O jardim tem um Alberto

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Alberto João Jardim não está politicamente morto; está é mal enterrado. Há pouco, perante a possibilidade de o Tribunal Constitucional promover uma recontagem (apoiada, agora, por quase todos os partidos), proferiu declarações absolutamente lamentáveis, abrindo guerra à CNE – com argumentos que visam colher nos habituais fans e fazer reviver o seu estilo “agarrem-me que me vou a eles” -, tentando fazer dela “bode expiatório” e propondo a sua extinção.

Assim, procura distrair os incautos do verdadeiro problema que é o das chapeladas a que certas mesas não resistem, se se julgarem impunes. Com isso, embaraça o seu próprio partido – se é que tal coisa, para ele, existe – já que este, com compreensível habilidade, subscreveu o pedido de recontagem ao TC promovido pela CDU. Jardim é o emplastro político que quer continuar a assombrar-nos a todos, incluindo os seus próprios apaniguados. Eles que tratem do assunto. Nós, para esse peditório, já demos.

Balbúrdia no ministério das finanças

“Verifica-se haver um grande número de empresas privadas com permissão de acesso a dados contributivos, algumas das quais apresentam números francamente excessivos de utilizadores, das quais se destacam a Accenture com cerca de 120 utilizadores, a Novabase com cerca de 90 utilizadores e a Opensoft com mais de 60 utilizadores.” A este propósito, a CNPD nota que, da lista de 33 utilizadores que acederam aos fiscais dados de Pedro Passos Coelho (segundo um documento feito no âmbito de uma auditoria interna), “três são claramente utilizadores externos”.

Para além das empresas subcontratadas para o desenvolvimento e manutenção dos equipamentos e sistemas informáticos, contam-se também entre os mais de dois mil utilizadores externos “os estagiários ou os tarefeiros contratados pelos serviços de finanças” e, de acordo com uma definição no rodapé do documento, “administradores de bases de dados e ainda funcionários da AT a prestar serviço num segundo local”. [P]

Depois do achincalhamento do sr. Núncio sobre o pessoal da AT, fazendo-os passar por coscuvilheiros e da sr.a Maria Luis lavar as mãos como Pilatos, qual é exactamente a base com que os responsáveis políticos ainda ocupam o lugar no pote? Tudo isto é demasiado mau para passar em claro, desde a lista feita à medida para proteger o chefe, passando pelo descontrolo geral no acesso aos dados fiscais e terminando nos sucessivos ditos e desditos por parte de quem é nomeado para ter e exercer responsabilidade política.

É caso para se perguntar, especialmente hoje, se já chegámos à Madeira.

Vieram mais cinco

Pelo estúpido método de Hondt se a CDU tivesse mais cinco votos o PSD perdia a maioria absoluta, fora a estrondosa subida da esquerda ser ainda maior. Alguma vez teria de calhar uma vigarice dar jeito.

Não lemos nada disto na segunda-feira. E é portanto tempo de devolver a toda a direita, não apenas ao PS, o recado: votaram, contrariaram as sondagens (que chatice, Paulo Portas): há ou não que tirar lições daqui para todo o país?

Não abusando, há e não há. O absolutismo madeirense acabou, o que até seria uma vitória liberal se estivéssemos no séc. XIX, a esquerda progride e…

…não volto a assinar este texto porque a malta de esquerda não faz batota. Unam-se, caralho, deixo o repto, agora em versão mais norte.

Adenda: parece que o erro nem estava nos votos nulos, mas numa acta falsificada. O 25 de Abril chegou hoje à Madeira.

Adenda seguinte: afinal o PSD continua com hilaridade absoluta.

Próximas adendas possíveis: O partido do Marinho não concorreu mas ganha por nulidade absoluta. Ronaldo assume a presidência do governo regional da Madeira. Cristiano demite-se, assumindo que não estava preparado para lances de bola parada.

VEM para onde?

