Boa vai ela!

Vivo afastada da comunidade portuguesa e porque a idade me tornou preguiçosa, só de vez em quando me dou ao trabalho de mudar de transporte duas vezes para ter o prazer de passarinhar pelo Mercado da Saudade. Isto é, por motivos gastronómicos. É ali que me abasteço do que é regra báseica da cozinha portuguesa.
Foi o caso há dias. E o acaso foi encontrar, à porta do café, um compatriota que não via há muito tempo. Homem estabelecido com negócio próspero. Mal nos cumprimntámos, logo disparou:
– Sabe que esteve aí um milhafre do governo do Passos?
– Qual deles? – quis eu saber.
– O Portas, aquele dos submarinos.
– Ah, mas esse é um milhafrão. E o que é que ele veio cá fazer?
– Veio promover o papel higiénico da Renova. E largar as postas de pescada do costume. Que aldrabão! Isto é sempre o mesmo, e nós estamos fartos de saber: quando estão falidos, vêm à emigração prometer farturas. Devem julgar que somos estúpidos. [Read more…]

Manuel Pinto Coelho, um perigo para a saúde pública

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É importante saber-se que o vírus Ébola não se transmite com facilidade. Para haver transmissão do vírus, tal como acontece com o vírus da SIDA – o VIH – é necessário um contacto direto com um líquido biológico do doente, como o sangue, as fezes ou o vómito.

O vírus Ébola é sobretudo perigoso quando mal acompanhado. Como os doentes infetados morrem de desidratação ou de hemorragias, então o tratamento consiste logicamente na hidratação e/ou transfusão sanguínea, e não na administração de uma qualquer vacina ou hipotético medicamento.

Que um tolinho escreva isto algures, compreende-se, uma aldeia sem tolinho não é aldeia. Que quem o fez assine como médico (e doutorado em Ciências de Educação, abstenho-e de comentar) e tenha saído no Público, é outra louça. [Read more…]

Choveu em Braga

Dizem que sim. [imagens FB]

Porto!

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Eu não queria falar sobre o tema. Só quem nunca esteve envolvido na criação de raiz de projectos de marketing territorial se dá ao luxo de falar levianamente. É um trabalho duro, de enorme desgaste e óptimo para ser criticado pelos “bitaiteiros” do costume.

A nova imagem da marca Porto/Cidade não é indiferente. E aqui está um elogio aos seus criadores. Mesmo torcendo o nariz ao ponto final. Luís Paixão Martins, cujos seus sentimentos pela sua Lisboa se equiparam aos nossos sentimentos pelo nosso Porto, aproveitou para escrever sobre o tema puxando a brasa à sua sardinha.

Porque os gostos se discutem, aqui fica o meu: para mim, o Porto é ponto de exclamação e não ponto final. A exclamação das vendedoras do bolhão, dos frequentadores da baixa transformada em “movida Almodóvar”, do cimbalino pedido ao balcão, do Velasquez em dia de bola no Dragão, etc, etc, etc. O ponto de exclamação de sentimentos fortes. De entusiasmo. De arrebatamento. De cólera. Do antes quebrar que torcer.

Porto!

 

(imagem gentilmente palmada ao blog Bibó Porto Carago!

Graduação é o tempo de serviço e a nota da formação. (ponto!)

Os erros do Governo na colocação de Professores são recorrentes e consequência da dificuldade em gerir um processo muito fácil de conduzir. Não fosse o caso de estarem neste momento vários incompetentes à frente do MEC até porque há escolas, há alunos, há professores. Não há é aulas. Certamente, um detalhe, sem importância.

É só meter o Excel a funcionar e está a “andar de moto“. Confesso que já não dou para o peditório Crato – ele, um cadáver político, que entrou como o mais rigoroso de todos os rigorosos, desceu por um plano inclinado e acabou desfeito no chão da 5 de outubro. Sobre ele, the end!

Agora, quanto aos concursos, calma aí, porque os laranjinhas não vão ficar a falar sozinhos.

