Uma proposta radical para o orçamento

Acabar com o subsídio ferias e subsídio natal para todos os pensionistas.
Redistribuir o valor que sobra por todos os pensionistas que recebem menos do dobro do valor da pensão média (para quem não sabe a pensão média em Portugal é actualmente apenas de 404,61€).

A visão que eu tenho do subsídio de natal e subsídio de férias é diferente da de muita gente, principalmente aqueles que sempre foram empregados por conta de outrem…

Esta visão deve-se em primeiro lugar porque no inicio da minha carreira trabalhei a recibos verdes e por isso ou trabalhava ou nem sequer tinha salário, quanto mais subsídio ferias e subsídio de natal.
Depois porque a seguir a isso tive uma empresa durante cinco anos o que me permitiu também ficar a conhecer os custos para a empresa de ter funcionários e a dupla penalização que é não poder contar com um colaborador e ter ainda que lhe pagar o valor habitual mais o subsidio de férias.

Esta proposta permitiria diminuir a amplitude entre quem ganha mais e as reformas miseráveis que ainda temos bem como eliminava esse conceito, para mim estranho, de pagar subsídios que provavelmente fazem sentido no mundo das pessoas que trabalham como incentivo ou prémio, a pessoas que têm como principal característica precisamente serem não activos.

Também podiamos falar de acabar com o pagamento de pensões acima de um determinado valor ou a não acumulação de pensões mas isso já outros disseram.

Crime passional, jornalismo e analfabetismo

Ana Cristina Pereira escreveu no Público uma peça sobre um clássico crime passional (marido corneado mata mulher e amante e tenta o suicídio), com a particularidade de ter ocorrido num Portugal rural que por vezes achamos já não existir.

O texto não tem sangue, não tem pormenores mórbidos, não é do Correio da Manha que para já tem disponível online uma foto nojenta e um vídeo abaixo de cão. Está bem escrito, como é de resto habitual no trabalho da jornalista.

Assim não o entenderam vários comentadores: “Esta notícia parece ter sido copiada de um site estrangeiro e traduzida com Google!” é um dos mimos que por ali se podem ler.

Temo que isto já sejam efeitos de se ter em muito abandonado o estudo da literatura nas escolas. E de pelo contrário se leccionarem idiotices sobre o texto jornalístico, tal como se usava muito atrás no século passado (entre as quais o mito do parágrafo lead, essa velha muleta para textos coxos).

Por alguma razão o campeão dos tablóides é mais lido que o Público. É a vida.

Viver acima das possibilidades

Oiço dizer que boa parte da Europa vive acima das suas possibilidades. Olho de soslaio para os meus botões, abano a cabeça e dou por mim a achar que é capaz de ser verdade. Depois, meramente a título de exemplo, pego no caso português -que nem é um referente de boa saúde através dos tempos- e digo aos meus botões:

-Portugal tinha pescas, pescadores e pequenas indústrias em torno delas. Abateram-nas.

-Portugal tinha agricultura, agricultores e alguns mercados em torno disso. Desmantelaram-nos.

-Tinha solos agrícolas classificados. Betonizaram-nos.

-Tinham sobrado algumas produções tradicionais e artesanais. Chamaram a ASAE.

-Tinha indústria, ainda que incipiente. Deslocalizaram-na.

-Tinha técnicos experientes e competentes. Puseram-nos a desenvolver teorias e estudos que não saem do papel mas rendem taco e tachos de gabinete.

