ANDRÉ VENTURA ARRASA QUEM APOIA DITADURAS

As relações entre Portugal e a Venezuela esfriaram há alguns anos. Mas não passaram de prazo de validade.

Em 2013, depois da morte de Hugo Chávez – já habituado aos botões de rosa que Sócrates lhe fazia -, Nicolás Maduro assumiu a presidência venezuelana e logo tratou de tentar estreitar as relações entre o seu país e a Europa. Como seria de esperar, Portugal, este país tão forte na letra e tão fraco na acção, estava na linha da frente.

Numa visita à Europa, em Junho de 2013, Maduro aterrava em Portugal. Tinha à sua espera uma comitiva sedenta de negociatas para mascarar as trapalhadas dos cortes e da perda de direitos. Portugal não era novo nas andanças; as relações com o regime venezuelano vinham de trás, com gigajogas à mistura, as relações com a Rússia e com a China viam dias resplandecentes e Angola era uma maravilha para o Estado português.

Recebido pelo primeiro-ministro de então, Pedro Passos Coelho, que resumiu as relações de Portugal com a Venezuela da seguinte forma:

“Não é por de mais dizer que as relações políticas entre Portugal e a Venezuela são excelentes. A visita do Presidente Maduro, incluída na sua primeira deslocação à Europa, é demonstrativa da vontade em aprofundar a parceria existente entre os dois países, fundada numa sólida base de confiança, amizade e compreensão mútuas”, considerou Passos Coelho, numa intervenção de menos de dez minutos.” [Read more…]

Lebensraum

O cartaz mostra um mapa da “Grande Alemanha” logo antes do início da Segunda Guerra Mundial (fonte) – “Também aqui se encontra o nosso espaço vital”

Lebensraum. Venezuela já está. Colômbia, México, Canadá, Canal do Panamá e Gronelândia na mira. Lajes não é preciso. Já é americana.

O que é que justifica um estado capturar uma pessoa estrangeira e julgá-la, para além de dar palha ao gado na arena internacional (e interna)?

A sofisticada Europa do calibre da fruta não tem tomates para dizer à corja a evidência: O que vocês fizeram foi um crime e não têm o nosso apoio.

Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto

Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.

Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:

“Não tem o apoio nem o respeito do país.”

[Read more…]

Quem branqueou o regime da Venezuela?

A resposta nas imagens. Abaixo.

Pedro Passos Coelho (PSD) e Hugo Chávez.

José Sócrates (PS) e Hugo Chávez.

Paulo Portas (CDS-PP) e Hugo Chávez.

A palha já lhe enche a boca

Sem grande surpresa, André Ventura come a palha oferecida pelos americanos.

Diz ele no X, “sem o jugo de um ditador narcotraficante“. Como se este acto pirata tivesse alguma relação com drogas.

É isto que alguns portugueses querem para Primeiro-ministro dissimulado de candidato a Presidente da República?

Consumir energia americana para fazer este boneco tem o seu quê de ironia

 

Nova Ordem Mundial

Nenhuma descrição de foto disponível.

Ainda sou do tempo em que Donald Trump era diferente dos outros, garantiam milhares de trumpettes no país e no mundo.

Ia acabar com a guerra na Ucrânia da noite para o dia, até se tornar mordomo de Vladimir Putin.

Ia denunciar pedófilos e revelar os ficheiros Epstein, até perceber que o seu nome aparecia muitas vezes nos documentos sobre o maior escândalo de pedofilia da história.

Ia defender os valores cristãos até transformar o velório de Charlie Kirk no Super Bowl neofascista.

Ia drenar o pântano até perceber que podia transformar os EUA numa oligarquia onde o nepotismo e as suas amizades pessoais seriam critério de selecção. E assim foi.

Ia acabar com a corrupção, mas depois percebeu que podia lucrar com ela e optou antes por normalizar o suborno e a usar a presidência para corromper e ser corrompido.

Ia combater as elites, mas mudou de alvo e decidiu combater a sobrevivência do americano médio para dar borlas fiscais aos mais ricos entre os mais ricos.

[Read more…]

Começa 2026

Via Reddit

A mentira das drogas nunca pretendeu ser convincente. É apenas palha para encher a boca na cena internacional.

A pirataria chegou a isto. EUA e Rússia na mesma linha. Twain na mira da China. Teme-se o pior.

