Governo garante que o corte dos subsídios não pode ser permanente. Permanente ou temporário, esse corte nunca deveria ter sido aplicado pelo Governo. E a probabilidade de suceder o que Weiss disse é maior do que a garantia de Moedas. A CE é quem mais ordena.
Fim dos subsídios ou a eternização do roubo
O germanófilo Peter Weiss, austríaco de nascimento, comissário europeu, admite que Bruxelas venha a transformar em definitivo o corte dos subsídios de férias e de Natal a funcionários públicos, trabalhadores de algumas unidades do SEE, reformados da função pública e pensionistas do sector privado, exceptuando, no último caso, os beneficiários dos fundos de pensões da banca.
A medida do corte é de exclusiva iniciativa e responsabilidade do apóstata Passos Coelho, sob concepção e ‘design’ do sublime artista Gaspar; excessiva, lembre-se, em relação ao ‘memorando de entendimento’. Bastará rememorar elucidativos trechos desse memorando, subscrito pelas duas troikas, FMI-CE-BCE e PS-PSD-CDS; vejamos:
Da página 3:
Ponto 1.9:
- Congelar salários do sector público em termos nominais em 2012 e 2013 e constrangimento das promoções.
Ponto 1.11:
- Reduzir pensões acima dos 1.500,00 euros mensais em conformidade com as taxas progressivas aplicadas aos salários da função pública em Janeiro de 2011, com o objectivo de obter economias de pelo menos 445 milhões de euros.
- Suspensão da aplicação de regras de indexação e congelamento das pensões, excepto para as pensões mais baixas, em 2012. [Read more…]
Alfredo Marceneiro, a minha freguesia
Ao contingente ministro Relvas; a todos a quem o desfile de Sábado, em Lisboa, das freguesias de Portugal provocou perturbações neurológicas, gastrointestinais e demais patologias causadoras de insónia e de males anatómicos e fisiológicos relacionados com o sexo; aos que odeiam o fado lisboeta, por ser lisboeta; aos que se espumaram de raiva quando viram e ouviram tambores e adufes, bandas e cantares do Portugal popular e rural desfilando nas ruas alfacinhas; a todos esses, e ainda àqueles que teimam em não entender que só na capital é possível aglutinar o protesto de dezenas de milhares de habitantes de freguesias do País inteiro, dedico, com fausto e júbilo, este fado do “Tio Alfredo”:
(Para esclarecimento geral, diga-se que o “Tio Alfredo” foi operário da CUF, com a profissão de marceneiro)
Oh! Passos vai aprender e leva o Álvaro!
Linha Sines-Badajoz não tem continuidade no lado espanhol. As promessas de Passos e do incapaz Álvaro quanto à ligação ferroviária de Sines a França e Norte da Europa, afinal, não são, assim, tão exequíveis. A necedade dos ignorantes impõe-se à necessidade do falar informado e com seriedade.
O défice na Constituição…olha m’esta hein!
Passos desafia Seguro a limitar o défice na CRP. Os jotinhas de ontem, líderes de hoje, ignoram em absoluto o racional das contas públicas. Não me supreenderá que Seguro aceite.O défice público não se resolve por artitíficios políticos – em 2004, a Alemanha excedeu o limite pela terceira vez consecutiva. “É a ecomonia, estúpidos!”, como dizia o outro.
Carmen Souza: crioulo, morna e jazz
À excepção de alguns eventos associados à minha vida pessoal e familiar em Portugal, África foi o continente onde, anos a fio, vivi as emoções mais intensas da minha vida. Umas tristes, testemunhando sofrimentos e miséria intoleráveis; outras, marcadas por momentos mágicos de espiritualidade e prazer, difíceis de descrever por palavras, mas que a pulsão dos sentidos torna arrebatadores.
Com ‘sodade’ dessa terra Cabo Verde, lembro as noites quentes de S.Vicente, rememorando também os sons de crioulo, ritmados e quase chorados, saídos da garganta da mestiça de pele de ébano e olhos verdes. Saravá Mizé!
Distante no tempo e no espaço, dou hoje um salto imaginário até lá, através voz de Carmen Souza. Uma lisboeta, filha de cabo-verdianos, hoje praticamente radicada em Londres e correndo mundo. Instrumentista e cantora de criativo talento, proporciona-me reviver o crioulo, a morna e o jazz. Uma simbiose que me delicia.
