Presença portuguesa em Marrocos

Esfera armilar

Esfera armilar existente na fachada do Castelo do Mar de Safim

“Um reino português em Marrocos era sonho irrealizável com os nossos parcos recursos em gente e dinheiro”. (LOPES, 1989, pág. 12)

Esta frase de David Lopes espelha uma realidade constante durante os 354 anos que durou a presença portuguesa em Marrocos, marcada pela existência de praças-fortes isoladas, dependentes dos abastecimentos do exterior, constantemente ameaçadas pela hostilidade do território envolvente, como tão bem exprimiu ao afirmar também que “não vemos (…) D. Henrique fechar os olhos às realidades e querer conquistar um país que Portugal, de pouca população e pobre, não podia abarcar. Um realista como ele sempre se revelou não podia ter tão estulta pretensão; e se algum dia teve esse sonho, filho da inexperiência primeira, deve ter acordado dele quando o mar imenso se começou a abrir diante das suas caravelas. Os perigos eram aí, afinal, menores e as vantagens maiores”. (LOPES, 1989, pág. 12) [Read more…]

religião, confissão do medo – III parte

3.1- Algumas ideias finais. IIIª Parte

Como é natural, há mais confissões espalhadas pelo mundo inteiro. Todo o ser humano tem necessidade de ajuda quando a vida é dura e não há outra alternativa na vida material, excepto acudir a essas outras formas materiais, criadas pelo ser humano, a religião. É esse o motivo da minha grande dúvida no início do texto: confissão de medo ou do medo. Decidi-me pela derradeira para discorrer ideias com a minha análise, que devia ser um livro. Um exemplo específico para mim foi o de uma tese de doutoramento que orientei sobre os Ismaelitas. Enquanto lia os papéis para escrever este texto, encontrei esse nome, a Índia toda caiu sobre mim. O candidato nunca acabou a tese, por preguiça, pelo que lhe solicitei ir embora – e embora foi, até com o seu nome, que entretanto esqueci. Mas, aprendi imenso sobre os Ismaelitas e agradeço: visitei os seus sítios de trabalho, comi nos seus restaurantes, ensinaram-me as suas crenças. Em honra aos seus membros, embora breve, direi apenas esta ideia: Os ismaelitas, por vezes grafado erroneamente Ismailismo, é uma doutrina religiosa considerada como um ramo dos xiistas. Os adeptos dos ismaelitas são também designados como septimámicos em

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religião, confissão do medo-II parte

La Pietá, Michelangelo Buonorroti, 1494

2.- Confissão do medo. IIª parte

Duvidei. Duvidei e volto a duvidar. Não da divindade[1], mas sobre se uma qualquer Confissão é de medo ou do medo. Caso escolha a primeira opção, não tenho outra alternativa que desorientar o leitor de que os seus sentimentos de fé ou Confissões foram organizados para assustar os seres humanos da sua divindade. Se escolher a segunda alternativa, é-me possível explicar o que tenho observado em trabalho de campo. Um dia, um rapaz sem trabalho, deslocou-se ao centro de emprego para se inscrever na lista dos sem trabalho. Acendeu uma vela. Como faria um antropólogo qualquer, perguntei porquê. Respondeu de imediato: para pedir pelas almas dos meus defuntos Bem sabia eu que não era assim, era pelo medo que tinha de não obter uma resposta positiva. A anima rogada era ele próprio e seu medo do insucesso. Foi e voltou sem nada, endereçou-se à vela e disse com raiva: vela maldita que nada fizeste por mim, e apagou-a. Lá foram os seus defuntos e as suas almas rogadas! Queria cobrar ânimo, valor. [Read more…]

Pagando produções fictícias


Imaginemos algumas situações que hoje, qualquer bípede julgaria caricata:

1. Estando vivo até uns anos depois de 1974, o governo português convida António Lopes Ribeiro, para a realização de uma mini-série sobre a tomada do poder pelos militares e a consolidação da 2ª República sob a direcção de António de Oliveira Salazar.

2. Em 1955 e decorrida uma década após o desaparecimento do III Reich, a recentemente constituída República Federal da Alemanha, contrata Leni Riefenstahl e Wolfgang Liebeneiner, com o fim de passarem ao cinema, a tomada do poder por parte do NSDAP de Adolfo Hitler.

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Influências do Português na Darija Marroquina

Musicos de rua em Essaouira

Músicos de rua em Essaouira

A Darija Marroquina é o dialecto Árabe Magrebino falado correntemente em Marrocos. Apesar de apresentar algumas diferenças regionais, fruto da grande diversidade cultural e geográfica do país, a crescente normalização do modo de vida e a progressiva influência dos média tendem a contribuir para a sua uniformização.

