A ajuda internacional

O internacionalismo monetário chegou, ganhou:

O FMI teve lucros em quatro dos últimos seis anos fiscais – entre 2005 e 2010 – e já reviu em alta de 63 por cento as previsões de resultados operacionais para este ano, graças aos empréstimos aos países europeus em dificuldades. Expresso

e os banqueiros vão à sopa dos pobres:

O Governo prepara-se para formalizar a constituição de um fundo de contingência para garantir a capitalização dos bancos portugueses. O objectivo, apurou o Negócios, é criar garantias que assegurem o sucesso nos testes de stress europeus, cujos resultados serão conhecidos em Junho. Jornal de Negócios

A esta última notícia roubo (também tenho direito a roubar qualquer coisinha) um comentário assinado Olisipone. Com algumas reservas, mas merece:

QUAL BANCA PRIVADA??? Para começar, se eles não têm dinheiro para respeitar os critérios de Basileia III, isso significa logo à partida que não têm nem 8% de capital!!! Depois, se como disse aqui há tempo o Min. das Finanças, com o novo imposto sobre os Passivos da Banca o Estado contava ter uma receita de 170 milhões, aplicando uma taxa de 0,00015%, isso significa que os Passivos são de 113,3 mil milhões!!! E em terceiro lugar, a Banca portuguesa tinha no mês passado 39 mil milhões emprestados pelo BCE!!! Ou seja, são apenas agiotas que cobram juros emprestando dinheiro que não é deles.

E quanto ao título desta notícia, “Estado-accionista de Bancos privados”, é um total absurdo que sequer se pense em tal solução. Eles devem é ser todos nacionalizados, até porque mais de 10% da Dívida Pública está nas mãos dos Bancos portugueses, que cobram ao Estado 5 a 9% de juros sobre o dinheiro que o BCE lhes emprestou a 1%!!!

A nacionalização permitiria logo anular esta fatia da Dívida. E ainda lhes vão emprestar mais dinheiro??? Ou comprar-lhes acções emitidas na hora e que não valem um tostão furado???

Cantona, inconsequente como sempre

Se o jogador Eric Cantona alternou nos campos o melhor e o pior de um jogador de futebol, o cidadão Cantona alternou pouco, foi sempre consequente na inconsequência.

E se a proposta de Cantona era populista e demagógica, especialmente vinda de alguém que depende absolutamente dos bancos para guardar a imensa quantidade de dinheiro que possui, o seu autor não se preocupou sequer em ocultar o facto de eticamente estar entre o caracol e a alface. Apelou aos outros, mas levantou dinheiro seu de um banco… e depositou-o noutro.

Eu, se pertencesse a um desses setores ideológicos teatrais de reflexão histriónica, diria que com amigos destes não precisaríamos de inimigos.

Por outro lado, políticos e banqueiros irromperam das suas redomas e chamaram irresponsável ao sr. Cantona. Ora, se bem percebo, os bancos agarraram em todo o dinheiro que tinham e que não tinham, levantaram-no e, abreviando, emprestaram-no sem garantias suficientes.

Os srs. com ar jocoso e responsável não falaram, nessa altura, em irresponsabilidade. É pena, porque se o tivessem feito, ter-nos-iam poupado muitas chatices e preocupações, além das tiradas do Eric. Eis um retrato dos tempos de glória, encomendado pelo próprio.

Os resultados da política de Lula no Brasil


(via comentadora Sandra)

Lá, no Brasil, um só Banco tem 1 bilião de reais de lucros por mês. Aqui, são 4 milhões de euros por dia.
Claro que nem era necessário este pequeno exemplo, que mostra que o Brasil não é assim tão diferente de Portugal. Bastava ler as palavras de Lula.

O orçamento não está atrasado

Dizem que a entrega de uma parte do orçamento foi adiada. Nada de novo, e não percebo os protestos da oposição.

O orçamento já foi aprovado pelos bancos. Lá que agora finjam discuti-lo e votá-lo no parlamento até compreendo, mas escusam exagerar.

Os bancos que paguem a crise

1, 2 , 3, uma elegia à arte do carteirista, um hino às subtilezas do gamanço.

