Postcards from Wageningen #3 (2016)

Just another ordinary day at the ‘office’

2016-10-20-14-08-09
Já ontem disse que os holandeses são um povo organizado. Contam o tempo das intervenções e das reuniões ao minuto e andamos todos num virote o dia inteiro. Foi mais um dia em que me levantei extraordinariamente cedo. Às sete da manhã mais concretamente. É uma violência para uma noctívaga como eu, convenhamos.
 
O dia de trabalho – embora andemos num virote – corre bem. As apresentações dos investigadores são geralmente boas e estão já bem encaminhadas. As reuniões são rápidas e sucedem-se (um virote, pois, já disse). As sessões e reuniões de hoje são no campus da WUR – Wageningen University and Research. O campus é muito bonito. Menos que o da Universidade de Aveiro (mas eu sou suspeita, obviamente) mas ainda assim bonito. Muito verde, salpicado de vermelho e de castanho aqui e ali. É outono. Absolutamente outono em Wageningen. Um outono que equivale a um inverno em Portugal. Está frio e chove de vez em quando. O costume, portanto.

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Sinais…. de que tempo?

halloween3Ontem, no centro de uma cidadezinha do norte da Alemanha, deparamos com as lojas já cheias de enfeites de Natal.

  • Já estou toda baralhada, diz a minha filha, ainda quero divertir-me com as minhas amigas no Halloween – outra festa do comércio – e já me fazem pensar no Natal… Recuso-me!

Digo só “pois é”, mas interiormente fico contente pelo acrescento dela sobre a festa do comércio e dou-lhe toda a razão, no que toca a baralhação e comércio…

Postcards from Wageningen #2 (2016)

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 A Holanda é, provavelmente, o país mais organizado do mundo

Penso isto desde que, há muitos anos, vim pela primeira vez aqui. É tarde e não tenho muito tempo para elaborar. Amanhã o despertar será igualmente às 7 da manhã e, depois de um dia inteiro a falar inglês, a ser organizada, a não ter um momento de solidão, estou prestes a desfalecer.
Mas foi um bom dia. A organização é quase sempre uma boa coisa, acho eu, que tenho também a mania da ordem. Fomos a Nijmegen, que – apesar de ser a quinta vez que venho à Holanda – não conhecia. Vimos um rio a que foi dado mais espaço. Estivemos numa espécie de Lx factory, mas sem Lisboa. Conversámos bastante. Rimos alguma coisa. Observámos, da janela do autocarro, as paisagens ordenadas e muito verdes. E a àgua, claro, sempre a àgua. Também ela ordenada nos canais.
Ao fim da noite bebemos um vinho tinto chamado ‘just fucking good wine’. A Holanda é, provavelmente o país mais organizado do mundo. Mas os holandeses têm sentido de humor e isso salva-(n)os.

Braga, a Cidade Desapessoada

braga_automovel_passadeirasBraga, já o disse aqui, é uma cidade sem árvores, com poucas árvores, com cada vez menos árvores. Não me lembro da última vez que se plantaram árvores na cidade, ou porque não veio nos jornais, ou porque não era importar vir nos jornais ou, pior ainda, não se plantam árvores em Braga há décadas. Pelo contrário, cortam-se árvores maduras para dar lugar a painéis de publicidade.
A cidade cujos destinos tiveram à frente Mesquita Machado entre 1976 e 2013, e no que à fruição (ou não) do espaço público diz respeito, está agora igual a ontem. Se algo mudou na percepção e gestão do espaço público, é claramente pouco e muito pouco visível.
O executivo agora liderado por Ricardo Rio assinala agora três anos de mandato.
Já se terá questionado o jovem autarca sobre o que realmente mudou na cidade?
E o que continua igual?
E o que se agravou?

Nota: não sou proprietário de um veículo Citroen.
Nem nunca comprarei um carro ao Filinto Mota… 
[foto via]

O estranho caso do ambientador

Conta-me o A. que leva dias convencido de que foi ele a estragar a sonda Schiaparelli. É preciso que vos diga que o meu amigo A. é um neurótico que cede com frequência à paranóia, mas a quem efectivamente acontecem coisas invulgares.

