comentar que todo o Decálogo tem por objectivo organizar o contexto de bem-estar para o conjunto do grupo social. E, sem qualquer dúvida, receio do esquecimento dos pequenos no conjunto da vida social. Diz Freud em 1885 que a criança é todo ser humano desde a concepção até o começo do entendimento aos cinco anos de idade. Procura o seu divertimento ideal e erótico e a subtracção à morte, o que denominou Eros e Thanatos, para surpresa do mundo científico e do mundo social em geral. Até ao dia de hoje. Em 1966, um seu seguidor, Wilfred Bion, contradiz e para definir que o ser humano, criança ou adulto, tenta confrontar a dor para aceitar a humilhação a que a vida definida por Adam Smith, John Maynard Keynes, Margaret Thatcher, Ronald Reagan,

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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