Memórias do Cerco do Porto

Os professores Sérgio Peixoto e Manuel Pires Ribeiro, ambos já aposentados, lançaram um livro sobre a escola secundária do Cerco do Porto, situada na zona oriental da cidade e nas imediações de um bairro social, e na qual leccionaram durante décadas. “Escola Secundária do Cerco – 1980-2007 – História e Contextualização no Sistema Educativo” é o título da obra.

Quanto aos autores… bem, podia começar por contar-vos um episódio que se passou há muito tempo, teria eu 15 ou 16 anos e naquele dia não me apetecia saber mais nada sobre absolutistas e liberais. Havia um café novo onde toda a gente parava, podíamos ir, a Cláudia tem o disco novo dos U2, pode ser que esteja lá aquele rapaz que vimos da outra vez, vá lá, toda a gente vai… No dia seguinte, entrei discretamente na aula de História, e enquanto tirava o livro da mochila vi, para meu horror, que o professor Ribeiro se aproximava.

Inventei uma história patética sobre uma indisposição no dia anterior, e ele, com a sua voz pausada, sempre tranquila, fez-me uma síntese, e só para mim, do que tinha sido visto na aula anterior. Tomei notas a toda a velocidade, sem me atrever a levantar os olhos para ele, e fiquei o resto da aula a sentir-me culpada e agradecida. Claro que nunca mais faltei à aula de História.

O professor Peixoto gostava de ler e, sobretudo, de nos ouvir ler. Acredito que ele estava convencido de que se nos deixasse ler páginas e páginas dos Maias, como fazíamos, haveríamos de ser tomados pela mesma paixão, haveríamos de sucumbir ao mesmo feitiço. Recordo-me daquelas aulas de duas horas em que eu lia em voz alta durante muito, muito tempo, ao ponto de pensar que o professor talvez tivesse adormecido. Mas quando o olhava de soslaio ele estava bem acordado, à escuta, e às vezes era como se ouvisse pela primeira vez aquilo que ensinava há décadas.

Recordo-me das suas gargalhadas naquela passagem delirante em que o Carlos Eduardo apanha o Eusebiozinho vestido de anjinho para entrar na procissão e esfrangalha o enfezadito. Ou da fúria do João da Ega quando regressa do baile em casa dos Cohen, ainda vestido de Mefistófeles, humilhado pelo marido da sua amante…. Ainda hoje é-me impossível ler essas passagens sem recordar o professor Peixoto.

Também o recordo a separar uma rixa muito feia, a meter o corpo no meio de dois adolescentes enfurecidos, e de pensar que a sua atitude, firme mas não autoritária, tinha acalmado os ânimos de imediato e era muito diferente daquilo que estávamos habituados a ver.

As minhas memórias da escola secundária não são particularmente luminosas, mas recordo estes dois homens com afecto e gratidão. Alegro-me por saber que escreveram este livro a quatro mãos e que continuam, mesmo após a aposentação, a ser pedagogos. A resgatar o mais positivo na nossa memória comum e a celebrar cada um dos miúdos que passaram por aquela escola.

Freeport,quem mente?

E agora que o almocinho entre amigos tem testemunhas de conversas e telefonemas e foi convertido num processo disciplinar? Foi o senhor magistrado que se lembrou de ser mais papista que o Papa e como tinha os amigos ali à mão vai de pressionar? Será mesmo que o senhor se lembrou de dizer aos amigos que vinha do Ministro da Justiça e este do nosso Primeiro sendo mentira? E se não vinha do senhor ministro nem do nosso Primeiro quer dizer que vai levar com um processo por abuso de confiança ? Por utilização indevida do nome dos seus companheiros de partido?(esta dos magistrados poderem ser “aparelhistas”…)E, agora, temos um processo que envolve suspeitas de exercício de pressões do senhor Primeiro Ministro, do senhor Ministro da Justiça e do senhor Presidente do Eurojust ,sobre Magistrados titulares de um processo que investiga um caso de corrupção e “no pasa nada”? (já uso o Castelhano porque faltam as palavras…) Então, pessoal, estamos todos numa boa, está tudo condizente, tudo sobre rodas? E o PGR ainda está em funções? Ninguem se demite?Ninguem é demitido? Bem, a Justiça e a Política estão como nunca.Como Deus com os Anjos! Então usou o nome do senhor Ministro da Justiça e do senhor Primeiro Ministro,falsamente, depende da confiança de ambos na Eurojust e não é demitido? Compreendo…

Partidos, S.A.

Ou… Quero os meus 12 euros

Quando se trata de defender o umbigo próprio, os partidos políticos representados na Assembleia da República são céleres. Se for para clarificar leis feitas às três pancadas, como o Código do Trabalho que entrou em vigor sem as devidas disposições regulamentares, não há urgências e há necessidade de dar tempo ao tempo, sem pressas que é para tudo ficar bem feito. Agora, se há necessidade de “corrigir interpretações formais” da lei do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais, há que agir célere. Afinal, este é um ano de três actos eleitorais.

Não bastava o nobre e sério gesto de passar a aceitar dinheiro em notas com um limite quase irrelevante, 16 deputados da nação, de todos os grupos parlamentares, aprovaram por unanimidade uma nova regra. Clarificadora, dizem. Acho bem.

Tem a ver com o destino a dar a dinheiro que sobre das campanhas. Não sei se os senhores deputados se lembraram de perguntar a Isaltino Morais, que tem já larga experiência na matéria, mas lá resolveram a dificuldade.

A lei anterior não permitia excedentes. O que sobrava, em rigor nunca sobrava, seria deduzido na subvenção do Estado. Agora não. Já pode sobrar dinheiro. E como descalçaram a bota os parlamentares eleitos para defender o bem-comum? Se as candidaturas forem independentes ou pessoais, o lucro reverte a favor do Estado. É uma forma de evitar o enriquecimento de cidadãos ou movimentos às custas da democracia. Acho bem, não fossem uns marmelos independentes passarem a ganhar umas massas às custas do trabalho de quem os apoiou. E se o excedente se verificar nos partidos? Bom, nesse caso o dinheiro fica no cofre dos partidos, claro. Que mais haveria de se fazer? Fica para as campanhas seguintes, evidentemente. Podem, pois, ter lucros, para aplicar em investimentos futuros.

Continuar a deduzir à subvenção pública, proveniente dos impostos dos parvos dos cidadãos, é que nem pensar. Afinal a democracia tem custos e se queremos viver neste sistema é melhor aceitarmos. Deve ser melhor assim. Afinal, eles são os senhores deputados e devem saber o que é melhor para nós.

O DN fez as contas por mim e explica-me que cada partido vai receber 3,15 euros por cada voto individual nas eleições legislativas. E por cada ano da legislatura. O somatório da cruzinha que eu fizer no papel vale, pois, 12,60 euros. Como por tudo isto começo a pensar em não colocar lá os pés, quero já a minha parte, os meus 12,60 euros. De imediato, se faz favor, que preciso de comprar uns rebuçados para travar esta azia.

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Não vão em cantigas, rapazes e raparigas!

 
Não vão em cantigas, rapazes e raparigas! O da esquerda é o verdadeiro, o legítimo, o único Avô Cantigas! O único em que se pode confiar, da mesma forma que todos nós podemos confiar no nosso avôzinho. Afinal, é um avôzinho do distrito de Coimbra, meu Deus!
O da direita (que por acaso era da Esquerda mas agora está na Direita) é, para citar um outro blogue, o Psicolaranja, aldrabão, amnésico ou medroso.
Ontem, em Évora, disse que se demitiria se estivesse no lugar de Lopes da Mota. Hoje, em Coimbra, vem dizer, segndo o Público, esta frase espantosa: «Não disse tal coisa e não vou dizer o que disse ontem.»
Mas afinal, disse ou não disse? Realmente, de avôzinho, no sentido de confiável, verdadeiro e honesto, Vital Moreira não tem nada. Só talvez na memória. É esquecido como todos os avôzinhos. E José Sócrates não podia ter escolhido melhor!

