A irrevogável lata de Paulo Portas

Portas Careca

A propósito da anunciada greve dos pilotos da TAP, Paulo Portas vestiu o habitual disfarce de falso moralista e, em tom de profunda e fabricada consternação, afirmou que o protesto de 10 dias não é “razoável” e que não é “aceitável” que um grupo de pessoas “capture” uma empresa inteira, apelando de seguida ao “patriotismo” contra a decisão dos pilotos da transportadora portuguesa. E bem vistas as coisas, esta greve parece revelar uma tentativa do sindicato dos pilotos de conseguir para os seus associados uma fatia da empresa e não tanto uma preocupação genuína com o futuro da mesma.

Mas as palavras do profissional da pandeireta remetem-me para um passado não muito distante em que um destacado governante português tomou uma decisão pouco “razoável” e muito menos “aceitável” perante o contexto do momento em si, que resultou na apresentação da sua célebre e irrevogável demissão e que “capturou” não uma empresa mas um país inteiro, que como consequência dessa decisão assistiu a uma subida violenta dos juros da dívida pública. Será que alguém tentou apelar ao “patriotismo” desse governante? É possível. Mas ele estava mais focado nos seus objectivos pessoais, que como sabemos culminaram na sua promoção a vice-primeiro-ministro. Que autoridade tem agora esse sujeito para criticar a escolha dos pilotos da TAP que, tal como Portas fez, estão a olhar pela sua vida? Nenhuma. Mas lata tem de sobra.

Uma noite nos noticiários

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É espantosa a lata de alguns comentadores e jornalistas. Garantem que a questão das presidenciais é prematura, mas deleitam-se em especulações, por vezes, delirantes, sobre o tema. A apresentação de Sampaio da Nóvoa, sobretudo, parece provocar-lhes uma certa urticária mental. Por uma lado, não se calam com o facto do candidato ser desconhecido. Por outro, acusam-no de apresentar a candidatura prematuramente com o objectivo – natural, digo eu – de se dar a conhecer a si e às suas propostas. Em que ficamos?
E já agora: não têm nada a dizer sobre umas eleições legislativas que por aí vêm? Ou estão felizes com a forma absolutamente canalha com que todos – sublinho: todos! – os canais de televisão e jornais vão, com a vossa ajuda, embalando os vossos concidadãos? Talvez seja muito esforço para as vossas cabeças – por receio de cansá-las ou, até, perdê-las – confrontar as muitas iniciativas e propostas que os vários partidos vão apresentando; e quando falo em vários partidos, gostava de sublinhar aqueles que existem para além dos do governo (conhecem?), com ideias muito diferentes, imaginem, daquela verborreia entre o imbecil e o terrorista com que os governopatas nos vai brindando (em que o esbulho de seiscentos milhões aos pensionistas, anunciado pela Maria Luís, é compensado com o patriótico orgulho de, quiçá por decisão governamental, termos a onda mais alta do mundo surfada por, ao que parece, Paulo Portas)?
Segundo li, a ciência mostra que – desculpem a dureza do exemplo – se colocarmos certos animais – uma rã, por exemplo – em água a ferver, o animal reage e faz uma tentativa desesperada para sair da armadilha. Mas se colocarmos o animal em água fria e aquecermos a água lentamente, o infeliz nela permanecerá, placidamente, até morrer.
Então, prezados concidadãos? Não estais a sentir-vos ligeiramente cozidos?
(foto de Uma Noite na Ópera, dos irmãos Marx)

Quem não se consegue governar a si próprio…

Acaba vivendo acima das possibilidades, avançando com teorias que as dívidas não são para se pagarem mas para serem geridas. O pior é que para suceder aos incompetentes que nos (des)governam já se perfilam os incompetentes que nos (des)governaram. A alternância está garantida, mas a mediocridade permanecerá imutável. O Estado a que a choldra chegou, ou uma versão sec. XXI para “de vez em quando é preciso mudar algo para que tudo fique na mesma”. Em Portugal mudamos de governo…

Coimbra, 17 de Abril de 1969. E tudo mudou para todos nós

 Humor na luta:

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Conferindo

Presidida por Luís Marques Guedes e comandada por Maria Luís Albuquerque, – acompanhados por um jovem g.n.i. (governante não identificado) – ocorreu mais uma conferência de imprensa do governo. Correu tudo bem. A ideia era a de levar a cabo uma operação de terrorismo comunicacional sem que as vítimas sentissem dor (como acontece com as mordeduras dos vampiros). E assim foi. Sei que foi assim porque não aconteceu nada aos conferencistas – que se retiraram com o mesmo ar sonso com que entraram -, sem que alguém, ao menos, lhes subisse para a mesa e lhes atirasse…confetis. Os jornalistas “independentes” convidados, depois, a comentar, estiveram todos a contento, fornecendo mais uma dose de anestesia. De modo que, quando o untuoso Paulo Rangel, desbundou em entusiástico apoio, já pareceu normal a muita gente. Destoou Manuela Ferreira Leite que malhou no governo com juvenil entusiasmo. Ao que isto chegou!

Oh Jerónimo, francamente!

11141764_809356702491052_4987628384302809147_oUm dirigente político não tem descanso nas solicitações a que comente tudo e mais alguma coisa, seja em que lugar for, sejam quais forem as condições. E porque isso faz parte das obrigações que a sua condição impõe, ele corresponde e responde. A palavra é a sua arma. E como a comunicação, para que os jornalistas a divulguem, tem de ter em si alguma retórica mais exuberante – que, por vezes, resulta em grande, outras vezes, nem por isso -, a coisa nem sempre corre bem. Ora, tudo isto vem a propósito das respostas dadas pelo meu ilustre amigo e camarada Jerónimo de Sousa quando, durante uma uma daquelas entrevistas de passagem, caracterizando o PS, afirmou que aquele partido “não é carne nem peixe, é como que um caranguejo moído”; mais tarde, confrontado com esta declaração, deu ao nobre crustáceo uma caracterização mais, digamos assim, cinética: “o PS é como um caranguejo porque não anda para a frente nem para trás, anda para o lado”. Meu caro Jerónimo, se queres caracterizar o PS pela sua indefinição, a sua desorientação política e a sua incapacidade de ser, sequer, assertivo em alguma proposta, tens mil recursos estilísticos, analogias, metáforas. E animais sem fim. Mas o caranguejo? O insigne membro dos crustáceos, infraordem dos brachyura? Que inclui maravilhas zoológicas – e gastronómicas…- como a navalheira, a santola, a sapateira?! [Read more…]

Claro como água

O Observador oficial da extrema-direita pariu uma proposta de nova Constituição. Fui ver. Onde está:

Artigo 1.º

República Portuguesa

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Riscavam a vontade popular, e o resto.

Ainda não substituíram pela jurisprudência divina ou o voto censitário dos empreendedores, nem assumem que querem uma sociedade presa, injusta e de caridade.

Fica para o próximo sonho erótico, seja com a tropa, ou com um Sebastião vindo e cavalgando seu submarino branco, ou mesmo a América após a vitória de um candidato do partido do chá.

Multiplicai-vos e coisa e tal

Ora vamos lá pôr as medidas governamentais por ordem:
1º – baixaram brutalmente os salários e condições de trabalho à função pública.
2º – aumentaram os horários de trabalho dos funcionários para, pelo menos, 40 horas.
3º – vão permitir aos mesmos funcionários, se eles produzirem descendência, a dispensa de meio dia de trabalho.
4º – pelo meio dia de trabalho atrás mencionado, caso usufruam tão generosa dádiva, descontarão 40% do salário.
Sei que há outras propostas vindas da mesma fonte. Mas este é o “osso” da questão. Passem-me um pau de marmeleiro, que quero responder.

A elevada probabilidade do Dono Disto Tudo se safar

RS sorri

Sabemos bem como acabam estas histórias. Muito aparato e abundância de informação que parece anunciar que desta vez é que vai ser, mas no final do dia o mais provável é ninguém ser responsabilizado. Oliveira e Costa e Dias Loureiro vivem uma vida tranquila, após terem arrastado o país para o buraco fraudulento do BPN, cuja factura para os contribuintes já terá ultrapassado os 6 mil milhões de euros. Nada lhes aconteceu. João Rendeiro também vive em liberdade, após a hecatombe do seu BPP, que tendo ficado mais barato para o pagador do costume, ainda custou algumas dezenas de milhões ao erário público. Hoje diverte-se na BlogosferaJardim Gonçalves até chegou a ser condenado a dois anos de cadeia por crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos mas, como sabemos, as elites podem sempre pagar uma fiança avultada, neste caso 600 mil euros, e ficam imunes às decisões judiciais. Ter dinheiro coloca-nos, efectivamente, acima da justiça. Até porque a maioria dos criminosos não consegue açambarcar tanto.

