Discutir saúde pública, em particular um caso tão delicado como aquele que estamos a viver, não é como discutir política, futebol ou religião. Ter opiniões, estúpidas ou ser inteligentes, sobre estes três temas, é legítimo. Andar nas redes sociais armado em médico, académico ou cientista, quando não se é nenhum dos três, é só parvo e irresponsável. Ver Anatomia de Grey, ou ler conspirações no Facebook, não nos habilita a dizer coisas construtivas, válidas ou úteis sobre temas tão sensíveis. Só nos habilita a dizer merda e a contribuir ainda mais para o alarmismo. Think about it, folks! E aproveitem para seguir as indicações das autoridades competentes. Elas, melhor do que todos nós, sabem do que falam.
Problema n.º 2: Armando Gama
Resolvido o problema n.º 1, descubra agora, nestes dois parágrafos, as três palavras escritas com os pés pela redacção da FLASH:
Armando Gama viu a sua vida dar uma volta de 180 graus depois de ter sido acusado, pela mulher, de violência doméstica. O cantor de 65 anos viu-se obrigado a sair de casa e perdeu os trabalhos que tinha como pianistas em hotéis, que recusam dar trabalho a um músico associada a um crime que anda na ordem do dia.
Enquanto o processo não é julgado, Armando Gama tem medidas de coação para cumprir: não pode contactar com a ex-mulher Bárbara Barbosa, que terá confessado a amigos ter receio de se cruzar com o músico.
SOLUÇÃO: [Read more…]
Carta dos voluntários humanitários portugueses ao governo português, sobre a emergência humanitária grega

Pedro Amaro Santos
Ex.mo Sr. Presidente da República Professor Marcelo Rebelo de Sousa,
Ex.mo Sr. Primeiro Ministro Dr. António Costa,
Ex.mo Sr. Ministro da Administração Interna Dr. Eduardo Cabrita,
Ex.ma Sr.ª Ministra do Estado e da Presidência Dr.ª Mariana Vieira da Silva,
Ex.mo Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros Dr. Augusto Santos Silva,
Ex.ma Sr.ª Secretária de Estado para a Integração e as Migrações Dr.ª Cláudia Pereira,
Os voluntários humanitários, cidadãos portugueses, signatários da presente carta vêm alertar o Governo Português para a emergência humanitária decorrente da situação alarmante e desumana que se vive no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia. Apelamos à tomada de decisões imediatas coerentes com a política portuguesa de acolhimento e integração das pessoas refugiadas.
No campo de Moria, com capacidade para albergar 3 100 requerentes de asilo, vivem neste momento mais de 20 000 pessoas. Destas, mais de metade são famílias e há 1 049 menores desacompanhados.
As condições e recursos de um campo construído para 3 100 pessoas são descritas pelas organizações não governamentais presentes no terreno e pelos próprios residentes como insuficientes e inexistentes: falta de água quente e limpa; falhas de eletricidade; más condições sanitárias e escassos cuidados de saúde. Entre os testemunhos dos voluntários portugueses, destacamos:
— Há uma casa de banho para cada 300 pessoas.
— Os residentes esperam 3 horas por cada refeição.
— Nos últimos 2 meses morreram 5 pessoas (1 criança de 19 meses por desidratação, 2 mulheres num incêndio dentro dos contentores onde viviam, 1 bebé atropelado enquanto brincava e 1 menor desacompanhado esfaqueado).
— 20 crianças automutilaram-se e 2 tentaram o suicídio. [Read more…]
Super Bock Vírus
[Francisco Salvador Figueiredo]
Como eu gosto das coisas à portuguesa, decidi trocar o nome Corona por Super Bock. Além de dar uma maior leveza ao assunto, podemos mostrar orgulho em termos a nossa influência no nome de uma epidemia mundial. É Portugal, pá! E que o André Ventura não veja isto, porque ainda me rouba a ideia. Mas todos sabemos que isto de roubar ideias é mais estilo Bloco.
Os nossos governantes começaram confiantes. Defenderam que Portugal estava preparado para receber esta doença. Lá estamos nós e a nossa mania de sermos hospitaleiros… Um SNS que deixa pessoas a morrer à espera de uma consulta estar preparado para receber uma epidemia de tal tamanho? Só acredito no dia em que o FC Porto, na mesma semana, perder com o Caldas e ganhar ao Barcelona.
Depois de o governo afirmar que os nossos hospitais estavam preparados, devem ter ido todos brincar com os seus unicórnios enquanto descobriam um pote de ouro no fim do arco-íris. Isto foi o antes. Quando nós somos os maiores. Bastou haver dois casos de Super Bock vírus… E o resultado? Pessoa fechada na casa de banho de centro de saúde por suspeita de Super Bock Vírus, dizia uma manchete. Mas tinham duas camas apenas para pessoas infetadas? Já vi hostels com melhores condições e mais eficazes.
Tudo isto parece uma brincadeira. Mas é bem mais grave do que isso. É o Estado garantir que possas levar o teu felpudo a um restaurante, mas não garantir minimamente a tua segurança. É um Estado a prejudicar as pessoas em nome de uma ideologia. É um Estado que não aceita a ajuda do colega do lado para fazer um desenho em Educação Visual, mas que insiste que aquele retrato dá para positiva. É um Estado forte na presença e fraco para nós. É um estado que nos está a levar para o sonho socialista, que não deve passar de ser o país menos desenvolvido da Europa. Acorda, Portugal.
Precário para canhão

