Sérgio Moro é corrupto?

JBSM

Fotografia via Deutsche Welle

CORRUPÇÃO

cor.rup.ção
kuʀuˈpsɐ̃w̃
nome feminino
1. DIREITO aliciamento de uma ou mais pessoas, geralmente através dão oferta de bens ou de dinheiro, para a prática de actos ilegais em benefício próprio ou de outrem; suborno
2. DIREITO prática de ato lícito, ilícito ou de omissão contrária à lei ou aos deveres de determinado cargo, por parte de alguém que, no cumprimento das suas funções, aceita receber uma vantagem indevida em troca da prestação de um serviço
3. decomposição de matéria orgânica; putrefacção
4. modificação das características originais de algo; adulteração
5. figurado degradação de costumes, de valores morais, etc.; perversão

(via Infopédia/Porto Editora)

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Humor e liberdade


A decisão anunciada pelo New York Times de pôr fim à publicação de “cartoons políticos” é provavelmente o melhor indicador do estado geral de indigência a que chegou a democracia norte-americana sob a gestão de Donald Trump.

Na origem desta atitude está a publicação, em Abril passado, de um desenho de António – porventura o artista gráfico português mais conhecido e reconhecido internacionalmente – satirizando a relação subserviente do presidente dos EUA para com o primeiro-ministro de Israel. [Read more…]

O canto da sereia russa

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Heinz-Christian Strache, líder da extrema-direita austríaca, foi apanhado com as calças na mão em Ibiza, meses antes das eleições que fizeram dele vice-chanceler do governo de Sebastian Kurz. Numa gravação feita com câmara oculta, divulgada por jornais alemães, Strache discute a troca de contratos públicos, caso fosse eleito, por apoio eleitoral, e ainda explica à sua interlocutora como contornar as leis do financiamento partidário.

Temos evasão fiscal, financiamento ilegal e corrupção, e a extrema-direita a deixar claro que é igualmente permeável aos piores vícios que corroem os partidos tradicionais, apesar de incomparavelmente mais autoritária, intolerante e perigosa. A fachosphère de Salvini, pura, casta e a lutar contra a corrupção nas horas vagas, não resiste ao canto da sereia russa. Seja a armadilha da falsa oligarca, seja o chamamento de Putin, esse grande mecenas do novo fascismo europeu.

O suplício de Assange

JULIAN ASSANGE

O Relator especial das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, afirmou que Julian Assange tem sido “deliberadamente exposto, por um período de vários anos, a formas de tratamento e punição progressivamente cruéis, desumanas e degradantes, cujos efeitos acumulados apenas podem ser descritos como “Tortura psicológica”.

A punição que Julian Assange tem sofrido ao longo de anos é uma forma grotesca de suplício e martírio. Esse suplício é o castigo, aplicado à margem de qualquer princípio do Estado de Direito, por ter ousado revelar a verdade. As Nações Unidas já deveriam ter intervindo a um outro nível da sua hierarquia.

É possível escrever a Julian Assange, que se encontra detido em Londres, enfrentando dificuldades e um sofrimento que poucos poderão sequer imaginar. É um Homem, de qualquer modo, com uma força e uma coragem verdadeiramente invulgares. O endereço é o seguinte:

Mr. Julian Assange
DOB 3/7/1971
HMP Belmarsh
Western Way
London SE28 OEB
UK

Da série “nunca me engano e raramente tenho dúvidas”

 

Sabe mais que todos sobre quase tudo e raramente tem dúvidas. É, no fundo, o ser mais genial à face da Terra. Pelo menos para o próprio.

Sim, é um auto-retrato absurdo e fantasioso, em linha com a narrativa absurda e fantasiosa que vem marcando a era Trump. Contudo, por trás deste aparente doido varrido que chegou a presidente dos estado mais poderoso do mundo, e que por lá deverá ficar mais um mandato, não está um palerma qualquer. Porque um palerma qualquer não consegue enganar milhões de americanos e não-americanos, depois de tudo o que fez e faz. [Read more…]

Trump admitiu que a Rússia o ajudou a ser eleito. E, depois, negou-o.


