A provocação

Nos finais do dia da Greve Geral houve uns incidentes em S. Bento. Nada do outro mundo: manifestação, escaramuças com a polícia, um pouco de sangue e emoção para a abertura dos telejornais. Mas com uma novidade nacional: nesta fotografia vemos dois manifestantes a furar o cordão policial, não vemos?

Não, não vemos. A PSP infiltrou agentes entre os manifestantes, o que parecendo que não dá jeito quando não acontece nada e fazem falta incidentes que ofusquem uma greve geral.

Não vou ter a ingenuidade de atribuir toda a confusão a estes senhores (sei o que é uma manif e como nos tempos que correm são inflamáveis). Mas alguém tinha de acender o fósforo. [Read more…]

As menstruações de Américo Amorim e o problema estrutural da economia portuguesa

Crise internacional à parte, é sabido que a economia portuguesa tem um problema estrutural: a fuga aos impostos e os benefícios fiscais às empresas, permitindo falcatruas que se transformam em prejuízo para o estado. Depois dizem que este gasta mais do que tem, pudera.

O regabofe é de tal ordem que a impunidade é  assumida como regra, levando agora, gloriosa excepção, Américo Amorim a ter de descalçar 3,1 milhões de despesas bizarras para a sua principal holding: viagens dos netos, despesas com pensos higiénicos, cintos de crocodilo ou massagens. Prejuízo: 750 000 euros.

Que injustiça: o homem nem sequer é rico mas apenas um trabalhador sujeito a menstruações no local de trabalho. Fazer isto a um grande accionista do sacrificado BIC que dentro de dias receberá o BPN a quem deverá 1600 milhões (quando é que esta golpada será esclarecida?), está mal, muito mal, assim o país não anda para a frente e nunca mais saímos desta crise.

Fonte do gráfico e leitura proveitosa: resistir.info

Ainda o leak do Lulzsec Portugal à PSP

Afinal tudo se passou no sábado, a notícia é que só saiu hoje. Hilariante é isto:

A PSP garantiu esta terça-feira que “não tem registo de qualquer intrusão no seu site externo ou na rede de informações/procedimentos policiais”, numa nota publicada no Facebook, reagindo à divulgação de uma lista contactos de 107 polícias de Chelas.

Na mesma nota, a Polícia de Segurança Pública reconhece que “existem tentativas externas de intromissão no site institucional” da força policial, “que não surtiram efeito até ao momento”.

É que basta seguir o tuíte, a menos que o documento tenha sido uma prenda de natal.

O comunicado de LulzSecPortugal

Segundo o Público o grupo “Lulzsec Portugal terá acedido ilegalmente aos computadores do Ministério da Administração Interna (MAI), copiado e divulgado os dados pessoais de mais de uma centena de efectivos da PSP a trabalharem em três esquadras de Lisboa.”

Estranho, porque no twitter de Lulzsec Portugal  nada disto é referido e no respectivo canal do youtube apenas se encontra este vídeo, que não refere nada disso. Alguém anda baralhado, ou baralhou para voltar a dar. Já no LulzSecPortuga aparecem ligações para esses dados entretanto desactivadas.

Candidatura do Euro a Património Imaterial da Humanidade

Já foi lançada a candidatura:

O teu apoio é fundamental para o sucesso desta iniciativa até porque parte substancial do trabalho já está feito. Partilha, participa, comenta e se puderes mantém debaixo de olho a taxa cambial do Franco suíço.

No facebook

Hoje dá na net: O Fantasma da Liberdade

Le Fantôme de la liberté é um dos meus filmes favoritos do mestre Luis Buñuel e está disponível em grande parte no youtube com legendas em português. Sobretudo aquele que  é aqui o primeiro capitulo e demonstra o que aconteceria se invertêssemos os valores, mais precisamente se trocássemos o papel social da comida e da merda, é a coisinha mais hilariante da História do Cinema e uma aula sobre relativismo e absolutismo dogmático pela mão do mais ateu dos cineastas. Leia a sinopse na wikipédia e não perca, clicando aqui.

Para acabar de vez com os impostos, imposto zero

Dedicado a todos os liberais, em particular ao educólogo Ramiro Marques, vendedor de publicidade nas horas vagas.

Grécia, crise à parte o turismo continua

Excelente promoção turística, que deve ter custado uma horita de trabalho e merece circular pela net. Comparem isto com os milhões gastos na nossa promoção turística. E sendo certo que não temos as mesmas paisagens naturais e monumentais, fazer o mesmo por cá não custava nada.