Dificilmente seria possível encontrar uma imagem que melhor ilustrasse a ignorância que alimenta André Ventura, o Chega e o neofascismo em geral. Um estafeta de uma Uber Eats desta vida, precário e explorado, faz publicidade gratuita a um partido que advoga o aprofundamento da precarização e a desregulamentação do mercado de trabalho, sem falar nas borlas fiscais que defende para milionários. Se não é ignorância, é masoquismo. Ou, como li por aí algures, mais um “cão de guarda” da elite, que ladra para a proteger mas continua a comer restos e a dormir na rua. É triste. E é também por isso que combater a extrema-direita e a sua narrativa, todos os dias, é cada vez mais um imperativo moral.
Sereis contatados
I thought, at first, I might try to say something about the topic (the relevance of statistical information to study the structure and use of language), but I realized very quickly I wouldn’t have anything to say about that.
— Noam ChomskyYou can just pick it up and use it as an exercise machine.
— Jeff Beck
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Portanto, estávamos a falar sobre… Ah! Já me lembro:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
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Os chineses estão a fazer tudo bem, de certeza
Sou tão infantil como sempre fui e morrerei assim. Um dos sintomas da minha infantilidade é o espanto que me provocam as certezas absolutas de que o espaço público está cheio. O espaço público, esclareça-se, pode ser um café com dois clientes bêbedos, uma conferência de imprensa do primeiro-ministro ou o fascinante mundo das teorias da conspiração que está espalhado pelas redes sociais virtuais.
Há pouco fiquei a saber que, segundo a directora-geral de saúde, os chineses estão a fazer tudo o que deve ser feito para combater o vírus da moda. Não consigo perceber como é que, mesmo sendo uma pessoa tão informada, alguém consegue afirmar, a milhares de quilómetros de distância, que há uma nação inteira a fazer o que deve ser feito. Eu, confesso, não faço a mínima ideia se os vizinhos do lado lavam as mãos depois de fazerem as necessidades ou outra coisa qualquer desnecessária.
Isto faz-me lembrar outros tópicos da certeza absoluta, com ocorrências como “os portugueses sabem que…”, regurgitado por políticos espectacularmente omniscientes, ou “Deus quer que…”, afirmado por pessoas que têm ligação directa à Providência.
O meu espanto infantil, portanto, mantém-se, mas a minha ingenuidade desapareceu: antigamente, ficava com a impressão de que as pessoas das certezas absolutas possuíam um saber igualmente absoluto; hoje, sei que são tão ignorantes como eu. Esta certeza não me deveria trazer tanta tranquilidade, mas a minha leveza quase leviandade leva-me a viver neste tédio de saber que não controlo nada, pelo que tenho de me conformar por estar no lugar do morto.
Operação Fora-de-Jogo: Vamos ao VAR
O Fisco não detectou na altura devida, mas agora chegou o VAR e vai descobrir tudo!
Ou não… Tal como no futebol em que o VAR nunca vê nada, este VAR da PGR é palha para burros. Não vai acontecer nada a ninguém. Talvez rectifiquem uma ou outra declaração ao Fisco, não mais do que isso.
Buscas com 18 magistrados e 101 inspectores tributários? Depois de se saber ao tempo que estas investigações estavam a decorrer? Depois de na véspera se ter mencionado no Facebook o que estava a ser preparado para o dia seguinte? Acham mesmo que vão encontrar alguma coisa?
Alguém acredita que um dia a Justiça terá coragem de tocar em Jorge Mendes? Caía ele, caía todo o futebol português e grande parte do futebol mundial.
Não, não vai acontecer. Daí que esta palhaçada de juízes, magistrados, inspectores e polícias todos juntos (cuidado com os ajuntamentos!) seja apenas para inglês ver. Que é como quem diz: Criticam-nos por manter preso o Rui Pinto e não investigar os verdadeiros criminosos, por isso vamos usar as informações dele para fingir que investigamos os outros e, no fim, só ele é que fica preso.
Maquiavélicos. Estes tipos são maquiavélicos!
Pelo fim da prisão preventiva de Rui Pinto
Rui Pinto foi detido em Budapeste a 16 de Janeiro de 2019 e encontra-se preso preventivamente em Portugal há cerca de um ano. A aplicação da prisão preventiva – com períodos de isolamento absoluto – a um cidadão português, quatro anos depois da alegada prática de um crime de extorsão na forma tentada, é inédita em Portugal e não pode deixar de ser vista como uma punição antecipada de Rui Pinto enquanto aguarda julgamento.
O facto de Rui Pinto estar na origem de revelações de inequívoco interesse público que deram origem a investigações jornalísticas conduzidas por consórcios internacionais, como o Football Leaks e o Luanda Leaks,justifica amplamente que as autoridades portuguesas, tal como já o fizeram as autoridades de outros países, reconheçam a importância da informação por si trazida a público e procurem a colaboração de Rui Pinto, assim demonstrando que Portugal está verdadeiramente empenhado em combater a corrupção, o branqueamento de capitais e outros ilícitos criminais.
A prisão de Rui Pinto é tanto mais chocante porquanto contrasta com a liberdade e impunidade de quem pratica crimes com a gravidade dos denunciados pelo mesmo. Rui Pinto deverá, naturalmente, responder pelos crimes que tenha cometido, mas os signatários entendem dever manifestar publicamente a sua discordância com a sua prolongada prisão preventiva, instando as autoridades judiciárias portuguesas a pôr termo a tal situação.
5 de Março de 2019 [Read more…]
Pelo adiamento das eleições para a Direcção do FC Porto
As eleições para a Direcção do FC Porto estão marcadas para o dia 18 de Abril. Precisamente nesse fim-de-semana, o FC Porto desloca-se a Paços de Ferreira e o Benfica à Madeira. Faltarão então 5 jornadas para o fim do Campeonato.
A questão nunca se pôs nos últimos 38 anos por razões óbvias, mas nesta época – e doravante – deixa de fazer sentido realizar eleições na fase mais crucial. Temos um título para ganhar, nunca sonhámos estar tão perto e todos somos poucos para chegar lá.
Não interessa aqui em quem votará cada um de nós (a minha opinião é conhecida).
Jorge Nuno Pinto da Costa ganhará seja contra quem for e seja qual for o resultado do Campeonato, por isso a questão é outra.
O que interessa aqui é não criar ruído à volta da equipa de futebol. Nesta época, por maioria de razão, mas também nas que se seguirão.
Deixem-nos ser campeões e depois façam as eleições. No fim de Maio. No início de Junho. Mas sempre depois dos Aliados.
O PS e o (a)normal funcionamento das instituições
A propósito do chumbo de Vitalino Canas e de mais alguns nomes propostos pelo PS para o Tribunal Constitucional e para outras entidades públicas, a feroz Ana Catarina Mendes rapidamente deu conta da indignação dos socialistas, acusando as restantes forças políticas de bloquear o normal funcionamento das instituições democráticas, o que me levou a concluir que a deputada desconhece o funcionamento das mesmas.
Da mesma maneira que, em 2015, me insurgi contra a desonesta narrativa da negação da democracia representativa, aquando da rejeição parlamentar do governo minoritário PSD/CDS-PP e da formação da Geringonça, manterei a coerência: o PS não tem maioria e
não quis firmar acordos com os seus antigos parceiros à esquerda, pelo que tem que se sujeitar à negociação. Sendo incapaz de o fazer, tem igualmente que se sujeitar às consequências da sua incompetência, calculada ou não. Ana Catarina Mendes pode propagandear o que bem entender que a realidade permanecerá imutável: o único partido que pode, neste caso específico, ser acusado de bloquear o normal funcionamento das instituições é o PS.
O Rui Pinto é o hacker do Benfica, Orlando Nascimento é um simples suspeito – o Observador ou um manual de bom jornalismo