A brutalidade da PSP e o silêncio dos coniventes
Ao longo do meu percurso de vida desde a adolescência, sempre tive com a PSP uma relação de indiferença, distanciamento e de contido asco. Começou no final de tarde do dia 1 de Maio de 1962, mais precisamente. Eu e um colega de trabalho, ambos ‘teenagers’, descemos a Rua da Prata, em Lisboa, em direcção ao transporte e, de súbito, deparámo-nos com uma manifestação contra o regime salazarista, no Terreiro do Paço; a organização e a realização eram por nós ignoradas.
Sem que tivéssemos ensaiado quaisquer gestos ou brados, fomos inesperada e cobardemente agredidos por dois agentes da PSP. Pusemo-nos em fuga, um para cada lado. Todavia, o meu amigo E., soube depois, ao ser marcado por um jacto de tinta azul, lançado por uma viatura especial da PSP, acabou por ser detido e enviado para a Prisão de Caxias, cerca de 1 mês.
Com efeito, nesse dia, 1 de Maio de 1962, contraí uma espécie de virose vitalícia contra a PSP e quem a dirige. Desprezo-a sempre e, na minha vida pessoal, felizmente nunca necessitei dos seus préstimos, nem jamais tive problemas com semelhante gente, a não ser duas ou três multas por estacionamento irregular; as quais paguei, naturalmente. [Read more…]
Direito à greve, à democracia e à crítica
O direito à greve está legitimado pelo Art.º 57.º (Direito à greve e proibição do lock-out) da CRP e subsistiu em 2005, quando da última revisão constitucional, com os votos de uma maioria qualificada; ou seja, com reiterada aprovação do PSD, agora no governo, uma vez que, em anteriores ocasiões, esse partido já havia expressado idêntico consentimento parlamentar.
Trata-se, pois, de um direito que, à luz do normal funcionamento da vida democrática e da CRP, é reconhecido aos trabalhadores. O que pode questionar-se, no âmbito direito da liberdade de expressão também constitucionalmente reconhecido, são os motivos, a oportunidade e os objectivos de realizar uma greve, mais a mais geral como a de hoje.
Na minha opinião, legitimamente diferente de outras, apenas discordo quanto à oportunidade e resultados. Tratando-se de um instrumento de luta fundamental, na conjuntura de relações laborais em revisão e favoráveis ao patronato, esse direito não deve ser utilizado gratuitamente; sob o risco de descredibilizar a acção grevista, à qual, diga-se, muitos dos trabalhadores do sector privado estão impedidos de aderir, por receio de retaliação por parte de administradores e patrões. [Read more…]
Combustíveis – as macro-análises e o pragmatismo
Os preços de venda ao consumidor (PVP) dos combustíveis em Portugal – imagino que também em outros países – é matéria frequente de polémica; em especial, em momentos de conjuntura de alta de preços do petróleo.
Neste domínio, devido a condicionalismos da localização geográfica, a imperativos de competitividade face aos espanhóis e a outros factores de carácter sócio-económico, em vez de macro-análises à escala europeia, o pragmatismo recomenda, a meu ver, o recurso à comparação de impostos e PVP entre Portugal e Espanha.
Como é explicitamente referido na informação da Comissão Europeia, as percentagens de impostos (ISP + IVA, no caso de Portugal) correspondem a valores percentuais dos PVP finais.
Parece-me, pois, importante extrair as seguintes conclusões:
-
A carga fiscal em Portugal é maior do que em Espanha (+17,39% na Gasolina e +7,39% no Gasóleo);
-
Os PVP líquidos de impostos equivalem-se, i.e., na gasolina em Portugal cobra-se menos 1 cêntimo por litro (- 1,89%) e, no gasóleo, os valores são idênticos. [Read more…]
Passos e os combustíveis
Subida de preço dos combustíveis pode intensificar-se, palavras sábias do visionário Passos Coelho. Quem mais teria capacidade intelectual de antecipar tal evolução. Passos, com a sua devoção ao Estado mínimo e inerte, excepto para o amigo Borges e outros que tais, argumenta: “É uma matéria que não depende da Intervenção do Governo”. E a flexibilização (redução) do ISP – Imposto sobre os Produtos Petrolíferos depende de quem? Do objectivo do défice, claro. O que, a cada dia, se consolida como utópica miragem, por insuficiência das receitas fiscais.
