O mais recente romance do hilariante David Lodge, "A Vida em Surdina", tem como personagem principal um surdo. Não se tratando a sua de uma surdez absoluta, é suficientemente incapacitante para dificultar qualquer tipo de relacionamento com outros seres humanos. Lodge descreve com a minúcia e graça habituais as dificuldades com que se depara um surdo nos nossos dias, e destaca a estranha comicidade que tendemos a encontrar na surdez (e basta pensar no pitoresco das inúmeras personagens surdas de que a ficção se tem valido), em contraponto com a cegueira, que é sempre trágica. Não imaginamos, diz Lodge a certo passo, Édipo, acabado de escutar a terrível verdade sobre Jocasta pela boca do oráculo, a furar os tímpanos. Um Édipo surdo não produziria o mesmo horror que esse cego de olhos brancos, abandonando Tebas para o exílio. Mas afinal, o que há de jocoso na surdez? Já estiveram na casa de um ancião surdo? Eu estive recentemente e não pude deixar de sentir que a surdez traz já a morte em pequenas doses. O telefone adaptado pisca quando toca, mas basta que se esteja a olhar para outro lado para perder todas as chamadas. De resto, as conversas telefónicas estabelecem-se num volume tão elevado que os interlocutores, incomodados com a gritaria, começam a ligar de forma cada vez mais espaçada. Grande parte das conversas perde-se em fragmentos ininteligíveis e lentamente o surdo começa a desistir de entender. Ensimesmado, despede-se pouco a pouco das relações mundanas, do alvoroço das discussões, da música e do riso. E na algaraviada em que se transformaram as nossas vidas, não estaremos todos nós a ensurdecer? Com quantas pessoas nos cruzamos no dia-a-dia com quem não conseguimos estabelecer nenhuma espécie de diálogo, porque tudo acaba por se resumir a uma sobreposição de dois monólogos? Dizia Shakespeare que a vida é um conto cheio “de som e de fúria” e talvez tudo o resto seja o grande silêncio que reverbera em cada um…
“Acabar com as listas de espera só quando houver liberdade de escolha”
No âmbito da minha actividade profissional, tive a oportunidade de entrevistar, recentemente, Artur Osório, administrador do Grupo Trofa Saúde, que detém, por exemplo, o Hospital Privado da Trofa e outras unidades de saúde. Já foi administrador do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Nesta entrevista, reforçou o que há muito defende: Portugal precisa de uma Saúde mais aberta, livre e com maior concorrência.

Há, de facto, dificuldades sérias em organizar o sector da saúde em Portugal?
Artur Osório: Ainda há, têm havido alguns progressos. O Serviço Nacional de Saúde comemorou agora 30 anos e posso dizer que, como serviço público, está melhor que a justiça, que a educação… mas tem deficiências e o SNS tem ainda muito caminho a percorrer para garantir à população o verdadeiro direito à saúde.
Está mais aberto?
Não está. Devia estar. Tem tido ciclos de mais abertura, de modernização, tem outros ciclos em que se fecha, mas ainda não deu o salto para aquilo que hoje é a Europa moderna, em que o cidadão é que escolhe o serviço de saúde que quer e como quer.
O que é que falta?
Abrir hospitais e serviços públicos à concorrência, à livre escolha do cidadão poder optar pelo serviço público ou não, por uma gestão mais moderna e mais capaz. Falta também acabar com as listas de espera. Isso só será possível quando houver liberdade de escolha e quando houver verdadeira concorrência no sistema. Quando os países têm uma economia muito dirigida, é normal que haja espera. Como, por exemplo, antigamente, nos países de Leste, havia listas de espera para comprar um automóvel. Neste momento, o estado ainda detém um monopólio na saúde, e só quando for garantido à população o direito à saúde universal e gratuita, aí haverá um sistema de saúde com uma resposta muito mais rápida e barata.
É mais barato fazer saúde no privado do que no público?
Sim. Na generalidade das patologias, fica mais barato.
Como é que se explica isso?
As ineficiências dos serviços públicos pagam-se. Haver recursos a mais, mal geridos, onde não são pedidas contas e são feitas por clientelas políticas. As pessoas não sabem, mas quando vão a uma consulta a um hospital central, como o São João, Santo António ou IPO, o estado paga, só pela consulta, mais de 120 euros. Qualquer operação efectuada a um doente custa 5000 euros ao estado. E porque é que isso acontece? O estado faz os preços por critérios estatísticos mas também para manter os hospitais com resultados de equilíbrio financeiro que é obtido ao aumentar o custo dos actos. Isso permite que os hospitais não naufraguem e se mantenham à tona financeiramente.
É um custo que é falso?
E que é pago por todos nós. Portugal é dos países do mundo que, em 10 anos, mais aumentou as verbas para a saúde do estado. Isso é um esforço muito grande para os cidadãos.
Como é possível calcular essa inflação de preços?
Nós sabemos bem o que custa, havendo eficiência, cada consulta. A ADSE paga, a hospitais privados, cerca de 30 euros por consulta e o hospital privado obtém resultados.
Estamos a falar de aumentos de 100 por cento?
Ou mais. Tudo para manter os hospitais à tona. Para os nossos leitores, é fácil de explicar. Se o leitor for dono de uma quinta e também for o comprador dos nabos e das cenouras, e se quer que a quinta dê lucro, aumenta o preço desses nabos. Depois quem paga esses nabos são os consumidores. Isto não é um problema exclusivamente português. A Europa está a caminhar rapidamente para que o cidadão tenha liberdade de escolha entre o público e o privado. Depois, o estado encarrega-se de pagar, conforme os preços que ajustar. Mas sabendo o que paga, já que neste momento o estado compra muitas coisas ao privado, mas não vai auditar convenientemente aquilo que compra sequer.
Não deveriam ser devidamente acauteladas essas tarefas que o estado entrega aos privados?
Evidente. E com auditorias constantes, com uma entidade reguladora muito activa que devia estar a auditar os hospitais públicos e não o está a fazer. Os hospitais públicos, querendo facturar mais do que aquilo que se faz, têm mecanismos muito fáceis de os pôr em movimento e que, na realidade, servem para manter equilíbrios financeiros.
A transformação dos hospitais públicos em entidades públicas empresariais, que está a ser feita progressivamente, não trás nenhuma novidade neste aspecto?
Não, isso é mais do mesmo. Os hospitais públicos não têm nenhuma liberdade na gestão estratégica. Estão presos ao sistema de saúde. Não podem aumentar a clientela. Não podem produzir mais do que um determinado valor, não são eles que gerem os recursos humanos, já que não podem fazer contratos de trabalho directos, não podem comprar medicamentos livremente e só adquirem aquilo que o estado entende que deve ser adquirido. Os hospitais públicos estão muito manietados. Os hospitais públicos, neste momento, não passam de repartições com o nome de empresas, tal como as repartições de finanças, mas que não têm a mínima possibilidade de gestão estratégica. Não podem entrar em concorrência uns com os outros, não podem aumentar a sua capacidade e oferecer melhores serviços à população em detrimento de outros que vão ficando para trás…
Mas teria alguma lógica os hospitais públicos entrarem em concorrência uns com os outros?
Tem sempre. O que faz andar o mundo e países que têm muitos hospitais públicos, como o serviço nacional de saúde inglês, que foi o tipo de serviço em que no inspiramos, é a concorrência. O facto de um hospital ter muita procura é sinal que está a funcionar bem, que tem uma resposta capaz. E hoje o nosso cliente, ao contrário do que acontecia antigamente, já sabe escolher. É informado, vai à internet, estuda as doenças. E isso é importante para saber escolher. Antigamente sustentava-se que não se podia permitir a liberdade de escolha do doente, porque este era ignorante. Mas há muitos anos, também se dizia que as pessoas não podiam votar por serem ignorantes. É o mesmo processo. A democracia só será plena se o cliente tiver direito à escolha.
Qual é o modelo que acha que seria mais adequado para Portugal?
Uma evolução do nosso sistema. Manter os valores da universalidade, da gratuitidade. Mas fazer com que o Estado deixe de ser o dono da saúde. Os donos passariam a ser empresas privadas ou públicas. Outras até poderiam ser fundações, onde os municípios poderiam ter um papel importante, como tentei fazer há algum tempo no Hospital Pedro Hispano. E introduzir concorrência no sistema. Neste momento há um modelo monolítico, tem que ser tudo igual. As pessoas são contratadas da mesma maneira, o rácio de médicos é sempre igual. Não deve ser assim. Há particularidades diferentes de zona para zona. Deve ser tudo feito de forma próxima das populações.
Acha que o modelo que nos permite hoje termos um SNS que é levemente liberalizado não poderia ser refinado ao ponto de permitir que houvesse uma maior liberdade de intervenção dos actores de saúde? Acha que é possível fazer isso em Portugal?
É uma questão de vontade política. Financeiramente, não prevejo que o custo do SNS em que o cidadão tenha liberdade de escolha seja maior, antes pelo contrário. Pode ser mais barato ao estado sustentar a saúde ao contrário do que acontece hoje, q
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se financiam as catedrais do desperdício que são os hospitais públicos.
De qualquer das maneiras, já há muitas unidades privadas.