O meu texto nem sequer é sobre homossexualidade

Coloquei um poste na sequência da discussão entre médicos sobre o tratamento da homossexualidade. Há médicos que afirmam que têm doentes homossexuais que frequentam a sua clínica no intuito de “reorientar” a sua sexualidade! Outros médicos há que dizem que não é possível “reorientar” a sexualidade.
Comecei por um título a perguntar se a homossexualidade se cura, um tanto perplexo. Mas do que eu não tenho dúvida nenhuma é que um homossexual “de mal” com a sua orientação sexual tem todo o direito de procurar ajuda. Se não é feliz na sua condição de homossexual deve pedir ajuda. Isto é completamente pacífico! É, antes de mais, um direito de uma pessoa.
Ninguém pode negar esse direito decretando do alto da sua felicidade que a única opção que tem é continuar a ser homossexual e infeliz! Ninguém tem esse direito, mesmo que tenha que engolir que há gente que não gosta de ser homossexual. Ninguém discutiu o cerne do texto que, obviamente, só colateralmente se pode considerar sobre homossexualidade… Desde homofóbico até à ameaça de que “vou namorar com o meu gajo e amanhã respondo”, como quem diz “vou discutir isto com os bardos da homossexualidade e amanhã arraso-te!”
Só que eu posso bem com a homossexualidade dos outros, é-me indiferente se uma pessoa é ou não homossexual, podem juntar-se, casarem-se (se, como diz a lei, for com uma pessoa do sexo oposto), adoptarem crianças (se, como se exige para os heteros, forem gente de bem), terem um equilibrado quadro jurídico que defenda “os casais de facto”.
Posso com tudo menos que, à conta da sua suposta vítimização social, tirem o direito às outras pessoas de não quererem ser homossexuais! E aos médicos, o dever de os tratar o melhor que saibam e possam!
As reacções, quase sem excepção, são do mais básico possível, tentando levar a discussão para o homofóbico, o intolerante, nós é que somos modernaços… enfim, preconceitos vindos de quem tanto se queixa deles!Mas, já agora, gostava de colocar uma provocaçãozinha.E se algumas destas pessoas conseguirem “reorientar” a sua sexualidade quantos lhe seguirão o exemplo?
Quanto ao Paulo Jorge Vieira, não sei se se sente mal ou não com a sua sexualidade. Mas por via das dúvidas, se calhar seria melhor consultar um médico.

Dedicado ao Isac


ele que se diverte tanto com os gatinhos da Anne Geddes

O que eu penso deste Governo: do primeiro-ministro, dos 15 ministros e do senhor que deambula pelo Ministério da Cultura (I)

in «O Jumento»
Como já terão percebido, não nutro grande simpatia por este Governo. Aliás, não nutro simpatia nenhuma. Considero-o mesmo muito fraco, tanto o primeiro-ministro como os restantes ministros.Neste «post», farei a análise individual de cada um dos seus membros. Uma análise que não se esforça por ser objectiva nem imparcial. Afinal, do que eu gosto mesmo é de malhar no Governo.
Primeiro-Ministro, José Sócrates – Vaidoso, cínico e arrogante. Defeitos de personalidade, que só aponto por se reflectirem na sua actuação política. Mostrou ao que vinha logo no dia da tomada de posse. Num momento solene da maior importância, veio dizer que os juizes tinham demasiadas férias e que era preciso reduzi-las. Como se esse fosse o problema central do país. Mas era necessário começar a pôr a sociedade portuguesa contra os funcionários públicos. Primeiro, foram os juizes, a seguir viriam os professores. Para justificar reformas, não apelou à bondade das mesmas. Preferiu desenvolver uma «campanha negra» contra todos aqueles que se lhe opunham. Achincalhando, maltratando, desprezando e atiçando a opinião pública contra as «corporações». Sempre em nome das reformas, porque todos têm de dar a sua contribuição para resolver a grave situação do país, não se esqueceu de dizer. Só se esqueceu de englobar nesta ajuda os Bancos, que continuam a pagar muito menos impostos do que a generalidade das empresas portuguesas. Ao invés, viria no final do seu mandato em socorro de Bancos minúsculos que se dedicam à gestão de fortunas.Toda a sua política é de Direita, mas uma Direita à direita do PSD. Exemplos? O encerramento de escolas que tinham acabado de receber obras e que tinham mais de 20 alunos, sem que as escolas de destino estivessem prontas; o fecho de Maternidades e Urgências; o desejado encerramento de Tribunais; o fim das isenções fiscais para os deficientes, mesmo os que recebem pensões medianas; o Código Laboral, muito mais agressivo para os trabalhadores do que o Código de Bagão Félix; o desejado aumento do período experimental para 180 dias; a facilitação dos desempregos; a legalização dos falsos recibos verdes; a recusa do casamento entre pessoas do mesmo sexo; a obsessão pelo défice; o aumento dos impostos; as mentiras, a propósito da avaliação dos professores ou do relatório da «OCDE»; ou os tiques autoritários, bem presentes nos telefonemas para os directores de jornais, nos processos a bloggers como o professor António Balbino Caldeira e na forma como premeia, com reconduções e promoções, os bufos do regime, como se viu bem no caso do professor Charrua.É uma personalidade vazia de conteúdo, de ideologia, de sentido do dever. As prestações na Assembleia da República mostram-no. Ri-se como um perdido quando lhe falam do desemprego, das dificuldades sociais, dos pobres, da fome. Ri-se sempre. Do seu passado, não param de sair esqueletos mal guardados e mal conservados. Fez uma licenciatura manhosa ao Domingo, por fax, com quatro das cinco cadeiras leccionadas pelo mesmo professor, o mesmo que está agora a ser julgado por corrupção na Cova da Beira (e no qual ele também já foi chamado a depor); assinou projectos que não eram da sua autoria só porque os verdadeiros autores não podiam legalmente assiná-los; foi sócio fundador de uma empresa, a Sovenco, da qual não se lembra, juntamente com Armando Vara (posteriormente demitido do Governo devido às falcatruas da Fundação para a Prevenção e Segurança) e Virgílio Ferreira (posteriormente condenado a prisão por corrupção no Centro de Exames de Tábua); alterou a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo e legalizou o Freeport de Alcochete num prazo supersónico, a três dias das eleições legislativas, segundo confessou Charles Smith a um administrador da Freeport em troca de dinheiro; viu desaparecerem misteriosamente do Notário documentos da escritura da casa da sua mãe; ele próprio comprou uma luxuosa casa no Heron Castilho por metade do preço normal e denota evientes sinais exteriores de riqueza. Entretanto, depois de negar durante meses a fio a crise que se avizinhava, e depois de a aproveitar para se fazer de kalimero, deixou de governar e passou a fazer campanha eleitoral. Num aspecto, no entanto, temos de lhe dar mérito. Apesar dos problemas, não fugiu, ao contrário dos seus antecesores Guterres e Durão. Mas também, quem é que o queria?

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado – Começou como Ministro da Defesa mas teve de substituir Freitas do Amaral nos Negócios Estrangeiros. Fala poucas vezes e quase sempre mal. Disse que se demitia se se viesse a comprovar a passagem de aviões pelo espaço aéreo português em direcção a Guantanamo, mas continua no seu posto. Continua, de braço estendido, à espera que o primeiro-ministro o cumprimente.

Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos – Substituiu Campos e Cunha e uma das suas primeiras medidas foi nomear Armando Vara, um simples caixa, para a Administração da Caixa Geral de Depósitos e, depois, conseguir pô-lo no BCP, não sem antes ser promovido de novo na Caixa. Durante três anos, teve no combate ao défice a sua maior obsessão. Hoje, o défice ultrapassa os 6%. Como prémio, foi eleito o pior Ministro das Finanças da Comunidade Europeia.
Quanto ao seu antecessor, foi afastado por ser contra as grandes obras públicas.

Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira – O homem de mão do primeiro-ministro, sempre fiel e obediente. É utilizado para dar a cara sempre que é preciso. Ficou conhecido, há uns meses, por se saber que telefona aos jornalistas antes das entrevistas para saber quais serão as perguntas. Foi Mário Crespo que o disse. Quanto ao resto, ainda não se percebeu muito bem qual é a sua utilidade na governação do país.

Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira – Ocupou o cargo dque era de Luís Amado. Passagem discreta pelo Governo. Tão discreta que tive de ir ver, no «site» oficial do Governo, quem ocupava actualmente a pasta. Assistiu em silêncio a afirmações demolidoras de generais na reserva, do género «o moral das Forças Armadas está no limite do razoável» ou «o mal-estar generalizado no seio das Forças Armadas». À parte o plágio de um artigo do «Washington Post» num texto que «escreveu» no «Diário de Notícias» em 2005, não me lembro de mais nada de relevante que tenha feito.

Paulo Morais – Matosinhos Merece:

<img class="size-full wp-image-3748 aligncenter" src="http://aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2009/05/o_paulo_morais.jpg&quot; alt="o_paulo_morais" width="150" height="235"
Eu gostava de ver Paulo Morais candidato a Matosinhos.
Numa disputa entre Narciso e Guilherme, Paulo Morais seria o candidato ideal para fazer a diferença. A estrutura local do PSD não quer. Alguns notáveis do partido não o desejam. Quase ninguém acredita que possa ser um candidato com hipóteses. É o tipo de desafio que vale a pena.
Ao contrário, eu acho que Paulo Morais pode ganhar. Por ser diferente numa luta entre iguais. Para ser consequente com o discurso político que, sobretudo depois de sair do Porto, passou a ter.
Será que o PSD o deixa ser? Será que apenas Marco António o deseja ver nesse papel? Aliás, permitam-me uma referência especial ao líder da distrital do Porto: que grande surpresa vê-lo como defensor da candidatura de Paulo Morais. Demonstra visão e vontade de marcar a diferença pela positiva.
Francamente, Matosinhos merece uma candidatura de alguém como Paulo Morais. Será que o aparelho deixa? Não me parece…

O que eu penso deste Governo: do primeiro-ministro, dos 15 ministros e ainda do senhor que deambula pelo Ministério da Cultura (II)

«Ministro» da Cultura, José António Pinto Ribeiro – Quem? Hesitei em colocar aqui este nome e em classificá-lo, segundo as leis da física, como vácuo, vazio ou nada. O vácuo é um espaço não preenchido por qualquer matéria, mas pode conter campos e energia, que pode dar origem a partículas. O vazio é um espaço em que não há matéria, campos ou radiação. Mas ainda assim, contém o espaço no qual se pode vir a criar algo. O nada nada contém. É um não-lugar, porque nem sequer contém um espaço vazio onde se possa criar algo. Nada é nada. E o «Ministro» da Cultura, que só foi nomeado porque o confundiram com António José Pinto Ribeiro, esse sim ligado às questões da cultura, é nada. A sua antecessora, ao menos, sempre se ia entretendo a fazer umas guerrinhas à cidade do Porto em vésperas de eleições autárquicas. José António Pinto Ribeiro não devia, pois, estar aqui a ocupar espaço, senão seria vácuo ou vazio. E ele vácuo ou vazio não é. É nada. Mas se até o Seinfeld fez um programa sobre nada, eu também posso escrever sobre nada.
E era só.

Oh! As telenovelas! As telenovelas!

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Começou outra telenovela na TVI. Como é possível? Outra? Mas estes gajos têm uma fábrica de telenovelas?
A felicidade é mesmo uma coisa idiota. Detesto mesmo – mas mesmo – pessoas felizes na TV.
Basta ver a carinha desta actriz aqui em cima. Existirá alguma coisa com ar mais idiota? Apetece mesmo dar-lhe uma lapada.
Peço desculpa pela sinceridade, mas não me consigo conter. É como ver fotos com gatinhos e bebés da Anne Guedes. Não consigo deixar de me rir. Agora a sério. A sociedade deveria fazer um boicote às televisões. Neste momento, a televisão é uma das raízes do mal deste mundo. A televisão como existe actualmente idiotiza a sociedade e, como alguém já disse, uma sociedade culta nunca será subjugada e oprimida por muito tempo. Vou deixar de ver televisão. Porque em verdade, tudo na televisão é falso. Toda a gente na televisão é simpática e feliz. Nos anúncios então é ainda muito mais grave. Não existe um único anúncio televisivo em que as pessoas não estejam felizes. Pessoas felizes invadem os ecrãs a todo o momento. Toda a gente ri e toda a gente é incrivelmente feliz. E para isso compram coisas.
– Pessoas felizes a comprarem medicamentos para a diarreia.
– Pessoas felizes a comprarem detergentes que são sempre melhores que os anteriores.
– Pessoas felizes a comprarem carros que são sempre mais seguros e ecológicos que os anteriores.
– Pessoas felizes a comprarem águas com sabores que emagrecem e fazem corpos esbeltos.
– Pessoas felizes a comprarem apartamentos cuja dívida só será saldada pelos seus filhos.
– Pessoas felizes a comprarem cremes para ficarem impossivelmente mais jovens.
– Pessoas felizes a comprarem shampôs para ficarem mais bonitas durante 6 semanas.
– Pessoas felizes a comprarem coisas de que não precisam, mas que têm mesmo que comprar.
– Pessoas felizes a comprarem televisões cada vez maiores.
Nos intervalos de um programa idiota qualquer, a lógica é esta: se é preciso mais tempo para estar com os filhos, compra-se uma máquina de lavar. Se é preciso dinheiro basta ligar para um número de telefone e tudo está resolvido e nem sequer é preciso pagar de volta. Se é preciso ter boa saúde basta beber um iogurte “activo”. Se é preciso qualidade de vida basta comprar um ambientador. Se é preciso melhorar os serviços de saúde basta ir a hipermercados que eles oferecem ambulâncias. Se é preciso apoiar crianças abandonadas e maltratadas compra-se um relógio. Se é preciso melhor ambiente e equilíbrio ecológico basta comprar um carro. Se é preciso elevar a auto-estima compra-se um cd. Se é preciso um amigo basta comprar um telemóvel. Olha que grande treta! Se calhar deveriam ser os donos das televisões a gerir o mundo, porque toda a felicidade deste mundo, afinal, está apenas à distância do telecomando. A felicidade total para esta sociedade encontra-se à venda nos anúncios de televisão e pode-se pagar em suaves prestações. Propositadamente, ou não, a televisão está a concorrer com a política numa falsa corrida a um futuro melhor que pura e simplesmente não é possível nem existe. O consumismo idiota de todas as coisas que não precisamos está a ser alimentado por uma televisão ainda mais idiota. É um beco sem saída. A sociedade está a ser lentamente idiotizada por uma televisão que não informa e apenas existe para vender e entreter. Tentar ver o mundo de um modo realista, ver as suas falhas e corrigi-las é a principal função do ser humano. Teoricamente, a televisão poderia ser um veículo para uma visão mais realista do mundo. Mas não é.
Se o mundo estiver para acabar com o impacto de um cometa gigante, as televisões vão fazer um directo repleto de comentadores e “paineleiros” que opinam sobre tudo, acompanhados de uma miúda giraça a pedir para contribuir num peditório por telefone para angariar fundos. É a mais pura idiotice.
Quanto às telenovelas… não tenho ainda uma opinião formada.