Vamos lá então, explicar estas coisas, especialmente a si, caro leitor, que de profs percebe pouco, mas que tem alguma curiosidade em entender como é que cerca de 100 mil professores são colocados.

As regras dos concursos, tradicionalmente, juntam dois factores: nota da formação inicial com o tempo de serviço (um valor por cada ano de serviço). Um professor que acabe o curso com 14 e trabalhe 3 anos irá concorrer com 17 e um professor que acabe com 16 e trabalhe um ano concorre com a mesma graduação: 17.

Foi assim durante muitos anos, até que um dia, uma senhora, agora condenada, resolveu inventar a roda e começar a pensar em esquemas alternativos de alocar os seus recursos humanos às unidades de gestão (esta frase saiu mesmo perfeita, não????). [Read more…]

A ministra que disfarça

peneira

Não é a primeira vez, eu cá até já conto quatro, que a “alegada ministra da justiça” recorre ao tema da pedofilia quando precisa de desviar atenções. Aí está novamente em acção. A seguir virá a lista de homicidas, que eu cá tenho direito a viver ao lado de gente santinha.

¿Y en lengua portuguesa?

lobo antunes

dpa / Erwin Elsne (http://bit.ly/lobo-antunes)

Expresso decidiu adaptar para português este pequeno excerto do testamento de Alfred Nobel:

en del den som inom litteraturen har producerat det utmärktaste i idealisk rigtning.

Aquele ‘idealisk’ é objecto de luminosa interpretação, neste comentário de Sture Allén.

O mote para a adaptação do Expresso foi uma entrevista de Horace Engdahl ao jornal La Croix, com a jornalista Sabine Audrerie a citar uma já conhecida tradução francesa (cf. Le Figaro e Le Point):

l’auteur de l’œuvre littéraire la plus remarquable d’inspiration idéaliste.

Aparentemente, a tradução inglesa consagrada

the person who shall have produced in the field of literature the most outstanding work in an ideal direction

terá servido de base à versão portuguesa do Expresso, pois

 

direcção

Efectivamente, denunciado o papel da letra consonântica c em ‘direcção’, era perfeitamente escusado, logo a seguir, dar-se cabo da qualidade grafémica do texto:

direção

Como sabemos, a excelência ortográfica está viva e recomenda-se.

Post scriptum:  “¿Y en lengua portuguesa?”, perguntava Winston Manrique Sabogal, há um ano. No dia 14 de Novembro, “le plus grand écrivain portugais vivant” andará por estas bandas. E amanhã? Amanhã, era um Nobel, sff. O Jerusalém, o Nonino e o Duke of Cocodrilos não chegam (a propósito de Duke of Cocodrilos, convém sempre regressar aos excelentes textos da Carla Romualdo).

Crato nobelizado

Vi tudo. Na Assembleia da República o ministro Nuno Crato enfrentava as questões postas pelos deputados da oposição (dos grupos parlamentares afectos ao governo só vieram débeis balbucios). E então, enquanto o ministro e respectivo secretário de estado tentavam navegar naquela tempestade, entendi o olhar dos premiados pelo Nobel da Medicina este ano. É que, quando se esperava que o padrão de actividade das células de posicionamento – “place cells” – do hipocampo viessem sobrepor-se à grelha celular abstracta – “greed cells”- permitindo aos sujeitos orientarem-se pelos marcos politicamente relevantes que a situação apresentava, tal não aconteceu. Esta interacção falhou e os dois políticos não obtiveram a expectável orientação, apresentando um comportamento entre o errático e o cataléptico.

“Portaram-se como baratas tontas, queres tu dizer!” – protestareis vós. E com razão, foi mesmo isso que aconteceu. Mas com linguagem neurológica premiada a coisa tem outra frescura, outro gabarito, reconheçam.

