A resistência grega

“A política na Europa tem de ser sempre de direita para manter a zona euro intacta” – José Gomes Ferreira (ligação para Facebook)

Era uma vez um consenso, entre a casta que domina a Europa dita democrática, e que mantendo a designação de socialista ou democrata-cristã bebe toda da mesma fonte, o neoliberalismo. Por esse consenso a escolha eleitoral dos povos estava restringida a eles próprios, excluindo obviamente a esquerda, esses perigosos comunas. Não Há Alternativa, declarou um dia um verme que proclamava não existir essa coisa da sociedade. E estava tudo a correr tão bem, os países mais ricos enriqueciam, os mais pobres enriqueciam alguns dos seus por conta de privatizações e do desvio dos fundos comunitários para negócios improdutivos. A Sul a corrupção alastrava, em toda a parte a alta finança especulava em liberdade. Estava tudo a correr tão bem, as desigualdades em crescendo, a liberdade de expressão presa na imprensa dominada pelos mesmos donos, a mesma casta, tudo assegurava a tranquilidade, a paz, um futuro brilhante.

Era uma vez uma fábula que um dia tropeça num país pobre, de ilhas e pedras. Onde um povo que sabe ter de seu o que conquistou disse que já chegava. Correu com os bandidos mais próximos, os dois ou três partidos que sempre a governaram, e escolheu um governo de esquerda. [Read more…]

“Casei com África”

“Eu sou o mais africano de todos os candidatos”.
O que são, pois, 40 ME para a Guiné-Bissau?

Os desígnios insondáveis das sondagens

Tendo recebido um telefonema em que alguém se propunha sondar-me em matéria eleitoral e tendo eu declinado o convite – como sempre fiz – lá fui parar, mais uma vez, à coluna dos que “não sabem/não respondem”.

Gostava que as palavras que aqui estou a escrever tivessem o efeito mágico de afastar estas abordagens de uma vez por todas. Notem que não consigo tratar mal ou ser indelicado para as pessoas que se encarregam destas tarefas, sobretudo as que nos abordam presencialmente. Geralmente são jovens a procurar ganhar um parco salário e, por isso, merecem-me, geralmente, simpatia e cordialidade. E não só os que fazem sondagens políticas, mas também comerciais – quando lhe perguntam que programas de televisão prefere, estão, de facto, a relacionar os seus dados pessoais com os seus gostos no sentido de escolher espaços de colocação da publicidade televisiva -, estas agora mais raras, sobretudo desde que as empresas aprenderam a piratear dados das redes informáticas (como esta…) e desenvolveram métodos mais fiáveis de medição de audiências. Mas lá que recuso, recuso. [Read more…]

O estado da nação é muito simples

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Fonte: Banco de Portugal

Privatização de tudo o que gera receita no estado e do que tem receita garantida via orçamento de estado. Negócios com prejuízo foram reorganizados por forma a vender a parte com receitas, ficando a parte com prejuízo para o estado.

Para quê? Esqueça a tese de termos gasto acima das nossas possibilidades. Olhe para si e conclua. Estas receitas serviram apenas para pagar os juros da dívida do empréstimo que tirou a banca da falência.

O resultado? Estamos pior do que no início da legislatura. Recorde-se qual era o objectivo da austeridade: reduzir a dívida pública e controlar o défice. Este continua sem chegar aos valores exigidos pelo euro e a primeira aumentou significativamente. O défice diminuiu graças ao colossal aumento de impostos e a dívida disparou devido aos custos com os juros.

Menos saúde, menos educação, menos justiça, mais horas de trabalho, mais impostos, menos salário. Este é o estado da nação.

Vêm aí melhores tempos? Nada para aí aponta. Não podemos continuar a fazer o mesmo e esperar resultados diferentes.

Política mesmo (assim)

Ontem, no Política Mesmo, José Luís Arnaut teve dia aziago. O tema era a situação da Grécia e os convidados eram, não porque a TVI tenha grandes escrúpulos democráticos, mas porque gosta de fogo de artifício, divididos num suposto esquerda – direita. A esquerda presente era facilmente identificável: Ricardo Pais Mamede e Mariana Mortágua. À direita é que as coisas se complicavam. Além do “moderador” – Paulo Magalhães, a mim não me levas – brilhava o mui ínclito José Luís Arnaut e, porventura julgavam eles, Francisco Seixas da Costa, diplomata por vocação, gastrónomo por devoção. Se julgavam isso, saiu-lhes mal a festa. Já por várias vezes tenho apreciado o equilíbrio das posições de Seixas da Costa, designadamente em política internacional. Não decepcionou, mais uma vez (ou melhor, se alguém saiu decepcionado, não foram aos espectadores). Os verdadeiros diplomatas vão rareando e, em situações como a que se vive hoje, isso é dolorosamente evidente.