A Darija Marroquina é um dos muitos dialectos falados no Mundo Árabe, com as suas especificidades, resultantes de factores históricos e geográficos. O relacionamento entre as populações dos actuais territórios de Portugal e Marrocos deixou inevitavelmente a sua marca no dialecto Árabe falado em Marrocos, mas a sua percepção não é clara nem se encontra devidamente esclarecida, fruto da falta de um estudo científico e rigoroso sobre o assunto. [Read more…]

o bicentenário da independência da República do Chile

Chile, um país que se inventa dia após dia, como diz Isabel Allende

Tenho a premonição de o Chile ser uma República desconhecida, ou conhecida pelos acidentes políticos e criminosos acontecidos no século passado. É natural, o povo português colonizou a África e a Índia, mas, na divisão das novas terras, apenas lhe coube uma pequena parte, o Brasil. Todas as restantantes colónias foram arrebanhadas pela coroa do Reino de Espanha. O Século XVIII foi a época em que espanhóis e portugueses decidiram fixar fronteiras entre os diversos grupos nativos que tinham conquistado. Uma conquista sem honra nem glória. Contrariamente ao acolhimento dado pelas etnias indígenas, que pensavam tratar-se da chegada de deuses que iam beneficiar os seus povos, estas foram feitas escravas, servidoras e sem as suas terras que passaram a ser propriedade das coroas de Espanha e Portugal. Foi assim que a hoje América Latina, foi organizada. A justificação para tanta pilhagem e roubo, surge por motivos religiosos: as etnias que as habitavam tinham de ser cristianizadas, baptizadas e conhecer a doutrina da Igreja Romana, quisessem ou não. Para traçar os limites desta pilhagem de pessoas e terras, Portugueses e Espanhóis solicitaram ao Vaticano que adjudicasse terras às coroas de tão triste conquista. [Read more…]

Carro eléctrico, electricidade-fóssil

Em 2007, a capacidade de produção eléctrica foi a seguinte:

Capacidade de produção eléctrica - Portugal

e na Europa a 27 foi (clicar para aumentar):

Capacidade de produção eléctrica - UE27

Fonte: Statistical pocketbook 2010 (site, PDF, XLS)

Portanto, quando se fazem títulos como este «Carro eléctrico: adeus século do petróleo, olá século da electricidade?», ou quando se decide avançar com projectos megalómanos de redes de abastecimento eléctrico ou quando um primeiro-ministro resolve falar de uma prometida revolução com o carro eléctrico, é preciso não esquecer que

  • mais de 50% da actual produção eléctrica nacional (e europeia também) provem da queima de combustíveis fósseis, com as consequentes emissões de CO2 e dependência energética do exterior;
  • se todos os carros deixassem de queimar combustível para gastar electricidade, simplesmente estaríamos a transferir os actuais problemas dos carros para as centrais termo-eléctricas (para aumentar a capacidade produtiva) e possivelmente ainda haveria questões como a capacidade da rede de distribuição eléctrica e da respectiva eficiência;
  • além de não resolver os problemas energéticos e ambientais, o carro eléctrico vem ainda criar um novo: o da reciclagem das baterias (produto de elevado perigo ambiental);
  • finalmente, a adopção de tecnologias embrionárias tem o elevado risco de se escolher as que não vingam (que o digam, por exemplo, os que apostaram no formato vídeo betacam ou no HD DVD) e de poderem ser caras e com baixo rendimento.

Não tenho grandes dúvidas sobre um futuro com o carro eléctrico mas aposto que não o veremos em massa com as actuais tecnologias. Enquanto uma alternativa prática aos combustíveis fósseis não for encontrada, estes ímpetos modernistas não passam de um frisson para embelezar programas eleitorais.

Leituras adicionais:

O Estado-providência segundo TONY JUDT

 

Do legado do historiador e académico Tony Judt, falecido em Agosto passado, julgo oportuno, nesta hora, destacar a obra “O Século XX Esquecido”. A determinado passo da introdução, ‘O Mundo Que Perdemos”, Judt escreve:

…foi o governo do tempo de guerra de Winston Churchill que encomendou e aprovou o Relatório de William Beveridge (ele próprio um liberal), que estabeleceu os princípios de fornecimento da providência pública: princípios – e práticas – reafirmados e garantidos por todos os governos conservadores até 1979.

No parágrafo imediato, prossegue:

O Estado-providência, em suma, nasceu de um consenso transpartidário do século XX. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e os outros  pré-requisitos de uma ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século XX mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século XIX.

A dissipação do papel social do Estado, histórica e substantivamente definido por Tony Judt, é consabido, tem sido protagonizada pelos governos da Europa Ocidental, nas últimas duas décadas do século XX e primeira do século XXI – protagonismo a que se associa um processo desgovernado de globalização.