O efeito perverso da legalização das drogas – II

Este estudo não muda o essencial da questão, nem sequer a discussão pode ficar limitada à Canábis. Várias substâncias à venda, como o alcóol ou tabaco também podem causar dependência. E apesar do fascismo dos costumes oportunismo fiscal dos vários governos, nomeadamente na U.E., não passa pela cabeça de alguém proibir a venda, sob o pretexto de censura moral, aproveitam para arrecadar receita. Existem limitações quanto à idade dos consumidores, mas ficamos por aí. O mesmo princípio poderia ser aplicável às substâncias ilícitas a que vulgarmente chamamos “drogas”. Manter o status quo, penalizando o consumo, apenas favorece organizações mafiosas que enriquecem enquanto tiverem o exclusivo do negócio, como aqui escrevi.

A palavra deste governo já é válida por dois meses

 

3 de Agosto de 2014: “BES: Governo garante que contribuintes não vão suportar custos”

8 de Outubro de 2014: “Maria Luís admite: sim, o Novo Banco pode ter custos para os contribuintes”

Apesar de tudo, sempre é uma melhoria, já houve promessas que duraram ainda menos.

Vamos fazer uma Casa dos Segredos professores? ep.1

Andrea Osório

casa52

segredo 1 – Menti nos subcritérios da BCE
segredo 2 – A minha cunha está dentro da casa
segredo 3 – O meu melhor amigo é diretor da escola
segredo 4 – A minha rival está na casa
segredo 5 – O meu padrinho é o Crato
segredo 6 – Sou técnico especializado em CEF’s
segredo 7 – Dou TIC mas não sou professor profissionalizado na área
segredo 8 – Fui excluída pelo MEC indevidamente
segredo 9 – Adivinho os professores que são colocados em certas escolas
segredo 10 – Concorro só até 50 km de casa por sofrer de saudades
segredo 11 – Sou o confidente do diretor
segredo 12 – Concorri a nível nacional e fiquei de fora
segredo 13 – Fui colocado em mais de 3 horários
segredo 14 – Só fiquei colocada a 700 Km de casa

Quer partilhar o seu segredo?

O manicómio

Santana Castilho *

O grotesco do caos em que o início do ano lectivo se transformou vai do cómico ao dramático. Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes. A última paciente, a directora-geral da Administração Escolar, decidiu sambar na cara de milhares de alunos, pais e professores: com a coragem própria dos cobardes, mandou os directores despedirem os professores anteriormente contratados. Sim, esses mesmos em que o leitor está a pensar. Aqueles a quem o ministro Crato (entretanto desaparecido atrás da palavra que não tem) garantiu, na casa da democracia, que não teriam qualquer espécie de prejuízo quando ele, ministro incompetente, corrigisse o enorme disparate para que acabava de pedir a desculpa da nação.

Leio que são 150 nestas condições. Contratos antes assinados, agora rasgados. Como o daquela colega de Bragança, colocada em Constância a 12 de Setembro e reenviada para Vila Real de Santo António a 3 de Outubro. Casa alugada com caução perdida. Filha a mudar de escola outra vez. Confiança no Estado caída na lama, a reclamar, pelo menos em nome da decência mínima e última, que algo aconteça. Porque não se trata da consciência que o ministro não tem. Trata-se da obrigação republicana de quem o nomeou. [Read more…]

A óptica é óptima: parabéns ao Expresso

óptica1

Segundo Expresso, Stefan Hell, Eric Betzig e William Moerner

foram premiados pela Real Academia Sueca das Ciências por terem desenvolvido a microscopia óptica à nanoescala através de moléculas fluorescentes.

Efectivamente: óptica.

óptica2Saúde-se o Expresso por este feliz e auspicioso regresso à excelência ortográfica.

A dona de casa, o “idoso” e o jornal

O Público, em tempos idos, tinha directores que escreviam os Editoriais. Não eram grande coisa, é verdade – em muitos casos eram mesmo péssimos -, mas quem os escrevia assumia a responsabilidade. Depois, passaram a ser anónimos com a duvidosa pretensão de responsabilizar o jornal no seu todo, o que é o mesmo que não responsabilizar ninguém. É lá com eles. Mas nós, os viciados no jornal diário, sempre em busca de avatares de jornais honrados como o saudoso Diário de Lisboa, por exemplo, lá vamos tragando a nossa decepção quotidiana com O Público e o DN. Falo por mim, claro.