Lomba

Foto@Arrastão

Há umas semanas atrás,  o Secretário de Estado dos saudosos briefings veio apresentar o programa VEM, programa que pretende atrair meia dúzia (vá lá, 40 ou 50, estava a ser mauzinho) de emigrantes da vaga passista que, formados e bem preparados, não tiveram alternativa que não fosse seguir o conselho de Pedro Passos Coelho e abandonar o país. Importa frisar que, a julgar pelas palavras de Pedro Lomba, esta medida atingirá cerca de 0,02% do total de emigrados durante a era Passos Coelho. Não havia memória de tamanho altruísmo.

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Unam-se, porra

As esquerdas representam-se por vários partidos, aos quais compete, em exclusivo, a determinação da sua estratégia. Não nos incumbe, como signatários deste manifesto e com posições diferenciadas, interferir nessas decisões. Move-nos a obrigação de contribuir para uma solução de esquerda para Portugal, manifestando a nossa opinião, porque queremos promover diálogos com resultados.

Há um manifesto onde se apela “a que os principais partidos da esquerda que recusa sem ambiguidades a austeridade, bem como milhares de independentes e activistas, se associem num pólo político, com uma resposta política clara para toda a gente”. Será eficaz? duvido, mas assinei. Não custa nada tentar.

O manifesto está aqui.

A mentira deliberada de Paula Teixeira da Cruz

Paula

Foto@José Sena Goulão/LUSA

Depois do sucesso mediático que foi a palhaçada do caso Citius, Paula Teixeira da Cruz está de volta com novo episódio de incompetência, fraude e desculpas esfarrapadas. Desta vez, o jornal Expresso revela que a ministra foi apanhada a manipular dados sobre a pedofilia para justificar a criação da polémica lista de abusadores. Teixeira da Cruz alegou que a taxa de reincidência entre pedófilos rondava os 80%. Contudo, os números dos serviços prisionais apontam para uma taxa bastante menor, na ordem dos 18%. Não restam dúvidas: a ministra mentiu. Deliberadamente.

A mentira deliberada é uma marca registada deste governo. Passos mentiu para ser eleito, Portas mentiu para reforçar o seu poder, Paula Teixeira da Cruz mentiu para forçar a criação de uma lista que, mais do que os hipotéticos efeitos práticos, serviu para desviar atenções e manipular os sentimentos exacerbados que caracterizam a discussão em torno deste problema. Reformulando a célebre frase de Pedro Passos Coelho, como é possível manter um governo em que vários ministros, incluindo ele próprio, mentem?

Sobre os resultados das eleições regionais da Madeira

Miguel e João

Foto@Público

A vitória do PSD era dado adquirido antes do acto eleitoral. Miguel Albuquerque consegue a maioria absoluta mas perde cerca de 15 mil votos face a 2011, o pior resultado de sempre do PSD. Da mesma forma, CDS-PP e PS viram os seus resultados caírem face à eleição anterior. PCP e BE reforçam timidamente a sua votação, não tanto quanto a abstenção que avança quase 8%. Já o movimento de cidadãos Juntos Pelo Povo, pela primeira vez na corrida, consegue 10,43% do total de votos e um honroso quarto lugar. Perante tudo isto, e apesar do regime continuar a controlar o regime, fico com a sensação que a democracia sai reforçada.

O que é que se passa com a oposição?

Hoje houve duas notícias espantosas. Por um lado, a ministra da justiça é chamada de manipuladora e mentirosa pelo Expresso. Por outro, Passos Coelho, escapulido para o Japão, acha que é normal continuarmos a ser visto como lixo pelos seus adorados mercados.

Durante a semana assistimos à ministra das finanças dizer que os políticos, afinal, não precisam de ter responsabilidade sobre aquilo que tutelam. Tal como Paulo Núncio, prefere o rótulo de incompetente em vez da saída pela porta da frente.

E a oposição, tem capitalizado com este governo colado a cuspo presidencial? Nada que se veja. Palavras de circunstância mas sem trabalhar os dados existentes, nem fazer luz sobre o estado do país.

O problema é que uma oposição incompetente dará um governo incompetente, como o demonstra o presente governo. Façam o vosso trabalho, ó gente da oposição, que é para isso que são pagos.