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O incómodo amigo do primeiro-ministro

Amigo

Foto@RTP

Na semana passada, o país ficou a saber que Pedro Passos Coelho recrutou um ex-patrão e militante do PSD para delegar a responsabilidade de preparar o programa do PSD para as Legislativas deste ano. O amigalhaço em causa é Rogério Gomes, empresário que, tal como o primeiro-ministro, aparenta possuir uma vasta experiência no campo das ONG’s, experiência essa que, segundo o DN, lhe permitiu, através da ONG que actualmente gere com a esposa, fazer alguns ajustes directos com dinheiros públicos a instituições às quais esteve ou está ainda ligado.

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Aviso aos filhosdaputa que nos governam

É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI.  À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.

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Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência. Ora não há privados que cubram as urgências de um país, pelo simples facto que este lado do negócio apenas dá lucro em Lisboa e Porto e mesmo assim não cobre todas as necessidades. E depois os serviços de emergência médica não vos vão diferenciar se vos estampardes numa estrada, se tiverdes um ticoteco na rua, uma emergência, portanto.  Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre dele, trigo limpo farinha amparo, ireis para estas urgências como os outros. E arriscais-vos mesmo a ficar numa maca entalada entre outras num corredor, a serdes assistidos por um enfermeiro para 30 doentes, a ter o único médico capaz de vos tratar ocupado com outros doentes. De nada valerá, depois, um secretário de estado gritar que os médicos e enfermeiros eram comunistas. De nada valerá para vocês, e muito menos para a vossa família.

Resta-vos, depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde, uma hipótese, é claro: não sair de casa. Mas é aborrecida.

Business as usual?

Lembram-se deste flop, faz agora um ano, em que um fuzileiro lança um drone e este cai directo no Tejo? Trata-se de um AR4 Light Ray da empresa Tekever, cujo CFO é Rodrigo Adão da Fonseca (RAF), homem da blogosfera (O Insurgente) que tem uma ligação de longa data com o actual  Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco (JPAB), que remonta a 2010 quando assumiu funções de assessor do então líder da bancada parlamentar do PSD e coordenou a moção estratégica de JPAB nas internas do PSD. Após a vitoria de Pedro Passos Coelho,  JPAB abandonou a liderança parlamentar social democrata e RAF deixou de ser seu assessor, sem que tal o colocasse em situação de ruptura ideológica com o PSD. Pelo contrário.

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Recompensar a má gestão bancária

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Foto@Econintersect

A edição online do jornal I revelou ontem que o conjunto dos 4 maiores bancos nacionais – BES, BPI, BCP e CGD – acumulou prejuízos na ordem dos 9,5 mil milhões desde que há quatro anos Portugal se submeteu ao plano de austeridade que teve no resgate dos bancos a sua principal prioridade. Claro que, e o jornal fez essa mesma referência, metade desta catástrofe bancária diz respeito à hecatombe BES, cuja custo directo para o contribuinte rondará já os 5 mil milhões de euros, valor esse que dificilmente será recuperado na totalidade. Mais uma factura das aventuras bancárias com a chancela do liberalismo económico a ser suportada pelos otários do costume: nós.

