-Há apenas alguns dias, escrevi um post, questionando se a transmissão do casamento do herdeiro da coroa britânica, seria serviço público. Quando eu pensava que era impossível à RTP descer mais baixo, eis que a deficitária estação pública de televisão, resolve entrar no mercado dos reality show. Esteve bem Miguel Guilherme logo a abrir o programa, afirmando que este seria o primeiro reality show pago pelo contribuinte. A parte do serviço público deve ser terem ido resgatar ao desemprego Luís Pereira de Sousa… Se a RTP fosse uma televisão privada, mudava de canal e assunto encerrado, mas pensar que um cêntimo sequer dos meus impostos serve para isto, deixa-me indignado, enquanto cidadão. Privatização já!
Este programa teve ajuda à produção de
Esta frase tem-se espalhado pelo final da maioria ou mesmo da totalidade dos programas televisivos portugueses. O que se segue a esta expressão é, invariavelmente, uma série de marcas comerciais, o que me faz pensar que estamos diante de patrocínios, conceito bastante diferente de ajudas, sobretudo se desinteressadas.
Dando de barato essa questão quiçá ética, não consigo perceber, por mais que me esforce, em que língua está esta frase, porque, embora as palavras sejam portuguesas, parece uma daquelas traduções estapafúrdias feitas directamente na internet. Fará sentido, por exemplo, dizer-se algo como “Este pudim de abade de Priscos teve ajuda à confecção da minha mãe” ou “Este trabalho teve ajuda à elaboração dos meus colegas Fulano e Sicrano”? Não será mais propriamente português dizer que “A minha mãe ajudou-me a fazer este pudim.”ou “Fulano e Sicrano ajudaram-me a fazer este trabalho.”?
Mesmo invertendo a ordem e colocando as entidades adjuvantes no fim da proposição, não seria suficiente escrever “A produção deste programa teve a ajuda de…”, por exemplo?
Que alguma mente luminosamente ignorante se tenha lembrado, num programa qualquer, de inventar esta coisa, ainda vá. O que, para mim, permanece um mistério é o de se saber como é que isto se disseminou a ponto de invadir todo e qualquer genérico final. Proponho que se volte a escrever em português nos programas portugueses, pelo menos no final. Será pedir muito?
Uma pesquisa rápida pela Internet levou-me a descobrir que, como era previsível, não estou sozinho nesta perplexidade: vão aqui e participem.
Peidódromo Nacional
Ontem, a noite de Prós e Contras (contra quê?) atingiu o seu pleno e Fátima Campos Ferreira não teve de poupar cordas vocais, coisa que honra lhe seja feita, raramente faz.
A RTP convidou umas tantas sumidades que nos betões daquilo a que se designa por “universidade”, fazem render a faina da recolha do seu marfim. A palavra universidade é por esta gente tida como uma espécie de condomínio medieval e a posse de um testemunho de uma passagem por esse purgatório, permite o mastigar entre risos escarninhos, de nomes com Y, Th, K e citações a bel-prazer.
Refastelado no meu sofá e com a Luna ao colo, fui trincando umas bolachas ricanela, atentamente seguindo um concurso de basófias mais ou menos circunspectas. Abundaram os sobrolhos carregados, os esgares indignados e os sorrisos de contentamento pelo imaginado sucesso da auto-complacente empáfia. Uns tantos remoques “pró do lado” – José Reis e João Salgueiro – e um longo empanturrar de “sonhos, ousadias, quereres e paradigmas”. É claro que não entendi patavina e o rebuscado das receitas era de uma ordem tal, que não se descortinava o peixe da carne, nem os nabos dos alhos e tudo isto condimentado com doses cavalares daquelas bem conhecidas especiarias descobertas algures no século XIX e que tão bons resultados deram nos ruminantes ocidentais. A prova disso, é o constante avolumar de gasosas barrigonas que de vez em quando convém desaustinar através do pipo bocal que na melhor das hipóteses, evita a mais óbvia e usual válvula terminal do sistema digestivo. Para isso, temos as tv’s da “tudoemaisalgumacoisalogia” actual. [Read more…]
A RTP do nosso desperdício
O espírito com que escrevi o texto ‘A TVI que os sustente!’ era de esperança. No fundo, o ânimo de que as saídas de José Alberto Carvalho, Judite de Sousa e da menos mediática Maria José Nunes, da RTP para a TVI, tivessem o efeito de despertar consciências adormecidas. Precisamente de quem tem a missão de zelar pela aplicação de dinheiros públicos; caso, diga-se, do Secretário de Estado da Comunicação Social, Arons de Carvalho.