-Tinha… (interrompo a conversa com os botões porque, entretanto, chegou o almoço e eu olho para a travessa pronto a atacar)

O peixe, apercebo-me, é importado. As batatas, as cenouras e o feijão verde são importados. O pão, ou aquilo com que é feito, é importado. Os talheres são importados. O prato, o copo e a travessa são importados. A toalha e o guardanapo (de pano) são importados. A mesa e a cadeira já não são de Paços de Ferreira, foram importados pelo IKEA. O vinho e a água, vá lá, são portugueses e estão ao preço da uva mijona porque, lá fora, ninguém sabe que são bons e não os querem. Porra, pergunto eu aos meus botões, foi mesmo o povo, o português comum, que escolheu isto, que decidiu assim, que inventou este caminho, que teve poder para executar? E os que tinham poder para executar onde é que andam? Estão presos? Foram penalizados? Andam por aí? Devem ter empobrecido conjuntamente com o país, coitados…

Os botões respondem-me alto e bom som, mas não entendo o que eles dizem. É que, para mal dos meus pecados, os meus botões também foram importados e eu, lamentavelmente, não falo chinês.

A cidade de Ceuta é espanhola?


Sim, é.
Vejam aqui. E aprendam alguma coisa com esta casa de má fama.

Portugal em orçamentação e corrupto

O País vive mais uma jornada do complexo trabalho orçamental, desta feita tendo como ruído de fundo o 35.º lugar no Índice da Percepção de Corrupção publicado pela organização Transparência Internacional para um conjunto de 178 países.

Os trabalhos orçamentais, com participação exclusiva dos partidos do ‘centrão’, diz-se, estão a ser acelerados, com o objectivo da viabilização do OGE ficar assegurada antes de Cavaco Silva, esta tarde, anunciar a recandidatura. Isto revela a típica maneira de fazer política na actualidade. Há uns quantos super-cidadãos e, numa pura lógica de individualismo acentuadamente provinciano, o tempo do acordo orçamental tem de submeter-se ao “timing” do anúncio de recandidatura de Cavaco. Se não fosse ocasião de candidaturas para eleições presidenciais, qual seria o prazo limite? Indefinido, certamente. São os interesses deste tipo de estadistas que fazem mover o País e não o inverso. Infelizmente.

Como sublinhámos antes, ao som das trompetas orçamentais junta-se o ruído da queda para 35.º lugar no índice da Transparência Internacional. Classificámo-nos no 32.º lugar em 2009. Piorámos. Com legislação confusa e ineficaz e demora de processos judiciais, continuam a proliferar por aí os Varas, os Isaltinos e outros mais ou menos conhecidos, como o ex-deputado do PS acusado de 19 crimes de corrupção. Honra lhe seja feita, João Cravinho bem lutou por legislação dura e eficaz neste domínio. Porém, afastaram-no. Continuaremos, pois, a assistir à ascensão, súbita e altiva, de certos ‘Zés ninguéns’ que, chegados à política, a cargos de gestão pública de institutos, hospitais e empresas, são impulsionados pelo dinheiro vilipendiado ao erário público através de adjudicações, compras ou ajustes directos. Quando é que esta gente ajusta contas perante o País?  

Sondagens Aventar

Resultados da última sondagem:

Com vitória destacada de Teixeira dos Santos, após uma luta corpo a corpo com Manuela Ferreira Leite  e Cavaco Silva, cujos apoiantes terminaram por desistir.

Já a correr nova sondagem: como vai votar nas Presidenciais? numa barra lateral perto de si.

Reformados e pensionistas: Eduardo Catroga

9693 euros

“Tenho uma carreira de vinte anos como funcionário público e de quarenta como funcionário privado”
“Fiz em paralelo as duas carreiras e agora, por questões de simplicidade e por ser mais prático, as duas pensões são unificadas numa única prestação”

CM

Eduardo Catroga, apesar de reformado, continua a ser presidente da empresa Sapec, administrador não-executivo da Nutrinveste e do Banco Finantia e membro do Conselho Geral e de Supervisão da EDP.
Catroga, que se tornou conhecido como quadro relevante do grupo Mello, foi ministro das Finanças do terceiro Governo de Cavaco Silva, entre Dezembro de 1993 e Outubro de 1995.  Destacou-se então como um dos maiores privatizadores dos governos de Cavaco Silva: foi nesse período que o BPA (Banco Português do Atlântico) foi entregue ao BCP.