Hoje, no seu editorial, o Público, a propósito de uma dada personagem política emergente, escreve este naco: “…o excesso da personagem é fundamental para captar a dona de casa preocupada com o almoço ou o pensionista estarrecido com o crime que acabou de ler no seu tablóide favorito”. Assim mesmo. Os estereótipos e os preconceitos como os interiorizou o bronco editorialista, a quem nem ocorreu que o “pensionista” pode ter na mão precisamente o jornal em que ele publica estas idiotices e pensar: “nesta parte do tablóide ele tem razão; estou a ler o Público”. A actual “imprensa de referência” está repleta deste tipo de lixo. E este jornalismo é, de facto, algo parecido com um crime. E este pensionista só tem uma coisa a dizer a estes editorialistas: sois umas bestas.

Títulos das próximas crónicas de José Manuel Fernandes

Hoje, José Manuel Fernandes (JMF) declarou que é capaz de acabar com o problema da colocação dos professores. Deu à sua crónica o título: Querem acabar com os caos [sic] das colocações? Eu digo como. O João José já descodificou o texto.

Não vou explorar o veio do mau português de JMF, porque não seria inédito e acabaria por se tornar repetitivo. Prefiro tentar adivinhar títulos de algumas das próximas publicações do ilustre cronista. O resultado é uma patetice, mas é natural: estou a escrever sobre o José Manuel Fernandes.

Aqui vai, por temas:

Futebol

Querem que a selecção nacional marque mais golos? Convoquem-me

Sexo

Querem que as vossas mulheres tenham orgasmos múltiplos? Dêem-me a vossa morada

Culinária

Querem que a vossa maionese deixe de talhar? Eu explico

Saúde

Querem saber qual é a cura do ébola? Eu envio por mail

Sociedade

Querem uma xícara de açúcar? Batam-me à porta

Educação

Querem saber de quem é a culpa de as escolas terem turmas de trinta alunos, de se terem transformado em agrupamentos gigantescos, de haver falta de recursos humanos, de se ter cortado nas horas de várias disciplinas, de se ter obrigado à alteração de manuais adoptados para seis anos ao fim de dois anos e de haver tantos erros nos concursos dos professores? Esperem aí, que ando sempre com uma fotografia do Mário Nogueira no bolso

A ‘perspectiva’ e a ‘perspetiva’: a “unidade essencial”

paris

Gustave Caillebotte, Rue de Paris, jour de pluie (1877) © The Art Institute of Chicago (http://bit.ly/1EpPV3s

Mine eye hath played the painter, and hath steeled
Thy beauty's form in table of my heart;
My body is the frame wherein 'tis held,
And perspective it is best painter's art
— William Shakespeare, Sonnet 24

 

Na Folha de S. Paulo de hoje, Hélio Schwartsman escreve o seguinte:

Sob essa perspectiva, não só há lógica por trás do processo eleitoral como ela se mantém a mesma desde o início da corrida.

Ontem, no jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que, na opinião de João Bosco Rabello,

A perspectiva de chegar à Presidência pode ajudar a reverter parcialmente esse quadro, ainda que isso não seja provável em grande escala.

Depois de amanhã, a Universidade do Minho recebe a conferência “Perspetivas da Língua Portuguesa”.

Obviamente, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, como prometido, assegurou o tal “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

Exactamente: “da unidade essencial”.

Excalibur

Talvez seja necessário sacrificar o cão da auxiliar de enfermagem infectada com Ébola, tal como o marido dela assegura que as autoridades sanitárias pretendem fazer, e apesar da objecção dos seus donos. Talvez seja o mais seguro, uma medida entre muitas para travar o avanço de uma possível epidemia.

