Tambores em Junho

Está a chegar Junho e eu adoro Junho, aliás nunca conheci alguém que não goste de Junho, é provável que seja humanamente impossível não gostar de Junho, e um dia haverá uma teoria alicerçada em feromonas, partículas gama ou epistemologia genética, que explicará essa impossibilidade, mas até lá fico-me com as minhas muito particulares razões para adorar Junho e que incluem, embora não se fiquem por aí, as Fontainhas.

Para alguns será necessário contar que as Fontainhas não são mais do que um bairro do Porto, um pequeno bairro castigado, voltado para o rio, casas antigas, algumas em ruínas, e uma gente castiça, que não troca os bês pelos vês, porque os vês, a bem dizer, nem existem. É certo que, entre Julho e Maio, as Fontainhas entristecem-me. Mas há um mês, e qual mais poderia ser?, em que as Fontainhas se transformam no bairro mais festivo da cidade, engalanado para a noite de S. João. E não há Junho em que eu não regresse às Fontainhas.

Ora, quando eu era catraia, as Fontainhas eram a Disneylândia dos pobres, um caótico miniparque de diversões com barracas de farturas, carrosséis desengonçados, carrinhos de choque já muito esmurrados, colunas roufenhas a debitar música que ainda não sabia que era pimba, algodão doce a colar-se ao queixo, às mãos, ao cabelo, ao vestido, à camisa do meu pai, à blusa de alças da minha prima, íamos ficando pegados uns aos outros, num trem humano de açúcar e corantes, até a minha mãe nos salvar a todos com um lenço de pano, ainda nem havia dos outros, humedecido no chafariz.

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Sons do Aventar – Ólafur Arnalds e Rodrigo Leão

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Ontem regressei à Casa da Música. O motivo: Ólafur Arnalds era o convidado de Rodrigo Leão.

Já tive a felicidade de assistir a vários concertos de Rodrigo Leão, um dos nossos maiores génios musicais, este seria mais um. Não, não era. A verdadeira razão da minha ida era outra. Ólafur Arnalds é uma espécie de Rodrigo Leão da Islândia (perdoem-me a comparação mas facilita a explicação). Com apenas 28 anos, este magnífico compositor, produtor musical e multi-instrumentista é senhor de algumas das mais fascinantes musicas dos últimos anos. Ver e ouvir, e logo na Casa da Música, estes dois génios era simplesmente imperdível.

E foi uma noite de magia. Ólafur misturou simplicidade com tranquilidade. Os primeiros minutos do concerto na Casa da Música explicam-se em poucas palavras: um absoluto e incrível silêncio da plateia. Um silêncio de respeito e admiração de muitos dos presentes e desconfio que uma parte significativa da audiência nem conhecia este islandês que começou a sua carreira como baterista “metaleiro”. Claro que sou suspeito: existe em Ólafur um misto de Sigur Rós (igualmente islandeses) com Yann Tiersen e Rodrigo Leão, tudo autores que sigo religiosamente. Mais tarde entrou Rodrigo Leão (na sala notou-se perfeitamente que a maioria vinha para o ouvir) e as primeiras músicas de Rodrigo Leão mostraram que continua absolutamente genial percebendo-se perfeitamente o porquê do seu êxito dentro e fora de portas. Ólafur regressou para um final conjunto que me deixou a querer mais. Por mim bem que podíamos ter ficado noite fora e só acabar com o nascer do sol que é das coisas mais bonitas de ver na cidade do Porto.

Agora é aguardar pelo seu regresso a Portugal. Se possível, novamente na Casa da Música.

Turismo

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Hoje estive em Lisboa e por acaso assisti à partida dos ditos cruzeiros.

Nos últimos tempos é a segunda vez que vou a Lisboa e encontro uma cidade repleta de turistas. Como diria o Herman, “resmas” e “paletes” deles. No Porto, como bem sabe quem por cá anda, o cenário é idêntico (obviamente que em menor número, são realidades distintas).

Até que enfim!