esquerda.net

may malen´s diary, the beginning

when Mum and Dad were little and very good friends

Some thirty years ago, I used to carry my youngest daughter to the school, half a block away from the house.  She was blonde, red on her white cheeks, very cheeky, even with me. What a big patience from Dad… [Read more…]

O orçamento judicial

O roubo aos funcionários públicos médio-altos (os 1500€ que dispensam a ralé da banhada são ilíquidos mas há pouca gente a dar por isso) tinha as suas excepções: a tropa, que afinal é promovida, a bófia, onde  além de tanques anti-motim parece que enfim, sempre há carreira na parte do poder  que não está na ponta da espingarda mas na mãos de quem a segura, os padres e que deus nos valha, o Banco de Portugal não conta porque são inimputáveis, e normalmente haveria uma arte subliminar de vírgulas num decreto safando juízes e magistrados, sempre falamos do poder judicial, e o respeitinho é muito lindo.

Não houve. Falou mais alto o clamor da vingança e optou-se por correr o risco de, julgando em causa própria, os juízes complicarem a aplicação do orçamento.

Preventivamente vai-se espalhando sobre eles o que Maria de Lurdes Rodrigues não chegou a pensar dos professores, que por sua vez já ultrapassava em muito os piores delírios de Maomé perante o toucinho. Hoje são os mais bem pagos da Europa, no topo da carreira, quando chegam ao Supremo. E são muitos, em número.

Não tivesse provado já desta carne e acreditaria que todos chegam ao Supremo Tribunal de Justiça. Mas sei dos professores, com o melhor topo de carreira mas o detalhe de ser quase impossível lá chegar antes de ultrapassada a idade limite para a reforma e ao mesmo tempo um dos piores salários médios acrescido da maior carga de trabalho, tudo isto na Europa dos estudos devidamente aparecidos nas redacções no intervalo de na Presidência do Conselho de Ministros escreverem na Corporativa.

Começa a falhar o truque, moços. Sei de uns 140 000 que nessa já não caem. A ver se a coisa vos corre mal já somos uns 400 000, fora o resto.

Não é em tribunal que acabam os gamanços?

Os grelos

(Pormenor de quadro de adão cruz)

Eu seguia rua abaixo, pelo lado esquerdo de Sá da Bandeira. À minha frente ia um casal, ela de meia idade, gordinha, ele mais velho, hemiplégico, de bengala na mão direita, arrastando a perna esquerda, pendendo sempre para a direita, trajectória que a mulher ia corrigindo com um pequeno toque na mão dele. Se assim não fosse, as sequelas do seu AVC, à semelhança de um GPS, obrigavam-no a tombar para fora do passeio.

Lá mais ao fundo, frente ao Pingo Doce, o homem, como se uma mola o puxasse sempre para aquele lado, faz, com toda a facilidade um rodopio de noventa graus para a direita, ficando em linha recta com a porta do supermercado. A mulher olha para a direita e para a esquerda (look right  and look left, à londrina) e atravessa a rua, tendo o cuidado de pegar na mão do marido, pois de outra forma, com a sua pendência para a direita, ele iria desembocar dez ou vinte metros acima.

Já dentro do Pingo Doce, resolvi seguir os passos daquele par amoroso, ao mesmo tempo que ia dando uma olhadela às prateleiras que me interessavam. A dada altura verifiquei que o homem parou, olhando insistentemente para o sítio onde estavam as carnes de porco. A mulher puxou-o mas ele resistiu. Apoiou-se na prateleira, encostou a bengala, e com a mão direita pegou numa embalagem contendo uma orelha de porco. Imediatamente a mulher gordinha o dissuadiu dizendo-lhe:

 – nem penses, vou-te comprar uns grelinhos que vi ali e que têm um aspecto do carago!