Hoje dá na net: Yellow Submarine, O Submarino Amarelo (1968)

Também está farto dos tratos de polé aplicados a All together now? Nada como ver, ou rever, o original no Submarino Amarelo, o filme que George Dunning fez com os Beatles.

Legendado em castelhano (versão sem legendas)

Ficha do filme no IMDB.

Esclarecimento

Apreciar a leitura de alguém não coincide com convergências e divergências. Felizmente o mundo está cheio de gente com em relação a quem politicamente, ou futebolística, ou artística ou seja o que for estou nos antípodas mas não deixo de  ler com agrado, mesmo quando me vão picando.

No caso dos que escrevem no Senatus esse agrado até é generalizado. Mas solicitava que entendessem a ironia como figura de estilo ou então perde a piada toda.

Em Matosinhos houve greve na Assembleia Municipal

Entretanto, enquanto se discutiam todas as matérias que, na minha humilde opinião, merecem alguma atenção, e não digo toda, vá, para não ser muito exigente, havia gente com outros afazeres.

O vereador Guilherme Aguiar, eleito pelo PSD e cooptado pelo PS, estava com a cabeça em água enquanto procurava a carta que lhe faltava para completar o jogo de Solitário no seu moderno Ipad.

Um tal de blog

Os deputados Bill Gates

Os partidos da Microsoft, perdão, do governo, chumbaram uma proposta que defendia a opção preferencial do estado por software livre. Tinha ficado com uma leve esperança de que a crise metesse juízo na cabeça de quem não a tem mas afinal é só o Ministério da Educação que se está nas tintas para os computadores das escolas (já desconfiava), em vésperas do regresso da ardósia, a informática não deve ser um conhecimento fundamental para Nuno Crato que só faz contas de cabeça (e vá lá, ainda a tem).

Aprovar uma proposta como aquela tinha duas vantagens: poupava pelo menos 50 milhões e dinamizava a indústria de software nacional para onde ela pode crescer, precisamente para os lados que concorrem com a decadente Microsoft. Não perceber que via Google o software baseado em Linux vai dominar o mercado é digno de quem leu uns artigos nos jornais e pensa que sabe alguma coisa do assunto. O Android já é a plataforma mais utilizada no seu mundo, e isso diz tudo.

Não ver isto tem duas componentes: a ideológica (estes analfabetos pensam que o software livre é coisa de comunas e idolatram o tio Bill mais o primo Jobs) e a dos interesses (a Microsoft suborna por tudo o que é sítio e vê Portugal como um ponto estratégico para entrar nos Palops, já que com o Brasil não teve sorte nenhuma). Ou seja, ignorantes e lambe-botas, é o que estes senhores são.

Hoje fazem anos…

Passam hoje 30 anos sobre o primeiro concerto dos Heróis do Mar. Sim, aquela banda que parecia de extrema-direita e afinal era só pop (e bom pop), como muita provocação pop. Trinta anos depois também recordo envergonhado o esforçado provincianismo com que encarei a coisa e que encalhou nesta cantiga, que tem todos os ingredientes estado novo mas era apenas um novo estado para a música portuguesa.

Ainda me proporcionaram o mais épico momento da minha vida radiofónica através de uma entrevista em directo que acabou com um processo disciplinar, afinal uma das medalhas que trouxe da RUC.

Também faz anos o 31 da Armada, o blogue da direita onde me vou rindo sem ser forçosamente das tolices da direita e que pelos vistos hoje ajusta contas com o Pacheco Pereira, que desde o primeiro dia estava mesmo a pedi-las.

Hoje é o dia nacional da direita no seu melhor, o 1º de Dezembro envelheceu, o 10 de Junho agora é só da raça do António Barreto. Do outro 25 de Novembro fiquemos só por não ser o aniversário do início de uma guerra civil de consequências incalculáveis, ou seja, podia ter sido muito pior.

A greve nunca existiu, a imbecilidade cumpriu a rotina

De acordo com as estatísticas oficiais ontem não fiz greve, a minha escola não esteve fechada, não aconteceu nada. Nada.

Os dados estão disponíveis online, os totais e os parcelares.

Escolas Básicas e Secundárias do Centro em 46724 funcionários 0 grevistas.

Estatisticamente não existo. Estatisticamente como ontem não aconteceu nada espanta-me a indignação de tanto honesto trabalhador que continua por aí vociferando contra a meia-dúzia de perigosos sindicalistas que ontem fez greve, esquecendo o estado em que o país está, a necessidade de pagarmos 34400 milhões de euros só em juros à troika, vamos todos trabalhar, viva a austeridade essa proximidade possível com a penitência e o cilício, produzir mais, muito mais, comer e calar (e escolhi esta ilustração com duplo sentido, é verdade), abrir bem o esfíncter para eles entrarem melhor. Há coisas fantásticas, não há?