25 de Abril no Porto – Avenida dos Aliados

Uma tragédia, o Emplastro e um filho da Ribeira

Ninguém me tinha lembrado – nem um artigo na imprensa, uma curta peça de fim de telejornal – que se cumpria mais um aniversário da Tragédia da Ponte das Barcas e só porque estava sol e me apetecia um fino é que eu fui parar à Ribeira nessa tarde. Mas assim que cheguei deparou-se-me um cartaz a anunciar uma romagem às Alminhas da Ponte e pareceu-me uma coincidência feliz.

O cartaz anunciava uma “celebração da palavra”, coisa bonita, pelo Padre Jardim. Como costuma acontecer a quem é deixado crescer sem doutrinamento tenho a minha particular colecção de crenças, todas muito avessas à ordem das religiões. E não foi a intervenção de um clérigo, de resto muito respeitável, que me fez ficar, mas a evocação de uma história que me arrepia desde que pela primeira vez me contaram por que havia sempre velas acesas frente a um obscuro painel voltado para o Douro. Que se continue a lembrar, com a chama de uma vela que gerações sucessivas vão mantendo acesa, as vítimas que já ninguém conheceu, mas dos quais podemos ser todos descendentes – anónimos e esquecidos avós, porque os pobres não cultivam a genealogia e dos nossos antigos guardámos só uma foto amarelecida, uma colecção de chávenas esbotenadas, ou a cor das nossas íris – que se continue a lembrar as quatro mil vidas que a cidade perdeu nesse dia parece-me sinal de uma grandeza de alma que nem todos os lugares têm. [Read more…]

Ponte Maria Pia

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A melhor – não ponham dúvidas – livraria da cidade

Aquilo a que chamo o meu bairro, um raio de imprecisas centenas de metros ao redor da minha casa e que se vai alargando todos os dias, tem a sorte de ter a melhor livraria do Porto. Não tem letreiros luminosos, nem é bela como a outra, onde as camionetas despejam turistas aos magotes para fotografarem o cenário do feiticeiro Potter, mas em que os livros mais parecem adereços para emprestar credibilidade a esse cenário. E é tão discreta que podem passar-lhe a porta e nem repararem nela. É um espaço sem pretensões estéticas, sem top de vendas, de aspecto austero, com paredes a precisar de uma demão de tinta, escaparates de madeira tosca e estantes muito antigas. E acolhedor, apesar disso, sem sofás nem ar condicionado, com a rádio, lá ao fundo, sintonizada na Antena 2, e um livreiro que vos deixa em paz se assim o preferirem ou conversa convosco com gosto, se a isso estiverem dispostos.

Se o leitor se sente aqui tão bem, avento eu, será porque nela se respira a inestimável liberdade de uma livraria que se borrifa nas listas de mais vendidos, nos autores da moda, nas estratégias empresariais. E por isso o que vemos à venda reflecte uma escolha, não de grupos editoriais ou de gurus do marketing, mas de um livreiro que tem um projecto que, mais do que comercial, é um projecto de vida. Chama-se Utopia. [Read more…]

Viva o Porto!

É oficial. Melhor destino europeu de 2014.

Foz do Douro (10/2/2014)

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© Paulo Duarte/Associated Press. Fonte: Folha de S. Paulo.

(re)Lembrando Eugénio de Andrade

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Se eu estivesse aí no Porto, e lá não estivesse o gelo que por aqui faz e está, até que talvez me apanhassem lá… ler o resto

Hoje acordei assim

Em modo golo, Quaresma e magia cigana – tenha o Paulo Fonseca juízo, vai correr bem.

O governo não encerra, reconfigura

Que é como quem diz, recalibra.

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) não quer que se diga que encerrou o Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (SASU) do Porto. O serviço deixou de funcionar a 1 de Janeiro, quem precisar de atendimento urgente já não pode ir lá, o telefone está desligado, mas “encerramento” é uma palavra grande, tão definitiva, tão irrevogável.

