O sociopata é um animal bípede, da espécie humana, mamífero porque se alimenta de leite nos primeiros tempos da sua existência, omnívoro depois, consumindo, inclusivamente, seres da sua própria espécie. Caracteriza-se por um comportamento afectado e impulsivo, apresentando uma total ausência de empatia para com humanos e animais em geral, desprezo pelos valores morais e sociais bem como pelos direitos e sentimentos dos outros, cujo bem-estar despreza, provocando, pelo contrário, sérios prejuízos e desgostos a quem com ele convive. Interesseiro, manipulativo e egoísta, refina, com o crescimento, o desprezo pelas obrigações sociais afastando-se, cada vez mais e conforme os anos vão passando, das normas sociais, mostrando baixa tolerância às frustrações e baixo limiar de descarga de agressividade. Nem punições nem experiências adversas o corrigem. Incapaz de qualquer afecto duradouro, especialista em racionalizar e culpar os outros consegue, com perversidade – a psicanálise classifica este transtorno de personalidade como uma perversão -, mostrar a capacidade de sedução que lhe permite encontrar explicações plausíveis para todos os seus actos, mesmo os mais torpes. Não hesita em usar a mentira, a calúnia, a omissão, a distorção dos factos para atingir os seus objectivos. Patologicamente egocêntrico, é incapaz de lealdade, sentimentos de afeição ou solidariedade. Mentiroso compulsivo, consegue dolosamente, contudo, fingir episodicamente tudo isto, se tal servir os seus propósitos; sem remorso de ferir, maltratar, vigarizar, roubar familiares, amigos, concidadãos. [Read more…]
O sociopata
Ajudem o Alberto a ir ao Espaço
MIlhares na rua exigem demissão do governo
O povo aos milhares veio para a rua. Em Lisboa, no Porto e em Setúbal, as manifestações concentraram muita gente, naturalmente a protestar e em luta pela queda deste governo chefiado por um garoto; garoto, lembre-se, outrora tão rebelde e viciado no mal quanto sinistro e ignóbil na actual governação do País. Passaram os tempos, modificaram-se os hábitos de vida e o desfecho foi inevitável: falta de qualidade e de carácter para dirigir o País, com elevação de estadista, conhecimentos e perfil adequados. Às suas mãos Portugal afunda-se no processo de degenerescência contínua – tão infinitamente contínua como o símbolo e o traço matemático que definem a função desse género.
Sabemos que, ao livre arbítrio do trio Gaspar, Coelho e Portas, ainda por esta ordem, os reformados e pensionistas espoliados, trabalhadores da função pública, os desempregados jovens que excedem os 40%, os desempregados de longa duração e famílias inteiras destruídas – nem todos optam por abandonar mulher e filhos ou abdicam de constituir família – se conformem e aceitem pacificamente a dureza da política de austeridade que, à luz dos direitos humanos, não só é repugnante, como criminosa – há crianças com fome e idosos sem assistência médica e/ou medicamentosa. [Read more…]
Opiniões livres
Algo muito comum ao nível dos clubes, mas também permanente nos partidos. Para os militantes que sofrem desta patologia, o que o seu partido faz no poder, está sempre certo. Já os da oposição estão sempre contra.
O mesmo é válido para os partidos que se limitam a dizer que não: o que defendem está sempre certo. O que os outros dizem está sempre errado.
Escrevi isto há quase um ano e parece-me que a reflexão faz cada vez mais sentido.
E se me permitem, volto a juntar a bola à política.
Uma equipa da cidade aqui ao lado estava, segundo alguns, em risco de ficar fora da Taça da Liga porque os regulamentos não permitiriam que um jogador jogasse pelas equipas A e B num intervalo inferior a 72h. Claro que uns apontaram num sentido, enquanto os do regime azul argumentaram, como conseguiram, para defender o contrário.
Era, na minha opinião, uma discussão sem sentido – obviamente, o regulamento pretendia apenas evitar que as estrelas da equipa A fossem ao jogo da B “alterar a verdade desportiva”.