Rating eleitoral: lixo

Passos

A organização terrorista financeira Fitch anunciou ontem a manutenção da classificação da dívida pública da portuguesa em BB+ (“lixo”), reiterando assim as avaliações de Abril e Outubro passadas. A agência norte-americana aponta baterias ao Tribunal Constitucional, ao desaceleramento da consolidação orçamental e ao incumprimento das metas do défice a que o governo se propôs. Por muito que insista no milagre económico português, invisível para o português comum que continua a emigrar, a não encontrar emprego e a suportar uma carga fiscal brutal, o governo não consegue obter a benção das instituições que tanto venera e estima, apesar da clara articulação com as mesmas.

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Confirma-se

Sempre achei que, aquando da distribuição universal de inteligência, Diogo Feio não foi muito favorecido. Houve ali uma falha, um deslize, uma desigualdade, qualquer coisa que correu mal.
Agora afundou-se, emergindo a prova, qual submarino.

Minuta de Acórdão (para as várias instâncias)

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Enquanto procedia à análise forense de uns quantos cadáveres – de bivalves e crustáceos diversos – ocorreu-me a ideia de simplificar o trabalho dos nossos Juízes Criminais, que pudesse servir de minuta às várias instâncias, para usar no caso Marquês (do Sócrates) mas não só. Abaixo fica o resultado desse labor.

“Aos (data) reunido o colectivo (expressão válida mesmo que se trate de apenas um Juiz) e depois de considerar os fatos, sempre contingentes e imprevisíveis, mas muito caros, usados pelo indiciado, e ponderadas todas as circunstâncias que conformam o caso em apreço, o do tipo que nos retirou uma série de privilégios a que estávamos habituados, considerou e deliberou o seguinte:

– Este colectivo anda “há muitos anos a virar frangos” e não se deixa iludir com conversas da treta do tipo das alegações do indiciado. [Read more…]

Quo vadis, Caesar?

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Carlos César deixou que lhe subissem à cabeça as expectativas que se vão gerando em torno da sua figura. E, num inesperado brinde à direita, promete nada menos que ressarcir todos – todos! – os que investiram em papel do GES. Diz ele:“Penso que esse mesmo Estado que os estimulou, é o Estado que nesta fase deve garantir o ressarcimento de todos esses cidadãos e de todas essas empresas”.
Ora, que eu saiba, não foi o “Estado”, mas o BES, com o apoio publicitário de alguns governantes importantes, sim, mas irresponsáveis, quem o fez, ao serviço dos seus patronos. E César nem finge discriminar as vítimas incautas ou, pelo menos, analisar situações determinadas. Todos, e na íntegra. “Esse ressarcimento deve procurar ser um ressarcimento na íntegra das aplicações que eles fizeram. Mesmo que não o possa fazer numa única tranche ou numa única ocasião, o Estado deve assumir as suas responsabilidades neste domínio, porque não pode ser inocentado face à forma como estimulou a aplicação dessas poupanças”. Quer dizer, incluindo – ou sobretudo? – a malta da jogatana, os próprios culpados pela situação. Repare-se que não estamos a falar na garantia dos depósitos, mas das aplicações, sejam elas quais forem.
Não faltam queixas pela ausência de propostas por parte de António Costa. Nervoso, Carlos César chega-se à frente e, à falta de propostas, faz, sem análise de situação, sem fundamentos e limites objectivos, promessas redondas à moda antiga; a pagar pelos do costume. E, como de costume, lucros privados, prejuízos públicos. Carlos César cai assim bem no meio da teia que a direita tem para o seu partido: insistir com o eleitorado que, com o PS, regressará a despesa sem controlo. O promitente César tem, segundo muitas e excelentes pessoas, margem de manobra para voos mais altos, quiçá até Belém. Mas vai mostrando que não tem asas para tanto.

92%

92%? Efectivamente: 92%.

Cofres cheios…

cofres cheios

Duarte Marques, um anti-sistema de contos para crianças

Pedro e Duarte

Em mais um artigo anti-tudo o que mexe à esquerda do bloco central, Duarte Marques afirma hoje que a não ascensão, em Portugal, de partidos anti-sistema se deve ao facto de serem os partidos da coligação, PSD e CDS-PP, os partidos anti-sistema em Portugal.

