País governado por filhos de conúbios ilegais

Parti em muitas, muitas ocasiões. Corri Ceca e Meca. Voltei sempre. Nos tempos da ‘outra senhora’, com frequência repeli a tentação de não regressar.

Era jovem. Visitava cidades africanas, Londres e Paris com regularidade, na aurora da actividade profissional. Poderia ter escolhido a cidade-luz e casado com determinada Brigitte. No universo dos nomes, também existem modas – moda é a tradição do instantâneo, na sublime definição de Augustina Bessa Luís. A avalancha de ‘Brigittes’ em terras francesas, ao tempo, era fenómeno de mimetismo materno-paternal. Inúmeras mamãs e papás, no baptismo das meninas, inspiravam-se no nome do símbolo sexual da época, Brigitte Bardot.

No fundo, por cobardia, patriotismo ou alguma causa abscôndita, jamais reneguei o solo pátrio, onde nasci e sempre vivi. Um país típico, de percurso histórico multifacetado no último século – como outros, certamente. Mas, esta terra, nas últimas quatro décadas e meia, serviu de cenário a profundas e múltiplas transformações políticas, territoriais, de relações externas, económicas e sociais.

Entretanto, ao correr dos tempos, foram-se fabricando núcleos de políticos impreparados, tecnocratas, incultos e refractários em relação a sérios ideais éticos, morais, políticos, de solidariedade e de sensibilidade social.

[Read more…]

Sétima Revisão da Troika: documentos traduzidos para português

Introdução

AVISO: Este trabalho ainda não foi revisto. Penso no entanto que é importante este material estar o mais cedo possível disponível para discussão. Agradeço que deixem um comentário caso encontrem gralhas ou omissões.

Esta é a tradução dos documentos publicados pelo FMI no dia 12 de Junho (PDF). Como é normal, tanto para este governo como para o anterior, a tradução destes documentos para português parece não ser considerada urgente. A menos que, naturalmente, haja alguma pressão dos meios de comunicação social. A página do governo onde se encontram os documentos das sucessivas revisões da Troika contém traduções para os memorandos relevantes, infelizmente essas traduções costumam aparecer três a cinco meses depois de serem publicados os originais, ou seja quando já não são necessários, quando são irrelevantes.

Assim, mais uma vez, a tradução destes documentos recai sobre os ombros dos próprios cidadãos. Estes documentos são talvez mais importantes que o próprio Orçamento de Estado dado que são eles que, em última análise, ditam as políticas, estabelecem os objectivos e, de uma forma geral, norteiam a acção dos governos.

Do comunicado à imprensa do FMI, podemos ler: [Read more…]

PSP – umas vezes a violentar, outras a contestar


Sempre senti aversão a fardas. É coisa antiga. Desde a pré-adolescência, quando aos 10 anos me obrigaram a envergar a farda da Mocidade Portuguesa, com o célebre ‘S’ – de Salazar – no cinto. Sucedeu no, então, Liceu Nacional Gil Vicente em Lisboa, hoje designado Escola Secundária.

De todas as filtragens da vida, retenho um particular asco à PSP. Ainda no passado dia 31 de Maio, na manifestação de Lisboa contra a ‘troika’ e o governo, observei atentamente a postura e ar ameaçador da maioria dos agentes do PSP.  Em grupos alinhados, vigiavam a populaça. Não lhes deram motivos para intervir. Alguns pareceram-me frustrados.

[Read more…]

Jardim vale o triplo do Tribunal Constitucional

O acórdão do Tribunal Constitucional valeu um aumento da despesa pública de 1.300 milhões de euros – resta saber se, em vez de aumento da despesa, não deverá considerar-se diminuição de cobrança de impostos.

A maior parte dos juízes ainda foram benevolentes com o governo, ao considerar a constitucionalidade da ‘CES – Contribuição Extraordinária de Solidariedade’. Juízes vencidos, cinco ao todo, consideraram que a medida estava ferida de ilegalidade constitucional.

