Nada de novo na República das bananas

Deputados do PSD/Madeira propõem extinção do Tribunal Constitucional

E a piada do dia vai para…

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal e potencial substituto de RAP na Mixórdia de Temáticas!

Uruguai chama Cesar Millan

Uruguai chama Cesar Millan para resolver problema de Luis Suárez.

Conversas em Família, reeditadas

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Ouvi Carlos Magno no Contraditório da Antena 1, anos a fio, bater nos jornalistas, sobre a falta de qualidade do trabalho deles e sobre a forma como pegavam nos temas, seguindo agendas partidárias, em vez de se orientarem por critérios jornalísticos.

Agora acha que um canal televisivo de propaganda estará dentro do espírito da lei. Ou seja,  que mostrar “obra feita” cabe em “organização de serviços de natureza doutrinária, institucional ou científica”. Arons de Carvalho, outro socialista, concorda, e nem o deve espantar, face à gigantesca máquina de propaganda que foi o anterior governo.

Estou entusiasmado. Já imagino um programa doutrinário baseado na personagem do Squealer, o porco de Animal Farm que, às escondidas,  emendava os mandamentos acordados, conforme lhe desse jeito. Para a componente institucional, nada como um frente-a-frente semanal intitulado “Ja, liebe Merkel”. E a parte científica poderá resumir-se a trazerem para o formato televisivo a actual prática de lançarem rumores na comunicação social para testarem a reacção a medidas que queiram implementar. Uma espécie de método científico, portanto. Teremos, sem dúvida, belos serões de conversas em família.

[Imagem: 1984]

postais da ria (4)

The next step of propaganda

Do PSD para o país, financiado pela clientela e pelos otários do costume.

And Justice for all

Dedicado a Isaltino Morais e a mais um episódio da justiça portuguesa que, tal como a justiça cantada por James Hetfield, continua perdida e sujeita a sucessivas violações. Money talking…

 

Ainda o erro do exame de Português de 12º

A propósito do erro no recente exame de 12º de Português, aqui ficam a sequência dos factos e algumas observações.

1 – no Grupo II, pedia-se aos alunos que classificassem o acto ilocutório presente em “Como um dia veremos.” A citação corresponde ao último período de um texto de Lídia Jorge sobre Eça de Queirós publicado na revista Camões. Na versão online, faltam os dois períodos finais: “O que não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos.”

2 – a primeira versão dos critérios de classificação do exame impunha que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta “Acto ilocutório compromissivo”. Só nesse caso, os alunos poderiam ser contemplados com o meio valor previsto, o que, parecendo ínfimo, pode ser decisivo em diversas circunstâncias.

3 – vários professores, no entanto, afirmaram que se trataria de um acto ilocutório assertivo, o que deveria obrigar, no mínimo, a aceitar as duas respostas. Os interessados em distinguir os dois actos ilocutórios poderão, facilmente, obter a informação necessária. Se estiverem interessados na fonte oficial, poderão visitar a página do dicionário terminológico, escolher o separador “Procurar” e escrever “acto ilocutório”.

4 – o IAVE (Instituto de Avaliação Educacional), num primeiro momento, negou a existência de um erro, dando instruções para que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta prevista nos critérios.

5 – as opiniões dividiram-se o suficiente para que o IAVE acabasse por reconhecer a existência de um problema, passando a permitir que ambas as respostas fossem consideradas correctas.

Passemos às observações: [Read more…]

O banqueiro

“O Banqueiro” poema de Craig-James Moncur, dito por Mike Daviot. O filme foi escrito, realizado e produzido por Craig-James Moncur. Tradução e legendagem do Helder Guerreiro.

Pode ver este filme e outros no canal do autor (33rddegreefilms).

O problema da “portugalização” da CPLP

Feliciano Barreiras Duarte, segundo o Ventos da Lusofonia, é investigador, o que é, com certeza, importante, mesmo que não se conheça a área de investigação. Feliciano Barreiras Duarte é, ainda, deputado do PSD, que é outra maneira de se ser importante tendo a possibilidade de fazer qualquer coisa. Aliás, de acordo com a biografia da página da Assembleia da República, Feliciano tem, ainda, um Doutoramento em Doutoramento (vd. imagem infra), o que é tão específico como ser investigador em geral e deputado em particular.

(Coincidência ou não, já me tinha cruzado com outro deputado do PSD licenciado em licenciatura. Fica a faltar um mestre em mestrado. Já existia um licenciado sem licenciatura.)