Todavia, com este e outros elementos do actual Governo a esperança de uma boa prática, uma que seja, esboroa-se em segundos. E assim, de súbito, foram contratar Nuno Santos da SIC para o cargo de Director de Informação da RTP, sob protesto da Comissão de Trabalhadores – o comunicado desta refere ter havido um voto de falta de confiança nos 400 jornalistas da casa, número que, em boa verdade, também me impressionou pelo exagero e possíveis custos associados.
Pessoalmente, é-me indiferente que um Nuno qualquer, chame-se Santos ou Pecador, aufira chorudo ordenado. O que, de facto, considero ignominioso é a TV estatal, em tempo de sacrifícios lançados sobre milhões de portugueses, ter o despudor de realizar contratações milionárias. E mais ainda, como salientou oportunamente o meu companheiro Helder Guerreiro, a RTP está em falência técnica desde 1996 e assim continua em 2010. [Read more…]
A TVI que os sustente!
O ‘Correio da Manhã’ deu o mote e outros meios de comunicação, jornal “i” por exemplo, interpretaram a cantata ‘Os Salários Milionários da RTP’. Confirmou-se, pois, que na RTP existem 64 profissionais com salários superiores a 5.000 euros mensais.
Do grupo sócio-profissional privilegiado na TV do Estado, existem ‘5 cabeças de cartaz’ que, pelas minhas contas, auferem mais de 978.000 euros anuais. Resta saber se o total apurado inclui encargos da RTP com a segurança social, seguros de acidentes de trabalho e outros. A despesa provavelmente será mais elevada.
E o que mais se pode dizer da afronta? Num tempo de sacrifícios impostos a milhares de funcionários públicos e outros do Sector Empresarial do Estado, onde a RTP se integra, este despautério é revoltante.
O tipo de Estado, de Governo e de políticos de que estamos servidos, pelo que se percebe, não respeitam critérios de decência (há dias, a maioria PS + PSD reprovou cortes salariais aos gestores públicos e, entre os ‘5 magníficos do écran’, existe gente afecta a uma e outra cor).
Corre a notícia de que José Alberto Carvalho e Judite de Sousa já disseram sim à TVI. Fiquei satisfeito e a implorar que a Prisa e o Sr. Pais do Amaral levem da RTP mais umas paletes dessa gente. Que todos comam toneladas de morangos bem açucarados. O risco de diabetes é deles e o dinheiro que custavam à RTP é dos contribuintes. Oxalá haja o bom senso de moralizar os salários na TV estatal. Os contribuintes ficarão gratos.
Boa viagem à Judite e ao Carvalho e, se possível, a outros oriundos da mesma banda. A TVI que os sustente!
Televisão, futebol e política?
-Não constitui propriamente novidade a tentativa de Emídio Rangel e Rui Pedro Soares entrarem no mercado audiovisual. Após terem conseguido ao que parece, os direitos da Liga Espanhola a partir de Agosto 2012, o S.L.Benfica parece ser o próximo trunfo. Desde que o contribuinte não seja forçado a gastar um cêntimo, nem venhamos a constatar favorecimentos governamentais a amigos em processos de licenciamento, por mim nada a opor, se tudo ficar no domínio da iniciativa privada, é saudável a concorrência entre operadores, pela busca de audiências. Claro está que conhecendo os personagens envolvidos e alguma tradição de promiscuidade entre política e futebol, é avisado ficar atento. Já basta a RTP para distorcer mercado e gastar o meu dinheiro, contratando a peso de ouro vedetas televisivas, para transmitir programas que de serviço público nada têm.
