O lapso

Fernando Leal da Costa
Porque são os mais pobres e os mais fracos que têm de vir ao Serviço Nacional de Saúde“, disse Fernando Leal da Costa, secretário de estado adjunto do MS, deixando clara a sua perspectiva sobre o que deve ser o SNS. O cardeal Cerejeira não diria melhor.

Natureza dupla em Tavira

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Um é sempre mais
A organização da natureza é política. Resulta de um gesto político ou da sua ausência. (…) “Natureza Dupla” reúne um conjunto de imagens a que dá segunda vida no diálogo que lhes atribui no espaço da exposição.(…) Os retratos estão todos presos a histórias rarefeitas, parecidas com as fitas desarticuladas que os rios inscrevem na paisagem e que os mapas reproduzem com inadequado rigor. A segunda organização política da natureza vem do olhar que a viu assim.
Cristina Peres
Julho 2014

Hoje o dia de Filipinho Scolari começou assim

Vitor Baia
Tarde ou cedo, a mediocridade de um treinador vem ao cimo. E a hipocrisia de quem o defendeu apenas para atacar o FC Porto acompanha-a. As bandeiras podem regressar aos mastros, que é para isso que servem.

Melhor negócio, só o das armas

cortes sns

O ministro da Médis diz que a greve dos médicos é política (como se não o fossem todas) e corporativa. Ora em defesa da sua corporação, a da medicina enquanto negócio, os números são evidentes.

Trocar o direito à saúde pelos lucros fáceis da burguesia encostada ao estado foi a política deste governo. Melhor negócio só o das armas, como afirmou a primeira escolha de Passos Coelho para o ministério da Saúde. Não falamos só de canalhas, mas de canalhas homicidas. Tal como os da indústria de armamento.

Fonte: estudo de Eugénio Rosa (em pdf).

Rescaldo do Bombardeamento da Alemanha ao Brasil

Com Tatu Ventorini, ele vai dar uma rodada na barata dela.

Greve

greve dos medicos

Orgulhosamente sós

Passos recusa baixar TSU ou subir IVA apesar de proposta da OCDE

Meanwhile, in Brazil

Bandeira

Com o fim da prestação brasileira no Mundial marcada pela mais pesada derrota de sempre em jogos oficiais, antevê-se uma noite quente. Esta bandeira que o diga…

[Fotografia: Veja São Paulo]

Porreiro senhores deputados!

Durão

Há cerca de um mês atrás, na abertura do Brussels Economic Forum, Durão Barroso afirmava que os governos deviam deixar de culpar Bruxelas e começar a assumir responsabilidade pelas suas decisões: “É muito importante que quem toma decisões depois assuma as responsabilidades”, disse o homem que virou costas às suas responsabilidades governativas assim que lhe acenaram com uma abastada vida de burocrata em Bruxelas. Durão, a terceira ou quarta escolha para o cargo de Presidente da CE, não hesitou e deixou o país mergulhado numa crise política que terminou na dissolução da AR e consequente subida ao poder de José Sócrates. Se isto não é responsabilidade, não sei o que será.

Volvido um mês, ficamos ontem a saber que a maioria PSD/CDS-PP chumbou a vinda de Durão Barroso à Comissão Parlamentar de Inquérito à Aquisição de Equipamentos Militares, para responder a perguntas dos deputados sobre o caso dos submarinos. Não se percebe este bloqueio mas é possível que os deputados da maioria não se revejam nas palavras do burocrata e não pretendam vê-lo assumir responsabilidades pelas suas acções, caso hajam, algo que caberia à dita comissão apurar. Ficava-lhe bem aparecer por lá, até porque ainda há duas semanas tivemos que pagar uma multa de 3 milhões de euros resultante de ilegalidades praticadas pelo seu curto mas inesquecível governo. Mas os distintos deputados da maioria acharam melhor bloquear a iniciativa do BE, não vá esse hipotético assumir de responsabilidades colocar uns quantos em cheque. Foi porreiro pá!

7 – Luís Filipe Scolari -1

Tinha de ter uma alegria neste mundial, escusava era de vir da Alemanha.

Asneira, da grossa

Dá-se o caso de a Oi não fazer parte do clube de amigos encostados ao Estado Português e a viver dos impostos pagos por alguns portugueses. Por essa razão, a decisão da PT emprestar 900 milhões de euros ao GES, ou seja, cerca de metade dos seus activos, não passará em claro, como aconteceria se estivéssemos perante uma bpn-íce, na qual até se tornou em problema público o que era um buraco privado.