Se medidos em relação aos desvarios do meteorologista Gaspar em termos de execução orçamental e de agravamento das contas públicas, os tão propalados 1.300 milhões é valor de pouca monta.

Por outro lado, se acrescentarmos aos citados desvarios a ilegalidade do governo do boçal Alberto João Jardim, avaliada pelo Tribunal de Contas em 3,85 mil milhões de euros de dívidas da RAM, os governantes ilhéus triplicaram praticamente o valor do TC.

A lamúria ininterrupta de Passos, Gaspar e Portas acerca do acórdão do TC não passa de mero instrumento de manipulação da opinião pública. É, de facto, de enorme falta de decoro enfatizar o penoso dever de pagar subsídios de 1,3 mil milhões e omitir as trapalhadas do grosseiro Jardim que lesou o governo central em 3,85 mil milhões de euros.

De regresso ao Estado Novo?

Prepotências, métodos tortuosos e embustes deste governo não se afastam dos padrões de dirigismo e das acções políticas características do Estado Novo. O mais grave e inquietante da citada postura é notório na comunicação, em certas deliberações e eventos de iniciativa da coligação governativa. O fenómeno intensifica-se a um ritmo progressivo. Sinto-me a viver o período do maior desassossego antidemocrático do regime pós-25 de Abril, PREC incluído.

Gaspar justifica a quebra do PIB com a chuva. Quem nos governa ousa desrespeitar as deliberações do Tribunal Constitucional e a lei em vigor ao tempo do acórdão, pagando fora do prazo subsídios de férias da função pública. Começou por invocar uma falsa insuficiência de meios.

Vencidos no campo das relações laborais e do direito à greve dos professores, a despeito de contrariarem o Colégio Arbitral que reprovou a hipótese de requisição civil, recorrem ao Júri Nacional de Exames para requisitar administrativamente a presença de todos os professores nas escolas, na próxima 2.ª feira, dia 17, a fim de fazerem a vigilância dos exames.

[Read more…]

Choveu, subiu o nível dos juros da dívida portugesa

As taxas de juros da dívida pública portuguesa agravaram-se para as percentagens seguintes:

0001 (2)Fonte: Jornal de Negócios

Também Itália e Espanha viram os juros das dívidas públicas registarem aumentos, embora com intensidade inferior à verificada para Portugal. Saudado pelo aliado Cavaco, o governo, pela mão da swinger dos swaps, Maria Luís Albuquerque, exuberou na euforia do regresso aos mercados, há cerca de um mês, realizando uma operação de 3.000 milhões a 10 anos à taxa de 5,669%.

Agora, em momento de subida sensível e generalizada a todos os prazos de juros, os membros do governo ou mesmo os deputados da  maioria emudeceram.  Olham para o ar e assobiam ‘Singing in the Rain’.

Sinceramente também não tenho paciência para ouvir Vítor Gaspar a argumentar que, tendo chovido torrencialmente no centro da Europa, os juros, fluídos como a água, também registaram subida nos níveis das taxas; ou então, as vacuidades da madame d’ air négligé, estilo Saint Germain de Prés, Teresa Leal Coelho.

[Read more…]

Presidentes da República vítimas de andaço

A Zona Euro parece viver época de inquietante andaço. Uma particularidade: os supremos magistrados de certos Estados-membros são dos mais atingidos por disfunções psíquicas. Os Presidentes da República de Portugal e de França foram as primeiras vítimas. Quem sabe se outros presidentes e a chanceler vão sofrer do contágio – rainhas e réis, gozando muito e em permanente regime de serviços mínimos, parecem a salvo da epidemia.

Cavaco Silva, o presidente dos “cidadões” portugueses, no “dia da raça”, decidiu bater-se pelo desenvolvimento do País centrado no património cultural. É sempre positivo assistir à reconversão de um tecnocrata em homem da cultura.  Porém, não ficou por aqui. A contrariar a realidade do desmantelamento das produções agrícolas durante os tempos em que foi PM (1985-1995), declarou:

Há quem sustente que a adesão de Portugal às Comunidades [em 1986] implicou a destruição do mundo rural e a perda irreversível da nossa capacidade produtiva no sector primário. Este retrato é completamente desfasado da realidade

[Read more…]

Recandidatura de Passos Coelho é problema dele?

