Dª Amélia em Centenário

Sempre que deparo com o nome de Dª Amélia numa montra de livraria, franzo o sobrolho. As más experiências que a minha curiosidade tem sofrido, ditam a desconfiança. É que não existem Corpechots, Rochas Martins e Ruis Ramos ao virar de cada esquina.
Acabei de ver em escaparate nas Amoreiras, o livro Dª Amélia, da autoria de Isabel Stilwell. Apenas folheei as derradeiras e demasiadamente sucintas páginas referentes à passagem da rainha no Portugal de 1945, parecendo corresponderem à verdade histórica, embora Stilwell pudesse ter sido mais rigorosa no epílogo, quando da imponente e multitudinária manifestação de pesar popular no funeral da Grande. Mas a obra não pretende ser uma análise histórica do momento social e político do Portugal da 2ª república.
A Noite e o Sobressalto
Pedro Medina Ribeiro é nosso leitor e, além disso, amigo do Aventar no Facebook. Ora bem, parece que chegou o momento de o lermos, a ele.
“A Noite e o Sobressalto”, seu livro de estreia, pode ser encontrado desde ontem nas livrarias. O lançamento é hoje, na livraria Barata, às 19h00. Os leitores do Aventar estão convidados, naturalmente.
Falta acrescentar duas coisas: é na Av. de Roma e conta com a presença do autor.
E ainda: que corra tudo sem sobressaltos, Pedro, e guarda-me um exemplar antes que esgote. Autografado.
E que tal um fuck-off-ezinho?
“Term-shit, fuck-share, lick it, private attitude, mono-play, dollar greenfield, mafia chairman, life controller, core (hard), spitware, crooks-target, free-lunch-you pay”. Se o sr. Zeinal Bava tivesse utilizado estes termos, ninguém daria pela diferença. Em suma, a linguagem perfeita para ser entendida pelos senhores Balsemões, Sampaios, Pinas Mouras, Coelhos, Cavacos e respectivos aficionados. Portugalização? Qual? Fuck-off!
Como Se Fora Um Conto – Na capital do País que um dia foi um Império
“Assim, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.”
Quem me conhece saberá, por certo, o quanto me terá custado esta viagem. Ou melhor dizendo o quanto me terá custado aceitar fazê-la.
Isto de descer a sul de Coimbra tem sido, nos últimos anos, uma impossibilidade para mim. No entanto, depois de mais de três lustres, lá me decidi a aceitar a ideia de ir até lá, e mais do que isso, ficar para o dia seguinte.
Porém, antes de mais, tenho de me desculpar perante os amigos que por lá tenho. Alguns, que antes de o serem já o eram, e outros, que antes de o serem já o são. A Maria, o Luís, os Carlos, o Nuno, para só citar aqueles com quem mantenho um maior contacto, entenderão, tenho a certeza, o meu silêncio e o secretismo da viagem, que foi decidida em cima da hora e teve como objectivo curar alguns pequenos males familiares, e uma tristeza em mim instalada. Outra oportunidade haverá.
Assim, decisão tomada, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital. [Read more…]
A Câmara Municipal destrói o Rato
Naquele bem conhecido processo do “tanto insistir até conseguir”, a Câmara Municipal de Lisboa volta à carga com a questão do repulsivo prédio a construir no Largo do Rato, logo à entrada da Rua do Salitre.
É a completa cedência à destruição de todo o centro histórico de Lisboa que nas últimas décadas, viu devastadas as construções erguidas durante o século XIX. Este “projecto de arquitectura” nada mais é senão a suburbanização da capital e no eixo Largo do Rato/Alexandre Herculano e uma manifesta a vitória dos interesses especulativos, em detrimento daquilo que caracteriza a diversidade arquitectónica da cidade de Lisboa. Pior, consagra a quase completa terciarização de vastas zonas habitacionais.
Qual será a reacção da arq. Roseta e do arq. Sá Fernades?
Eles – os especuladores de negociatas – insistem e por isso acabarão por lograr os seus intentos. Até quando, o crime feito lei?