– Que se fodam os grelos, respondeu ele de forma bem entendível, apesar da fala meia entaramelada.

Só tive tempo de dar meia volta e tapar a boca com a mão, a fim de abafar uma explosiva gargalhada, que eu não saberia explicar aos circundantes.

Golos do Porto? sábado há mais

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/gpZSdOEPQjiO6HjQez0O/mov/1
O FCPorto treinou com uma equipa de Leiria que agora tem um boxeur sentado no banco, e foi engraçado. O primeiro golo saiu uma delícia.

No sábado vai ser lindo: os dois melhores ataques e os cinco primeiros marcadores da liga encontram-se no estádio do Calhabé.

Os jogos entre o meu clube de nascença (pesem estas vergonhas deslavadas, e se pesam, o primeiro amor nunca deixa de o ser) e o meu clube de razão claro que me dividem, e normalmente agradeço que empatem ou fique com os pontos quem mais precisar deles.

Desta vez espero que ganhe o que jogar melhor, e se empatarem que seja pelo menos 4-4. Este campeonato está a ser um luxo  inimaginável.

Farsantes de serviço


O PS e o PSD/Cavaco continuam o seu número de revista à portuguesa, simulando desentendimentos e um “trabalho aturado” que se prolongará noite fora. A jiga-joga tem como único fim, a tranquilidade do candidato ideal de ambos os sectores, pois aos rotativos convém o status quo. Como fica Passos Coelho neste palco, é coisa que ainda estamos para ver.
Amanhã é o dia do não-tabu e assim há que prolongar um pouco mais a ilusão, de modo a ser encenado um oportuno directo televisivo com a “boa nova”.

A “boa nova” é exclusiva de Cavaco. Com um fraquíssimo desempenho em Belém – quase ao nível de Sampaio -, recandidata-se sem ter coisa alguma para propor ao país, mas apenas porque lhe interessa. Para quê, já esta noite se depreendeu nas palavras do sr. Ricardo E.S. Salgado. Estão aflitos e precisam de dinheiro. É tudo.

Jorge Sampaio, em Berlim, responde a Angela Merkel

Jorge Sampaio, enquanto Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, apelou hoje em Berlim à criação de cidades interculturais e interétnicas na Europa. O apelo acontece no mesmo país e na mesma cidade onde Angela Merkel declarou, há uma semana, “oficialmente” morto o multiculturalismo na Alemanha.

Obviamente que Jorge Sampaio sabe e “pesou” a oportunidade das declarações. A este tema da multiculturalidade e da interculturalidade (que não são a mesma coisa) e algumas das suas “subtilezas”, prometo voltar brevemente.

PS. Eu sei que a notícia é recente mas, até este preciso momento, apenas o Açoriano Oriental e o Aventar dedicaram umas linhas ao tema. No tempo da “actualidade instantânea” a imprensa online portuguesa parece andar, uma vez mais, aos gambozinos.

diary of may malen, chapter 2

My dearest granddauther May, at her 3 months of age, at her house

My Darling granddaughter, May Malen.

I wanted you to be called Elisa, but your parents did chose the name of May because they wanted to, an Malen in honor to me, as Malen amongst the clan Picunche of the Mapuche Nation of Chile and Argentina, Mapuche being people of the land in Mapudungun, or as the people speak in English, that Nation that I analyze use the word Malen to mean pretty girl. And you are as Malen as no one else! You are Malen malen….

Few days ago, you were a little baby. These days you are growing up far too soon, as a plant with a special fertilizer…

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Rediculo

Uma das coisas que mais gosto no nosso país são os diferentes sotaques e como nos identificam.
Não acho mal que eu diga “vermalho”, outros “vermêlho” e mais alguns “encarnado”, até acho muito bem. Acho que faz parte da nossa identidade.

Claro que há, ou deverá haver, um português normativo, aquele que é o português bem falado, de coimbra como costumavam dizer, que poderá servir de referência mas isso não deve levar à anulação (até certa medida) das especificidades regionais.