Não precisamos de censura da ERC
-O programa pode roçar o ridículo, ser de absoluto mau gosto, pessoalmente não o tenciono ver durante sequer um segundo, aliás vejo pouca televisão e nunca este tipo de conteúdo, mas não estou bem a ver a necessidade em ouvir a ERC. Em rigor, nem considero sequer justificável a existência de tal entidade, excepto servir para estender o tentáculo do Estado onde ele não alcança e gastar mais alguns Euros ao contribuinte, mas já sabemos bem o que a casa gasta em Portugal. A TVI detém os direitos, terá pago aos intervenientes, cabe-lhe decidir, se e quando emite o programa. Os espectadores têm a palavra final, graças ao botão do comando que lhes permite mudar de canal. Meter nisto a ERC, é aceitar de forma bovina, que mais uma vez, outros decidam por nós. Para esse peditório já demos durante algumas décadas, com o argumento que não estávamos preparados para decidir. Basta!
Morreu Carlos Castro
Morreu o “jornalista” e cronista social Carlos Castro. A RTP abriu o jornal da tarde com a notícia da morte violenta deste cidadão português e a SIC dedicou ao tema os nove primeiros minutos do seu noticiário das 13h.
Seguem-se as honras de Estado? – o seu imenso trabalho “social”, o seu altruísmo, a sua abnegação e a sua relevância cívica assim o exigem.
Casa dos Segredos: Quem foi expulso hoje e quem vai ser nomeado na próxima semana (novas do Portugal pimba)

Júlia Pinheiro, elegante como sempre, estava esfusiante. O seu pequeno ajudante (pequeno? que digo eu? pequeno-grande-ajudante), Pedro Granger, parecia um cangalheiro, fato preto e gravata preta, e entrevistava os pais de um concorrente sobre o namoro com outra concorrente. Os pais tinham os seus 15 minutos de fama, o público aplaudia vigorosamente.
Comecemos pelo princípio. A austeridade chegou cá a casa e corta-se onde se pode. Entre as despesas supérfluas que já foram à vida, conta-se o jantar de Sábado à noite no restaurante, com cinema a seguir, o vinho às refeições e o cafezinho depois das mesmas. Toma-se em casa, tentando não engolir as borras que a velha cafeteira produz.
Agora, foi a TV Cabo. Sempre são 20 euros a menos no final do mês. Resultado: estou reduzido aos 4 canais generalistas. Adeus SIC Notícias, adeus FOX Crime, adeus AXN. As saudades que vou ter do Horatio Caine, do Jethro Gibbs e do Mário Crespo! Hoje, para começar, lá tive de levar com o Júlio Magalhães a apresentar o Telejornal, que incluiu a crónica do professor Marcelo. Em abono da verdade, já não via a TVI desde que a Manuela Moura Guedes deixou de apresentar o Jornal de Sexta.
E como o comando da televisão está avariado, desde que o cão o trincou há uma semana atrás, não me apeteceu levantar-me e lá tive de ficar a ver a TVI durante toda a noite. Foi então que soube da existência de um programa chamado Casa dos Segredos, que me pareceu ser uma espécie de Big Brother.
Digo que parece porque a verdade é que não aguentei muito tempo. Ainda vi a Júlia Pinheiro aos gritos, dizendo que alguém ia ser expulso e falando das próximas noemações, e o cangalheiro a entrevistar os pais de um concorrente. Depois adormeci. Sim, alguém terá sido expulso, mas sinceramente não sei quem foi. E é provável que alguém seja nomeado na próxima semana. Quem? Não faço a mínima ideia.