Sai mais uma fornada de estágios para mascarar os números do desemprego

Desemprego

Enquanto as tropas do PaF acenam com o milagre da recuperação do emprego, a realidade, essa malvada, insiste em deitar por terra as mais variadas tentativas de manipulação do departamento de engenharia política do desemprego. Depois das notícias da passada semana, o Publico revelou ontem novos números que deitam por terra a propaganda laranja-azul. Sócrates prometeu 150 mil empregos, Passos Coelho destruiu o dobro: 298 mil empregos desapareceram no espaço de 4 anos. Notável.

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2010-2011: Pedro Passos Coelho em campanha

Para os que não têm memória, para os que acreditam no mito dos mitos urbanos.

Damm! Os comunas tinham razão…

Euro PCP

Nesse maravilhoso mundo das redes sociais, encontrei esta montagem interessante que nos mostra esse distinto cidadão português que liderou os destinos do país até ser engolido pelo pântano que entretanto se criou à sua volta e que hoje exerce funções na ONU. A sua previsão, pouco antes do advento do euro, era a de que a moeda única colocaria Portugal no pelotão da frente de UE. Passados 17 anos, Portugal continua a ser um carro-vassoura, disputando com a Grécia a liderança da cauda da Europa. Boa Guterres, acertaste em cheio!

O outro protagonista desta montagem é Carlos Carvalhas, antigo líder do PCP e reconhecido perigoso comunista. Daqueles que, suspeitamos, poderá alimentar-se de criancinhas ao pequeno-almoço. A sua premonição, contudo, parece encaixar como uma luva no triste fado que a adesão ao euro se revelou para o nosso país. A coisa é tão certeira que chega a ser chocante. São cassetes.

Vale tudo para fazer de conta que está tudo bem

Até dar dinheiro que se pediu emprestado. Portugal disponibiliza 40 milhões de euros para a Guiné-Bissau.

Os desígnios insondáveis das sondagens

Tendo recebido um telefonema em que alguém se propunha sondar-me em matéria eleitoral e tendo eu declinado o convite – como sempre fiz – lá fui parar, mais uma vez, à coluna dos que “não sabem/não respondem”. Gostava que as palavras que aqui estou a escrever tivessem o efeito mágico de afastar estas abordagens de uma vez por todas. Notem que não consigo tratar mal ou ser indelicado para as pessoas que se encarregam destas tarefas, sobretudo as que nos abordam presencialmente. Geralmente são jovens a procurar ganhar um parco salário e, por isso, merecem-me, geralmente, simpatia e cordialidade. E não só os que fazem sondagens políticas, mas também comerciais – quando lhe perguntam que programas de televisão prefere, estão, de facto, a relacionar os seus dados pessoais com os seus gostos no sentido de escolher espaços de colocação da publicidade televisiva -, estas agora mais raras, sobretudo desde que as empresas aprenderam a piratear dados das redes informáticas (como esta…) e desenvolveram métodos mais fiáveis de medição de audiências. Mas lá que recuso, recuso. Agora que as sondagens – e, quando querem poupar dinheiro, as entrevistas sobre o valor das ditas – estão a ferver, devidamente comentadas por entrevistados conspicuamente parciais, quer sejam assumidamente pertencentes a partidos – quase sempre próximos do poder – quer sejam jornalistas sabujos e servis, espécie que abunda em todos os canais e jornais, ocorre-me deixar aqui esta nota. [Read more…]

Talvez?

Talvez tenhamos errado”, diz o ministro da Cultura do Brasil.

Apesar de muitos não entenderem…

Filas há muitas

montegro

No país do sucesso, há filas que o líder do parlamentar do PSD não quer ver.