O Mundo transformou-se, com a queda natural da União Soviética. Na Europa de hoje, o equilíbrio adequado entre a iniciativa privada e o interesse público define-se ainda sobre uma linha muito ténue e amovível segundo os interesses de poderosos. A ‘economia (desregulada) do mercado’ e o avassalador domínio do ‘sistema financeiro internacional’ geraram a dinâmica da calamidade social denunciada há dias em Oslo pelo director-geral do FMI, Strauss-Khan. [Read more…]

O Saldanha em betão


O escabroso, atinge as raias do ridículo. Quando há mais de um ano foram colocados os conhecidos painéis camarários com o já clássico “projecto em avaliação”, pensei que o Saldanha decerto perderia mais um conjunto de edifícios construídos na passagem do séc. XIX para o séc. XX. Pelos vistos, não me enganei.
A somar-se ao abjecto “Monumental novo”, ao suburbano Atrium Saldanha e à ignóbil miséria que é o edifício riscado por Taveira, a Câmara Municipal de Lisboa prepara-se para mais uma intervenção digna de ser classificada como simples banditismo urbanístico. As duas fotos, valem a revolta.
No local destes dois prédios, erguer-se-á uma montanha de betão, feia, do traço mais vulgar que possamos imaginar e que se destina a ser um hotel ao estilo do horrível Sana, na Fontes Pereira de Melo. Pobre Fontes, se soubesse para que serve o seu nome! Mais a poente, no Largo do Rato, voltará à discussão o famoso projecto do “mamarracho da esquina”, obra ao estilo da Organisation Todt, digna das defesas alemãs na Normandia. É a completa, intencional e criminosa descaracterização da Lisboa do liberalismo. Não apresentarem tal feito como contributo à centenária, já é por si, uma originalidade. Ou será esquecimento?
Dinheiro, dinheiro, dinheiro, mais ignorância, mau gosto e estupidez. Que gente…

porque Allende teve que correr tanto

a honestidade de Salvador Allende reflecte-se no seu rosto

…resposta ao comentário de Luís Moreira….

Estes dias foram de debate em muitos sítios e páginas pessoais da internet. Foi um fim-de-semana de muitas lembranças e comemorações públicas e pessoais. Como é natural, as pessoais são de quem tem essas memórias íntimas. As públicas, para contestar, debater ou responder. Sinto-me no meio das duas. Não há memórias pessoais não vinculadas às memórias públicas. Se assim não fosse, não seríamos seres sociais, que, queiramos ou não, orientamos a vida pelas pautas da cultura, sendo cultura hábitos, costumes, idioma, comportamento adequado às circunstâncias, boa educação, simpatia, solidariedade, entre ajuda e outros hábitos que fazem de nós, pessoas. Habituamo-nos a uma forma de ser, comportamento que orienta as nossas vidas de uma forma quase inalterável, quer individualmente quer em grupo.

Quando muda o hábito, o grupo social fica desnorteado, não sabe qual forma de agir deva adoptar. No caso de Allende, houve uma mudança sem transição, passagem de um lugar, assunto, tom ou estado para outro. Isto foi o que aconteceu com o Governo de Salvador Allende.

Como se sabe, o Chile é um país com uma larga percentagem de classe média, essa classe que tem aprendizagem, habilitada para assuntos profissionais ou de ofícios que rendem dinheiro, ofícios e profissões que permitem um certo lucro, que, poupado, pode ser investido em bens que incrementam o capital de uma pessoa. Classe média que

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último discurso de Salvador Allende

con su discurso del Palácio Presidencial a arder, Allende evitó guerra civil

Amigos míos:

Seguramente esta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación.

Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron… soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino que se ha auto designado, más el señor Mendoza, general rastrero… que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha nominado director general de Carabineros.

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Lautaro. Política indigenista. Bodes expiatórios

com um Lautaro líder, o povo Mapuche não era perseguido pelos Huinca

Gritam os Mapuche desde o centro do Chile: pulchetun… pulchetun… Esta palavra, na língua dos “hombres de la tierra: mapu-che”, quer dizer: faça deslizar a flecha mensageira. Para quem escreve, a mutação da palavra flecha é para chamar à atenção para mais uma das incontáveis dores que o povo originário chileno está vivendo. Desde o dia 13 de Março, um grupo de quatro pessoas, três delas Mapuche, vivem uma greve de fome. Passam mais de cinquenta dias e a situação chega a seu ponto crítico, visto que a partir do primeiro de Maio, os quatro decidiram nem beber água. A vida se esvai e muito pouco está sendo feito para denunciar o terror.