Isto não é Portugal

Cláudio Nunes Valente, cidadão português com autorização de residência nos EUA, que entrou no país em 2000 para estudar na prestigiada Brown University, era o principal suspeito pelo homicídio do físico e professor do MIT, Nuno Loureiro. Suicidou-se pouco antes de ser detido.

Não vim aqui em modo crónica criminal, deixo isso para os populistas profissionais da imprensa sensacionalista, mas quero falar-te sobre o outro lado deste caso escabroso. Sobre o facto de, na sequência do sucedido, Donald Trump ter mandado suspender o programa de vistos DV-1.

Agora repara: por causa de um criminoso, todas as pessoas que se candidataram e entraram nos EUA com um visto DV-1 são agora colocadas em causa. Incluindo outros portugueses, trabalhadores e honestos, sem manchas no currículo. Como se a maioria fosse culpada pelos crimes de uma pequena minoria.

Nada disto surpreende. É a extrema-direita a ser extrema-direita. A extrema-direita que generaliza de forma abusiva para criar medo e alarme, e poder apresentar-se como a solução que não é. E não é muito diferente daquilo que André Ventura, o CH e os incels da quadrilha do palerma que odeia mulheres defendem para Portugal: se um imigrante cometer um crime, sobretudo se for pobre e do subcontinente indiano, a culpa é colectiva.

A grande diferença, parece-me, é que, desta vez, quem vai pagar as favas, nos EUA, serão, também, emigrantes decentes que decidiram deixar o nosso país para procurar uma vida melhor do outro lado do oceano. Emigrantes que muita dessa gente diz defender e representar, pese embora prefira agradar ao corrupto que lidera o culto MAGA, porque o seu nacionalismo está ao nível do de um nazi latino que acredita na superioridade da raça ariana.

Outra diferença é que não há um único registo de um imigrante do subcontinente indiano que tenha assassinado um português em solo nacional. Mas Gurpreet Singh foi assassinado por dois portugueses em Setúbal. É por estas e por outras que a generalização deve ser manuseada com cautela. Nunca sabemos quando nos pode rebentar nas mãos.

Prémio Nobel da Paz da Wish 2026

Com muita pena minha, não fiquei minimamente surpreendido com o prémio da “paz” criado pela FIFA com o objectivo bajular Donald Trump e cair nas suas boas graças.

Tem sido prática recorrente. Quem deseja o favor do presidente americano sabe como obtê-lo.

Outros ofereceram-lhe estátuas douradas, aviões de 400 milhões e generosos investimentos nos muitos negócios da família Trump, agora elevados à categoria de assunto de Estado.

Em troca receberam investimentos, perdões, reduções nas tarifas e deu-se até o caso insólito de Trump permitir a construção de uma base militar do Qatar em solo americano. Sim, uma base militar do Qatar em Idaho. Desse mesmo Qatar que serviu de porto seguro à liderança do Hamas e que comprou o favor de Trump com um avião.

Bajulação, suborno, corrupção.

Waste, fraud and abuse.

[Read more…]

Escolhas

Nova Iorque já é uma cidade em ruínas, cadáver putrefacto do seu passado faustoso, cujo esplendor era cantado por Sinatra e representava o El Dorado do sonho americano. Encontra-se agora eivada de crime, agitação social e um custo absurdo e insuportável de vida.

O principal carrasco foi o ditador-governador Andrew Cuomo, o oponente de Mamdani nestas eleições – e que obliterou o lifestyle novaiorquino com a distópica repressão sanitária durante os anos da Grande Vergonha e por tal, claro está, foi aclamado como herói pelos media sadistas. O verme do irmão, Chris Cuomo – que entretanto percebeu a maré e é agora anti-woke, yo, que cool – era comentador na CNN e entrevistava o irmão com frequência, em plangentes exibições de pornografia emocional. Juntos protagonizaram um dos mais buslescos e paradigmáticos episódios do teatro de marionetes que foi o simulacro pandémico, ao encenarem um emocionante reencontro familiar com Chris a sair de uma suposta quarentena numa suposta cave – quando, na verdade, nunca cumpriram quarentena alguma, que como sabemos nunca se aplicou à nobreza, imune ao vírus que propalaram. [Read more…]