Infografia do Expresso

O velhinho que roubou 11 bancos nos Estados Unidos


Um benemérito. Porque ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão.

O teste do stress…

Começou por ser o “stress test” mas rapidamente passou a  teste do stress. Os bancos só agora descobriram que com a divulgação dos resultados do teste, vamos todos ficar a saber qual a exposição “às bolhas” e “às dívidas soberanas” de países como a Grécia, Portugal, Espanha, Itália…

Vai ser um corridinho aos depósitos, mas para levantar a massa, não para depositar, quem é que acredita em bancos que estão expostos a dívidas e a riscos que os podem mandar para a falência? Por causa de rumores, bem menos sólidos, já o BCP anda a fazer queixinhas ao PGR, os meninos não acreditam no banco…

Entretanto, nos United States, onde não se brinca em serviço, já passou no Senado uma proposta para regulamentação dos bancos, muito rigorosa, com toda as lições que esta crise trouxe, bem ao contrário da União Europeia onde se  faz de conta ” que não se passa nada”. A senhora  Merkel está  mais interessada em controlar os “PIGS” e os seus déficites do que relançar a economia.

Quem lhe diz que é muito mais perigoso cair em recessão económica do que ter uma inflacção descontrolada? E meias por meias ? Fazer crescer a economia e controlar num prazo mais longo?

O stress test – bancos na falência?

Quando a tempestade se aproxima dos bancos inventam-se uns “palavrões” como é esse que está aí em cima.Isto não é mais que uma auditoria mas feita por uma entidade independente, por forma a que as suspeitas se confirmem ou não. O que aconteceu a vários bancos americanos, ingleses, Islandeses e outros, que tiveram que fechar uns e outros tiveram que ser ajudados por doses massiças de dinheiro público, poderá estar a acontecer em Portugal.

Aqueles estavam demasiado expostos às várias bolhas, especialmente à do “imobiliário”, o que não acontecia com os nacionais, mas estes estavam, por sua vez, demasiado expostos aos seus credores, aos bancos internacionais que lhes emprestavam o dinheiro necessário e que agora não têm. Resultado, os bancos nacionais estão em maus lençóis e pode acontecer agora, o que aconteceu há um ano nos vários países citados.

Os banqueiros vêm dando recados que apontam para aí, desde o o presidente do BES que quer vender o que tem na PT, rompendo a santa aliança que tinha com o governo de Sócrates, até ao presidente da Caixa Geral de Depósitos que não foi parco em recomendações “prudenciais” em recente entrevista. Do Millenium PCP não há notícia oficial todos perguntam se está na altura de tirar de lá o dinheiro.

Se ao pacote de medidas, PEC, nos cai em cima uma tempestade destas, onde irá o governo buscar o dinheiro para injectar nos bancos?

Ao Totta?

O chip da crise!

Estamos a viver pior, vêm aí mais cortes nos salários e nas pensões, aumento de impostos? A resposta é o chip! Negócio calculado ,por alto de 150ME, são as portagens e mais umas quantas coisas que ninguem explica. Carro estacionado, transmite o tempo de estacionamento, segundo carro na garagem, abre mais um negócio para as seguradoras, o seguro começa a contar a partir do momento que o carro arranca, carros fora do ambiente urbano, por onde anda, mais umas portagens daqui a uns tempos, agora por uma razão qualquer que vamos descobrir deixa aí a porta aberta…

Depois é preciso montar todo o sistema que nós todos vamos pagar, mais serviços de controlo e pagamento, é um ver se te avias, agora é a ocasião certa, os gajos estão por tudo, saca que eles nem dão por nada, grande medida de ajuda a quem vive pior.

Mas o negócio chega para alguns afinal são um milhão a pagar e dois ou três a receber, 25 euros por chip, dá muito chispe, desculpem, muito dinheiro, empresas de tecnologia, bancos, seguradoras, estamos a precisar de chispe ,perdão, de chip como de pão para a boca , nadamos em dinheiro, 25 euros? andamos nós a discutir o aumento do IVA  e do IRS…

Saia uma chispalhada aqui para a mesa do canto!

As pensões e os Fundos de Pensões dos bancos!