Do mesmo modo só consigo entender a posição do PSD e do PCP no que diz respeito à limitação dos mandatos dos autarcas como a necessidade de defender, a todo custo, a sua gente. Se, da parte do PSD isso não surpreende, confesso que, do PCP NÃO esperava melhor. [Read more…]
Horários dos Professores e as verdades de Nuno Crato
O relatório do Governo (mais conhecido por relatório do FMI), por sinal traduzido para Português nesta casa, abriu o debate.
Apesar de continuar a pensar que este não é o momento, parece-me oportuno, pelo menos, pensar alto.
Falo sobre o, mais que provável, despedimento de professores. Nuno Crato continua a afirmar que isso não está nos seus planos, mas a realidade trata de mostrar, a cada dia que passa, a veracidade das suas declarações.
Hoje foram divulgados os números do desemprego (pdf). Depois dos quadros superiores da Administração Pública, os Professores são o grupo profissional com maior crescimento na variação homóloga (o desemprego cresceu quase 80%).
As palavras de Nuno Crato são o que são, mas o pânico continua instalado e já se fala de tudo, até do fim do mundo e às vezes penso que aquela besta do banco até terá razão: aguentam, então não aguentam!
Ide todos acordar com uma pérola no cu
A não-questão de um fiscal das finanças poder interpelar um cidadão à porta das lojas (o medo, formatado já em paranóia, anda de tal forma espalhado na sociedade portuguesa que alguns levaram a sério algo que só poderia convidar o comum cidadão a chamar de imediato a polícia), levantou um problema linguístico que sendo clássico merece tratamento sem pinças, nem pintelhices.
Perante um “tomar no cu” vindo do Francisco José Viegas, porque foi secretário de estado, algumas almas, tão puras putas como os seus privados vícios, insurgiram-se com o cu. Destaca-se o Público, que eu por vezes penso ser um jornal a sério, mas a coisa espalhou-se.
É o português educadinho, das aparências, gravata, salamaleque e muita irritação contra o malcriado dos palavrões. Sim. ele há palavras, palavrinhas e palavrões, para os mesmos mentecaptos que distinguem calão de gíria e pensam ser a língua sua propriedade erudita, grávida de normas, padrões, etimologias e outros absurdos que um mínimo de História da Língua arrasa em instantes, eles que ainda falariam latim com um pouco de grego à mistura não fosse o português propriedade colectiva e a lei do menor esforço o primeiro artigo da sua constituição.
Parentes de direita dos que à esquerda não gostaram de um “escurinho” na boca de Arménio Carlos, trata-se basicamente de caralhetes que confundem significado com aparência, elegância com o linguajar abichanado da burguesia, língua portuguesa com preconceitos sociais de classe. Sim de classe, que elas existem, destilam ideologia e lutam entre si, discretamente num enrabanço não desejado por quem o toma, apanha ou mesmo leva, no cu e na vida (aqui entraria na pseudo existência de brasileirismos onde há uma única língua transoceânica, mas essa variante nacionalista do mesmo fascismo e seus anti-acordismos xenófobos e primários fica para outra ocasião, que infelizmente há muitas). [Read more…]
Amanhã, às 15h
Para memória futura ficam as declarações de Nuno Crato:
“O Governo não está a discutir, o Ministério não está a discutir qualquer aumento do horário de Professores e muito menos de 35 para 40 horas. Isso não está em causa” (…) “Eu posso dar essas garantias para que as pessoas estejam tranquilas em relação a isso”
Estou tão tranquilo que amanhã, sábado, dia 16 de fevereiro volto à rua!
Daniel Rodrigues
Fotógrafo desempregado, vencedor do World Press Photo, na categoria “Daily Life”. No focinho de Passos Coelho.
Grândola universal
A canção da nossa Libertação em 20 versões diferentes, cantada por finlandeses, suecos, brasileiros, chilenos, italianos, norte-americanos, alemães, holandeses, e portugueses, claro. Para todos os gostos e em todas as línguas e músicas. Aqui, para ir recordando a letra e a música.
Silenciar a tua tia!
Será que ouvi bem? Esta gentinha laranja é mesmo arrogante
Nota: o ar de ABRIL que passou pelo Parlamento foi da responsabilidade do Movimento “Que se lixe a TROIKA” e foi uma forma de apelar à participação nas manifestações previstas para amanhã, 16 de fevereiro e para o dia 2 de março.