O Observador, uma espécie de geringonça da imprensa, criado com o único objectivo de perpetuar a Direita no poder, é todo um tratado de jornalismo. É dirigido por José Manuel Fernandes e isso basta.
Sobre este caso em concreto: o Rui Pinto é um hacker – confirmadíssimo! Ainda não foi condenado, mas O Observador já deve ter tido acesso à sentença final, o que não admira na Justiça portuguesa. Provavelmente, o sorteio do juiz já foi feito e repetido as vezes necessárias até dar o resultado pretendido.
Mas para O Observador há mais: é um hacker do Benfica. Nem a inefável Justiça portuguesa o acusou de qualquer crime relacionado com esse clube, mas para O Observador não restam dúvidas. Qual acusação, qual instrução, qual quê, é prender o moço na prisão para sempre por ser um hacker do Benfica.
Já o presidente do Tribunal da Relação, Orlando Nascimento, apanhado a combinar a escolha de juízes para processos de corruptos, é um pobre suspeito. Coitado, é obrigado a demitir-se sem ter feito nada por meras irregularidades, como diz O Observador.
Orlando Nascimento, Vaz das Neves, Rui Rangel – meras irregularidades, que já se sabe que o Rui Pinto é o único criminoso português confirmado.
Saúde, meio ambiente e clima não são negociáveis!