Vítor Gaspar: viagem inútil aos EUA
O ministro Gaspar decidiu ir aos EUA explicar o ajustamento português Em época de contenção de gastos, de que é o actor principal, o ministro infrige as regras da austeridade e vai por aí fora, até aos EUA. Sem proveito, nem utilidade para o País. Todavia, encontrar Timothy Geithner e outros “men from Goldman Sachs” poderá ser uma vantagem para a sua carreira. Há que aproveitar os tempos de poder.
Basta sorrir!
Somos os mais tristes da Europa. Garantido por estudos, estatísticas, trabalhos de sociólogos, psicólogos, psicossociológos e mais uma horda de académicos europeus, dedicados teóricos dessas coisas, da alegria e da tristeza dos povos.
Internamente, e com antecipado perdão de citar apenas ínfima parte dos especialistas, a tese é compartilhada pelo Valente e o Maltez, pela Mónica e a Alexandra, pelo Barreto e o Freire, e outros, muitos outros, gente prócere em saberes, todos escritores, comentadores e, sobretudo, estudiosos com eloquentes dissertações.
Amaldiçoado País este, geneticamente triste e que, nesta tormentosa crise, vê crescer o sortilégio de maiores desgraças. Para esbater a opacidade das nossas vidas, faltam os Santanas, os Silvas, os Salvadores, os Vianas, as Ivones e as Beatrizes a exorcizar angústias e mágoas, em ‘Teatro da Revista’. Hoje, temos bobos a mais e talentos a menos para a confecção da lusa comédia.
Era de adversidades. Tempo escasso de recursos, até os mais simples de combate à tristeza; mas, a despeito da fatal desdita, de volta e meia, necessitamos de rir, ou pelo menos sorrir. À falta de melhor, e porque é fim-de-semana, tente não rir, porque sorrir basta:
A Irlanda de Olli Rhen e a autêntica
A verdadeira Irlanda descrita pelo Guardian, segundo esta tradução da PRESSEUROP, é bastante diferente daquela que o Comissário Europeu, Olli Rhen, caracterizou há dias em Lisboa.
Onde andará Duarte Lima?
O DN anuncia que Duarte Lima é dos homens mais procurados no mundo, por iniciativa da justiça brasileira junto da Interpol. Que intrigante! Segundo julgo saber, o homem está detido pelas autoridades portugueses, por deliberação reiterada pelo Tribunal da Relação no passado dia 27 de Fevereiro, devido à suspeita de crimes de burla qualificada.
Menos de um mês depois, a Interpol lança este apelo, “wanted”, para localizar o Lima:

Fonte: http://www.interpol.int/Wanted-Persons/(wanted_id)/2012-13800
O sistema de justiça do Brasil, sem peias e os artificiais obstáculos usados na justiça à portuguesa, considera haver suspeitas sobre o ex-deputado no suicídio de Rosalina Ribeiro, incluindo-se no processo actos de crime organizado e outros referidos pelo DN.
BCE e o risco de falência dos bancos europeus
O fútil e a polémica pela polémica – propositadamente, creio eu – ocupam tempos e espaços consideráveis nos ‘media’ e, consequentemente, no debate público, blogosfera incluída. Todavia, de volta e meia, há alguém que resolve evadir-se do superficial e da conversa para pacóvios. Um exemplo: o excelente trabalho de Ana Rita Faria no jornal ‘Público’, sob o título “BCE – o ponto de refúgio do euro está a tornar-se tóxico?”.
Do artigo, destaco o último parágrafo:
“Em momentos de crise, o banco central tem de escolher entre dois demónios. O primeiro é o colapso iminente do sistema bancário, o outro é um risco moral futuro. Um banco central responsável quererá sempre evitar o primeiro demónio”, defende Paul De Grauwe. Para o economista, o BCE devia, desde o início da crise, ter assumido o papel de “credor de último recurso”, comprando ilimitadamente dívida pública e impedindo que as taxas de juro dos países periféricos subissem acima de determinado patamar. Um papel que parece demasiado desafiador, até mesmo para o “Super-Mario”.
Devido aos motivos invocados pelo professor da Universidade de Lovaina, o sistema bancário europeu está seriamente ameaçado de falência, podendo vir a revelar-se inúteis os esforços, de certo modo desesperados, do BCE, dirigido por Mario Draghi; muito contestados, de resto, pelo líder do Bundesbank, Jens Weidmann.