“I had nothing to do with Russia helping me to get elected.”

Negou-o a seguir, em declarações ao New York Times, passado uma hora.

“No, Russia did not help me get elected,” Mr. Trump told reporters as he departed the White House for Colorado Springs. “I got me elected.”

O bronco tinha estado no Twitter a bater no procurador especial que o investigou, Robert Mueller, o qual tinha ontem afirmado que a sua investigação não tinha ilibado Trump de crime algum.

Acontece, quando a boca foge para a verdade.

Putin e os eurofachos

Salvini teve uma vitória estrondosa. Marine Le Pen venceu em França, Farage no Reino Unido e Orban, do respeitável PPE, confirmou o domínio absoluto sobre a Hungria. O que une estes quatro vencedores das Europeias, dois dos quais em estados fundadores da Comunidade que deu origem à União?

Para além da preferência pelo fascismo, une-os um ideólogo, Steve Bannon, incansável durante os meses que antecederam a eleição e focado em destruir o que resta da União, e um líder, função que, em alguns casos, acumula com a de financiador. O seu nome é Vladimir Putin.

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Poderia ter sido um bom tema para a campanha eleitoral das europeias 2019

É quando o chão treme que mais importa que as fundações de uma edificação sejam sólidas e resilientes. E se o terreno da diplomacia tem sido abanando durante o reinado de Trump. Está a Europa preparada para a instabilidade americana?

Nada existe para sempre, se bem que, no curto hiato temporal da nossa existência, por vezes tal pareça ser um truísmo. E, no entanto, basta olhar para as últimas décadas para constatarmos que a mudança tem sido uma constante em diversos níveis: O trabalho tem vindo a transformar-se em colaboração; a imagem, em fotografia e em vídeo, deixou de contar como testemunho; a Internet está a um passo de se transformar em jardins murados; e a tecnologia, que poderíamos julgar de todos é, como tem ficado claro que nem água, em grande parte dos americanos.

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Agora que os votos estão contados

O International Consortium of Investigative Journalists foi a organização responsável pela investigação internacional que tomou o nome de Panama Papers.

Esta organização de jornalistas foi financiada por algumas instituições internacionais, entre as quais se encontram a Ford Foundation, a Hollywood Foreign Press Association e a conhecida Open Society Foundation, criada pelo filantropo húngaro George Soros.

A Open Society Foundation tem intensa actividade na Europa, particularmente junto das instituições da União Europeia. Leva o seu trabalho muito a sério. A prova disso é que encomendou a uma grande consultora internacional – a Kumquat – um estudo intitulado “Mapping – Reliable allies in the European Parliament (2014-2019)” com o propósito de, segundo as suas próprias palavras, “fornecer à Open Society European Policy Institute e à rede da Open Society, informações sobre os “Membros do 8º Parlamento Europeu susceptíveis de apoiar os valores da Open Society durante a legislatura 2014-2019”.

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Os resultados eleitorais das eleições europeias realizadas em Portugal a 26 de Maio de 2019

Distribuição dos votos:

PS
1.102.796 votos – 11,8%

PSD
723.209 votos – 7,7%

BE
324.143 votos – 3,4%

CDU
227.556 votos – 2,4%

CDS
204.209 votos – 2,1%

PAN
167.506 votos – 1,7%

BRANCOS E NULOS
229.643 votos – 2,4%

ABSTENÇÃO
6.044.089 – 64,6%

O Partido Socialista venceu claramente estas eleições europeias. A soma dos votos Brancos e Nulos equivale à votação da CDU. O Bloco de Esquerda teve metade dos votos do PSD e foi o terceiro partido mais votado. A brutalidade da Abstenção está profusamente explicada por todos os especialistas, sendo que nenhuma dessas explicações é verdadeira. A legitimidade formal de um acto não corresponde necessariamente à sua legitimidade social. Existem diferentes formas de ilegitimidade. Os mandatos de poder que resultam destas eleições são uma delas.