Daniela Ruah, Moises Broder e Fernando Nobre

Daniela Ruah é hoje em dia a mais famosa actriz portuguesa a trabalhar nos Estados Unidos. É uma das estrelas de NCIS Los Angeles, spin-off do NCIS original, o tal que conta com personagens como Jethro Gibbs, Anthony Dinozzo ou Ziva David e que, em minha opinião, deixa a milhas a série derivada.
Moises Broder é o padrasto de Daniela Ruah. Não se tornou conhecido por isso, mas sim por ter sido o último proprietário da Dimensino (Universidade Moderna) e por ter representado o grupo BCRE na proposta de aquisição de um terreno na Feira Popular, em 2004, por 160 milhões de euros.É dono do prédio onde se encontra a sede de candidatura de Fernando Nobre.
Fernando Nobre é o Presidente da AMI e um dos candidatos à Presidência da República. Nos últimos dias, Moises Broder tem vindo a exigir, sob pena de despejo, o pagamento de rendas em atraso no valor de alguns milhares de euros.
Agora, aparece a notícia segundo a qual Fernando Nobre terá pago, em Outubro, 10 mil euros em dinheiro a Moises Broder. Algo de completamente ilegal à luz da lei do financiamento das campanhas políticas. É estranho que apareça agora esta notícia, da mesma forma que é estranho o súbito protagonismo de Moises Broder em toda esta história.
Parece o enredo de uma série policial. Há muitas perguntas em suspenso e não sei se não seria de chamar a agente especial Kensie Blye para resolver a trama.
Rediculo
Uma das coisas que mais gosto no nosso país são os diferentes sotaques e como nos identificam.
Não acho mal que eu diga “vermalho”, outros “vermêlho” e mais alguns “encarnado”, até acho muito bem. Acho que faz parte da nossa identidade.
Claro que há, ou deverá haver, um português normativo, aquele que é o português bem falado, de coimbra como costumavam dizer, que poderá servir de referência mas isso não deve levar à anulação (até certa medida) das especificidades regionais.
Já ter um orgão público a optar por “oficializar” uma dessas especificidades regionais, para além de ridiculo parece-me um abuso.
Alguns exemplos do prontuário sonoro da rtp:
Palavra / transcrição
Ministro /mënistru
Visita /vësita/
Vizinho /vëzinhu/
E o que é mais fantástico é que se formos ouvir o som exemplificativo eles substituem mesmo o “i” pelo “e”.
Mas nem tudo está perdido, reparei que ainda não mudaram “treze” por “treuze”.
Educação – rir para não chorar…
A SIC num momento fantástico… da Srª. Ministra da Educação
Não estão fartos de ver condenados por pedofilia com tempo de antena?
Eu estou!
Ainda vão inventar um reality show em que se vai ver quem é o pedófilo mais popular! Uma vergonha!
A Não Ver:
Este Domingo o Aventar está representado num debate televisivo sobre a “rentrée política” dos principais partidos. Moderado pela Rosa Carvalho, o debate conta com o Pedro Nunes do Blasfémias, o António Vieira Lopes do blog Cafeínicos e com o Advogado e Escritor Luís Miguel Novais. Está lá outro tipo que se diz chamar FMSá mas é engano…
Domingo, 12 de Setembro, pelas 19h no Porto Canal, programa Domínio Público.
O Reino do Incompreensível:
Felisbela Lopes bateu com a porta. Fez bem. Fica a perder a RTP.
Não tive o prazer de ser seu aluno mas muitos que o foram multiplicam elogios. De vez em quando vejo-a na RTP-N a “resumir” os jornais do dia. Uma vez, em Sevilha, num congresso de Jornalismo ibero-americano vi-a a moderar um debate bastante interessante (se a memória não me falha o painel era constituído por um Catalão, um Basco e um inglês, salvo erro). No final, a minha alma ficou parva com a qualidade do resumo que ela fez das intervenções.