Contributo do Terramoto de 1755 para as expressões populares
Após o terramoto do Haiti, este blogue preocupou-se em divulgar não só os cuidados a ter em tal caso, como a aprofundar o célebre Terramoto de 1755, bem como o histórico dos sismos em Portugal. Fez-se mesmo um cuidadoso caderno – onde, possivelmente este texto também vai parar -, dedicado ao tema.
Passado o terramoto do Haiti, o assunto esmoreceu, apesar do recente caso do Chile.
Ora, lendo aquele dossier, apercebo-me que ninguém tratou de abordar o enorme contributo que o Terramoto de 1755 e as suas consequências trouxeram para as expressões populares. Haverá, até, quem desconheça a origem de algumas frases que, no entanto, usa de modo rotineiro.
É o caso da expressão: “Resvés, Campo de Ourique”.
Ao que parece, esta expressão surgiu pelo facto do mar, após o sismo, ter invadido Lisboa e chegado às imediações do Campo de Ourique.
Mas há mais…
Durante o sismo, ouviu-se por toda a Lisboa um enorme estrondo: tinham os Conventos do Carmo e da Trindade. Terá daqui surgido a expressão “Cai o Carmo e a Trindade”.
“Fazer tijolo” terá resultado do facto de ter sido usada, para a reconstrução de Lisboa, argila proveniente de antigos cemitérios árabes, sendo por vezes encontradas ossadas.
As catástrofes são marcantes, e dificilmente as marcas não se fazem sentir na cultura dos povos.
Acima de tudo, serve este texto para lembrar que o que usamos com vulgaridade, tem muitas vezes origem em algo de único, e muitas vezes trágico.
Ao soar das horas mortas
Ao soar das horas mortas, nest’outro modo de ser hoje, recolho as asas tombadas à saída do corpo, asas de voo natural, sublime, acima das coisas.
Para lá do nevoeiro, sei que moram os dias claros e as nirvânicas noites. Apetece-me gritar: Menino, pastor da noite! Menino, pastor da noite!
Vestido de tempo sem espaço e de espaço sem tempo, tento fundir a neve com o calor da nudez. O cansaço e a ideia, do lado de fora de uma teia sem olhos, são fios que tecem, mais tarde ou mais cedo, o mundo das sombras.
A respiração acabou e o poema nasceu fechado, cianótico, asfixiante. No imediato corpo, tão longe e tão perto, um frio azul anidrido carbónico encharca as palavras secas.
Velha semente sem terra, nova terra sem semente, um tal dizer feito de gestos, e o prazer de supor que a água ainda corre nas entrelinhas da secura.
Poemas do ser e não ser
Delicadamente
ela abriu a blusa e levantou os olhos
decidida.
Era uma mulher de guerra combatida
daquelas cuja face conta a história.
Mansamente baixou a medo as alças do soutien
inclinou a cabeça e fechou os olhos
à espera da minha mão.
Depois
comemos pão de centeio molhado num golpe de azeite
bebemos um capitoso vinho
e fomos à procura de uma paisagem com cegonhas.
Se hoje evocamos a primavera e a poesia
porque não havemos de lembrar também, antes que o dia se esgote, o sr. Johann Sebastian Bach, que veio ao mundo a 21 de Março de 1685?
Dia mundial da poesia?
Dia mundial da poesia?
Comemora-se hoje o dia mundial da poesia. Não é coisa que eu engula facilmente.
Por todo o país e, provavelmente, por todo o mundo há tertúlias e coisas mais ou menos engraçadas. Algumas coisas boas, e outras de pouco ou nenhum valor. A pergunta mais corrente será: O que é a poesia? O que é ser poeta?
Daniel Barenboim, um dos maiores pianistas e maestros da actualidade, diz que é impossível falar de música, e que são muitas as definições de música, mas que, na prática, se limitam a descrever uma reacção subjectiva. Todas elas parecem dizer muito e não dizem nada.
Sem querer pôr-me à ilharga de Barenboim, eu também digo que não sei o que é a poesia, e duvido muito de quem diz que sabe. Desde a respiração de Deus à depuração absoluta da palavra, já ouvi de tudo. Parecem dizer muito e não dizem nada.