[foto da direita]

Já sabemos que Portugal não é a Grécia

mas os dois lideram, em conjunto, o ranking dos países da OCDE onde a despesa das famílias com saúde mais aumentou. Coincidências claro, que o nosso SNS está que é um espectáculo. Que o digam as urgências dos hospitais públicos.

Maria Barroso, 1925-2015

Uma grande mulher, num país de fraca gente.

Perdoa-me

Enquanto uns lutam por perdões de dívida, outros conseguem-no nos tribunais portugueses. Hoje foi a vez (outra vez) de João Rendeiro. A culpa continua a morrer solteira.

Medina Carreira outro amiguinho de Relvas

Escrevemos aqui sobre o beija-mão de altas personalidades do PSD e do PS a Miguel Relvas durante a apresentação do seu novo livro. Mas não nos podemos esquecer da tirada deste passarão num momento épico das suas homilias na TVI quando a boca o traiu, ao ser pressionado pelo Professor Carlos Fiolhais:

Prof. Carlos Fiolhais: o diploma do “doutor” Relvas não vale nada.

Medina Carreira: o quê?

Prof. Carlos Fiolhais: … do “doutor” Relvas, o diploma não vale nada.

Medina Carreira: Nunca falei com ele, não sei…

Com a preciosa ajuda do João José Cardoso

Mais educação ou mais confusão?

demontar a propaganda - ensino

Depois de quatro anos a destruir o ensino, o governo sacou um coelhito da cartola: uma promessa. E com base nisso pretende que há mais educação. Quanto a promessas, não sabemos se desta vez serão para cumprir (minto; sei que não são para cumprir), mas sabemos o que se passou: quatro anos de caos na educação.

Agora reparem num detalhe. Estes tipos tornaram o acordo ortográfico obrigatório, mas nem na sua propaganda o conseguem aplicar.

Jorge Jesus: o conforto e o risco

Jorge Jesus, em entrevista à SIC Notícias, explicou que trocou “o conforto pelo risco”. Não está só. Há cinco anos, o Expresso também trocou o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Um dos resultados patentes é esta mistela:

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Como Jesus e como o Expresso, também o Governo decidiu trocar o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Eis aquilo que acontece no sítio do costume:

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E eis a solução.

Continuação de uma óptima semana.

Helena Matos contra a indústria petrolífera

Putin Durão

Num grito de revolta contra o desfecho do referendo grego, Helena Matos do Observlasfémias mostrou-se indignada com a suposta proximidade entre o Atenas e Moscovo:

Por que hão-de países cujos cidadãos vivem pior que os gregos, pagam mais impostos que os gregos e se reformam mais tarde que os gregos ser “solidários” com os gregos que votam num governo que para cúmulo namora descaradamente com uma Rússia que é uma ameaça directa para segurança de alguns desses países?

Estarei errado, mas depreendo das palavras da senhora que a sua indignação é extensível, por exemplo, à poderosa indústria petrolífera ocidental, que apesar das sanções continuava, até há poucas semanas, a explorar petróleo no Mar de Kara com a estatal russa Rosneft, uma empresa controlada por oligarcas próximos de Vladimir Putin. É que o clima de tensão entre a Rússia e o Ocidente não começou no mês passado. Em Outubro já se interceptavam jactos russos por cá e a Crimeia foi invadida em Março. Quando começaram os namoros entre o Ocidente e a Rússia a ser descarados?

*****

P.S. Eu também vivo pior que a Helena Matos, pago os mesmos impostos, corro o risco de me reformar mais tarde e ainda assim tive que pagar, através dos meus impostos, os “serviços de pesquisa” que a senhora fez para séries na televisão pública que, estou certo, só trouxeram despesa para o erário público. Porquê?

Ao cuidado dos filhos do governo

Os filhos do governo descobriram os referendos e também querem, para o que chamam ajudar a Grécia, como se a responsabilidade da transferência das dívidas aos bancos para os estados fosse culpa do seu actual governo.

Eu também queria.

Quando Passos Coelho me assaltou o ordenado, depois de prometer que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando Passos Coelho me aumentou os impostos depois de ter prometido que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando decidiram salvar o BPN, ou o BES, com o meu dinheiro, também podiam ter feito um referendo.

Nessa altura, que fizeram os filhos do governo? ficaram calados. Mantenham o hábito que só vos ficam bem.