Em declarações à página Ventos da Lusofonia, Feliciano Barreiras Duarte não desilude: o que se espera de um investigador que é também deputado do PSD, doutorado em doutoramento, que tem vários livros em preparação e que publicou, entre outras, uma obra com o estimulante título “Apostar no Bombarral”? Espera-se, obviamente, uma série de declarações vácuo-épicas sobre qualquer assunto.

Sendo o assunto a CPLP, o investigador/deputado/doutorado profere coisas sobre a possibilidade de a dita CPLP poder “ganhar outra voz à escala mundial” e a necessidade de “aprofundar o lado político e linguístico, mas acima de tudo, em simultâneo e com muita pressa, também o lado económico e cultural”. É preciso não esquecer que Feliciano Barreiras Duarte é do PSD e membro da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o que implica ter de elogiar sempre a CPLP. [Read more…]

postais da ria (3)

Crónica do Mundial [Portugal/USA]

mundial_futebol_brasil_portugal_USA_22_junho_2014

Domingo 22 de Junho de 2014 não ponho o lenço de ir à guerra. Lá fora na rua passam grupos de rapazes com packs de cervejas na mão, a atmosfera exala a esperança nacional, às onze retoma a guerra. Um pouco antes das 23h00 abro a página da RTP para ver o jogo Portugal/Estados Unidos em streaming. Minutos depois de começar a partida a página deixa de funcionar. Na zona de comentários, os portugueses espalhados pelo Mundo (entre os quais se contam os que estão no território e vêm tevê via Internet) depositam insultos e pragas à RTP, Portugal e a RTP transformam-se numa e na mesma coisa – coisa improvisada que subitamente ninguém tolera, sem estratégia nem visão (nem tecnologia), de serviço público sem qualidades –, e alguns deixam endereços alternativos onde a emissão via Internet não dá o berro e se pode ver a guerra do princípio ao fim.

Assim acabo a ver o jogo num site norte-americano, com comentadores norte-americanos a dizer os nomes dos jogadores da selecção portuguesa em inglês e a dar vivas quando os norte-americanos goleiam. Tudo bem, gosto sempre de ver as coisas noutra perspectiva, reparo que respeitam Ronaldo (Christiano), e pelo menos naquele site o streaming funciona independentemente do tráfego. Funciona o streaming e funciona o jogo dos norte-americanos – nem tanto assim jogado mas o bastante para os portugueses mortiços e pouco jogadores, que têm espelhado no Brasil aquele «deixa-andar que logo se vê» que já não se aguenta, aquele «fia-te na Virgem» que «há-des» ganhar a guerra, mas pelo sim pelo não o melhor é ires buscar aquela «estátua fluorescente da Virgem Maria que [te] dá confiança e brilha à noite».

De Chaves a Faro pela EN2

de bicicleta. Um relato a ler.

Como viciar um jogo de futebol do mundial – manual de instruções

Podem-se comprar jogadores mas o mais fácil é corromper o árbitro e os seus assistentes, lê-se na reportagem resultante de uma investigação do The Telegraph e do Channel 4. Mas quem o diz é Christopher Forsythe, o facilitador do negócio, natural do Gana. Sim, essa equipa à qual só por milagre (financeiro, ao que parece) iremos ganhar por meia dúzia de golos.

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Eu pecador, não me confesso…

Paga o que deves, Passos Coelho!

moedasHá uns anos, o grupo de eternos rapazes de que eu fazia parte detinha, como qualquer grupo de eternos rapazes, um conjunto de frases constantemente repetidas conforme as circunstâncias. Como é típico dos eternos rapazes ou de qualquer grupo proprietário de private jokes, cada uma dessas frases era razão para sorrisos cúmplices (ou para gargalhadas desbragadas, se o consumo de álcool já fosse suficiente para que tudo tivesse imensa piada).

Uma das actividades favoritas desta minha irmandade era o extraordinário jogo da moedinha, essa modalidade amiga dos donos de cafés e propiciadora de humilhações rituais, coisa bastante saudável entre amigos. Tendo em conta que a derrota implicava o pagamento da despesa que estivesse em cima da mesa, havia um certa tendência para ligeiras desonestidades que, de tão evidentes, eram quase sempre descobertas ou reveladas. Era então que o pequeno criminoso proferia, com um contragosto cabotino, uma frase com tanto de ética como de gramática: “Se passasse, passasse…”

Nada disto, à distância de vários anos, me parece mal. Antes pelo contrário: a alienação momentânea e o alegre disparatar são tão necessários como o profissionalismo e competência, desde que sejam praticados em horários diferentes

Recentemente, dei por mim a pensar que o país é governado por um grupo de eternos rapazes, o que não seria grave se não se comportassem na governação como a comandita com que eu alinhava no jogo da moedinha. Na verdade, este mesmo governo anda, há três anos, a produzir diplomas inconstitucionais, pensando qualquer coisa como “Se passasse, passasse…” [Read more…]

Hossana

Após 5 anos de existência, o Aventar tem a honra de ter a Zazie entre os seus comentadores. Custou, mas foi.