EUA contra Huawei, a batalha do monopólio

A administração norte-americana baniu a Huawei dos EUA, interditando simultaneamente as empresas norte-americanas de exportarem tecnologia para esta empresa.

Além do bloqueio no território americano, a medida tem impacto global e os efeitos sentir-se-ão em breve. A Google anunciou que as suas aplicações e serviços, tais como Gmail, Maps, YouTube e outros, não poderão ser usados em futuros modelos dos telemóveis Huawei. Idem para actualizações de segurança. A Intel também anunciou restrições às suas tecnologias. E o mesmo se passará com todas as empresas americanas que exportem bens e serviços.

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Glória ao vencedor

O Povo que o tal Comendador alegadamente gozou está em festa no Marquês. A Comissão celebra com malte e um robusto no Bairro Alto. O Infante, na Ribeira, está sujo de vermelho.

E vão três – o chimbalau na Bayer

É o terceiro caso em que um júri dos EUA pronuncia uma pesada sentença contra a Monsanto, colocando de rastos a Bayer, que há apenas uns meses a comprou por 54 mil milhões de euros.

Mais uma vez cancro, mais uma vez o herbicida Roundup e o seu funesto glifosato.

A primeira condenação em 81 milhões de dólares, a segunda em 290 milhões e agora em mais de dois mil milhões de dólares. A Bayer anunciou que irá recorrer da decisão e espera que os veredictos sejam anulados em segunda instância – o que é pouco provável; mais provável será uma redução dos valores. Seja como for, os custos dos processos são substanciais e entretanto, o seu número nos EUA disparou para 13.400, com tendência crescente. [Read more…]

Notícias do sultão do Bósforo

Claro que o sultão do Bósforo não iria conseguir suportar a ferroada que lhe provocou a vitória, em Istambul, do maior partido da oposição nas últimas eleições municipais, após 25 anos de domínio do seu Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP). “Quem ganha Istambul, ganha a Turquia”, havia ao longo dos tempos dito e repetido Recep Tayyip Erdogan, ele que, na década de 1990, também foi presidente da câmara de Istambul, a cidade onde vive um quinto da população do país.

Seguiu-se o pressionamento da comissão eleitoral, até que esta (após contagens e recontagens que não alteraram o resultado final) acabou por anular a eleição – note-se: apenas esta que não conveio ao sultão. Nas dos conselhos municipais, que ocorreram na mesma ocasião, mas lhe correram de feição, nessas já não houve irregularidades… apesar de terem sido realizadas com as mesmas pessoas e de os boletins de voto estarem todos no mesmo envelope, colocados na mesma urna. Foi assim convocada nova votação para o próximo dia 23 de Junho, altura em que muitos turcos estão de férias e não poderão votar (só se pode votar presencialmente). É uma vitória que dói fundo ao déspota, que durante a campanha eleitoral andou a fazer propaganda pelo AKP no avião presidencial; e que foi conseguida apesar de a presença do AKP nos meios de comunicação ter sido pelo menos dez vezes maior do que a dos outros partidos. [Read more…]

Marcelo tem o Tao

“É mais importante a aposta da divulgação da língua e cultura portuguesa, a aposta no mandarim e no ensino nas escolas portuguesas e intercâmbio cultural – porque tem efeito em várias gerações – do que os muito importantes acordos em matéria económica”.

Artigo completo no Hoje Macau.