O CHOQUE TECNOFTALMOLÓGICO

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POBRE MAGALHÃES
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.Coitado do Magalhães, esse estandarte do choque tecnológico do governo vigente. Depois de uma série de peripécias, depois de ter servido para demonstrar à saciedade as mais valias de termos um óptimo vendedor a fazer a promoção do computador (muito embora ele não seja nosso nem fabricado por nós, mas isso nem sequer é importante), e não um vendedor qualquer, tão somente o nosso Primeiro, depois dos erros encontrados, depois da demora da sua entrega ao pequenotes nas escolas, eis que surge uma nova notícia desagradável. Até parece perseguição. Vêm agora dizer-nos que o computadorzinho faz mal aos olhinhos dos nossos filhos.
Parece impossível! Que vai agora o nosso Grande Chefe Irmão dizer disto? Claro que dirá que não pode ser verdade, mas será que pode?
Para além da miopia dos nossos governantes vamos ter uma população juvenil de míopes?
Será propositado? Poder-se-á pensar que interessa que a miopia da população sirva os interesses do governo? Se formos todos míopes talvez não cheguemos a ver as tontices que se vão fazendo por aí.
Os ecrãs pequeninos, as letrinhas pequeninas, o tudo pequenino do Magalhães, pequenino à imagem do nosso governo, fará mal por obrigar a um esforço maior dos olhos. Tanto mal como os nossos governantes me fazem a mim, que de tanto olhar, à procura de alguma coisita de jeito, já nem os vejo bem, carago!

O 13 de Maio ou as patranhas da Igreja


Faz hoje 92 anos que, alegadamente, três pastorinhos viram Nossa Senhora na Cova da Iria. Ao que parece, Nossa Senhora contou três segredos aos pastorinhos.
Os crentes que me perdoem, mas sempre achei isto uma enorme patranha. Nossa Senhora em cima de uma azinheira? Ora, ora…
Pessoalmente, e ainda ontem dizia isto a um amigo, acredito mais que os pastorinhos se tenham esquecido das horas por andarem na brincadeira, como crianças que eram. E chegaram atrasados para o jantar.
E depois, claro!, para não levarem na tarraqueta, como diz o meu sogro, tiveram de inventar uma «estória». Que tinham visto Nossa Senhora! E logo Nossa Senhora! Ah, ah!
Não tinham fraca imaginação, os ganapos, não senhor…

O coninhas

Estou certa de que no sul a designação será mais suave mas creio que, pese alguma eventual grosseria, nenhum outro substantivo seria mais adequado. O coninhas é aquele homem que desbarata a sua dose de sensibilidade feminina no cultivo da intriga e da superficialidade, e se abriga das intempéries do mundo debaixo da saia da sua mulher.

O coninhas é fútil sem sensibilidade, timorato sem prudência, cortês sem empatia. No silêncio da sua mente de traços paranóicos, tece complicadas fantasias sexuais com mulheres improváveis e vive aterrorizado com a ideia de que essas fantasias possam chegar ao conhecimento da sua mulher.

Quando está entre mulheres próximas à sua – amigas, vizinhas, colegas de trabalho… – mimetiza-se. Se são donas de casa, ele fala do tempo que faz, tão húmido, que chatice, não seca nada. Se são mães, junta-se ao coro, o meu também, é um traquinas, sempre a fazer asneiras. Se são profissionais, também ele se sente desafiado por uma sociedade que obriga as mulheres – e os homens, atenção, que os homens também – à perfeição em várias frentes.

Mas se a mulher em causa está a uma prudente distância de segurança da sua, se probabilidade de alguma vez se cruzarem é remota… aí o coninhas solta-se. Fala livremente dos decotes que lhe fazem vertigens, dos perfumes estonteantes, das bocas de lábios cheios… Entra num frenesim histérico do qual só um tabefe o pode resgatar.

Um sistema nervoso frágil, mutilado pela permanente auto-censura, reage mal à livre expressão. O coninhas anseia por limites, precisa do olhar carrancudo da sua mulher ainda antes de ele se atrever a pisar o risco, precisa da segurança reconfortante das rotinas, do filme alugado à segunda à noite, do telefonema de controlo se ele se atrasa um pouco no regresso a casa, das tardes de sábado na cozinha, às voltas com o livro de receitas da Bimby.

O coninhas pretenderá que é feminista, defensor da igualdade de direitos, e haverá mulheres que o olham como o homem ideal, mas esta criatura, não se enganem, tem os dias contados. Dividido entre o desejo e o temor, espartilhado por anseios antagónicos, amordaçado pelas suas próprias mãos, presa da coscuvilhice sem freio, o coninhas é uma bomba-relógio…

Em defesa da Linha do Tua

A imprensa noticia hoje que o Ministério do Ambiente decidiu definitivamente pelo alagamento da linha ferroviária do Tua para a construção de uma Barragem. Embora construída à cota ´mínima, é um pedaço inestimável da nossa história e da nossa cultura que desaparecem. Razões mais do que suficientes para recuperar este texto, sempre actual, que já publiquei em três blogues, e o pequeno filme que fiz aquando da viagem até Mirandela.

O facto de sermos governados por um iletrado, de quem nada se espera em termos de defesa do património natural e edificado do nosso país, não dá a ninguém o direito de cruzar os braços perante o atentado criminoso que se prepara para o Vale do Tua e a sua inacreditável linha ferroviária.
Para quem não sabe, a Linha do Tua foi equiparada, pelos mais reputados engenheiros, em termos de dificuldade, às Linhas ferroviárias dos Alpes Franceses ou Suíços. Pela sua beleza e rigor técnico, merecia ser classificada como Património Nacional ou, mesmo, Património Mundial da Humanidade.
Ao invés, querem destruí-la. Para dar lugar a uma Barragem, que representará menos de 4% da produção de energia existente de norte a sul. Uma Barragem! Um monte de betão, tão do agrado dos novos engenheiros de Portugal. Os engenheirozecos que hoje mandam no país, os mesmos que fazem licenciaturas da forma que se sabe e que fazem projectos de sarjeta!
Pensarão os mais pessimistas que não adianta lutar. Nada se pode contra o betão! Nada se pode, no fim de contas, contra o dinheiro! Pois se Portugal é líder nas energias alternativas e continuamos a pagar a electricidade cada vez mais cara…
Concedo que é difícl. Lutar contra o betão e o dinheiro é difícil, mas lutar contra a ignorância é ainda mais. Mas não é impossível. Temos as gravuras de Foz Côa como exemplo, apesar de continuarem à espera de uma verdadeira política de exploração cultural e turística.
Infelizmente, quando perguntados, os senhores do poder dirão que se trata de progresso. De desenvolvimento.
Como é óbvio, os senhores do poder não sabem, porque não querem saber e porque são iletrados, que em 1886 a Linha do Tua já chegava até Mirandela e que em 1906 chegou a Bragança.
100 anos depois, a ligação a Bragança já não existe. Há muito que já não existe! 120 anos depois, querem acabar com a ligação a Mirandela, a última ligação ferroviária do Nordeste Transmontano!
O progresso é isto? O desenvolvimento é isto? Acabar com o meio de transporte mais limpo, mais eficiente e menos poluente do mundo é progresso? É desenvolvimento? Abandonar a via tradicional para fazer absurdos TGV’s num país minúsculo o que é?
Para o fim, o mais importante: as pessoas. Algo que, olhando para a realidade sócio-política do nosso país, não será grande argumento. São poucos aqueles que vivem em Trás-os-Montes, por conseguinte, são poucos aqueles que votam. Acabar com a única ligação ferroviária em toda a região não representará mais do que meia dúzia de milhares de votos, tantos quantos são aqueles que utilizam anualmente a Linha.
Milhares de pessoas, todos os anos, em aldeias isoladas, sem forma de chegar a Mirandela ou à Régua? É o progresso! É o desenvolvimento!
Infelizmente, como já se percebeu, não vale a pena contar com o bom senso dos novos engenheiros que governam Portugal. Já sabemos que o Sr. José de Sousa, o pequeno democrata de Vilar de Maçada, nunca recua. Nem ele, nem o seu Ministro Jamais, nem aqueloutro Ministro que demoliu a casa onde viveu Almeida Garrett para aí construir o seu empreendimento de luxo. Para essa gente, o património vale muito pouco.
Infelizmente também, não podemos recorrer sequer a Belém, onde vive uma Múmia Petrificada que, embrenhada no seu novo papel de «cooperadora estratégica», sorri até mais não poder, calculista até à vergonha. O mesmo que, enquanto Primeiro-Ministro, começou a destruição da via férrea.
Pelo menos até ao seu segundo mandato, Portugal pode estar a «ferro e fogo», que ele continuará a passear férias em Moçambique à custa do erário público.
Resta-nos, pois, lutar. Sozinhos. Com a força da razão. Em defesa de um vale único que vai desaparecer. Em defesa de uma linha irrepetível, considerada a terceira mais bela do mundo das vias estreitas. Em defesa de Portugal. Em defesa das suas gentes que dependem do comboio.

