Os professores explicados aos não professores

Ser Professor é um problema, principalmente, quando queremos explicar o que se passa com os professores aos que não são professores.

Prometo que não vou contribuir para a retórica da classe de que se trabalha muito, de que se leva trabalho para casa, que…  Vamos esquecer isso tudo e olhar para o momento com um outro olhar – o olhar de pai.

Vejamos:

– de acordo com o Sr. Ministro Nuno Crato teremos em Portugal cerca de 105 mil docentes nos quadros e, um pouco mais de 10 mil contratados. Ou seja, em menos de 600 mil funcionários públicos, temos cerca de 115 mil professores. Logo, quando o Governo tem como prioridade despedir pessoas (há quem lhe chame poupança) diria que, 1 em cada 6 terá que ser professor.

– nos dois últimos anos o MEC recorreu a duas armas: despediu docentes a contrato e empurrou mais uns milhares (20 mil) para a aposentação.

Aparentemente, nas Escolas, do ponto de vista dos pais, continua tudo a correr com relativa normalidade. Mas, então, isso significa que Nuno Crato tinha (tem!) razão quando dispensou tantos Professores? [Read more…]

Combate ao abandono escolar por Daniel Sampaio

A redução do abandono escolar é uma conquista, mas não pode fazer esquecer a realidade do insucesso, da indisciplina e das dificuldades emocionais que, infelizmente, caracterizam o quotidiano de muitas crianças e jovens das nossas escolas. Por isso, não pode estar certa a ideia de dispensar, por exemplo, cem professores, muito menos a de mandar para o desemprego dezenas de milhares. A não ser que se deseje ficar mesmo sem professores.

Na Revista do Público de hoje, um artigo de Daniel Sampaio que vale a pena ler.

danielsampaio

Mobilidade Especial via Paris

Agora já percebi! Finalmente, ufa!

Vejamos: Sócrates, que foi primeiro antes de ser engenheiro, seguiu a dica do Relvas e foi atrás de uma oportunidade lá fora, creio que em Paris. E o sucesso é total – depois de dois anos com horário zero na cidade Luz é colocado, em Mobilidade Especial, na RTP. Creio que, também neste caso, há mão do Relvas – como diz o Pacheco Pereira, é melhor ter o mal ao virar da esquina. [Read more…]

Tomem nota: 7 e 10 de maio são os exames

Poderá e deverá ser um excelente dia para ficar em casa!

Crato mentiu (III)

Qualquer menino do 5º ano que estude a água sabe o que acontece quando soluto e solvente tentam ser água e azeite. Sabiam muitos professores qual seria a relação entre Nuno Crato e a verdade. Mas, em relação a esta questão da mobilidade aplicada aos docentes, há algo que importa questionar:

– um Professor do quadro (efetivo) que fique sem horário está obrigado a concorrer para tentar apanhar um horário numa outra escola do seu concelho, isto, considerando o Porto e Lisboa como excepções.

– um Professor dos Quadros de Zona Pedagógica (também efetivo, mas numa área geográfica mais ampla) está obrigado a concorrer para qualquer escola do seu QZP e a, pelo menos, uma outra escola de um QZP que não o seu.

Assim, num primeiro momento, a alteração à dimensão dos QZP que o MEC ontem apresentou será aplicável apenas aos docentes dos QZP, não tendo qualquer relação com os professores que pertencem aos quadros das escolas / agrupamentos. Certo?

Ou será que o MEC vai também alterar a Lei dos Concursos obrigando um docente dos quadros de uma escola de Matosinhos a concorrer para Bragança ou para Viana? Não me parece que isto faça algum sentido.

Mas, há mais.

Vamos imaginar que o Professor 1 está na escola A e o Professor 2 na escola B. Um tem melhor graduação que 2.

Pode acontecer que na escola A,o melhor graduado não tem lugar, mas na escola B o professor 2 tem lugar.

Ora, o encaminhamento para a Mobilidade, de acordo com o que está legislado, terá que obedecer ao quadro TOTAL do MEC, não? Ou seja, no exemplo apresentado, o Professor 2 iria para mobilidade e o Professor 1 teria que passar para a escola onde tem horário. Isto significaria o CAOS nas escolas deste país porque o MEC teria que fazer uma lista completa de todos os docentes e teria que indicar para horário zero (=mobilidade?) os últimos dessa lista. Depois teria escolas com necessidade de professores, sem docentes e outras com docentes que não necessitam.

