A Zila e a Tânia, em nome do serviço público

agora

Ontem, as vedetas da imprensa eram os professores, reprovados à volta com os “á” e os “”. E eu acrescentaria, com provas, o “mandas-te” em vez de “mandaste” e quejandos erros da matreirice de quem construiu, assim, ao longo dos séculos, esta língua complicada, diz-se. Uma coisa para iniciados, umas aves raras que no Porto, em Braga ou em Bruxelas, vão lutando pela Língua, contra tudo e contra todos, até aqueles que produzem licenciados sob o signo do erro banal. Depois, queixam-se de acordos ortográficos, nesta realidade paridos.

Hoje, foi a (inefável) Zila! Sob o olhar complacente – de cândido – da Tânia, dita Ribas, de Oliveira. Televisão de serviço público, que se preze, deve chamar à luz todas aquelas que nos libertam de temores, receios, baixa auto-estima a afins, num prestidigitar de cartas, mudando de baralho se se trata do pai, da mãe, do cão, do gato, do namorado ou do emprego. E nos explicam que a mãe, coitada, tem aerofagia; o filho vai fazer um olho negro no próximo jogo de futebol; o namorado ainda não está maduro, vai demorar, mas há-de aparecer; a gata vai procriar; o pai, esse, é bom homem, mas, de vez em quando, “explude”. Quase esquecia esta: “Lá para os 40, há rebento novo. Prepare-se! É o terceiro, que o amor para si vai, finalmente, chegar por essa altura”. Claro que o diálogo não foi bem este, há uns animais de permeio que não entraram na história. Mas o sentido está lá… E eu, que até nem sou jornalista, posso dar-me ares de criativo, com alguma ficção à mistura!

Serviço público, está bom de ver! Oram “explodam” lá de vez. E vão vender cálcio porta-a-porta. Como a outra, a da concorrência.

Ao menino e a Sérgio Sousa Pinto põe deus a mão por baixo

O dirigente do Partido Socialista (PS) nas relações internacionais, Sérgio Sousa Pinto diz, em declarações ao Diário de Notícias (DN), que esta viragem na Grécia irá fazer frente à austeridade, mas alerta que o “PS não é nem vai passar a ser o Syriza” em Portugal. Fonte.

Mercenários financeiros

declaram guerra ao governo de Tsipras.

Michelle Obama

uma infiel a pôr-se a jeito de um apedrejamento.

Figo a presidente

Como acabou a peseta e o euro corre mal, El Dolarero ou Yuanero?

A reprova

Para avaliar candidatos a professor fazem-se uns testes giros. No último incluía-se um texto de José Manuel Fernandes. Repito: o analfabeto José Manuel Fernandes, que enquanto escreveu à borla no Blasfémias provou várias vezes ter com a gramática uma relação semelhante à que eu tenho com Passos Coelho. Se, mesmo revisto como sempre sobreviveu na profissão onde entrou um homem que escreve fazido à pala de mero oportunismo político, eu encarasse um texto de José Manuel Fernandes e tivesse de a partir dele escrever alguma coisa, juro que bloqueava, ou melhor, bloceava.

Já em prova anterior José Adelino Maltez, homem culto e professor universitário, experimentou e falhou:

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Azar, o Zé julga que é jornalista

A vida é um palco, já dizia o Bardo, transformando-nos a todos em actores. No prolongamento desta imagem dramática, e sem ser original, é possível dizer-se que o mundo é um conjunto de palcos em que desempenhamos papéis diferentes. Não me faz, portanto, confusão que, de copo em riste, entre compinchas, possamos exercer o saudável direito ao disparate, mesmo que seja politicamente incorrecto ou só incorrecto e até desinformado, porque há sítios em que é lícito que  todas as louras sejam burras e todos os alentejanos, preguiçosos. [Read more…]

“Caprichos onanísticos”

O líder de um partido político que se refere à adopção e co-adopção por casais homossexuais como “disponibilizar crianças para satisfazer os caprichos onanísticos e preconceitos heterofóbicos dos gays e das lésbicas” deve saber que está a descer ao nível mais baixo da política, aquele em que não se hesita em aviltar um conjunto de cidadãos para marcar uma posição face a um adversário político. É isto que faz Marinho e Pinto neste artigo. Degrada e calunia tanto as famílias compostas por casais homossexuais que já existem como aquelas que poderiam vir a formar-se, reduzindo a vontade de dar um lar a uma criança a “caprichos onanísticos” e manifestação de “heterofobia”, e fá-lo porque encontrou nisso uma arma de arremesso político que ele provavelmente entende que pode valer-lhe uns votos.