Sim, mas ainda são uma minoria dentro daquilo que o estado está a fazer. Vai fazer um hospital em Braga, uma parceria público-privada, mas é um hospital de 600 camas. São hospitais muito grandes, monstruosos. Têm lançado hospitais de gestão pública, que contraria o movimento que há na Europa. Na Alemanha, metade dos hospitais têm gestão privada. O estado verifica se os serviços prestados são bons e garante a saúde aos cidadãos. Isto é como qualquer actividade económica. Antes também se pensava que só o estado podia ter bancos, agora já não é assim. O mesmo se devia passar com a saúde.
Mas a saúde é um negócio também.
Isso é inegável. Mas o lucro pode ser reinvestido na própria saúde. No entanto, é preciso haver regras rigorosas, porque na saúde é muito fácil cobrar actos e serviços que não existem. Porém, hoje em dia, já é fácil controlar isso, através de programas informáticos e auditores, algo que o nosso estado não faz por ser algo atrofiado e anafado.
Houve evolução nos últimos quatro anos, no sector da saúde, em Portugal?
Não. Houve uma altura em que se transformou alguns hospitais públicos em hospitais SA, com o intuito de ser gerido por pessoas do sector privado, para rentabilizar mais essa gestão, mas nada mudou. Correia de Campos ainda tentou abrir mais a saúde ao sector privado, mas depois voltámos ao centralismo. Por exemplo, criar uma rede de cuidado continuados, que é algo que o país precisa, os doentes têm que ir para um sistema informático que, posteriormente, irá determinar para onde vai. Era tudo mais simples se um hospital pudesse procurar na sua área e no sector que necessita, um local para o doente ser tratado. É burocracia a mais. Correia de Campos deixou-se ir nessa onda, e a actual ministra da Saúde, Ana Jorge, tem apenas o papel da acalmar as águas.
Digamos que com Correia de Campos houve algumas reformas e depois houve um travão.
Sim, depois da tempestade vem a bonança, mas agora é uma bonança doentia. Agora o sector privado tão bons ou melhores serviços que o público. Antes, no privado só havia os consultórios individuais, e isso é como as mercearias de bairro, têm tendência a acabar e ser integrados em clínicas e hospitais privados.
Quando se fala em encerrar um serviço de saúde pública ou em reduzir os horários de um centro de saúde, mesmo que não se justifique estar aberto, isso implica sempre um agitar de águas.
Eu também tenho ideias menos próprias e já pus em prática. Em Matosinhos, criei algo chamado unidade local de saúde, que é uma unidade com uma certa autonomia na planificação os cuidados de saúde independente do poder central.
Na altura, a unidade local de saúde foi apresentada como um projecto pioneiro, para depois ser transportado para outros locais.
Foi. Orgulho-me muito de ter apresentado esse modelo, na altura à Maria de Belém, faz agora dez anos. Mas aquele projecto mexe com muitos interesses, e há muitos lobbies, e muito poderosos, na saúde. Uma unidade local gerida de forma eficiente acabaria com muitos interesses, médicos, farmacêuticos, laboratórios, e esses interesses mexeram-se e exerceram pressão sobre os partidos e governos.
Olhando para o que se faz hoje na saúde em Portugal, como se pode caracterizar o sector no privado?
É preciso entender o privado não como um concorrente do SNS, mas como complementar. Tem a sua autonomia. Há dois milhões de segurados neste país que são o nosso suporte. Se fosse pelo estado não sobrevivíamos. Na Trofa, só 4 por cento da nossa facturação é para o estado. O resto é de pessoas com seguros de saúde e com outros sub-sistemas, como a ADSE e outros. E mesmo assim não vivemos desafogados porque os preços praticados são muito inferiores ao serviço público, uma vez que o estado paga ao estado. É preciso deixar o sector privado ter um papel mais importante na saúde.
Recentemente houve uma polémica entre médicos e farmacêuticos relativamente aos medicamentos genéricos. Qual a sua opinião?
A nível da prescrição (de medicamentos) há uma liberdade muito grande. Não estou a dizer que os meus colegas são vigaristas, mas deixam-se influenciar muito pela indústria laboratorial. Esta indústria faz um marketing muito inteligente, e não estou a falar de almoços ou viagens. Quem dá formação aos médicos quando acabam a licenciatura é, quase exclusivamente, a indústria farmacêutica, que depois os leva a congressos e colóquios, levando os médicos a prescreverem este ou aquele produto. Em relação a isto, nalguns países, a indústria farmacêutica dá dinheiro ao estado para depois ser o próprio estado que, de tempos a tempos, dá formação aos médicos. Não deixa de ser a indústria farmacêutica a pagar, mas a formação torna-se muito mais independente. Depois, há a área da comercialização, onde a Associação Nacional de Farmácias (ANF) formou uma excelente rede, mas que tem margens de lucro enormes, e todos têm enriquecido à custa disso. Agora vêm defender os genéricos, e toda agente sabe que existem ligações de pessoas da ANF à produção de genéricos. Isto torna tudo muito promíscuo e quem se lixa são os cidadãos. Há outra coisa grave em relação ao medicamento que é a não existência da unidose. Os médicos prescrevem embalagens inteiras sabendo que, na maioria das vezes, só eram necessárias algumas doses desse medicamento. E depois quem paga isto somos nós. Há ali jogos de poder e de bastidores que não passam cá para fora.
E porque é que não se aplica a unidose?
Este é um país doente, com lobbies muito poderosos. E há muitos interesses por detrás disto tudo. Se há unidose nos EUA, em Inglaterra, etc, também podia haver cá. Só que isto levanta uma tempestade para muitos interesses, e os governos têm medo.
Falando de transportes – A Falácia do Ministério das Obras Públicas: O TGV (VII)
Tenho um grande apreço intelectual pela inteligência e conhecimentos profissionais do Dr. António Costa, pelo que só encontro uma justificação para tais afirmações: é uma ajuda, quiçá uma muleta, para auxiliar a SET a resolver o imbróglio em que se meteu. Permito-me lembrar que, na verdade, a Gare do Oriente / Braço de Prata poderá servir para terminal da AV – aliás como escrevi neste sítio em Novembro de 2006 quando a RAVE sonhava, ainda, com uma estação Central em Chelas, para terminal de AV.
Acabar com a estação de Sta. Apolónia numa perspectiva meramente mercantil, é um capricho que irá custar muito caro a Lisboa, dada a sua excelente localização, quase no centro da cidade. Compare-se com o que está a ser feito noutras cidades, como Paris, Londres, Colónia, etc., a título de exemplo, onde se aproveitaram velhas estações, por vezes centenárias, à custa de trabalhos de adaptação muito importantes. Um tráfego que tem como destino o centro da cidade é algo de precioso que justifica essas despesas.
Mas ainda há mais e não ajuda. A cerca de 600 m da Ponte projectada, a montante, a cota do caminho-de-ferro é de 34; a plataforma do Braço de Prata fica a 1,5 km da Ponte e a Gare do Oriente a 3,5 km. Conforme escrevi no meu texto de 25.4.07, a primeira é indispensável para complementar a Gare do Oriente (com pouco espaço disponível) e como reserva expectante de comboios e local de manobra para os mesmos.
Sabendo-se que a nova estação de Chelas e a chamada linha de Cintura irão ter acesso directo à Ponte, esse desideratum vai limitar ainda mais aquilo que o MOPTC pretende. Já para não falar no impacto sobre alguns edifícios existentes, v.g., a Manutenção Militar e os espaços verdes adjacentes ao Palácio dos Duques de Lafões, assim como o Recolhimento de S. Vicente; e, também, vai poluir, de vários modos, a Igreja e o Convento dos Grilos, o do Beato e a Quinta das Fontes.
Francamente, não vislumbro como será possível ultrapassar tudo isto, numa óptica de rigor e competência.
Julgo que esta localização da Ponte – imposta com grande voluntarismo – irá acarretar graves prejuízos, além de ser uma solução limitada na sua concepção. Faço votos para não se repita, em ponto grande, o erro muito recente que se constatou (demasiado tarde) na chamada Ponte da Lezíria inaugurada em meados do ano passado, em que a cota do tabuleiro foi fixada em 20,15m (uma cota inferior à da Ponte de Vila Franca, a montante, que atinge os 22,50m). Resultado desta distracção: o chamado barco varino, equipado com um mastro de 21,50m não consegue passar debaixo desta ponte; e o mesmo sucede com os barcos de desporto – uma das paixões das gentes ribeirinhas de Alhandra e V. F. Xira – cujos mastros nos veleiros de competição também não conseguem passar. É lamentável.
Muito antes, em 08.08.06 alertei para alguns dos inconvenientes da localização que se pretende para a Ponte Chelas-Barreiro. E, mais tarde, em 25.04.07 escrevi: Chelas-Barreiro ou, quem sabe, Alcochete-Bobadela, em túnel sob o rio poderá vir a ser uma solução aceitável para, um dia, se fechar a malha rede-ferroviária ligando as zonas urbanas a Norte e a Sul do rio Tejo. Numa perspectiva que irá facilitar, ainda mais, a mobilidade suburbana nesta área; admitia, claro está, o aproveitamento do actual canal ferroviário de Lisboa / Azambuja, devidamente alargado e melhorado, conforme várias propostas que apresentei por escrito.