A cronologia da violência bolsonariana

Encontrado no Facebook:

“Recordar é viver”, por Marcelo Reis de Melo

1) 2003: Jair Bolsonaro, no Congresso, defende milícias e grupos de extermínio;

2) 2007: Flávio Bolsonaro defende legalização das milícias;

3) 2008: Flávio Bolsonaro na ALERJ durante a votação para instauração da CPI das milícias, após dois repórteres do jornal O DIA serem barbaramente torturados por milicianos na Favela do Batan: “Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a FELICIDADE dessas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, a uma imposição hedionda por parte dos traficantes e que agora pelo menos dispõem dessa garantia, desse direito constitucional, que é a SEGURANÇA PÚBLICA. Façam consultas populares na Favela de Rio das Pedras, na própria Favela do Batan, para que haja esse contrapeso também”;

4) 2011: A juíza Patrícia Acioli é assassinada com 21 tiros no Rio por milicianos. Flávio Bolsonaro, após a morte, vai ao twitter e difama a magistrada;

5) 2015: A juíza Daniela Barbosa é agredida por milicianos durante uma inspeção no Batalhão Especial Prisional durante uma inspeção no Rio. Flávio Bolsonaro sai em defesa dos agressores;

6) 2015: Flávio Bolsonaro foi o único dos 70 deputados da ALERJ que votou contra a CPI dos Autos de Resistência, que visa apurar possíveis fraudes nas mortes perpetraras por policiais. A CPI surgiu após um vídeo mostrar PMs mexendo na cena do homicídio de um homem na favela da Providência, na Zona Norte do Rio. As imagens mostram os policiais colocando uma arma na mão de dele após ser assassinado;

7) 2015: José Padilha expõe que deixou o Brasil após ameaças de morte sofridas em razão do filme Tropa de Elite 2, que escancara o problema das milícias e sua relação com o poder público;

8) 2018: Jair Bolsonaro, em campanha à presidência, defende milícias que atuam no Rio e diz que “naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”;

9) 2018: Flávio Bolsonaro faz campanha com família ligada ao jogo do bicho, organização que que se fortificou justamente durante a Ditadura (especula-se que bicheiros do segundo escalão se tornaram milicianos);

10) 2018: Marielle é assassinada. Forte suspeita de envolvimento de milicianos e políticos. Silêncio na família Bolsonaro;

11) 2018: Policiais que integram a campanha de Bolsonaro são presos na Operação Quarto Elemento, que investiga a atuação de milicianos que praticavam extorsões. Os dois PMs presos são irmãos de Valdenice de Oliveira, a Val do Açaí, assessora e tesoureira do PSL;

12) Dois candidatos do partido de Bolsonaro quebram uma placa de homenagem à Marielle e posam sorrindo, junto ao Witzel. No mesmo evento, os candidatos falam que vão “DECAPITAR AQUELES VAGABUNDOS DO PSOL”. Flavio Bolsonaro defende a atitude dizendo que a “placa era ilegal”.

13) Ministério Público do Rio de Janeiro afirma ter colhido provas de que uma milícia de São Gonçalo teria atuado em favor de um dos candidatos de Jair Bolsonaro à ALERJ, o coronel Fernando Salema (PSL);

14) Organizadora do “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” é agredida no Rio de Janeiro;

15) Clã Bolsonaro é eleito e jornalista diz que quem postou “Marielle presente” estará fora do governo;

16) COAF revela que Fabrício, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, fez movimentação atípica de R$ 1,233 milhão entre 2016 e janeiro de 2017. O ex PM já cometeu pelo menos 10 homicídios;

17) O COAF descobriu que, além do lote de 1,2 milhão de reais, passaram também pela conta corrente do assessor de Flávio Bolsonaro 5,8 milhões de reais nos dois exercícios imediatamente anteriores.

18) Novo relatório do COAF aponta Flávio Bolsonaro recebeu R$ 96 mil em 50 depósitos fracionados. Ele alega que o dinheiro vivo é fruto da venda de um imóvel;

19) É revelado que Queiroz, antes de ir para o Albert Einstein, se escondeu na favela de Rio das Pedras, dominada pela milícia;

20) Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete, suspeitos de assassinarem Marielle.

21) Flávio Bolsonaro foi o único parlamentar que votou contra a concessão da medalha Tiradentes à Marielle.