Marinho e Pinto poderia esgrimir argumentos contra a adopção homossexual, ou não tivesse ele o direito a opor-se a essa possibilidade, mas não o faz, opta pela generalização ofensiva e aviltante. Poderá ser porque não sabe fazer melhor do que isso ou apenas porque é esse o caminho mais fácil. Seja como for, e para usar as palavras dele, “é bom que o país saiba o que pode esperar”, caso tenha andado distraído até aqui.

(Via Malomil)

Governar para números ou governar para pessoas?

Santana Castilho

O filósofo Slavoj ZizeK citou T. S. Elliot num comício da Syriza para dizer que “há momentos em que a única escolha é entre a heresia e a descrença”. E clarificou a ideia afirmando que “só uma nova heresia, representada hoje pela Syriza, pode salvar o que vale a pena salvar do legado europeu: democracia, confiança nas pessoas, igualdade e solidariedade”.

O estado em que a política educativa dos dois últimos governos colocou escolas e professores faz-me suspirar por um “momento Syriza” na Educação. Por uma nova heresia, que coloque cooperação onde hoje está competição. Porque a cooperação aproxima-nos e sedimenta-nos enquanto grupo e a competição, ampliando as diferenças, afasta-nos, isolados por egoísmos. Porque a cooperação serve as pessoas e harmoniza-as, tal como a competição, hoje sacralizada na nossa cultura, serve os números e os conflitos. [Read more…]

Passos Coelho, contador de histórias e de outras coisas que não existem

Ver Pedro Passos Coelho referir-se às propostas do Syriza como “contos de crianças“, independentemente de elas se virem ou não a cumprir, remete-me para os inúmeras histórias de embalar ovelhas com que este sujeitinho aldrabou o eleitorado na sua busca desenfreada pelo poder entre 2010 e 2011 e que o Ricardo Santos Pinto teve o cuidado de compilar pouco depois deste contador de histórias ter chegado ao poder.

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Auschwitz, agosto de 2014

Conhecia a estatística dos campos de morte. Mas não conhecia o lugar, nem o efeito que provoca nos homens.

Auschwitz2014A

Li bastante sobre as experiências atrozes do Dr. Mengele, foram leituras duras mas sem sequelas. Em Auschwitz I essa paz abandonou-me.

Auschwitz2014C

Os ciganos eram considerados seres associais pelos teóricos do nazismo. Muitos combateram com uniforme romeno na frente russa lado a lado com os soldados alemães. Quando regressaram da guerra as suas famílias tinham sido eliminadas e as suas casas destruídas pelos nazis. [Read more…]

Hélder Bataglia, presidente da ESCOM

Foi montado um esquema para fugirmos aos impostos (no negócio dos submarinos)”.

No further questions.

Não devem ser drogas leves!

Neste fim de semana um conjunto de pessoas (100 dizem uns, 400 dizem outros) deslocaram-se  da Covilhã a Évora, onde se manifestaram à porta do Estabelecimento Prisional. Por causa de José Sócrates, está visto.

Por entre declarações várias, o facto de dizerem que o antigo primeiro ministro estava preso por motivos políticos!

Mas o que me espantou foi alguns estarem de cravo vermelho e cantarem a Grândola Vila Morena!

Salgueiro Maia e Zeca Afonso devem estar a dar voltas nos caixões, mas pergunto-me: o que é que andam a fumar na Covilhã?

Radicais para todos os gostos

RadicaisFotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

No Domingo abateram-se os corruptos gregos. Na Segunda o sistema salivou como se não houvesse amanhã. Hoje, Terça-feira, coisas extraordinárias acontecem. O PSI-20 abriu a sessão em queda. Culpa do Syriza? Nada disso, culpa dos radicais que geriram e destruíram a PT e do BPI, que foi hoje alvo de “corte de rating” por parte do BBVA. Culpa do Syriza? Nada disso, culpa dos “fracos rácios” de eficiência na operação do banco e do “modelo de negócio desequilibrado em Angola. Aguenta Ulrich, ninguém te mandou fazer negócios com radicais.