Vai daí, em comunicado de imprensa, a ARSN explica que prefere chamar-lhe “reconfiguração”, numa “lógica de maior acessibilidade e proximidade às populações” que, “em síntese, se traduziu no alargamento de horário das unidades de saúde do Covelo e da Carvalhosa”, e que permite a redução do valor da taxa moderada, “que passa de 10 euros (atendimento em urgência) para 5 euros”. [Read more…]

Guerra santa no Porto

Um padre católico a gerir um Centro Interpretativo da Memória Judaica?

É “malévolo e maquiavélico”.

A prova no Porto e no Funchal

Portugal é um país surpreendente. Somos um país que forma Enfermeiros e Engenheiros e depois os exporta com bilhete apenas de ida. Infelizmente, esta fuga, no caso dos professores, é algo já com uns anos. Se os estaleiros de Viana colocaram no desemprego 600 trabalhadores, o Ministério da Educação, nos últimos anos, reduziu o número de professores contratados de 38 mil para 14 mil. Sim. Leram bem – saíram do sistema, para além dos que se aposentaram, 24 mil docentes. Uma parte deles desistiu da profissão, mas há alguns que insistem em correr atrás de um sonho. Só assim se percebe a forma como lutaram contra a Prova que Nuno Crato, estupidamente, decidiu aplicar.

Depois de ter feito um acordo completamente imbecil com a FNE, Nuno Crato manteve a obrigatoriedade da prova para menos de 500 professores, porque os outros 13 mil que têm menos de cinco anos de serviço, não estão a trabalhar. Logo, a qualidade que Nuno Crato quer trazer à Escola Pública reduz-se a 500 dos cerca de 100 mil docentes em exercício. Há números que falam por si.

Mas, esta é a dimensão política onde, no dia 18, os professores deram uma resposta avassaladora. Há uma outra área em plena actividade: a jurídica. Depois do Tribunal do Porto, agora é a vez do Tribunal do Funchal.

Nuno Crato, és o elo mais fraco! Adeus!

O Porto foi seleccionado porque é atractivo

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Porto visto do Hotel Yeatman – Gaia. Panorâmica MS ICE (http://bit.ly/19cEvUM).

Através de uma tradução, fiquei a saber que, segundo a Câmara Municipal da minha cidade, “[o] facto de o Porto voltar a ser seleccionado [✓] reflecte [✓] bem a sua notoriedade, atractividade [✓] e excelência enquanto destino turístico”.

Para quem gosta de fazer contas com o Acordo Ortográfico de 1990, esta frase é um excelente ponto de partida.

Há sempre a possibilidade, se a prática na Câmara Municipal do Porto for semelhante à de outras organizações, de na tradução termos de facto aquilo que se encontrava no original. Adiante.

É verdade, o facto encontra-se quer na tradução, em ortografia portuguesa europeia, quer no original, redigido na grafia aventureira de 90. Claro, é evidente. Claro, é evidente, digo eu. Hoje, no Diário da República, podemos ler “aos demais fatos constantes na candidatura” e “pelo fato de o único candidato opositor ao mesmo ter ficado excluído”.

Sim, foi há cerca de nove meses que o ILTEC nos garantiu:

O AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior“.

Qual praça, qual quê

O Porto tem uma coisa nova, arraçada de praça, dizem, e que dá para as traseiras dos prédios que foram reabilitados, e ainda bem que o foram, para que “os jovens” venham viver e procriar na baixa. “Os jovens”, sempre a puxar para a subversão, viram os preços das casas e fugiram antes para as ruas velhas, com prédios em ruínas, mas com rendas que lhes permitem manter luxos como três refeições por dia. Ficou a coisa arraçada de praça lindamente decorada para o Natal, com luzinhas, toda fechadinha sobre si mesma como uma couve-penca, com muitos cartazes de T0, T1 e T2 para venda, e uma arvorezinha nua, estilizada como deve ser uma árvore chique. Às janelas dos prédios ainda não se assoma ninguém, nenhuma mãozinha pequena a acenar cá para baixo, nenhuma velhota a despejar alpista no prato do canário, nenhuma peça de roupa no estendal (co’ horror, estendais). [Read more…]

Uma foto do Juvenil, quem a tem?