Dele ou nosso, Dr. Alberto João? É fundamentalmente nosso, excluindo o batalhão de privilegiados em que Vossa Excelência alinha.

Inaugure-se a Alameda Helena Matos!

No Blasfémias não se trabalha ao Domingo. É pecado. E quando um ou outro, por motivos imperativos e (a)patrióticos tem de defender o Coelho no santo dia, sente-se obrigado a cumprir os sacramentos da hóstia consagrada e da confissão. O blasfemo bloguer vai à Igreja de S. Roque para a sagrada penitência.

Cumprido o dever, de alma purificada e enfunada de sublime felicidade, dirige-se de seguida à Brasileira do Chiado, nas proximidades, olha com desdém para a estátua do Pessoa e bate-se com o café e o bolinho.

Por força do condicionamento da regra da publicação ou das normas de expiação, a inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, por António Costa, ontem Sábado, favoreceu Helena Matos que, assim, não cometeu qualquer transgressão ‘blogueriana’. No tempo regulamentar, pôde fazer a defesa da abertura de uma Avenida António Oliveira Salazar em Lisboa. Justamente porque, alega a comediante, o que António Costa disse de Cunhal pode dizer-se ipsis verbis de Salazar.

[Read more…]

O amanuense Rosalino limita a liberdade sindical

Rosalino é sintrense, da terra de queijadas. Umas com qualidade, outras sem ela. Depende do fabricante, dos ingredientes e até da inspiração do pasteleiro.

O que acontece com o processo de fabrico das queijadas é semelhante ao que pode suceder no progresso etário, social e político de alguns indivíduos. Às vezes, saem azedos, prepotentes e ufanam-se de poderes que, no passado, jamais imaginaram alcançar. Rosalino, amanuense,  tipo Sousa Lara que pensou ter punido Saramago, é mais uma daquelas figuras burlescas, de espírito serventuário. Ingressou no Banco de Portugal (BdP) e então atingiu o zénite.

Com efeito, o banco central é o habitat natural de quadros da índole de Cavaco Silva, Oliveira Costa, António Borges, Vítor Gaspar e outras sinistras e arrogantes figuras. Por outro lado, mantém uma equipa de segundo plano; os tais amanuenses, tipo Rosalino, que, uma vez chamados a funções governamentais, encarnam a alma e o poder de Alexandre III da Macedónia, o Grande ou Magno, respeitando com fidelidade o pensamento aristotélico.

[Read more…]

Telemedicina – desde a informação escassa à propaganda

O ‘Público’, aqui, anuncia com ressonância e detalhe o arranque de um serviço de telemedicina, em cardiologia, entre Portugal (Lisboa) e São Tomé e Príncipe. A iniciativa é meritória, mas o estilo hiperbólico com que é anunciada é inapropriado.

A telemedicina em Portugal tem um prolongado historial envolvendo diversos pontos do País, que é abstruso e imperdoável omitir ou distorcer perante a opinião pública; caso do desproporcionado realce dado ao projecto antes referido. Cria-se a ideia de um pioneirismo, obviamente falso.

A fim de ter a noção de que a telemedicina, como prestação remota de cuidados de saúde e ensino médico à distância, é uma actividade com certa tradição e disseminada a nível geográfico e médico em Portugal, será suficiente consultar o portal do cidadão. Os centros e as especialidades abrangidas são, de facto, em número significativo. [Read more…]

A felicidade das prostitutas e dos seus filhos

A campanha era infeliz. Os brasileiros eliminaram-na. Em Portugal, sem publicidade, sabe-se que são os filhos delas os mais felizes.

A complexa relação de Passos com o tempo

Antes “nem mais tempo…” . Agora, Passos diz “[ajustamento prosseguirá] durante muitos anos”. Que diferença! E quantos anos são muitos?