A propósito de deslealdades
Confesso a incómoda náusea causada por essa espécie de epístola cavaquista, endereçada aos portugueses no prefácio do livro “Roteiros VI”. Ao estilo de carpideira, que chora o que não sente, o mais oco dos presidentes da actual república lamenta-se agora ter sido alvo de infame deslealdade por parte de José Sócrates. Invoca a violação do Art.º 201.º pelo ex-PM, ao omitir-lhe a negociação e existência do PEC IV.
Sei desde longa data o que foi Sócrates, que Cavaco não demitiu. Tive o privilégio de nunca ter sido seu apoiante ou votante. Ao contrário, fui crítico, aqui por exemplo.
Sinto-me livre de poder dizer que este enredo ao jeito de novela mexicana, a que ainda ultimamente o PR voltou a dar vida na visita ao navio-escola “Sagres”, é, como muitas outras novelas, um passatempo de mau gosto e uma desforra política inoportuna e ofensiva para os portugueses.
Imagino Sócrates instalado em qualquer “bistrot” de luxo do Boulevard Saint-Michel, a saborear o revivalismo das tropelias passadas, em divertida tele-conversa com Silva Pereira. Como outros anteriores, incluindo o próprio Cavaco Silva, goza do estatuto de inimputável. Não é, de facto, o único.
Lembrar Fukushima um ano depois

Fonte: Jornal “Folha de São Paulo”
Completou-se hoje um ano de uma das mais horrendas tragédias humanitárias. Tudo se passou, no nordeste do Japão, com devastadora celeridade: um terramoto, um tsunami e o desastre na ‘central nuclear’ da Tepco – Tokyo Electric Power Company, em Fukushima.
Os mortos e desaparecidos imediatos, estimados em cerca de 19.000, foram hoje lembrados e lamentados por familiares e amigos. Com a solenidade e o estoicismo próprios da cultura japonesa.
Há anos, um cidadão japonês afiançava-me, em Paris, que o conceito ocidental do bem e do mal era estranho à filosofia de vida do seu povo. O lema, para as gentes do seu país, consistia em reagir perante os factos da vida, adversos ou favoráveis, com determinação, coragem e espírito de conquista. Hoje lembrei-me do seu discurso, justamente pelo tipo de resposta das populações atingidas perante a tragédia de Fukushima e outras cidades da região – Rikuzentakata foi a cidade com maior número de vítimas.
Mas atenção!, as contas de mortos e vitimados pelo trágico acontecimento ainda estão longe do fecho. Na opinião de alguns cientistas, a maior radiação recebida por centenas de milhares de cidadãos, a partir de Fukushima, irá causar um aumento na taxa de cancros, durante as próximas décadas. Serão muitos os atingidos, sendo impossível prever números.
Nuclear? Não obrigado, Srs. Patrick de Barros e Mira Amaral!
De Cavaco a Sócrates, venha o diabo e…
A História do País, sobretudo o Portugal de há 500 anos, não merecia políticos da estirpe de Cavaco e Sócrates; e ainda de todo um exército de funestas figuras que o têm dirigido nas últimas três décadas e meia – a estrondosa maioria, incluindo os que integram o actual governo, está distante de corresponder aos padrões de excelência – excelência, palavra recorrente deles próprios – da História e dos desafios da actualidade.
Parte significativa do povo do País, a determinante na escolha dos políticos que nos têm (des)governado e continuam a (des)governar, merece exactamente os Cavacos, os Guterres, os Sócrates, os Coelhos que têm tido e outros do mesmo grupo genético que, no futuro, a sua escolha elegerá.
Da comunicação social às diferentes vozes que por aí se ouvem, muita gente atingiu o clímax com o prefácio de Cavaco. Problemas de ‘ejaculatio praecox’. Contentam-se e entusiasmam-se com este jogos frívolos até uma dormente exaustão.
De massa cinzenta escassa e fatigada pela ejaculação incontrolada, a dita parcela de gente esquece-se do que está ser confiscado a centenas de milhares de portugueses, incluindo eles próprios, pelo actual governo – excepto se forem trabalhadores da TAP, da CGD e de outros paraísos que o Gaspar – quadro do Banco de Portugal – deixa impunes a cortes salariais.
Em suma, nesta etapa do percurso, pode dizer-se que de Cavaco a Sócrates, venha o diabo e escolha! Sem esquecer os que estão entre ou depois deles.