Se a internet é facilitadora de tantas maravilhas – encontros entre familiares perdidos há décadas, casamentos entre pessoas que de outro modo jamais se encontrariam, amizades a uma distância geográfica impossível – eu acredito que ela pode trazer-me o que eu tanto gostava de receber: uma fotografia da parede inexistente do café Juvenil. Pensem bem: não conhecerão alguém que possa ter uma? Já coisas mais improváveis aconteceram.

Eu explico.

Toda a gente tem a sua Casa da Mariquinhas. Regressamos a ela para descobrir que “o tempo cravou a garra na alma daquela casa” e que está tudo tão mudado que não vemos nada, nada do que ainda recordávamos. A mim, que ando a acertar contas com o meu passado, deu-me para regressar à rua da minha infância. [Read more…]

Uma vénia ao “Mandela” da acção social portuense

Enquanto a humanidade se continua a desdobrar em homenagens a Nelson Mandela, homenagens essas que já nos proporcionaram alguns momentos verdadeiramente épicos como o beijo de Graça Machel e Winnie Mandela ou o histórico aperto de mão entre os actuais líderes cubano e norte-americano, foi hoje homenageado, na Assembleia da República, um outro grande homem com uma vida dedicada a ajudar os outros.

José António Pinto (JAP) é um assistente social da envelhecida freguesia de Campanhã, onde tem desenvolvido um trabalho de proximidade e apoio às populações aparentemente sem precedentes. Digo aparentemente porque até agora ainda não consegui encontrar informação sobre o seu trabalho que vá noutro sentido mas estou certo que não terá sido por alinhamento político que a AR o distinguiu. Pelo que pude perceber pela reportagem da RTP no telejornal das 13h, JAP tem sido um exemplo de dedicação junto dos mais desfavorecidos, encontrando soluções onde só existem problemas, algo que e facilmente perceptível pelos testemunhos emocionados daqueles para quem o seu trabalho tem sido um benção, recolhidos pela RTP em zonas mais “deprimidas” desta freguesia do Porto.

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A foto do dia (National Geographic)

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A huge ocean storm, Porto, Portugal © Veselin Malinov/National Geographic

Murros no estômago

Ontem à tarde, numa mercearia de Campanhã, zona oriental do Porto, o merceeiro comentava que, nos muitos anos que ali leva, perto da escola secundária, estava habituado a ver os miúdos passarem à sua porta sempre satisfeitos quando não havia aulas. Ontem, dia de greve, passavam quase todos cabisbaixos. A cliente quis saber porquê.

– Acho que é porque a cantina está fechada.

Já ninguém disse mais nada.

O Porto das boas contas…

Quem costuma ler os meus artigos sabe que não sou socialista, não sou de esquerda nem sou apoiante do PS. Com a mesma liberdade, não posso deixar de partilhar o artigo de Fernando Gomes, antigo presidente da Câmara Municipal do Porto.

Porque se é para discutir as “contas à moda do Porto” então o melhor é conhecer toda a verdade. A verdade nua e crua dos números. Como alguns gostam de fazer. E terminar com certos “mitos”…

Consultado o Relatório de Atividades e da Conta de Gerência da CMP e dos SMAS referente a 1999, último ano da minha gestão, verifica-se que a dívida total consolidada do município era de 76 523 140 euros (apresentada em escudos e agora convertida em euros). Verificado o Relatório de Gestão de 2012, o último publicado referente à atividade da equipa que agora cessou funções, constata-se que a dívida do município atinge 111 193 330 euros. Um agravamento considerável, convenhamos. Mas se tivermos em conta a dívida total consolidada (que integra as empresas e fundações em que a CMP participa), então já se chega aos 128 831 880 euros.

De volta em volta pelo Porto 1

Dei por mim a revisitar a minha cidade a meio deste Verão, no calor de Julho e de Agosto. Tenho o privilégio de sempre ter vivido na parte ocidental do Porto, junto ao mar e ao Parque da Cidade, onde passei a fazer toda a minha vida desde há seis anos, espraiando-me também pela orla marítima, para norte e para sul, e pela fluvial, e deixei quase por completo de ir ao centro, o que acentuou esta minha necessidade de revisita.