Venha ou não a dar-se o caso do GES conseguir pagar o empréstimo, e falido como está as probabilidades de não pagar são elevadas, nunca uma administração digna desta designação aprovaria este empréstimo. E o curioso é que não aprovou. Este empréstimo foi autorizado sem ir a conselho de administração. Parece que há uma coisa a que se chama de Regulador, o BdP, e outra designada CMVM, questões de formalismo que em nada impedem as negociatas, como é bem patente neste caso. Eventualmente haverá uma outra coisa a que alguns chamam de Justiça e que terminará em prescrições e sem consequências, como vem sendo hábito.

Não se tratasse de uma empresa estrangeira e já os nossos bolsos estariam a arder, como nos swaps e nas rendas eléctricas. Preocupante é que tratando-se do país que é, Portugal, e do banco que é, o do regime, espera-se o pior, que a abundante promiscuidade entre banca e política encontre forma de resolver o problema deles indo-nos ao bolso na mesma.

A bem da transparência e da democracia

PSD e CDS chumbam audição a Durão Barroso sobre o caso dos submarinos. Não vão os telhados de vidro desabar como a selecção brasileira…

O demagogo, a clientela e os subsídios

O candidato António Costa (o tal que é boy rosa mas quase ninguém lhe chama isso, isto dos boys é só para os do PSD) ), prometeu, a uma “assembleia de clientes”, que iria, caso fosse governo, criar novamente o Ministério da Cultura.
As chamadas “pessoas da cultura” (que eu não sei como se caracterizam) vão desde a actores de televisão e cinema, escritores, escultores, poetas, pintores, músicos, etc, e até de personagens como Gabriela Canavilhas (ex-Ministra da Cultura de triste memória e amiga das touradas). Vendo de relance a lista de apoiantes (há uma página no Facebook para isso), e com algumas excepções, verifica-se que temos mais uma vez a corte dos subsídios. Lembrei-me logo dos GNR, ou dos Moonspell, entre outros, que fizeram carreira, e nunca receberam qualquer subsídio do Estado.
Que a cultura deve ocupar um lugar central na nossa sociedade, estamos de acordo. Mas devemos discutir o que cabe nesse guarda-chuva chamado “Cultura” e qual deverá ser o papel do Estado e da sociedade civil nessa matéria. E depois, sim, qual deve ser o modelo político e administrativo para cumprir tal missão.
Sem isso, isto não passa de demagogia barata e de clientes a berrar por subsídios.

Enjoo

Para a TSF, comprova-se, contar uma greve não vai muito além do “transtorno” para quem não foi atendido, com historietas que roçam o ridículo, como a do utente do centro de saúde que só ia para pedir uma receita e agora “teria de ir ao privado”, como se a receita não pudesse ser pedida daqui a dois dias.
Mas a minha favorita da manhã foi mesmo a entrevista ao condutor de camionetas que nos últimos tempos só tem feito excursões de protesto. Hoje vai levar médicos do Porto a Lisboa, a semana passada foi outra classe profissional, para a semana será outra.
Pergunta do repórter: “Já deve estar enjoado de tanto protesto, não?”
O condutor não sei, mas eu estou enjoada da TSF.

Tubarão na costa

sopa_cacaoParece que pelas praias de Grândola foi avistado um tubarão. Eu se fosse ao bicho tinha cuidado, já que, por aquelas bandas, tem grandes hipóteses de acabar numa panela transformado em sopa de cação.

É que, na relatividade destas coisas, o animal é cação quando o comemos. Só é tubarão se for ele a comer-nos a nós…

O bom senso imperou

e Élsio Menau foi absolvido. Que bem empregues que estes recursos públicos foram. Haja dinheiro!

“Pelo jornalismo, pela democracia”

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A democracia faz-se com uma comunicação social livre. A liberdade constrói-se com uma comunicação social plural.“.
Concentração ontem, no Porto.

Super Tuga

super-tugaTodos, um dia, precisamos de um herói que nos salve.
Todos, um dia, precisamos de um Super Tuga.

Coisas de banqueiros

Compreendo perfeitamente que a concorrência se esmifre por herdar os clientes do BES. Se neste momento só um tolinho lá guarda o seu, consumado o assalto pelo PSD, com o banco entregue àquele amigo de Cavaco Silva, o Oliveira Costa, perdão, o Vítor Bento, só um grande tolo ali deixará depósitos (e alguns tolinhos precoces parece que já arranjaram chatices na Suiça, o que me dá um gozo tão grande como me deu o da canalha que andou nos idos de 70 a delapidar o património português e ficou sem ele, entregue a algum terrorista menos benemérito para passar a fronteira).