Nessas propostas não haveria problemas de cotas a resolver, nem poluição desenfreada, nem dificuldades de navegação nem, tão pouco, o atravessamento de camadas geológicas fortemente poluídas pelas indústrias do Barreiro (a remover). E, contrariamente ao que pensa a SET, o fecho da cintura rodo-ferroviária (numa e na outra margem do Tejo) seria concretizado sem os inconvenientes da solução Chelas-Barreiro; esta, pelo contrário, ameaça destruir uma boa parte da zona oriental de Lisboa sem, todavia, resolver esse problema dado encontrar-se demasiado inserida na malha citadina.
Lembro, também, que a ligação ferroviária apresentada – com o aproveitamento do atrás citado canal ferroviário (v. os meus textos de 25.09.05; 24.12.05; 06.01.06; 20.11.06 e 25.04.06) – poderia sem grandes dificuldades e por um custo muitíssimo mais baixo, encontrar uma solução expedita para a ligação da Região de Lisboa com o Norte do país; e, para que não me restassem dúvidas percorri, a pé, mais de uma vez, os troços entre V. Franca e Alhandra e Gare do Oriente – Sta. Apolónia, possivelmente os mais difíceis para implantar esse traçado.
Além de outras vantagens iria encurtar, substancialmente, o trajecto Lisboa / Caia mediante uma ponte a construir nas cercanias de V. N. Rainha (incomparavelmente mais barata do que a solução Chelas-Barreiro); não esquecendo, ainda, que este traçado, no terreno, seria muito mais fácil do que aquele que foi escolhido.
Será para cumprir promessas eleitoralistas? Ou será para aproximar, ainda mais, este traçado de AV da cidade de Évora, património mundial? Mais uma vez lembro o que é normal fazer em circunstâncias idênticas: quando do traçado da LGV Paris / Strasbourg, a estação de caminho-de-ferro de Reims ficou a 5 km da cidade e algo longe da sua maravilhosa catedral, mundialmente conhecida; Nancy (330.000 habitantes e uma das mais belas praças da Europa) a 31 km; Metz (400.000 habitantes e com um património artístico notável), a 27 km. De salientar que, relativamente a estas duas últimas cidades, o TGV passa sensivelmente a meio da distância entre elas. É corrente proceder assim, na medida em que a AV procura o traçado mais curto, sem descurar servir os objectivos intermédios, muito embora determinada a cumprir o essencial em função das distâncias aconselháveis.
Senhora SET, permita que lhe faça um pedido que, uma vez concretizado, ajudaria a tirar conclusões mesmo para os leigos. Mande V. Exa. fazer uma maqueta, em modelo reduzido da Ponte Chelas-Barreiros e das suas amarrações nas zonas limítrofes; é algo de corrente em obras deste tipo mas que eu ignoro se foi feito e apresentado publicamente ou, então, não passa de um “brinquedo” para delícia de alguns, poucos, eleitos.
Em face desse modelo, sugeria que os Autarcas das Câmaras interessadas, os responsáveis da APL e da RAVE/REFER, os Urbanistas e os Projectistas que estudam os projectos ribeirinhos (todos eles e mais alguns que eu possa ter inadvertidamente esquecido) sejam convidados a apresentar um relatório-síntese, numa folha tipo A4, com as vantagens e inconvenientes do projecto proposto por V. Exa. E, como estamos numa democracia, os pareceres seriam tornados públicos.
(Continua)
Ainda ninguém percebeu que isto já é demasiado ridículo
Ou a notícia da “Marca”, normalmente bem informada em relação ao que se passa no “Madrid”, não é verdadeira ou este caso já ultrapassa os limites da decência.
No court central
Hoje vi uma bonita jovem tenista portuguesa jogar em Winbledon com a Serena Williams.
Contra a potência física da Americana e a sua maior experiência, a jovem portuguesa apresentou um ténis muito bonito, cheio de técnica que não raras vezes venceu a adversária.
Percebendo que fisicamente não podia competir face à maior potência contrária, deu um festival de “amorties” “passing shots” e “bolas cortadas” , ante a evidente simpatia do público que enchia por completo o recinto e que muito a aplaudiu.
Foi a primeira vez que a jovem Neuza da Silva jogou neste torneio de Wimbledon. No primeiro set muito nervosa perdeu sem dar luta, ganhando uma partida. Mas no segundo set jogou maravilhosamente, ombro a ombro com a campeã americana que se viu aflita para fugir à derrota.
Para além de Neusa da Silva, temos a Michele Brito e o Gil bem mais batidos neste testes de alta competição.
Há trinta anos atrás as meninas aprendiam “ponto de cruz” !
Gosto de ver a juventude do meu país entre a elite dos países modernos, democráticos e livres!
Valeu a pena!
A Sinfonia da Morte, de Carlos Loures – I
Aventar inicia hoje a apresentação de vários excertos do livro “A Sinfonia da Morte”, de Carlos Loures. Eis a primeira parte:
Uma noite de Verão, na serenidade indestrutível da sua aldeia serrana, Jorge viu no telejornal as imagens da demolição por implosão do edifício de um grande hotel na Florida. Com a sua idade e com tudo o que lhe fora dado observar durante a sua longa vida, embora amasse muito mais o futuro do que o passado, as inovações e descobertas científicas, os prodígios tecnológicos, já quase não o surpreendiam, por mais fantásticos que se apresentassem. Digamos, estava saturado de prodígios – se visse, por hipótese, astronautas a pousar na superfície de Marte, não abriria a boca de pasmo. Talvez se limitasse a beber mais um gole de aguardente velha e a puxar uma fumaça ao seu cachimbo de boa madeira de bruyère, a vulgaríssima torga ou urze portuguesa, mas que nas tabacarias insistiam em tratar pela designação francesa. O francesismo da nossa sociedade era, aliás, uma fatalidade, dir-se-ia que quase atávica. Como Eça de Queirós dissera anos antes, o Portugal do século XIX era um país «traduzido do francês em vernáculo». Na primeira metade do século XX, continuava a sê-lo. Depois, o inglês ganhou terreno e substituiu o francês como língua franca. Mas essa é outra história. Entretanto, a frase de Eça aparecera numa revista do Teatro do Príncipe Real levemente modificada – «Portugal é um país traduzido do francês em calão» – e foi assim, nesta versão mais popular, mais chula, que a frase pegou e passou a ser citada por quase toda a gente, mesmo até por aqueles que não suspeitavam sequer da existência do autor.
O cachimbo fora comprado há mais de sessenta anos na «Tabacaria Orge», da Rua do Ouro. Ali estabelecera, durante dias, o seu posto de observação à porta da casa de Margarida, situada no lado poente da rua e, à falta de outros pretextos, fora comprando coisas a esmo, entre as quais diversos cachimbos que, durante muitos anos, apenas serviram de ornamentação à consola da lareira do salão. O hábito de fumar cachimbo era relativamente recente, posterior ao início da Segunda Guerra, pois começara apenas quando deixara de conseguir facilmente no mercado os únicos cigarros que, não sendo um fumador inveterado, apreciava – os egípcios Abdulla – «Imperial Preference», que comprava em belas caixas de folha-de-flandres, ornamentadas e coloridas a verde e a dourado.
Fumar um Abdulla, não era bem um vício, era mais um ritual de comunhão com a imperecível memória de Luciano e com a recordação daqueles dias escaldantes, embora frios, do início de Fevereiro de 1908. Quando começara a usar os cachimbos, mais de trinta anos após os ter comprado, tivera de lhes queimar devidamente os fornilhos, incendiando rum de boa qualidade no seu interior, como mandavam as regras. As boquilhas não serviam já, pois, ou tinham-se dilatado e estavam demasiado apertadas ou, pelo contrário, haviam-se contraído e caíam dos fornilhos, e, deste modo, por uma razão ou por outra, tiveram de ser todas substituídas.
Voltando à notícia da televisão. O que causara algum impacto no seu espírito fora que, ao descrever a demolição do grande edifício, o comentador tivesse utilizado aquele termo, implosão, numa acepção substantiva pertencente ao foro da Engenharia, ou, talvez mais propriamente, ao da Física. Era um conceito novo para ele. Embora a sua formação académica fosse de raiz jurídica, as questões linguísticas sempre lhe tinham interessado muito. Conhecia, sim, a palavra como substantivo, mas da área específica da fonética e da fonologia. Era assim que o seu velho Morais e outros bons dicionários o registavam – como sendo uma fase da articulação de uma consoante oclusiva, anterior à tensão, durante a qual os órgãos fonadores assumem a posição para o fechamento de que resulta a oclusão. Nesta nova acepção devia provir, por certo, de uma americanice. Mais uma das muitas que tínhamos de suportar, pensou. Por isso, procurou num dicionário de inglês, um Webster’s, e, os resultados foram nulos – implosion era também ali palavra afectada à área da fonética. Porém não desistiu e num dicionário enciclopédico ilustrado, de edição portuguesa muito recente que comprara sobretudo em intenção dos bisnetos, acabou por descobrir o significado que procurava – «fenómeno físico através do qual um meio sólido ou um corpo oco, submetido a uma pressão externa superior à sua resistência mecânica é esmagado violentamente e tende a concentrar-se num volume reduzido». Aí estava a resposta para o que vira no ecrã: um ruído seco e surdo e o que fora um grande e luxuoso hotel, sumira-se, como se o filme da sua construção estivesse a ser projectado de trás para diante, numa nuvem de fumo. Quando o fumo se dissipou, a imagem mostrava um concentrado monte de escombros, reduzido face à enorme dimensão que o edifício tivera segundos antes.