Pareceu-me uma professora brilhante. Por isso reafirmo, a RTP é que ficou a perder.
A ACOP propõe ao governo a proibição da publicidade a brinquedos nos programas infantis e nos canais destinados exclusivamente a crianças e jovens
A ACOP propõe ao Governo a restrição da publicidade a brinquedos não só nos programas infantis e em canais destinados prevalentemente a crianças e jovens, mas também em canais generalistas, das 06.00 às 24.00 horas.
Trata-se de uma medida menos gravosa que a de Países como a Suécia e a Noruega onde se proíbe toda e qualquer publicidade dirigida a menores de 12 anos, mas que se justifica porque o assédio de que os menores são alvo representa algo que a própria Directiva das Práticas Comerciais Desleais condena, com expressa alusão às exortações dirigidas a um tal estrato sócio-etário, que de todo se vedam.
Weeds, já se pode começar a fumar a 6ª temporada
A minha série de TV (quem não tem a sua é viciado em televisão, trate-se) estreia a 6ª temporada no próximo dia 16.
Weeds tem tudo o que eu preciso para ficar agarrado a uma televisão. Ou melhor: a uma televisão com DVD, que lá os vou comprando, fora as caixas com que me presenteiam.
Se outros motivos não tivesse (das representações à realização passando pela música e pelo argumento) o simples facto de alguns animais ganirem que se trata de um despudorado convite ao consumo da dróga chegava.
Com esta enorme cereja sobre o luminoso bolo: Jenji Kohan, a autora, já percebeu que série que é série não se vê na RTP2, descarrega-se da net:
“Não espero ficar rica com Weeds e estou feliz de que esteja por aí. O Showtime é óptimo, mas tem uma audiência limitada. Se dependesse de mim, a série inteira estaria disponível agora”.
Donde o primeiro episódio da nova temporada já estar ao alcance de uns cliques, convenientemente legendado em maconhês (perfeitamente aceitável para o falante de qualquer variante da língua portuguesa, sublinhe-se). Por este caminho.
reimpressão
Estação Futebol Beira Baixa
A Papoila Saltitante
O famoso homem é meu vizinho. De volta e meia, vejo-o ao sábado de manhã, a caminhar com duas sacadas de jornais. Uma em cada mão. Dirige-se para casa, cheio de informação daqui e de acolá, e disto e daquilo. Antes esteve sentado no pequeno café, frequentado por gente muito formal e vazia de conteúdo. Saúdam-no com reverência, sobretudo elas, com vozes melífluas e gestos curvilíneos. O cabotino sente-se idolatrado. Crê ser génio. Agradece, de ar babado, com sorriso de fingimento, as manifestações bacocas de popularidade.
Tem o peito enfunado de presunções místicas. Intitula-se professor doutor e é apenas licenciado. E assim consegue ser tratado por ‘Senhor Professor’. Tem escasso mérito de cidadania, mas é um mestre do saber viver neste país de abundante acefalia. Consegue atingir e desempenhar cargos tão destacados quanto ecléticos.
Pelo comportamento exibido, uns quantos, dos poucos que ouço, tratam-no por ‘melga’. Outros dizem que é a ‘Papoila Saltitante’, em alusão implícita à preferência clubista. Prefiro este último epíteto. O acasalamento do símbolo da flor campestre e vermelha com a procura de se juntar ao poder – e de bons resultados remuneratórios – dão todo o sentido à alcunha.
Tal ‘Papoila Saltitante’ é o equivalente, em imagens televisivas, a um emplastro de luxo. É, pois, o assimétrico do emplastro anónimo, de olhar e sorrisos esquizofrénicos a mostrar-se nas costas dos repórteres desportivos de TV, como réplica psiquiátrica a Jack Nicholson, em ‘Voando sobre um Ninho de Cucos’.
