Camaradas artificiais

A pergunta óbvia, que Sam Altman não antecipou que se colocasse, quando escreveu no Washignton Post há mais de seis meses, mas que se coloca agora, depois da eleição de Trump, da proximidade das grandes tecnológicas americanas com o novo presidente, do que Elon Musk tem feito, mas também do que outras grandes tecnológicas têm feito, é óbvia e trágica para a América e o Ocidente: entre uma Inteligência Artificial que nos oferece as verdades de Xi Jinping e do Partido Comunista Chinês e outra que não sabemos se um dia não nos oferecerá a verdade de Elon Musk, Trump ou companhia, a escolha democrática é assim tão óbvia? Obviamente que não.

Henrique Burnay, Expresso

FdP(II)

Eu já estava convicto que ser de esquerda, implicava, em grande parte dos casos, uma insuficiência cognitiva, uma espécie de “deficit” intelectual e ético. Mas não esperava que fosse tão óbvia e tão estúpida e facilmente assumida. É que nem conseguem perceber que o que argumentam só faz sentido numa perspectiva muito curta, muito superficial ou então, na cabeça deles (o que é basicamente uma clara equivalência).

Ser de esquerda e ao contrário do que pretendem fazer crer nada tem a ver com solidariedade, empatia, generosidade, etc. Não, não são donos desses valores. Nem de perto nem de longe. Isso são apenas vertentes humanas que não definem nenhuma ideologia e, seguramente, não definem de certeza qualquer tese de influência socialista. Até porque quer a teoria quer a prática demonstram que aqueles princípios só são trafulhamente usados pela esquerda como isco para “lorpas”. Porque solidariedade, empatia e generosidade só fazem sentido se reconhecermos “a priori” evidências como, por exemplo, a natural e legítima aspiração à propriedade individual. Só se pode ser verdadeiramente generoso com o que é nosso. Ser generoso com o que é de outros ou maioritariamente de outros… acho que tem um nome diferente. 

Ser de esquerda parece ser uma opção (ainda é permitido dizer “opção”, não é) pelo uso voluntário de antolhos (para quem não sabe, são aquelas palas que se colocam perto dos olhos dos cavalos para lhes reduzir a amplitude da visão). Parece que há uma qualquer cerimónia iniciática onde se jura pelas “barbas do Marx” que nunca mais se atreverão a pensar sem estarem autorizados (e quase nunca estão) e principalmente quando raramente o forem, não pensar coisas proibidas. E aqui surge a enorme confissão de “pequenez” da esquerda: saber o que é proibido? E a resposta que se dão a si próprios é sovieticamente automática: proibido é o que o comité central respectivo disser que é proibido porque eu não consigo (ou, no mínimo, escolho não conseguir) por mim próprio estabelecer as minhas linhas vermelhas.

Lêem alguém a supostamente criticar “o dinheiro” e assumem: ah, carago, este é dos nossos, é de esquerda. Porra lá para a “curteza” de raciocínio. Primeiro, e se lerem com cuidado, no meu post anterior não pretendi exactamente criticar o dinheiro. Critico, sim, muito e de forma radical a importância que damos ao dinheiro e a aceitação generalizada que uma mera ferramenta pode ser um objectivo ou pior ainda, “o” objectivo que nos classifica socialmente. Ver nisto algum indício de “esquerdalhismo” é o mesmo que ver um comunista no psiquiatra que diagnostica um “acumulador doentio” ou um marxista dos “quatro costados” no crítico da ganância sem sentido ou da cupidez infinita. É claro que para perceberem isto, teriam de colocar o vosso 2º neurónio a funcionar e, enfim, digamos que é algo que não vos é fácil.

Mesmo tendo começado por tentar que lessem o que escrevi livres de preconceitos ideológicos, mesmo tendo solicitado que percebessem que a questão não era de direita ou de esquerda, mas sim humana, não adiantou. Já sabem o que são antolhos, não sabem? Pois. E vá lá que me lembrei de meter a “bicada final” ao comunismo (mesmo que isso não deixe de constituir uma contradição à minha tentativa inicial de assepsia ideológica). Se não o tivesse feito, já estaria inundado de propostas para militante do BE (mais conhecidos por “olhem para o que eu digo e não para o que eu faço”), do PC ou outra qualquer agremiação digna de ser apoiada pela Cercigaia.