Mas não deixo de perguntar-me como se devem sentir estes dois, homem e mulher, ambos isolados em quarentena, ela com a certeza de ser portadora de doença, ele com a terrível dúvida de sê-lo ou não, e que têm, a julgar pelas informações que vão chegando, todas as razões para sentir que as autoridades foram negligentes com a segurança dos profissionais de saúde que tentaram salvar os missionários espanhóis infectados com Ébola. E que afirmam, sem margem para dúvidas, que quando tentaram chamar a atenção para a possibilidade da mulher, Teresa, auxiliar de enfermagem, estar infectada, não receberam a resposta pronta e cuidadosa que deveriam ter recebido das autoridades. [Read more…]

Grau zero de um governo

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O que se passa na educação é o último patamar do que se pode esperar descendo a escadaria da qualidade governativa. Erros não assumidos, mitigação da realidade, ausência de responsabilização e tratar 150 pessoas como danos residuais. Acresce alunos sem aulas e professores que estavam ali e vão para acolá.

Para que serve o ministério da educação, com as suas diversas delegações regionais e direcções gerais? Potes para nomeação política. Entrave ao acto de educar. Fonte de infindável burocracia usurpadora de tempo que deveria ser lectivo.

O caos poderá ter interesse para um matemático, como Crato, ou não houvesse até uma teoria para este. Mas nada traz à educação. Feche-se então o ministério da educação, com ganhos para todos. Menos para os tadinhos do pote. Tadinhos.

Grafia azul

blue led

© LEHTIKUVA/Reuters (http://bit.ly/1nYg8Bx)

Acabo de saber, através de Brian Greene – a propósito, vale a pena assistir a este excelente debate entre Greene e Dawkins –, que o Nobel da Física foi atribuído a Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, pela invenção de emissores eficientes de luz azul (convém ler o excelente texto de Teresa Firmino, no Público).

O Professor Jorge Manuel Torres Pereira lecciona a disciplina Fundamentos de Electrónica no Instituto Superior Técnico e explica (7.8) que

O díodo emissor de luz, LED – “Light Emission Diode”, é um dispositivo que converte a energia eléctrica em energia luminosa. A conversão está associada a transições electrónicas acompanhadas da emissão de fotões de comprimentos de onda compatíveis com a variação de energia ocorrida.

Contudo, segundo o Expresso,

O prémio Nobel da Física foi hoje atribuído (…) pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), anunciou hoje o júri em comunicado.

Ora, independentemente de, por exemplo, por estas bandas, LED significar “diode électroluminescente” e até o Professor Lobo Ribeiro ter vacilado entre “díodos emissores de luz” (p. 6) e “díodos electroluminescentes” (p. 93), há um dado grafemicamente adquirido: eletroluminescente é grafia inadmissível em português europeu. Sim, eletroluminescente. Efectivamente, inadmissível.

Recordando as sábias palavras de outro Nobel da Física,

I’m not going to do this, I’m not going to simplify it, and I’m not going to fake it. I’m not going to tell you it’s something like a ball bearing inside a spring, it isn’t.

No, it isn’t. Se não souberdes o que significa ‘ball bearing’, não vos preocupeis. O Eng.º João Roque Dias explica-vos.

Continuação de uma óptima semana.

Um caos com objectivos

privatizationConfesso que a princípio me pareceu teoria da conspiração, mas a insistência de Maria de Lurdes Rodrigues, perdão, de Nuno Crato na actual novela da colocação de professores começa a convencer-me: tudo isto é propositado.

Propositado o caos para surgir com a solução milagrosa e salvadora: contratação directa dos professores pelos directores com que Nuno Crato, perdão, Maria de Lurdes Rodrigues, iniciou o fim da escola pública.

Há dois interesses por parte da ideologia dominante em fazê-lo. Um é político, directo (quando a escola onde sou efectivo foi obrigada a agrupar-se com todas as do pequeno concelho fizemos as contas, emprega um tal número de licenciados que multiplicado pelos seus familiares directos garantia a reeleição eterna de qualquer autarca que a controlasse, e já faltou mais para isso acontecer). Outro é económico, essa é a condição que falta para a entrega das escolas públicas à gestão privada.