Matutando em tudo o que vira acontecer ao longo da sua vida, concluiu que em Portugal, mais do que revoluções, tinham ocorrido implosões. Não ia ao ponto de afirmar que o domínio leonês, pressionado pela nobreza nativa que rodeava Afonso Henriques, implodira; nem que o mesmo acontecera às dinastias afonsina e de Avis, ou ao domínio castelhano sacudido em 1640. Era velho, mas não tanto que pudesse afirmar que o desaparecimento dos dinossáurios se devera a um fenómeno de implosão. Apenas passava agora em revista aquilo a que assistira desde que, quase setenta anos atrás, recém-formado em Direito, viera a Lisboa tratar de assuntos do pai, munido de procurações, atestados, de mil e uma recomendações da mãe, do pai e, sobretudo, das pícaras sugestões do seu primo Luciano. Pudera observar como o constitucionalismo monárquico, a ditadura franquista, a dinastia dos Braganças, a primeira República e agora a ditadura criada por Salazar e o domínio colonial tinham caído. Por implosão. Falta de resistência à pressão externa. Tal como o grande edifício do hotel de Miami, que sugado internamente quase desapareceu numa nuvem de pó. Também agora, quase sem tiros, um regime que durara meio século implodira e desaparecera numa nuvem de poeira, pairando no ar como um fantasma. Talvez também acontecesse assim noutros lugares. Em Portugal, pelo menos ultimamente, as dinastias, os regimes, as ditaduras, implodiam. Oxalá não acontecesse agora o mesmo à democracia pela qual esperara tantos anos. Oxalá não se sumisse numa nuvem de preceitos constitucionais, de oratórias vazias, de «incontornáveis» alinhamentos internacionais… Oxalá os cravos, a onda fraterna que inundara as ruas e as praças do País não implodissem também.
Luta pela TVI acentua-se
Já estávamos desconfiados. Agora, aos poucos, vamos confirmando. Há qualquer coisa a mudar na TVI.
Depois da especulada eventual saída de José Eduardo Moniz, de que a gorada candidatura ao Benfica foi o exemplo mais recente, o jornal i refere que há uma luta pelo poder que envolve a Portugal Telecom, a Ongoing e o grupo de Joaquim Oliveira.
Já o Diário Económico salienta que a principal operadora de telecomunicações espanhola, Telefónica, poderá vir a ter influência de gestão na TVI.
Em pano de fundo estarão os milionários negócios das transmissões televisivas. Mas não deve ficar por aqui a corrida pelo domínio do canal de maior audiência em Portugal.
Terminou a semana aberta
Terminou às 24h00 de domingo a primeira semana aberta do Aventar. Foi uma excelente semana com a participação de vários leitores do blogue, alguns dos quais, um dia, poderão ser aventadores oficiais.
Em breve, Aventar irá regressar com uma nova iniciativa.
Entretanto, iremos dentro de alguns dias relançar “Os 10 + Influentes de Portugal”. Com a característica de alargamos a votação e indicação das opções dos “10 +” do nosso país a todos os leitores.
42% ? Porreiro , pá !
Assanham-se uns senhores muito em sintonia com o governo, por causa do manifesto dos 28 economistas contra o TGV e os Megaprojectos.
Conforme a discussão vem para a luz do dia , vão-se conhecendo alguns números até aqui cuidadosamente escondidos.
Sabe-se hoje que o trajecto Porto – Vigo não tem qualquer possibilidade de ser viável, é deitar dinheiro à rua só de pensar no assunto.
O trajecto Lisboa – Porto cobre, em receitas, 48% do investimento .Para quem não quer perceber, isto equivale a dizer que 52% do investimento vai ser pago com os nossos impostos, contribuindo ferozmente para o empobrecimento acelerado em curso.
O trajecto Lisboa – Madrid gera cash-flows da ordem dos 54% ,deixando para os nossos impostos 46% do investimento. Outra ajuda para a pobreza que o PS, socraticamente , está a instalar no país e que se fará sentir nos próximos 30 anos!
Se juntarmos a tudo isto que o dinheiro tem que ser emprestado, porque não o temos, e vai juntar-se aos 110% de dívida pública que temos que pagar, a uma economia perto da estagnação e que não gera riqueza, só cabe perguntar.O que levará esta gente a querer estes mega e ruinosos investimentos?
Porque não apoiam os investimentos que geram emprego rapidamente ? Que dão trabalho às PMEs e não às tecnologias lá de fora ?
A reabilitação urbana tem trabalho para 10 anos, esgotando a capacidade instalada!
Não bastam os Mega investimentos em autoestradas que nos dão o rídiculo recorde de sermos o país com mais autoestradas por habitante?
E se são assim tão importantes porque somos tão pobres e vamos continuar pobres?
Não seria honesto mudar de estratégia?
Mr. Pescanova
O Zezinho há tempos participara num ‘casting’, realizado por agência de publicidade de projecção internacional. Mais tarde, foi informado que tinha sido o candidato seleccionado, assim como do objectivo do filme: inaugurar uma unidade de aquicultura da Pescanova em Mira.
Ontem, chegou o ambicionado dia da inauguração. O Zezinho lá se apresentou com vários companheiros de brincadeira, entre os quais o inigualável Manel, personagem que não dispensa uma oportunidade que seja de lançar a bronca da ordem: – os economistas fazem sempre confusão, quando falam de investimento – asseverou. O Manel, também economista em acumulação com o papel de comediante, largou ‘tal bernarda’ e disse para si próprio: – é preciso que o povo saiba que aqueles 28 gajos sofrem todos de insanidade e só produzem confusão. Loucos e ignorantes!
Mas regressemos ao Zezinho. Ele vestiu-se a rigor e com estilo à altura da elevada responsabilidade do acto publicitário. Camisinha branca muito, muito, leve, metáfora da espuma marinha, e gravatinha do vermelho igual ao do logótipo da Pescanova. Alegoria perfeita. Entre os amigos, houve logo quem afirmasse: – O nosso Zé está um autêntico Mr. Pescanova. E quando ele extraiu da água o pregado, com mãozinhas delicadas para não magoar o peixinho e evitar molhar os punhos da camisa, foi o delírio. Toda aquela gente tributou ao herói entusiástica salva de palmas, sorrindo de felicidade. O Manel e o Jaime foram dos mais satisfeitos, no meio dos presentes, rodeados de tanques e pregados por todos os lados.
Agora até ao final do Verão, o Zezinho tem a carteira de compromissos preenchida. De inauguração em inauguração, lá vai estar ele, vestido a preceito e em estrito respeito pelos ‘briefings’ dos criativos publicitários. Não é despicienda, antes pelo contrário, a vontade de vencer, de vencer folgadamente. Com grande foguetório, se ganhar absolutamente, porque significará ganhar por muitos e também derrotar muitos mais, de hoje e de amanhã. É a vida de um artista do género dele.
Nuno Cardoso e as consciências
Nuno Cardoso foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa por crime de prevaricação. Em 2001, quando presidente da Câmara do Porto, assinou um despacho perdoando uma coima ao Boavista por o clube ter começado uma obra de construção sem licença. Se assim foi, deve ser penalizado. A lei é para cumprir.
Em tribunal, Nuno Cardoso garantiu que não se recorda de ter assinado o documento. Estaria, talvez, distraído. Tão distraído quanto eu tenho andado, uma vez que não encontro muitas placas identificativas da realização de obras autorizadas em muitas construções em curso.
Diz o jornal Público que o juiz do tribunal de São João Novo aventou a existência de uma “teia” entre o poder autárquico e os clubes de futebol e apresentou a sanção como um exemplo contra o sentimento de impunidade que muitos cidadãos descrevem. “Que tudo isto sirva para um alerta de consciências”, afirmou o juiz. Acho bem que se alertem as consciências e que se acabe o sentimento de impunidade dos titulares de órgãos políticos.
Agora, uma pergunta: E se Nuno Cardoso ainda fosse presidente da Câmara do Porto? Também seria condenado para alertar consciências? Se não houvesse necessidade de alertar consciências, seria condenado?
50 milhões de Americanos sem direito a cuidados de saúde
É inadmíssivel, diz o Presidente Obama, que 50 milhões de pessoas não tenham seguros de saúde, nem acesso a cuidados médicos !
A reforma não é um luxo é uma necessidade ! Preciso da vossa ajuda médicos, para os americanos vocês são o sistema de saúde, diz ainda Obama.
O custo do sistema de saúde é uma das maiores ameaças para a economia. Tem um peso significativo nas contas das famílias e das empresas. É uma bomba relógio para o orçamentto federal.