"Sexo entre casal de cadáveres causa escândalo"

Isto a propósito do post com o título “Preservativos e sexo anal nas escolas secundárias”. Que excelente título. E que polémica. Menores de idade, sexo anal e escolas secundárias? Escândalo! No entanto, acho que este título do JN é ainda mais escandaloso.
Para surpresa minha até é mesmo verdade! Mais uma vez, o anatomista louco Gunther von Hagens está a provocar escândalo. Desta vez, expôs um casal de cadáveres plasticizados em pleno acto sexual. A “escultura anatómica” chama-se “Acto Suspenso”.
Já conheço esta personagem de ar tresloucado há alguns anos. Houve uma altura até em que pensei ir até Berlim para ver a exposição. Queria perceber por mim, in loco, se esta exposição estava errada ou correcta. Ainda não a consegui ver. Entretanto já apareceram outras exposições anatómicas do género e o celeuma esmoreceu. Não admira que a exposição original (Koerperwelten – Mundos dos Corpos) tenha que puxar dos galões e escandalizar novamente.
Pelos vistos, “políticos e dignatários eclesiásticos (o que será isto?) exigiram que o “Doutor Morte”, retire os cadáveres da mostra, considerando “indecente e imoral” colocar corpos sem vida em tal pose.” Mas se for noutra pose não-sexual, já pode!?
Os responsáveis das duas principais igrejas alemãs, a Católica e a Protestante, pediram “a proibição de mostras públicas de cadáveres, que consideram atentatória da dignidade humana, ainda para mais se for para fins lucrativos.” Daqui eu entendo que se eu quiser ver um cadáver numa posição estranha tenho de estar sozinho com ele na sala e não devo pagar nada por isso.
Curiosamente, eu já visitei a secção de anatomia patológica do Instituto Abel Salazar. O ano passado tentei novamente, mas foi-me negada a entrada. Apenas os alunos podem visitar um excelente espólio que está para ali escondido. Mas qual é o problema desta gente? Acham que vou ficar traumatizado por ver o interior do corpo humano? Por ver um rim? Um pénis? Sinceramente! Devo parecer um miúdo para esta gente!
Eu penso sempre que já se atingiu o limite. Mas aparentemente não. Nota-se que cada vez é mais difícil, mas parece haver sempre um maluquinho qualquer que consegue surpreender os restantes com “uma boa polémica”. Mais difícil ainda, é definir o que é aceitável ou inaceitável. Expor cadáveres com propósitos científicos de mostrar a anatomia é aceitável? Não? E se forem de plástico, já será? E se for para o desenvolvimento da anatomia? O que será o inaceitável? O que é isto do tabu? Para mim, o tabu é apenas falta de acessibilidade a um assunto. Por exemplo, pornografia e sexo anal. Basta mencionar estas palavras e alguém do outro lado da sala começa logo a corar. A pornografia é um tabu porque não está acessível. Se a pornografia estivesse acessível da mesma forma como uma telenovela ou um jornal gratuito não seria um tabu. Nem seria nada de especial. Seria como uma opinião qualquer. É a velha questão da bicicleta, “ficas na tua e eu fico na minha”.
Todos os dias somos confrontados com a menina meia descascada que apresenta os programas de diversão da noite, com a apresentadora toda gira e decotada, com as alusões sexuais dos anúncios na comunicação, em que para vender um sumo tem de aparecer uma boazona quase a ficar nua, ou em que uma pequena rapariga de biquini rarefeito bebe cerveja “até à última gota”,  ou em que cornflakes são misturados com morangos, natas e uma esbelta top-model pelo meio. Sexo, sexo, sexo e mais sexo. E pornografia?
O sexo é implicitamente impingindo, mas a pornografia é negada! Porquê? Porque é tabu!
Com quem é que falamos sobre pornografia? Ninguém. Mas sobre sexo falamos de certeza. Até há programas sobre sexo, com mulheres a avaliarem diferentes tipos de dildos!!
Se depois de todos estes estímulos eu quiser aceder a uma boa pornografia… fico-me pelos estímulos, porque pornografia quase só imaginando-a. “It´s all in your mind”. Apesar de parecer que está aí em todo lado, não está. A TV não emite. A TV por cabo só emite em canais codificados. Na imprensa é praticamente inexistente. Em livros nem nunca ouvi falar. Resta o bafiento video-clube com os filmes ainda nas amarelecidas “micas” de plástico dos anos 80. Mas dizem-me que os filmes agora são melhores… porque vêm com extras. É o que dizem…
Claro que depois existe a Internet, o verdadeiro cyber-mundo pornográfico. Mas dá cabo do computador todo. Vírus, worms e outras coisas exclusivas da net, invadem-nos o computador mesmo que nem se queira. Às vezes ligo o computador e ele sozinho até se inscreve em sites XXX. A Internet lá vai quebrando o velho tabu da pornografia. Este problema da (pouca) acessibilidade da pornografia e do seu respectivo tabu tem de ser comparado a um outro semelhante: o sexo anal. Como raramente se ouve/se fala/se vê/se faz, é sempre o mais proibido o mais desejado… Acessibilidade… É o que faz quebrar os tabus…
Tabus? Ainda existem tabus? Acho que não. Já nada faz eco hoje em dia. Já nada choca. Mas isso também não interessa para nada, porque estão sempre a aparecer uns tabus diferentes para apreciar.
O que me interessa é isto: quando é que se tem a oportunidade única de juntar cadáveres, sexo anal, o Albino Almeida e a Ministra da Educação em apenas 2 posts deste blog? Isto é que é polémica! Não consegui resistir.

Dia 30 voltamos a Lisboa porque:

Caros leitores,
o que a equipa da educação do sr. “Ingínheiro” fez ao presente e ao futuro da nossa escola pública é algo muito próximo de um crime contra a humanidade. O tempo vai dar razão a quem anda há anos a dizer tal coisa.
São muitos e variados os motivos, mas para abrir a explicação vou recorrer a trabalho alheio:

– Cartoon da situação em França, lá como cá:

As notas

As notas

– A Carta à ministra da Educação, um texto de Santana Castilho no Público de hoje:

Um texto de Santana Castilho publicado no Público

TGV – o que nos escondem

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A situação do país é tão má que é quase impossível que os Megaprojectos avancem. Mas como já vimos inaugurar fábricas com tecnologia de ponta que ninguém reconhece, aproveitar as ondas do mar e não haver tecnologia, controlar bancos privados que afinal têm lucros fabulosos, é melhor termos cuidado.
A questão é tão grave que há um grupo de personalidades que se estão a dirigir ao governo no intuito de o levar a reflectir sobre o assunto, revela hoje o “i”!
Entretanto, veja o que nos esconde o governo ou, como diz o autor, o que não chega a Sócrates!

A homossexualidade trata-se?