Já ter um orgão público a optar por “oficializar” uma dessas especificidades regionais, para além de ridiculo parece-me um abuso.
Alguns exemplos do prontuário sonoro da rtp:
Palavra / transcrição
Ministro /mënistru
Visita /vësita/
Vizinho /vëzinhu/
E o que é mais fantástico é que se formos ouvir o som exemplificativo eles substituem mesmo o “i” pelo “e”.
Mas nem tudo está perdido, reparei que ainda não mudaram “treze” por “treuze”.

Adeus walkman

Walkman_2610

Tive um walkman. Como muitos da minha idade. Já lá vão uns anos. Era uma companhia habitual e levava-o para quase todo o lado. Nos primeiros tempos transportava-o na sua caixa de cartão e devidamente condicionado no plástico de origem. Como quem compra um carro novo e fica zangado com quem lhe suja os tapetes pela primeira vez. Não durou muito. Essa mania, claro, porque o walkman durou. Com jeito ainda o tenho para ai enfiado.

Era Sony, como só os verdadeiros walkmans podem ser. Preto, com as letras em prateado. Tinha rádio, com mostrador digital, auscultadores e um clip para prender ao cinto. Leu muitas cassetes. Por aquele aparelho passaram horas de Pink Floyd, Beatles, U2, entre muitos outros.

Foi uma notícia, a do fim da venda do aparelho pela marca nipónica, que me fez recordar dele. Tive um walkman. À parte uma certa nostalgia por tempos que já não voltam, segui em frente. Não o choro. Hoje o walkman é uma peça do passado. Já quase não há cassetes, a qualidade sonora é muito melhor em CD ou em MP3, por isso a ‘morte’ do aparelho é natural. Não tem razão de ser nestes tempos.

Depois de divulgada a notícia, o canal Fox, dos EUA, colocou um dos aparelhos nas mãos de um adolescente dos nossos dias, do digital, da internet, dos ficheiros. Andou algumas horas a ouvir cassetes e nem reparou que estas tinham dois lados. Estes tempos não são para o walkman. A reforma espera-te pá.

A guerra monetária e a estratégia do medo

Confirmando os sobressaltos por que o mundo passa nos tempos recentes, duas expressões ganharam novo fôlego e andam nas bocas dos estudiosos, políticos, analistas, etc. Uma delas tem atravessado o Brasil, onde o Dilma acusa Serra de impôr uma estratégia do medo (veja uma busca que inclui apenas resultados da última semana), e também a França – onde o porta-voz do PS acusa Sarkozy de criar uma estratégia do medo agitando os fantasmas do terrorismo e da emigração.

Outra expressão ressurgida -estava adormecida há sete ou oito décadas – é guerra monetária (veja resultados em português para “guerra monetária” nos últimos trinta dias e compare com o passado).

Enquanto a globalização econômica funcionava a favor dos EUA e dos grandes países europeus, e conforme suas empresas migravam para países do Terceiro Mundo pagando aos trabalhadores salários de miséria e vendendo seus produtos nos EUA e na Europa com suas margens de lucro aumentadas ao máximo, era tudo correto e ótimo, apesar das reclamações dos trabalhadores norte-americanos e europeus que perdiam seus empregos.

Contudo, agora, quando chinesas, brasileiras, vietnamitas, indianas e demais terceiromundistas empresas fabricam seus produtos com os quais inundam os mercados do Ocidente a preços fora de qualquer possibilidade de competição, os EUA e a empoada Europa começaram a choramingar suas mágoas e até ameaçar, esquecendo todas as suas juras ao “livre comércio”.

Os jornais alemães e franceses já ameaçam ostensivamente os chineses e demais produtores terceiromundistas com a aplicação de novas taxas e tarifas, se a China não permitir uma forte valorização do iuan [Read more…]

Quem são os criminosos afinal?