Porque fazem os trabalhadores do estado greve e os outros menos?

Em Coimbra 10,48% estiveram em greve, segundo o governo

Eu compreendo a chatice: um homem monta o seu negócio, para o qual necessita de trabalhadores. A coisa corre bem. Um belo dia, já o nosso empreendedor se passeia no seu veículo topo de gama, os colaboradores vão ter com ele e lá se queixam: isto está a correr bem, já era altura de deixarmos de ganhar o salário mínimo. É preciso ter lata, não é?

Aqui há dois finais. Numa sociedade com direitos o empresário vai ter de ceder porque a conversa descamba para uma ameaça de greve, e já não compra este ano o iatezito que tinha em vista. Num país onde existe flexibilidade laboral o patrão despede os filhosdaputa, arranja outros, e compra o barco.

No estado, por enquanto, não se pode brincar assim com a vida de quem trabalha. Nas empresas pode. Chama-se a isto mercado de trabalho. Quanto mais desempregados e leis favoráveis ao empregador tivermos mas barato fica o custo do trabalhador, e mais capital foge patrioticamente para um offshore qualquer.

Por isso a greve geral teve mais peso no sector público do que no privado. Por isso comecei o dia ouvindo na TSF vários personagens que não tinham feito greve, mas ali estavam ao telefone, sabendo-se que para um minuto de antena muito tiveram que esperar. Por isso o facebook estava cheio de gente proclamando o desígnio nacional de trabalharmos mais para pagarmos as dívidas dos outros (BPN, Madeira e restantes larápios). Por isso a blogocoisa de direita (com honrosas excepções citadas pelo Luís M. Jorge) andou em estado de trauliteirismo galopante. Aos auto-proclamados senadores do regime nem pergunto quantos fizeram greve nas suas empresas, que seria perguntar quantos mais desempregados teremos amanhã. A economia é muito simples, os carreiristas duques é que a tornam complicada.

Uma decisão que é uma bomba

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) deliberou hoje que é ilegal um juiz pedir a um fornecedor de Internet para que este controle o tráfego de Internet dos seus clientes de modo a evitar downloads de ficheiros protegidos por direitos de autor. in Público

Isto vai ter umas consequências jeitosas. Deixa cá ver: todos os ISP’s portugueses declaram controlar o tipo, logo o conteúdo do tráfego, por exemplo:

5. A Optimus poderá accionar providências restritivas legal e contratualmente previstas, em caso de utilização ilícita do Serviço ou de acesso ilícito a conteúdos através do Serviço, incluindo-se neste âmbito a utilização de aplicações que, pela sua natureza ou características, degradem ou diminuam a qualidade do Serviço ou coloquem em risco a integridade da rede da Optimus.

O que traduzido para português significa: usas torrents, baixas filmes, estás tramado.

Tivemos ainda há pouco tempo uma associação de chulos de artistas mais uns clubes de vídeo, essa preciosidade arqueológica, apresentando queixas contra cidadãos que acusavam de terem descarregado ficheiros ilegais. Única forma possível de o fazer: interceptando comunicações.

Mais: já houve condenações com base nesse controlo, inclusive em Portugal. A França, por exemplo, tem o sistema de policiamento institucionalizado.

Esta decisão pode ser um volte-face mundial, numa altura em que nos EUA se tenta legislar no sentido de controlar todos os conteúdos na net, pela liberdade do único meio de comunicação que onde ela sobra. Ainda há boas notícias.

Mais uma do Henrique mentiroso, perdão, Raposo (editado)

Quer trocar 12 meses certíssimos por 14 meses incertos?

A divisão do salário anual por 14 prestações é de lei tanto em empresas como na função pública. Ou então o primo do Henrique Raposo trabalha numa daquelas empresas que não cumprem a lei, pormenor que não lhe deve interessar para nada a este devoto do patronato, uma forma terrena de deus a quem tudo é permitido.

O Henrique Raposo é um mentiroso dos compulsivos. Hoje levou com a greve na Autoeuropa em cima, para aprender a ser um bocadinho menos trafulha. A direita tem espasmos de prazer com a sua leitura (um destes dias li mesmo do teclado de um idiota mais inútil uma comparação com a prosa de Miguel Esteves Cardoso, algo ao nível de encontrar em José Rodrigues dos Santos um herdeiro de Camilo Castelo Branco). O tio Balsemão gosta e paga.  Está tudo bem. O neo-liberalismo instalou-se no Chile com as armas de Pinochet. Por cá vai-se implantando à custa da mentira como prática de propaganda diária. Por enquanto.