A Frase
“Colégios privados estão a perder clientes”, José Rodrigues dos Santos há um minuto atrás no Telejornal da RTP1.
No meu tempo, as escolas tinham alunos (e professores também); agora têm clientes. Quanto é o tombo?
Estou mesmo a ficar velho.
Atrás do Mundial de Futebol
“O projecto “Jornalismo e Cidadania” vai andar, por estes dias, atrás dos programas de informação que falem do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul. Queremos, acima de tudo, saber quem são os convidados dessas emissões e que estratégias aí são desenvolvidas para integrar o telespectador nos alinhamentos construídos.”
A Televisão em Discurso Directo pode ser lida aqui.
"Dentro do Carro de Ocasião"
Angola, apesar de tudo, deve ser um sítio com um piadão. Nem que seja pimba dentro de um carro de ocasião.
Começam o Mundial e as Perguntas do Rui Santos
Rui Santos pergunta: “Acha que Carlos Queiroz procedeu correctamente, ao autorizar que Cristiano Ronaldo, em vez de acompanhar os colegas na visita aos leões, tenha ido fazer ‘ronrons’ com a gatinha?”
Passei há umas décadas pelo jornalismo desportivo, no ‘Norte Desportivo’ e na ‘Capital’. Conheci, nesses tempos, ilustres jornalistas desportivos, homens de cultura sólida. Alves Teixeira, Manuel Dias, Alves dos Santos, Vítor Santos, Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Homero de Serpa, Viriato Mourão, Aurélio Márcio, Alfredo Farinha, Neves de Sousa e outros cujos nomes me escapam agora. Com eles aprendi.
Hoje em dia, o jornalismo desportivo rege-se por outros padrões e práticas. Falar e escrever bom português, por exemplo, não é regra imperativa. Os meios de comunicação social, com RTP, SIC e TVI em destaque, dedicam horas a fio e em exclusivo aos chamados três grandes, Benfica, F.C.Porto e Sporting. No caso da RTP, a falta é agravada por ser estação pública.
O formato dos ‘programas de debate’ é comum nos vários canais. Nem sequer, em qualquer destes, há o bom senso de privilegiar a análise dos jogos e de seleccionar como protagonistas os intérpretes do espectáculo. O resultado é simples: assistir a discussões, cujo tom varia entre os sons da tasca e do café de bairro, por gente, ao que se diz, muito bem paga. Já que de ilustre, ninguém duvida que é mesmo.
Outro formato recorrente consiste em colocar um ou dois comentadores em estúdio. Interrogados ou convidados a falar pelo(a) locutor(a) de serviço, falam durante longos intervalos de tempo, sem que nada digam. Um destes casos, e quanto a mim o mais típico, é o de Rui Santos na SIC Notícias. Quando inesperadamente o homem me aparece, “Ah ‘zapping’ para que te quero!”.
Fujo dele – e dos outros – a sete pés. Há, todavia, um embate de que não consigo livrar-me: são as ‘perguntas do Rui Santos’ anunciadas nos intervalos televisivos. Assim, hoje começa o Mundial da África do Sul – os tempos preliminares já ficaram tristemente marcados para Mandela – mas, como dizia, começa o ‘Mundial’ e as ridículas perguntas de Rui Santos. Estou a imaginar uma: “Acha que Carlos Queiroz procedeu correctamente, ao autorizar que Cristiano Ronaldo, em vez de acompanhar os colegas na visita aos leões, tenha ido fazer ‘ronrons’ com a gatinha? – é uma demonstração do jornalismo de sucesso, de hoje. O exercício felino sobre o relevante para os jogos de futebol.
Mário, Mário, Mário Crespo…
Por mero acaso, quinta-feira assisti ao ‘frente-a-frente’ da SIC Notícias, conduzido por Mário Crespo. Teresa Caeiro, do CDS, e Helena Roseta, dos Cidadãos por Lisboa, seriam as esperadas protagonistas; e digo esperadas porque quem do debate sobressaiu, ufanado e enfeitado de plumas, foi Mário Crespo.
