Sinto-me sinceramente honrado por ver que tenho o mesmo gosto para títulos que o grande João Quadros, que faz uma crítica certeira ao sinistro Crato.
Técnica revolucionária em Medicina: a caçadeira pode substituir o bisturi
É evidente que não se podem tomar decisões executivas sem se ter em conta os gastos, as despesas, sem se fazer contas, enfim, como acontece com qualquer um de nós, todos os dias. Este governo, no entanto, aproveitando, aparentemente contrariado, o desastre socrático, transformou a despesa no único critério das decisões. O resto é Carnaval, com máscaras de má qualidade. [Read more…]
O ensino profissional é um logro
Santana Castilho *
É recorrente considerar que a falta de preparação profissional responde por boa parte da falta de competitividade da economia portuguesa, embora seja astronómica a dimensão do dinheiro consumido por programas de formação, em 38 anos de democracia. Compreende-se o paradoxo quando se analisam os critérios (ou a sua ausência) que têm presidido às respectivas decisões políticas. Nuno Crato acaba de persistir na via da leviandade. Não é ele que conhece as necessidades de formação dos activos das empresas. São os próprios e as suas empresas. Não é ele que deve decidir sobre o futuro dos jovens. São os próprios e os seus pais. Mas proclamando irrelevâncias e desconhecendo realidades, acaba de desviar 600 milhões de euros, reservados à formação de activos, para financiar o sistema formal de ensino e serenar os reitores (para as universidades e uma tal “formação avançada” irão 200 milhões). A isso e a um esboço de resposta atabalhoada ao prolongamento da escolaridade obrigatória se resume o que acabou de fazer, em nome do mal tratado ensino profissional. [Read more…]
Professores sem férias
O ano de 2012 e o verão em especial ficarão na memória de todos os professores, dos mais novos, aos mais velhos,
passando pelos que já não são nem uma coisa nem outra. Pelas características da organização do ano lectivo, em particular devido ao serviço de exames, as férias são uma realidade que só existe no mês de agosto para boa parte dos docentes.
Até aqui nada de anormal, não fosse o facto do patrão se lembrar de concentrar neste mês o processo de concursos, tornando as férias um pesadelo.
Depois das brutal trapalhada do concurso dos professores com horário zero, são ainda mais de cinco mil os professores dos quadros que a duas semanas do arranque do trabalho ainda não sabem onde vão trabalhar. Serão ainda mais os que conhecem a escola, mas não sabem o que vão fazer porque estão na posse de uma só certeza: não vão ter alunos para ensinar.
Como refere a FENPROF, há dez mil professores dos quadros com futuro incerto. Que país é este que se dá ao luxo de dispensar profissionais qualificados deste modo?
Mas há mais. [Read more…]
Nuno Crato quer aumentar o ensino profissional
E para começar, acaba com ele.
As escola públicas tiveram este ano uma redução brutal (em muitos casos superior a 50%) nas autorizações para abrir cursos CEF e cursos Profissionais, algo já escrito no aventar há uns dias.
Os cursos CEF, são na sua maioria, cursos para os alunos que terminam o 2ºciclo do ensino básico (6ºano) e com uma história de algum insucesso. Muitos com problemas de comportamento e que encontram nesta solução dos Cursos de Educação e Formação uma boa possibilidade de fazer o 9ºano, ainda por cima num curso que dura dois.
Os profissionais (ensino secundário) eram uma sequência natural dos CEF, sendo que recebiam outro tipo de alunos também. A rede pública que oferece estes cursos é constituída pelas escolas secundárias, pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e pela rede privada de escolas profissionais. O site da ANQEP explica tudo.
Ora, neste contexto as afirmações de Nuno Crato são absolutamente vazias de conteúdo real e completamente cheias de complexos ideológicos e de lugares comuns: o povo diz que é preciso gente que consiga apertar um parafuso ou colocar um cano e logo a direita mais atrasada corre para os braços das soluções anteriores ao 25 de abril. Esquecem-se de duas coisas:
– quem está na escola hoje e quem estava na escola nessa altura.
– a natureza do mercado laboral de hoje, comparado com o mercado laboral de então.
E levando a discussão para o plano educativo, reitero um argumento já apresentado e que se relaciona com a possibilidade dos alunos passarem de uma via para outra, algo a que chamei, o problema dos alunos.
José Manuel Fernandes plagiado?