A democracia da injustiça e do conflito

O ambiente sociopolítico tem vindo a registar uma degradação e tensões crescentes. Em complemento de manifestações de oposição ao governo, frequentes e mais ou menos participadas, sucedem-se protestos e vaias “inorgânicos”, de Norte a Sul do País.

No fim-de-semana, em Trás-os-Montes, o primeiro-ministro foi acolhido em ambiente de contestação por grupos diversificados em função da área profissional e/ou económica. Hoje, a semana iniciou-se com o impedimento do secretário de Estado dos transportes, Sérgio Monteiro, de discursar na conferência “A região metropolitana, a mobilidade e a logística”, em Lisboa.

Salvo a fase do PREC, naturalmente turbulenta, nunca o nível de conflitualidade social se elevou a este tom. Naturalmente, que a receita de dura austeridade prescrita pela CE, em especial pelos países poderosos da ‘Zona Euro’ aliados ao FMI, está na origem das contestações às injustiças do governo actual: captura e redução de rendimentos a funcionários públicos, reformados e pensionistas, liberalização dos despedimentos e consequente expansão desenfreada do desemprego e de insolvências, propósito de afastamento de dezenas de milhares de profissionais da função pública, endividamento externo em acelerado crescimento, quebras acentuadas do PIB e défice orçamental acima das previsões governamentais.

[Read more…]

“Clube da bancarrota”, o clube do lusitano coração

Inclinações clubísticas de Coelho iguais às de Sócrates. Portugal regressa ao ‘clube da bancarrota”, o nosso clube do coração. Obrigado Coelho, simpatia Gaspar!

Portugal putrefacto

Oitocentos e setenta anos de história. Tempo demasiado longo para percorrer um caminho completamente asséptico. É verdade, demos novos mundos ao mundo. Todavia, não o fizemos por pura abnegação. Com máscaras de ideais da propagação da fé católica – sim, sobretudo católica em vez de cristã – as caravelas levavam nos porões ambições ilimitadas de acesso a fortunas, focadas no comércio das especiarias das Índias, no ouro do Brasil ou em outros bens que fizeram de Lisboa um centro de negócios ímpar na Europa do século XVI.

Outros povos europeus protagonizaram empreendimentos semelhantes, mas, por ora, concentremo-nos em Portugal. Nos tempos e nos espaços do percurso histórico deste País.

Tivemos e oferecemos ao mundo homens brilhantes. Camões, Padre António Vieira, Pessoa e Saramago, na divulgação da cultura e língua portuguesas, destacaram-se em épocas distintas. Contudo, nos longos tempos e sobretudo no espaço, agora apenas rectangular, europeu e adicionado de salpicos de terra isolados no Atlântico, também desabaram impurezas humanas. [Read more…]

Sai um novo chairman para a CGD!

Sem chairman, na CGD não há crédito para as PME. O eleito foi  Álvaro do Nascimento, da Católica do Porto. “É cá dos nossos”, diz o Costa do BdP.

OCDE esqueceu-se do ‘momento do investimento’, diz Gaspar

OCDE(2)

Vítor Gaspar teve hoje um dia negativo. Ingrato, diria. Com coragem, e referindo-se ao ‘programa de ajustamento’ de que é o gestor governamental, confessou:

Certamente sou responsável por vários erros.

Registe-se a humildade. Todavia, exige-se-lhe mais detalhes quanto à natureza e impactos quantitativos e qualitativos, nas condições de vida dos portugueses, do maior erro cometido: a defesa intransigente das políticas austeridade, agravando o programa do ‘memorando de entendimento’ da troika – lembro a retirada dos subsídios de férias e de Natal, bem como a antecipação do IVA de 23% aplicado à energia eléctrica e gás em Setembro de 2011, quando o memorando estabelecia Janeiro de 2012.