Isto, porque a poesia é um sentimento, o sentimento poético, como o sentimento do amor, o sentimento da alegria, o sentimento da tristeza, o sentimento do medo. O mesmo acontece na arte, ou sentimento artístico, seja qual for a expressão artística, plástica, musical etc. E o sentimento é um fenómeno muito complexo. [Read more…]
não repares que tremo
Valsa das Flores e Versos à Primavera
Na minha homenagem à Primavera, recorro a ‘Valsa das Flores’, editada por Adya Classic. E, não sendo escritor, e muito menos poeta, atrevo-me a publicar uns singelos versos, meus, à Primavera:
Oh Mãe Natureza, imploro-te com amor
Manda o Sol suave, doce e reluzente
Trazer a Primavera no matinal alvor
Para valer a este mundo carente.
Que os campos se vejam floridos,
De manhãs e tardes de mil cantares
E de misteriosos voos destemidos
De aves livres em todos os lugares.
Oh Primavera de sentidos sonhos
Volta a abençoar-me o frágil coração
E incandesce de brilho os meus olhos.
Regressa, dá aos novos as esperanças
Porque, dizia o sábio Poeta de então,
O melhor do mundo são as crianças.
A Primavera no coração dos homens: Chaplin e Yeats
Chaplin tinha 63 anos quando filmou “Luzes da Ribalta”.
Mas reparem na candura infantil com que vai saltitando enquanto canta: “É o amor, o amor, o amor, o amor, o amor”.
era uma cidade ateada pelo branco
.
era uma cidade ateada pelo branco.
tu praticavas a leveza de ser bela
e jovem e rejuvenescias a cada dia,
dir-se-ia. não se trata aqui poesia.
suponhamos que voavas. voavas
e perdias-te em todas as direcções,
como as crianças. havia nisso alma,
quero dizer, havia nisso um ar, uma
candura, uma certa dose de malícia.
ateavas de brando a cidade ao passar
e praticavas a beleza de ser leve.
.
praticavas (e isso eu não podia saber)
a inesperada beleza de ser breve.
.
.
PAI
.
Vida fora tu correste
Passo lento, certo, seguro
Nunca foste uma alma errante
Eras fácil de encontrar
E agora que já morreste
De ti digo e asseguro
Nem todo o bom mareante
Se encontra no alto mar
.
Agora, és rio, és calma
Nada te fere ou ofende
Já não tens frio
É branca e pura
A brisa que afaga a tua alma
E te acaricia com doçura
Transparente
.
Já nada nos separa
Aguarda por mim
Tranquilamente
És eterno
Eu estou só de passagem
.
Vou ter contigo
Repara
E nesse dia, por fim
Espera por mim
E, enquanto o relógio não pára
Guarda-me um lugar para a viagem
.
.
Breves discursos sobre a Primavera (Poesia & etc.)
Assinalemos a chegada da Primavera através de algumas vozes privilegiadas. Picasso viu-a assim. Vejamos agora como Pablo Neruda saúda a mais poética das estações (Excerto do poema Oda a la Primavera, de «Odas Elementales»):
Primavera
temible,
rosa
loca,
llegarás
llegas
imperceptible,
apenas
un temblor de ala, un beso
de niebla con jazmines,
el sombrero
lo sabe,
los caballos,
el viento
trae una carta verde
que los árboles leen
y comienzan
las hojas
a mirar con un ojo,
a ver de nuevo el mundo,
se convencen,
todo está preparado,
el viejo sol supremo,
el agua que habla,
todo
y entonces
salen todas las faldas
del follaje,
la esmeraldina,
loca
primavera (…) [Read more…]
As árvores, o verde e Tom Jobim
(Penedo, Estado do Rio de Janeiro, Brasil)
Pra sempre verde
Tempos de flores,de primavera
Tempos de amores, de abrir a janela
Tempos de luz,de sabiá
Deixa o mato verde se espalhar
Nosso planeta precisa carinho
De muito ar puro e riacho clarinho
Vamos tentar nossa Terra viver
Deixa o mato verde florescer…
Mas tudo que ficou foi um deserto…
(um deserto)
Venenos nas lagoas e no mar …
(e no mar)
A vida acabada para sempre…
(para sempre)
Um dia vamos ter que perguntar …
(onde está)
Cadê o azul do céu
E o verde do mar…
E o paraíso onde está,onde está
A maravilha de um lugar…
E a floresta a serra,o mar
Onça pintada e Jequetibá
Vamos tentar,nossa Terra salvar
Passarinho gosta de voar,e cantar pra sempre deixa o mato verde se espalhar…
Cadê o azul do céu
E o verde do mar…
E o paraíso onde está,onde está
A maravilha de um lugar
(maravilha de…)
A maravilha … de um lugar.