José Manuel Fernandes, tudólogo praticante, escreve, também, sobre Educação, porque, por ser tudólogo, escreve, sobretudo, sobre tudo e, portanto, nada diz que se aproveite. Recentemente, tive oportunidade de comentar uma das suas pérolas, em que, usando doses gigantescas de marialvismo leviano, comentou o fenómeno do desemprego docente.
Hoje, por pura coincidência, descobri, na secção de opinião do Público e nas cartas dos leitores do Jornal de Notícias, um texto de um certo José Carvalho, professor e investigador de História. Se se derem ao trabalho de comparar as produções de ambos os josés descobrirão que metade do texto de Carvalho é igualzinho ao de Fernandes. O resto serve apenas para reforçar o habitual preconceito contra esquerdistas, professores e outros inúteis, numa visão da direita básica que prefere disparar primeiro e não fazer mais nada a seguir. Para vossa ilustração, e porque o texto de Carvalho só está disponível para assinantes, ficam aqui com uma cópia (para aumentar, basta clicar).
Provavelmente, estaremos na presença de um clone de um clown. E agora, josés?
Concursos de Professores por mail e pelo telefone
E as férias especiais dos professores continuam, ainda que este seja o único mês do ano em que o podem fazer. Sim, isso mesmo – o nosso patrão só nos permite férias em Agosto e mesmo assim centra todo o processo de concursos precisamente neste mês, em mais uma exemplar demonstração de respeito pelos seus colaboradores.
Nos últimos dias, os professores que pediram Destacamento por Condições Específicas receberam uma mensagem de correio electrónico com o resultado desse destacamento – sugiro leitura da nota do ad duo sobre o assunto.
Por agora e até amanhã (dia 14 de agosto) é tempo dos Directores “pescarem” da lista de DACL (Destacamento por ausência de componente lectiva) os professores para quem verifiquem ter serviço. É a angústia, não do guarda-redes no momento do penalty, mas do professor à espera que o telefone toque.
Admito que estarão todos FARTOS destas coisas dos profs, sempre a dizer mal, sempre à volta com queixas, com isto e com aquilo…
Mas, de facto, que país é este que mostra este desrespeito por quem trabalha? Que governo é este que despede aos milhares e que continua a dizer na televisão que isso são coisas sem sentido?
Durante quanto tempo mais, Mário Nogueira, terá que desmentir o Ministro?
O tirano
Santana Castilho *
Para quem se tenha esquecido, recordo que o concurso nacional de professores já foi um processo administrativo estabilizado e que não provocava conflitos. Políticas incompetentes e recentes inovações sem sentido, de vários donos, encarregaram-se, porém, de recuperar desastres de tempos idos. Mas a taça leva-a Nuno Crato, o tirano. Tanta ignorância, técnica e política, tamanha crueldade moral exercida sobre os docentes, surpreendem os mais treinados. Ontem, terminou o prazo para os novos escravos concorrerem. Terão sido mais de 40 mil, que aguentaram horas e horas de atalaia a uma aplicação informática que lhes fazia continuadamente o que os professores, desunidos, já deviam ter feito ao tirano: um continuado manguito. [Read more…]
Que se lixem as crianças!
Leiam esta notícia, com atenção: no concelho de Paredes, há um menino que vai entrar para o Primeiro Ciclo do Ensino Básico e que, graças ao encerramento da escola para onde iria, terá de se levantar duas horas antes do início das aulas, devido ao horário dos transportes; no concelho da Figueira, uma mãe não tem 50 euros para pagar o passe, agora que a filha será obrigada a ir para uma escola mais distante; alguns presidentes das câmaras estão muito preocupados com o aumento da despesa com transportes.
Nuno Crato, a propósito do encerramento das escolas, mente o mais que pode, afirmando que tudo nasce de um consenso sereno. Os presidentes das câmaras preocupam-se com o dinheirinho ou com as fidelidades partidárias. Confirma-se, portanto, que, entre ministros e autarcas, há uma disputa renhida para ver quem consegue prejudicar mais as crianças do país. Terrível campeonato! Tristes espectadores!
Outra vez os concursos de professores
Há por aí uma lei da vida de um tal de Murphy que diz qualquer coisa como ” Quando uma coisa tem que correr mal, vai
mesmo correr mal”.
Crato merecia esta confusão! Sim, já estou na fase do quanto pior melhor!