Fontes:

1) https://blogs.oglobo.globo.com/…/em-discursos-bolsonaro-ja-…

2) http://noticias.terra.com.br/…/0,,OI1477397-EI7896,00-Deput…

3) http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/…/d8acec134b8797f983257b6b0…

4) https://www.terra.com.br/…/filho-de-bolsonaro-diz-que-juiza…

5) https://noticias.r7.com/…/rio-flavio-bolsonaro-defende-dete…

6) http://g1.globo.com/…/alerj-aprova-cpi-para-investigar-frau…

7) https://jovempan.uol.com.br/…/jose-padilha-diz-revista-que-…

8) https://blogs.oglobo.globo.com/…/em-discursos-bolsonaro-ja-…

9) https://www.opovo.com.br/…/familia-ligada-ao-jogo-do-bicho-…

10) https://veja.abril.com.br/…/de-treze-pre-candidatos-so-bo…/…

11) https://br.noticias.yahoo.com/policiais-presos-integravam-c…

12) https://politica.estadao.com.br/…/eleicoes,flavio-bolsonaro…

13) https://jornalggn.com.br/…/milicianos-sao-flagrados-ajudand…

14) https://exame.abril.com.br/…/administradora-do-grupo-mulh…/…

15) https://www.opopular.com.br/…/governo-vai-demitir-quem-post…

16) https://www.brasil247.com/…/Queiroz-tem-pelo-menos-dez-mort…

17) https://www.revistaforum.com.br/segundo-o-coaf-queiroz-mo…/…

18) https://g1.globo.com/…/flavio-bolsonaro-diz-que-depositos-f…

19) https://blogs.oglobo.globo.com/…/queiroz-se-escondeu-na-fav…

20) https://oglobo.globo.com/…/flavio-bolsonaro-empregou-mae-mu…

21) https://www.revistaforum.com.br/flavio-bolsonaro-foi-o-un…/…

Perceber Trump

“Para mim, o Plaza era como uma grande pintura”, disse Donald Trump sobre o hotel que ele concordou comprar em 1988 e que depois perdeu quando este faliu. “Não foi puramente sobre o resultado final.” [NYT, 2016, What Donald Trump’s Plaza Deal Reveals About His White House Bid]

Um artigo, bem escrito, que decifra o pensamento de Trump. Ajuda a perceber, por exemplo, a derrota que teve recentemente com a ida do ditador Norte Coreano à Rússia, depois de este se ter pavoneado com testes de mísseisos tais que não iriam acontecer.

Tudo se resume ao seu ego, a par de uma inesgotável lata para mentir e torcer a realidade até que encaixe na sua ficção.

[Imagem: Wikipedia]

O senhor Presidente está na República Popular da China

E mandou um recado interno sobre o tipo de investimento que os chineses fazem actualmente em Portugal, contrapondo aquele que, na sua opinião, deveriam fazer.
O senhor Presidente tem razão (mas, mesmo assim, não vou votar nele).
O problema que o Professor Marcelo Sousa bem coloca resolve-se (resolver-se-ia) facilmente, privilegiando o contacto institucional directo com Pequim, Soberano a Soberano, ou seja, retirando a Macau a primazia pontífica com certos circuitos lisboetas.

Tem coragem para isso, senhor Presidente?

O foro de Moro

Não tenho qualquer simpatia por José Sócrates e acredito que possa ser culpado de tudo aquilo de que o acusam e mais ainda. Mas uma coisa é eu acreditar, outra é ele ser, outra ainda é provar que ele o é. E é por isso que o estado de direito funciona como funciona. São as regras da democracia, que podem nem sempre ser justas, mas até ver são as melhores que existem. [Read more…]

O relatório sobre Trump e sobre a Rússia e o novo lápis azul

Sem surpresa, Trump e Rússia são os termos mais referidos no relatório de Mueller sobre a interferência russa nas eleições americanas de 2016. A surpresa, para alguns, pelo menos, está noutro lado.