Uma das histórias que se contavam é que os Conservadores dos Cartórios Notariais, andavam toda a vida a declarar um ordenado razoável ou mesmo pequeno, mas quando chegavam aos dois últimos anos de trabalho, passavam a declarar enormes somas à Segurança Social. Desta forma recebiam uma pensão milionária. E como se fazia isto? Num processo organizado por todos os Notários de uma certa área, os processos  que envolviam grandes somas de dinheiro, eram canalizados para os cartórios dos Conservadores que estavam em pré- reforma, digamos assim. (aqui o “truque” era aproveitar os “melhores cinco anos dos últimos dez”)

Mais recentemente, os administradores das grandes e sugadoras empresas públicas, faziam-se nomear administradores de empresas associadas, determinavam em Conselho de Administração que bastaria ter um ano de função para terem direito a uma pensão completa e, assim, acumulam à da empresa mãe.

Desta forma há gentinha que tem mais que uma pensão a acumular com vencimentos, porque estão na idade de estar na reforma numa empresa e, estão activos noutra empresa, tendo como “patrão” o mesmo Estado! Isto só no estado porque ninguem paga, ou melhor, paga, mas quem paga não “bufa”!

A questão principal é que seja o Estado a pagar as pensões e os vencimentos ao mesmo individuo. Se recebe uma pensão, então não deve estar no activo; se está no activo só pode receber o vencimento, não pode receber pensões.

Outra medida muito preocupante é que o estado, para encobrir parte do déficite, vai receber os Fundos de Pensões dos bancos, que nem de perto nem de longe cobrem as responsabilidades que têm para com os trabalhadores. O Estado recebe agora os milhões, o que reduz o déficite, e daqui a uns anos começa a pagar as responsabilidades. É uma operação de maquilhagem para o Estado e altamente rentável para os bancos!

Lá estamos nós a entrar, como sempre, e depois não chega para o trabalhador que, daqui a uns anos , vai trabalhar até morrer! É um ataque sem precedentes à sustentabilidade da Segurança Social !

As empresas privadas que mantêm o Estado !

Vejam lá se já ouviram falar das empresas portuguesas que inovam, produzem, não vivem à conta do estado, concorrem a nível mundial em mercados muitíssimo concorrenciais, mas não têm boys nem girls a ganharem “balúrdios”!

Já viram ou ouviram algum político preocupado com estas empresas? No máximo, vão lá para tirarem a foto e a entrevista para a TV. E, claro, não se esquecem delas para pagarem impostos. Aí vão:

Alert, Nfive, Critical Software, Têxtil Manuel Gonçaves, Lameirinho, Simoldes, Ibermoldes, Efacec, Fepsa, Stab Vida, Primavera, Bial, Grupo Pestana, Vila Galé, Janz, BA vidro, Ydreams, Logoplaste, Fresite, Renova, Nelo Kayaks, Frulacts, Alfama, Altitude Software, Out Sistems, WeDo, Brisa Space services, Activspace, Tecnologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Hovione, Porto editora, Luis Simões, Martifer, Novabase, Delta, Revigrés, Douro Azul, Cabelte, Queijo Saloio e outras há…

Mas como se nota, não constam as PT, a Galp, a EDP, os Bancos, a Motta-Engil. a Teixeira Duarte… as tais que precisam dos TVGs, das pontes, das autoestradas, que o Estado lhes oferece continuamente e que nós pagamos…

Se fosse precisa uma explicação para sermos o pais mais pobre e mais desigual da UE, está aí, para quem quer ver. E o curioso é que não há partido nenhum que coloque estas empresas na primeira fila das suas preocupações.

As importantes, sugam a riqueza às que criam valor e é melhor estar próximo da “caixa forte” onde está a massa do que no terreno a ter dores de cabeça…

Ah, e já agora, são todas de iniciativa privada, a mal amada!