O que estes boys estão a fazer à classe num ano é algo que se aproxima do reinado de quem sabemos, mas temos até medo de falar. Mas o monstro acordou e não vai dar para parar…
Esta semana mais de 50 mil almas têm uma aplicação informática para manifestarem as suas preferências. Tem acontecido de tudo:
– mudam a lei depois do concurso ter começado;
– horas e horas a tentar aceder e nada;
– 15 minutos para guardar um número na aplicação;
– servidor em baixo depois de duas horas a meter códigos;
– limites para coisas que não estavam previstas…
Enfim, um exemplo perfeito do que não pode ser uma aplicação informática. Um exemplo ainda melhor do que não pode ser uma prática governativa. Confesso que estou surpreendido com a capacidade de Nuno Crato. Não pensei que fosse tão mau!
Sabia que era um duque num naipe sem valor, mas não estava à espera que fosse o que está a ser: um gerador de saudades da Maria de Lurdes.
Ai! Escrevi! Cruzes! Canhoto!
Vou para a rua! Às cinco em frente à DREN!
Horários zero: o desnorte do Ministério da Educação
Primeiro, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) quis obrigar as escolas a indicar, até dia 6 de Julho, quantos horários-zero iriam ter, antes de terem a certeza de quantos horários-zero iriam ter, com ameaças aos directores, obrigando-os, no fundo, a indicar horários-zero em excesso. Depois, o MEC adiou o prazo da informação para dia 13, porque assim as escolas poderiam ter mais uma semana para continuarem a não ter a certeza do número de horários-zero que iriam ter. As escolas foram, portanto, obrigadas a indicar um tipo de horário que poderia ser designado por horário-zero-eventualmente-um. Pelo meio, os professores com esses horários-zero-eventualmente-um seriam obrigados a concorrer para sair da escola, embora pudessem, a qualquer momento, ser repescados, caso as escolas viessem a confirmar que, afinal, havia horário para esses mesmos professores, que passariam de um horário-zero-eventualmente-um para um horário-efectivamente-um. Depois disto tudo, o MEC ter-se-á lembrado de pedir às escolas que indicassem o mínimo de horários-zero possível, para além de, aparentemente, permitir que sejam abertas turmas de ensino profissional que estavam, até aqui, fechadas. [Read more…]
Encerramento das escolas, fecho do país
Em vários jornais, foi ontem notícia o encerramento de 239 escolas do Primeiro Ciclo. Como é habitual no discurso dos ministros da Educação, Nuno Crato afirmou que a importância dessa medida está relacionada com as vantagens educativas, considerando que, em comparação, a poupança alcançada é pouco importante, embora não tenha revelado o valor dessa mesma poupança.
Tal como os anteriores detentores da pasta, Nuno Crato afirma que todo este processo decorre com a anuência das autarquias, embora uma rápida incursão pela internet pareça desmentir tal asserção, quando passamos por Leiria, Gouveia, Estremoz, Odemira ou Elvas. [Read more…]
Nuno Crato, o ministro da desunião
Tendo em conta o passado próximo, as desconfianças enunciadas pelo Paulo Guinote fazem sentido. No entanto, a atitude hoje assumida por várias entidades, exigindo ser recebidas em conjunto, teve o condão de obrigar Nuno Crato a definir-se.
Em primeiro lugar, mostrou-se manhoso, um político a sério, no sentido maquiavélico do termo, ansioso por conseguir dividir os adversários, lançando-os uns contra os outros. Depois, fez uma declaração que, parecendo explicar a sua atitude, serviu, na realidade, para manifestar o desejo de desunião: “Uma coisa são problemas salariais e falamos com os sindicatos; outra são as preocupações dos pais, e falamos com os pais; outra são as dos directores, como é o caso da organização de trabalho das escolas.”
A verdade é que, do ponto de vista de quem se preocupa com Educação, todas estas questões têm de interessar a todos. Um pai consciente deseja professores justamente remunerados; todos os professores e directores deverão ser sensíveis às preocupações dos pais; a organização de trabalho das escolas não diz respeito apenas aos dirigentes escolares, como é evidente. Note-se, entretanto, a armadilha insidiosamente estendida aos sindicatos e aos professores, reduzidos a uma gente materialista, preocupada, apenas, com o dinheirinho.
Nuno Crato definiu-se. É chegado o momento de todas as entidades e todas as pessoas ligadas à Educação fazerem o mesmo e, a propósito, não é demais lembrar que as manifestações e as vigílias são importantes, mas não são suficientes. Por isso, em minha própria representação, estarei, amanhã, às 17h, em frente à DREN.