Eu sei que é confuso, mas vale a pena discutir antes que apaguem a luz!

Crato mentiu (II)

Segundo a Comunicação Social Nuno Crato mentiu quando disse que não pretendia despedir professores e que a mobilidade não seria o destino dos docentes:

“Não está em cima da mesa nenhuma discussão sobre a mobilidade dos Professores”, disse.

Na altura NC referia-se à FENPROF, que, para o melhor e para o pior, continua, hoje, como ontem, disponível para lutar contra esta gente que quer destruir a escola pública – será que a FNE estará? Na altura a FNE deu a mão – e agora?

Insónia

insónia I

Pela primeira vez, ppc e a sua corja tiraram-me o sono.
Escrevo este texto às quatro da manhã, depois de ter acordado por volta das duas e não conseguir pregar olho. E por que é que isso acontece? Não, não é porque esteja a arder de desejo carnal pelo coelhito ou por algum dos seus hediondos assassinos a cobro. É porque, mais uma vez, mas hoje muito mais do que antes, me sinto soterrada. [Read more…]

Pânico

cm

Leia a notícia (pdf)

Atualização

Ministério da Educação: como despedir trabalhadores necessários

pblico 1set2012A notícia já tem alguns dias, mas vale a pena, ainda, comentá-la: desde 2009, o concelho do Barreiro perdeu 222 professores, enquanto o número de alunos tem aumentado.

As causas para este facto são apontadas na mesma notícia: os mega-agrupamentos, o aumento do número de alunos por turma, a redução da carga horária de algumas disciplinas e a redução de pessoas nas direcções.

Se se tivesse a certeza de que alguma dessas medidas serviria para melhorar as condições de trabalho das escolas, ainda poderia concluir-se que havia professores a mais. A verdade é que são prejudiciais para aquilo que é essencial: as aprendizagens dos alunos.

Pelo meio, esta situação torna ainda mais risível a propaganda que aponta a baixa de natalidade como causa para a dispensa de milhares de professores: mesmo admitindo que na maioria dos concelhos o número de alunos possa ter diminuído, ao contrário do que acontece no Barreiro, a diminuição de nascimentos está muito longe de justificar o despedimento maciço dos últimos anos.

A repartição do Ministério das Finanças a que chamam Ministério da Educação soube inventar maneiras de despedir trabalhadores fundamentais, prejudicando, desse modo, o país. Com uma opinião pública desinteressada, qualquer declaração vaga sobre natalidade ou rácios constituem bacalhau bastante.

Desfazer a Escola Pública vai começar

Ou antes, continuar!

O Ministério da Educação, na linha do Primeiro-ministro Vítor Gaspar, tem uma linha bem clara que o separa da escola pública – a linha que o leva da defesa da Escola Pública à sua venda.

Podemos ter muitos olhares sobre o que é e o que deverá ser a Escola Pública, mas este não é o momento para grandes discussões porque o trabalho de Crato tem sido muito claro.

A aposta do Governo no apoio aos colégios privados e na passagem da Formação Profissional para o IEFP são apenas duas das medidas de que se fala. Imaginem o que vai acontecer à Escola Pública, nomeadamente às Escolas Secundárias, se todos os cursos profissionais passarem para a gestão do IEFP:

– Quantos horários zero? Quantos professores iriam para a mobilidade? Quantos serão despedidos?

Nota: houve escolas secundárias que foram contactadas para receberem, nas suas instalações, cursos do IEFP.

Dívida pública aos professores

O Ricardo Campelo de Magalhães (RCM) publicou um texto simplório acerca dos protestos que a FENPROF iniciou esta semana. O João José já teve oportunidade de tecer alguns comentários pertinentes.

RCM limita-se a repetir preconceitos anti-docentes e/ou anti-sindicais: os professores não devem protestar porque ganham mais do que a média; a quebra de qualidade na Educação deve-se “à pedagogia laxista vigente”; as pessoas não têm filhos porque gastam muito dinheiro nos impostos que servem para sustentar inúteis como os professores ou os banqueiros (uma mistura que é um truque, claro).