Ora bem, não sei se isto se integra nas palestras de propaganda barata que profere perante o seu leal exército repleto de abanadores de bandeiras e trepadores sociais, e aí tínhamos esta idiotice chapada explicada, ou se o deputado “velho dos tempos da união Nacional” caiu e bateu com a cabeça, tendo ficado cerebralmente afectado.

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Sermão aos amphiprion ocellaris

palhacos

Explicador

Comissão de Inquérito? Vou antes cortar o cabelo

JGui

Foto@Correio da Manhã

A amnésia tem sido uma das maleitas predominantes nas várias audições da Comissão de Inquérito ao caso BES. Aparentemente, ninguém se lembra de rigorosamente nada do que por lá se passou. Às vezes, fica mesmo a sensação que nenhum destes sujeitos lá trabalhava. Como diria Mariana Mortágua, tudo amadores.

Segundo a edição de hoje do Expresso, amnésia poderá também ter sido a justificação para que o empresário José Guilherme, o tal que deu uma prenda de 14 milhões de euros, em numerário, a Ricardo Salgado (outro com longo historial de problemas de memória), se tenha esquecido de passar pela Comissão de Inquérito ao caso BES, para a qual notificado, alegando motivos de saúde e o facto de estar em Luanda para não comparecer na comissão parlamentar. Contudo, e pela relação comercial de 40 anos que mantém com o barbeiro Aurélio Robalo, José Guilherme conseguiu contornar estas vicissitudes e dar um salto a Lisboa para aparar as pontas. Podia ter-se lembrado de passar na comissão mas é possível que estivesse com pressa. First things first.

Ilusionismo socialista pré-eleitoral

Costa arco-íris

Foto@Expresso

A fotografia da autoria de José Carlos Carvalho, publicada no jornal Expresso a propósito do périplo de António Costa pelo país, encerra em si todo um cenário onde o idílico se mistura com o que de mais belo e poético existe na propaganda política pré-eleitoral. Um cenário cinzento onde um tímido arco-íris tenta sobressair das trevas e um António Costa sorridente remetem-nos para o imaginário da utopia socialista de um novo Portugal que ganha forma pela mão de um líder confiante e optimista com uma mão cheia de nada e outra repleta de coisa nenhuma. Vem-me imediatamente à memória aquele Pedro Passos Coelho que, triunfante e auspicioso, viajava pelo Portugal pós-chumbo do PEC IV, vendendo ilusões e fazendo promessas que todos sabemos como acabaram.

A anunciada primavera socialista mais não será do que a continuação daquilo a que hoje assistimos. Mudam-se caras, recuperam-se dinossauros e, com o tempo, novos boys infestarão a administração pública. A vassalagem a Berlim será total, o compadrio público-privado continuará e a “irreverência” de alguns sectores ditos mais à esquerda do Partido Socialista acabará por desvanecer e por ser silenciada em nome de uma suposta estabilidade que pouco ou nada se distinguirá daquilo que é a governação da coligação no poder. Infelizmente, centenas de milhares de portugueses acreditam que António Costa, o mudo, traz na cartola um conjunto de truques que darão a Portugal um novo Portugal. Mas como qualquer ilusionista do bloco central, Costa terá apenas mais do mesmo para oferecer, faça ele quantos périplos fizer. Não esperem fazer a mesma escolha e obter resultados diferentes. Isso só em contos para crianças.

Lista VIP minuto-a-minuto

Passos Coelho, Núncio e a burka fiscal FEMAIL

Depois de ter afirmado no Parlamento que não tencionava fazer striptease fiscal Passos Coelho certificou-se que o seu cadastro fiscal se apresentaria doravante apenas de burka. [Read more…]

Multiplicatio praecocx

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“Vocês são jovens; multipliquem-se!”, proclamou a ministra Maria Luís perante uma entusiasmadíssima (excitadíssima?…) plateia de jovens da JSD. A coisa é séria.