PEC: Bagão Félix à Esquerda de Sócrates

Ouvi hoje Bagão Félix na rádio e é impossível não concluir que um ex-governante do CDS consegue estar à Esquerda de um primeiro-ministro do PS, Partido dito Socialista. Não é primeira vez que Bagão consegue estar à Esquerda de Sócrates – já se viu o mesmo aquando da aprovação do Código do Trabalho.
A propósito do PEC e das medidas para diminuir o défice, Bagão apontou duas medidas: aumento dos impostos sobre transacções de bens de luxo e cancelamento do 13.º mês para os ricos. Medidas justíssimas, porque afectariam apenas as pessoas com elevados rendimentos.
A estas duas, acrescentaria eu uma outra, tão justa como as anteriores: o aumento dos impostos à Banca, que em média paga metade do IRC das restantes empresas. Um dos maiores escândalos do Portugal pós-25 de Abril, sendo curioso verificar, para quem tiver memória, que foi Manuela Ferreira Leite, ao contrário do actual Governo, quem teve a coragem de aumentar, ligeiramente, é certo, a tributação dos Bancos no offshore da Madeira.
Eu tinha vergonha, muita vergonha mesmo, de me considerar de Esquerda e, ao mesmo tempo, defender um Governo que mantém os escandalosos benefícios fiscais dos Bancos ao mesmo tempo que diminui o subsídio de desemprego.

Juros da dívida duplicam

Todos sabiam mesmo os que andaram a dizer a Sócrates o contrário, mas os juros constituem uma ameaça séria para o desenvolvimento da nossa economia.

É dinheiro que sai e que se subtrai ao PIB que não cresce, o que representa o rendimento nacional cortado de uma fatia cada vez maior.

A UE já não está com meias e aponta-nos como um grave problema e enrola-nos com a Grécia, a Irlanda, a Espanha , e a Itália,  estas duas últimas com capacidade de sair do problema muito maior do que nós.

É este país, na bancarrota, que tem um primeiro ministro que nos andou a vender, como saída para a crise e para o desenvolvimento, os megaprojectos que se pagam com empréstimos cujos juros duplicaram e que vão continuar a subir, basta ouvir o “ganir” das empresas de “rating”, as mesmas que falharam estes anos todos e que não perceberam nada de nada do que iria acontecer.

De “business as usual” está aí de volta como se nada tivesse acontecido, uns enriqueceram loucamente, outros (a esmagadora maioria) além de mais pobres vão pagar tudo, e tarda que os governos apresentem firmes políticas prudenciais.

Bancos mais pequenos e separados em comerciais e em investimento, penas pesadas para quem rouba e defrauda quem o seu dinheiro lhes confia.

Cá no país, como se vai vendo, não acontece nada. O que vemos é os banqueiros a queixarem-se que vão pagar mais impostos, a ameaçar que se vão embora. As medidas a tomar para controlar a ganância têm que ser a nível global tal qual as falcatruas!

Eu pago para que políticos, banqueiros e gestores das empresas públicas se vão embora!

Obama – isto aplica-se cá…

Nada deverá ficar como antes no que diz respeito à banca! O dinheiro dos contribuintes andou a salvar bancos e banqueiros mergulhados em falcatruas que merecem prisão, mas parece que nem o dinheiro querem devolver, apesar de já estarem a ganhar milhões.

Paraísos fiscais – prémios milionários de gestores – grandes negociatas especulativas – as bolhas – impunidade de corruptos e corruptores, tudo isto deve ser severamente atacado e ainda o que Obama já anuncia:

Regulamentação do sistema bancário; separação entre bancos comerciais, abertos aos depósitos públicos e que não devem especular com eles, e bancos de investimento ou de negócios ; impedir o gigantismo por forma a evitar o poder sistémico dos bancos ;

As desigualdades pronunciadas são outro factor que impede o desenvolvimento e que levam a crises cíclicas. Esta é a única área onde estamos “muito bem” posicionados, em 3º lugar logo a seguir aos US e a Singapura! Extraordinário! Um país que há 30 anos é governado por governos socialistas e sociais – democratas, tem como resultado ser o terceiro país mais desigual no mundo!

E os banqueiros a ameaçarem que se vão embora! Para onde? Infelizmente nos US e em Singapura ninguem os quer, para os outros países menos desiguais ganhariam menos, fogem para onde?

Até o governador do nosso “banquinho” de Portugal ganha mais que o poderoso Banco Central Americano!

Downsizing, dizem eles

É uma triste realidade aquela em que pequenos e médios empresários tentam obter, junto da banca, liquidez para salvarem as suas empresas, depois de já lhes ter sido sugado todo o património e mais algum para garantia dos financiamentos.