É bom não esquecer que RCM é um economista de direita com ligações ao arco do poder, ou seja, integra um conjunto de profissionais que, sistematicamente, falham previsões, usando como bodes expiatórios a classe média e algumas classes profissionais alegadamente privilegiadas.

Façamos um pouco de História: em primeiro lugar, o Estado, controlado por dois partidos e meio, tem desperdiçado em inutilidades e favores os dinheiros entregues à sua guarda. Depois, os vários ministros da Educação, com destaque para os dos últimos três governos, têm afogado as escolas em burocracia, em legislação mal concebida, em alterações constantes, criando um clima de agressão e de instabilidade permanente. Pelo meio, jotinhas, politiquinhos e economistas espalham mentiras como as de que os professores trabalham vinte horas por semana e têm turmas de oito alunos (é para isso que serve a divulgação dos chamados “rácios”).

Para além disso, os professores têm sido sujeitos a vários congelamentos de carreira, a cortes salariais, a aumentos de impostos, ao desperdício dos seus impostos em apoios a bancos, enquanto financiam o próprio patrão. Se somarmos a tudo isto vários elementos intangíveis que servem para aquilatar do valor de um professor, a dívida do país à classe docente é monstruosa (nesta última ligação, aconselho a leitura de um comentário longo do José Luiz Sarmento). Conclusão: os protestos dos professores pecam por defeito.

A capacidade argumentativa da extrema-direita é fantástica

Mandei uma boca a esta vociferação anti-professores ao nível dos mais fiéis discípulos de Maria de Lurdes Rodrigues sobre os zecos (a caixa de comentário é de um revivalismo da máquina de propaganda socrática que até se confunde com o original).

Na troca de galhardetes sugeri a leitura do livro Quem Paga o Estado Social em Portugal? e levo agora com isto. Ora bem, a ver a coisa com calma.

Eu li o livro, coordenado pela Raquel Varela, que conheço tal como conheço a maioria dos seus autores.Terá as suas falhas mas no essencial convence-me, a mim, professorezeco de História. [Read more…]

Horários dos Professores e as verdades de Nuno Crato

O relatório do Governo (mais conhecido por relatório do FMI), por sinal traduzido para Português nesta casa, abriu o debate.

Apesar de continuar a pensar que este não é o momento, parece-me oportuno, pelo menos, pensar alto.

Falo sobre o, mais que provável, despedimento de professores. Nuno Crato continua a afirmar que isso não está nos seus planos, mas a realidade trata de mostrar, a cada dia que passa, a veracidade das suas declarações.

Hoje foram divulgados os números do desemprego (pdf). Depois dos quadros superiores da Administração Pública, os Professores são o grupo profissional com maior crescimento na variação homóloga (o desemprego cresceu quase 80%).

As palavras de Nuno Crato são o que são, mas o pânico continua instalado e já se fala de tudo, até do fim do mundo e às vezes penso que aquela besta do banco até terá razão: aguentam, então não aguentam!

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14.095 oportunidades docentes

Que trio de incompetentes! Um mês atrás do outro

Há coisas assim

Ser Professora (ou Professor!) em Portugal é, sem dúvida, uma profissão de risco.educarmata

São assustadoras as notícias dos últimos dias.

Obviamente há, nos casos mais recentes, muitas coisas por explicar, mas estas situações são sinais extremos de que há algo de muito mau nas escolas – e quem lá anda sabe isso!

Não há muitas palavras que permitam explicar a sensação de desconforto, a ideia de que se trabalha atrás do nada, a preencher papeladas sem sentido, para justificar insucessos de alunos que teimam em não aprender, para proteger o profissional dos ataques dos pais. Direcções que incomodam, regras que mudam todos os dias, e o desemprego e o roubo nos salários, e…

Tradicionalmente, o trabalho dos Professores continua em casa, invade e prejudica o ambiente familiar – são fichas para realizar, para corrigir, actas para elaborar e sei lá o quê mais! E os filhos, ali ao lado, entregues à solidão de quem se volta para onde não devia, digo eu.

A pasta, essa maldita – confesso que me consegui ver livre dela ao fim-de-semana: escondo-a na mala do carro. Foi uma atitude de defesa que recomendo! O trabalho? Espera! É mais saudável assim.

Mas, o ambiente está duro, pesado e talvez seja interessante  cruzar informações, abrir os olhos e dar um olá a quem se esconde. Vale a pena estudar isto e talvez esteja aqui a guerra que todos os professores e todas as professoras quererão comprar.