Uma manhã ateniense

Carlos Leite

Hoje tinha que passar pelos correios e levantar a dose de 60 euros. Pensei que tal me ocuparia toda a manhã, ou pelo menos umas boas duas horas. Qual quê! Uma hora bastou e sobrou. Os correios estavam às moscas, como uma agência funerária em Dia-de-Todos-os-Santos e dirigi-me de olhos fechados para o guichet.

A senhora do outro lado disse-me que primeiro devia tirar a senha… A senha? Tiro todas as senhas para a manhã, respondi, mas não vejo ninguém à espera. Mas tem de ser, senhor, é para fazermos as nossas contas. Muito bem, seja então a senha. Esperava que o aviso deixado pelo carteiro aqui há uns dias (nunca entregam os registados, dexam sempre o aviso sem se incomodarem a tocar à campainha, houve muitos despedimentos e agora só há tarefeiros) fosse mais uma carta registada com uma intimação a pagar uma factura ou uma contribuição na Bélgica, mas era uma encomenda de Portugal, antes isso (as últimas traduções que fiz para a Relógio d’Água, o Mendel dos Livros, do S. Zweig).

Depois fui ao banco, cem metros a subir que agora me custam imenso. Rua comercial calma, semivazia, fora do normal para uma segunda-feira de manhã, mas talvez este seja já o movimento habitual do período de férias, há já gente que partiu, não sei, mas duvido. À porta do banco, umas 20 pessoas à minha frente, com o sol a bater nos últimos chegados, mais distantes da parede. Olho para trás e já há mais quatro a cinco pessoas, que se avisam de quebrar a fila e irem refugiar-se à sombra duma árvore e numerando-se entre si. Eu fiquei ao sol. [Read more…]

Vaselina ajuda

Vaselina

Deve estar a doer taaaaaanto, até mete dó. Será que acabou o stock de vaselina na Opus Dei?

Da Grécia para a Europa

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Ontem escrevi no facebook:

Os gregos (não confundir com Tsipras) decidiram. Decidiram o seu futuro. Se bom ou mau, ninguém sabe (nem eles…). E decidiram de forma clara e esmagadora. Uma nota: conseguiram ter um referendo sobre o seu presente e futuro na Europa. Poucos países se podem gabar do mesmo. A começar por nós.

Foram os Gregos que decidiram. Foi-lhes permitido decidir. Agora está na mão dos políticos desta Europa saber interpretar os sinais. Sem esquecer que temos outros países a caminho de referendar questões europeias (assim de repente temos a Dinamarca e a Inglaterra).

A União Europeia é uma das mais fabulosas construções da humanidade. A livre circulação de pessoas foi uma conquista extraordinária que ajudou a mudar a Europa. Sem pretender ser exaustivo, recordo o abolir das fronteiras, o termos uma moeda comum, programas como o Erasmus e tantas outras coisas com as quais nos habituamos. Claro que existiram falhas, erros e asneiras. Como em todas as obras colectivas. Só espero, sinceramente, que todos os políticos europeus saibam estar à altura das circunstâncias. Que a arrogância tenha apanhado um valente susto. Que se lembrem que somos todos diferentes mas somos todos europeus.

Estou nos antípodas do Syriza em termos ideológicos. Porém, ser democrata é saber reconhecer e respeitar as escolhas dos povos e os gregos, nas últimas eleições, assim escolheram. Da mesma forma que, neste referendo, escolheram o “Não”. Perante a sua escolha só existem dois caminhos: compreender e procurar enquadrar a sua escolha dentro dos superiores interesses de uma Europa unida ou, o que alguns andam a salivar, retaliar. Escolhendo a segunda vamos matar o projecto europeu, esse extraordinário legado dos nossos pais. Quem quer fazer o papel de coveiro?

Líderes

Hoje, como nos últimos dias, não faltam as habituais lamentações sobre o facto de a Europa estar sem grandes líderes. Sou mais modesto, mas muito mais ambicioso. Não quero grandes líderes, que os paga a História bem caro. Queria mais: queria líderes inteligentes, corajosos, íntegros, cosmopolitas, sensatos, honestos, dotados de sentido de empatia e solidariedade e cujos valores de referência sejam a liberdade e a democracia; as reais, não os seus fantasmas. E coragem para votar neles. É pedir muito, não é?