Colocar esta pergunta é mais indecoroso para alguns do que o sofrimento de pessoas que se querem tratar. Há pessoas que se sentem mal com o facto de serem, ou pensarem ser, homossexuais. Este estado é, sem dúvida nenhuma, uma doença. Ter uma doença é ter algo que impede a pessoa de se sentir bem consigo própria, de ser feliz. Estar doente não é a ausência de doença, no sentido médico do termo. Por isso se diz que há doentes e não doenças! Há uma média de suícidios entre os jovens homosexuais muito superior aos restantes jovens.
Perante este facto e este sofrimento, há quem defenda que não devem ser tratados nem procurarem um médico. Porquê? Porque a homossexualidade não é uma doença! Se não é uma doença (pelo menos para alguns), porque é que os jovens se suícidam? Porque não têm auto-estima, sentem um sentimento de rejeição, sentem vergonha, enfim, não são felizes.
Há por aí uma discussão entre médicos por causa deste assunto. Daniel Sampaio e a Ana Matos Pires da Jugular criticam ferozmente dois seus colegas que tratam quem os procura por se sentiram doentes. Paulo Jorge Vieira do «5 Dias» também vai no mesmo sentido.
É essa a obrigação dos médicos, tratar quem os procura. Mas o que me parece é que na opinião do Daniel Sampaio, da Ana Matos Pires e do Paulo Jorge Vieira, conta mais o preconceito de que a homossexualidade é algo de muito natural. Para muitas pessoas, não é! E tanto não é que há homossexuais que procuram os médicos para serem tratados da sua homossexualidade!

Post aberto ao 5 Dias

Caros bloggers do 5 Dias:

Dirijo-me a vós por esta via por o blog não ter endereço de email e por não estarem disponíveis os endereços de cada um dos membros.
Fui membro desse blogue durante alguns meses, em 2008 e 2009. Entrei de minha livre vontade, sem espalhafato, e saí do mesmo modo, sem dramas. Os meus textos ficaram por aí, não tendo sido posteriormente disponibilizados para colocação neste blogue onde agora me encontro porque achei que não havia necessidade. Se os quiser utilizar, sei onde ir procurar.
Decidi, há uns dias, que os meus textos, no 5 Dias, não têm o destaque merecido. Escrevi um email às pessoas que por aí estavam quando fui membro, a saber, o Nuno Ramos de Almeida, o António Figueira, o Luís Rainha e o Zé Nuno. Pedi que fossem mais realçados. Não fui atendido. A minha insistência apenas teve como resposta final o silêncio.
Venho, assim, solicitar, por esta via pouco pessoal e pouco confortável, que o façam. Espero que entendam que não autorizei, não entreguei, não cedi a ninguém, e muito menos a uma entidade chamada “5 Dias” quaisquer direitos sobre os posts que aí publiquei, sobretudo para depois estarem tão escondidos no meio de textos que não interessam a ninguém. Ninguém tem direitos sobre os mesmos a não ser eu próprio. Escrevi-os e publiquei-os eu.
Por muito que possa ser considerada uma minudência, estão a ser pouco divulgados no blogue contra a minha vontade. Retidos. Porque, neste momento não tenho direitos de administração, portanto, não lhes posso aumentar o tipo de letra eu próprio. Não posso pô-los a bold. Peço-vos que o façam. Que alguém o faça. O Nuno Ramos de Almeida recusou.
Espero que o bom-senso prevaleça. E que o que vos peço seja atendido. Eu, por mim, não vou desistir enquanto não vir este meu direito respeitado. Não vou, não. Alguém poderá dizer que é birra ou outra coisa qualquer. Não me importa.

É tudo.

Saudações blogueiras.

Ricardo Santos Pinto / r.

Actualização: Aviso desde já que, como tenho tomates e não me escondo sob as saias da mamã, vou recorrer a vias judiciais para que este meu direito seja cumprido. Corpo 18 e a bold para os meus «posts», já!

Que a alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, nos salve!

A alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, em Palmela, determinou que alunos, professores e funcionários deste estabelecimento público estão proibidos de “vestir tops com decotes pronunciados, minissaias muito curtas e calças descaídas”, revela-nos hoje o Correio da Manhã.

A alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, Natividade de Azeredo de sua graça, confirmou a aplicação das regras, aplicadas numa emenda ao regulamento interno da escola, como resultado de situações verificadas na sala de aula. Nem me seguro de imaginar o deboche que seriam as aulas daquela escola e o regabofe entre alunos, professores e demais funcionários.

Valha-nos a existência de tão casta senhora para impor o decoro, a moral e os bons costumes naquela nobre escola e naquele meio social. Fico até atormentado só de imaginar o estado de degradação moral daquelas bandas, quais Sodoma dos nossos dias.

Apesar destes sinais positivos, preocupo-me agora com o resto da comunidade não escolar. Os pais, familiares, amigos dos pais e amigos dos familiares daqueles jovens, para não falarmos dos amigos e familiares dos professores e funcionários e respectivas relações sociais terão foram de se salvar? Atendendo ao estado de decrepitude a que os frequentadores da escola chegaram, suponho que a comunidade envolvente deve estar contaminada do mesmo fervor libertino, senão como aceitar ou imaginar que tal seria possível dentro da insigne estabelecimento de ensino.

Que a alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, nos salve.

Anal, Apertado, Obstrução

Em três postes quase seguidos e no mesmo dia, os aventadores dão bem conta dos apertos do dia a dia a que estão sujeitos.
Aventar é um lugar ao vento, numa planície, sem horizontes, o contrário de apertado! Porquê esta súbita tendência para o limitado, para “estar à rasca”? Efeitos colaterais da crise?
Mas como, se ainda ontem o Porto ganhou o campeonato, e o presente era risonho e “as manhãs cantavam”? Aproximação às matérias, brilhantemente, tratadas na Jugular? Sexo, homossexuais e lésbicas? A verdade é que os meus companheiros aventadores dão índicios de caminharem para uma depressão. Assunto tambem da competência da Jugular! Ou simples
“relaxamento” após os folguedos do tetra? Treta, diria o Aniceto! Treta ou não exige análise conveniente e soluções eficazes.
Como tal, avanço já com medidas correctivas. Qualquer sugestão para se abordar estes assuntos aqui no Aventar será considerado como uma pressão inadmíssivel e, como, tal sujeito a inquérito.Se for um elemento exterior ao Aventar, será tido como um conselho mas a rejeitar de imediato. Se for de qualquer autoridade do poder Judicial, Governamental, Religiosa ou Jornalística, deve ser de imediato transmitida ao PGR. Há que aproveitar a maré! E aliviem-se!

Que Estado Palestiniano quer o Papa?

Bento XVI anda por terras sagradas, transformadas em terras violentas por homens que se dizem filhos e herdeiros das terras sagradas.O Papa quer um Estado Palestiniano independente.Pelo menos referiu-se a este assunto assim mais ou menos nestes termos.Mas para termos um Estado independente precisamos de i) um território ii)um povo iii) uma organização política.Cada uma destas características traz-nos problemas que o Papa não quiz esclarecer mas é onde residem os embróglios.O território é um só para a opção “dois estados,dois povos, um só território? É acreditar que a água e o azeite se misturam e não misturam como se sabe. Dois territórios, dois Estados , dois povos? Mas assim lá se vai “o grande Israel”! E Jerusalém? Autónomo dos dois Estados e governado por uma solução “tipo Vaticano”? Um Estado dentro de dois Estados? Ou governado por uma solução internacional,com Europeus e Americanos ? Como se vê ir à Palestina e dizer que se quer um estado Palestiniano é dizer muito pouco.Todos querem, menos os Palestinianos, sejam eles Árabes ou Judeus.De qualquer forma estou em crer que a criação de um Estado Palestiniano, com a “absolvição” dos grandes deste mundo poderia abrir caminho a uma solução negociada,mas não tenhamos dúvidas, só daqui a algumas gerações, quando o ódio estiver esquecido!

Coisas execráveis

Não sou muito antigo na blogosfera, mas isto deve ter sido das coisas mais execráveis que já li.