Logo ali, imagino eu, se trocaram olhares interrogativos:” isso é p’ra já?…”, ter-se-à perguntado a multidão, pronta a corresponder, com militante entusiasmo, ao apelo da líder. Não por vulgar lascívia, mas com a fervorosa e patriótica vontade de resolver o mais depressa possível o problema nacional que a ministra tão lucidamente diagnosticara.

Mas não, não era para já. E embora o conceito de “J” seja muito extenso, em matéria etária, nas lides políticas, convém manter, pelo menos, as aparências. Está escrito: “crescei e multiplicai-vos!”. O verbo crescer tem aqui um moralíssimo relevo. Portanto, enquanto os jovens guardam pudico e casto recato, Maria Luís vai-se insinuando nos produtivos terrenos da eutanásia selectiva que tanto entusiasma a sua mestra Christine Lagarde e aquece o coração de alguns jovens sociopatas laranjas. Por isso, enquanto os jovens não se multiplicam, subtraem-se os velhos, a “peste grisalha”, como lhes chama um desses jovens já com direito a voz na Assembleia da República. Ocorre-me à mente um truculento soneto de Bocage que bem ficaria nesta situação. Mas contenho-me; alguém tem de manter a compostura nestes eventos.

Só uma nota sobre a privacidade dos dados fiscais dos políticos

Declaração de Rendimentos, Património e Cargos Sociais dos Titulares de Cargos Políticos e Equiparados.

O Obediente

O Insurgente já não existe. Acabou no dia 5 de Junho de 2011, tendo no seu lugar ficado um outro blog, O Obediente.

Noutros tempos já haveria uma resma de posts sobre as novas PPP e sobre a lista VIP, da qual os colegas até dizem que foi feita pelo Estado (com letra maiúscula e tudo) mas na verdade foram pessoas concretas, deste governo e camaradas de cor, que a fizeram. Não faltaria também o argumentário sobre o estado não gerar emprego (ups!) e por aí fora, segurança social vade retro, pois privadas IPSS é que é bom (e até têm uns empregos porreiros – ups! outra vez).

Neste O Obediente, a insurgência hibernou. Um dia destes lanço uma petição para ajudar os respectivos autores no prosseguimento do único passo em falta: renomearem-no. Precisam de se despachar, só têm mais seis meses.

PS: Parece que há uns vídeos novos do Varoufakis. Aproveitem, que ainda dá para mais uns posts, entremeados com esse terrível socialismo, nacional e estrangeiro. 

Ricardo Salgado refugia-se no desconhecimento

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© Bruno Colaço (http://bit.ly/1MNVOe2)

Há três meses, Ricardo Salgado apareceu na Assembleia da República em excelente forma:

Acção, Abril, accionistas, acções, actas, actividade, activos, actuação, actuações, afectava, afecto, correctas, Dezembro, directa, directamente, directo, efectivamente, efectuar, incorrecto, injectar, interacção, Janeiro, Julho, Junho, Maio, Março, Novembro, objectivo, objecto, Outubro, percepção, perspectiva, perspectivas, projecção, projecto, protecção, protectora, respectiva, respectivos, ruptura, Setembro.

Contudo, hoje, apesar dos nomes dos meses (“em  2  de  Julho  de  2014”, “em 2 de Março de 2015”, “em  3 de Agosto de 2014”, “em 23 de Julho de 2013”, “19 de Março de 2015 “) e de outras excelentes formas ortográficas (“em  todos  os  actos“, “acções da Tranquilidade”, “sobre  as acções“, “novos accionistas“, “respectiva  composição”, “protecção  do  animal”, “actividade financeira”), algumas delas em citações, Ricardo Salgado ensaiou uma mistura ortográfica extremamente perigosa, com “injeção de fundos  privados”, “ativos“, “retificação“, “correção“, “objetivo“, “prospeto” e outras infracções grafémicas.

Salgado disse aos deputados: “Não pretendo – nem nunca pretendi – refugiar-me no desconhecimento”.  Infelizmente, refugiou-se e o resultado é aquele que sabemos. Lamentável, Dr. Salgado. Lamentável.