Eu sei que não compreendem que um liberal ouse criticar uma ideia aparentemente liberal. E esta (eu sei que não é fácil compreender) é quase exógena ao liberalismo. Cruzes, canhoto. Criticar a nossa ideologia??? Isso na esquerda é pura blasfémia e razão suficiente para umas férias “desvoluntárias” num qualquer resort siberiano em regime TI(mmmpedpeg), Tudo Incluído, mas é mesmo muito pouco, enfim, dá para emagrecer à grande. Com regresso assegurado em transfer organizado por um qualquer cangalheiro lá do sitio.

No fundo é mais ou menos como um liberal ser acusado de recorrer ao SNS em vez de ir ao privado. Numa conclusão (só compreensível para a “genial” esquerda) que o liberal por ser liberal tem as mesmas obrigações fiscais que os outros, mas muito menos direitos. Do género, chegar à bomba de gasolina em “pré-pagamento”, ir ao balcão protestar com o preço da gasolina, pagar um depósito cheio e ir embora sem atestar porque fazê-lo era contradizer-se. 

Vamos lá ver se conseguem compreender (peço desculpa por não conseguir mesmo fazer uma escrita mais pausada, uma escrita quase soletrada). Eu não sou contra o dinheiro. Acho uma ferramenta essencial à organização social. Sou contra a veneração avassaladora que se tem por uma mera ferramenta. Sou contra a avidez acumuladora para lá do saudável. Isto não deviam ser valores políticos. Deviam ser meramente humanos. Mais, nada tenho pessoalmente contra os ricos e contra quem busca incessantemente ganhar mais dinheiro todos os dias. Tenho contra as pessoas que valorizam desmedidamente essas situações. Pior, ao contrário da frugal intelectualidade da esquerda, eu não quero proibir nada. Não quero repressão legal. Quero mudar consciências. Mesmo que seja difícil ou quase impossível. Quero pôr as pessoas a pensarem por si próprias e a questionarem algo que aceitam sem discussão. A humanidade, a bondade, a empatia não se impõem por decreto. Ou, pelo menos, não são eficientes se forem impostas por decreto. Têm de ser sentidas e só o podem ser se forem conclusão dum processo individual lógico.

Provavelmente faltar-me-á o talento mínimo para conseguir mesmo “agitar” consciências. Mas, pelo menos, tento. Sem proibições. Apenas a pedir às pessoas que pensem. Só isso. Mas eu sei que esse objectivo, que essa liberdade é um conceito que vos é estranho. Como quase todas as liberdades.

Aliás percebam uma inelutável evidência: se antes de discutirmos política, discutíssemos humanismo quando chegássemos ao momento de discutir política, compreenderíamos de imediato que o socialismo não faz qualquer sentido. Compreenderíamos que é “contra natura”. Que é um factor catalizador de pobreza, de miséria, de desgraça, de injustiça e de autoritarismo. Porque o cuidado primordial com os menos favorecidos já estava assegurado. Que esse cuidado só tinha valor quando era espontânea, livre e individualmente  decidido. Que o mirífico “estado social socialista” só era um convite arrasador e destrutivo ao demérito, à iniquidade e sobretudo à inibição de liberdades.

Desenganem-se: a esquerda não é a dona dos essenciais valores humanos. Pelo contrário e se teoricamente já o era possível compreender de forma prévia, a história tem demonstrado que a esquerda é mesmo a maior algoz daqueles princípios.

Atinem. Tentem pensar, por favor.

Deepfucked

Os chineses criaram o seu próprio ChatGPT. Chama-se Deepseek. A ferramenta é de tal forma eficaz que o sector tecnológico norte-americano caiu desamparado na bolsa de Wall Street e perdeu mais de 600 mil milhões de euros. Afinal, o poder das tecnológicas não é assim tão grande.

O que se passou ontem ajuda a explicar a deriva autoritária do capitalismo, sobretudo nos EUA. É que, para o grande capital, para usar a expressão do PCP, os lucros tendem a sobrepor-se à democracia e aos direitos humanos.

Foi assim quando os grandes empresários alemães se aliaram a Hitler, é assim quando bilionários como Elon Musk atacam sindicatos e políticas sociais, e usam os seus recursos quase infinitos para financiar e promover forças de extrema-direita. [Read more…]

Vladimir Trump e a separação de poderes

Trump mandou despedir os procuradores que o investigaram. A oficialização da natureza autoritária dos EUA segue imparável.