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A Primavera Passista

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Como diria Diácono Remédios, “a notícia é uma boa notícia“. E é mesmo. Todo o emprego que alguém quiser criar neste país é sempre bem vindo, excepto nos casos em que se verificar tratar-se das subespécies “exploração” ou “pré-escravatura”. E logo a Concentrix (nunca ouvi falar) ,uma empresa que apesar de não confirmar, o Expresso sabe que tem a Apple entre os seus clientes. Fiquei tão entusiasmado com tudo isto que até coloquei ali em cima o logótipo Compro o Que é Nosso, que é um logo bonito e que me enche de esperança no amanhã em que valorizamos o que é nacional, apesar de não ter grande coisa a ver com esta situação específica. Abençoados os anos de eleições e as Primaveras do optimismo e da ilusão que antecedem Verões de porcos no espeto, concertos de música pimba à borla, canetas, isqueiros e réguas com fartura! Venham daí essas descidas de impostos e os programas para resgatar emigrantes da hecatombe socrática que o desgraçado do Passos herdou. Ah, o triunfo da austeridade em todo o seu esplendor!

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Crónica do país feliz

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Finalmente e num golpe de génio – como era de se esperar – o nosso governo descobriu e anunciou ao País qual o problema central de que ele, País, padece: os altos custos do “factor trabalho”(como eles gostam de dizer). Quer dizer, ganhamos demais, para desgosto das empresas que, como se sabe, são o sal da terra e seriam perfeitas se não tivessem lá os trabalhadores a atrapalhar. Erguei, pois, as mãos aos céus, prezados concidadãos, e agradecei a bênção de serdes governados por gente de tal dimensão. Em que vós votastes maioritariamente, diga-se. Por isso, nos olhos de, pelo menos, 50% de vós devem correr lágrimas de alegria. Não deis, porém, importância, aos a que apresentam humidade facial provenientes de sentimentos pouco cristãos como raiva, revolta, ou desgosto. É gente que carece da necessária sensibilidade para apreciar o requinte de um pequeno (e, portanto, gourmet!) ordenado ou pensão. Ou mesmo a sua ascética ausência. Lembrai-vos (está escrito!) como este estado vos permitirá entrar ágil e airosamente no reino dos céus, enquanto um rico terá de gastar um dinheirão a mandar fazer uma agulha para entrar pelo buraco da dita montado num camelo.

Gossip boy e os outros

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O pequeno traste, o mais calhandreiro do exército de comentadores “a solo” do PSD, não desfazendo no Marcelo, outro emérito quadrilheiro de serviço – pois, a democracia assim é tão gira, tia Locas -, esmera-se, no seu estilo de leporídeo relutante, na(s) campanha(s) eleitorais da sua gente. É, talvez, o mais irritante. Mas tento não estar encadeado com a aparente diversidade deste laranjal televisivo. É que os que parecem ser opositores internos ao governo – pois, esses em que estão a pensar – nunca fizeram menção de se afastar do partido, ou, sequer, alterar organizadamente a sua situação e linha política, o que seria espectável pelo tipo de ataques que parecem protagonizar. O núcleo central do governo, ao contrário do que esperariam os ingénuos, mostra-se satisfeito com a situação. Compreende-se. Os comentadores laranjas “críticos” têm uma utilidade inestimável: embora destituídos de qualquer poder executivo no PSD, criam uma imagem de diversidade que, jamais tendo tradução política na prática do partido, atrai votos daquele indistinto espaço chamado “centro”. Por isso são preciosos. Dos Marques Mendes deste mundo, não se espera que ganhem votos, mas que alimentem a convicção dos já convertidos e forneçam conversa fiada para cafés de fim de tarde.

Outra constatação de como o governo acabou com o estado de direito

Fisco põe clientes a pagar dívidas dos restaurantes
Há contribuintes que estão a ser chamados pelas Finanças para pagarem dívidas fiscais de estabelecimentos comerciais, nomeadamente de restaurantes, onde fizeram consumos e pediram fatura com número de identificação fiscal.

Tudo isto é mau, demasiado mau. Os sinais de desagregação do estado ao longo destes 4 anos de governo são imensos. Nem um pouco de pouca vergonha sobra na cara destas lapas coladas ao poder.

Trata-se de uma acção das Finanças que coloca os clientes que pediram factura com NIF da empresa em que trabalham no centro do pagamento de dívidas dos estabelecimentos que frequentaram.

A penhora de créditos de terceiros, presentes ou futuros, está prevista na Lei e, lê-se na publicação, é uma das soluções encontradas pela administração fiscal no acto de cobrar dívidas, contudo, no caso em que são os contribuintes chamados a pagar as dívidas dos estabelecimentos frequentados, a notificação de penhora de créditos é enviada sem que tenha existido a constituição de qualquer crédito (uma vez que o pagamento é feito no ato da emissão da factura).

O bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, Domingues de Azevedo, diz que estas situações são um abuso e que continuam a acontecer porque “há uma utilização indevida da informação do e-factura”. [Notícias ao Minuto]

Utilização indevida de bases de dados. Era só uma questão de tempo até isto acontecer. Tal como o seria se a matrícula electrónica de Sócrates tivesse avançado e tal como será se a base de dados de pedófilos que a ministra da justiça quer implementar entre em funcionamento.

Vamos ter algum político a dar a cara desta vez? Ou vão todos de novo fazer de conta que apenas são uns fantoches com uma gravata e um pin na lapela?

Os ajustes directos do ex-patrão amigalhaço de Passos Coelho

Passos e Rogério

Foto: Dário Cruz@Diário de Notícias

Ontem falei aqui sobre Rogério Gomes, ex-patrão e amigalhaço do primeiro-ministro que, coincidência das coincidências, Pedro Passos Coelho levou consigo para Comissão Política Nacional do PSD em 2010 e que agora está responsável pelo programa eleitoral para as Legislativas deste ano. Já dizia o Freddie Mercury, friends will be friends.

O problema é que alguns amigalhaços do primeiro-ministro são bastante dispendiosos e, em muitos casos, verdadeiramente inúteis. Ele nem queria dar emprego aos amigos mas nisto da política de inspiração siciliana, parafraseando Ricardo Araújo Pereira, “quem tem rabo tem medo e quem tem rabo de palha tem ainda mais“. E não fosse a Urbe transformar-se noutra Tecnoforma, há que por a especialidade de Passos em prática e abrir uma porta ao ex-patrão.

Acontece que, para além dos ajustes directos feitos à custa do erário público pela ONG que Rogério Gomes criou, e que têm beneficiado algumas associações às quais está ou esteve ligado conforme noticiou ontem o DN, este amigalhaço do primeiro-ministro recebeu também um ajuste directo do IPDJ, tutelado pela Presidência do Conselho de Ministros que, como sabem, é chefiado pelo amigalhaço Pedro Passos Coelho, no valor de cerca de 61 mil euros para que a sua ONG prestasse serviços de assessoria e consultadoria ao instituto público. Passos não se cansa de abrir portas para os amigos. E que bem que se vive na corte do contador de histórias para crianças.

Titanic

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Para Cavaco está tudo bem. Para o Passos também. Pires de Lima diz que sim. A Cristas também acha. Pró Crato, está tudo em grande. A Marilu está Patinhas. O Macedo, macedando. O Motas Soares, motasoarando. O minorca comentando.
E assim, afinados, dão-nos música enquanto nos vamos afundando.

Mais um amigalhaço do primeiro-ministro

Rogerio Passos

Rogério Gomes é militante do PSD e foi, entre 2003 e 2004, patrão de Passos Coelho na ONG Urbe. Recentemente, o primeiro-ministro delegou em Rogério Gomes a elaboração do programa de governo do PSD para as Legislativas. Até aqui nada de mal até porque Passos sempre foi muito forte no ramo das ONG’s e programas de governo tendem a ser documentos de pouca validade que ninguém lê e muito menos faz cumprir. Escolheu-se o senhor Rogério, poder-se-ia ter escolhido um amigalhaço qualquer.

Claro que este conto de crianças não fica por aqui. Segundo DN, o ex-patrão do primeiro-ministro é também presidente do Instituto do Terrritório, ONG que o próprio criou, que gere em parceria com a sua esposa e que adjudicou, através de ajustes directos com dinheiros públicos, contratos a outras instituições às quais Rogério Gomes esteve ou está ligado. Passos Coelho até esteve lá para apadrinhar o nascimento desta nova ONG, quiçá para, em vez de lançar a primeira pedra, abrir a primeira porta. Ele abre-as todas.