Adenda: eu escrevi “amanhã, às 17, em frente à DREN”? Não é amanhã, é hoje. Até logo.
Vigília pela Educação: um copo meio cheio ou meio vazio?
Não sou um entusiasta de ajuntamentos, assumam eles a forma que assumirem. É por isso que não sou militante de partidos ou sócio de clubes e confesso que sou sindicalizado mais por inércia do que por convicção. Não encaro esta minha característica como uma virtude ou como um defeito e, portanto, não é por isso que me julgo superior ou inferior a ninguém, o que não aconteceria se estivéssemos a falar de matraquilhos, área em que me considero um especialista de nível internacional. Foi consciente disso que participei, com muito gosto, na vigília pela Educação, ontem, no Porto. [Read more…]
Uma vigília por Portugal
Daqui a pouco, começará a Vigília pela Educação. É conveniente que se saiba que, na realidade, é uma vigília por Portugal, porque não há país digno desse nome sem um sistema educativo estável e de qualidade.
Todos somos responsáveis pelos jovens portugueses. Nuno Crato, na senda dos governos de José Sócrates, está a prosseguir um conjunto de políticas que contribuirão para criar escolas disfuncionais e desumanas, porque serão escolas com 4000 alunos, com turmas de 30 alunos e com muito menos profissionais do que os necessários para que os jovens tenham um desenvolvimento harmonioso, entre muitos outros problemas que deverão continuar a ser denunciados.
Se estiver a ler este texto, ainda está a tempo de se juntar àqueles que vão mostrar que as políticas educativas devem ser corrigidas e já!
Uma classe zombie e um ministro bárbaro
Santana Castilho *
Numa sexta-feira, 13, a tampa de um enorme esgoto foi aberta ante a complacência de uma classe que parece morta em vida. Nuno Crato exigiu e ameaçou: até 13 de Julho, os directores dos agrupamentos e das escolas que restam tiveram que indicar o número de professores que não irão ter horário no próximo ano-lectivo. Se não indicassem um só docente que pudesse vir a ficar sem serviço, sofreriam sanções. Esta ordem foi ilegítima. Porque as matrículas e a constituição de turmas que delas derivam não estavam concluídas a 13 de Julho. Porque os créditos de horas a atribuir às escolas, em função da deriva burocrática e delirante de Nuno Crato, não eram ainda conhecidos e a responsabilidade não é de mais ninguém senão dele próprio e dos seus ajudantes incompetentes. Não se conhecendo o número de turmas, não se conhecendo os cursos escolhidos pelos alunos e portanto as correspondentes disciplinas, não se conhecendo os referidos créditos, como se poderia calcular o número de professores? Mas, apesar de ilegítima, a ordem foi cumprida por directores dúcteis. Como fizeram? Indicaram, por larguíssimo excesso, horários zero. Milhares de professores dos “quadros” foram obrigados, assim, a concorrer a outras escolas por uma inexistência de serviço na sua, que se vai revelar falsa a breve trecho. Serão “repescados” mais tarde, mas ficarão até lá sujeitos a uma incerteza e a uma ansiedade evitáveis. Por que foi isto feito? Que sentido tem esta humilhação? Incapacidade grosseira de planeamento? Incompetência? Irresponsabilidade? Perfídia? [Read more…]
Por que razão os professores não são ouvidos?
Segundo ouvi dizer, o ministro da Saúde poderá reunir com os médicos, um dia depois de estes terem participado numa greve que durou 48 horas e contou com uma elevada taxa de adesão. Para além disso, ao que parece, esta greve foi um êxito de relações públicas, uma vez que os médicos terão contado com a compreensão de muitos cidadãos.
Os professores, face àquilo que se passa na Educação, continuam a não ser ouvidos, porque, desde 2005, entre manifestações, greves e tomadas de posição da classe docente, as políticas educativas têm vindo de mal a pior. [Read more…]
Quem quer casar com a Educação?
Esta semana, vários cidadãos, em Torres Vedras, Peniche e Caldas da Rainha, manifestaram-se em defesa dos serviços hospitalares que lhes estão a ser retirados, devido a um governo que olha para qualquer serviço público do mesmo modo que um pirómano olha para uma floresta.