O caminho foi sendo construído nos anteriores governos: o primeiro concurso nacional fraude (por conta do cargo de professor titular), o fim dos concursos anuais, o início das vigarices conhecidas por contratações de escola, as escolas TEIP e seu estatuto, a par de todas as mudanças que foram fazendo da escola pública de há 12 anos o caos que hoje é.

O caos, esse grande construtor de novas ordens. Estou  a delirar? leiam o José Manuel Fernandes.

Quem tem medo de um novo partido?

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Quem tem cu tem medo. Quem tem um partido onde está instalado, também.  A malta que anda a panicar com o partido do Marinho demonstra a falência do nosso quadro partidário, da esquerda à direita. Pouco inteligentes, não percebem como por cada vez que o atacam o homem lá ganha uns votos, a cereja sobre o bolo que lhe faltava é obviamente a da vitimização, ainda por cima justificada.

A criação de uma página falsa no facebook é o pratinho do dia. Numa segunda leitura qualquer um percebe que não  passa de provocação, mas muitos não foram qualquer um. A continuar assim, e resista a desbocar-se àMmarinho, vai aos 20% com uma perna às costas.

A casta que domina os partidos (todos, embora aqui não os misture, há diferenças) ou que neles milita, ou muito simplesmente por politizado que se sente não esteja a cheirar o país em que vive, teme a concorrência. Infelizmente por um Pablo Iglésias tenho um António Marinho Pinto. Fosse o contrário, e obviamente teria muito mais que o meu voto.

7 de Outubro: milhares de alunos sem centenas de aulas

Num mundo governado por gente que gosta tanto de exibir números, é bom que o leitor repare bem no título: por ser dia 7 de Outubro, estamos na quarta semana de aulas e há milhares de alunos sem aulas. Se juntarmos todas as aulas que não houve até hoje, não deve ser difícil chegar às centenas.

Raquel Abecasis, uma representante da direita idiota (pleonasmo?) chegou a dizer que a culpa é dos sindicatos e dos comunistas, ou seja, dos professores, essa classe poderosíssima que, na realidade, manda no Ministério da Educação. Uma pessoa mais impressionável pode chegar a imaginar que os ministros e os secretários de Estado nem conseguem chegar aos respectivos gabinetes, impedidos por uma horda de perigosos barbudos e barbudas revolucionários que ocuparam o edifício da 5 de Outubro em Abril de 1974 e ainda de lá não saíram. José Manuel Fernandes, sempre na palhaçada (ou não fosse membro da direita idiota), conseguiu declarar que isto dos concursos dos professores é tão difícil que não há computador que aguente e a culpa, já se sabe, é de Mário Nogueira e dos guerrilheiros entricheirados na sala de fotocópias do Ministério.

Entretanto, no dia 7 de Outubro de 2014, há milhares de alunos sem centenas de aulas. Pensai nestes números e, antes de organizardes milícias para combater os comun… os professores, lede. Lede muito. Lede, até, o texto de João Miguel Tavares, um homem de uma certa direita que, por vezes, contraria os pleonasmos. É o primeiro da lista.

Caro Nuno Crato: ainda aí está? – João Miguel Tavares

O que se passa nas escolas? Os casos contados pelos leitores

Eles ainda estão à espera de um dia de escola normal

À quarta semana de aulas há milhares de alunos com furos

Escola em Lisboa encerrada por falta de professores

Professores contratados admitem que “caos nas escolas” se mantenha na próxima semana

Adenda: texto fresquinho do Paulo Guinote – Implosão do Ministério da Educação e Ciência: objectivo atingido

“Barca do Inferno”? é mesmo!

Quero aqui deixar público o meu reconhecimento a Raquel Varela e Isabel Moreira pelo inglório mas empenhado esforço com que tentaram salvar do naufrágio a “Barca” do Nilton. Em vão. Manuela Moura Guedes e Marta Gautier encarregaram-se de tornar este novo programa irremediavelmente intragável. A “Barca” não navega. Afundou-se mal se fez ao mar.