 

BOMBA nos concursos de Professores

Segundo o Sindicato dos Professores da Madeira (FENPROF) a coisa tem que ser suspensa.

As ofertas de escola

Não, ainda não – as escolas não estão a oferecer nada!hb29

Trata-se apenas do nome dado ao processo de selecção dos professores contratados pelas escolas nos dias que correm – há um professor que vai para a reforma, que fica doente, etc…, e então a escola abre um processo para escolher o “novo” docente  – a isto foi atribuído o nome de ofertas de escola.

Felizmente (digo eu!) o MEC resolveu colocar alguma ordem nestes processos e minimizou as possibilidades dos  Directores das Escolas e dos Agrupamentos, hoje fortemente envolvidos nas dinâmicas partidárias locais, poderem escolher quem queriam. Uma vezes até poderia ser pelos melhores motivos, mas em parte significativa dos casos conhecidos a amizade era um bom motivo… [Read more…]

Crato é um mágico da matemática

Ou não! jp20

Eu explico.

No sábado passado mais de quarenta mil professores ( somos cerca de 100 mil hoje nas escolas) estiveram nas ruas de Lisboa. Foi consensual entre todos que a média etária dos presentes se aproximava mais dos limites superiores do que dos limites inferiores.

Não é estranha a essa situação a instabilidade que o famoso relatório do FMI colocou em todos os docentes – afinal são uns largos milhares os que têm a porta da rua aberta.

Assim é quase impossível encontrar uma explicação para o concurso extraordinário – como é que o governo abre um concurso para vincular professores aos quadros, quando está a pensar despedir os que já estão nos quadros?

Claro que os professores mais novos, até porque estando desempregados, não lhes falta tempo, olham apenas para a folha que está à frente do nariz e sem ver a floresta toda não irão entender o que está em cima da mesa. [Read more…]

A bravata

Santana Castilho *

1. Em livro que escrevi em 1999, em plena euforia dos milhões diários que nos entravam porta dentro, afirmei ser pouco sério confundir essas imediatas vantagens financeiras com vantagens económicas de futuro. Admiti então, qual velho do Restelo, que subjacente a tanta prata fácil estava uma bem escondida estratégia hegemónica. E adiantei, contra-corrente, que se víssemos as coisas por esse ângulo não cairíamos na esparrela que se desenhava: ao longo dos anos fomos financiados para deixar de produzir e destruir a agricultura e a indústria. Ora se somos responsáveis pelo caminho que aceitámos, também a União Europeia o é, por nos ter induzido a trilhá-lo. Chegados onde estamos, é penoso ver que a bravata tapa a realidade. Podermos continuar a endividar-nos a um juro superior ao que agora pagamos à troika (4,891 versus 3,4 por cento) justifica a bravata? Se em Abril de 2011 fomos “expulsos” dos mercados, por que razão nos receberiam agora, quando a dívida, em lugar de diminuir, cresceu 25 mil milhões de euros e a economia se afunda a cada dia que passa? [Read more…]

Limpar armas

Sábado foi dia de mais uma enorme Manifestação em Lisboa e os Professores que viajaram do Norte tiveram uma participação fantástica.DSC00360Isto, apesar de nos últimos dias, os agentes ao serviço do PSD, procuraram tirar sentido à manifestação – alguns escreveram no Público, outros nos blogues e até houve alguns que visitaram escolas de Vila Nova de Gaia.

Há muitos e variados motivos para colocar os nomes nestes bois, mas em tempo de guerra não há armas para limpar.

Vamos juntos, vamos todos, como ontem sugeria Mário Nogueira.

Quanto aos que acham que é preciso lutar, mas não desta forma, que são, aliás, os mesmos que dizem que a coisa não vai lá com greves (não vai com greves, não vai com manifestações,…) seria interessante que nos deixassem algumas sugestões. Fica o desafio.

Que besta!

Miguel, confesso que já não tenho paciência para essa gente!

manif profsComo se diz por aqui, só à cabeçada!

Lista de vagas para o concurso extraordinário dos Contratados

Ora digam lá se não anda tudo maluco.

Ouviram ou não ouviram como eu, ou antes, leram ou não leram, que o Governo, a TROIKA ou seja lá quem for quer despedir professores?