Tomar no cu: o esplendor da lusofonia
Francisco José Viegas (FJV) tornou pública a ameaça de mandar tomar no cu qualquer fiscal que queira confirmar se o ex-secretário de Estado pediu a factura das despesas realizadas. Especifica, ainda, que tal ameaça poderá ser concretizada “à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados)”.
Em termos formais, é importante começar por notar que há alguma desregulação ortográfica no texto de FJV: enquanto secretário de Estado defendeu a aplicação do chamado acordo ortográfico; o blogger, embora, aparentemente, siga as regras que constam da reforma de 1945, prefere escrever má-criação sem hífen, o que é, no fundo, uma maneira de tratar a ortografia como se fosse um fiscal das Finanças. [Read more…]
Concordando com o Bloco de Esquerda (em 2010…)
Em 2010, o Bloco de Esquerda publicou um documento no qual entendia, a exemplo do PCP, PS e PSD, que a limitação decorrente do artigo 1º da Lei nº 46/2005, de 29 de Agosto é restrita ao exercício consecutivo de mandato como presidente de órgão executivo da mesma autarquia local.
Deixo para vossa leitura:
Que seria de mim sem Música?
Desde sempre a amei, sempre a busquei. E hoje a consolação que dela me vem não tem limites. Em criança, acompanhava os ensaios do grande orfeão da minha terra, aprendia com o sábio maestro a dura exigência da arte, a excitação do Belo, exemplo de querer o máximo, os desempenhos ultraprofissionais do coro. Sempre me disseram ter eu próprio uma afinação perfeita, uma voz balsâmica; amei desde muito cedo o canto coral, muito cedo saboreei Orff, sensacional música sensualizada, a tradição medieval reconstituída, o canto gregoriano, o melhor da música sacra, Bach, Mozart, Schumann, tudo.
Hoje, na minha praia, diante das ondas que cavalgam até à areia afagando grandes pedras, miro as férvidas águas e o sol que nelas rebrilha, ouvindo por vezes até às lágrimas quanto a Antena 2 me dá a escutar e substancia, com o que vejo, o imprevisto poema absoluto do momento, sentido completo do meu mais fundo.
Ao encontro da memória
Eu sei que, por aqui no Aventar, andamos todos atentos ao que se escreve e que pode ter interesse para desmistificar a elite política de gestores que a troika comanda para nos empobrecer, para nos tirar o que de menos mau ainda temos.
Mas não resisti, em nome e para memória futura, a publicar neste espaço o excelente momento de Teresa Beleza, dedicado à mãe.
Teresa Pizarro Beleza é irmã de Leonor Beleza e Miguel Beleza, e, além de professora de Direito Penal, é directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.
Esta carta foi publicada no jornal Público de 5.ª feira, 10 de Janeiro de 2013, e, como só pode ler lida online por assinantes do jornal, ou por quem o adquiriu nas bancas, aqui fica a transcrição, sob o título:
“Carta a minha mãe sobre o SNS e outras coisas em Portugal” [Read more…]
“Lembro-me da primeira vez que fiz sexo. Guardei a factura”
Lembro-me da primeira vez que fiz sexo. Guardei a factura
Groucho Marx
O frase do mais prolixo dos manos Marx (não, nenhum deles era aquele que escreveu O Capital) agradará por certo aos inquisidores do Governo, determinados a assumir atitudes de cães de caça à multa (perdão, contra-ordenação) dos incautos contribuintes.
Sobre o assunto, em modos diferentes, Francisco José Viegas, ontem, e Ferreira Fernandes, hoje, disseram tudo.
Antes ainda de 2 de Março
O profético e preclaro Miguel Relvas
A maior parte dos portugueses estão conscientes de que os insucessos provocam no governo ataques generalizados de crendice e profecia. A situação não é inédita. Em Agosto de 2012, teve o ponto alto – origem do nome PONTAL, por efeitos de contracção – com a declaração célebre e premonitória de Passos Coelho de que 2013 seria o ano da recuperação. Estamos a notar.