Amigos de Elon, por Philipe Low

“I have known Elon Musk at a deep level for 14 years, well before he was a household name. We used to text frequently. He would come to my birthday party and invite me to his parties. He would tell me everything about his women problems. As sons of highly accomplished men who married venuses, were violent and lost their fortunes, and who were bullied in high school, we had a number of things in common most people cannot relate to. We would hang out together late in Los Angeles. He would visit my San Diego lab. He invested in my company.

Elon is not a Nazi, per se.

He is something much better, or much worse, depending on how you look at it. [Read more…]

O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.

No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.

Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.

Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.

Adiante.

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O “FdP”

Estou cada vez mais convencido que não são as diferenças ideológicas que nos separam, mas o carácter de cada um de nós. Na clara evidência que muitas opções políticas que cada um escolhe, são, desde logo e obviamente, determinadas pelo nosso perfil psicológico.

Mas para não descer à minudência dos pequenos pormenores que, bem ou mal, estabelecem as diferenças entre nós, o que levaria a discussão para patamares exponenciais e microscópicos, retirando-lhe, na prática, qualquer benefício, tentarei expor apenas uma distinção maior, mais abrangente e também mais determinante.

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TrumpTok

Trump em 2020: Vamos banir o Tiktok. Esta aplicação é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

Trump em 2025: O Tiktok não pode ser banido. Vou reverter a lei para proteger a segurança nacional dos EUA.

Anschluss?

Parabéns a todos os americanos que elegeram este Adolfo, e também a todos os fascistas por essa Europa fora, que rejubilaram com a sua vitória. Estou em pulgas para ouvir as balelas nacionalistas de Ventura e respectiva entourage, no dia em que vierem pelas Lajes.

Jimmy Carter (1924-2024)

Jimmy Carter foi, de todos os presidentes americanos, aquele que mais vezes esteve do lado certo da história. O mais decente, a meu ver, dos inquilinos da Casa Branca. E se a sua morte era expectável, pelos 100 anos e pelo estado muito debilitado da sua saúde, não deixa de ser significativo que a sua partida coincida com o momento mais frágil da história da democracia americana. Que descanse em paz.

Olhe que não, senhor arcebispo, olhe que não

O arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, agradeceu a resistência ucraniana contra as “ondas avassaladoras do comunismo ateu”, pese embora a Federação Russa seja hoje o típico regime ultraconservador e nacionalista de extrema-direita, apoiado pela cúpula de igreja ortodoxa russa, com a qual o Kremlin mantém laços tão fortes e estreitos como aqueles que uniam a igreja católica e o Estado Novo.

Se o objectivo do senhor arcebispo era picar os comunistas, faria mais sentido atirar-lhes a China à cara. A central de financiamento da extrema-direita populista está mais próxima do pensamento político da ICAR do que do PCP. A Rússia de 2024 não é a URSS da Guerra Fria. Ou o senhor arcebispo julga que Putin financiou católicos militantes como Le Pen e Salvini por caridade?

Como o Hamas derrubou Al-Assad

Ironicamente, o atentado terrorista do Hamas contra civis israelitas, a 7 de Outubro do ano passado, foi o último prego no caixão do regime de Bashar al-Assad.

Como?

Assim: Israel reagiu com a brutalidade genocida que é conhecida, o que levou o Irão a ordenar que o seu proxy Hezbollah explorasse as (alegadas) fragilidades do exército israelita a norte.

Como essas fragilidades não existiam, Israel respondeu com a aniquilação total do topo da cadeia de comando e destruiu a infraestrutura dos fundamentalistas libaneses, deixando o Hezbollah a soro. [Read more…]

O governo caiu, mas os alemães têm memória

O governo alemão caiu. Especialistas instantâneos em política interna alemã apressaram-se a garantir que vem aí a extrema-direita, porque Trump ganhou nos EUA e porque Le Pen está na linha da frente para suceder a Macron.

Sucede que na Alemanha, ao contrário de França e sobretudo dos EUA, vigora um sistema político cujo poder reside no Parlamento e no governo que dele resulta. E, ao contrário daquilo que acontece com a direita liberal e conservadora em países como Portugal, Espanha ou França, na Alemanha não há registo de cedências à extrema-direita. [Read more…]

Como converter terroristas em freedom fighters

A queda de Bashar Al-Assad é uma excelente notícia. Como foram boas as notícias da queda de Saddam ou Khadafi.