Os grevistas são prisioneiros do Estado, acusados de terem incendiado instalações de uma empresa florestal multinacional. A empresa é responsável pela destruição das florestas e da vida do povo Mapuche que é, afinal, o guardião de Mapu (a terra) e por isso, têm como responsabilidade cuidar de tudo o que fazem com ela. Mas, lá, no Chile, quem virou vítima é justamente quem destrói Mapu e não quem luta para proteger a vida.

Perante esta situação, apenas é possível gritar pulchetún, envie a flecha mensageira a Lautaro o para um como ele., nos tempos de hoje…podia salvar a Pátria e a Nação Mapuche, como fez o Lonco Lautaro no seu tempo – Rei em Mapudungum, a língua da terra em português.

Parece uma lenda mas é uma verdade que não se duvida. Duvidar da existência de Lautaro, e dos Lautaro de hoje, seria duvidar da forma heróica em que se defenderam os Mapuche do Chile da sua habitual liberdade Bem sabemos que o Chile foi a derradeira colónia organizada pelos conquistadores hispânicos, na hoje denominada América Latina.

 Foi fundada por Pedro de Valdivia apesar de ter ser descoberta antes por Diego de Almagro em 1535. Mas achou o país pobre e perigoso e não havia a riqueza em ouro que ele pensava encontrar. Bem se sabe que estes espanhóis não eram soldados, eram convictos espanhóis que andavam a pilhar. Valdívia não, era de profissão soldado do Rei da Monarquia Espanhola. Sabia o que fazia.

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la nación mapuche y su história

bandera mapuche

Me parece muy difícil escribir en pocas líneas, lo que está anunciado en el título. Mis primeras impresiones de los Mapuche, aparecieron en mi entendimiento y sentimiento por causa de una nana que tenía y se encargaba de mí, de mi limpieza, de mi saber comer, de que no me ensuciara porque era mal visto, que aprendiera a usar toda la vajilla y cuchillería, difícil de hacer: eran tantos y todos diferentes para las diversas comidas. En síntesis, saber usar la vajilla para poder comer en la mesa de los adultos. Éramos cinco hermanos y hermanas, y con el aprendizaje de tan difícil trabajo, quien aprendiera primero, podía sentarse en la mesa de los adultos. Nosotros los niños, comíamos en el repostero, que en portugués llaman copa. Los papás, en el comedor, bien servidos y mejor tratados.

No cuento esta parte de la historia por orgullo, es con vergüenza que hablo. Existía la idea entre el pueblo chileno, de que los nacionales Mapuche eran para servir, ser inquilinos, que no debían saber leer ni escribir para que no se sublevaran y atacaran a los Huinca, palabra Mapungun, su lengua, que significa en castellano el habla de la tierra, e Huinca, los extranjeros, que éramos nosotros, los chilenos. Bueno, eso de extranjero, en nuestro caso se aplicaba como realidad: hijos de españoles, Chile no era nuestra tierra, a pesar de que con los años allí vividos, desde la conquista del país, robado a los Mapuche, eso de ser chileno era una alegría. Especialmente cuando íbamos a nuestras tierras, trabajadas por Picunche, un clan de los Mapuche, que trabajaban por nada: se les daba un trozo de tierra que debía ser  trabajada por su familia, en cuanto el hombre de la casa debía servir en la casa y tierras del patrón.

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"Memórias de Moçambique"


Pintura documental, na qual se retrata as derradeiras décadas da soberania portuguesa em Moçambique: a vida administrativa, económica, familiar, usos e costumes de colonos e populações nativas.
Exposição a ser inaugurada a 11 de Setembro, pelas 16.00h no Palácio dos Aciprestes, Fundação Marquês de Pombal, em Linda-a-Velha
Av. Tomás Ribeiro 16

“Ana Maria (Plácido Castelo Branco Graça Ferreira) nasceu no povoado Errego, sede da circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então colónia portuguesa de Moçambique, a 27 de Abril de 1933. É filha de Arlindo Dias Graça, por sua vez filho de um brasileiro, proprietário, de Ouro Preto (Minas Garrais) e de uma portuguesa de Valadares (Vila Nova de Gaia); a Mãe, Alice Augusta Castelo Branco, nasceu em S. Miguel de Seide (Famalicão) naquela que é hoje a Casa-Museu Camilo Castelo Branco sendo, por esta via, bisneta de Camilo Castelo Branco e de Ana Plácido. O Pai, funcionário administrativo, era um curioso amante das artes e na família materna há vários artistas amadores, quer de Pintura, quer de Escultura.
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Linha do Tua – ex-maravilha?