Sublinhou ainda que as despesas de saúde compradas a preços demasiado altos contribuíram para a falência das construtoras automóveis GM e Chrysler.”Se não agirmos já, acabaremos todos como a GM : a pagar mais, receber menos e na falência.”
Os EUA gastam 50% mais por pessoa do que o segundo país com maior despesa na saúde. “Mesmo assim, temos cada vez mais cidadãos sem seguro, a qualidade tem-se deteriorado e a população não está mais saudável!
Uma das ideias da Casa Branca é criar um Plano Público de Saúde que sirva como opção para a população que não tem condições para comprar seguros de saúde!
E o que dirão disto os nossos liberais blasfemos e quem quer destruir o nosso SNS?
Nova Esquerda – partido novo ?
Os Alegristas correm atrás do milhão de votos de Alegre.
Com um PS sem ideologia, perfilhando na prática politicas que qualquer governo social-democrata subscreve, um PC que sabe que o protesto lhe rende os votos dos indefectíveis e um Bloco sem apetência e não preparado para o poder ( Oxalá me engane, João) a Nova Esquerda vem a caminho.
Mesmo que não conseguisse o milhão de votos, o pleno, o novo partido podia ser o aglutinador das políticas à esquerda, o degrau ideológico que facilita o deslocamento do PC e do Bloco.
No presente cenário partidário, e sendo a Esquerda maioritária, dificilmente se obterão consensos e arranjos parlamentares à volta das grandes questões nacionais.
Estranhamente, é na Direita minoritária que esses consensos e arranjos ao nível do governo, mais facilmente se encontram.
O PSD e o CDS, evidentemente, que se coligam se isso for necessário para governar .Poucas coisas importantes os afastam, ao contrário das evidentes contradições e desajustamentos que se encontram à Esquerda.
Desde logo porque o PS é um partido que sempre tem tentado e nos últimos anos conseguido, a “mexicanização” da vida partidária, precisando do poder como pão para a boca, tal são já hoje os interesses cruzados que tem ao nível da Banca, do tecido empresarial e da Alta Administração Pública. Esta teia de interesses aprisiona o PS e isso explica as suas políticas em tudo contrárias ao que se esperaria de um partido social-democrata e socialista.
Não é por acaso que tem como prioridade salvar bancos privados e não as PMEs. Que insiste, contra toda a evidência, no lançamento de Megaprojectos direccionados para as grandes empresas. Que partilha com o grande capital a gestão das grandes empresas de serviços públicos.
Mas será que este Nova Esquerda não se afundará ao primeiro canto de sereia , tal como aconteceu ao próprio Manuel Alegre?
Uma mãe em greve de fome
Que a criança tenha sido protegida estes dois anos no Refúgio Aboim Ascenção, enquanto as condições familiares se iam reunindo, parece ter sido uma boa medida. Compreende-se mal que reunidas essas condições a criança não seja devolvida à mãe e à família.
A mãe tinha na altura 13 anos, hoje tem 15 anos, deixou de estar referenciada pela Segurança Social. O pai da criança perfilhou o filho e vive com os pais que dizem nunca terem sido ouvidos pelos serviços. E tambem reclamam o bébé.
Inexplicavelmente, o entendimento é que é muito dificil que uma decisão destas de um Tribunal venha a ser revogada.
Mais uma vez o superior interesse da criança não é o o bjectivo final. Se a criança tem uma família com as condições suficientes e que dão garantias, não há que hesitar.
A criança deve voltar para o seio da sua família, devidamente enquadrada pelos serviços sociais.
Pese, embora, o extraordinário trabalho do Refúgio nada nem ninguem substitui, com vantagem, a família!
O Hotel Estoril – Sol
Lembram-se do Estoril – Sol aquele hotel ali em plena marginal, à porta de Cascais ?
No seu lugar, já se erguem três torres em nada mais pequenas ou mais baixas que o “mamarracho” anterior.
No velho Hotel guardavam-se “memórias” de grandes figuras e eventos que fizeram sonhar gerações .
Mas o local maravilhoso, ali sobre a baía azul de Cascais, há muito que tinha despertado apetites. E cá no sítio a propaganda começa pelo “mamarracho”. Se não for “mamarracho”, à força de se repetir, toda a gente começa a ver uma coisa que, por décadas, foi obra de orgulho e ninguem viu como de mau gosto.
Grande volume, mal aproveitado, não respeitador da paisagem, todos à uma martelam a cabeça dos cidadãos que acabam por aceitar por exaustão.
Lembro-me bem da cobertura que a imprensa fez, com especial ênfase para o Expresso.
Um arquitecto com nome (Byrne) o que é à partida garantia de bom trabalho, um desenho integrado com a paisagem, deitado sobre o morro que cresce atrás, menos volume…
Depois vem a realidade, com a maioria do pessoal já esquecido do prometido, mudo e quedo, com o que cresce à força de guindastres e cimento armado.
Passei lá hoje !
Falando de transportes – A Falácia do Ministério das Obras Públicas: O TGV (VI)
5 – Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, tem dado a cara pelas soluções ferroviárias defendidas por este Governo. Relativamente à nova linha de AV ligando Lisboa com Madrid, com um tempo de percurso estimado em 2h e 45m informou, finalmente, que esta será uma linha mista (passageiros e mercadorias) com uma velocidade de cálculo, em território português, de 350 km/h. Segundo afirma, estima-se que a procura seja de 6,1 milhões de passageiros no seu primeiro ano de funcionamento e possa atingir os 9,3 milhões de passageiros, 20 anos depois.
A SET esclarece, ainda, que só a Ponte Chelas-Barreiro poderá garantir o cumprimento deste tempo de percurso: esta travessia irá receber, também as linhas convencionais, o que permitirá ligar por caminho-de-ferro as margens Norte e Sul do rio Tejo fechando, assim, o anel ferroviário na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Está em estudo, presentemente, a possibilidade da introdução do modo rodoviário, nesta Ponte.
Julgo que a SET está profundamente equivocada e proponho-me, mais uma vez, demonstrá-lo.
a) tempo do percurso ferroviário Lisboa / Madrid:
o troço português, passando por Évora / Elvas e Caia foi estimado em 206 km pela RAVE. Ainda há pouco tempo essa estimativa apontava para os 207 km entre Lisboa e Elvas; admitindo, sem exagero, mais uns 10 km até ao Caia, na fronteira, o total perfaz uns 217 km em território português.
Mais recentemente, a RAVE admitiu que o troço Caia / Poceirão andará à volta dos 170 km; se juntarmos a estes uns 42-43 km (conforme o raio das curvas) entre o Poceirão e a Gare do Oriente, o total rondará os 213 km.
Se este percurso se fizer em AV, como pretende a RAVE, o que é um absurdo se atendermos ao número de passageiros previsível e aos gastos de exploração – já para não lembrar que se trata de uma linha mista – iremos fixar a velocidade comercial máxima em 228 km/h, a mesma que é praticada na nova linha de AV inaugurada há pouco mais de um ano entre Paris / Metz (315 km). Foi nesta linha que o TGV bateu o recorde do Mundo da velocidade máxima atingida numa linha ferroviária (v. meu texto de 3 Setembro 07).
Sendo assim, este troço irá ser percorrido em 56m, aos quais teremos de acrescentar mais uns 5m de agravamento resultantes do abrandamento de velocidade, obrigatório, no túnel e no viaduto Chelas-Barreiro, à chegada a Lisboa.
Porém, em consonância com os espanhóis, quanto mais não seja por uma razão de interoperabilidade, este mesmo percurso, em VE, seria percorrido em 77,5 + 5m = 82,5m, à velocidade média de 165 km/h. Há, pois, uma diferença de cerca de 21m entre as duas velocidades: a AV e a VE.
Esclareço, para os profanos, que os 165 km/h que me serviram de referência equivalem ao que está a ser praticado na linha Estocolmo / Goteborg (455 km), mediante um comboio pendular X 2000; ou a 154,2 km/h, com duas paragens intermédias, no percurso entre Estocolmo e Skovde (311 km).
O nosso Alfa Pendular, entre a Gare do Oriente e V. N. Gaia consegue uma média de 131 km/h, com duas paragens intermédias, numa linha que todos nós conhecemos e que, por isso, não comento.
o troço espanhol, entre Madrid e Badajoz, passando por Talavera, Cáceres e Mérida perfaz, actualmente, 461 km; pelos meus cálculos, admito que um traçado de AV poderia baixar para os 392 km, na melhor das hipóteses, atendendo à existência de alguns obstáculos naturais a evitar: serras, rios e albufeiras.
Nesta ordem de ideias e dado que os espanhóis adoptaram há muito – e bem – o traçado misto para esta linha, este troço será percorrido em 2h e 22,5 minutos, para uma velocidade média comercial de 165 km/h, sem qualquer paragem.
Estamos, agora, em condições de calcular o tempo gasto na totalidade do percurso Lisboa / Madrid. Assim:
1ª hipótese – AV em território português (o que considero errado) e VE no espanhol: 61 + 142,5 m, ou seja 3h e 23,5m
2ª hipótese – VE em todo o percurso: 82,5 + 142,5m = 225m, ou seja, 3h e 45m.