Coelho caiu na armadilha do amanuense incompetente
O secretário de estado Sérgio Monteiro, em anteriores episódios, já tinha revelado falta de qualificações e capacidade para o cargo que exerce.
Agora, e a provar que o seu perfil profissional não cumpre sequer os requisitos de modesto amanuense, decidiu mandar pagar, indevidamente, à LUSOPONTE a verba de 4,4 milhões euros, referente às portagens de Agosto de 2011 na ‘Ponte de 25 Abril’ – valor que, imagine-se, já havia sido cobrado directamente pela referida concessionária. O erro do amanuense, na utilização de dinheiros públicos, só é explicável pela iliteracia profissional do próprio e da gente, eventualmente outros “boys”, que o rodeiam,
Passos Coelho, também avaliado como mente brilhante, mas no fundo não excede a dimensão de um político que completa a imaturidade com a ideologia ultra-liberal do desmantelamento do Estado, caiu na armadilha do amanuense Monteiro. Acabou por ser desmentido no discurso que fez na AR, pela própria LUSOPONTE.
O episódio seria até uma caricatura de anedota, caso não tivesse por trás uma utilização descabida de 4,4 milhões de euros, com a chancela de um incompetente; incompetente este que, em qualquer país de regras democráticas eficazes, seria pura e simplesmente demitido.
Também não se percebe a contradicção de, no Ministério da Saúde, ser necessária autorização prévia do Macedo para despesas acima de 100.000 euros, enquanto no Ministério da Economia e Emprego, a despeito desta explicação de última hora, é permitido a um secretário de estado ordenar uma despesa de milhões. Ou por outra, percebe-se: o ministro é o Álvaro.
Mulheres, um poema de Manuel Bandeira
Todos os dias homenageio as mulheres da minha vida. Da memória, lembro as que partiram. Da vida, compartilho alegrias e tristezas com as que permanecem e vão chegando – ainda há dias nasceu uma sobrinha.
Hoje é o Dia Internacional da Mulher; muitas não gostam da efeméride, porque defendem que ‘dia da mulher’ é o dia-a-dia, de todo ano. Ainda assim, atrevo-me a oferecer a todas, sem excepção, um poema de um dos meus poetas preferidos, Manuel Bandeira:
Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido…
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas…
És linda como uma história da carochinha…
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)
Manuel Bandeira
A história do Pedro e a troika
Uma vez vencido o caso do Álvaro, outra demissão se cruza no horizonte das decisões do chefe do governo. Desta vez, é mesmo uma demissão das estridentes, de gritos e apitos. Tem por alvo a troika (FMI-CE-BCE). Sim a troika!, nem mais nem menos.
A História
Era uma vez Pedro Passos Coelho a ler com rigoroso desvelo a notícia do ‘Sol’, um órgão fiel e até oficioso do governo. De súbito, o nosso Pedro ficou próximo de séria apoplexia, ao perceber que, no eco da avaliação reportada ao ‘memorando de entendimento’, a troika havia dito raios e coriscos:
A ausência de sinais de crescimento económico futuro e a deterioração da situação orçamental em Espanha são as principais preocupações da troika face a Portugal.
O sentimento junto dos credores externos é que o programa português está a correr dentro do previsto, embora nada esteja assegurado acerca do seu sucesso…
Um dos maiores riscos para esse sucesso é não haver, até agora, qualquer sinal credível e sustentável de que a economia vá crescer no médio prazo…
O Google é mulher
Uma amiga minha, que se distingue por ser cidadã de invulgar cultura e de espírito muito acutilante, enviou-me este pensamento sobre o sexo do Google:
Cheguei à conclusão de que o Google é mulher.
Ainda não terminámos a frase e já está a dar palpites…
Não resisti à tentação de divulgar a frase, presumindo embora que a mesma ainda não é, mas certamente em breve será lida por tudo o que são mensagens de correio electrónico.
A despeito de pretensioso feminismo, a minha amiga defende com solidez a superior sagacidade da mulher, com base na evidência de que os interlocutores/homens ainda têm o pensamento desfasado em relação ao “timing” que gostariam de ter. E dá um exemplo eloquente: o ministro Vítor Gaspar. Li e fiquei sem argumentos.