O que me impressiona positivamente neste movimento é o facto de ser constituído por cidadãos que consideram que a Saúde é uma questão que não se restringe a uma corporação profissional, é um assunto que diz respeito a todos e dirá sempre. Calculo que, no mínimo, todos estes cidadãos desejem ser suficientemente saudáveis para nunca ir a um hospital, mas imagino-os suficientemente previdentes para saberem que poderão precisar de ir e, sobretudo, suficientemente solidários para terem a certeza de que haverá sempre um concidadão que precisará de recorrer a serviços hospitalares e que não deverá ficar afastado deles por pouco dinheiro ou por muitos quilómetros. [Read more…]
Se o Ministério da Educação fosse uma pessoa, seria viciado em drogas duras
O João Paulo, recentemente, chamou a atenção para o facto de que não é aceitável ou compreensível uma empresa da dimensão do Ministério da Educação não ter, ainda, o próximo ano lectivo completamente organizado.
O Paulo Prudêncio, nas centenas de textos que já escreveu sobre gestão escolar, ainda não se cansou de repetir que um ano lectivo tem de estar preparado com vários meses de antecedência, continuando, ainda, a insistir na importância de um valor como a estabilidade, nomeadamente no que se refere à produção legislativa. [Read more…]
Desporto em Portugal – finalmente!
Há duas vantagens na pontaria do Bruno Alves. Não, não estava a pensar nas questões traumáticas dos adversários.
A primeira vantagem é a possibilidade de ler o que se escreve no Record. A ser verdade, nem encontro palavras para descrever.
A segunda e verdadeiramente importante é a possibilidade, nova, do país se voltar para o que o Ministério da Educação se prepara para fazer com a Educação Física e com o Desporto Escolar. O Miguel explica.
Crato incompetente, brincalhão ou eficaz?
Não é fácil escrever sobre Nuno Crato.
As teorias comuns trazidas para os lugares televisivos do Medina Carreira levaram Nuno Crato, divulgador de Ciência, para um campo demagógico e mediático que permitiram a Nuno Crato, Ministro, ser uma coisa próxima do Ministro que todos queriam ter.
Tive sempre algumas dúvidas em relação aos comentadores que dizem o que “todos” querem ouvir e muitas mais ainda quando dizem, sobre o ensino da matemática, o contrário do que me mostra a experiência com os alunos.
Mas, isto tudo, para dizer que chego a esta altura sem qualquer tipo de desilusão. E por uma razão simples – em relação ao Ministro Crato nunca tive qualquer tipo de ilusão.
E para levar o post do terreno da opinião para o pântano dos factos:
– o ano letivo terminou e ainda não se conhece o calendário escolar do próximo ano. Como é que se pode preparar um ano letivo, o próximo, sem o seu elemento mais estruturador?
– o ano letivo terminou, temos um para preparar e ainda não sabemos que disciplinas, nem tão pouco como se vão organizar (tempos, cargas horárias, semanais). Será que o MEC vai demorar muito tempo a divulgar este documento?
– as escolas ainda não sabem qual vai ser a oferta formativa que vão ter para o próximo ano. Temos alunos que não fizeram exames do 9º ano na expectativa de entrarem em cursos que agora as escolas não vão oferecer. O que vai acontecer a estes alunos?
Qualquer empresa faz um plano de trabalho a meses, a anos… Esta Mega- Empresa, o Ministério da Educação que é a “maior” empresa do país, despede pessoas que precisa, corta cursos que os alunos querem, deixa no vazio decisões que são urgentes…
E poderia trazer para cima da mesa mais exemplos, mas prefiro pensar por agora que não se trata nem de incompetência, nem de brincadeira: Nuno Crato está a fazer bem o seu trabalho de levar para o Privado os poucos portugueses que têm dinheiro para o fazer.
Eficaz. Sem dúvida.
Para que servem os professores?
A Educação no Portugal democrático sempre foi um edifício em mau estado. Nos últimos sete anos, os três governos PS/PSD/CDS conseguiram o milagre de fragilizar ainda mais os frágeis alicerces desse edifício, limitando-se a disfarçar o mau estado do imóvel com uns painéis publicitários e outras manobras de marketing.
A partir do ano que vem, entre mega-agrupamentos, turmas com mais alunos e a dispensa irresponsável de milhares de professores contratados, o triste edifício ameaçará a ruína absoluta.