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PPP Passos Coelho

 

Imagem@Uma Página Numa Rede Social

Tenho saudades da heróica cavalgada laranja contra a encarnação do mal que foram um dia as PPP. No tempo em que mentia diariamente aos portugueses sobre o ilusório novo mundo sem aumentos de impostos, sem cortes de pensões ou subsídios e sem venda de “anéis”, o então líder do PSD referia-se aos prejuízos acumulados por empresas públicas e às facturas a pagar pelo Estado como “esqueletos num armário que se chama PPP“.

Ora ficamos esta semana a saber que Passos Coelho se prepara para encher esse armário com 13,6 mil milhões de euros de potenciais novos esqueletos. Segundo a imprensa nacional, o governo terá enviado para Bruxelas uma lista de 113 projectos estratégicos, que no total ascendem a 31,9 mil milhões de euros. E apesar de menos de um quarto destes projectos corresponder a parceiras público-privadas (24 no total), o valor a alocar aos mesmos ascende a quase metade do bolo (43%).

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A sobrevivência do mais apto

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Em Portugal como no resto do mundo, os partidos não são todos iguais. O cliché é bastante útil para as elites dirigentes, mas a verdade é que o nosso regime tem duas faces: PS e PSD. Às vezes, como é o caso actual, o regime traz um CDS-PP atrelado que, por ter um líder mais hábil do que praticamente todos os militantes dos dois outros partidos, consegue ter mais poder do que seria de esperar de um partido cuja base eleitoral ronda os 10%. Uma reduzida expressão eleitoral que contrasta com o poder de um partido com dirigentes de topo envolvidos em quase tudo o que é falcatrua neste país sem que um único seja sequer beliscado pela lei. Abençoado São Jacinto Leite Capelo Rego.

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Recibos verdes

Flávio Martins

Sempre trabalhei a recibos verdes. Dos verdadeiros, mas sobretudo dos falsos. Nunca conheci outra relação com o mundo laboral. Nunca conheci outra cor de governo que não o rosa ou o laranja.
Foi o Mário Soares que trouxe esta nova forma de exploração para a economia portuguesa, que a vendeu como medida de futuro, de crescimento e desenvolvimento, de criação de postos de trabalho. Criou um monstro que devora Portugal.
Somos o novo Lumpemproletariado. Ninguém sabe quantos somos. Não convém sabermos quantos somos. Nos censos, o INE nunca se deu ao trabalho de aferir quantos vivemos sob este “novo” regime de exploração.
Somos a desresponsabilização social do estado e do empregador. Somos cobradores do estado.
Somos o fim do estado social.
Para quem dá mais do que metade do seu vencimento ao estado, para depois nem ter direito a reforma ou subsidio de desemprego, não faz sentido algum contribuir. Sem contribuintes não há estado social. E é isto que querem. Há anos. Décadas. E é isto que temos e somos. Uma carneirada crescente sem rebanho algum. Cada um isolado no seu posto de trabalho a alimentar o vírus.
Os recibos verdes são um vírus. [Read more…]

Corporativices

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Pedro Tadeu entreteve-se com mais um deslize de linguagem de António Costa: capital humano, usou o líder do PS, presidente de um município onde não se trabalha, há colaboradores. A apropriação da linguagem neoliberal pelos partidos da Internacional Socialista é um facto há muito adquirido, e nada tem de coincidência, corresponde ao desabrochar, ascenção e agora queda do chamado social-liberalismo, que de Blair em diante os levará, a todos, ao ilustre destino do PASOK.

Recordo que Sócrates, entre nós, esteve na vanguarda da coisa, traduzindo o clássico NIMBY quando decidiu vingar-se da cidade de Coimbra, coisa injusta, sempre cá tirou um curso a sério.

Vai daí, um certo blogue, encanitou-se, que até Estaline teria usada a mesma expressão (como se Estaline e toda a Escola Austríaca não repousassem muito bem no mesmo panteão). [Read more…]

O presidente do governo

Agora que cheira a eleições, como o próprio afirmou, deu em verborreia. Eis o presidente de 2 milhões.

Sócrates, o hino

É possível uma “música” cheirar mal? não tomar banho? não respeitar quem trabalha?

É. Tapem o nariz antes de escutar.

VEM

Votem Em Mim.