Queixou-se do PS quanto ao memorando, mas tem reduzida moral para se lamentar. Assumiu a direcção do programa com entusiasmo e empenho, fazendo sentir aos portugueses, e de que maneira!, a deterioração da vida do dia-a-dia. Desemprego, pobreza, miséria, insensibilidade social, entre outros, são pecados a expiar arduamente. Mas, permanecerá incólume e até progredirá na carreira, a nível internacional. [Read more…]

Menos 45 milhões nos transportes em 2012

De quem é a culpa da quebra anunciada pelo INE? Dos passageiros, claro. Sabotadores das previsões das receitas do IVA do Gaspar. Malandragem!

O discurso ambíguo de Dijsselbloem

O presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, simultaneamente ministro das finanças da Holanda, esteve em Lisboa. Cumpriu o cerimonial da visita a Cavaco Silva e esteve em reunião com Vítor Gaspar.

Na comunicação à imprensa, não assegurou – nem poderia fazê-lo isoladamente, creio – que Portugal venha a beneficiar de nova flexibilização de metas (deficit orçamental mais alto) para 2014. Ficou-se por afirmações de certo modo dúbias:

[…] caso Portugal atinja os objectivos definidos para o défice estrutural, “se for necessário dar mais tempo a Portugal, então esse tema [a flexibilização adicional do objectivo para o défice nominal em 2014] será debatido”.

Ou seja, em vez da dilatação dos limites da meta para 2014 por que o governo – Gaspar e Coelho em especial – luta pela aprovação do Eurogrupo, prometeu o debate do tema…”caso Portugal atinja os objectivos definidos para o défice estrutural”.

O presidente do Eurogrupo, através do condicionalismo proposto para o défice estrutural, introduz uma complexidade na avaliação dos resultados das finanças públicas, uma vez que o SOAC (saldo orçamental ajustado ao ciclo ou saldo estrutural), embora utilizado pela OCDE e FMI, corresponde ao saldo que se registaria caso a economia estivesse em plena capacidade; ou seja, equivale ao uso do PIB potencial. [Read more…]

Apelo: um Programa ‘Prós e Contras’ dedicado aos ‘sem-abrigo’!

Helena Roseta é das mulheres mais generosas e activas da política portuguesa; infatigável nas funções e tarefas a que se dedica. Sem subserviência a aparelhos partidários, teimou em trilhar o caminho da independência. Com os apoios e admiração colhidos no movimento ‘Cidadãos por Lisboa’, foi eleita vereadora da Câmara Municipal da capital.

O cargo não é fácil, pelo âmbito do pelouro – Desenvolvimento Social – e pelas vidas infelizes com que se confronta; por força da crise e das políticas de austeridade, autênticas obsessões do alucinado e errático Gaspar – ter um PM sem preparação facilita a vida de incompetentes atrevidos, e desonestos intelectualmente. Não acerta uma!

No cenário de sofrimento social de rua na capital, diz a arquitecta Roseta, estima-se atingir cerca de 2.000 pessoas ‘sem-abrigo’. O desemprego, a penúria económica onde se inclui a pobreza envergonhada constituem traços transversais da população de indigentes lisboetas. O número não é certo e Roseta lembra que, em 2012, se calculava entre 700 e 800 o número dos ‘sem-abrigo’ a dormir nas ruas da capital. Roseta levanta várias hipóteses para aliviar sofrimentos dos atingidos, a nível da criação de estruturas.

Percorro o País, como muitos e em particular os governantes. Sei que não se trata de um problema apenas lisboeta. Sucede no Porto, em Coimbra, em Setúbal, em Faro e, em algumas vilas e cidades do interior, onde há anos seria inimaginável chegar a este fenómeno de progressão geométrica da pobreza em desfile pela rua, nas 24 h do dia, de forma tão evidente e pungente.

Os números da indigência, já incluem muitas crianças famintas e não cessarão de dilatar, sob as altas temperaturas das políticas neoliberais do actual governo, incentivadas pela Europa do Centro e Norte com o desprezo pela sensibilidade social – lembre-se a divisa de Pedro Passos Coelho: “temos de empobrecer, custe o que custar”. Foi-lhe sugerido por Gaspar e pelo garoto, filho de comunista, Moedas, um ex-Goldman Sachs. O interesse é salvar bancos e o capital. [Read more…]

Ó Martim: Closed Shops of Benetton, pá!?