Levava dias enfiado em casa a experimentar um brinquedo novo, uma coluna de som pequenina e discreta, com aspecto de perfume ambientador, à qual ele ditava ordens e que respondia apagando as luzes do corredor ou ligando a máquina de lavar roupa, conforme o que ele mandasse. A coluna, explicou-me ele, precisa de ser calibrada, coisa que só acontece falando muito com ela e deixando que ela se vá enganando, ligando agora a máquina do café em vez da secadora, fazendo tocar o alarme de casa em vez de ligar o rádio. Explicou-me tudo com paciência, como se também eu precisasse desse tempo para calibrar-me e ser capaz de perceber o que aí vinha. Perguntei-lhe se a coluna estava ligada. Estava. Tinha de estar. Quanto mais nos ouvisse melhor seria capaz de perceber as distintas modulações da voz humana. [Read more…]

Um presidente mediocre

Rui Naldinho

Quando me falam das crises dos Partidos Socialistas e Sociais Democratas da Europa lembro-me sempre de uma entrevista recente dada pela politóloga e filósofa francesa, Chantal Mouffe, e cito apenas um pequeno excerto da entrevista:

Como sabe, hoje em dia, a classe operária vota maioritariamente na Marine Le Pen, e vota nela porque se sentiu completamente abandonada pelos socialistas. Os eleitores socialistas são a classe média e os imigrantes. Há um think tank, que se chama Terra Nova [próximo dos socialistas franceses], que afirma que a classe operária está perdida para os socialistas. É por isso que se concentram na classe média e nos imigrantes, que julgam que nunca votarão na Frente Nacional. Os governos socialistas ofereceram a classe operária a Marine Le Pen. Um problema fundamental é que a classe operária é também aqueles que são os perdedores do processo de globalização. E os socialistas interessam-se mais pela classe média, que ganhou com esse projecto. [Chantal Mouffe, em entrevista a Nuno Ramos Almeida, no i de 3/10/2016]

Discordo apenas da última afirmação de Chantal Mouffe. Para mim, uma boa parte da classe média também está a perder com a globalização. A única classe média que ainda se mantém à “tona da água”, corresponde a um sector intelectual ligado à ciência e às novas tecnologias, com profissões ainda bem remuneradas dada escassez no mercado europeu deste tipo de mão de obra qualificada, mas que a breve prazo se tende a massificar. Basta recordarmos que hoje a profissão de médico não tem emprego garantido, coisa que outrora não acontecia. [Read more…]

Uma questão de prioridades

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O jornal PÚBLICO mantém há dois dias a entrevista a PPC em destaque. Nos entretantos, aconteceram coisas, como uma entrevista do primeiro-ministro e a questão da DBRS. Coisitas, afinal, a não merecerem destaque na filial do Povo Livre.

O Expresso da Manhã

expresso

Contrariamente àquilo que aconteceu durante a governação Passos/Portas, que falhou, sucessivamente, quase todas as metas a que se propôs, 2016 será, tudo parece indicar, o ano em que Portugal sairá do procedimento por défice excessivo, apesar da dívida pública que se mantém em níveis estratosféricos. Contudo, e sendo certo que o défice se situará abaixo dos 3% exigidos por Bruxelas, resta saber quão abaixo desse valor ficará. [Read more…]

Postcards from Wageningen #1 (2016)

Do not walk outside this area

Há um ano, mais ou menos, também estava em Wageningen. O João tinha morrido há uns dias. Todos os postais de então foram para ele. Hoje, mais ou menos um ano depois, o João continua morto. Vim a pensar nisso – de há um ano mais ou menos estar aqui e do que senti nessa altura com a morte do meu amigo – no avião para Amsterdão.
A Sandra e o Luís, que vieram pelo Porto, estavam já no aeroporto de Schiphol quando aterrei. O Luís ajudou-me com a mala grande até ao comboio. Encontrámos o Talis na plataforma 3 e viemos os 4 para Wageningen. Pouco a pouco foram chegando outros colegas ao hotel no meio do bosque. Um hotel moderno, clean, muito confortável onde vou ficar 3 noites. Amanhã começamos cedo, às 8h30 da manhã. Tenho de dormir e não me apetece. Na verdade, nunca me apetece dormir e resisto até o sono me vencer sem dar por isso. Custa-me entrar dentro do sono, aqui como em qualquer outro lugar.
Passei a tarde toda em viagem. Há pouco para contar. A Holanda é, mais a mais, um país tranquilo, de casas com janelas sem cortinas, de casas transparentes. Isso agrada-me, confesso. Gosto de espreitar para dentro das casas das pessoas. Aqui nem é preciso espreitar. Elas mostram-se. Já eu fechei as cortinas da grande janela do quarto. Hábitos.