Comecei pela “nova” baixa, mas não me fiquei por lá.

As antigas ruas do centro, velhas cinzentas e despidas de interesse, mesmo as mais comerciais que sempre tiveram vida própria, embora que só durante o horário de funcionamento do comércio ou dos serviços, ganharam vida nova. Por todo o lado florescem  bares, restaurantes, esplanadas e até uma nova praça, e milhares de turistas, aos pares ou aos magotes, cirandam por ali, dando um colorido e uma alegria que eu só vira nas cidades modernas e evoluídas. Os autocarros turísticos, descapotáveis e apinhados de gente, polvilham a cidade com o seu colorido.  [Read more…]

O jogo na Aldeia: Porto-Sporting

Não sei, não conheço e nunca me foi apresentado.

Nós, a malta da aldeia:

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Obrigado, muito obrigado pelo reconhecimento.

Sim, nós aqui somos uma aldeia. Aliás, uma espécie de aldeia do Asterix. Claro, a malta entende a vossa estranheza. Não é normal, sobretudo para quem vive numa espécie de capital do império, compreender os motivos de sermos (e gostarmos de ser) uma aldeia.
Como toda a aldeia, sabemos receber quem nos visita. Quem o faz com educação, simpatia e amizade, é tratado como um rei. Quem nos visita com tiques imperialistas, arrogância e de forma malcriada, é tratado a pontapé. Somos assim, uns orgulhosos aldeolas.
Muito senhores do nosso nariz, de antes quebrar que torcer e, sobretudo, citando um dos nossos maiores vultos, “se na nossa aldeia há muito quem troque o B por V, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão”. É a grande diferença entre nós e os meninos do cartaz.

Moreira e o Independento-Facadismo

Creio já ter superado completamente as dores naturais da minha derrota com a derrota do Dr. Menezes, em Setembro. Mas constato que Rui Moreira, uma vez eleito, se apressou a meter a independência na gaveta e a passar a imagem de um inesperado e inaudito desconforto em ter de ir à luta apenas com a prometida armadura do seu prestígio e da sua imaculabilidade.

Se ganhou a eleição, ganhou-a por causa da sua virgindade partidária.

Mas não. Mal pôde, cilindrou a agenda e prioridades da distrital do PS, a qual, num primeiro momento, obstaculizou um entendimento para a governação da Câmara do Porto e, num segundo, que é agora-ontem, implicitamente capitulou em toda a linha ao desiderato coligacionista absorvente e à armadilha que Moreira, o aflito, preparou para sua própria salvação: lançar uma OPA à segunda força mais votada, um partido. Sequestrá-lo para a órbita da independência ou, o mais certo, dar uma facada independente à própria independência.

Os dados estão, pois, lançados. O que é que resulta para o Porto desse acordo? Qual o animal programático hybrido resultante para o Governo da Cidade? Com que é que ficamos em matéria de liderança fática e efectiva? Rui Moreira, excepcional pensador da portuensealidade mas um zero político, abdica de si mesmo para se sentir sustentado e respaldado pelo político socialista Manuel Pizarro do Partido Socialista. Ponto. [Read more…]

A câmara do Porto tem vergonha de si mesma

A companhia de teatro Seiva Trupe foi despejada de madrugada.

“Independente” Ma Non Troppo

Era uma vez um “Independente” burguês, eleito com o esforço do CDS-PP, que depois foi alienar a “independência” ao PS e semear no PS concelhio a cizânia. Adentra-se assim o pensador sapiente da portuensealidade Rui Moreira no imperscrutável inescrutável mundo da política como elefante em loja de cristais.

O Dia Seguinte…

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O jornalista Miguel Carvalho fez uma reportagem sobre a cidade do Porto (Como o Porto conquistou o Mundo) para a revista Visão. Já aguardava ansioso pela dita desde julho/agosto, altura em que entrevistou Melchior Moreira (Turismo do Porto e Norte de Portugal) na esplanada do Porto Cruz e no restaurante do Hotel Carris.