   
5 activistas da causa animal foram condenados a prisão efectiva por terem perturbado a santa paz de um laboratório onde se fazem experiências com animais. Entre outras coisas, fizeram telefonemas abusivos e enviaram embrulhos-bombas que, depois de abertos, afinal não tinham nada.
Grave, muito grave. Já a continuada tortura sobre animais indefesos, quando já existem muitas outras alternativas fiáveis, é perfeitamente natural e admissível.

Quem são os criminosos afinal?

Comunicado da AAP

À comunicação Social

COMUNICADO

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), na sequência da separação constitucional do Estado e das Igrejas e na defesa da laicidade daí decorrente, nunca se conformou com os benefícios fiscais concedidos em 1990 à Igreja católica e a sua extensão em 2001 às instituições religiosas não católicas e às instituições particulares de solidariedade social (IPSS), instrumentos de poder e de financiamento habitualmente ao serviço das diversas confissões religiosas.

Perante a crise em curso, a proposta de Orçamento do Estado (OE) de 2011 pretende retirar – e bem – os benefícios fiscais, que jamais deviam ter sido concedidos, às instituições religiosas não católicas. O que deixa a AAP perplexa e indignada é que se mantenham ainda os benefícios fiscais que privilegiam a Igreja católica.

Mantendo esta situação injusta e injustificável, o Governo acrescenta à deplorável genuflexão perante a Igreja Católica a discriminação para com todas as outras confissões religiosas. A injustiça ganha agora geometria variável, com o Estado laico a usar poder discricionário a favor de uma das confissões que disputam o mercado da fé, sem respeitar dois princípios constitucionais: o da igualdade e o da separação entre o Estado e as Igrejas.

A AAP acompanha no espanto e indignação todas as confissões religiosas não católicas e comunidades religiosas radicadas no país, bem como os institutos de vida consagrada e outros institutos que a prevista revogação dos artigos 65º da Lei de Liberdade Religiosa e 2º do Decreto-Lei n.º 20/90 remete para uma situação de desigualdade. É inadmissível que a proposta do OE 2011, pedindo tantos sacrifícios a todos os portugueses, ainda assim mantenha o Estado obrigado «à restituição do imposto sobre o valor acrescentado correspondente às aquisições e importações efectuadas por instituições da Igreja Católica», para fins religiosos, ao abrigo do  Artigo 1º do Decreto-Lei n.º 20/90, cirurgicamente preservado nesta proposta.

Assim, a AAP reivindica a revogação do Decreto-Lei nº 20/90, pondo fim aos benefícios fiscais concedidos à Igreja Católica e repondo a igualdade não só entre as confissões religiosas mas também a igualdade entre todos os cidadãos, sejam leigos ou padres, deixando aos crentes o ónus da sustentação do culto sem o fazer recair sobre todos os que não se revêem nessa religião: ateus, agnósticos, cépticos e crentes de outras religiões a quem não cabe custear o proselitismo da religião que se reclama dominante.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 25 de Outubro de 2010

Inventar enredos para um final conhecido

Emoção, suspense, PSD chega uma hora atrasado à reunião, sinais de impasse, mas tudo pode acabar já hoje, as negociações do Orçamento seguem o guião de uma telenovela mexicana.

Tudo pronto para um final feliz, para banqueiros, grandes empresários e afins. Quanto o regime não tem juízo, o povo é que paga.

diary of may malen i. isley, chapter 1

May Mal, my flower, watching with me and her parents, the world cup 2010

As you fly away- you are going away exactly now-, as you flight back home, I think of you, of the week we spent together, with your parents, of your happiness, of your easy laughing about, of your tongue coming in and out of your sweet mouth, running away not to be kissed. Of your free spirit and of your wanting to be always sat down on Mum’s lap, my daughter Camila, or jumping away on the immense arms of Pa, Dad Felix by name. [Read more…]

Salaam Aleikum David, Salaam Aleikum Tony!