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Paga o que deves, Benfica

Dizem os adeptos do Vasteras, que exigem ao Benfica o pagamento de uma dívida de 250 mil euros, referentes à compra do central Lindelöf. Vai daí, fizeram este vídeo, onde apelam aos encarnados que cumpram com os seus compromissos, o que, dada a recém-anunciada saúde financeira de ferro do clube, não deve ser muito difícil. Vá, paguem o que devem e deixem o Vasteras viver o sonho!

A aldrabice do dia

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Denunciada por João Semedo, trata-se de uma aldrabice muito simples. O Bloco apresentou um projecto de lei para impedir os salários à moda da direita na CGD, que foi chumbado, pelo que não tem nem a faca, nem o queijo não mão. Já David Dinis, com a faca e o queijo do Público na mão, em processo acelerado de observadorização, pode debitar estas coisas – é livre de o fazer – mas o verdadeiro objectivo por trás delas mais não é que uma nova tentativa de criar instabilidade o seio do acordo entre os partidos de esquerda.  [Read more…]

“Uma vergonha para a Europa”? Não, para os governos socialistas em Bruxelas

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Chrystia Freeland, ministra do comércio canadense, abandonou hoje as conversações na Cimeira da UE à beira das lágrimas, dizendo que a UE “não tem capacidade” para assinar um acordo comercial nem mesmo com o Canadá (CETA), um país tão próximo dos valores europeus! “Que vergonha para a Europa”, bramam os media europeus e desacreditam o homem que conseguiu esta proeza – Paul Magnette, presidente do governo da Valónia – acusando-o de defender interesses internos e de bloquear a União Europeia despropositadamente.

Viva Magnette! Tu sim, és um chefe socialista a valer, que defende os interesses dos cidadãos e não os vende às multinacionais, como fazem Gabriel e Hollande e Costa e por aí fora. Estão fulos contigo porque, ao invés de todos eles, tu conduziste um processo de consulta, profundo, aberto e democrático, ao longo de 18 meses, ouvindo vozes de todos os quadrantes e sectores, incluindo também business lobbyists e representantes canadenses. E porque nessa base, o parlamento da Valónia aprovou uma resolução que aponta, com competência e conhecimento de causa, as armadilhas do CETA para os cidadãos. [Read more…]

E o Diabo não veio, confirma a DBRS

Falhanço em toda a linha para os esganiçados que asseguravam, não necessariamente por esta ordem, que a execução orçamental iria falhar, que um novo resgate estava a caminho, que a DBRS iria meter Portugal no lixo, que não seria possível aprovar os orçamentos para 2016 e, muito menos, para 2017, que o objectivo do défice iria falhar e que o Diabo chegava em Setembro.

Uns derrotistas, com amplo palco na comunicação social, que tiveram como única aposta a desgraça de todos para regressarem ao poder.

Afinal, foi possível não cortar nos salários e nas pensões, aumentando-os até, pouco, sim, mas não os cortando, como fizeram os pafiosos, o que passa a ser muito. E sem trazer o Diabo, ao mesmo tempo que se acabou com o discurso bafiento do sair da zona de conforto, do desemprego que era oportunidade e do viveram acima das possibilidades. A quem não chegar, olhem, que emigrem.

É tempo de engolirem sapos e que o PAN os perdoe.

A nova frase de engate

Um tipo saca de um cigarro e diz: “Tens um Galaxy S7“?

Nada mau para um país governado por comunistas e bloquistas

aplauso

Enquanto o veredicto da agência de terrorismo financeiro canadiana não chega, falemos sobre a mais recente aparição do Diabo no paraíso à beira-mar plantado. Apesar do silêncio dos devotos da Igreja do Neoliberalismo da Catástrofe dos Últimos Dias, Portugal foi em peregrinação aos mercados internacionais na passada Quarta-feira, em busca de perdão, salvação e financiamento, e colocou 1250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 3 a 11 meses, tendo conseguido um juro de -0,012% no prazo mais baixo e 0,006% nos títulos que vencem em Setembro de 2017. Nada mau para um país a braços com um novo PREC, em processo acelerado de sovietização.