O problema, derrubados que estavam os ditadores do Iraque e da Líbia, foi não haver um plano para o dia seguinte.

O resultado? Ambos os países conseguiram a proeza de se tornarem ainda mais ingovernáveis e infernais para os seus habitantes.

O Iraque de 2024 é palco de incessantes conflitos entre inúmeras facções e atentados terroristas semanais, quando não diários.

A Líbia vive um caos idêntico, com a agravante de se ter transformado num mercado esclavagista e numa plataforma giratória de tráfico de seres humanos. [Read more…]

Nova Ordem Mundial

Donald Trump, licenciado em conluios, mestre em fraudes fiscais e doutorado em nepotismo, decidiu entregar o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental a Elon Musk e Vivek Ramaswamy.

Nota artística: não só se diz que o departamento foi ideia do próprio Musk, como o seu acrónimo – DOGE – é literalmente uma homenagem à Dogecoin, a criptomoeda favorita do principal oligarca e financiador da segunda vinda do trumpismo, versão “on steroids”. Ou então é só uma coincidência muito engraçada.

Adiante.

Nem me vou indignar com o inegável conflito de interesses de ter dois potenciais beneficiários das borlas fiscais de Trump a gerir um departamento cujo principal objectivo é cortar nas gorduras de um Estado que nem SNS tem. Mas que não se inibe de gastar muitos milhares de milhões em armas, para manter aquele que, ano após ano, é o exército com maior orçamento do mundo. E não é expectável que Trump aceite cortes no sector militar. Para não falar nos muitos contratos das empresas de Musk com o estado federal, na Defesa e na NASA, que dificilmente sairão beliscados. [Read more…]

Drain the swamp and fill it with brand new shit. 

Donald Trump, mestre em conluios, fraudes fiscais e nepotismo, decidiu entregar o Departamento de Eficiência Governamental a Elon Musk e Vivek Ramaswamy, dois empresários com interesses na área, seja enquanto fornecedores do governo, seja enquanto beneficiários das borlas fiscais que vão resultar do desinvestimento no sector público.

Há quem garanta que é com tarifas, conflitos de interesses e tachos para esta nova oligarquia que o capitalismo será mais forte. Mas eu ainda sou do tempo em que o capitalismo era feito de mercados livres, livre concorrência e – alegado – mérito. No fundo, o capitalismo é aquilo que quem manda nos EUA quiser que ele seja. O que só reforça ainda mais a farsa em que se transformou.

Drain the swamp and fill it with brand new shit.

América Desigual

Todos achamos isto e aquilo sobre o desfecho das eleições americanas. Há análises para todos os gostos e vamos andar nisto alguns meses. Até porque o que se decide em Washington afecta a humanidade em bloco.
O que eu acho, e já achava antes – e quem comigo conversou e debateu o assunto ao longo dos últimos meses sabe que estive sempre convicto que Trump ganharia fácil a eleição – é que os Democratas e as suas elites se afastaram, há muito, das pessoas comuns.
Não necessariamente por causa do fenómeno woke, em todas as suas muitas dimensões, que há muito ultrapassaram a barreira do absurdo, mas porque os EUA, sendo a maior economia do mundo, são um país profundamente desigual.

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Donald Trump: masturbação e sexo oral em defesa da herança judaico-cristã

Na imagem temos Donald Trump, num comício no swing state do Wisconsin, a simular masturbação e sexo oral com um microfone, para gáudio dos militantes da sua seita.

E não, não é IA. Aconteceu mesmo. Na volta achou que estava numa festa do Puff Daddy. Ou na ilha do Epstein. Lembrem-se disto da próxima que alguém vos tentar convencer que este javardo é o representante na Terra da herança judaico-cristã ocidental. O último bastião da moral e dos bons costumes. Um conservador à moda antiga.

Não é.

É só um manipulador de fanáticos, racistas e extremistas, um boneco de Putin que instrumentaliza a religião com o objectivo de destruir o que resta da democracia.

A liberdade que os gurus de André Ventura têm para nos oferecer

Qualquer semelhança com uma distopia inspirada nos regimes nazi ou soviético não é pura coincidência.