Hoje terça-feira, à meia-noite, termina a votação para as “Ex-maravilhas de Portugal”.
É a nossa última oportunidade de votarmos na “Linha do Tua“, como forma de protesto pela ameaça da construção da barragem do Tua, que destruirá a Linha e o Vale do Tua. Temos que usar todos os meios para divulgar e impedir este crime patrimonial e ambiental.
Mesmo tendo votado nos últimos dias…pode votar de novo! Contamos consigo!
O Rio Sabor e a Praia dos Cavacos disputam o primeiro lugar, bastante distanciados dos seguintes. No entanto, faltam pouco mais de 500 votos para que a Linha do Tua se encontre entre as três candidaturas mais votadas. Vote na Linha do Tua!
Incentive os seus amigos a conhecer a causa do Tua e a votar igualmente “Linha do Tua”.
Obrigada pela participação na defesa da Linha e do Vale do Tua!

o crescimento das crianças (5ª parte – o que sou)

entre os Picunche, linhagem patriarcal, a autoridade é da mulher.

 

 Queira o leitor lembrar de que gostava de debater, enquanto transfiro parcialmente para si meus dados de trabalho de campo, pelo menos dois assuntos centrais. Um, é que as crianças que crescem, o fazem na medida de que a memória social impinge a sua memória individual. É dizer, que a criança que temos em frente a crescer, é resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo que a criança vive e que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, a traves da Historia, ou com outros povos a traves também da Historia, é o que faz o que sou. Um segundo assunto, é que esta racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada também, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm tido experiências diversificados, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na Historia do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula. Eis que tenho levado ao leitor ao longo de tempo, para trás e para frente, como a linguagem Internet permite, reiterando casos e a abrir lentamente as historias, em torno ao elo processual que Victoria, Pilar e Anabela, estruturam do processo racional da reprodução social. Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano prolongado para mim, porque os Picunche os conheci sempre, os de Vilatuxe faz trinta e cinco anos hoje, e os de Vila Ruiva, vinte e dois. E queira o leitor entender que somos poucos a estudar à criança como entidade humana que entende e aprende e não é um problema a resolver. Os adultos procuram que a criança seja um adulto em pequeno,

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o crescimento das crianças – quando era (4ª parte)

Mapuche vestidos a rigor, como veste o clã Picunche en ías de festa

A-Victoria

Os Picunche eram denominados Promaucaes pelos conquistadores, no século XVI. Na altura que os Castelhanos foram ao país frio, o Chile dos Quechua. Promaucaes para os Quechua, esses habitantes do hoje Peru, esses inimigos imbatíveis, impossíveis de conquistar nas guerras índias (Villalobos, 1974; Lizana, 1909; Ovalle, 1646 Pedro de Valdivia, 1545-1542). Os purum auca, os inimigos imbatíveis para os habitantes do norte do sul do hoje continente americano. Os que dançam, para os Castellanos, os que se divertem, para quem fez uma enganada tradução mapudungun das palavras. Puru, feliz para os Mapuche e para os que Mapuche têm querido entender. Para os Mapuche Picunche, são pessoas do Norte, donde che é pessoa, e Picun, Norte. Habitantes do Norte. Do Norte do rio Choapa, que separa os lugares nos quais viviam (ver mapa das etnias na Net). Até Valdivia entregar as terras dos nativos, aos invasores,

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O crescimento das crianças- 3ª parte (II) – Foste feito

cacique picunche, o rei de uma aldeia, hoje jornaleiro para sobreviver

Foste feito, eu existo. Como era.

Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocamos nas suas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?

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o crescimento das crianças – Tempo e ciclos (3.ª parte – I)

nativo Mapuche,Chile-Argentina, membro do clã Picunche, Chile

B- Tempo

 

Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962), todos eles mestres meus também-, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao saber personalizado, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso. Há já dois irmãos e uma irmã, bem mais velhos do que ela, quando ela aparece na História. Germanos, como em Antropologia denominam aos irmãos. Germanos, que já

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o crescimento das crianças (introdução)

a escola era uma sala da paróquia.Vilatuxe cresceu, e escola também

Introdução

 