Foto: José Coelho/Lusa@RTP

A ditadura do rating

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As agências de rating não andam nesta vida para serem responsáveis, honestas ou sequer imparciais. São um negócio privado, que gera muitos milhões em proveitos, e que tem como accionistas pessoas que, entre outras coisas, lucram com a especulação, o que inclui ganhar dinheiro com a manipulação dos mercados e com a desgraça de terceiros. A tal liberdade defendida pela direita neoliberal. [Read more…]

Boys will be boys

Dirigentes da EPAL que tinham sido recentemente nomeados, após um longo processo de selecção, foram entretanto substituídos por vários militantes do PS

Piratas

Não vai há muito que conheci um pirata. Entrou na tasca com um papagaio ao ombro, pediu uma sandes de panado ao balcão, foi sentar-se com ela na mesa ao pé da porta, e o papagaio saltou-lhe do ombro para a mesa e debicou o pão até à última migalha. Uma turista, que parecia ter entrado ali por engano mas foi ficando, pediu ao empregado, num português de dicionário de conversação, que fotografasse a cena porque ela tinha vergonha de aproximar-se. Passou-lhe para a mão um descomunal telefone cor-de-rosa e ele, muito castiço, fez de conta que não percebeu.

– Quer que fotografe quem?

Ela apontou para o papagaio.

– Ah, bom. É que o dono é feio como o caralho.

Ela não percebeu, quem estava achou por bem não traduzir, o pirata não se deu por aludido, e o papagaio espreguiçou uma pata de cada vez, limpou o bico às penas do peito, e voltou para a câmara o seu melhor perfil. [Read more…]

Última chamada para o diabo

Progressos notáveis

draghi

Mêmo, mêmo dos bons. Portugal é dos países mais pobres e desiguais da OCDE [RTP, 21 de Maio de 2015].

Rumo ao bilião!

Economia portuguesa deve 719,5 mil milhões de euros, mais 2,1% num ano

Passos Coelho tem razão

«Este orçamento é um mau orçamento». Contudo, os orçamentos de Passos Coelho (OE2012, OE2013, OE2014, OE2015) não foram melhores do que o OE2016 e o “mau orçamento” em apreço: o OE2017.

«We have some bad hombres here»

jn20102016

We have some bad hombres here

Donald J. Trump

Light the match to ignite the wrath

Eminem

***

Depois de O Jogo e o Expresso terem abandonado o Acordo Ortográfico de 1990 (no que diz respeito a esta prática, o Expresso é useiro e vezeiro), chegou a vez do Jornal de Notícias.

Agradeço a um excelente leitor do Aventar o envio desta primeira página do JN. Efectivamente, mais uma prova de que o AO90 apenas está a ser aplicado em certas cabeças — aliás, como acontece com a guerra, naquela canção do grupo do Muir (do Mike e não do Nathan).

“Nós levamos a sério a política. Nós levamos a sério o país.”

Rui Naldinho

O BE, o PCP e os Verdes andaram anos a zurzir nos partidos do chamado arco da governação sobre o denominado “tráfico de Influências”, ou na, “porta giratória entre interesses do Estado e os interesses económicos e financeiros”, ou em “ facilitadores e lobistas que saem da política e plantam-se no grandes grupos económicos muitos deles monopolistas”, criando “parcerias público privadas com rendas excessivas”, …

O tempo urge, daí haver necessidade nesta legislatura de se mudar quase tudo aquilo que eles próprios afirmaram como uma das chagas que levaram ao atraso o país. Nessa matéria estou de acordo convosco, “camaradas”!
Já se fez alguma coisa? Talvez, mas ainda assim é pouco.

Na passada terça-feira assistimos a um despudorado comportamento no parlamento, dos muitos que têm ocorrido da parte do PSD. Com os votos da bancada socialista chumbou uma proposta do PCP que visava limitar os vencimentos dos gestores públicos a 90% do ordenado do Presidente da República. A iniciativa contou com os votos favoráveis de PCP, BE e CDS, mas os votos contra de PS e PSD puseram um ponto final na discussão.