Guerra Fria 2.0

Pode ser uma imagem de mapa e a texto que diz "All data centers combined use as much power as some of the world's largest economies Electricity demand 2023; thousands of terawatt-hours China United States India Data centers (2030e) Russia EVs (2030e) Japan Brazil Korea Data centers already use usemoreelectricity more electricity than France- and demand may triple by 2030 Canada Germany Datacenters Data centers France 2 8 Sources: International Energy Agency: Organization of Petroleum Exporting Countries: and staff calculations, Note: Electricity demand data centers compares with that in ท biggest national useTS as o of 2023. EVs Electric vehides. 10 IMF"

A nova guerra fria não será uma corrida convencional ao armamento entre dois blocos, mas uma competição multipolar pelo desenvolvimento da Inteligência Artificial, que a fará evoluir para outros patamares.

Este novo paradigma levará – já está a levar – a uma procura cada vez maior por energia, que eventualmente acabará por fazer aumentar os preços exponencialmente, afectando, sobretudo, a vida das famílias e das comunidades mais frágeis e desprotegidas. Algo que já está a acontecer nos EUA.

Esta corrida poderá levar a uma situação de pânico nos mercados em torno do abastecimento de energia. Estima-se que os novos data centers que as tecnológicas estão a construir consumirão a energia de uma pequena cidade. E continuarão a multiplicar-se e a aumentar o consumo, à medida que a IA se expande. A Microsoft já comprou 20 anos de produção de uma central nuclear nos EUA. Outras parecem querer seguir o mesmo caminho. O cidadão comum não tem a mínima hipótese nesta disputa. [Read more…]

Cessar-fogo em Gaza?

Parece que há acordo para um cessar-fogo imediato em Gaza. Trump está mesmo a dar tudo pelo Nobel da Paz.

E se for esse o preço a pagar para parar o genocídio, que seja.

Não seria o primeiro execrável a vencê-lo. Se um war monger como Henry Kissinger pode ganhar um prémio dedicado à paz, qualquer incendiário é elegível.

Mas o cessar-fogo não chega.

É preciso auxiliar milhares de pessoas.
É preciso reconstruir Gaza.
É preciso acabar com a fome.
É preciso libertar todos os reféns.
E é fundamental que o cessar-fogo dure para lá dessa libertação.

Também é preciso libertar a Palestina, não apenas Gaza, mas toda a Cisjordânia ocupada por colonatos ilegais. Libertar a Palestina de colonos terroristas e de terroristas do Hamas, e de outras organizações de fundamentalistas islâmicos que por ali andam. Deixar aquelas pessoas respirar e ter uma vida minimamente normal.

Será desta?

Espero que sim.

Mas, à cautela, vou festejar moderadamente. Com estes protagonistas, convém refrear as expectativas.

Hipocrisia jornalística, diplomática e religiosa

Não deixa de ser curioso que uma mão cheia de governantes e jornalistas amestrados estejam a argumentar que por causa do Yom Kippur, feriado judaico, o enclave militar israelita não pode dar seguimento às extradições dos cidadãos raptados da Global Sumud Flotilla, quando o mesmo feriado não os impediu de ligarem os motores dos navios da marinha para violarem a lei internacional e passarem mais uma noite a fustigar Gaza com bombas. Israel a ser Israel. Um enclave confessional, onde a confissão serve apenas de pretexto para levar a cabo um genocídio.

Jimmy Kimmel esqueceu-se de Bill Maher

E isso é imperdoável.

Efectivamente, este name-dropping de Kimmel está incompleto: Stephen Colbert, Jon Stewart, Seth Meyers, Jimmy Fallon, John Oliver, Conan O’Brien, James Corden, Arsenio [Hall], Kathy [Griffin], Wanda [Sykes], Chelsea [Handler], Jay [Leno], o apresentador alemão que lhe ofereceu emprego [Stefan Raab, fyi, Jimmy], Howard Stern, David Letterman, Ben Shapiro, Clay Travis, Candace Owens, Mitch McConnell, Ryan Paul e até Ted Cruz.

Exactamente:

Até a Rolling Stone concordaria comigo.

O diplomata Ventura

Pode ser uma imagem de 3 pessoas e a o salão oval

Quando André Ventura se indigna com o momento de clarividência de Marcelo, não são preocupações com a diplomacia que o movem. Caso contrário, não se teria comportado como um perfeito anormal quando Lula da Silva esteve no Parlamento. Goste-se ou não de Lula, ele é o chefe de Estado de um importante parceiro de Portugal e a diplomacia não pode andar ao sabor de histerismos ideológicos.