Termo Número de ocorrências no relatório de Mueller
Trump 1648
Russia [em inglês] 1607
Clinton 273
IRA (Internet Research Agency) 140 (+16 para Internet Research Agency)
Facebook 81
Twitter 71
Conspiracy 44
Collusion 23
Google 6

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O Relatório Mueller em versão Pinto Monteiro

Aqui está o ficheiro PDF, devidamente recortado à la Pinto Monteiro.

Marcas lapidares (2)

Artigo do jornal  La Tribune
15 de Abril de 2019, 9h12
Tradução*

 

Grande Debate: esta noite [15 de Abril de 2019], Macron joga com os franceses o II Acto do seu mandato

Depois de passar 100 horas a debater com os franceses sem nunca revelar nenhuma de suas intenções, o Chefe de Estado finalmente decide, nesta segunda-feira [15 de Abril de 2019] às 20H00, apresentar os seus “projectos de acção prioritários e as primeiras medidas concretas” para responder à crise dos “Coletes Amarelos”. Há rumores que sugerem que “mudanças profundas serão lançadas”. O presidente da República joga forte. O presidente do Senado, Gérard Larcher, alertou que o presidente “não teria uma segunda oportunidade”. A pressão é, portanto, máxima para esse discurso, que deve revisitar um mandato em perda de velocidade.

 

Macron II Acto: Depois de aumentar as expectativas, Emmanuel Macron revela segunda-feira à noite aos franceses as suas respostas ao grande debate e à crise dos “Coletes Amarelos”, com a obrigação de convencer e não comprometer a continuação da sua presidência.

Sobretudo porque o Chefe de Estado joga forte também no plano internacional, enfrentando desafios como o Brexit, as eleições europeias em Maio e ainda a abertura das negociações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos.

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O progresso da ortografia e o véu da ignorância

A useful comparison here is with the problem of describing the sense of grammaticalness that we have for the sentences of our native language. In this case the aim is to characterize the ability to recognize well-formed sentences by formulating clearly expressed principles which make the same discriminations as the native speaker. This undertaking is known to require theoretical constructions that far outrun the ad hoc precepts of our explicit grammatical knowledge. A similar situation presumably holds in moral theory.

— John Rawls

L’agent voudrait se mettre au vert
L’Opéra rêve de grand air
A Cambronne on a des mots
Et à Austerlitz c’est Waterloo

Joe Dassin

***

Em recente debate com Steven Pinker, Paul Krugman teve a feliz ideia de lembrar o véu da ignorância, de John Rawls (cf. a partir de 24:15).

Debatia-se, então, o progresso da humanidade, note-se. Não se debatia o progresso da ortografia. O progresso da ortografia é assunto para os próximos parágrafos. Retomemos, então, neste nosso parágrafo, o véu da ignorância. O ponto de partida de Rawls é a possibilidade de se estabelecer um procedimento justo de tomada de decisão, de modo a que quaisquer princípios associados a este sejam também eles justos. No fim de contas, a ideia é anular efeitos de contingências concretas que constituam uma tentação para os decisores e os levem a explorar circunstâncias naturais e sociais em benefício próprio. Para esses efeitos serem anulados, um véu de ignorância deve impedir que os decisores saibam qual o lugar que ocupam na sociedade, qual a classe social a que pertencem, que estatuto social detêm, quanto vale a sua fortuna, quão inteligentes são, quanta força têm, etc.

Mudemos, abruptamente, de assunto.

Hoje é dia útil, portanto, não há novidades.

Efectivamente, no sítio do costume, além de adotante, temos união de fato:

De facto, ninguém ficará surpreendido, creio, com esse fato (sim, com esse fato):

Escrito isto, desejo-vos uma óptima Páscoa, com muitas amêndoas e pouco (se possível, nenhum) Diário da República.

Exactamente.

Até breve.