Em sete anos de políticas ruinosas, os professores souberam fazer três manifestações gigantescas e várias greves, mas não conseguiram e continuam a não conseguir travar a destruição quotidiana da Educação. Intoxicada por anos de inveja social, alimentada pelas máquinas de comunicação partidária, a opinião pública limita-se a olhar para os professores como uma corporação preocupada apenas com os seus privilégios.
Resta saber até que ponto esta visão será justa. Há pouco tempo, um amigo e colega defendia a necessidade de que os professores soubessem unir-se para protestar contra tudo aquilo que está mal na Educação e não apenas por razões relacionadas com questões corporativas.
A verdade é que podemos encontrar demasiados exemplos de pessoas mais preocupadas com a vidinha do que uma classe cuja principal preocupação deveria estar centrada na Educação: efectivos que se manifestaram em Lisboa e foram a correr entregar objectivos mínimos, sindicatos muitas vezes mais preocupados com domínio do território, professores que acatam acriticamente qualquer novidade, directores que se deixam transformar em fantoches do Ministério da Educação e muitos outros exemplos que não ficam bem na fotografia de profissionais qualificados que se deixam desqualificar todos os dias.
Os professores continuam, assim, a ser cúmplices da destruição da Escola e, portanto, indignos de uma das profissões mais nobres que se pode desempenhar. Há muito para pensar e há muito para pôr em causa, o que inclui formas e razões de luta. Enquanto isso não acontecer, os professores servem para muito pouco.
Carta aberta ao ministro Nuno Crato
Santana Castilho*
Senhor ministro:
Como sabe, uma carta aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez, saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na cara, o que a verdade reclama.
Comecemos pelo programa de Governo a que pertence. Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, garantia-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e asseverava, logo de seguida, que desenvolveria connosco uma “relação adulta” (página 3). E que outra relação, senão adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. O homem que havia interrogado o país sobre a continuidade de um primeiro-ministro que mentia, referindo-se a Sócrates, rápido se revelou mais mentiroso que o antecessor. E o senhor foi igualmente célere em esquecer tudo o que tinha afirmado enquanto crítico do sistema. Não me refiro ao que escreveu e disse quando era membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP. Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro. Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros. [Read more…]
Despacho de Organização do Ano letivo: a 3ª análise, à procura da autonomia
A autonomia das Escolas é a necessidade mais urgente do nosso sistema educativo. Já foi decretada pelo menos três vezes, mas existir, de facto, nunca existiu.
Tenho, também, muitas dúvidas sobre o que cada um de nós entende por autonomia. Como se concretizaria? Na definição do currículo? Ou apenas autonimia para a sua implementação ou só para a distribuição dos programas (parte do currículo) ao longo do ano?
Na escolha de professores? Na seleção de alunos? Na possibilidade de expulsar alunos da Escolaridade obrigatória? Na possibilidade de exigir propinas?
Creio que não será fácil encontrar pontos de encontro nesta temática, aparentemente consensual entre todos. Percebem-se, também por isso, as dúvidas que surgiram à volta do Despacho de Organização do Ano letivo, que, todos percebemos, é uma espécie de manual do maior despedimento da nossa história coletiva.
Por um lado, o Legislador pretende alguma gestão flexível, mas por outro, insere expressões como “dentro dos limites estabelecidos” (artigo 3º, ponto 2) ou como, no artigo 13º, ponto 4: “Ouvido o conselho pedagógico, o diretor decide.” [Read more…]
Despacho de organização do ano lectivo 2012/2013: primeira análise
Parece a história do rei vai como Deus o trouxe ao mundo, mas é mesmo assim: despedir é a intenção de Nuno Crato, nada mais que isso: DESPEDIR!
A intenção é clara – não gastar em educação o que é preciso para os Bancos, para as parcerias e para todos os tachos dos boys laranja.
Há outro caminho. Tenho dificuldade, reconheço, em dizer qual. Mas, por aqui é que não pode ser porque o Comentador Nuno Crato do alto da sua sapiência televisiva está a mexer no que até agora estava mais ou menos intacto – o trabalho com os alunos.
E, ao longo de todos os pontos do Despacho, não há uma única proposta que, ainda que simbolicamente, possa significar investimento na situação x ou y. Nada. Apenas um conjunto de medidas com um denominador comum: ter menos professores na escola.
Vamos lá então à fundamentação desta reflexão através do texto do dito cujo:
Não mudaram de assessores jurídicos
no Ministério da Educação. Ou então agora o estado é o Crato.








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