Mas chegados a este ponto:

Fico com o José Simões:

Um castanheiro [?] um carvalho [?] que dá laranjas [?] pêssegos [?], uma família que contra as mais elementares regras de segurança, ensinadas às crianças logo nos primeiros anos de ensino, face a uma colossal tempestade se abriga debaixo de uma árvore. O logro, a mentira, a irresponsabilidade do sistema financeiro que colocou os Estados debaixo da maior crise dos últimos 90 anos e aos cidadãos sacrifícios e privações de que já não havia memória, e que voltará a colocar, porque a árvore, passada a tormenta, torna a dar frutos, tudo explicado em 01:05 minutos num spot publicitário do BPI [Banco Português de Investimento]. Muito obrigado senhor Ulrich pela sessão de esclarecimento.

Diálogos reais

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O Simulador

simulador-narciso-mirandaAcordo e logo descubro que vale a pena acreditar no futuro de Portugal!

O Cavaco e o Carmo

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Os portugueses do presidente da república andam numa azáfama: que um prémio agora atribuído a Carlos do Carmo não vale nada, é irrelevante, não merecendo portanto cavaco presidencial.

Tenho uma falência, de pequenino, com o cantor Carlos do Carmo. Irrita, até me coço na testa com o fado canção onde se afirmou, não há anti-histamínico que me sossegue quando entra pelos ouvidos e por razões socais não posso mudar o disco. Sou insuspeito mesmo sendo de esquerda, portanto.

Mas fosse a Kátia Guerreiro a ganhar um Grammy, pequenito e latino que seja sempre é um prémio votado pela indústria, portanto o mercado, era uma festa em Belém e poupavam uma trabalheira a desvalorizar a homenagem ao artista que tem tudo de pop latina (esse pequeno nicho do castelhano, português e portunhol, coisa pouca, o segundo do planeta), não era?

Sede uns senhores, carago!

jose-gomes-ferreira
É extraordinário o ódio que despertam entre os escrevinhadores e comentadores oficiais homens que pensam, falam e agem coerentemente com as convicções que (se) constroem. A adoração pelas alforrecas morais e os invertebrados cívicos e políticos continua a ser uma toxina incurável herdada dos 48 anos malditos de infecção das consciências. E não faltam arautos bem pagos e apaparicados para manter tal doença crónica. Como eles gostavam de ter um bastonário da Ordem dos Médicos ( e de outras ordens profissionais) de cerviz caída, fazendo vénias ao poder e frequentando o clube do croquete. Como lhes era grato ter um dirigente da Fenprof calado, obediente e beijando a mão ao governo. Mas não têm nada disso. Os senhores doutores em geral e de todos os graus – veja-se bem! – portam-se mal. Parece não se importarem que os considerem “trabalhadores” (bbrrrrr…), prescindindo das fidalguias com que os tentam seduzir. E, para cúmulo, não só defendem os seus interesses como parecem preocupados com os de todos nós! Abusadores! Assumi o vosso ilustre estatuto e portai-vos como os senhores que deveríeis ser. Afinal tendes – todos! – mais habilitações académicas que os membros do governo. Se continuardes a fazer ondas, sereis execrados por todas as pessoas finas da elite – desde o Relvas à Lili Caneças! E, assim, é bem feito que continueis merecer os exorcismos comentatórios dos senhores José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, Marques Mendes e outros répteis

postais da xávega, torreira (5)

Por um Jornalismo com Pessoas Lá Dentro

despedimentos_controlinvesteA concentração é hoje, Segunda-feira, pelas 18h30.

Elogio fúnebre

Salgado recebe doutoramento Honoris Causa

É isto

Tudo está a venda, tudo é comerciável e negociável, e tudo se pode regatear, desde que seja público.