O empréstimo de compressas ao Garcia da Orta
O hospital de Almada, por dívida de 260 mil euros ao fornecedor, está a recorrer ao empréstimo de compressas para cirurgia, nomeadamente junto do Amadora-Sinta, que costumo e devo designar por Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca.
O ministro Macedo, bancário de profissão, entende que os hospitais devem funcionar na lógica dos fluxos de caixa e do saldo zero de tesouraria; nunca em função do interesse e necessidades dos doentes.
Ontem a Roche, hoje os fornecedores de compressas, e sem vontade de negociar e apenas impor, o actual Ministério de Saúde está a negar a prestação de cuidados médicos, nalguns casos em estado de necessidade extrema: cirurgias no Garcia da Orta, assim como tratamentos com medicamentos únicos de oncologia, nos IPO’s e outras unidades de saúde com esta especialidade.
Tudo isto é o resultado tecnocracia, que com este governo atingiu o pico mais elevado, sem ponta de humanismo na prestação de serviços de saúde aos cidadãos.
Temos um governo, de falácia e aldrabice, composto por gente que não presta. Não presta mesmo!
François Hollande, o inimigo a abater por Merkel & Cia.
A notícia foi divulgada a partir do semanário alemão Der Spiegel:
François Hollande estaria prestes a ser boicotado por Angela Merkel e os parceiros italiano, espanhol e o Partido Conservador britânico.
Angela Merkel, Mario Monti, Mariano Rajoy e David Cameron estariam então “cometidos verbalmente” a não receber o socialista em caso de eleição, enquanto este último segue na frente das sondagens (58% das intenções de votos na segunda volta em relação a Sarkozy, conforme uma pesquisa mais recente LH2-Yahoo!).
De acordo com o semanário alemão, os líderes conservadores estão “indignados” com a vontade manifestada pelo candidato socialista para renegociar o Pacto Fiscal, uma peça central de resgate da zona do euro. A motivação de David Cameron, cujo país não assinou o Pacto Fiscal, seria mais de carácter ideológico.
Fonte: Le Huffginton Post
Angel Merkel, queira-se ou não, reedita o despotismo germânico, reiterando a tentação da hegemonia sobre a Europa. Nem sequer é, portanto, novidade histórica vinda daquelas bandas. Volta à actividade, em alguns políticos alemães, com a Sra. Merkel em destaque, o maldito e genético vírus do elitismo germânico.
Bota aí no vocabulário do AO: Inadimplência, inadimplemento e inadimplir
Querem ver que FJV tem alguma razão! Precisamos, de facto, de alguns “ajustamentos pontuais” no Acordo Ortográfico e mesmo no Vocabulário, para ficarmos a par dos nossos companheiros brasileiros. Hoje, deparei na ‘Folha de São’ Paulo com o seguinte título:
Assim, de chofre, interroguei-me: o que é isto? Inadimplência? Da leitura do texto da notícia, lá percebi que equivalia à nossa frase ‘Bancos preparam-se para aumento de incumprimentos’; isto é, lá como antes cá, a banca na louca corrida de se esvair em crédito concedido, colhe, em contrapartida, a explosão de casos de incumprimento de empresas e particulares – em 2011 as provisões para cobranças duvidosas de 23 bancos de grande e médio porte subiram muito, 42,2%.
Percebi. Todavia, nas buscas efectuadas nos dicionários de casa, entre os quais o ‘Dicionário da Língua Contemporânea Portuguesa’, da Academia das Ciências de Lisboa, não detectei o vocábulo ‘inadimplência’. Valeu-me o ‘Ciberdúvidas’ e também a ‘Wikicionário’. Este, porém, ressalva que ‘inadimplência’ não é um termo correcto. O ideal seria ‘inadimplemento’ como derivado do verbo ‘inadimplir’.
Por outro lado, o ‘Wikicionário’ diz que o sinónimo da ‘inadimplência’ ou ‘inadimplemento’, no vocabulário do Brasil (Direito) é ‘descumprimento’, ou seja, o nosso ‘incumprimento’. O melhor é mesmo descomprimir-me, porque me sinto deveras inadimplido.
Saudades da Ilha de Gorée, Senegal
Porque hoje á Sábado, deixo de lado a nefasta gente. O Gaspar, tido como sábio burocrata das finanças, dizem, está em pânico. Que, assim, permaneça por longo e arrastado tempo. Cheio de pânico e mentalmente imobilizado para novas medidas de austeridade. Infelizmente é desejo sem sucesso, penso.