Pois então, hoje foi publicada em Diário da República uma portaria que fixa as vagas para o concurso extraordinário de professores, isto é, as vagas a que os professores contratados poderão concorrer para tentarem entrar nos quadros (ficarem efectivos).

Se a referência do MEC para a definição destas vagas foram as necessidades das escolas de docentes contratados, então este trabalho deve ter sido feito pelo Espanhol do FMI.

Será que esta portaria vai fazer com que mais gente acorde?

Sábado, aproveitem

Pode ser das últimas vezes em que te manifestarás como professor.

manif profsComo desempregado não será bem a mesma coisa.

Horário de trabalho nas escolas e em casa

Confesso que nunca tive muita paciência para o habitual discurso dos profs de que trabalham muito e tal. Como muitos outros quadros com formação superior trabalham muito e, na maioria dos casos, bem – daí aquela ideia consensual, que as Escolas funcionam apesar do Ministério da Educação e dos Ministros.

Existe, no entanto, uma diferença muito substancial em relação a outros profissionais – o peso do trabalho individual e, tradicionalmente doméstico. No caso dos Professores, ou pelo menos de uma parte muito significativa, o peso do trabalho que se leva para casa é muito maior do que o trabalho que a generalidade dos quadros, até da Função Pública, tem depois de sair do escritório. Este trabalho individual é mais intenso em dois momentos – o da preparação e o da avaliação, ou seja, nos momentos em que se começa um período, uma temática ou unidade nova ou então quando existem trabalhos / testes para corrigir.

E repare, caro leitor não docente, que não se pretende com este texto recolher sentimentos de pena ou de compaixão. Nada disso.  [Read more…]

Ser Pai, que papel perante a Escola?

Nos últimos tempos, se calhar por força da idade – à média de um por ano, todos vamos avançando – tenho usado duas ideias muito próximas:

Nós Somos Nós e as nossas circunstâncias e
Um ponto de vista é sempre uma vista a partir de um ponto.

E a minha relação com a Escola, de onde não consigo sair desde os 6 anos, tem mudado muito, em particular no último ano, onde a dimensão de pai, com filhos na escola, me levou para um novo olhar sobre a Educação.

Com alguma facilidade em apoiar os meus pequenos nas tarefas escolares, tenho vacilado no papel que devo ter – entre o resultado imediato e o trabalho de médio, longo prazo, por exemplo.

Entre o discurso “se o professor que assim, vamos fazer assim”, ainda que …

E onde deve estar a fronteira entre o professor / colega e o pai de um aluno?

Mesmo correndo o risco deste ter sido o post mais estúpido da história do Aventar, não quis deixar de vos pedir ajuda: como é que fazem esta gestão?

E para não dizerem que foi tudo tempo perdido, deixo o link para um blogue que tenho vindo a construir com os conteúdos que eles precisam na escola.

Acordo ortográfico: requerimento formal dirigido aos Ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros

Madalena Homem Cardoso

(Este Requerimento obriga a resposta e a apresentação de documentos, sob pena de despacho judicial urgente, intimando os Ministros para o mesmo efeito, caso não dêem resposta e apresentem a documentação solicitada dentro do prazo fixado na Lei.)

a lei

Estátua “A LEI” (Francisco Santos) – Assembleia da República

Exmos. Senhores

Ministro da Educação e Ciência e

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Prof. Doutor Nuno Crato / Avenida 5 de Outubro, 197 / 1069-018 Lisboa

Dr. Paulo Portas / Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas /1399-030 Lisboa

REQUERIMENTO

Madalena ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓ Homem Cardoso, portadora do B.I. nº ▓▓▓▓▓▓▓, emitido pelos S.I.C. de Lisboa em ▓▓▓▓▓▓▓▓, mãe e Encarregada de Educação de Inês ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓, aluna nº ▓ da turma ▓ do 3º ano da EB1 ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓, em Lisboa, na sequência da Carta Aberta por si dirigida a S. Exa. o Senhor Ministro da Educação com data de 24/03/2012, para a qual não logrou obter qualquer resposta durante os mais de nove meses desde então decorridos, vem interpelar Vossas Excelências por via do presente requerimento, tendo em conta que: [Read more…]

FMI e os despedimentos na Educação

De acordo com o Jornal de Negócios o FMI elaborou um estudo onde aponta caminhos:digitalizar0001

São vários os caminhos para a reforma do Estado. Todos são dolorosos e uns são mesmo classificados como radicais. O FMI diz que chegou a hora de fazer mudanças “inteligentes” para cortar na despesa.