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Cimeira cidadã contra o Ceta reunida hoje no Parlamento Europeu

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Para elevar a nossa voz que está presa pelo fiínho da Valónia

Encontrado o guru de Jorge Jesus

Se havia dúvidas, ele aqui está: desvendado!

https://www.facebook.com/samuel.quedas/videos/10207887724371804/

Afecto não solicitado, aqui não, obrigado

Urge a criação de um Estatuto de Objector de Consciência dos Afectos para proteger o cidadão de manifestações indesejadas por parte do presidente da República.

Bilhete do Canadá – A vindima americana

trump hillary

Vai atirar para Novembro, até ao lavar dos cestos é aposta. Talvez venha a dar a primeira água-pé no Natal. Só depois do Ano Novo o mosto assentará de vez e haverá vinho, talvez bom, talvez assim assim. Para já, está fechado o tempo da vindima. Segundo as sondagens, depois do terceiro debate em Las Vegas, que é terra de incerteza e jogo, Hillary ficou à frente com 52% e Trump levou 32% e foi um pau.  Debate metido em baias pelo moderador: não houve palmas nem assobios, bravos ou pateada. O auditório esteve sempre de trela curta e açaime. Apesar disso, Trump estendeu-se ao comprido mais duma vez.  Voltou às baixarias que são o seu natural.  Ontem, com ressonância mundial, o director da poderosa Harpers Magazine, de New York, John Rick MacArthur, afirmou displicente que considera Trump “um vadio milionário”. Eu, que não sou nada, penso que o Trump se pôs a jeito para ouvir destas.  Por isso, e porque a experiência aliada à inteligência faz boa mistura, Hillary brilhou. Nem sei se Trump ter dito que não aceitará os resultados eleitorais, se lhe forem adversos, terá mais importância do que o “irrevogável” dum caixeiro viajante que andou a brincar de ministro no governo de Passos Coelho.  Calhando, é só garganta. O pior é o mundo e os Estados Unidos com ele estarem cobertos de nuvens negras.  Tudo parece prometer borrasca. Não é garantido que Hillary, apesar de ter nos bastidores dois homens de peso, Obama e Bill Clinton, tenha altura para um sarilho destes. Mas nunca se sabe e como dizem os cauteleiros, “há horas de sorte”.  Oxalá que assim seja.

Morrinha

©Carla Olas

Quando começamos a subir o monte, aparecem os caçadores. Dois rapazes, com coletes militares. Sobem para uma pedra para que os vejamos, de espingarda ao ombro, estátuas desengonçadas a posar para os forasteiros. Costumam andar aos pares, acompanhados por três ou quatro cães, fazem ruído e assustam os bichos, mas raramente lhes acertam. Passam o domingo no monte, “andam entretidos”, como dizem as mães, com as espingardas de segunda mão e os camuflados. Seguem-nos com os olhos, sem disfarçar, quando passamos, e levantam bem alto o cano da espingarda para que os admiremos. Poderia um impulso infantil levá-los a apontar a arma na nossa direcção e disparar, só para ver se nos acertam, só para ver como caímos. As coisas que nos passam pela cabeça. (Uma vez, um homem de quem todos gostavam, o santo da vizinhança, de bochechas redondas e sorriso beatífico, levantou os olhos para o céu onde passava um avião, e com toda a naturalidade confessou que gostaria de vê-lo cair. A esse e a todos os que via passar.) Mas os jovens caçadores contêm-se, e passámos incólumes.  [Read more…]

Schiaparelli, um sucesso amargo

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Schiaparelli com o pára-quedas aberto

A missão ExoMars (Exobiology on Mars) conseguiu colocar na órbita de Marte a sua sonda atmosférica e realizou com sucesso, ao longo dos previstos seis minutos, “quase todas” as etapas de descida, na atmosfera marciana, do módulo de superfície. No entanto, quando o contacto com a superfície estava próximo, o centro de operações da ESA deixou de receber telemetria, sendo incerto o que terá acontecido. Mais detalhes no comunicado da ESA (em inglês).