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Auschwitz

Setenta anos após a libertação dos campos de Auschwitz pelo Exército Vermelho, na caminhada que de Estalinegrado e Kursk  até Berlim virou o rumo da guerra, relembro as vítimas que morreram duas vezes, uma às mãos do nazismo e todos os dias na continuação do esquecimento.

Relembro o Porajmos, 220000 ou 1500000 mortos, o maior genocídio (pelo menos relativamente à população total da etnia) cometido pelo mal que assolou a Alemanha e muito mais Europa.

Não se fizeram filmes e séries de televisão, não se escreveram prateleiras de livros, não lhes deram uma pátria porque também não a tinham (e ao menos por eles não se roubou a terra a outros), não constam dos manuais escolares. Não contam, são ciganos, e até nos massacres há vítimas que são mais vítimas do que outras.

Vinte e três mil ciganos alemães e austríacos foram prisioneiros em Auschwitz, e cerca de 20.000 deles foram mortos naquele local. Fonte.

Para saber mais: Embaixada Cigana

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (6)

S. José sem tratamento para os aneurismas ao fim-de-semana.

Uma nota final sobre o Charlie Hebdo

Após ler este texto e este conjunto de textos comecei a pensar que todos têm as suas pertinências, uns mais do que outros. Mas parece-me também trágico que Charlie Hebdo, um jornal que nunca pretendeu ser o símbolo da República francesa (lembro-me de Luz a dizer nesta entrevista “I didn’t go to the spontaneous rally on January 7th. People sang the national anthem. We’re talking about Charb, Tignous, Cabus, Honoré, Wolinski: they would’ve scorned this kind of attitude.” E que “I’m going to think about my dead friends, knowing they didn’t fall for France!” ) que não pretendia influenciar ou coagir, que não pretendia fazer dinheiro ou ser popular, que era, sobretudo, um jornal anti poder e anti-sistema se tenha tornado num argumento para esgrimir em discussões sobre a laicidade, ou o universalismo do republicanismo francês, a forma como lidam com o colonialismo, os limites da laicidade, da liberdade de expressão, ou pior ainda uma discussão sobre a sociedade de valores francesa. Não é que estas discussões não sejam válidas, não é que não se devam ter. Custa-me é ver este jornal que tem tão poucas pretensões, que nunca pretendeu ser um símbolo, ser dado como exemplo máximo de todas estas coisas (ou o exemplo contrário a todas estas coisas, dependendo do autor), como um ponto de partida essencial para todas estas discussões. Charlie Hebdo era só um jornal satírico que nem sequer tinha grande público (esteve praticamente à beira da bancarrota nos últimos anos). Custa-me ver no fundo, o jornal a ser instrumentalizado desta forma não só por políticos mas por intelectuais e activistas que de certeza que têm até as melhores intenções.

É difícil de ver isto porque não há ninguém para falar em nome do jornal, porque as pessoas que podiam falar sobre o jornal em si estão mortas. Parece-me óptimo que se debata estes pontos de vista, que se ponha em causa visões de sociedade mas acho um absurdo caírem no erro de atirar o jornal para todas estas discussões como se Charlie Hebdo fosse de repente um símbolo da França, como se estivesse para o regime como está Charles de Gaulle ou a Marselhesa.

Ao menos tenham a decência de ouvir um dos sobreviventes: ” Today, it seems that Charlie fell for the freedom of speech. The simple fact is that our friends died. The friends we loved and whose talent we admired so very much.”

Momentos

Ontem foi um dia animado. Tivemos o momento Marretas, com Pires de Lima, o momento lacrau de Massamá, com o Passos, o momento Salazar com Maria Alberta Fernandes e Camilo Lourenço, o momento a-sombra-do-radicalismo-ameaça-a-europa, com José Rodrigues dos Santos, o momento aibalhamedeuscaoropataperdida com os Luís Delgado e similares, os vários momentos ai que vêm aí “os radicais extremistas de esquerda”, dos pivôs da RTP, enfim, um dia animado.
Houve até, valham-nos os deuses do Olimpo, o momento de verdadeiro serviço público, quando o José Manuel Pureza desembainhou a palavra e disse umas verdades como estalos na própria cara da RTP.