Um politico zangado

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Foto: Lucília Monteiro / Expresso

Marinho e Pinho, eurodeputado a prazo, foi entrevistado por Maria Flor Pedroso. Retrato de um político zangado, a derrapar nas curvas do seu próprio discurso. Cativará os votos do crescente magote de insatisfeitos com os políticos?  Eu cá acho difícil mas, depois de  meia dúzia de tiros ao lado, prognósticos só no fim do jogo. Vale a pena ouvir.

Escolas sem professores

Este filme de terror prova uma coisa: o quadro de tantas escolas está por preencher. Não é um erro só do Crato, mas dos seus antecessores.

Ativadas? I’ve smelled a rat

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© Brian Cliff Olguin for The New York Times (http://nyti.ms/1pGZbGN)

Como aconteceu ao James Bond, no final de Os Diamantes São Eternos, “I’ve smelled a rat”. De facto, quando se lê ‘ativar’ em vez de ‘activar’ ou ‘ativo’ em vez de ‘activo’, num texto aparentemente escrito em português europeu, devemos desconfiar. Sendo verdade que o Mouton Rothschild é um clarete, também não podemos esquecer que ‘ativar’ e respectivas formas flexionadas são características do português do Brasil.

Para que não haja dúvidas, consultemos a Folha de S. Paulo:

Cada conjunto de neurônios de localização só se ativa em um local específico.

Mais de 30 anos depois, em 2005, o casal Moser descobriu outro tipo de neurônios que se ativam no córtex entorrinal quando os animais estavam em uma região, formando um mapa.

Efectivamente: ‘neurônios’ e ‘ativa’ (como “em uma região” ou “em um local”, mas essa é outra conversa) indicam-nos que estamos a ler um texto escrito em português do Brasil.

Por isso, ao contrário daquilo que se lê no Expresso, as células nervosas identificadas por John O’Keefe não são *ativadas. Aliás, basta ler-se o texto de Ana Gerschenfeld, no Público de hoje, para rapidamente se perceber que “certas células se activavam”. Exactamente: activavam.

O Comité Nobel é claro

In 1971, John O´Keefe discovered the first component of this positioning system. He found that a type of nerve cell in an area of the brain called the hippocampus that was always activated when a rat was at a certain place in a room.

Por esse motivo, é incompreensível esta adaptação do Expresso:

John O’Keefe identificou, em 1971, o primeiro componente deste sistema de localização ao perceber que um determinado tipo de células nervosas de um ratinho, localizadas numa região do cérebro – o hipocampo -, eram ativadas quando este estava num determinado local de uma sala.

Dito isto, parabéns a John O’Keefe, May-Britt Moser e Edvard Ingjald Moser.

Regresso ao tempo dos coronéis?

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Parece que a extrema-direita brasileira acordou hoje com hipóteses de regressar ao Planalto.

Da salgalhada que é o sistema político brasileiro, onde ainda domina a Globo embora os televangélicos  tenham conquistado algum terreno, resulta também a anedota de para os nossos jornalista Aécio ser o candidato socialista e social-democrata, que deve ser a área política de Passos Coelho, Dilma será trabalhadora e eu sou a Josefa de Óbidos.

É um risco que em termos internacionais, em particular para a América latina, pode ser um retrocesso grave. Mas que terá as suas vantagens: quero ver o “neoliberais” saudosos da ditadura a esfrangalharem a economia brasileira, a levarem com o povo nas ruas (povo pobre mesmo pobre, que os outros já lá andaram), e pode ser que a esquerda ganhe juízo. Desde que não acabe em ditadura militar (o que é sempre uma ameaça e vontade não lhes falta), às vezes a social-democracia aprende quando perde. E Dilma tem muito a aprender nas suas cedências aos oligarcas.

25 de Abril sem chaimites, sempre

José Xavier Ezequiel

MARINHO_E_PINTO_MPT_MAIO_2014

Marinho e Pinto, nada à vontade com a utilização pouco católica da célebre barriga de aluguer, que agora o obriga a assumir a paternidade da criança e a ganhar um vergonhoso ordenado no Parlamento Europeu, fundou hoje o seu próprio partido.