O sistema de franchising da Benetton derrapou. 9 lojas encerradas e milhões em dívida. Chamem o Martim que ele resolve.

Oh! Oh! Fait le Clown

Dos velhinhos e saudosos anos 60, eis uma canção de homenagem aos verdadeiros palhaços. Que têm por profissão e missão divertir, com profissionalismo e orgulho. Sem sentir rancores ou ódios em relação a quem lhes chame “Palhaço!”.

Dos que actuam no ‘circo da política’, chamem-se Grillo, Silva, Ramos ou Ramalhete, não têm a dimensão humana do palhaço verdadeiro. Ofendem-se por serem, erradamente em relação aos autênticos, classificados como membros de uma profissão que, afinal, abominam. E desdenham.

Como se consideram supremas divindades, a PGR tem de ir ao circo e produzir um longo processo, no qual será ouvido o Sr.  Victor Hugo Cardinali  e todos elementos da companhia. Dos ursos aos leões, dos trapezistas aos nobres palhaços, ricos ou pobres mas sempre autênticos. Dos falsos, estamos saturados, porque o espectáculo de que são protagonistas é demasiado repugnante.

Viva a canção velhinha de Frank Alamo!

Nem mais tempo, nem mais dinheiro

Passos admite pedir a flexibilização do défice para 2014. O maior intrujão a actuar no ‘circo do CE’, na comédia pós-troika.

Oxfam denuncia os demoníacos paraísos fiscais

Na imprensa portuguesa, o ‘Público’ deu relevo detalhado mas célere à vergonha dos paraísos fiscais. Compreende-se a brevidade. O texto citava a quase totalidade das empresas do PSI-20 que utilizam a Holanda, como paraíso fiscal. A Sonae é uma delas.  Belmiro ficou furioso com a audácia dos  jornalistas e rapidamente a notícia passou de destacada a escondida.

A denúncia noticiada partiu do Oxfam, Comité de Oxford de Combate à Fome, fundado em 1942 – uma pequena curiosidade: durante a II Guerra teve o mérito de convencer o governo britânico a permitir a remessa de alimentos às populações famintas da Grécia, então ocupada pelos nazis e submetida ao bloqueio naval dos aliados.

O relatório do Oxfam tem o seguinte título:

Imposto sobre os biliões de “privados” agora guardados em paraísos seria suficiente para acabar com a pobreza extrema do mundo duas vezes [Read more…]

Congresso Democrático das Alternativas

O meu desafio este Sábado vai ser outro, sem colisões entre águias e dragões. Essas ficam para os doentes da bola, que entra ou bate  em postes e travessões.  Quem ganhar será campeão, com paraguaios, colombianos, uruguaios, argentinos e brasileiros a manjar o pastelão, de que  o ‘Zé Povinho’ abdica para comer sandes de côdea com pão, regada por uma caneca de verde tinto limiano. Que ajudará à euforia dos vencedores ou causará o engano da alegria aos vencidos.

Sem renunciar ao futebol, e aos amigos que o saboreiam, vou, de facto, a outra luta, das muitas que temos a empreender para correr à força com os filhos da puta.

Programa CDA

Garcia Pereira na luta contra os ‘swaps’

garciapereira101212Garcia Pereira, que conheço pessoalmente e de quem discordo politicamente em muitas matérias, tem, ao menos, o mérito – e a seriedade – de se manter fiel ao seu MRPP, por onde passaram: Durão Barroso, Fernando Rosas, Arnaldo Matos, Saldanha Sanches, Ana Gomes, Maria José Morgado, Maria João Rodrigues, Pinto Ribeiro, Franquelim Alves, José Lamego (ex-marido de Assunção Esteves) e muitos, muitos outros que se espalham por aí entre a vida partidária no ‘bloco central’, a comunicação social e o “tacho” compensador de subserviências e serviços prestados com interesseira devoção.