O granel

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É uma coisa amargamente sabida: um dia, muitos de nós, com ou sem vontade, mais batráquio menos batráquio, poderemos estar na dispeptica situação de, na eleição presidencial, ter de votar no candidato que se opõe ao candidato da direita. Isso faz com que o espectáculo indecoroso a que se vai assistindo para os lados do PS seja assunto de todos, já que não faltarão, nesse momento, apelos à concentração dos votos da esquerda, sobretudo, claro, na segunda volta, se a houver. Não fora isso e não perderia um minuto com este assunto.
1º Capítulo – Henrique Neto anuncia a sua candidatura, no pleno direito que lhe assiste. Logo Medina Carreira se lhe cola e, passadas horas tem honras de ataque grosseiro – ao estilo dos protagonistas – por parte do José Lelo e Santos Silva. Da direcção do PS, silêncio.
2º Capítulo – Sampaio da Nóvoa candidata-se a candidato. Logo tem o apoio de Mário Soares e Manuel Alegre. Mas também as dentadas nas canelas por parte de Vera Jardim, Vital Moreira e, pior ainda, Sousa Pinto. E digo que é pior a intervenção deste último porque é membro do Secretariado do PS e não comentador ou jornalista de tablóide. Quer dizer, as suas declarações, se lhe resta algum respeito pelo compromisso partidário que tem, criam um problema mais complicado ao líder. Criará? Parece que não. Instado a comentar a bagunça, António Costa – que se esperava mais assertivo -, relutantemente, não achando melhor discurso, lá foi dizendo que o PS é um partido de pessoas livres, etc e tal, conhecemos a retórica. [Read more…]

A canibalização do SNS

Valongo

Foto@Adriano Miranda/Público

Apesar dos constantes elogios ao ministro que já foi Director-Geral dos Impostos e que acabou por ir parar à Saúde, a verdade é que casos recentes colocaram a sua gestão debaixo de fogo. Mortes nas urgências, o triste episódio da escassez de medicamentos para tratar a Hepatite C, episódio esse que nos permitiu perceber que o primeiro-ministro valoriza mais o cumprimento do plano de ajustamento do que a vida da plebe, ou o declínio do SNS, apesar da propaganda regurgitada por Pedro Passos Coelho, são apenas alguns indicadores da situação dramática que se vive em Portugal. Para aqueles que não podem pagar o sector privado claro.

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O virtuosismo democrata-cristão de Nuno Magalhães

Nuno Magalhães

Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

A vida privada dos responsáveis políticos não deve ser alvo de escrutínio, mesmo quando estamos a falar daquele lixo não-reciclável que o Parlamento vai acumulando em algumas esquinas do edifício, aquele que nem com soda cáustica sai. Afinal de contas, se não os queremos lá temos sempre a hipótese de levantar o cu do sofá e deixar de votar na abstenção.

Contudo, emergem por vezes situações muito específicas onde aspectos da vida privada de alguns destes indivíduos nos permitem perceber algumas tomadas de posição enquanto dirigentes políticos. Ou, como é o caso, nos deixam ainda mais confusos. Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP e titular indiscutível no F.C. Nãoexistealternativaàausteridade, encontra-se a ser julgado por se negar a assumir a paternidade de uma criança de 4 anos, paternidade essa que, segundo o Correio da Manhã, foi já comprovada através de 2 testes de ADN.

Este é o mesmo Nuno Magalhães que deu voz à “orientação firme de voto contra” o projecto-lei sobre a co-adopção levada ao Parlamento pelo Partido Socialista há um ano atrás. Na arena política, Nuno Magalhães defende que uma criança deve ter um pai e uma mãe. Já na sua vida privada, o centrista parece não ter problemas de ver o seu próprio filho privado do pai. Ou seja, todas as crianças devem ter direito a um pai e uma mãe, excepto o desgraçado do filho de Nuno Magalhães. E se a mãe encontrasse outra mãe para ocupar o espaço vago deixado pelo deputado? Será que virtuoso cristão se oporia com a mesma firmeza com que se opôs ao projecto socialista?

Palavra da salvação. Glória a vós Senhor!

Sampaio da Nóvoa

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O homem não podia pedir melhor: ainda vai em pré-candidato e já desencadeou o pânico: um boy alcoólatra, o gajo que não acabou a tradução do Capital e agora virou neoliberal, a extrema-direita do costume a berrar que nem banqueiros e latifundiários  nos idos de 1975.