Os receios em relação à receptividade do novo comissário europeu para o comércio, Phil Hogan, para vergar os padrões europeus ao interesse superior do grande negócio, revelam-se, deploravelmente, mais do que fundados.
O novo comissário parece, sem escrúpulos, querer superar o desembaraço da anterior Cecilia Malmström – que, pelo menos, sempre cumpriu as ordens do Conselho da EU. No contexto das mais recentes negociações, Phil Hogan, confrontado com as exigências dos EUA de mudar as regras da UE sobre resíduos de pesticidas nos alimentos, tratamento químico de aves de capoeira (‘galinhas cloradas’) e OGM declarou que vai procurar soluções para essas “barreiras regulatórias”. Ou seja, no maior secretismo, a Comissão está a pôr em cima da mesa o sector que não faz parte do mandato das actuais negociações, nomeadamente agrícola e alimentar. E a preparar-se para dar mais um chuto ao princípio da precaução.
Tudo para agradar a Trump e evitar que este realize a sua repetida ameaça de impor taxas aduaneiras aos automóveis europeus.
Mais de 100 organizações da sociedade civil de toda a Europa alertaram, numa declaração conjunta, para o perigo de as negociações comerciais UE-EUA virem a pôr em risco medidas adoptadas pela UE para proteger padrões de qualidade, a saúde pública e o meio ambiente, bem como o seu próprio “Acordo Verde Europeu”, por exemplo no que toca aos pesticidas.
Assim: [Read more…]
Efectivamente, um cê dá imenso jeito:
infetará = infestará, mas infectará ≠ infestará. Exactamente (foto via Adolfo Dias, apud A. F. Nabais).
A cooperativa energética feita por e para os cidadãos

Rui Pulido Valente
Chama-se Coopérnico e é a primeira cooperativa portuguesa dedicada às energias renováveis. Nasceu em 2013 e, desde então, tem vindo a tentar mudar o paradigma da produção e consumo de energia. Atualmente conta com 1.530 cooperantes que juntos já investiram mais de um milhão de euros.
É caracterizada no seu site como uma “empresa social que, através do envolvimento da comunidade, procura promover a transição para um novo paradigma energético” e tem hoje ativos 21 projetos que levaram à instalação de quase 5.000 painéis fotovoltaicos, em telhados de instituições de caráter social, educacional ou estatal. Em conjunto, produzem energia suficiente para abastecer cerca de 800 famílias e colmatam a emissão de CO2 em mais de 1.000 toneladas. [Read more…]
Amigos Improváveis, um excelente programa de ficção