O protagonista, que a certa altura admitiu ser figura contraditória e parcial, foi, de facto, o moderador Mário Crespo. Em descarado apoio à Caeiro, destruiu insistentemente os raciocínios e o discurso de Helena Roseta, ao ponto de esta, a certa altura, questionar se o Mário, Mário, Mário Crespo estava ali no papel de moderador. Sem vergonha e ao arrepio de elementares regras deontológicas, o Mário, Mário, Mário Crespo teve o atrevimento de dizer que estava investido dos dois papéis – só não percebeu quem não quis: foi moderador – será que foi? – e ‘supporter’ da opositora de Roseta, Teresa Caeiro.
Se atendermos à ética e regras deontológicas do jornalismo, Mário, Mário, Mário Crespo fez algo de parecido àquilo de que acusou Sócrates e que, na altura, teve a minha reprovação em relação ao PM. Em suma, ontem, o Mário, Mário, Mário Crespo destacou-se por um comportamento deplorável.
Há tempos tive um bate-papo acalorado com amigos, jornalistas da SIC e da RTP, que me afiançavam que Crespo, ao contrário do que eu defendia, era uma personalidade volátil e falsa. A não ser assim, acrescentaram os meus interlocutores, Nuno dos Santos teria agido em sua defesa, sem reservas. Na altura, discordei. Porém, agora sinto-me forçado a dar a mão à palmatória: ele é mesmo o Mário, Mário, Mário Crespo, capaz de concorrer com Leite Pereira, do JN, em actos censórios, mesmo de forma sinuosa.
A crise à média luz
(Desculpem mas não resisto à transcrição deste texto de Marcos Cruz)
É Ouvi-lo Falar
“Presidente da Câmara privou com o Papa Bento XVI”
A nossa centenária república laica possibilitou ao ilustre Joaquim Mota e Silva, notado edil de Celorico de Basto, um momento de católico convívio com o Papa Ratzi Bento XVI. Ele, Mota e Silva, falou e “Sua Santidade ouviu com toda a atenção”. E fiquei, eu, muito impressionado com tão lata colecção de frases feitas. Devo estar a ficar velho, sem paciência para estes apajares. Afinal, o Papa “teve bem ou teve menos bem”?
E quero daqui enviar o meu apreço jornalístico à última edição do jornal Notícias de Basto por, em apenas 24 12 páginas, ter conseguido encaixar 15 fotografias do autarca local, duas das quais na capa. Notável.
Carlos Cruz – o senhor televisão
A um mês de conhecer a sentença de um tribunal soberano, Carlos Cruz deu uma entrevista de 40 minutos na televisão, para falar no seu caso. O seu caso é diferente de todos os outros casos que esperam uma sentença de um tribunal soberano, mas que não têm acesso à televisão?
A que se deve esta entrevista?Qual é o objectivo? Influenciar o colectivo de Juízes?
Não sei se Carlos Cruz é ou não inocente, mas sei que perante a Lei é um cidadão com os mesmos deveres e os mesmos direitos de todos os outros cidadãos. Teve o direito de se defender, de constituir advogado, gozou e goza da presunção de inocência. Bem sabemos que nesta sociedade mediática há muito que foi trucidado, é culpado para muita gente sem que se cuide de saber se há ou não provas bastantes para o culparem, mas nem por isso deve ter mais direitos que todos os outros.
Comparou a sua situação com a de Paulo Pedroso que está em liberdade e nem sequer foi sujeito a julgamento, lamentando que em situações iguais, ou mesmo mais crítica, Pedroso tenha tido um tratamento de favor. Ocorre perguntar. Por ser um político? Por ser ex-ministro? Por ser do PS?
A quem se dirigia tal recado?










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