Claro que, do grupo, excluo aqueles que, por acreditarem no ideário perfilhado e no combate contra a tentativa hegemónica do PCP, se perfilaram pelo crer nos objectivos da luta em que se embrenharam. Têm de aceitar, todavia, o erro. Os acima listados vivem em lugares e condições sociais próprias de elites, ao passo que os crentes comuns estão submetidos à arrogância de sucessivos governos injustos – de Cavaco a Coelho, passando por Guterres, Barroso e Sócrates – uns mais do que outros, mas geminados nos desmandos contra o interesse do País e dos Portugueses. [Read more…]

‘Swaps’ – abordagens teóricas (V)

continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas(IV)

‘Swaps’ Exóticos

Até agora tratámos com carne e batatas dos mercados de derivados, ‘swaps’, opções, contratos a prazo e futuros. Exóticos são as complicadas misturas daquilo que muitas vezes produzem resultados surpreendentes para os compradores.

Um dos mais interessantes tipos de exóticos é a chamada taxa variável inversa. No nosso ‘swap’ fixo para flutuante, os pagamentos flutuantes oscilaram com a LIBOR. Uma taxa variável inversa é aquela que varia inversamente com alguma taxa como a LIBOR. Por exemplo, o padrão pode pagar uma taxa de juro de 20% menos a LIBOR. Se a LIBOR é de 9%, então o inverso paga 11%, e se a LIBOR sobe para 12%, os pagamentos sobre o inverso cairiam para 8%. Claramente, o comprador de um inverso lucra desde que o inverso das taxas de juros caia.

Tanto o flutuador normal e como os flutuadores de taxas variável inversa têm uma versão sobrecarregada chamada ‘super-flutuadores’ e ‘super-inversos’ que flutuam mais do que um para um, com movimentos nas taxas de juros. Como um exemplo de um ‘super-inverso’ de taxa variável, considere um flutuador que paga uma taxa de juros de 30 por cento menos duas vezes a LIBOR. Quando a LIBOR é 10 por cento, o inverso paga

30% – 2 x 10% = 30% – 20% = 10%

E se a LIBOR cai 3% para 7%, então o retorno na taxa variável inversa aumenta de 6%, de 10% para 16%.

30% – 2 x 7% = 30% – 14% = 16% [Read more…]

Cristas – não se assusta uma grávida!

Crista assustou-se: mais 53,1% de desemprego agrícola. Chuvas prolongadas, agricultura incipiente, trabalho agrícola  decadente.

‘Swaps’ – abordagens teóricas (IV)

– continuado de ‘Swaps’ – abordagens teóricas (III) –

‘Swaps’ de Moeda

FX (moeda estrangeira, abreviatura em inglês) representa o câmbio em moeda estrangeira, e os ‘swaps’ em moeda são algumas vezes designados ‘FX swaps’. Os ‘swaps’ em moeda são permutas de obrigações de pagar fluxos de caixa (cash-flows) numa moeda para obrigações a pagar noutra moeda.

‘Swaps’ de moeda surgem como um instrumento natural para cobertura do risco no comércio internacional. Por exemplo, suponha que uma empresa dos EUA vende uma ampla variedade de produtos da sua linha no mercado alemão. Todos os anos, a empresa pode contar em receber receitas da Alemanha na moeda alemã, ‘Deutschemarks’ ou DM em versão abreviada. As taxas de câmbio flutuam, isto submete a empresa a riscos consideráveis.

Se a empresa produz os seus produtos nos EUA e os exporta para a Alemanha, então a firma tem de pagar aos seus trabalhadores e fornecedores em US $ (dólares). Mas, está a receber algumas das receitas em DM (marcos alemães). A taxa de câmbio entre o US $ e o DM altera-se permanentemente. Se o DM aumenta de valor, as receitas recebidas da Alemanha têm um valor maior em US $, mas se o DM cai tais receitas descem. [Read more…]