Foi em Coimbra. Chamou-lhe Partido Democrático Republicano, uma ideia praticamente genial. Não só é democrático, como é mesmo republicano, o clássico dois-pelo-preço-de-um do Minipreço. Melhor ainda, fez a sua activação (como agora se diz no mundo da publicidade) no dia da República. É muito bem visto. Assim, à primeira vista.

Contudo, em Portugal, onde (excepto o hilariante PPM) todos os partidos são republicanos e, até por razões constitucionais, são também democráticos, chamar a um novo partido — Democrático Republicano — é o mesmo que chamar vinho tinto ao vinho tinto e vinho branco ao vinho branco. Ficamos a saber o mesmo. É um PRD sem general, aquele perfume revolucionário na frase, “Tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, as privatizações também não o serão”, a incessante busca de um novo e verdejante “25 de Abril sem chaimites”.

No mundo empresarial, este expediente seria liminarmente proibido: não se pode registar um cabeleireiro chamado Cabeleireiro, uma tasca chamada Tasca ou um bordel chamado Bordel. Porém, no subportugal partidário, tudo é possível. Para usar a sonora adjectivação do arrependido do MPT, um autêntico “regabofe”.

A verdade é que ainda existe um Partido Popular Monárquico (tudo junto, no mesmo partido) e até um Partido dos Animais e da Natureza. Por isso, já nem consigo ficar espantado por ver o fundador de um novo partido afirmar, no exacto dia da sua fundação — “Queremos pôr termo ao monopólio dos partidos.”

Dia Mundial do Professor

No Dia Mundial do Professor, é importante lembrar que o Ministério da Educação, que teve vários meses, para não dizer anos, para preparar um concurso de professores, conseguiu a proeza de falhar redondamente.

Em consequência disso, houve professores mal colocados. Nuno Crato pediu desculpa e prometeu que ninguém, incluindo professores, seria prejudicado.

Tendo em conta o que sabemos sobre o chefe do governo, seria surpreendente que uma promessa fosse mantida por algum dos seus subordinados. Assim, há centenas de professores que, ao fim de três semanas de aulas, serão obrigados a mudar de escola e/ou de terra, o que, para muitos, acontecerá pela segunda vez este ano lectivo. Para além disso, há milhares de alunos que serão afectados por mais uma mudança.

Hoje, é o Dia Mundial do Professor. Em Portugal, os professores estão a ser maltratados desde 2005.

Neste Dia Mundial do Professor, leia-se a história da professora Céu Bastos que, sendo de Bragança, foi colocada em Constância, para, pouco tempo depois, ser obrigada a ir para o Algarve. Mesmo que esta fosse a única vítima de um erro ministerial, haveria sempre demasiadas vítimas.

Nuno Crato, tal como as suas duas antecessoras, não merece perdão e desejo-lhe um resto de vida muito feliz longe da Educação. No entanto, cada vez mais dou por mim a perguntar-me se uma classe tão agredida e tão passiva terá menos culpas que ministros destes?

É preciso ter lata

cavacoSois vós a falar, Senhor Presidente? “Últimas décadas”, sabendo que ainda não completamos quatro após o 25 de Abril? Isto significa que admirais, senhor, as décadas anteriores a estas ou tentais excluir a década que governastes – mal, para mal de (quase) todos nós – na condição de primeiro ministro, no tempo em que ereis vivo?Tereis vós tido o topete de afirmar:
“os agentes políticos devem assumir, de uma vez por todas, uma cultura de responsabilidade e uma cultura de verdade”, em vez da “prática constante, sobretudo nas últimas décadas, [de] fazerem-se promessas e anunciarem-se medidas irrealistas com vista a conquistar o apoio dos cidadãos e o voto do eleitorado”.
Tendes uma distintíssima lata, concedo-vos. E uma absoluta falta de vergonha na cara.