***

INRI

O jovem presidente da República francesa proferiu ontem, às 22h34, um extraordinário discurso, dirigido a todo o mundo civilizado através da comunicação social presente, sobre o incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre Dame, em Paris. Fê-lo sem papel, de improviso, sem nunca se enganar ou corrigir, com uma fluidez, uma clareza e um frémito épico apenas ao alcance de homens escolhidos – não releva, para o assunto em análise, o facto de ter sido escolhido pela indústria financeira.

Macron, que já tinha tuitado sobre a catástrofe parcos 15 minutos após o seu início, agradeceu aos Bombeiros, agradeceu aos Bombeiros e agradeceu aos Bombeiros. Depois referiu-se aos católicos, evocou a História – agora em chamas -, aludiu à Esperança e agradeceu aos Bombeiros. Anunciou o peditório da praxe, agradeceu aos Bombeiros e rematou em registo heróico, afirmando que “o destino da França é reconstruir a Catedral”. A Marselhesa ecoou muda no subconsciente de cada enfant de la Patrie.

Só se esqueceu de uma coisa: da Responsabilidade.

O Polígrafo faltou à verdade

O Polígrafo, que se apresenta como “o primeiro jornal português de Fact-Checking”, faltou à verdade, no seu artigo publicado a 14 de Abril de 2019, pelas 19h10, com o título “Estes exames divulgados pela Wikileaks depois da prisão de Assange provam que Steve Jobs era seropositivo?”

O jornal escreve nesse artigo “Promessa feita, promessa honrada. Logo após a detenção de Julian Assange, 47 anos, na Embaixada do Equador em Londres, a Wikileaks, que avisara que se isso acontecesse divulgaria o arquivo de segurança que mantinha reservado para uma situação de emergência,  libertou milhares de novos documentos.”

Acontece que isto é falso. 

A verdade é que a Wikileaks não libertou qualquer arquivo após a detenção de Julian Assange na embaixada do Equador, tendo, aliás, tido a preocupação de informar, a 13 de Abril de 2019, pelas 18h51, que o endereço file.wikileaks.org, a que o Polígrafo se refere, está disponível há vários anos e não constitui qualquer “cumprimento de promessa”, conforme afirma o jornal de pretenso “fact-checking”.

Nota da Wikileaks publicada no Twitter a 13 de Abril de 2019 (ontem):

“Note: file.wikileaks.org is not a release, insurance dump, or response to Assange’s arrest. It is the page where published documents are available for bulk download so that people can create mirrors, access publications offline, or use the raw data. It has existed for years.”

 

Assange: a França abriu a porta

Amelie de Montchalin, Secretária de Estado dos Assuntos Europeus do governo francês, afirmou estar disposta a ouvir Julian Assange, fazendo notar que “a França não oferece asilo a quem não o pedir”. As declarações da governante surgem na sequência de um pedido que o advogado francês de Assange, Juan Branco (filho do produtor português), dirigiu ao presidente Macron.

As várias faces de uma “justiça” injusta

ISDS, ICS ou MIC, são apenas várias faces de uma prepotente arma exclusiva para os super milionários que representam 1% da população mundial assegurarem os seus lucros contra os povos e o planeta.

Praticamente ignorada pela comunicação social, decorreu na passada semana, de 1 a 5 de Abril, em Nova Iorque, a 37.a sessão do Grupo de Trabalho III da Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional (UNCITRAL), cuja tarefa é avançar com a reforma do mecanismo de resolução de litígios investidor-Estado (ISDS).