1 Durante os anos 1995, 1996 e 1997, fiz trabalho de campo entre os Picunche do Valle Central do Chile. Do que fica dos Picunche. Hoje são a memória de costumes que não têm explicação para eles. E não se denominam Picunche, eles próprios: ou são proprietários, ou inquilinos, ou pessoas habilitadas pelos seus estudos superiores, como se pode ver das genealogias que construí no trabalho de campo. Conheci aos Picunche em criança, de forma diferente a como os conheci em adulto, ou em criança adulta. Eram para mim, pessoas habituais. Até para mandar em elas. Anos mais tarde, saí do Chile e não voltei durante trina e três anos. Em 1994 fui oficialmente convidado a visitar o País e dar cursos e conferências. Retornei á terra que conhecia no Valle Central, terra na qual tinha vivido por dois anos e meio em 1971, até esse Setembro trágico de 1973, que me devolveu á Inglaterra. Ver essa terra outra vez, foi uma emoção. Visitei o Concelho de Pencahue, da Província de Talca e encontrei um arquivo deixado pelos espanhóis, que se tinham apoderado do País em 1542. E a minha visão mudou. A minha visão ia já mudada. E entendi aos Picunche, como nunca o tinha feito antigamente. Resultado de esse entendimento, sã as notas que escrevo em este texto. Em conjunto com as notas que fiz de Vilatuxe, a aldeia Galega que tinha estudado a partir dos anos setenta. Fui vinte e cinco anos depois.  E entendi Vilatuxe de forma diferente, como o digo em estas notas. Os anos mudam ás pessoas. As políticas mudam os contextos. Entretanto, não abandonei Vila Ruiva, em

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A Honestidade Intelectual do Expresso…

É pena, chega a ser triste.

Aos poucos, de um jornal de referência que, escrevendo algo logo se acreditava que seria verdade, se vai chegando a um jornal que, escrevendo algo, logo se acredita que muito provavelmente tem gralhas ou omissões. E as omissões não são gralhas ou lapsos…

Aconteceu que o Expresso publicou uma galeria online com o sugestivo título “Viagem ao Douro dos anos 50, sem barragens“.

O título é verosímil. Os autores da peça apenas se esqueceram (terá sido omissão ou gralha?) de referir quer a origem quer a data das fotografias ali publicadas. Não são – de todo! – imagens da década de 50 do século XX. São antes fotografias de Emílio Biel a quem a então Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (legítima predecessora da actual CP EPE) encomendara o acompanhamento fotográfico da valerosa e insana construção da Linha do Douro (1873-1889), Porto a Barca d’Alva, numa extensão aproximada de 200,5 km. Portanto, algumas fotografias têm mais que 60 anos, têm 137 anos.

Com efeito, nos tais “anos 50, sem barragens” a que alude o documento, e ao contrário do mostrado nas fotografias, já toda a linha do Douro tinha balastro (pedra) na via, algumas das estações tinham já sido largamente ampliadas e algumas das pontes ou viadutos tinham sido substituídos: tal é o caso do Viaduto da Pala (na imagem acima) (outra imagem de 1972, máquina a vapor com carruagens metálicas de fabrico suiço Schindler).

Ainda, e ao contrário do que o texto advoga, os “investimentos em barragens” não foram o sinónimo de se terem feito estradas “e melhoram-se as acessibilidades” porque muitas das estradas ribeirinhas (naturalmente sinuosas – são centenárias embora não tão antigas como o caminho-de-ferro). Portanto, se “ficou mais fácil circular junto ao vale do Douro vinhateiro, hoje património da humanidade” tal se deveu muito, e na maior escala, à chegada do comboio e não às barragens. Pormenores! Tanto mais que ninguém vem quotidianamente trabalhar da Régua para o Porto de barco…

E a patranha continua: “com mais energia verde e com novas acessibilidades junto a esses empreendimentos.” Esta afirmação é feita com base nos latos benefícios que o Douro (ele próprio) tem recebido como contrapartida da exploração da sua riqueza?? É que desde os tais anos 50 não se tem notado. Agora andam todos aflitos a dizer que sim, agora é que vai ser progresso para o Douro… já são os jornalistas do Expresso a dizê-lo, deve ser verdade.

Veleiro não entra!


Aqueles que extensivamente utilizam a subversão armada no sudeste asiático e exploram mão de obra semi-forçada ou em semi-escravatura, recusaram a entrada em Macau, ao navio-escola Sagres.

A primeira questão a colocar, consistirá saber se tecnicamente sendo um navio de guerra, o Sagres fica sob a mira do articulado legal chinês que proíbe navios militares estrangeiros de atracar na “região especial”. Assim sendo, as autoridades de Pequim terão o Direito do seu lado.

A segunda interrogação, talvez de mais difícil resposta, reportar-se-á aos meandros diplomáticos e neste momento, não podemos vislumbrar se por detrás desta decisão aparentemente extemporânea e até ridícula, se esconderá qualquer quid pro quo luso-chinês. Mais tarde ou mais cedo se saberá.