 

As minhas expectativas eram, confesso, elevadas. O Porto está mesmo na moda, o Miguel Carvalho conhece bem a cidade (é um tripeiro) e basta percorrer as ruas do Porto para perceber a quantidade enorme de turistas. Gostei, gostei bastante. E fiquei a saber que me falta conhecer tanto desta minha cidade. Tanto!

 

O problema será “o dia seguinte”.

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Rui Moreira, Tango e Governabilidade

Os partidos, os partidos, e os partidos. As lições aos partidos. A moralização dos partidos. É espantoso que o dr. Rui Moreira, nesta entrevista, revele demasiada permeabilidade a uma aliança com o Partido Socialista, vendo nela uma solução natural para a câmara do Porto, o que na verdade equivale a tresdizer [tresleitura dos eleitores!] o que se disse dos partidos e das dinâmicas partidárias no poder local ao longo de toda a campanha.

Para que serviu o terror caça-hereges do dr. Lobo Xavier, o pudor eremita do dr. Pacheco Pereira e os pruridos preferencialistas do dr. Costa, tudo e todos contra a putativa perigosíssima eleição do dr. Menezes, se a eleição do dr. Rui Moreira, ao que parece, já redunda nisto, nesta forma de capitulação?! Dentre todo o tipo de alianças possíveis arquitectáveis para a governabilidade do Porto, alugar agora a barriga aflita de independente inexperiente ao PS de Pizarro para que o PS cresça, lidere, federe, no Porto, não lembrava ao careca. Na prática, quem dança o Tango com o PS, leva um pontapé no cu, não tarda, secundarizando-se naturalmente.

Depois de ter ganho a autarquia sem maioria absoluta, o independente Rui Moreira, apoiado por um certo CDS e um certo PSD enrustido, entrega afinal a sua independência, o seu projecto, as suas ideias, à caução determinante de um partido, o PS?! Se um tango não se dança sozinho, ao dr. Moreira já não importa a governabilidade proporcionada por quem votou nele, por quem confiou nele e por quem o pode apoiar nas causas e batalhas da cidade?! Será preciso chamar o António, que por acaso se chama Manuel Francisco Pizarro de Sampaio e Castro?!

Não percebo como é que os eleitores do PSD-Porto interpretarão esta rendição. Nem percebo o que os eleitores do CDS-Porto ganham com isto. Do que tenho a certeza é que o tal ethos do Porto que aparentemente rechaçou Menezes, os seus porcos assados, as suas bailarinas pimba e os seus interesses nebulosos, também não suporta fraqueza ou demasiado azar na rifa. Como será, dr. Moreira?! Se não é político, vai ter de se tornar num, quer queira quer não queira.

Portuenses Desterrados e Descartados

Não votaram, no passado dia 29, pelo menos os 9,7% da população portuense autóctone perdida para os concelhos limítrofes ao longo dos últimos dez anos. Também duvido que o reumatismo do envelhecimento portuense, cujo índice é de 189,9 face à Região Norte, pudesse exercer plenamente o seu direito, entre queixas de artrite, falta de ar, e sobretudo a maldita solidão. 9,7% de exilados mais uma escandalosa abstenção de 47,4%, mais os votos nulos 1,9%, somados aos votos em branco 2,5%, determinam uma vergonhosa e questionadora maioria de não exercentes do direito de votar, no Porto: 61,5%. Perante isto, não pode haver triunfos de pacotilha nem regozijos parolos. Humildade. Somente humildade.

É este, só pode ser este, o grande ponto de partida para Moreira cumprir bem o seu desígnio, inicialmente a contragosto, mais empurrado que voluntário, o que não tem mal nenhum se pensarmos no Mestre de Avis, o qual parece não estava lá muito pelos ajustes para assumir o fardo de liderar aquela etapa capital rumo à nossa admirável emancipação ibérica. Atiraram-no em frente e deu plena conta do recado.

Não espero outra coisa de Rui Moreira.