O primeiro debate Walz/Vance de 2024

(Transcr.) [Read more…]

Transição Chinergética

Até julho, Portugal importou €443 milhões em painéis fotovoltaicos chineses.

O centrão queque, que se faz passar por esquerda

nunca desilude. Caviar é isto, liberachos.

11 de Setembro

Passaram 23 anos.

O mundo mudou, para pior, e ainda sentimos as ondas de choque de um atentado terrorista repleto de pontas soltas e muito por explicar.

Explicações que, seguramente, nunca chegaremos a conhecer.

O 11 de Setembro colocou um ponto final num período único de prosperidade ao qual dificilmente voltaremos. Felizes de nós, que fomos miúdos nos anos 90. Desde então tem sido sempre, sempre a descer…

O primeiro debate Harris/Trump de 2024

(Transcr.) [Read more…]

Macron em roda livre

Michel Barnier, negociador do Brexit, é o novo primeiro-ministro da França. Macron não descansa enquanto não destruir o sistema político francês.

Dúvida (i)nocente

Netanyahu agora apresenta o boletim meteorológico?!

Elon Musk e liberdade

Nos últimos tempos, temos visto crescer a imagem do oligarca sul-africano Elon Musk como um deus da liberdade de expressão, um rei libertário das massas oprimidas no Twitter.

Se a visão de um oligarca como “um defensor da liberdade”, seja ela qual for, já é abusiva, todo o endeusamento à volta do bilionário atesta o delírio colectivo. Isto porque “liberdade” e “bilionário” são duas ideias contraditórias entre si; nenhum bilionário nos trará liberdade, mas ao assumir-se como um paladino da mesma, nós, comuns mortais, estamos a assegurar a sua. E a sua liberdade é a de poder continuar a lucrar desmesuradamente com os seus negócios, aqueles onde nós investimos, mesmo sem nos apercebemos. Não pode ser uma musa da liberdade aquele que se opõe a que os seus trabalhadores usufruam das liberdades a que têm direito como, por exemplo, o direito à greve, ao qual o oligarca Musk se opõe.

Elon Musk não é exemplo de nenhuma virtude, a não ser a aparente virtude de ter muito dinheiro. Se é que isso é uma virtude por si só (plot twist: não é). Mas pode vir a sê-lo, basta querer. Em primeiro lugar, pode começar por re-admitir aqueles que despediu: os moderadores de conteúdo que tinham a tarefa de monitorizar crimes na internet. Excluir as carradas de contas de nazis que deixa andar livremente por uma plataforma mainstream, pode já ser um passo.

Depois, é simples, fecha as portas da Tesla na China, no Catar, nos Emirados Árabes Unidos, na Hungria e na Turquia, países onde não existe… liberdade de expressão.

Até lá, será apenas o rei da manipulação com um objectivo único: manter-se no topo da lista dos oligarcas mais oligarcas do mundo. E se Portugal seguisse o exemplo do Brasil, poderíamos começar a pensar em libertar, finalmente, os nossos jovens do jugo das redes sociais vistas como “mundo real”.

Liberdade haverá quando não houver espaço para nem mais um Elon Musk.

Elon Musk é um hipócrita

Wannabes com posters de Musk e Andrew Tate na escrivaninha julgam que o dono do Twitter é um paladino da liberdade de expressão.

Estão enganados. Musk é só mais um hipócrita que está no topo da cadeia alimentar da elite que diz combater, a dar lições de moral que não tem.

O braço de ferro com o Brasil, por exemplo, é meramente ideológico. Uma cultural war. Porque se a sua preocupação fosse a liberdade de expressão, que não é nem nunca foi, fechava a operação da Tesla na China, que de resto tem a sua rede bloqueada.

Elon Musk é um hipócrita. E está tão preocupada com a liberdade de expressão como com os direitos dos seus trabalhadores.

Macron não descansa enquanto não entregar o país a Le Pen

Primeiro destruiu o centro, depois governou como um Napoleão da Wish, agora confirma aos franceses que não é confiável. A direita alegadamente liberal e moderada é, cada vez mais, a melhor amiga extrema-direita.

Harris v Trump

Votar em Harris e lutar politicamente 4 anos, ou votar em Trump e não votar novamente. (Palavras do próprio)