A propósito da queda superior do PIB em 2012, além do Álvaro amargurado com a Europa, tivemos o notável Miguel Relvas, a profetizar:
[…] Todos os dados apontam para que a partir de 2014 começaremos a ver indicadores nesse sentido [a recuperação]
Esclarecedor e convincente não é? Também, em miúdo, tive um vizinho que garantia ter dados e o privilégio de, sozinho, ver OVNIS às três da madrugada. Com estas loucuras, a mulher, os dois filhos e o próprio acabaram internados no manicómio. Olha o que nos espera, a nós e ao Relvas.
Festival Debussy
Claude Debussy fotografado por Nadar
Festival Debussy – de 14 a 22 de Fevereiro de 2013 (Música Gulbenkian)
Concordando com o PCP
Agora só falta vir um comentador anónimo dizer que sou um grande comuna…
Às mulheres do matadouro
Num trabalho muuiiito precário que tive há anos, tocou-me, certo dia, ir em serviço a um matadouro. Por essa época, eu fazia parte de uma equipa que executava (termo apropriado) no terreno aquilo que os piores criativos publicitários de todos os tempos haviam concebido nos seus cubículos bafientos de humidade e fumo de tabaco. Eram campanhas portentosas, originalíssimas, como a que se fez para certa marca de palitos, cujo slogan era “X, o palito de design europeu”. Abstenho-me de dizer a marca porque, para meu espanto, ainda existe.
As criaturas criativas tinham varrido o Portugal esquecido, aquele ao qual jamais chegavam propostas de publicidade televisiva, e tinham arrebanhado contratos a dar com um pau. Pelas encostas da Alcongosta, no Fundão, em Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Vila de Rei, até nas terreolas que tanto nos custava descobrir no mapa, não faltava quem quisesse anunciar o seu negócio, levantado do chão com mãos calejadas de trabalho ou alavancado às pressas por um fundo comunitário. Vai daí, toca a contratar (é uma forma de dizer) uns quantos imberbes desempregados e a fazê-los correr as terras da Beira Baixa, munidos de esboços de guião e câmara de vídeo, muita paciência e ainda mais ingenuidade. O salário era curto, mas no fim de cada semana não me faltavam as histórias para contar aos amigos. [Read more…]
‘Troika’ e Gaspar não acertam uma, porra!
Sei que faltam na imagem o etíope, o careca e o alemão, como diz o Miguel Sousa Tavares. Todavia, a queda desse trio foi tão brusca, que nem tempo deu ao artista de os captar.
Os famigerados homens da ‘troika’ já estão no precipício dos objectivos falhados – por eles e pelo País. Vítor Gaspar, por cortesia, deixou-os passar e vai em acelerada queda para se juntar aos companheiros.
Explicado com detalhe, diga-se que o buraco é largo, fundo e negro. Têm de lá caber todos os erros das previsões da ‘troika’ e do Gaspar, assim como Portugal inteiro – a menos que se esqueçam do casal Silva em Belém ou no Possolo, ou ainda dos frades da Cartuxa em Évora.
Todos os dias temos matéria a afundar-se e a lançar-nos no profundo precipício – ontem foi o agravamento da taxa de desemprego para 16,9% em Dezembro; hoje sabe-se, pelo INE e a comunicação social, que o PIB contraiu 3,2% em 2012.
Se apenas hoje foi divulgado o número efectivo do PIB, pergunto eu: como é que o governo há semanas asseverou que o défice do último ano correspondia a 5% do PIB? Embuste? Qual a dúvida?
Quer a ‘troika’, quer Vítor Gaspar não acertam uma; falhas atrás de falhas, com a particularidade de desmitificarem técnicos arrogantes e de incompetência demonstrada, suscitando maior revolta, pelo elevado preço da austeridade que estamos a pagar.
Pior do que nós, só a Grécia. Afinal somos os mais próximos do caminho helénico. De pedra e cal na cauda da Europa. ‘Troika’ e Gaspar não acertam uma, porra!
A inaudita recuperação de Viegas
De secretário de Estado que abandonou o governo “por razões graves de saúde”, a bloguer que manda funcionários da Autoridade Tributária “tomar no cu”.
Nova Geografia da Europa
Para o jornal i, a Roménia não é na Europa nem os romenos são europeus.
Por exclusão de partes, ou são asiáticos ou africanos. Ou americanos?

















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