Alínea a) Com excepção da dívida pública

Alínea b) Com excepção dos contratos PPP

Alínea c) Com excepção das rendas ao sector energético

Alínea d) Com excepção do financiamento aos colégios privados com contrato de associação que, ao contrário do que previa o memorando de entendimento com a troika, viram a verba do Orçamento do Estado aumentada.
(…)
[no Der Terrorist]

Partir bibelots [Textos sobre música portuguesa II]

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Quando B Fachada apareceu, alguns tomaram-no por um rapper – falando dos que ainda não o tinham ouvido, mas apenas aos aplausos de quem já o conhecia e se limitava a dizer que as suas letras eram “bestiais”. Lá vem mais um rapper, pensaram, um rapper intelectual, deduziram esses que tomaram “as letras bestiais” do talento então emergente por coisas do hip-hop, como se apenas nessa poesia as palavras da música pudessem ter grandeza contemporânea. B Fachada, cantautor (autor, portanto, do que canta), interpreta os poemas que escreve, acompanhando-se, com desarmante singeleza e economia de meios, à guitarra ou ao piano. Canções que são sobre tudo – mas que narram sobretudo as nossas vidas humanas portuguesas: os seus vários dilemas morais, as suas mariquices e pirosadas (as suas pieguices, diria Passos Coelho), os problemas conjugais e familiares, gente que se apaixona e engravida e se separa e depois disputa entre si aqueles discos históricos do Sérgio Godinho que se podem ouvir pelos finais de tarde, as manhãs horrorosas de quem dormiu mal: a vida, em suma. Cronista do nosso mal-estar nacional, B Fachada cintila no crespúsculo do nosso passado inteiro, no limiar de uma modernidade que tarda em Portugal, na perplexidade de tudo isso.

Habilidoso investigador, não renega os seus pais espirituais (Sérgio Godinho é um deles, sem dúvida), de quem diz roubar as canções para melhor compreendê-las – e também a honestidade com que o faz e diz que faz desarma, mesmo se há quem teime em acusá-lo de ser um “assassino das canções dos outros” (!), naquela que é também uma característica nacional: encontrar sempre uma razão ilegal e/ou imoral para a recriação, como se toda ela não nascesse de pré-existências. Talvez por isso B Fachada faça questão de afirmar que não é um intérprete – e assim sabemos ao que vamos, apesar de Fachada tirar as suas canções (e as de outros) dos lugares sagrados onde costumam estar, partindo esses bibelots (mesmo se muito belos) dos nossos pais e avós, como vidro feito em fanicos destinados à transformação. Sem medo, como antigamente os portugueses de tudo e mais alguma coisa, pois B Fachada nasceu em 1984, e assim sendo as suas canções são já de uma outra “intervenção”, de uma outra História, por sinal (e ainda bem) diferente daquela da canção autoral portuguesa que só o 25 de Abril tornou livre. Diferença que não impediu a «mesmidade» do seu satírico Deus, pátria e família – para falar da trindade eterna que o cantautor disseca na sua imobilidade, empenhado em  «descastrar-nos» a todos, e malgrado os inimigos que tem feito: os que não se dispõem a ver-se no espelho de ver diminuídos (i.e., castrados) de Fachada.

Carta de demissão…

carta-de-demissao

… acompanhada de manual de empatanço.

Em roda livre

Duke Special Freewheel

O que é que se pode escrever sobre esta semana que passou, mais uma, no palácio da loucura? Que a vergonha desapareceu por completo da cara dos políticos que se apossaram de Portugal e da Europa. Na Grécia privatizam-se praias, edifícios, tudo o que possa render uns tostões que paguem o dízimo à banca. Antecâmara da nossa realidade, lá chegaremos em breve. Pelo caminho, suspira-se para a comunicação social um esquema para autarcas e governo se financiarem pelo fornecimento de escolas com menos professores do que os “necessários”.

O BES continua a afundar-se e a ameaçar levar-nos ao fundo com ele, sem que mais uma promiscuidade entre banca e governo perturbe o presidente dos artificiais consensos. Deu, no entanto, origem a uma declaração, daquelas com a voz colocada em falsete, cheia de indignação devido  aos nomes escolhidos para esse banco estarem “todos associados à actual maioria política“. Depreende-se que esse banco ter nomeado um ministro da economia já será aceitável.

Quanto  à guerra do trono, depois do truque dos cartazes, digno de uma RGA, vêm a lume, no tempo certo, os negócios feitos na (ante)câmara de acesso ao governo, com as suas contas tão pouco transparentes como as de tudo o que é Estado hoje em dia.

A parte deveras perturbadora é, novamente, se constatar que um louco pode tomar o poder e meter um país de pantanas sem ser travado. A banca nomeia políticos, os políticos nomeiam-se para a banca e, enquanto cumprem o tempo de serviço obrigatório no governo, vão fazendo leis que alimentam este binómio. A bancocracia, que com a partidocracia faz a outra face da mesma moeda, é absoluta.

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