Adenda: ocorreu aqui uma dislexia minha, na leitura que fiz do texto de Henrique Raposo. Não era bem o que eu li que ele escreveu, como me alertou um leitor. Disparate feito e assumido, não mudo uma vírgula ao título: basta seguir as ligações  mentiroso e compulsivo, a que ainda posso acrescentar esta, sem sair do Aventar.

Hoje dá na net: “A Greve”

Sergei M. Eisenstein  A greve (ficha IMBD). 

Offshore da Madeira, o porto de abrigo dos piratas

Sabe quem ganha com o offshore da Madeira? sabe que o director regional de impostos da Madeira está acusado pelo Ministério Público de evasão fiscal?  Sabe porque não recebe a Madeira 500 milhões de euros de fundos comunitários para combater a pobreza? Sabe que os nossos governos deixam estes vigaristas fugir aos impostos e branquear dinheiro sujo, incluindo criminosos internacionalmente perseguidos, porque isso inflaciona o nosso PIB? Mais de 2000 milhões de euros roubados a todos nós, ou seja: mais do que vai ser cortado nos ordenados da função pública  fazem parte das suas preocupações?

Ouça uma destas entrevistas com o autor de Suite 605. Vai ver que lhe dói, e não é pouco.

Antena 1 – Entrevista a João Pedro Martins

[vodpod id=Video.15725078&w=425&h=350&fv=]

via Andreia Peniche

PIIGS já se escreve com o agá de Hungria

Chegou (ou regressou) a Hungria, que acaba de pedir “ajuda” ao FMI. Com um governo de direita, fora do euro, a Hungria terá sido vítima de quê? dos mercados, da especulação e da crise internacional que provocaram, não foi que isso não existe. Deve ter sido bruxedo. Só pode.

Entretanto procurem bem pela notícia que encontrei por mero acaso. Está escondida, para ninguém saber. É segredo, tal como o facto de os mercados estarem a votar em Espanha desde ontem e Rajoy antes de tomar posse a ir da rajada.

Anonymous Portugal explicado a jornalistas

Esta é a resposta dos Anonymous Portugal a uma peça da SIC.

IRS 2011, aviso muito importante

Não se esqueça de preencher em pessoas a cargo:

Mercados financeiros e outros especuladores, BPN em particular e banqueiros em geral, Alberto João Jardim e respectivo séquito, ex-titulares de cargos públicos na reforma, ex-ministros trabalhando em parcerias público privadas, EDP,  empresários contemplados com contratos de prestação de serviços ao estado que o estado deveria assegurar pelos seus próprios meios, escritórios de advocacia contratados pelo governo, hospitais privados, colégios com contratos de associação, transportes privados subsidiados, governantes actuais quando passarem a ex-governantes e outros assaltantes não identificados.

(versão minha a partir de uma ideia que circula no facebook)

Passos Coelho foi ao Facebook

Deixar uma mensagem aos governados via Facebook, com os comentários mais ou menos abertos (há quem se queixe de ter sido apagado, mas pelo menos hoje não há lápis azul mais rápido do que a própria sombra) em princípio é uma boa ideia em termos de comunicação. O texto é um choradinho chovendo no húmido, uma tentativa pobrezinha de mostrar o lado humano do governador, no fundo o que interessa é que enquanto o pessoal comenta ocupa a raiva e não anda a partir montras.

Financeiramente falando isto vai implicar uns assessores a trabalhar por turnos pelo menos nos próximos dias. É caro, mas enquanto estão ali sempre ficam entretidos e não se metem na dróga.

Alterne espanhol

Hoje houve alterne no estado vizinho, procedendo-se à rotineira troca de moscas (pese que a mosca que estava teve alguma decência na reabilitação da memória histórica).

Além de registar os bons resultados da esquerda basca, a despeito da repressão do estado central e do facto de por vontade dos neo-falangistas nem concorrerem, e das esquerdas em geral, hoje é um bom dia para anotar a euforia da direita neo-salazarista, entretida como anda na culpabilização dos governos que estavam por uma crise que é internacional (esquecem-se sempre da Grécia, da Irlanda e da Itália, mas a verdade é uma meia que eles lá calçam à sua maneira). Deixem-nos ficar felizes com a vitória de um partido de narcotraficantes, passa-lhes num instante. Com o último dos PIIGS à beira do abismo bem depressa teremos a vizinhança ainda pior do que está e a Goldman Sachs já deve ter um substituto na forja.