Na verdade, André Ventura está apenas a defender o seu corrupto preferido, que, de facto, se comporta como activo russo. Enriqueceu em parte à custa de oligarcas russos, o que equivale a dizer à custa do Kremlin, humilhou os serviços secretos americanos para dar razão a Putin, em Helsínquia, e recebeu o ditador russo com aplausos, sorrisos e palmadinhas nas costas, há dias no Alasca, enquanto destrata permanentemente os seus aliados da NATO.

Em cima disto há a humilhação de Zelensky na Casa Branca, a postura de vários oficiais da sua administração que se recusam a assumir que a invasão russa é, de facto, uma invasão, e, soubemos estes dias, que Trump recebeu bons conselhos de Putin sobre como conduzir eleições. Porque se há autoridade na gestão eleitoral transparente e democrática, esse alguém é, seguramente, Vladimir Putin. [Read more…]

Testemunho e Coragem de Valerie Zink

Já são 245 jornalistas assassinados em Gaza. O jornalismo que não esconde o genocídio, que mostra a fome e a limpeza étnica, é tratado por Israel como um alvo a par do povo palestiniano. O mesmo acontece a todos os que, dos hospitais à logística, contrariam a barbárie em marcha. Estamos a testemunhar um dos mais vergonhosos momentos da história humana, cuja responsabilidade tem assinatura.

O testemunho e a coragem de Valerie Zink merece ser lido e divulgado.

“For the past eight years I have worked as a stringer for Reuters news agency.

[Read more…]

Tenho cá a percepção…

… de que esta notícia…

…não tem qualquer relação com esta…

…e, valha-nos deuze, muito menos com esta…

Percepções, percepções everywhere… temos o governo mais radical desde 1974… e olhem que nos aconteceu o Cavaco duas vezes. 

A língua de Rutte no orifício de Trump

Pode ser uma imagem de 7 pessoas e a texto

A imagem perfeita do novo quadro das relações internacionais: Mark Rutte, antigo primeiro-ministro holandês, agora secretário-geral da NATO, envia uma mensagem bajuladora a Trump, que responde sacando um print e publicando, sem edição, a totalidade do momento MAGA do liberal holandês.

Há quem defenda que Rutte está a ser um grande negociador, como quando, no outro dia, Costa deu a Trump uma camisola do Ronaldo, autografada pelo próprio CR7. Parecem-me coisas diferentes. Uma camisola, mesmo que autografada pelo melhor mundo, não é a mesma coisa que aquele lamber de botas até ao mais ínfimo orifício na sola. [Read more…]

Comparações erradas entre armas no Iraque e no Irão

Na cacofonia do debate sobre o desenvolvimento de armas nucleares no Irão, foi lançado o argumento que equivale a inspeção de armas de destruição em massa ao Iraque em 2003 à inspeção de desenvolvimento de urânio enriquecido ao Irão em curso. Não se equivalem.
Quem leu o livro “Desarmando o Iraque” (título francês mais explícito: “Irak, les armes introuvables“) de Hans Blix, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e diretor das inspeções no Iraque em 2003, não tem dúvidas nenhumas que o resultado das inspeções foi negativo e que a Administração W. Bush mentiu para provocar uma guerra. Para reforçar esta conclusão, Hans Blix dá o exemplo das inspeções realizadas pela AIEA em 1998 em que foram encontradas provas de uma tentativa para desenvolver armas nucleares no Iraque. Um programa então encerrado com a supervisão da Agência.
No caso do Irão, sabemos desde 2008 que o Irão está a tentar enriquecer urânio para lá dos 5% (o máximo para aplicações civis). Aliás, nos termos do Plano de Ação Conjunto Global assinado em 2015, o próprio governo iraniano admite a generalidade das conclusões sobre o desenvolvimento do seu programa nuclear. A novidade agora é que os inspetores da AIEA encontraram provas do desenvolvimento de urânio enriquecido acima dos 60%. As conclusões do último relatório (12 de Junho de 2025) são claras:

KGB e Trump influenciam políticas de defesa 38 anos depois

A 4 de Julho de 1987, Trump viajou para a União Soviética numa viagem a convite da Embaixada Russa com o objetivo de negociar a construção de um hotel em Moscovo. Trump estava à beira da falência e disposto a vender as suas convicções por qualquer negócio. A viagem foi totalmente coordenada pelo KGB, provavelmente sem que Trump se tenha apercebido. De volta aos EUA, a 2 de Setembro de 87, Trump publica uma página com um artigo de opinião a 100 mil dólares no The New York Times, no The Boston Globe e no The Washington Post. O artigo acusava os aliados da NATO, o Japão e a Arábia Saudita de se aproveitarem da generosidade e da proteção dos EUA e de não se empenharem na sua própria defesa. Yuri Shvets, ex-espião do KGB, é uma das testemunhas de como o artigo foi recebido com gáudio em Moscovo. O objetivo do KGB era aumentar as tensões entre os aliados dos EUA, provocar divisões se possível e influenciar os EUA a diminuir gastos em defesa. A viagem a Moscovo começava a dar os seus frutos, mas os acontecimentos de 1989 interromperam a estratégia do KGB. Mais tarde, Putin retomou as atividades do KGB, com o novo FSB, junto de Trump e do meio conservador americano.
38 anos depois temos a NATO a discutir questões orçamentais por influência de Donald Trump, em moldes requentados do artigo de 87 soprado pelo KGB, meses depois de Trump ter ameaçado a Gronelândia, a Dinamarca e a União Europeia…

[Read more…]

A política errática de Trump no acordo nuclear com o Irão

Em 2018, contra os compromissos assinados por Obama, Trump retirava os EUA do Plano de Ação Conjunto Global. Uma decisão que na prática matou o acordo. Era um acordo diplomático exemplar e eficiente que já estava a dar os seus frutos e que tinha a virtude de incluir a China, a França, a Alemanha, a UE, o Irão, o Reino Unido, a Rússia e os EUA.

Alinhado com o tratado de não-proliferação nuclear, o acordo previa a redução das reservas de urânio enriquecido em 98% e a redução das unidades de centrifugação de urânio. O processo estava a ser supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atómica e estava a correr melhor do que pior.

Na altura ficou claro que a decisão de Trump se enquadrou num conjunto de provocações de apoio ao regime de Netanyahu, tendo o próprio primeiro-ministro israelita declarado que apoiava totalmente a decisão de Trump. Também na altura quase todos os peritos do nuclear, da diplomacia e da política internacional alertaram que esta decisão poderia ter consequências catastróficas no futuro. É onde estamos.
O Irão está a enriquecer urânio às escondidas e Israel aplica a receita bruta para eliminar as instalações nucleares.

Andrew Roth no Guardian de hoje: “Iran would not be this close to possessing a nuclear weapon if Trump and prime minister Netanyahu had not forced America out of the nuclear agreement with Iran that had brought Europe, Russia and China together behind the United States to successfully contain Iran’s nuclear ambitions.

A Ligação Trump-Putin explicada pela France 5

Não, não são vídeos de senhoras russas a fazer chichi numa orgia com Donald Trump que estão na origem da vassalagem que Trump tem prestado a Putin, até à aparente revolta recente quando Trump declarou que Putin está louco. Esses vídeos muito provavelmente existem, mas tal como é referido nesta reportagem da France 5 por um ex-agente do KGB/FSB, a popularidade de Trump é imune a chantagens baseadas em vídeos sexuais.
São sim, dois acontecimentos convergentes ocorridos nos anos 80 que vão selar a ligação/dependência de Trump à Rússia, em particular ao KGB e depois ao FSB:
1- A decisão do KGB de infiltrar a direita americana;
2- O estado dramático dos negócios de Trump.

 

Depois de décadas a infiltrar a esquerda americana sem resultados úteis para combater o Reaganismo, o KGB decide infiltrar a direita americana para disputar o poder político e económico. O KGB pretendia comprar e controlar empresas, adquirir edifícios para operacionalizar atividades no terreno e sobretudo infiltrar organizações políticas e para-políticas para ganhar poder. O maior sucesso do KGB foi a infiltração da Heritage Foundation. Uma organização de think tanks neoconservadores super-ricos, da direita radical, que permitiram a ponte entre a Trump e os aparentes homens de negócios soviéticos que pretendiam estabelecer relações comerciais entre a URSS e os EUA. Desesperado para salvar os seus negócios, Trump deslocou-se à URSS e [Read more…]