O ISDS é um recurso exclusivo e superior à jurisdição nacional, à disposição de investidores estrangeiros para processarem e intimidarem Estados através de obscuros tribunais arbitrais – em que três árbitros privados escolhidos pelas partes decidem em sessões secretas e sem possibilidade de recurso –, quando consideram que nova legislação dos Estados é passível de diminuir os seus lucros reais ou expectáveis. Isso inclui desde regulamentação ambiental, até à privatização dos serviços públicos. E a relação é sempre unívoca: nunca um Estado pode recorrer ao ISDS para processar uma multinacional, por maior que tenha sido o dano causado. [Read more…]

A indestrutibilidade do Espírito

Julian Assange estava há sete anos confinado a uma pequena sala, no interior da embaixada do Equador, em Londres. Não por a essa reclusão ter sido condenado por alguma entidade judicial legítima, mas em situação de asilo que ele próprio solicitou a um Estado soberano, o Equador, e que este concedeu. E o motivo pelo qual concedeu assenta no facto de Julian Assange estar a ser perseguido por aqueles cujas atrocidades expôs, sendo vítima de uma caça ao homem na qual foram violados quase todos os seus direitos como Ser Humano.

O “crime” de Julian Assange foi o de revelar os fundamentos do nosso modelo civilizacional. Ele fez Luz sobre uma boa parte dos mecanismos ocultos que fazem funcionar a “democracia”, cujas qualidades com tanto orgulho exibimos em testemunho da nossa pretensa superioridade sobre todos os povos do mundo, aos quais com tanto afã fazemos chegar “primaveras”. Ou entre os quais reconhecemos “presidentes interinos” saídos de uma sarjeta política, violando a soberania desses povos, o princípio da não ingerência e o Direito Internacional. Isto porque, recorde-se a sábia expressão do senhor ministro dos negócios estrangeiros, “nós não somos ingénuos”. É claro que não somos ingénuos. Somos indigentes bem mandados, o que é totalmente diferente.

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Levaram o Assange

«Temos que nos livrar do acordo ortográfico»

Will you bite the hand that feeds?

— Trent Reznor (cf. “Will you chew until it bleeds?“)

Adulteri, nescitis quia amicitia huius mundi inimica est Dei?

Quicumque ergo voluerit amicus esse saeculi huius, inimicus Dei constituitur.

Iac 4,4

Nós resolvemos reunir um grupo bem pequeno.

— Lígia Prado Fragonard

***

Foto: Francisco Miguel Valada (Bruxelas, 4/4/2019)

Ao ler as seguintes palavras de Filipe G. Martins, assessor especial de Jair Bolsonaro (via João Roque Dias, no Acordo Ortogrãfico Não!, e via Tradutores Contra o Acordo Ortográfico) (negritos meus):

Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditávris [‘sic’, i.e., ‘inauditáveis’] e do acordo ortográfico,

lembrei-me imediatamente das palavras de Pedro Santana Lopes, secretário de Estado da Cultura no XI Governo Constitucional de Portugal, no famoso artigo do “agora facto é igual a fato (de roupa)“, em que é dada muita importância aos 21 anos e pouca às 21 bases :

Para os que não sabem, quando há 21 anos, no início de Janeiro de 1990, Cavaco Silva me convidou para secretário de Estado da Cultura, foram essas, precisamente, as duas principais tarefas de que me encarregou: assegurar que o CCB [Centro Cultural de Belém] estivesse pronto a tempo de receber a 1.ª presidência portuguesa das Comunidades Europeias, a 1 de Janeiro de 1992, e negociar e assinar o Acordo Ortográfico.

Há uns meses, em entrevista ao Portal Luso, tive a oportunidade de dizer que

não me interessa por aí além aquilo que outros [“a maioria dos países da CPLP”] fazem em termos de adopção do AO90. Aquilo que me preocupa é Portugal querer à força toda adoptar o AO90, independentemente da realidade. Preocupar-me-ia imenso que Portugal deixasse de adoptar o AO90 porque outros não adoptam, em vez de deixar de adoptar o AO90 pelo motivo mais natural de todos: porque é inadequado para a norma portuguesa europeia. Preocupar-me-ia, repito. Todavia, considerando um certo historial, não me admiraria nada que fosse esse o caminho.

A seguir cenas dos próximos capítulos (e não “a seguir, cenas dos próximos capítulos”).

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