Não faço, nem quero fazer, a mínima ideia de quem terá o meu voto nas presidenciais de  2016, mais que não seja contra o mentiroso mais bem pago de Portugal, que continua em plena campanha esforçando-se agora a TVI por demonstrar que pode escolher um Presidente, porque isto é tudo um espectáculo televisivo onde manda quem tem dinheiro. Mas tanto medinho vindo do lado da casta que nos tem governado é, para já, estimulante. Cliquei gosto na página do facebook, mais que não seja para chatear.

A carga fiscal brutal NÃO é sexy

Concordo com o ministro brincalhão: Portugal é um destino turístico muito sexy. Confesso até ter muita dificuldade em viver por cá sem me encontrar em permanente frenesi. Um clima magnífico, uma gastronomia sem igual, praias, montanhas, rios, lagos e tanto verde que a estrangeirada chega cá e fica toda maluca. E tudo isto a um preço cada vez mais baixo para o turista-alvo que chega sobretudo dos países mais abastados do centro e norte da Europa.

De qualquer forma, é inegável que as notícias sobre o sector do Turismo têm sido bastante positivas e batido recordes atrás de recordes. Excelentes notícias para um país que precisa desesperadamente delas e não de indicadores manipulados como a camuflagem dos números do desemprego levada a cabo por este governo.

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O horror e a demagogia de Sérgio Sousa Pinto

Não percebo como tanta gente anda tão incomodada com a entrada de Sampaio da Nóvoa na corrida presidencial. Principalmente quando a esmagadora maioria destas pessoas parece não ter dúvidas que o reitor não tem a mínima hipótese. Se ele é tão irrelevante como tanta gente diz, porquê tantos holofotes e enxovalho? Não se percebe.

O que também não se percebe é a violência da reacção do socialista Sérgio Sousa Pinto. Segundo o DN, o deputado foi arrasador com o candidato a Belém:

Não lhe basta a sublime virgindade de, em 60 anos, nunca se ter metido com partidos, de que fugiu como do tifo. Também parece que agradece a Deus a graça de ser pobre. Antes do partido dos mujiques que do movimento do Mujica. Assistimos com horror à demagogia venezuelana do PODEMOS e o fenómeno político latino-americano apareceu-nos pela porta traseira. Esta não é a minha esquerda

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Poderosa e incontrolável: A Troika

Documentário do canal franco-alemão Arte sobre as intervenções da Troika. Contém cenas eventualmente chocantes, não sendo recomendado a quem acredita na propaganda do governo. Nunca será visto num canal português.

Tradução da leitora Isabel Atalaia, que respondeu ao nosso apelo para que fosse legendado e disponibilizado aos portugueses (se necessário, active as legendas carregando na roda dentada do leitor de vídeo do youtube). Muito obrigado.

Sugestões para melhorar a tradução agradecem-se, nesta caixa de comentários.

Portugal revisto em 3 minutos

A NSA agradece

tretas, acima de tudo

Governo recupera plano Relvas e alarma Comissão de Protecção de Dados
Para cortar na despesa dos centros de dados do Estado, onde está informação sensível dos cidadãos, o Governo vai transferi-los para clouds, um armazém virtual que ainda suscita dúvidas. [DN]

Passar serviços do estado para a esfera privada tem sido neste governo o equivalente às novas auto-estradas, requalificações, parques escolares, scuts, privatizações e obras públicas de anteriores governos. Uma forma de continuar a gerar negócio para uma clientela que vive encostada ao estado, apesar do discurso insurgentemente oficial de menos estado.
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Que se lixem as eleições?

Alegra-te

 

Foto@Dario Silva

Seguindo a linha eleitoralista que tem marcado a actividade recente do PSD, que longe de se estar a lixar para as eleições se vai desdobrando entre anúncios de programas de impacto residual (mas muito interessantes no que à propaganda diz respeito), operações de charme junto de empresários, assegurando ser capaz de ganhar as próximas eleições sem recorrer sequer ao táxi do Capelo Rego, e piscadelas de olho ao contribuinte, a quem não revela ainda o próximo programa de governo apesar de deixar escapar a intenção de reduzir impostos, Maria Luís Albuquerque continua em grande forma, no humor como na hipotética corrida para suceder a Passos Coelho.

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