Para que a humanidade vença, Israel tem que perder

Netanyahu anunciou, abertamente e em conferência de imprensa, a repetição da “solução final” que Hitler tentou aplicar ao povo judeu, aos ciganos e aos comunistas, desta feita contra tudo e todos os que ainda conseguem viver em Gaza. Por vontade de Israel não vai sobrar pedra sobre pedra, não se contará nenhum sobrevivente. Morrerão à fome, com sede, ou bombardeados. Israel já cometeu todo o tipo de crimes. Todos. De guerra e contra a humanidade. Não ficou nenhum horror por revisitar. Gaza é hoje o maior campo de concentração da história. Israel, o Reich do Reich, leva a cabo o holocausto do povo palestiniano desde os atos de terror que culminaram na sua fundação, no famigerado 14 de maio de 1948. Israel foi sempre terrorista. Antes e depois de ser um Estado. Dos ataques à Palestina no tempo do mandato britânico, aos ataques à Palestina desde que foi ocupada, com a conivência do mundo “democrático”. Israel tem um cadastro com mais de 77 anos de terror colonial, de limpeza étnica e de genocídio, mas ao seu lado, no banco dos réus que a história haverá de julgar, devem sentar-se todos aqueles que apagaram as luzes e deixaram tudo acontecer. No combate a Israel como no combate à Alemanha Nazi não há espaço para negociar, porque não há negociação possível entre exterminado e exterminador. Para que a humanidade vença, Israel tem que perder.

Bem jogado, Donald!

No início do ano, os Conservadores canadianos estavam cerca de 20% acima dos Liberais nas sondagens. No poder desde 2015, os Liberais estavam desgastados e arriscavam ficar, pela primeira vez, abaixo do segundo lugar, atrás do NDP.

Mais eis que entra em cena Donald Trump, com a narrativa a anexação, o discurso mais hostil da história contra o Canadá e as suas patéticas tarifas. E alguns líderes conservadores, infectados pelo vírus do populismo, alinharam no fanatismo MAGA. Entre eles o líder do partido Pierre Poilievre.

Resultado?

Gerou-se uma onda de unidade nacional anti-Trump, os Liberais inverteram a tendência, venceram a eleição e o “traidor” Poilievre não foi sequer eleito para o Parlamento.

Mais um grande feito para juntar à longa lista de acontecimentos notáveis dos primeiros 100 dias de Donald Trump na Sala Oval.

Poético.

Confrontem André Ventura com isto

Framing a Trump-Putin Meeting: A Short Guide to US-Russia Summits Past -  Atlantic Council

“Não se começa uma guerra contra alguém 20 vezes maior e depois se espera que as pessoas lhe deem mísseis”

A frase é de Trump e acompanha mais uma regurgitação populista do Fascist-in-Chief americano, que voltou a acusar Zelensky de ser o responsável pela invasão decidida por Putin.

É um novo capítulo da novela russa, que começou um concurso de misses em Moscovo, poderá ou não incluir uma filmagem de uma orgia com prostitutas e trocas de urina, seguiu para a interferência de Moscovo em favor de Trump nas eleições de 2016 e conhece agora novos episódios, marcados por beijos do Donald na zona traseira do Vladimir, a quem dá tudo sem pedir nada em troca, incluindo manter o regime russo a salvo das tresloucadas tarifas pensadas por um tipo que as justifica citando um académico que não existe, e cujo nome é um anagrama do seu. [Read more…]

O Triunfo dos Idiotas

Pode ser uma imagem de 2 pessoas e a o salão oval

A democracia foi uma ilusão necessária. Uma ferramenta de propaganda e expansionismo que permitiu aos EUA conquistar ideologicamente a Europa e vencer a Guerra Fria. O seu propósito era claro: consolidar a hegemonia mundial norte-americana. Se a democracia fosse uma prioridade, que na realidade nunca foi, Allende não teria morrido em La Moneda e o Irão poderia muito bem ser hoje um estado secular.

A ilusão da democracia foi, maquiavelicamente, um meio para atingir um fim. Na Europa, claro. No Vietname, Indonésia, Iraque e nos vários golpes de estado patrocinados na América Latina foi imperialismo puro e duro. E o imperialismo é inimigo da democracia.