Será isto a famosa paciência chinesa?

wang-guiying

Wang Guiying tem 107 anos. A longa vida desta chinesa, que viu partir o imperador e chegar a revolução, tem sido vivida, imagino, de forma calma e lenta.

Nascida na província de Guizhou, filha de um mercador de sal, esse produto de grande valor humano, cresceu a ver os tios e outros homens a tratar mal e a bater nas respectivas mulheres. Talvez por isso, criou uma severa resistência ao casamento.

Após a morte do pai, mãe e irmã mais velha terem morrido, Wang mudou-se para o campo. Viveu da da pequena agricultura, como tantos milhões de outros chineses. Assim foi até aos 74 anos, quando as forças a abandonaram e se tornou impossível continuar na lavoura.

Passados todos estes anos, Wang chegou à conclusão que era tempo de perder o medo. Apostou em esquecer o longínquo passado e manifestou esperar encontrar o homem da sua vida, de preferência um centenário e bom conversador, porque o que ela pretende é conversar com alguém.

Tudo porque não quer ser um estorvo para as suas sobrinhas, já adiantadas na idade, e que têm de a apoiar de forma quase permanente desde que partiu a perna, aos 102 anos. Já lá vão cinco, contou à Reuters.

“Os meus sobrinhos e sobrinhas estão a ficar velhos e os seus filhos estão já ligados às respectivas famílias e eu estou a tornar-me um incómodo. Tenho já 107 anos e ainda não casei. O que acontecerá se não me despachar a encontrar um marido?”.

Vital Moreira, o melhor que nos podia acontecer

Foto do http://exsocialista.wordpress.com/Quanto mais os dias passam mais me convenço que o Vital Moreira foi o que de melhor podia ter acontecido ao nosso país.
Já quase nem precisa de abrir a boca para que mais um português decida não votar nele.
A forma como defende a não realização do referendo é fantástica. (via arrastão)

Obrigado camarada Moreira, sem ti teríamos que levar com o Sócrates mais uma anitos!

Primeiro-Ministro no http://exsocialista.wordpress.com/

Nos 25 anos da morte de Joaquim Agostinho


O Luis Moreira chamou a atenção, no Domingo, para os 25 anos sobre a morte de Joaquim Agostinho. Afogueado com o tetracampeonato do FC do Porto, preferi deixar para hoje a evocação do maior ciclista português de sempre.
Joaquim Agostinho nasceu a 7 de Abril de 1943 no lugar de Brejenjas, da freguesia de Silveira, concelho de Torres Vedras. O ambiente rural em que foi criado levou-o a abandonar os estudos quando ainda não completara a quarta classe, para ajudar o pai na lavoura.
Durante um ano, esteve em Moçambique a cumprir o serviço militar. Quando regressou, pegou no dinheiro que fora amealhando e foi a Torres Vedras comprar uma bicicleta. Passou então a ser a sua amiga inseparável e que utilizava para se deslocar diariamente para a Fazenda dos Cucos, onde trabalhara antes ainda de ir para o Ultramar. Demonstrando a força que tinha nas pernas, conseguia chegar sempre ao mesmo tempo da camioneta da carreira.
«Nesses tempos Agostinho deslocava-se para o trabalho utilizando uma bicicleta como meio de transporte, aliás como faziam muitos dos seus conterrâneos. Eram grandes grupos de trabalhadores da Casa Hipólito, do FAZ e de outras empresas que enchiam nas horas de ponta, por completo, as estradas que ligam Torres Vedras a destinos como Coutada, S. Pedro da Cadeira, Silveira, Povoa de Penafirme, e entre eles encontrava-se muitas vezes o nosso Joaquim Agostinho.» (Francisco Manuel Costa Fernandes, in Joaquim Agostinho: 20 Anos)
Aos vinte e cinco anos, concretizando uma aspiração que ia alimentando há algum tempo, decidiu que queria ser ciclista. Em 1967, no dia de Natal, competiu pela primeira vez a nível oficial. Foi no Circuito do Barro e a facilidade com que venceu, a grande distância de todos os adversários, demonstrou que se estava em presença de um enorme talento.
Poucos dias depois, vai prestar provas ao Sporting Clube de Portugal e é imediatamente admitido. Chamavam-lhe então o «Quim Cambalhotas», porque caía muitas vezes. Não imaginavam, nessa altura, que seria numa dessas quedas, anos mais tarde, que encontraria a morte. No entanto, a abnegação com que encarou esses primeiros tempos de «leão» ao peito levou-o à vitória, logo no ano seguinte, do Campeonato Nacional e Regional de Amadores. Já como profissional, participa na sua primeira Volta a Portugal em Bicicleta, ainda em 1968, onde fica em segundo lugar.
Em 1969, consegue a sua primeira internacionalização, através da participação no Campeonato do Mundo de Estrada, em Imola. Apesar de terminar a prova em décimo quinto lugar, essa classificação foi a melhor de sempre obtida por um ciclista português. Pouco tempo depois, vence a Volta ao Estado de S. Paulo, no Brasil, e volta a sagrar-se Campeão Nacional de Fundo. Termina a Volta a Portugal em primeiro lugar, mas é desclassificado por acusar «doping».
Entretanto, a fama de Joaquim Agostinho galgara fronteiras. Na prova mais importante do calendário mundial, o «Tour» de França, vence duas etapas (Mulhouse e Revel) e termina no oitavo lugar.
Em Portugal, já não tinha nenhum adversário à altura. Em três anos, entre 1970 e 1972, vence três Campeonatos Nacionais de Fundo e três Voltas a Portugal. O quarto lugar que obtém na Volta a França de 1972 chama ainda mais a atenção da comunidade internacional para as suas qualidades.
Em 1973, abandona o Sporting e é contratado pela Bic. Em França, vence o contra-relógio de Bordéus e termina a prova em oitavo lugar. No ano seguinte, fica em segundo na «Vuelta» à Espanha, onde só não ganha porque teve de ajudar o «chefe de fila», e em sexto no «Tour». Nos anos seguintes, a contas com problemas nos clubes que representou e com acusações de «doping», vai desiludir.
Mas em 1978, ao serviço da equipa belga Velda / Lano / Flandria, regressa em grande. Forte e pujante, em particular nas etapas de montanha e nos contra-relógios, termina a Volta a França na terceira posição, a melhor classificação que obteve. Melhor do que ele, só os míticos Bernard Hinault e Joop Zoetmelk. A euforia que então se apoderou dos emigrantes portugueses, quando subiu ao pódio para receber o prémio do terceiro posto e a medalha da cidade de Paris, ficou na história da prova.
No ano seguinte, representando a mesma equipa, Joaquim Agostinho partiu como favorito à vitória. No entanto, os primeiros dias não lhe correram bem e só a etapa dos Alpes e o último contra-relógio lhe permitiram repetir a classificação do ano anterior, o terceiro lugar. «Quando pressinto que Agostinho vai fugir, ataco eu, para ficar tranquilo», viria a dizer Eddie Merckx nesse mesmo ano.
Em 1981, desistiu. Em 1982, não participou. Em 1983, ficou em décimo primeiro lugar. Era então o mais velho do pelotão, com quarenta anos. Foi a décima terceira e última vez que correu a Volta à França. Anos mais tarde, em 2003, viria a ser considerado o vigésimo nono melhor ciclista da Volta de todos os tempos, numa classificação que tinha Eddy Merckx, Bernard Hinault e Jop Zoetmelk nos primeiros lugares. Uma das dezassete curvas da mítica etapa que termina no Alpe d’Huez foi baptizada de Curva Agostinho em sua honra. Uma curva que tem uma inclinação de 14,7% e que representa o ponto mais difícil da ascenção.
Em finais de Abril de 1984, quando preparava o regresso à Volta a Portugal, participou na Volta ao Algarve ao serviço, ainda e sempre, do Sporting. Assumiu desde cedo o comando da prova e foi com a camisola amarela que, na etapa que terminou na Quarteira, no dia 30 de Abril, caiu na recta da meta quando se atravessaram no caminho dois cães. Ainda conseguiu levantar-se e terminar a etapa, com a dignidade que sempre demonstrou, mas foi o chamado «canto do cisne».
«Agostinho decidira, enfim, deixar a vida de andarilho pela estranja. Para acabar a sua carreira no Sporting. Acabá-la-ia tragicamente. Como herói morto na batalha. Corredor de milhares e milhares de quilómetros, subiu e desceu adamastores, cruzou, vezes sem conta, planícies, obedecendo a uma mitologia sem sentido que era uma espécie do seu código deontológico na raça: cair, sufocar a dor e continuar.» (Carlos Miranda, in História de 50 Anos do Desporto Português)
Com fortes dores de cabeça, é levado para o Hospital do Algarve, onde nada é feito porque não havia neurocirurgião. Acaba por ser transportado de ambulância para Lisboa, porque não havia helicóptero disponível. Nunca como nessa altura as lacunas do Sistema Nacional de Saúde nessa deprimida zona do país se revelaram tão graves.
Nos dias seguintes, o país ficou suspenso de um desfecho que se temia tanto quanto se adivinhava. A entrada em coma prenunciou a morte, ocorrida no dia 10 de Maio. Causa do óbito: embolia pulmonar, conseqüência do inicial hematoma epidural, ou seja, sangue que se aloja entre a calota craniana e a dura-máter e que tem solução se tratada de imediato, o que não aconteceu. Foi sepultado no cemitério de Silveira, numa cerimónia que contou com a presença de milhares de pessoas.
«Vê tu, Joaquim, é capaz de aparecer quem proclame que tu caíste de camisola amarela, algo que, afinal, era capaz de lisonjear Merckx, Anquetil, mais para trás, um Bartali e um Copi… Levei o meu tempo a perceber, mas ainda compreendi em boa altura: que tu nunca quiseste deixar de ser o camponês que nasceste, que a uma camisola amarela preferias o ir para casa, uma semana que fosse, que a uma vitória nas alturas querias o amor da mulher, dos filhos, o conforto da casa, a paródia dos amigos, o João, o Leonel, que o teu mundo não era o dos «palaces» dos fins de etapa, os teus horizontes confinavam-se aos campos verdes de Torres Vedras, o teu Atlântico não era o do Brest, era o de Santa Cruz… Foi isso que compreendi e confidenciei então, a meia dúzia ou menos de pessoas amigas: nunca s
er
ias um grande campeão, contentavas-te em ser um homem feliz. O Rei podia vestir a tua camisola.» (Carlos Miranda, in «História de 50 Anos do Desporto Português)
Em sua homenagem, o Prémio Internacional de Torres Vedras passou a designar-se, em 1985, Troféu Joaquim Agostinho. Em 3 de Julho de 1988, foi inaugurado na Várzea um monumento em bronze que recorda a sua memória, da autoria do escultor Soares Branco, do arquitecto Leopoldo S. Branco e do torneiro João António. Em Silveira, onde nasceu, foi dado o seu nome a uma das avenidas mais movimentadas da freguesia e erguido um monumento em sua honra.