A diferença entre estas duas performances seria, pois, de cerca de 22 minutos e os tempos de percurso (em qualquer das hipóteses) muito superiores aos pretendidos pelo MOPTC o que arrasa, completamente, a sua estratégia – se é que ela existe.
Obs.: Este trajecto não contempla a passagem pelo novo aeroporto (NAL); para isso, está prevista uma linha ferroviária com cerca de 20km de extensão, entre o Pinhal Novo e a aerogare, a percorrer por uma lançadeira (shuttle).
Deste modo, se os passageiros provenientes de Madrid desembarcarem em Lisboa, terão de esperar pela chegada de uma lançadeira que os conduza até ao aeroporto, a 48 km de distância, segundo o LNEC. Admitindo que esta distância possa ser percorrida à velocidade média comercial de 150 km/h, serão necessários mais uns 20m de viagem a acrescentar ao tempo de espera.
Se os passageiros provenientes de Madrid optarem por descer no deserto, perdão, no Pinhal Novo, terão de aguardar aí a lançadeira para fazerem mais 20 km até à aerogare.
Aliás, o percurso rodoviário do Campo Pequeno até ao NAL, também foi estimado em 48 km passando pela Ponte Vasco da Gama; e, caso se opte pela solução rodo-ferroviária na Ponte Chelas-Barreiro, essa distância sobe para os 59-60 km, com as dificuldades de trânsito que se conhecem.
Caso curioso: um dos argumentos mais badalados contra a localização do novo aeroporto, na Ota, era precisamente a distância exagerada a que se encontrava de Lisboa mas que, afinal, seria inferior à localização agora escolhida.
A SET, porém, procura desvalorizar este óbice e afirma, peremptoriamente, que “uma linha de AV serve para ligar capitais europeias e não aeroportos”. Julgo que é uma afirmação “distorcida” e, por isso duvido, e pergunto: se uma linha de AV serve para ligar capitais europeias e estas, pela sua importância, dispõem de aeroportos, será ou não desejável que estes dois modos de transporte estejam ligados entre si? A minha resposta é sim, sempre que possível. A título de exemplo, cito o aeroporto CDG, um dos que serve Paris (a 25 km de distância), com acesso directo ao TGV.
Com efeito, os aeroportos, antes de mais, devem servir as pessoas; a dificuldade consiste na sua localização, uma vez que as cidades têm vindo a ser construídas há muitos séculos, os aeroportos desde o século passado e a AV terá, quando muito, umas três dezenas de anos. E o solo disponível é cada vez mais escasso.
b) Número de utentes previsto pela SET. Direi que os 6,1 milhões de passageiros no primeiro ano de funcionamento desta linha e os 9,3 milhões de passageiros, 20 anos depois, é pura e simplesmente a confissão de um fracasso anunciado. Por várias vezes escrevi sobre esta matéria e citei vários especialistas de caminhos-de-ferro, espanhóis e franceses (Prof. Miguel Beggarin, Prof. Ginés de Rue, Phillipe Reuvilles, Martinand, entre outros) os quais consideram indispensável para que uma linha de AV seja rentável, um tráfego de passageiros da ordem dos oito a dez milhões de utentes, logo no seu primeiro ano. Um deles propõe, mesmo, que não se devem construir linhas que não possam garantir o tráfego de mais de 13 milhões de passageiros/ano, logo de início.
No meu último trabalho dei conhecimento de números relativos ao tráfego internacional, em 2006, no Eurostar, nos Thalys e no Lyria (França / Suiça). Ainda antes, em 24.12.05, fiz referência ao que se passava na vizinha Espanha com a linha Madrid / Sevilha, na qual os passageiros transportados 13 anos após a sua inauguração, rondavam os 6 milhões dos quais, mesmo assim, quase um terço pertencia a serviços que podem considerar-se regionais (Madrid / Puertollano).
c) Uma linha para comboios de mercadorias, paralela à AV, entre Évora e Caia.
Confesso que não percebo. Se a linha Lisboa / Madrid é uma linha mista e, infelizmente com um número de passageiros previstos inferior ao que ju
st
ificaria uma linha de AV, para que serve a construção de uma nova linha paralela, entre Évora e Caia, só para mercadorias? Estimei este traçado em cerca de 95 km de via férrea; não será deitar dinheiro fora?
Julgo que nem vale a pena fazer qualquer referência às previsões de custos, sistematicamente subavaliados, de todas estas obras. Pena é que não possam ser responsabilizados os seus autores.
d) Viaduto Chelas-Barreiro
Este viaduto, além de um fortíssimo impacto ambiental, irá condicionar ou, mesmo, inviabilizar:
a navegabilidade do rio Tejo, nomeadamente nos seguintes canais: canal da Quimigal (bifurcando para o terminal dos sólidos e dos líquidos e prolongando-se este, depois, para o do Montijo); irá afectar as carreiras fluviais do Montijo e do Barreiro e, também, o canal do Cabo Ruivo que permite o acesso a V. F. Xira.
Os navios que acostam ao cais do Beato ou no Poço do Bispo terão as suas manobras muito dificultadas e condicionadas ao ciclo das marés e às condições atmosféricas, principalmente a força do vento. E, no cais da Matinha, ainda mais próximo da Ponte, a situação ainda será pior.
Numa sessão efectuada em Março de 2007, na Sociedade de Geografia, esteve presente o Senhor Comandante Ferreira da Silva que, além de outros esclarecimentos, afirmou: “Já pelo exemplo de outras implantações no rio (bóias, por exemplo) uma ponte com tão elevado número de pilares irá assorear velozmente o rio e que fará afastar a navegação destes cais ou, então, não há dinheiro que chegue para as drenagens. Exemplo comprovativo, o que se passou no Cais da Expo actualmente todo assoreado, custou milhões e não cabe lá um iate de recreio”.
“Relativamente ao Mar da Palha, o maior espelho de água portuário da Europa ficará inutilizado. Não somente porque a Ponte destruirá a área das 16 pontos actuais de fundeadouro (já lá estiveram 22 navios da VI esquadra americana…)”.
No que se refere aos cais do Rosairinho e o da CUF, o Senhor Comandante acrescentou: “Os pilares da ponte não permitiriam a passagem de navios com galope (altura) de superestruturas (mastros, chaminés, gruas, etc.) acima dos trinta metros do nível do mar”.
o futuro terminal de cruzeiros de Lisboa, em Sta. Apolónia, dada a proximidade da Ponte e as grandes dimensões dos navios previstos para acostagem; a não ser que se reduza o seu número a acostar simultaneamente (está projectado para cinco).
Seria, verdadeiramente, algo sem sentido na medida em que Lisboa está a entrar na rota mundial do turismo de cruzeiros (305 mil passageiros em 2007). E este ano, sabe-se, aguardam-se ainda mais, transportados por navios cada vez maiores.
A Câmara Municipal de Lisboa não terá uma palavra a dizer?
a operacionalidade da actual Base Aérea do Montijo, ficará fortemente prejudicada no cone de acesso das aeronaves à pista principal, com prejuízo evidente à movimentação de aviões dos vários tipos.
a navegação dos grandes navios no rio Tejo, dado que a cota do tabuleiro desta Ponte foi fixada em 47 metros acima das águas, ou seja, uma cota igual à da Ponte Vasco da Gama situada cerca de 7 km a montante, numa área onde não são de considerar acostagens de navios de alto bordo. Na Ponte 25 de Abril, esta cota é de 70m.
Se for adoptado o proposto, isso vai limitar de modo sensível, o gabarito dos grandes navios de cruzeiro que desejam escalar o porto de Lisboa, com prejuízo evidente para este tipo de turismo.
o acesso às estações de Sta. Apolónia condicionando, fortemente, a do Braço de Prata e a Gare do Oriente, dado que o gradiente admissível para esta o.a., destinada ao tráfego misto, não deverá ser superior a 15-16 por mil. Talvez seja este o motivo que levou o actual Presidente da Câmara de Lisboa a dizer que “A expansão da Gare do Oriente é uma oportunidade para repensar se devemos manter o ramal ferroviário de Sta. Apolónia…” “… a libertação deste canal é uma grande oportunidade para sanear as finanças das empresas ferroviárias e dar uso eficiente ao edifício da actual estação”.
Os “fantasmas” do Irão
No Irão, como em Portugal, há fantasmas nas secções eleitorais. Por cá, são os falecidos que ainda continuam vivos nos cadernos eleitorais, inflacionando os dados da abstenção. São ainda aqueles que estão inscritos em mais de um local e há até os eleitores clones, como os senhores que votaram duas vezes nas eleições europeias.
No Irão, há três milhões de votos a mais, cidades onde houve mais votos que eleitores. Ainda assim um porta-voz do conselho eleitoral “assegurou que a votação nesses locais não afectou os resultados finais das eleições, ainda que os «votos-fantasma» rondem os três milhões”.
Três milhões de votos “fantasma” e os senhores dizem que não afectaram os resultados eleitorais?
O círculo vicioso do País
Há razões adicionais para se prever para o país, a médio prazo, um fraco crescimento ou mesmo a estagnação económica.