A terceira questão, poderá ter uma certa relação com a situação interna em Macau, onde afinal, os iniciais entusiasmos pelo “regresso à pátria mãe” terão esfriado ao longo dos anos. Pois isso está mesmo a acontecer. A presença do Sagres III em Macau, trará à memória, os tempos em que para todos os efeitos a cidade era praticamente independente, gozava de uma grande prosperidade e a liberdade de expressão não era mera retórica para colocar olhos em bico. O que terão agora os decisores de vontades alheias – aqueles que em Lisboa entregaram Macau sem consulta popular – para dizer em público? Provavelmente nada, pois nem sequer saberão apontar no mapa, a situação geográfica do antigo território sob administração portuguesa.

Preferimos acreditar na primeira hipótese.

No fim de contas, os pequineses fizeram mais um grande “negócio da China”. Como no dia do hand-over dizia um atónito locutor da televisão tailandesa, no século XVI os chineses entregaram um lugarejo numa praia vazia e receberam-no de volta, transformado uma bela cidade pujante de vida e de riqueza. Com aeroporto, além de tudo e mais alguma coisa.

O Quebra-ossos

(Como prometido, aqui vai o segundo mail da Dra. Andreia Dias, distinta bióloga, minha amiga).
 
 
 
 
 
 

 

(abutre Quebra-ossos)

(Quebranta 1)

 

 
Boa noite!
Peço desculpa pela demora na resposta, mas o fim-de-semana no dia 15
de Agosto reunimos sempre a família na aldeia dos bisavós na Beira. Só
agora cheguei a Évora e pude dar uma vista de olhos no e-mail. 

Tenho muito gosto que use as minhas fotos e se não se importar, depois
gostava de ver os seus blogs 🙂

Já que apreciou as minhas fotos, vou atrever-me a enviar mais 🙂

Envio fotos de uma ave que eu acho espantosa. É o quebra-ossos, um
abutre que se alimenta exclusivamente de ossos. Já existiu em
Portugal, julgo que o último (ou um dos últimos) exemplar se encontra
taxidermizado no Museu de História Natural de Coimbra. Foi extinto
pelos caçadores… o animal que tenho nos braços é uma fêmea que foi
baptizada com o nome de “Andreia”. Capturámos e colocámos um emissor e
voou nos céus dos Pirinéus entre Março de 2009 e Setembro do mesmo
ano, altura em que morreu por disparo… de um caçador. E casos como
este ainda ocorrem frequentemente… não tenho nada contra os
caçadores, até já trabalhei com eles 2 anos directamente e continuo a
trabalhar de uma forma menos assídua. Mas realmente concordo que
deveria haver uma “re-educação” que é quase impossível… mas isto
daria uma outra conversa 🙂

Voltando ao Quebra-ossos, esta é uma ave extremamente ameaçada, e
existem programas de reintrodução (por exemplo na Andaluzia). A
plumagem dos jovens é diferente dos adultos, vai mudando
progressivamente. A “Andreia” que tenho nos braços é adulta e pesava
5, 500 kg.

Um grande beijinho e até breve,

Andreia

A águia, o milhafre e a borboleta

(Recebi dois mails muito interessantes, que resolvi transformar em posts, com a devida autorização da Andreia. Este é o primeiro. As reticências significam que suprimi algum texto. Amanhã publicarei o segundo).
Dr. Adão:
 
Sou a Andreia, de Arouca,  bióloga e trabalho com águias de Bonelli. Estive no seu consultório em Julho passado e fiquei de lhe enviar fotografias das belezas que vou vendo nesta nossa encantadora Natureza. Peço imensa desculpa por só agora o fazer, mas como ando sempre a saltar de terra em terra, tinha deixado o seu contacto em Arouca.    (…) e já me sinto muito melhor. Estou cheia de energia para lutar e rapidamente voltar a estar apta a subir montanhas e fazer a minha vida normal.
 
Em anexo envio uma foto de uma águia de Bonelli que capturámos em Maio para colocação de um emissor/GPS. Pode ver o site do projecto em http://www.ceai.pt
 
Um milhafre-real que fotografei nos Pirinéus no ano passado, mas que existem também em Portugal. Eu estava num abrigo de um alimentador artificial de abutres e o milhafre apareceu para se alimentar também.
 
Por último, uma borboleta que fotografei em Fornos de Algodres. Foi a 2ª que vi, tendo sido a primeira observação no Gerês, onde trabalhei alguns anos. É uma “pavão-diurno” que põe os ovos nas urtigas.
 
Espero que aprecie.
 
Um abraço e até breve,

Andreia
P.S. Comprei e já estou a ler o livro ” O espectáculo da vida ” de Richard Dawkins e é realmente fascinante. Obrigada!