Mendigam apoios àqueles a quem eu, eles, e todo o povo português, avalizou os seus financiamentos externos. Pois convém lembrar que a banca portuguesa foi pedir dinheiro lá fora com o aval do Estado português, ou seja com o nosso aval. E a nenhum de nós algum banco deu de garantia o que quer que fosse pelo aval que o povo lhes deu.

Esse dinheiro que veio de fora á custa do nosso aval está a chegar a conta-gotas às empresas, atrofiando-as em termos de liquidez. E quando o empresário chega à banca, como eu já assisti, para pedir ajuda, volta-meia-volta lá vem a lógica do “downsizing”, ou seja, a diminuição da estrutura da empresa para melhorar a sua viabilidade. Que é o mesmo que dizer mandar trabalhadores para a rua para se gastar menos em salários. [Read more…]

Obama e os bancos salvos da bancarrota

A gente nem acredita, mas a verdade é que há países que têm regras, onde se chamam os bois pelos nomes, se pedem responsabilidades e ajuda aos que entraram com os seus impostos, para salvarem bancos na bancarrota.

“Os bancos dos Estados Unidos receberam assistência extraordinária da parte dos contribuintes americanos para reconstruir a sua actividade e, agora que estão outra vez de pé, esperamos deles um compromisso extraordinário de apoio à economia”

Os banqueiros americanos, com as castanhas fora do lume, recuperados do risco de colapso, voltaram à conversa dos prémios e a querer travar a reforma do sistema regulatório do sector financeiro. Esta posições resultam do facto de o governo americano já ter cobrado grande parte das ajudas que concedeu, o que permitiu que os bancos recuperassem parte da sua autonomia habitual.

Nos argumentos do Presidente Americano, entra o facto incontroverso de que grande parte da culpa do que se passou deve ser assacada aos próprios bancos, pelo que é inaceitável que tudo volte ao mesmo e nenhuma, ou poucas lições, sejam retiradas.

E, basicamente, o que pede, para além do pagamento integral das ajudas que receberam? Que facilitem o crédito às Pequenas e Médias Empesas, para assim relançar a economia!

É parecido com a política cá do burgo, não é ?

Este homem tem talento e uma carreira como humorista, onde pagam muito melhor que nos bancos

Perante  a atitude do Governo e do Banco de Portugal, que decidiram  pôr um travão nos ordenados dos banqueiros, diz o homem do BPI:

Ulrich

“DEIXEM-NOS TRABALHAR, NÃO NOS MASSACREM”

“Não é preciso nada disto na Banca portuguesa. Estamos a falar de um problema inglês”, afirmou ao CM Fernando Ulrich, presidente do BPI, acrescentando que “temos mecanismos internos para controlar as remunerações”.
Aquele responsável manifestou-se ontem na conferência da Reuters/TSF contra o excesso de regulamentação no sector bancário. “Estou farto de ser responsabilizado por esta bagunça toda. Esta crise é uma crise anglo-saxónica. Não nos massacrem. Deixem os bancos em paz. Deixem-nos trabalhar”, afirmou o presidente do banco.

Taxas Multibanco – ganhar a dobrar

Há uma enorme tentação para cobrar taxas pela utilização das caixas do multibanco.

 

Grande parte dos serviços que hoje podemos obter a partir do Multibanco, obrigavam-nos a deslocarmo-nos aos balcões dos bancos onde trabalhavam uma multidão de bancários para prestarem, pessoalmente, esses serviços.

 

Hoje, o que vimos, é que as agências bancárias têm 2 ou 3 pessoas ao balcão porque os clientes raramente recorrem aos serviços da agência .Esta mudança na prestação dos serviços constituiu uma enorme poupança nos custos dos bancos, desde logo no pessoal das agências, na utilização de cheques e outros documentos de apoio às movimentações bancárias, e ainda no pessoal  dos serviços centrais de controlo de contas e clientes.

 

A informática presta hoje todos esses serviços, contribuindo de uma forma muito poderosa para os lucros fabulosos dos bancos.  O cliente deixou de ter uma assistência personalizada para ter uma máquina  que utiliza quando necessário, contribuindo assim, para a enorme redução de custos  das entidades bancárias.