Terminou ontem a primeira série de Amigos Improváveis, programa de ficção emitido pela SIC nas últimas semanas. Ali, em meia dúzia de casas diferentes, um jovem anónimo vai viver durante um mês em casa de um idoso, trocando saberes e experiências e caindo na inevitável generation gap.
Toda a produção é excelente, fazendo crer que estamos na presença de um reality show com pessoas comuns. Na verdade, o elenco (a personagem D. Maria Lina é qualquer coisa!) os cenários escolhidos (a casa de Sacóias é um sonho) e todo o guião são verdadeiramente notáveis. A SIC está de parabéns.
Terminado o programa, os jovens voltarão à Escola Superior de Teatro e Cinema, onde foram recrutados; e os idosos, actores retirados, regressarão ao merecido descanso na Casa do Artista.
Hoje mesmo, começa a edição dos Amigos Improváveis Famosos. É de supor que os jovens recrutados digam que sim, que conhecem muito bem os famosos que os vão receber, que eles são muito famosos. Mas também isso não passará de pura ficção.
André Ventura assume a sua desonestidade em directo
Se for eleito deputado vou dar o exemplo comigo próprio, mantendo a exclusividade no parlamento. Mesmo perdendo dinheiro! Sim, eu vou estar em exclusividade e vou assumir unicamente o meu lugar na Assembleia da República. Tenho de dar o exemplo. Não pode ser só falar.
O vídeo, gravado poucos dias antes de ser eleito deputado, fala por si. Cinco meses depois, André Ventura continua a ser comentador da CMTV e não existe registo que tenha abdicado da sua posição de consultor na empresa Finpartner. Os embustes de André Ventura sucedem-se, e só se deixa enganar quem quer. Porque só um palerma não percebe a fraude que a sua narrativa populista e demagógica é.
Margaret Thatcher e o Coronavirus

Parafraseando a uma citação muito popular entre a direita, da mais liberal à mais extrema, que tomei a liberdade de adaptar aos dias de hoje, penso que não será descabido dizer que o capitalismo dura até fechar a fábrica comunista. É que, a julgar pelo pânico que se instalou nos mercados, nas bolsas, nos bancos e nos grandes capitalistas em geral, que não gostam do comunismo, excepto quando é para deslocalizar a produção para a China ou para o Vietnam, de forma a poder aumentar os lucros e não ter custos adicionais com direitos laborais ou humanos, parece que o encerramento da grande fábrica chinesa, como consequência da epidemia covid-19, tem tudo para ser a acendalha da próxima crise mundial do capitalismo moderno. Em todo o caso, mercados, bolsas, banqueiros, especuladores e outros piratas das Caraíbas fiscais não têm motivos para ficar preocupados. Se isto realmente der o estouro, culpa-se o cidadão comum, esse gastador, aplica-se uma austeridadezita purificadora e resgata-se novamente o capitalismo com o dinheiro dos contribuintes. Como ainda estamos a pagar o estouro anterior, a malta nem vai reparar.
O processo do Aeroporto do Montijo desvela confrangedora incompetência
É por demais evidente que Lisboa para de um novo aeroporto, uma vez que o da Portela há muito que esgotou a sua capacidade, mas trata-se de um problema local, de Lisboa, ou regional, da Grande Lisboa, e não de um problema nacional como querem fazer crer.
Por esta razão tentei sempre evitar pronunciar-me para não meter a foice em seara alheia. É que isso de descentralização começa por ser evitar transpor para a responsabilidade do resto do país os problemas de Lisboa, classificando-os como nacionais.

Nesta conformidade, apesar de estranhar o processo de localização, o facto de a pista projectada não viabilizar a aterragem de aviões de maior dimensão, o assinar de contratos com a Vinci antes do estudo de impacte ambiental, o resultado do estudo, as contrapartidas para a Vinci, reservei-me no maior silêncio que me foi possível.
No entanto, neste desenlace final, surge um pormenor que, [Read more…]










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