Grécia, asneiras, mentiras e realidades

Maria Manuela

Incomensuravelmente cansada de ouvir asneiras e mentiras deliberadas sobre a Grécia, aqui ficam algumas realidades:
1- Os estados da zona euro “emprestaram” muito dinheiro à Grécia?!
Ao J P Morgan e ao Goldman Sachs querem dizer.
É que oitenta por cento dos “resgates” à Grécia, foram isso mesmo: resgates aos Centros de Controle Financeiro (já não lhes chamo bancos) que detêm e controlam o FMI e os demais bancos credores, para salvaguarda de um sistema financeiro asfixiante e criminoso.
2- Quem levou a Grécia à falência?
As mesmas famílias políticas que arrastaram Portugal para o buraco em que estávamos e estamos. Precisamente a mesma cambada de corruptos incompetentes que beneficiaram e fizeram proliferar corruptos e incompetentes. Precisamente o mesmo tipo de criminosos que desenhou, criou e expandiu uma economia sem nenhum suporte real. Apenas assente num crescimento insustentável de funcionários públicos e empresas públicas e público-privadas deficitárias, aviários e ninhos de políticos em criação ou reformados. Precisamente a mesma estirpe viral mortífera que fez incidir receita pública nos mais frágeis e, não só ilibou como incentivou à fuga aos impostos de um sistema oligárquico de suporte financeiro e eleitoral. A mesma coisa- política inominável, que foi fechando os olhos ao estabelecimento de uma economia paralela e reforçando as regalias do funcionalismo público, criando um verdadeiro estado-de-sitio apenas compatível com a sociedade pirata da ilha Tortuga.
Precisamente o mesmo bando de ladrões que levou a Grécia a recorrer a um programa de assistência financeira da troika em Maio de 2010 – solicitado na altura pelos socialistas do PASOK, que ganharam as eleições de Outubro de 2009 para revelarem no final desse ano que, afinal, o défice orçamental grego desse ano não ficaria nos cerca de 6,7% projectados pela Comissão Europeia com base em dados do anterior governo, mas seria de 12,7% (foi de MAIS de 15% do PIB).

3- Quais as consequências das medidas da Troika? [Read more…]

Dívida

André Serpa Soares

Ouvindo e lendo declarações de dirigentes e políticos alemães em reacção à vitória do não na Grécia, apenas me ocorre recordar o seguinte, para ver se não se esquecem nunca: nenhum país, repito, nenhum país, tem dívida maior para com a Europa do que a Alemanha. Isto é verdadeiro em termos financeiros e de dívida perdoada, mas o pior ainda é o resto

Olhos gregos, lembrando

A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;

O direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado;

Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

O rosto que fita é Portugal.

Mensagem, Fernando Pessoa

Mal sabia Fernando Pessoa que a História viria a dar outros significados ao poema “Os Castelos”, porque o tempo traz consigo novas leituras. [Read more…]

O altruísmo de Martin Schulz

Schulz

Parece que o desfecho do referendo grego nos presenteou com algo ainda mais surpreendente do que a vitória esmagadora do “não”, pelo menos para aqueles que alimentavam a especulação das sondagens fantasma que davam a vitória ao “sim”. Martin Schulz, o tal que para muitos representa a esquerda europeia – a esquerda do lado direito do espectro – foi subitamente tomado pelas preocupações sociais que durante vários anos estiveram ausentes da agenda europeia para a Grécia, que impôs uma austeridade cega que cortou a direito doesse a quem doesse:

Devemos amanhã, ou o mais tardar na terça, na discussão do encontro da zona euro, encontrar um programa de ajuda humanitária para a Grécia. O cidadão comum, os pensionistas, pessoas doentes ou as crianças nos infantários não podem pagar o preço pela situação dramática para a qual o governo grego levou o país.

Chegou tarde mas chegou. O “socialista” acordou agora para o drama do cidadão comum, dos pensionistas, dos doentes e mesmo das crianças nos infantários. As crianças nos infantários. Estou comovido. Só se lamenta a distorção da realidade presente no final da declaração. É que, é sabido, não foi este governo que atirou a Grécia para uma situação dramática. Foram os seus pares do defunto PASOK e da Nova Democracia. Mas vá, um passo de cada vez. Lá chegaremos.

 

Dúvida existencial

alguém me explica como se expulsa um país do euro? Que tratado europeu prevê esta possibilidade? Obrigado!