O país está endividado a todos os níveis, o que se reflete num enorme desiquilibrio externo, o que irá travar o investimento e o consumo. O déficite das contas do Estado voltou a níveis muito preocupantes. São necessárias políticas de redução do déficit o que só se consegue com a contenção da despesa ou com o aumento da receita, ou com ambas. Com a receita, o esforço da máquina Fiscal dos últimos anos, recuperando grande parte, já não tem margem para arrecadação de muito mais. A despesa é o que se sabe com este Estado cada vez mais prisioneiro de interesses corporativos. Assim o crédito a obter lá fora ficará cada vez mais caro. Estamos num circulo vicioso, é dificil baixar déficites orçamentais sem crescimento da economia.
Jacuzzi não é uma "banheira" para o relax…

Volta e meia as empresas surpreendem-me.
Já sabia que as Chiclets eram uma marca mas que acabaram por designar toda uma gama de produtos. Também já conhecia a história semelhante da Jeep. Até sabia que o famoso “cimbalino” no Porto derivava do nome das primeiras máquinas de café.
Não querendo estar aqui a fazer publicidade gratuitamente, o que eu não sabia, era que Jacuzzi também era uma marca e não um tipo de “banheira” para o relax…
E o que é que isto interessa? Absolutamente nada! Às vezes gosto só de partilhar… e partilho especialmente com o chefe Ricardo que pelos vistos anda exausto. Um jacuzzi vem mesmo a calhar…
Será que a RTP Porto está mesmo ao Serviço de Elisa Ferreira?
Tenho estado atento, em particular nos últimos dias, à comunicação da RTP Porto, mais propriamente aos serviços noticiosos.
Não vou aqui e agora reflectir sobre o seu serviço público (discussão sem dúvida muito importante), mas sim sobre a parcialidade que nos últimos tempos a RTP Porto tem demonstrado.
E para sermos objectivos e pragmáticos, vamos a factos das últimas semanas:
1. Inauguração da Feira do Livro. Regresso à Avenida dos Aliados. SIC e TVI estiveram presentes. A RTP faltou;
2. Apresentação do novo projecto de reformulação do Palácio de Cristal (Pavilhão Rosa Mota). SIC e TVI estiveram presentes. A RTP faltou;
3. Sessão formal de inauguração do Sea Life, Grupo Merlin (segundo maior grupo mundial na área do entretenimento, logo a seguir à Disney). SIC e TVI estiveram presentes. A RTP faltou.
Obviamente que não existem coincidências. Ainda para mais quando é a RTP a estação televisiva que de longe tem mais meios técnicos e humanos para poder fazer cobertura televisiva na Cidade do Porto. A SIC e a TVI com recursos escassos conseguem fazer reportagem, mas a RTP falta sistematicamente.
É pena que assim seja. A RTP Porto é sem dúvida um dos poucos meios que ainda sobrevivem ao centralismo estúpido e burocrático instituído pelos sucessivos governos. Mas, com muita pena minha, hoje está a prestar um serviço parcial e autoritário ao serviço de uma candidatura partidária. Nunca, como hoje, se viu a RTP Porto ao serviço de um interesse partidário. Os bons jornalistas que existem na RTP não merecem isto. O cúmulo desta partidarite está mais uma vez bem patente na escolha de Elisa Ferreira para comentar a relevância de Carlos Candal na democracia portuguesa. Carlos Candal não merecia isto (pessoa que aprendi a admirar pela sua frontalidade e força das suas convicções). O trágico desaparecimento de Carlos Candal, fundador do Partido Socialista e um dos rostos da história do Partido, é comentado por Elisa Ferreira, uma independente, sem ligação nenhuma ao Partido (como ela sempre está a dizer). Já não há vergonha. Uma instrumentalização da RTP Porto como nunca se viu.
Este trabalho, pouco inteligente diga-se, mas instrumental e ao serviço de Elisa Ferreira (candidata à Câmara Municipal do Porto) tem um rosto. Em breve será denunciado!
I'm telling you for the last time
Por motivos familiares, vou ter de abandonar o Aventar durante algum tempo. Não sei por quanto, vai depender das circunstâncias. Espero que não seja por muito.
A gente vê-se por aí.
Beijos e abraços a todos.
Luís Melo – A suspensão (definitiva? do TGV*
A notícia de que a decisão final sobre o TGV ficaria para o próximo governo, foi a medida mais inteligente que tomou este governo (a seguir à substituição de Correia de Campos). Ainda assim, peca por tardia e por apenas ter sido tomada em consequência dos resultados eleitorais, o que prova que não foi por sensatez, mas por taticismo eleitoral.
De qualquer forma, é preciso mesmo saber se os compromissos até agora tomados, não implicam grandes indeminizações, caso o projecto seja abandonado. Já aconteceu o mesmo recentemente com outras obras que foram abortadas.
Também a propósito do TGV, ao contrário de alguns notáveis, não sou a favor da suspensão do projecto. Sou totalmente contra a sua realização. Só pode pensar em TGV quem, das duas uma: ou nunca andou nem sabe o que é o Alfa Pendular, ou vai beneficiar (financeiramente) com a realização desta grande obra.
Já agora, e por causa desta certeza em Abril 2009, o Ministro Mário Lino leva mais 3 pontos para a Superliga “incompetente-mor”
* Luís Melo é leitor do Aventar
Arrufadinha – Is the end?
Quando sabemos que tudo acabou? Quando já não sabemos se há amor? Quando quase tudo o que o outro faz ou diz nos irrita? Quando percebemos que já não nos respeitamos mutuamente? Quando cada um de nós está só com os seus pensamentos? Quando apesar de juntos nos sentimos sós? Quando já nenhum tem a capacidade de pedir desculpas ao outro? Quando nos sentimos inseguros e mal-amados? Quando se partem coisas, se atiram objectos, se berra ao invés de engolir o orgulho e «fazer as pazes»? Quando um espera e o outro não vem? Quando esperamos em silêncio que o outro nos faça um carinho e nos abrace? Quando nos tratamos como rivais e não como companheiros? Quando se fazem listas de coisas-que-hoje-fiz-mais-do-que-tu? Quando nos sentimos desamparados e em queda-livre? Quando tememos as discussões durante o tempo que vamos passar juntos? Quando estamos juntos por compaixão? Quando um faz declarações de «amor»/ saudade a um amigo, mas não é capaz de as fazer ao outro?
E se for o fim? Quem deve dar o primeiro passo? Eu? Tu?
E como sabemos que está na altura de dar esse passo? Que todo o passado está irremediavelmente enterrado?
Prémio Lemniscata, o primeiro prémio do Aventar
Ao fim de dois meses e tal de vida, o Aventar conquistou o seu primeiro prémio: o Prémio Lemniscata.
Seja lá o que isto for, parece-me bom. É sempre agradável receber um prémio pelo facto de demonstrar «talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Lemniscata significa «curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante». Resta dizer que foi O Valor das Ideias, do Carlos Santos, a atribuir-nos o galardão.
Infelizmente, parece que não podemos ficar com ele. Temos de entregá-lo a sete outros blogues que consideremos merecedores do prémio.
Em nome do Aventar, atribuo o Prémio Lemniscata aos sete blogues que se seguem:
– 5 Dias
– A Educação do Meu Umbigo
– Do Portugal Profundo
– Bitaites
– A Baixa do Porto
– Blog da Animal
– Avesso do Avesso
com os meus agradecimentos pelos bons momentos que me têm proporcionado. Não poderia deixar de destacar, aqui, os meus amigos do 5 Dias, o caríssimo colega Paulo Guinote e o excelentíssimo Prof. António Balbino Caldeira.
E agora, será que também poderiam inventar o Prémio anti-Lemniscata? Já tenho aqui umas ideias engraçadas e uns blogues que eu cá sei como possíveis receptores do prémio…
5 Cubanos Dignos

Intelectuais de Cuba pedem aos intelectuais dos Estados Unidos difundir a verdade sobre os 5 Patriotas
Da «France Press»:
«Intelectuais e artistas de Cuba apelaram nesta sexta-feira aos seus colegas norte-americanos para que “difundam a verdade” sobre cinco cubanos condenados por espionagem nos Estados Unidos, depois que a Corte Suprema desse país se negou a revisar o caso.
“Apelamos novamente a vocês, estimados colegas, para solicitar-lhes que difundam a verdade sobre este caso por todas as vias que tenham a seu alcance”, diz uma carta ‘‘a intelectuais e artistas estadunidenses”, tornada pública pela União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC).
O texto assinala que com a decisão da Corte Suprema sobre os cinco presos, condenados a draconianas penas e presos faz mais de dez anos, “se soma desse modo um novo capítulo à longa cadeia de arbitrariedades que por mais de uma década se privou de liberdade a Gerardo Hernández, René González, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e Fernando González”.
Na ilha comunista, esses presos são considerados heróis. Cuba os reconhece como seus agentes, porém não para espionar os Estados Unidos, e sim para vigiar os grupos anti-castristas de Miami.
O etnólogo, poeta e novelista Miguel Barnet, presidente da UNEAC, disse, ao apresentar a carta, que está dirigida “ao nobre povo norte-americano”, a “muitos intelectuais proeminentes” e a organizações não governamentais.