Uma leitura rápida do que foi publicado permite, por um lado, perceber que se trata do mesmo – o FMI não sabe outro caminho e sugere corte atrás de corte quando todos já perceberam que não é por aí.

No entanto, o detalhe de algumas medidas, no que diz respeito à Educação, mostram que há algum caminho feito na reflexão de carácter técnico, ou seja, parece que já meteram a mão na massa:

– “colocar 30 a 50 mil funcionários da educação na mobilidade especial permitira poupar entre 430 e 710 milhões;” [Read more…]

Governo quer dispensar 50 mil profissionais na Educação

Será que ainda precisam de mais motivos para participar na manifestação ou está bom assim?Manif_26jan2013

Será que é preciso mais algum exemplo para provar que esta gente não está nada preocupada com o Sistema Educativo, nem com a qualidade do que lá é feito?

Dispensar na Educação, sejam Professores, sejam Funcionários só poderá acontecer à custa da qualidade, isto é, do serviço que é prestado aos alunos – quem é pai sabe em que condições estão as escolas ao nível dos funcionários.

Para dispensar Professores só fazendo uma de duas coisas, ou ambas:

– aumentar o número de alunos por turma (mais de 30?);

– aumentar o horário de trabalho dos Professores. Neste caso, obviamente, se trabalho mais tempo com mais alunos, alguém (além do próprio!) irá ficar a perder: os alunos.

Confesso que já não há paciência para o e-bio, para a avaliação e até para quantos entram no IEFP ou quantos foram excluídos – o que está em causa é a ESCOLA PÚBLICA!

Nuno Crato, o demolidor

predioÉ célebre a frase atribuída a Goebbels: “Quando ouço falar de cultura, levo logo a mão à pistola”. Nuno Crato partilha, em grande parte, desta filosofia: sempre que pensa em Educação, dedica-se ao lançamento indiscriminado de cartuchos de dinamite. Talvez devido a um nefelibatismo alegadamente típico dos matemáticos, ao querer implodir o Ministério da Educação (MEC), limitou-se a rebentar com as escolas, naquilo que se poderá designar como explosão por simpatia, facto, afinal, pouco simpático.

Efectivamente, uma breve passagem pelas notícias sobre Educação permite-nos descobrir que o MEC tem uma estranha propensão para descobrir minhocas em todas as cavadelas. Esta ligação do Correio da Manhã dá acesso a três notícias esclarecedoras. [Read more…]

Obrigado, professores!

Santana Castilho *

1. O ano que terminou foi apontado como o da viragem. Nada virou e muito piorou. Este será de continuidade: mais desemprego, mais falências, tribunais entupidos com cobranças fiscais coercivas, mais economia paralela, menos direitos, menos democracia e exponencial crescimento da pobreza. Perante o inevitável descambar do orçamento logo no primeiro trimestre, seguir-se-á mais austeridade. A chamada refundação trará miséria aos funcionários do Estado e novo golpe contra os serviços públicos, com a educação, a saúde e a segurança social na linha da frente. Apesar dos sacrifícios, a dívida continuará a aumentar. A “troika”, ela própria “entroikada” com o seu falhanço, terá tendência cúmplice para proteger Gaspar e Passos, apesar destes terem falhado em tudo, designadamente no combate ao défice, eixo fulcral do “programa”. Os arranjos entre a elite no poder terão em 2013 um ano venturoso. Tudo se conjugará para que os negócios floresçam, a coberto do diáfano manto de opacidade das privatizações, sob o qual se movimentam os consultores e os advogados da órbita do poder. Para esses não haverá crise nem Gaspar. É ela e ele que existem para eles. Mas a sobrevivência do país imporá a queda do Governo. A dúvida reside em quem a provocará proximamente. Pode Paulo Portas, com considerável grau de probabilidade, bater com a porta. Dificilmente os que conspiram dentro do PSD terão a coragem de atirar Passos borda fora. Mas é uma possibilidade a admitir no plano teórico, tão remota como a da iniciativa pertencer a Cavaco Silva. Resta a pressão da rua e a moleza do PS. [Read more…]