in «Torres Vedras: Na ESteira das Velhas Torres», Paços de Ferreira, Héstia Editores, 2006.

A ficar apertado…

O vídeo é extraordinário para demonstrar o que está na cabeça de muita gente, eu incluído. Isto está a ficar apertado. Não é difícil de perceber. No entanto, há quem ande mais interessado em pontos percentuais e o que é ou não economicamente viável. Isso é-me difícil de perceber. E não, não é uma daquelas “trips” maltusianas. Não, também não estive a ler “The limits to Growth“. Percebo simplesmente que este planeta não chega para todos e muito menos para os que ainda aí vêm. A solução? Não sei. Só agora aqui cheguei também…

Preservativos e sexo anal nas escolas secundárias

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Parece que o PS, no âmbito da Educação Sexual, se prepara, ao fim de quatro anos de Maioria Absoluta, para legislar acerca da distribuição gratuita de preservativos nas escolas secundárias. Não se sabe em que moldes é que está preparada essa distribuição nem qual vai ser a entidade directamente responsável em cada escola, mas a medida, só por si, já é excelente.
Como seria de esperar também, o cómico Albino Almeida, o «Pai da Nação», já se mostrou contra, dizendo que se estava a ir «longe demais». Para quem andou quatro anos «amantizado» com a Ministra da Educação, resta esperar para saber qual vai ser a sua posição definitiva. Até porque a Senhora Ministra disse, em 2006, que preservativos nas escolas só com o acordo dos pais.
Todas as medidas que sirvam para combater as gravidezes indesejadas na adolescência são bem-vindas. Portugal é um dos países em que o flagelo é mais grave, e com este tipo de gente, percebe-se bem por quê.
O que se espera é que esta medida vá em frente e que outras se lhe sigam. Sempre com o objectivo de evitar que crianças com o futuro pela frente tenham um travão à felicidade e deixem de ser crianças antes do tempo.
Neste sentido, o sexo anal também devia ser estimulado nas escolas secundárias. Com duas vantagens: é 100% natural e, à parte as distensões musculares, não tem custos para o Estado.

De novo a Casa Pia

Foi há muitos anos. Foi durante anos e anos. Centenas, milhares de crianças ao cuidado do Estado foram violadas durante décadas por gente sem escrúpulos. Gente rica, gente bem da sociedade lisboeta.
Adivinha-se para breve uma decisão judicial. O ex-Procurador Geral da República já disse que só o Bibi seria condenado. Que os outros, claro, nunca violaram ninguém. Tiveram o seu banho de realidade, provaram do mesmo balde higiénico que o comum delinquente, mas, no final, ainda receberão indemnizações do Estado.
E tudo está como dantes na Casa Pia. A nossa comentadora Maria Monteiro alertou-nos para a notícia que se segue:

«Pois é… para alguns a ‘crise’ não é perder tudo é simplesmente ganhar milhões.
E mais um caso eternamente mal explicado: Casa Pia
Foi notícia no DN -> Criança abusada retirada à Casa Pia

Directora do colégio foi afastada. Meninos voltaram a viver com a mãe.
Duas crianças de 8 e 10 anos que estavam a cargo da Casa Pia foram retirada à instituição e colocadas à guarda da mãe depois de se confirmar que o mais velho sofreu vários abusos sexuais por um colega de 14 anos. Em causa, está o facto de a Casa Pia não ter comunicado a situação à mãe das crianças nem à Comissão de Protecção de Menores que acompanha o caso.
Foi a mãe que alertou a Comissão depois de o filho de 10 anos lhe ter contado o que se estava a passar, durante um dos fins-de-semana que passava com a família. O comportamento do agressor já tinha sido comunicado ao tribunal e a nível interno já tinham sido tomadas medidas para manter os rapazes separados, mas nada tinha sido dito a respeito da vítima, admite a provedora da Casa Pia, Joaquina Madeira.
A responsável considera “um erro lamentável e incomprensível” que os pais e as autoridades não tenham sido avisadas, mas diz que não houve intenção de esconder o caso. “Esta situação só penaliza a instituição. Há procedimentos que estão na lei e que não foram cumpridos. Isto é muito grave e por isso tomámos medidas”, assegura – foi aberto processo de inquérito que levou ao despedimento da directora de Sta. Clara, Fátima Consciência.
Os dois menores voltaram já a viver com mãe, depois de dois anos institucionalizados. Tanto a vítima como o agressor estão a ter acompanhamento psicológico.»

Buracos (do governo) e poços (do povo)

Uma avisada lei manda que todos os poços, buracos e carreiros sejam declarados, com enormes multas e coimas se não o fizerem. As pobres pessoas nos seus quintais e quintas não fazem ideia nenhuma de tal disposição e a maioria nem ler sabe, como mostrou recente programa televiso, que os colocou perante a boa nova.
E pergunto eu: os buracos do governo tambem estão abrangidos?