(Tom Jobim)
Foi-se o encanto
Foi-se o encanto
Muito difícil é desembarcar, digo eu que nunca fui marinheiro. Não consigo acostar o barco. Há sempre uma onda e outra e depois outra. Mesmo que o mar esteja manso, ou se é da terra ou se é do mar.
No dia em que eu voltar e vir a figueira com figos e a erva a crescer no merujo reluzente de prata das noites de luar, no dia em que eu voltar, vestido de ilusão, a olhar o mar e acreditar, nesse dia não chames por mim.
Mata-me a memória e a história, não deixes que viva uma hora descrente ou indiferente. São duras as horas e os minutos das palavras descrentes, indiferentes, alheias, adiáforas, frias, incuriosas, passivas. Uma espécie de árvore seca sem frutos nem sementes. Um vento áspero que perpassa por entre os dedos dormentes. É cruel a falta de palavras. São dolorosas as palavras indiferentes.
Na cegueira dos olhos sumidos de chorar sem lágrimas a noite ruidosa dos segredos, não há coisa mais triste do que olhar a chávena sem palavras cheias. Foi-se o encanto, e a poesia não passa de um saquinho de açúcar rasgado sobre a mesa abandonada do café vazio.
O Museu da Cidade
Instalado num belo palácio da primeira metade do século XVlll, conhecido como Palácio Pimenta ou por Palácio do Campo Grande, é um edificio notável com uma bela fachada e com uma bela decoração azulejar.

Em 1942 foi alojado no Palácio da Mitra e transferido para o Palácio Pimenta em 1979, conserva importantes colecções que mostram a evolução histórica nas suas vertentes urbanística, social, simbólica e social da capital portuguesa. Em particular na domínio da pintura, desenho,gravura, cartografia, cerâmica,azulejaria, arqueologia e outras.

Uma maqueta de grandes proporções representativa de Lisboa de antes do Terramoto de 1755, dá-nos uma ideia global da cidade, identificando os mais importantes edifícios, praças e ruas.
Reconstituição de uma das alas da Praça do Rossio, que se insere numa importante colecção europeia de gravuras sobre o terramoto e os projectos pombalinos de reconstrução da cidade.
Cerca velha, ainda se reconhecem a monumentalidade e solidez das muralhas que foram durante séculos a única defesa da cidade, estendendo-se desde o Castelo até ao Rio.
Protegendo-nos do bulício da cidade e completando o Jardim do Campo Grande, ainda podemos visitar o Jardim Bordalo Pinheiro, magnífico, com importantes obras gigantes dos famosos animais cerâmicos do grande artista.
O Aqueduto das àguas Livres, com os seus planos e projectos de chafarizes, cujo monumentalidade ultrapassa o carácter funcional, remetendo para a Lisboa Barroca.
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"A meus filhos" – António Osório
A meus filhos
desejo a curva do horizonte.
E todavia deles tudo em mim desejo:
o felino gosto de ver,
o brilho chuvoso da pele,
as mãos que desvendam e amam.
Marga,
meu fermento,
neles caminho e me procuro,
a corpo igual regresso:
ao rápido besouro das lágrimas,
ao calor da boca dos cães,
à sua língua de faca afectuosa;
à seta que disparam os ibiscos,
à partida solene da cama de grades,
ao encontro, na praia, com as algas;
à alegria de dormir com um gato,
de ver sair das vacas o leite fumegante,
à chegada do amor aos quatro anos.