O fim-de-semana político, em terras de Sua Majestade, ficou subitamente acinzentado por forte nebulosidade islâmica. Com efeito, perturbações de ar denso, envergando ‘burqa’, abateram-se sobre conservadores e trabalhistas do ‘New Labour’.

Para começar, o conservador David Cameron, chefe do governo, sentiu-se coagido a proibir a ministra Sayeed Warsi a participar, hoje, na conferência em Londres, “Evento para a Paz e União Globais”; uma realização de dirigentes de comunidades islâmicas.

Quis o inesperado ‘fog’ que os mais indefectíveis fiéis do ‘New Labour’, ou seja Tony Blair e prosélitos, não se ficassem a rir da desgraça alheia. E assim, imagine-se, o próprio Blair foi contemplado com a conversão ao islão da cunhada, Laureen Both, meia-irmã da sua mulher. Dizem as notícias, entre o mais, que a Sr.ª Both tem vindo a criticar a falta de isenção de Blair para mediar as negociações de paz do conflito do Médio Oriente, por ser declaradamente pro-israelita.

Distanciado de qualquer exército religioso, não resisto à tentação de endereçar, aos dois políticos e respectivos séquitos, a saudação que me parece mais apropriada para a ocasião: Salaam Aleikum David, Salaam Aleikum Tony! Aceitem, pois, este humilde salamaleque de gozo incontido.

A tolice por um fio

(pormenor de desenho de manel Cruz)

Pensei logo que era tolo quando não vi nenhum fio preso ao ouvido do gajo. Aqui há uns anos atrás, sempre que um tipo (ou tipa) falava sozinho na rua ou no café, era rotulado de tolo. Hoje em dia, com os auriculares do telemóvel, já não é assim. Sempre que topamos alguém a falar sozinho, olhamos logo para a orelha a ver se tem um fiozinho pendurado. Se tem não é tolo, se não tem é tolo.

O homem estava sentado numa mesa em frente à minha, no café Turista. Foi há questão de uma hora. Lia o jornal enquanto falava, gesticulava, ria e fazia comentários. Claro que eu olhei logo para as suas orelhas. Numa delas não tinha nada pendurado. Na outra, que eu via mal, porque o sujeito estava um pouco de esquina, também não parecia haver qualquer ligação. Pelo sim pelo não, como quem não quer a coisa, levantei-me para espreitar melhor a sua orelha direita e cheguei à conclusão de que era tolo.

O advogado entrou e sentou-se ao seu lado. Presumo que fosse advogado porque, para além da pasta, tinha o ar que os advogados têm e que eu não sei descrever, por mais que tente. O homem calou de imediato o seu solilóquio, e entre ambos apenas se interpôs um aperto de mão e um monte de papéis. O tolo, ou presumivelmente tolo, não abriu mais a boca. Moita carrasca. O advogado, só podia ser advogado, apenas lhe apontava o local onde devia assinar, assinatura que ele prontamente ali escrevinhava. Nem uma palavra. Nem uma palavra. Assim se mantiveram cerca de dez minutos, tempo ao fim do qual, o advogado, presumo que não fosse outra coisa, lhe estendeu a mão, e com discreto sorriso se pirou.

O homem que não tinha telemóvel nem auriculares irrompeu numa conversa pegada, falando não sei para quem, gesticulando de braços abertos, com esgares que podiam ser de escárnio, de gozo ou de raiva, fazendo do seu falar a solo uma espécie de comício em ponto pequeno. Voltei a concluir que era tolo. Mas seria mesmo tolo? Será que a diferença entre tolo e não tolo se resume a um fio pendurado do ouvido? Ora aqui vos deixo a questão, sobre a qual nem Espinosa nem S. Tomás de Aquino se debruçaram.

O Baú das Músicas Portuguesas – II

Puro Pop Dell ‘Artês, um idioma dos anos oitenta.