O Conto deste Natal

E agora boas-festas, Feliz Natal, e um Ano Novo cheio de necessidades…

Briooooooosa! Momento duplo de felicidade

Primeiro pela Académica, que volta a fazer Taça. E depois pelo FC. Porto, que tem oportunidade de se livrar já do Vítor Pereira. Ainda o bónus de gozar com os fanáticos benfiquistas que insistem em chamar à Académica Porto B. Académica é A, sempre A e C de Coimbra.

Claro que também se pode teorizar sobre como a Académica ganha uma eliminatória correndo o risco de perder o treinador, mas agora só me interessa a próxima eliminatória. Ao Jamor, e vingar 1969 em 2012. Vamos a isso.

O símbolo da ignorância dos jornalistas da Sábado

Disto se diz: ir buscar lã e sair tosquiado.

Para quem não estudou química: símbolos têm os elementos naturais, a água é composta por dois e portanto tem uma fórmula.

Numa reportagem falsificada sobre a ignorância dos estudantes universitários (que a há, e sempre houve), é obra. Com o mesmo rigor posso atestar que em 1985 dois finalistas de História escreveram numa frequência froid por Freud, é só um exemplo e se pegarem em livros de memórias de antigos estudantes de Coimbra encontrarão referências a várias patacoadas similares. Nisto discordo do Miguel Cardina: não é por se ter massificado que a universidade passou a ser frequentada por ignorantes (quanto muito há mais em termos absolutos), sempre uma houve uma boa percentagem que não lia, se limitava a marrar sebentas e a andar por aí. Alguns chegaram ao topo das suas profissões, ou por exemplo a deputado: a um vendedor de banha da cobra não se pedem conhecimentos de medicina…

Feriados: o 5 de Outubro e o tratado em Zamora que não é nenhum tratado

A importância de ter um feriado na data em que Portugal se refundou, deixando o medieval tempo dos soberanos por direito hereditário derivado da imprevidência divina, nem precisa de mais explicações. A I República teve os seus defeitos mas temos com ela a virtude de bem ou mal eleger quem nos governa, após 48 anos de interregno.

Há contudo outro 5 de Outubro, para quem tem da História a visão do Estado Novo: revisionismo, mentira e efabulação. É o caso dos que julgam comemorar nessa data o aforismo fascista do “quem não sabe a data de 1143 não é bom português” e dizem comemorar o “Tratado de Zamora“. Ora vamos lá ver, o Tratado de Zamora muito simplesmente não existe e nem é provável que tenha existido.

A 4 e 5 de Outubro de 1143 teve lugar em Zamora um encontro entre Afonso Henriques, Afonso VII e o Cardeal Guido de Vico, legado do papa Inocêncio II. Após o episódio de Arcos de Valdevez (1140) e mediado por João Peculiar “os dois primos assentaram na cessação das hostilidades“.

É este um episódio determinante na fundação de Portugal? nem por isso. [Read more…]

Versos anibais

Primeiro levaram o Oliveira e Costa
Mas eu não me importei,
porque não era presidente do BPN

 

Depois, apertaram com o Dias Loureiro
mas eu não me importei,
porque não era da SLN, nem tinha negócios offshore

 

Depois prenderam o Duarte Lima
mas eu não me importei,
porque nunca conheci a secretária do Tomé Feteira…
nem cometi (há o caso das acções e da Coelha… mas que diabo…) fraudes no BPN

 

Agora, estão a subir a escada…
estão a bater-me à porta…

 

E quando percebi
Já era tarde!

Da autoria do Samuel, que bem os podia cantar, embora não seja fadista.

Jorge dos Santos é um cidadão livre e George Wright gozou com o FBI. Bem feito

Discutindo com a primeira tentativa de democracia moderna do planeta, os EUA, é bom vermos que em Portugal a justiça às vezes funciona. Justiça não é perseguir um cidadão por pura vingança. Justiça não existe no país onde a raça determina a condenação e acima de tudo onde a pena de morte se pratica. O FBI, a polícia política que até os seus presidentes intimidou, perseguindo a sua vida privada, dançou o vira. Desapontem-se, pois então.

Bem vindo a Portugal na condição de cidadão finalmente livre Jorge dos Santos. Tu e a tua família bem o merecem.

E já agora, de quando em vez ter abraçado uma causa justa que ganha, sabe bem.