A propósito de contos de crianças – ele fez as contas

Passos diz que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos: O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou, este sábado, que fez as contas e está em condições de garantir que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas.” Foi apenas há 4 anos.

Merkel também visita Sócrates

German Chancellor Angela Merkel in Florence

Angela Merkel in visita a Palazzo Vecchio a Firenze – Credits: EPA/TIBERIO BARCHIELLI/PALAZZO CHIGI PRESS OFFICE/HANDOUT

Uma enorme lata

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O próximo governo grego será o primeiro governo de esquerda da Europa desde… sejamos magnânimos, o governo francês de 1981-83. A rigor teríamos de ir ao Portugal da década de 70, ao V Constitucional, para não ir mesmo mais atrás, ao V Provisório. Obviamente não conto com as ditaduras dos satélites da URSS, que além de ditaduras são tanto de esquerda como o actual da China. [Read more…]

Pânico no sistema

Nervoso

Eles andam todos muito nervosos. Das clientelas dos blocos centrais aos teóricos do regime, passando pela extrema-direita ressabiada ou pelos apóstolos da ditadura dos mercados, a vitória esmagadora do Syriza nas legislativas de ontem na Grécia causou profundos arrepios a todos os parasitas que se alimentam ou que anseiam vir alimentar-se do apetitoso lombo do sector público, quais percevejos comodamente instalados costas do rinoceronte estatal.

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Óptimo

Há cerca de dois anos, elaborei uma “pequena amostra de levantamento acessório“.

Entretanto, pelos vistos, segundo Barreto Xavier, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos“.

Óptimo. “Sem atropelos” e “sem problemas de maior“.

Ficamos todos muito mais descansados.

dre 26012015

El diccionario de Griego

Uma excelente crónica de Juan Cruz.

A girl sem experiência bancária que Portas enfiou no Banco de Fomento

O quanto não vale ser militante praticante e, melhor ainda, esposa do homem que elaborou a reforma fiscal tão elogiada por Portas.

O murro do Papa

O Papa, justificando a violência contra os blasfemos que ofendem Deus, exemplificou com a resposta que daria – um murro na cara – a quem lhe insultasse a mãe. Sem mais considerações e independentemente da minha avaliação de tal resposta, gostaria só de lembrar Francisco, o Papa, e os que gostaram desta rábula, que as nossas mães existem – ou existiram – realmente. Existiram! Realmente! Para lá de todas as dúvidas.

Aviso público ao serviço público

José Manuel Pureza e a peça do José Rodrigues dos Santos sobre a Grécia.

Já agora, sobre as mentiras repetidas da direita a propósito da Grécia.

Eleições na Grécia: Tsipras no dia depois da vitória do Syriza

eleições gregas

Com ou sem maioria absoluta, amanhã começará um período interessante na Grécia. Teremos em Tsipras uma segunda versão do flop Hollande? Ou, por outro lado, terá o novo governo uma boa mão de poker para negociar com os credores gregos? Da esquerda à direita, ninguém ficará indiferente.

Servem-se frias

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Antes nas urnas que nos estádios.

A esquerda portuguesa não é a grega, tem de encontrar o seu caminho

miguel tiago

O problema da esquerda portuguesa tem um nome: sectarismo. Tem outros, como dogmatismo, incapacidade de perceber que 100 anos depois nem o capitalismo é o mesmo nem combatê-lo pode ser de feito da mesma forma, mas esses são problemas de toda a esquerda europeia.

Se na Grécia temos outro caminho, a unidade entre forças que se degladiavam há meia-dúzia de anos, a capacidade de construir uma frente que ocupe o espaço da social-democracia ocupado pelo social-liberalismo, a aprendizagem com a queda do estalinismo, se no estado espanhol um outro surgiu, fora dos partidos tradicionais e contrariando a sua esclerose, em Portugal precisamos de outro ainda. [Read more…]