Ensaio sobre o desemprego

A acção testemunhada neste vídeo realizou-se na manhã de 30 de Setembro de 2010, um dia após a divulgação do 3º pacote de medidas relativas ao Pacto de Estabilidade e Crescimento. Estava então acabar o prazo para a entrega da prova de “condição de recursos” pelos beneficiários de prestações sociais. O PEC3 veio, entre outras medidas, anunciar o aumento de impostos, um indicador de que sobreviver se tornará mais caro e mais difícil.

A iniciativa partiu dos/as participantes no “ensaio sobre o desemprego”, uma oficina de teatro forum/teatro do oprimido dirigida essencialmente a desempregados/as, mas também a trabalhadores/as precários/as. Pretendíamos realizar uma acção que ajudasse a dar visibilidade à burocracia que enfrentam as pessoas desempregadas, o pesadelo que é enfrentar uma máquina burocrática que nos olha com desconfiança. Resolvemos unir o útil, ao igualmente útil e necessário: alguns/mas de nós tinham de enfrentar a tal máquina burocrática, precisavam de ir recolher senha, esperar, e tentar não desesperar.

O vídeo não necessita de muitos comentários. As imagens e as palavras falam por si. Mas há algumas informações que podem ajudar a contextualizar. Segundo dados recolhidos no centro de atendimento em questão, a média de utentes em espera naquele centro de atendimento passou de 80 para 180 pessoas, após a entrada em vigor da exigência, aos beneficiários de prestações sociais não contributivas, de prova de condições de recursos. Não temos dados sobre os tempos de espera, mas sabemos que muitos foram os dias em que às 10h/11h/12h, já não era sequer possível obter uma senha que habilitasse a ser atendido/a no mesmo dia.

via O que fica do que passa

Figueres Alt Empordà

O “TGV” (o original) anda em testes na Catalunha (Espanha); dentro muito em breve será possível viajar em comboios de alta velocidade entre Málaga e Londres, Bruxelas, Amesterdão e Colónia. Entretanto, constrói-se também a nova estação central de Barcelona La Sagrera.

A retrete de Catroga (III)

Penhore-se o Orçamento!

Abrigo

 Orçamento abrigo de tempestades

A notícia: «José Sócrates reiterou que o OE para 2011, em negociações hoje na AR, "defende" e "abriga" o país da "turbulência" e das "tempestades financeiras"», no Expresso

São traumas senhor, são traumas

F. Câncio fez uma reportagem sobre funcionários públicos. É preciso passar a mãozinha pelo pelinho desses gajos, amansá-los, e a em tempos excelente repórter – agora mais vocacionada para o policiamento profissional – lá foi cumprir o frete governamental.

Curiosa a peneira que apenas procura funcionários de licenciado para cima. Incluindo uma professora, lá tinha de ser, de uma dessas excelentíssimas fábricas de fabricantes de analfabetos diplomados chamadas Escolas Superiores de Educação. Mas não chega, tinha de encontrar um anónimo (com a desculpa de uma lei da rolha que nunca impediu ninguém de enquanto cidadão constitucionalmente se expressar, excepto se tiver vergonha do que diz, ou a cobardia dos que lambem as botas ao chefe que é quem avalia – discriminadamente como mandam as regras do SIADAP):

Há uma contaminação de todo o universo por causa de classes com muita força e visibilidade, como os professores – certas corporações espelham essa imagem genérica do funcionário que recusa a avaliação, que quer regras especiais. Quando entrei, ainda havia o antigo sistema de avaliação e de quotas, o que percebia é que quem trabalhava muito e bem a partir de certa altura desmotivava porque sabia que ao fim do ano ia ter o mesmo.

Porque os professores estão para a FC como Cartago esteve para Catão.  Não resistiu. Há traumas que devem ser irrecuperáveis.

A retrete de Catroga (II)

E é este que anda a negociar o Orçamento?