Porque hoje é Sábado, sinto vontade de gritar: QUE SE TRAMEM OS COELHOS, OS GASPARES E TODOS OS OUTROS QUE GRAVITAM À SUA VOLTA E Á VOLTA DE OUTROS QUE TAIS! Sim, todos eles, já inscritos na História como os argos das argoladas.
Porque hoje é Sábado, imaginei-me a revisitar a Ilha de Gorée, frente a Dakar. A caminhar por aquelas ruelas estreitas, marcadas por histórica arquitectura de portugueses, primeiro povo europeu a chegar a essa pequena ilha, em 1444. Mas, onde também se me colou no pensamento a tristeza da ‘Casa dos Escravos’; ali eram retidos de passagem para a América.
Porque hoje é Sábado – Saravá Vinícius! – sinto-me a admirar o casario de Gorée, semelhante na traça à Baixa do Sapateiro em São Salvador. Como fomos enormes e nos deixámos apoucar desta maneira! Desditas do processo histórico. E olhando o Atlântico de uma praia de Gorée, africana e ufanamente empoeirado, ouço com solenidade e indescritível gozo interior Ismaël Lô; a entoar uma espécie de miscigenação melódica, afro-árabe, que, no fundo, pode simbolizar o cruzamento de civilizações nesse pedaço de terra senegalesa, Património da Humanidade.
Krugman: um americano em Lisboa
A pantomina é o único traço comum entre a visita de Paul Krugman a Lisboa e as técnicas cinematográficas de ‘Um Americano em Paris’, de Vincente Minnelli. Da mesma maneira que Paris e Lisboa são cidades bastante distintas, também os dois protagonistas divergem integralmente entre si.
No filme, Jerry, é um veterano da 2.ª Guerra Mundial, enfrentando dificuldades e perseguindo o objectivo de se firmar como pintor na Cidade-Luz, tendo ficado na história do cinema como um dos melhores musicais de sempre.
Krugman em Lisboa é outra música. O contraditório e mediático Nobel da Economia, a despeito das críticas insistentes às políticas de pesada austeridade, com a Sra. Merkel como inimiga de estimação, veio a Lisboa para ser honrado com o doutoramento honoris causa. Este doutoramento, ao que agora percebo, foi mero pretexto, usado a preceito pelo seu amigo e mandatário do governo de PPC, Jorge Braga de Macedo.
Afinal o infatigável lutador anti-austeridade, em prolixos artigos em “The New York Times”, através de almoçaradas e jantaradas promovidas por Passos Coelho e o governador do Banco de Portugal’, veio caucionar a severa e economicamente desastrosa política de Coelho, ao afirmar:
Com a troika e o Gaspar, o desemprego sempre a avançar

Fonte de dados: EUROSTAT
A imprensa, aqui e aqui, está a divulgar que, depois das revisões feitas pelo Eurostat, o desemprego em Portugal, entre Agosto de 2011 e Janeiro de 2012, teve a evolução que o gráfico demonstra.
Portugal, ao atingir a taxa de 14,8% em Janeiro-2012, subiu ao 3.º lugar no pódio, ex-aequo com a Irlanda. O 1.º lugar é ocupado pela Espanha (23,3%), cabendo à Grécia a 2.ª posição (19,9%). Das estatísticas publicadas, pode ainda inferir-se que, entre nós, o desemprego jovem (cidadãos até aos 25 anos), continua a crescer e subiu para 35,1%.
Os números do desemprego, em conjunto com as quebras do PIB e aumentos de falências, constituem um conjunto de indicadores de que as políticas da troika, na Grécia, Irlanda e Portugal, e as medidas de austeridade em Espanha, cuja cópia em Portugal era reclamada por iluminada gente no tempo de Zapatero, não constituem a terapia correcta para a crise. Antes pelo contrário, geram maior recessão.
Na hora da despedida da troika, Gaspar mostrou-se agradado pela avaliação do tirano triunvirato, proclamando que, em 2012, a taxa média do desemprego se fixaria em 14,5%. Com o valor de Janeiro, agora divulgado, será mais uma previsão falhada pelo governo, criem as comissões interministeriais que criarem.
Uma coisa é certa: com a troika e o Gaspar, o desemprego está sempre a avançar. Vamos para o buraco ou alguém duvida?











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