Verão

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Então e os outros?

 

O que eu acho verdadeiramente estranho é andarmos todos aqui a falar das causas para a derrota de Portugal e de quem é a culpa, e do Paulo Bento que podia ter posto o William Carvalho logo desde início e convocado beltrano e cicrano e não falamos daquilo que para mim é flagrante e que também merece ver-lhe atribuída a sua quota-parte de responsabilidade . Falo evidentemente, do papel da Comunicação Social.

A comunicação social, ou seja, a miríade de comentadores e jornalistas que nos informavam a cada momento das movimentações da Selecção, conseguiram convencer-se, a si próprios e ao país, de que Portugal era de uma forma ou medida, candidato a alguma coisa. Em primeiro lugar, gerou-se a ideia de que o grupo era fácil, com excepção da Alemanha, e que Portugal facilmente passaria. Não percebo como é que se chega a esta conclusão quando em 2010, o Gana chegou aos quartos e os Estados Unidos possuíam um treinador experiente que tinha levado a cabo uma enorme revolução na equipa. Não percebo igualmente como é que conseguiram convencer as pessoas que Portugal, que não tinha ganho ao Luxemburgo, ia ganhar à Alemanha; a Alemanha cuja maioria dos jogadores fazem parte daquela que é a melhor equipa europeia. Mas mesmo assim havia muito boa gente convencida que no “mínimo era um empate”.

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A honra e a bondade

Em memória do General Silva Cardoso

Não sei de nada mais sério do que a terra a que pertencemos, no sentido literal. A terra onde abrimos os olhos para o mundo, aprendemos as plantas e os animais, o sentido do vento, a água que nela brota. Podemos andar pelo mundo, mas aquela terra está-nos gravada no coração. Por ela sofremos e lutamos. Pela terra podemos até matar em situações limite impostas por estrangeiros. E a ela voltamos quando a vida se nos acaba. [Read more…]

À Porta d’Um Congresso

congresso_ps_ermesindePartidário qualquer, este Domingo em Ermesinde, cidade da periferia norte do Porto a que se pode aceder por centenas de comboios e autocarros urbanos a partir do Porto, Douro e Minho.
Viva o estacionamento ad hoc!

É uma questão de tempo

A equipa portuguesa deixou de jogar 5 minutos depois do jogo ter começado.

Coimbra é uma lição

Manif-Reitoria

Outono de 1570: o jovem rei Sebastião viaja até Coimbra, entra numa aula, e é recebido com uma enorme pateada. De imediato mete a mão à espada mas é serenado: tratava-se de uma tradição académica de reverência a sua majestade, uma honraria rara, uma praxe, dir-se-ia tempos mais tarde, e o rei sorriu, agradeceu, e segundo um cronista voltou todos os dias repetindo-se o enxovalho.

Verão de 2014: numa comemoração os governantes são interrompidos por

um grupo de estudantes repúblicos, empunhando cartazes e interpelando e interrompendo os oradores, recorrendo a linguagem rude e até a insultos.

As “provocações” estudantis fizeram-se sentir com particular intensidade durante a intervenção do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado. Neste contexto, o orador seguinte – o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier – recusou-se a falar.

A enxovalhar governantes desde o séc. XVI, isto é que é uma tradição académica, centenária, património da Humanidade. Mai nada.

 

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Temos campeão

Final da última etapa da Volta à Suiça, terceira vitória de Rui Costa, preparando-se agora para o Tour.

É este ano, acredito, que o 3º lugar de Joaquim Agostinho em 1978 e 79 merece ser atacado, o nosso recorde mundial no ciclismo de estrada pela pedalada do agora campeão mundial.

Há desportos, populares, onde até somos campeões do mundo, o que há é menos gente a dar por isso.