(Águia de Bonelli)

(Milhafre real)

(Inachis io)

Um país que arde…

portugal queimado

O Xarajib de Silves

Santi Palacios

Uma visão das “Mil e Uma Noites”. foto Santi Palacios

“O palácio do Xarajibe, de Silves, foi, no Ocidente, uma autêntica visão das “Mil e uma Noites”. Cantaram-no os poetas com o mais alto requinte, adornaram-no os artistas com obras de estranho lavor, celebraram-no os historiadores, como encantadora residência principesca. Dessa harmonia chegam até nós os ecos apagados, num suave murmúrio…E o Xarajibe esplende, de novo, rebrilhando em vivos fulgores. Ficaram célebres as suas noites de festa e de música, de poesia e de dança, de encantamento sem par; as suas tardes suaves e mornas, de doces afagos, de reflexos violetas e de branda penumbra; os seus dias claros e ardentes de tragédia e de luta, em que os pátios e os mosaicos das salas se tingiram do sangue da vingança e do crime; as suas madrugadas de terrores, de suspeitas e de alucinações; as suas manhãs de iluminura, aureoladas pela esperança de novas e felizes alianças; as suas horas de fogo e de guerra, em que tudo se joga e tudo se ganha ou perde. Evocar o Xarajibe é evocar uma época, um estilo de vida _ a época e o estilo de vida dos luso-árabes.”

In “Atlântico” por José Garcia Domingues (DOMINGUES, 1997, pág. 155) [Read more…]

Blasfemando


No Blasfémias, Helena Matos chama-nos a atenção para um texto de JMF, apontando as razões pelas quais existem tantos incêndios no nosso país. Como se fosse preciso recorrermos aos bons ofícios de JMF, para destrinçarmos as causas das calamidades de verão. Já há mais de quarenta anos, anda Ribeiro Telles a apresentar as falhas, as negociatas, os crimes, o desleixo e principalmente, as urgentes soluções para o reordenamento do território. É este o problema fundamental que arrasta atrás de si todos os outros, desde a desertificação, liquidação dos recursos agrícolas, deterioração das águas e até, a própria estrutura política de um Estado, sem rei nem roque. Neste país onde existem “comissões ad-hoc” para tudo e mais alguma – invariavelmente “encartes” para amigos, amigas e primos e primas, camas e mesas várias -, Telles sabe o que diz. Tem um projecto e faltam apenas, os poderes para o executar.

Tenho JMF em boa consideração, mas, francamente, virem agora “descobrir a pólvora” num artigo do Público? Isso é uma blasfémia, Helena.

Em tempo de berreiro…


Uma oportuna crónica, para ler aqui:
“Bombacci foi líder do Partido Socialista Italiano com Mussolini e, depois, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Após a Marcha sobre Roma, com o consenso mussoliniano com o velho liberalismo, a Igreja e a Monarquia, Bombacci manteve-se fora. Com a ruptura do consenso, com a derrota militar e a criação da República de Salò- um Estado fantoche manipulado pelos alemães – deu-se aos “velhos fascistas” poder para reeditarem as premissas do movimento. Não podendo governar (os alemães não o deixavam), empenharam-se na “purificação” do fascismo. E o que nasceu desse esforço ? Republicanismo, defesa das nacionalizações, formulação de uma teoria de co-gestão empresarial, sindicalismo revolucionário, anti-catolicismo militante.
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o dia de são lourenço é a festa de Vilatuxe

São Lourenço de Vilatuxe, mártir cristão, patrono de Viletuxe

Parte de um livro que escrevo na actualidade

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma benção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueba, é Visigótica, é Castellana, é Lusa, é Española, é autónoma, como Estado parte do Estado Español, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. [Read more…]

Uma pequena achega para a história do cartoon em Portugal

Uma obra prima do grande Abel Manta. Criada logo no pós 25 de Abril (1974, nada de confusões) e que marca no humor nacional o tempo em que muito boa gente publicava anúncios nos jornais garantindo não ter tido nada, absolutamente nada, nem um bocadinho, de participação no regime na altura acabado de depor. Aliás, nesse tempo mesmo muito remoto, ninguém tinha alguma vez aplaudido o tal de Salazar.

Nesse tempo vincou a expressão vira-casacas, e  era mais por medo acorriam ao alfaiate. Mais tarde, ficou o clássico oportunismo, não caracterizando exactamente alguém se faz às oportunidades.

Estando as oportunidades, agora novas,  um bocado queimadas como expressão caracterizante do mesmo espírito e prática, temos de criar outra. A base para a inspiração é imensa. Não me afoito.

Claro que isto não vem exactamente a propósito das últimas ocupações umbiguistas do Paulo Guinote, embora me pareça que anda com falta de ilustrações para alguns dos seus postes (a malta é de História, ele é um bocadinho mais novo).

Mas estou de férias e apeteceu-me preparar uma aula para o ano lectivo que vem. Vícios.