A Raiz Afectuosa (1972)
Vazio
Vazio (mais um conto do meu filho Marcos Cruz; peço desculpa pelo abuso)
António era um bife. Mal passado, passava mal. Mas tinha a resistência suficiente para lutar contra os que o queriam passar bem, pois sabia que “uma vez bem passado, bem passado para sempre”. Passava mal no presente, mais precisamente, já que o seu passado fora até bem passado, ou, como todos os passados, bem e mal passado. Em parte, era com isso que ele se passava: se, por um lado, “uma vez bem passado, bem passado para sempre” e, por outro, o seu passado havia sido bem e mal passado, ou seja, em parte, bem passado, porque não estaria ele bem passado no presente? Talvez, sem o ter presente, estivesse. Mas então por que razão passava mal? [Read more…]
Como Se Fora Um Conto – O Meu Dia Do Pai
Chove e o sol não entra pela janela.
Abri as cortinas para que a luz melhor inundasse a sala.
Olho a fotografia. Está junta com as outras, numa prateleira com livros. São muitas as prateleiras e muitos os livros. São poucas as fotografias. Quase todas de familiares. Tios, avôs, pais, filhos, primos. Um a um. Dois a dois. Esta é especial, tem quatro. Os meus quatro filhos. Vejo-os pouco, e eles a mim. A um ou outro mais amiúde, a um ou outro, de longe a longe. Vamos falando pelo telemóvel ou pela internet. Grandes invenções, estas. Não lhes digo nada. Se quiserem aparecem. Às vezes não querem. Às vezes não podem. Às vezes …
Estão lá outras fotografias. Demoro-me na que mais me dói. Sinto saudades. Magoa-me a alma. Já lá vão quase vinte anos e não passa. A dor é quase a mesma. [Read more…]
Poema para o meu pai
(Com um abraço ao José Magalhães)
Tão cedo a esta vida te roubaram
Saudoso pai meu bom e grande amigo
Que mal teus olhos fundos se fecharam
Boa porção de mim partiu contigo.
Flores e velas, preces lacrimosas
Ó alienas artes da razão!
Ainda bem que não te iludem rosas
Meu doce pai que em tudo és meu irmão.
Minha fé, minha crença, minha idade
De homem-filho é grito de homenagem
Que outro não sei, sem lágrimas, sem prantos.
Mãos dadas pelos céus da eternidade
Nesse reino sem trono e sem linhagem
Vives tu, vivem papas reis e santos.
1971
Violência em alvalade!
Depois de um almoço na Ericeira com a água a beijar-me os pés rumei a Alvalade. onde encontrei violência à solta, por causa da boca do dirigente do Sporting que quer os adeptos a receberem mal o Simão.
Uma multidão, tudo à porrada, e ainda tinha que pagar 25.00 Euros. Não estive para apertos, iniciei um passeio a pé e dei comigo à porta do Museu da Cidade. Um palácio lindo, jardins maravilhosos com a arte de Bordalo Pinheiro, quadros, azulejos, manuscritos, estátuas, desenhos e arquitectura de Lisboa centenária (noutra altura vou contar)
E o faccioso trocou a loucura clubistica pela pacatez e beleza do museu. Saiu-me a sorte grande, belo fim de tarde.
O Douro, não uma coisa qualquer
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Eu, eu ainda sou do tempo de se chegar e partir de Barca d’Alva
de comboio pela manhã cedo e nevoeiro e mais ninguém naquela
carruagem, era pelo natal e ardia vai para três dias uns grandes
cepos de eucalipto ali mesmo na estação. Está tudo à espera.
A última palavra
A última palavra (um conto do meu filho do meio, Marcos Cruz)
Um dia havemos de ir a Paris. Geraldo estava em crer que esta devia ser uma das sugestões amanteigadas mais gastas desde que o imaginário colectivo consagrara a capital francesa como a grande estância termal do romance ritualista. Ele, na sua essência de pinga-amor, tinha por certo contribuído, e muito, para as estatísticas, e mais uma vez acabara de visitar esse lugar, não Paris, o da promessa que, havendo sido feita uma e outra vez, por si e por tantos, soava sempre como nova ao sair da boca de quem saísse, sobretudo da sua, cuja extraordinária capacidade de lavar mil e um passados com a saliva do momento era já proverbial entre os seus amigos e conhecidos, a que perdia irremediavelmente a conta, dada a propensão que lhe habitava a massa do sangue para somar e multiplicar relacionamentos de todo o tipo, aí, desde que não amorosos, sem excluir memórias, antes incluindo tudo o que transcendia. [Read more…]












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