Não será por isso descabido dizer que foi o soft power, não o poder militar, aquele que deu a vitória aos EUA na Guerra Fria. Foi ele que seduziu a Europa com o Plano Marshall, África com ajuda humanitária e a Ásia com comércio internacional. E que permitiu aos EUA passar incólumes na Sérvia, na Líbia e no Afeganistão. Entre outras exportações de democracia, com os magníficos resultados que se conhecem. [Read more…]

Marine Le Pen é uma criminosa. Lidem com isso

Pode ser uma imagem de 2 pessoas e a o salão oval

A condenação de Marine Le Pen deixou a nu a hipocrisia da extrema-direita, que se diz contra a corrupção e outros crimes aparentados, excepto quando os visados são os seus pares.

Aliás, basta ver quem foram os mais vocais em sua defesa: Putin, o ditador que a financiou, Orbán, o primeiro-ministro mais corrupto da Europa, Salvini, o fascista que enverga indumentária putinista, e Elon Musk, o nazi que comprou as últimas eleições americanas. A fina flor da autocracia moderna.

Le Pen desviou dinheiro comunitário para financiar actividades do seu partido. Um partido que se confunde com a própria, como se da sua pequena monarquia se tratasse. Herdou-o do pai, vai entregá-lo um dia ao ex-marido da sobrinha. Nada nepotista. Agora, deve pagar pelos seus crimes. Não está acima da lei. [Read more…]

Trump, Zelensky e Vance

MAGA is Woke

Parece que as “pessoas do mal” andaram a criar vídeos gerados por inteligência artificial para gozarem com o presidente dos presidentes da cambada incel.

No primeiro vídeo, que já gerou um clima de perseguição nos corredores administrativos, Donald Trump aparece a beijar os pés do presidente de facto (tal como o filho do Mark Robinson para pessoas brancas, o jovem XYLGBTMAGA/Twitterx2AoQuadrado, já nos tinha afiançado na semana passada) dos Estados Unidos, o oligarca Elon Musk. Outrageous! Toda a gente sabe que, caso Donald Trump tencionasse beijar alguma parte do corpo do sul-africano, não seriam os pés…

E como se não bastasse, hoje alguém invadiu a conta de Donald Trump no Instagram para publicar um vídeo onde aparecem transexuais vestidos de sultões a dançar na praia em Gaza. Para quem andou a assinar decretos para tirar transexuais do desporto… já se percebeu que os quer empregar no paraíso em Gaza (ao contrário de vocês, seus balofos rednecks, que o máximo onde poderão ir é a Las Vegas). Dizem que o invasor também se chama Donald Trump, mas eu não confio – há-de ser tudo uma teoria da conspiração. Alguém acredita que a administração que confundiu Gaza na Palestina com Gaza em Moçambique, com preservativos à mistura (já agora, repito a questão de Trump junto dos seus apoiantes: vocês sabem o que é um preservativo?) seria capaz de tal comicidade?


A juntar a toda esta promiscuidade de extrema-esquerda, um dos soldados do braço-armado do puro homem laranja, desceu um lugar no pódio dos podbros, tendo sido destronado por um podcast de… liberais. Não se faz! É uma sacanagem! E, mais do que tudo, é certamente uma teoria da conspiração! Alguma vez as pessoas mudam de opinião quando vêem que as políticas reais daquele que apoiaram e em quem votaram, quando passam da retórica à acção, lhes lixa a vida toda com F maiúsculo?! Nunca na vida! Somos todos fiéis cordeirinhos do deus-nosso-senhor.

É caso para dizer: MAGA is woke.

Antes isso que cair da janela

Trump escolheu e empossou David Lebryk como seu Secretário do Tesouro.

Durou 11 dias no cargo.

Por ser incompetente?

Não sei. Mas o percurso enquanto nº 2 do Tesouro Americano, que sobreviveu a Obama, Trump, Biden e novamente a Trump, leva-me a crer que a incompetência não terá sido a razão do seu afastamento.

Já o embate com o grupo de jovens hackers ao serviço do DOGE de Elon Musk, na vã esperança de lhes vedar o acesso à informação contida nos sistemas do Departamento do Tesouro, terminou com Lebryk a meter baixa, a que se seguiu, dias depois, o pedido de demissão. Vá lá que ainda não caem de janelas. Por agora, as exportações russas para a nação trumpista ficam-se pelo bullying a nações mais pequenas, troll farms e filosofia duginiana. [Read more…]