Disse estar seguro que personalidades como o ator Danny Glover, a romancista Alice Walker ou o escritor Gore Vidal, acolherão o chamamento cubano.
“São amigos que estão bastante sensibilizados e muito irritados com a decisão da Corte”, acrescentou.
Apelos similares foram emitidos pelo Parlamento, pela União de Jovens Comunistas, pelos Comitês de Defesa da Revolução e outras organizações.»
Com o ano lectivo a terminar, é hora de apresentar contas
Com o ano lectivo a chegar ao fim, e o mandato também, Maria de Lurdes Rodrigues resolveu apresentar contas. Sem precisar de empurrar ninguém, a ministra da Educação publicou o seu relatório de contas num “AaZdaEducacao“, onde faz um balanço positivo, comprovando com “mais eficiência na organização das escolas, novas lideranças, escolas mais orientadas para os alunos e para as suas famílias, mais estudantes e melhores resultados, menos abandono e menos insucesso escolar é o que encontramos hoje no nosso sistema educativo”.
Bonito, não? O facilitismo, os exames acessíveis, os resultados a olhar para as estatísticas em vez de promover uma escola de qualidade, é que nem vale a pena abordar. Uma reforma que já precisa de ser reformada, também não. Para não falar na trôpega avaliação dos professores, que ora avança, ora não avança, ora se simplifica, ora não se simplifica.
Nos deves e haver, a confederação de pais diz que o balanço do ano e da legislatura foi positivo. Os sindicatos garantem que foi negativo.
Enfim, nada de surpreendente. Cada vez fico menos espantado. Isto está a ficar chato.
Fica para a próxima, Michelito!
Tal como se previa, o toureiro mexicano Michelito, de 11 anos, foi impedido de actuar na quinta-feira no Campo Pequeno e ontem em Portalegre. Uma queixa da Animal ao Ministério Público, à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Comissão de Protecção e Crianças e Jovens de Lisboa acabou por dar os seus frutos e acabou por ser esta última instituição a proibir o jovem de entrar na arena. Entretanto, já foi anulada a participação de Michelito nas restantes 10 touradas em que iria estar presente.
Já falei aqui de touradas, relativizando o sofrimento dos touros em relação aos animais que, por exemplo, servem para a nossa alimentação. Ou os animais utilizados para experiências científicas. Ou os animais do circo. Ou os animais utilizados pela indústria das peles e dos cosméticos.
Nada que desculpe, obviamente, um espectáculo que, em pleno século XX, só poderia sobreviver mesmo num país de terceiro mundo. E neste caso concreto, estamos a falar de uma criança que tem 11 anos e cuja formação está a passar por espetar farpas em animais.
Quando estive a acompanhar, entre 2006 e 2007, por motivos profissionais, o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, vi que nos treinos, eles colocavam à frente das vacas crianças com 4 ou 5 anos. Sempre a ajudá-las, claro, amparando-as, ficando a segurá-las – e eram animais de treino. Mas não deixavam de ser crianças de 4 ou 5 anos!
A partir daí, já nada me espanta.
Os comentários que não comentam
Às vezes tenho dúvidas sobre se vale a pena os jornais nacionais terem comentários livres nas notícias que colocam na internet. O caso do Público é gritante e nem é novo. É um fenómeno que leva já uns bons anos, embora, por vezes, pareça recrudescer de impacto.
Nos últimos tempos, o pensamento alarve voltou a sair da caixa e a espalhar perfume por um sem número de notícias. Veja o caso de hoje, na notícia sobre as vítimas de confrontos em Teerão. Em menos de duas horas surgiram (na altura em que escrevo) 43 comentários, quase todos sem o mínimo sentido.
Há trocas de recados, de piadas e de insultos entre comentários, há os que dizem que a Mossad está infiltrada em todo o mundo, que os judeus até podem ser superiores, que digam que os judeus sionistas são “homosexuais, satânicos…”, que peça desculpas por “ter nascido assim tão aborto, sempre tive azar na vida”.
Estes são exemplos curtos e apenas de uma notícia. Mas parvoíces deste género são habituais no site do Público. Outros jornais são também afectados, embora em menos número, por excrementos deste género.
Confesso que não sei se a culpa é do Público, por permitir comentários sem moderação, se é dos comentadores que poderia dar outro rumo à sua vida ou minha, por perder tempo a lê-los.
Falando de Transportes – A Falácia do Ministério das Obras Públicas: O TGV (V)
(continuação de aqui)
4 – São por demais visíveis e indisfarçáveis as dificuldades que a MOPTC tem para encontrar argumentos – e soluções válidas – para as novas linhas de AV. É uma matéria na qual se podem constatar erros de palmatória que tenho vindo, sucessivamente, a denunciar; basta ler alguns trabalhos que publiquei neste sítio e a ausência de argumentação contraditória (v., entre outros, os textos de 3 de Abril e 8 de Agosto de 2006 e o de 25 de Abril de 2007).
Já não me lembro quem disse que os caminhos-de-ferro portugueses são o maior desafio mas, também, podem ser o maior fracasso dos sucessivos governos que têm vindo a atabalhoar soluções, sem qualquer orientação estratégica visível. Mas sempre com o objectivo bem claro de “calar” os melhores técnicos e as empresas de consultoria, à custa de muitos milhões de euros destinados a estudos, estudos e mais estudos, muitas vezes do mesmo.
O declínio dos caminhos-de-ferro portugueses não resulta de uma fatalidade ou de um “mau olhado”; resulta, sim, de escolhas e opções de vários dirigentes políticos (alguns bem mal preparados), mesmo se eles não têm a coragem de assumir os seus erros perante a opinião pública.
E não são as orientações políticas, mais ou menos ilusórias, que irão sustentar projectos irrealistas; é fundamental (para evitar cair no erro), ouvir oportunamente o sector económico e, evidentemente, os técnicos. Há, pois, que dispor de equipas pluridisciplinares que possam decidir sobre as várias propostas e as suas alternativas, com ideias bem claras e conhecimento de causa; mas, antes de mais, valorizar os Serviços, premiando e pondo em destaque os que o merecem.
Isto não é o que tem vindo a acontecer. E, assim, direi que faz falta o Conselho Superior de Obras Públicas (CSOP), extinto por este MOPTC, muito embora dispondo de alguns engenheiros de alto gabarito, funcionando como órgão de consulta permanente de alguns Ministros e Secretários de Estado, mais curiosos. Tanto mais que, em Portugal, não dispomos de um órgão equivalente ao Strategic Rail Authority, como sucede no Reino Unido.
O CSOP era uma instituição de grande prestígio que, ao longo de 150 anos assessorou os mais variados governos, ao mais alto nível.
A sua voz, por vezes incómoda, era veiculada por técnicos no topo da carreira, muitos deles conhecidos pela sua competência e isenção (os Ministros passavam e a instituição permanecia), o que lhes garantia uma certa dose de independência e permitia dizer aquilo que pensavam, sem os entraves do “politicamente correcto”.
Jorge de Sena, engenheiro distinto, mas mais conhecido como poeta e prosador notável, aconselhava a que “Não se dedique à adulação da mediocridade e (não) ouça respeitosamente as opiniões dos críticos mais influentes, porque mais cretinos…”.
Por mais extraordinário que isso pareça, direi mesmo escandaloso, o desmantelamento deste órgão não foi obra dos governos de Salazar ou de Marcelo Caetano acabando, sem glória, às mãos de um Ministério de tutela que, apesar do seu carácter eminentemente político, pode considerar-se o mais técnico entre os seus pares.
E assim, pouco a pouco, este MOPTC está a dar cabo … do MOPTC, ao transferir para os privados a iniciativa dos estudos e das propostas; há uma clara transferência de competências, em moldes ainda desconhecidos (passando, demasiadas vezes, pelas grandes empresas consultoras e pelo “outsourcing”), esquecendo que o poder de decisão terá sempre que ser da responsabilidade do Estado e não, unicamente, a escolha entre duas ou mais alternativas. Será este o caminho inovador para a sua privatização?
Mais recentemente, para recuperar a credibilidade que tanta falta lhe faz, atrela-se a um organismo que conheci altamente prestigiado, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), com o desígnio de desculpar as hesitações e desacertos; o perigo consiste em compromete-lo com o seu assédio, tanto mais que as suas actuais atribuições (na parte em que substitui o CSOP), são presentemente muito mais limitadas.
Como vão longe os tempos em que pontificava o Manuel Rocha (seu fundador e dinamizador durante largos anos, até à morte), Ferry Borges, Laginha Serafim, Abecassis, Ulpiano Nascimento (cito-os ao correr da pena e sem a pretensão de esgotar o seu número) e tantos outros de reconhecida competência no país e no estrangeiro, solicitados que eram, frequentemente, para a elaboração de estudos altamente especializados e, muitas vezes, originais.
As competências do LNEC – e são muitas – não se podem confundir com as do CSOP. A sua extinção foi um acto espúrio de um Ministério que, assim, calou uma voz potencialmente incómoda. Acto este que terá de ser corrigido mais cedo ou mais tarde.








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