 

O cliente continua, como não pode deixar de ser, a pagar as margens de comercialização e de intermediação bancárias, o que não pode nem deve pagar é uma sobretaxa de um serviço que se não fosse prestado através do Multibanco, seria prestado pelas agências.

Com os custos de pessoal e administrativos inerentes.

 

Tal taxa a ser cobrada, seria mais ums injustiça, porque os bancos já recuperaram os investimentos feitos em informática e na exploração diária, com a redução dos custos de pessoal e administrativos. Passaria a ser o pagamento de um serviço que os bancos sempre prestaram nas agências.

 

E quem ganha um milhão de contos por dia…

 

 

Sem palavras

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Privatizações e casamento gay

Eis o que vai ser posto em prática pelo novo Governo, segundo o Programa hoje apresentado na Assembleia da República. Um Programa que, ao que parece, vai ser igual ao Programa apresentado em campanha eleitoral – e qualquer Governo devia ser obrigado a cumprir um Programa igual ao que apresentou ao eleitorado.

Seja como for, a receita do PS vai ser aquela que já se esperava: governar à Esquerda e à Direita conforme as conveniências. À 2.ª e 4.ª, vai acelerar as privatizações e dar apoios chorudos aos Bancos. À 3.ª Feira, vai propor o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sempre deixando claro que todos têm a responsabilidade de deixar o Governo fazer o seu trabalho – logo que uma das suas medidas for chumbada, lá virá o choradinho das forças de bloqueio, o «esticar da corda» e, em breve, a apresentação de uma moção de confiança.

Pois, pois – governar à Esquerda e à Direita ao mesmo tempo é capaz de ser difícil. Será que a Oposição vai cair no logro?

Literacia financeira ou a usura explicada às criancinhas

Eu sei que não se deve fazer acompanhar o jantar do visionamento dos noticiários. É indigesto, pouco higiénico, desagradável, em suma. Mas, apesar disso, lá fiquei eu a ver as notícias da noite e foi ainda durante a sopa de favas que apareceu um rapazinho de 8 ou 9 anos, orgulhoso por contar às câmaras o que acabava de aprender no curso que a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) estava a organizar para meninos como ele.

Eu fico sempre comovida com as crianças que dominam a Matemática porque me parecem uma prova irrefutável do avanço da espécie. Vejo-as já como seres do futuro, com capacidades superiores, mais próximas de um patamar de evolução a que aspiramos enquanto seres humanos. Dominar a Matemática não me parece menos notável do que dobrar colheres com o poder da mente, como fazia aquele miúdo careca (Ruca?) que aparecia no Matrix. .

Subi o volume da televisão e fiquei à espera da lição de sapiência do petiz.

– Então e o que é que aprendeste?

– Aprendi que se emprestarmos dinheiro podemos cobrar juros, e no final ganhamos mais do que tínhamos.

A seguir apareceu o representante da SPM, a dizer algo que não ouvi porque ainda estava sob o efeito devastador das palavras da criança. (Dou-me conta agora, e parece-me uma daquelas coincidências que tanto agradam aos adeptos das teorias da conspiração, que SPM representa tanto a Matemática em Portugal como síndroma pré-menstrual. Parece-me bastante adequado).

Depois do choque, olhei com mais atenção para a cena e descobri o logo de uma conhecida entidade bancária que assegurava a acção de esclarecimento, movida pelo nobre propósito de incrementar a “literacia financeira” entre as nossas crianças. E que pode um banco ensinar para além da usura?

Como se não bastassem as más políticas de educação que o sistema público de ensino tem oferecido às nossas crianças, agora são as escolas, com o alto patrocínio de alguns professores de Matemática, que organizam visitas às entidades bancárias para que estas possam formatar tão cedo quanto possível os seus futuros clientes. Para que estes se habituem e vejam como natural, e até desejável do ponto de vista da sustentabilidade do sistema financeiro, que tudo aquilo que vierem a desejar, seja o caprichito de umas férias na Baía, ou um tecto sob o qual se abrigar, custe mais, muito mais do que o que vale. Porque o que conta é que “no final, ganhamos mais do que tínhamos”.