Mais uma vez, os exames

Por Santana Castilho

Nuno Crato chamou ocultas às ciências da Educação. Compreende-se, por isso, que trate crianças de 9/10 anos de idade como adultos pequenos a quem, em sede de exames nacionais, pediu uma declaração escrita, por honra delas. Compreende-se que à revelia do que se faz na Europa e do que as neurociências e a psicologia do desenvolvimento descrevem como características fundamentais dessa idade as obrigue a um exame nacional, com os contornos daquele que actualmente existe.
Na semana passada, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou os resultados dos exames a que se submeteram 220 mil alunos do 4º e 6º anos de escolaridade. Aproximadamente 95.000 reprovaram em Matemática e cerca de 46.000 em Português. Para estes, desde que os pais o queiram, haverá mais três semanas de aulas extraordinárias, seguidas de novo exame. É pertinente perguntar se o expediente compensa o efeito pernicioso do aumento do número de alunos por turma, da falta de dispositivos de apoio ao longo do ano, designadamente docentes, de metas curriculares rígidas, inibidoras da acomodação das diferenças entre as crianças e de um calendário escolar inapropriado, desequilibrado relativamente à duração dos períodos lectivos e onde a antecipação do exame significa uma grande perturbação das aulas dos 5º, 7º, 8º e 9º anos.  [Read more…]

Os pensadores e os carrapatos

Está por aí a tentar fazer caminho, com a ajuda de esforçados comentadores televisivos, a ideia de que há uma geração de intelectuais de direita a “sair do armário” ou lá que raio é – a imagem não é lá grande coisa, mas é lá com eles.

Dada a consabida fragilidade dos afloramentos reflexivos de tal gente, apesar da sua promoção mediática (o deserto de ideias que são, hoje, as televisões, é propício, como outros desertos, à sobrevivência de tais espécies), resta aos mais atrevidos alegarem convictamente a sua condição de herdeiros de Edmund Burke e C.K. Chesterton. Assim, pensam eles, à sombra tutelar destes vultos, talvez os levem a sério. ‘Taditos. E infelizes de nós.

postais da ria (2)

Diferença no detalhe

No confronto entre Seguro e Costa é, hoje, consensual a constatação do vazio de propostas concretas ou de um debate conceptualmente interessante. Como era de esperar, os discursos de Costa no American Club e no Tivoli foram simples exercícios de oratória em que a ausência de ideias se escondia sob a muralha das palavras. Todavia, por ser de justiça, gostaria de relevar uma das pouquíssimas diferenças de substância entre eles: interpelado pela torpe golpaça eleitoral tentada por Seguro (redução para 180 deputados na Assembleia da República e alteração “ao conveniente” das leis eleitorais), Costa refutou e rejeitou tal proposta, garantindo que, na sua perspectiva, ela era inaceitável por ferir o principio da proporcionalidade – que considerou intocável – e consistir numa ilegítima tentativa de “ganhar na secretaria o que se perdeu nas urnas”. Mau grado a pobreza da analogia futebolística, louve-se e grave-se na pedra esta declaração de António Costa, já que aquele vai ser um caminho tentado pelos sectores mais golpistas do “bloco central”, com previsível efeito catastrófico sobre a legitimidade da representação parlamentar.

Hoje começou o Verão

A baixa temperatura que se regista só tem uma explicação: o governo cortou no calor.

O estranho caso de Élsio Menau

Forca

No país onde o Presidente da República hasteou alegremente a bandeira de pernas para o ar, um artista de street art algarvio, Élsio Menau, vai responder em tribunal por um trabalho de fim de curso que, apesar de ter recebido a classificação de 17 valores, foi considerado pelas autoridades como crime de ultraje à bandeira.

A imagem que podem ver em cima é talvez a que melhor ilustra este caso: procurando representar um país com a corda no pescoço, algo que corresponde, mais do que nunca, à realidade da esmagadora maioria da população portuguesa, Menau deu esta forma à sua ideia. Será que alguém realmente acredita que o objectivo seria o enxovalho deste símbolo da nação? Só por má fé ou pura estupidez.

A composição foi inicialmente instalada num terreno baldio, às portas de Faro, tendo sido removida 2 dias depois pelas autoridades. Estávamos em Junho de 2012. Apesar do sucedido, a obra esteve em exposição na Galeria de Arte do Convento de Santo António, em Loulé, entre Setembro e Outubro do mesmo ano. Curiosamente (ou não), Menau foi chamado a apresentar-se nas instalações da Polícia Judiciária da Quarteira apenas depois do insólito episódio do 5 de Outubro em que o senhor Aníbal hasteou  a bandeira ao contrário. [Read more…]